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sexta-feira, 11 de agosto 2006
De Paraty, em memória de Jorge Amado

Charge de Jorge Amado: Estado de São Paulo.
Não na condição de professor, escritor ou autor de nada, mas de namorado de uma autora da Record, participei ontem do jantar oferecido pela editora aqui em Paraty. Pude conhecer outro ídolo meu, o ensaísta, historiador e romancista britânico-paquistanês Tariq Ali, um dos analistas mais argutos do mundo contemporâneo e crítico dos mais incisivos da máquina assassina israelense (se você não conhece a obra de Ali, comece com Confronto de fundamentalismos, livro chave para se entender a política de hoje). Também estava presente no jantar o ficcionista gente-boa Marcelino Freire, que acaba de ganhar o Prêmio Jabuti pelo seu livro Contos Negreiros. Muito simpático, o Marcelino. Parabéns, eita danado!
Mas a honra mesmo da noite foi poder conhecer membros da família Jorge Amado. Acho que o grande saldo desta Flip, para mim, será o desejo de participar da reabilitação de Jorge Amado dentro da universidade. Fazem-se muitas críticas à universidade brasileira e eu considero a maioria delas injustas. Mas neste caso, os críticos têm razão: a universidade – muito em especial a academia paulista – é a grande responsável pelo fato de que a obra de Jorge Amado tenha sido encarada com desprezo pelos estudiosos de literatura no Brasil. Aqui eu faço meu mea culpa: durante anos eu repeti essa cantilena.
Para a obra de Jorge Amado os críticos literários brasileiros sempre reservaram os piores epítetos: popularesca, folclorista, superficial, estereotipada, panfletária. Os pouquíssimos que se dedicam ao seu estudo são, em geral, vistos com condescendência (parabéns por remar contra a maré durante tantos anos, Eduardo de Assis Duarte). O meu testemunho não é nada especial: para me formar em Letras tive que ler toneladas de Marx e Freud, mas nem uma única linha de Jorge Amado – e olha que eu assistia aulas de manhã e à noite e me matriculava em tudo quanto era eletiva disponível.
Claro que li Jorge Amado – pouca coisa, uns 7 ou 8 romances – mas sempre com a sensação de estar lendo algo de pouca importância. Enquanto isso, seus livros continuavam vendendo milhões e agradando leitores mundo afora. Pois bem: eu saio desta Flip com uma vontade danada de participar de um esforço de reabilitação de Jorge dentro da universidade. Para isso, claro, vou usar o blog no que eu puder.
Portanto, queria deixar com vocês a proposta de que depois do Grande Sertão – sobre o qual ainda haverá dois ou três posts, pelo menos – nós nos dediquemos a ler um romance de Jorge aqui no Clube de Leituras. Meu voto é para Mar Morto, mas estou aberto a sugestões.
Alguém tem depoimentos, casos, relatos, opiniões sobre o genial bruxo baiano? Ontem ele teria feito aniversário: nasceu no dia 10 de agosto de 1912.
Evoé, Jorge.
Atualização 1, na segunda-feira: Maria João Amado, neta de Jorge Amado, que topou participar do clube de leituras conosco, também é blogueira!
Atualização 2: baseado em todo o dito aqui e a mim por amigos, gostaria de começar com Terras do sem fim. Terminando o papo sobre Rosa combinamos datas.
Escrito por Idelber às 15:31 | link para este post
| Comentários (42)
#1
Mar Morto? Eu topo. Nunca o li.
Milton Ribeiro em agosto 11, 2006 5:27 PM
#2
Fui nas duas últimas FLIPs. Adorei. Neste ano, faltou-me grana. Não imaginas minha inveja! Boa FLIP para vocês!
Milton Ribeiro em agosto 11, 2006 5:29 PM
#3
Eu li quase tudo de Jorge Amado quando era adolescente, incluindo Mar Morto. Os motivos foram 1- que os livros simplesmente estavam lá (minha mãe tem um coleção completa) e 2- meu avô detestava Jorge Amado com todas as forças e tanto falou mal que eu fiquei curiosa.
Lembro que gostei muito de Mar Morto, mas já nào lembro bem dos detalhes da historia. Gostei bastante de Jubiabá. Não seria uma opção?
Alessandra em agosto 11, 2006 6:23 PM
#4
Mar Morto? Eu também topo, será que dessa vez consigo acompanhar? Pelo menos esse livro eu tenho em casa, á é meio caminho andado. ;-)
(Achei um barato esse troço de participar como namorado da autora. Deve ser uma onda. Hehehehe)
Bjs
Monix em agosto 11, 2006 6:46 PM
#5
Professor, pessoal, boa tarde. Professor, permite uma pergunta? "Máquina assassina israelense"? As máquinas do Hezbolah, do Hamas, etc... são máquinas do bem? Do mal que é bom? Do Jorge Amado o que mais gostei foi "Os Subterrâneos da Liberdade",se é que estou citando certo, faz tempo que li, acabo fazendo confusão com " Os Caminhos da Liberdade", do Sartre. "Mar Morto" não li, vai ser bom, tomara. Bom fim de semana pra todas e todos.
mauro chazanas em agosto 11, 2006 7:06 PM
#6
nossa. jorge amado. vc tocou numa questão pessoal minha. li dois romances dele. um foi mar morto, como citaram aqui e outro, gente, não lembro o nome! talvez por não gostar de jorge amado. enquanto alguns sempre me falavam nossa! ele é maravilhoso coisa e tal...e eu ficava me perguntando aonde as pessoas viam tanta coisa maravilhosa nele...mas tbm, se eu levar em consideração q, até um ano atrás passava batida por carlos drummond e, de repente lendo um poema dele...puff! tudo se abriu...pode ser q jorge amado e carlos drummond não tenham sido bem colocados na minha vida pelos professores coisa e tal...mas sempre fico achando que autores e seus trabalhos e nós, os leitores...acontecemos. na hora certa. sei lá... mas dps de te ler, acho q vou comprar um romance de jorge amado e recomeçar. é pois é.... beijo!!!! ;)
albinha em agosto 11, 2006 7:25 PM
#7
Tb não li Mar Morto, e já vou providenciar uma cópia para finalmente conseguir participar do Clube de Leituras.
Donizetti em agosto 11, 2006 7:31 PM
#8
1) Apesar de não ler mais nada dele há muitos anos, comecei a me interessar/gostar de política em função dos seus livros. Eu era uma criança beeem reaça antes disso, com certeza.
2) Passei a achar panfletário e simplista, mas concordo com vc, vale a pena ser revisitado de forma mais sistemática e intensa.
3) Gostei de Mar Morto. Devo ter lido há pelo menos vinte anos, lembro pouco, mas lembro de algumas cenas hilárias e das personagens femininas, interessantíssimas.
4) Mauro, vc escreveu o nome correto. Um trilogia, certo? Os subterraneos da Liberdade, os unicos que se passam em sp, acho.
Bacana a homenagem pra Orestes Ristori.
Vivien em agosto 11, 2006 7:36 PM
#9
Há meio que um consenso a respeito da melhor obra de Jorge: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua. É minha preferida, definitivamente -- mas acho que, para o Clube de Leituras, acaba sendo curta demais (a novela nem chega a 100 páginas, né).
Quanto à revisão da sua obra nas universidades, acho que deve ser levada a sério.
Rodrigo em agosto 11, 2006 9:58 PM
#10
Taí, só mesmo o Amado prá me fazer ver o fio tênue de identidade que nos liga, nos conecta nesse emaranhado que se encontra na rede. Achei lindo! Namoro, admiração, reconhecimento, família, relacionamentos, conjugalidade... verdadeira vivência jorge amadoniana(hehehe) o lanço conjugal é possível, mesmo em se tratando de impossíveis. pelo jeito, a vida te brindou com cenas e situações típicas de romance do velho Jorge. Um professor, escritor ou autor de nada, presente na FLIP, na condição de namorado de autora, que pela editora do seu "um defeito de côr", aliás, mesma côr de Gabriela, aquela de cravo e canela, ela, a Ana Maria. Sorry! Mas, esse intervalo de tempo na e da tua vida : Tariq Ali, Marcelino Freire, família de jorge amado... laços conjugais, que não se estabelecem apenas por amor e sexo, mas também por isso... teresa batista... que viagem!!!! no dia do aniversário do cara! o mais impressionante é que o personagem-narrador, antes de mais nada, é machadiano, que escreve como um escritor que pensa a própria forma de suas memórias. Em cenas, ambientes e situações típicas de romances de jorge amado, opera tal como Machado de Assis em "Notícia da atual literatura brasileira", referindo-se tal como quem examina a atual literatura reconhecendo-lhe logo, como primeiro traço, certo instinto de nacionalidade, não somente em obras que tratam de assuntos locais, circuitos na narrativa que nos leva a vislumbrar qualquer coisa relativa no campo de significantes que organizam nossas condições de fala em nosso mundo. Genial! além de estabelecer a cor local, afinal é o namorado da autora de "Um defeito de cor", transita pela tradição e cultura ocidental sem prurido nem recalque, sem uso do exótico ou do pitoresco. O local e o universal, o original e outro modelo, em pauta, todo tempo. Qtos cruzamentos só na descrição de uns instantes, laços, amizade de agora. mestria de passagens, o singular e o coletivo, local e universal, velho e novo, nacional e estrangeiro, fetiches, sentimentos, conjugalidades de constelações e labirintos...
chi!!!! acho que fiquei viajandona!
sorry!
L=L=X
elenara iabel em agosto 12, 2006 2:59 AM
#11
Minha "iniciação" literária se deu com Machado (Memórias Póstumas) e Jorge Amado (Capitães de Areia, leitura obrigatória na adolescência tupiniquim). Ainda guardo na memória o prazer que o contato com a prosa de Amado me propiciou. Confesso que fui atingido por essa onda de desprezo pela literatura do baiano. E deixei-o de lado...
Nesse momento de reabilitação do valor literário do escritor baiano, é forçoso reconhecer que a Rede Globo é co-responsável pela penetração dos personagens e estórias de Amado no imaginário popular: um sem-número de minisséries e novelas, desde a lendária Gabriela. Talvez, até por isso, o relativo desprezo da Academia. Pequena tese a ser discutida...
Dois PS:
1-Topo entrar na leitura de Amado. E pemrmita-me sugerir A morte e a morte de Quincas Berro Dágua.
2- Li tudo de Tariq Ali. Além de ensaísta com aguçado poder de síntese, é romancista de valor. Sua trilogia de romances históricos a respeito das história muçulmana é mutio boa.
Roberson em agosto 12, 2006 10:05 AM
#12
Professor, tenho uma relação especial com Jorge Amado.
Meu pai, quando eu era criança, comprou uma coleção completa de Jorge Amado. Era um monte de livros com capa vermelha, é claro. Eles me fascinavam por ficar ali na estante, distantes para mim, quase inacessíveis (eu tinha uns quatro, cinco anos).
Quando completei uns nove anos, eu acho, já era apaixonado pela leitura e um leitor quase compulsivo. Porém, pouco tinha lido de literatura brasileira (e de literatura de verdade mesmo). A profundidade de um romance ainda era um enigma para mim. Então meu velho lançou o desafio de ler os livrões de capa dura vermelha.
Aceitei. E me deliciei com Jorge Amado. Algumas vezes me chateei. Outras sorri. Descobri o siginificado de palavras estranhas para mim, na época. Vi um mundo totalmente diferente do meu. Com mar, mulheres, sexo, traições, drama, enfim, o mundo.
Acho que Jorge Amado é meu professor de literatura. Com ele aprendi a compreender a lógica e profundidade de um romance, de uma novela, etc. Faz muito, muito tempo que, quando visito meu pai, não toco nos livros de capa vermelha.
Mas não esqueço de como eles me tocaram. Eles e os livros do Monteiro Lobato foram para mim o que Balzac é para muitos.
A próxima vez que visitar mneu velho não vou deixar os livros de capa vermelha passarem sem minha visita pelo "mundo encantado" de Jorge.
Obrigado pela lembrança professor.
Abs.
Edk em agosto 12, 2006 2:16 PM
#13
Dá pra ver por alguns comentários aqui que o Jorge serve bastante de "introdução" para a maioria dos leitores brasileiros. Comigo também foi assim. Jorge (com Capitães da Areia e Quincas Berro Dágua) e Graciliano (com Vidas Secas) criaram em mim o interesse pela leitura.
Rodrigo em agosto 12, 2006 2:44 PM
#14
A característica que mais aprecio num escritor é saber contar bem uma boa história, se possível com personagens interessantes. Por isso nunca compreendi bem por que ele era tão desprezado pelos críticos. Tereza Batista foi um dos primeiros livros que li. Jorge está entre os melhores ficcionistas nacionais. Qualquer homenagem a ele será pouco. Por sinal, postei sobre ele no Bala. Sugiro Dona Flor, que por sinal estou lendo.
gd ab
Julio Cesar Corrêa em agosto 12, 2006 4:44 PM
#15
Uau, que boa recepção! Posso deixar um obrigado por atacado? Adorei cada um dos comentários; parece que o post tocou num ponto nevrálgico, né? Sim, é necessário reler Jorge, já.
Ontem eu conversava com o mestre Eduardo de Assis Duarte, um dos poucos acadêmicos a se dedicar com atenção à obra de Jorge, e ele sugeria Terras do sem fim, que segundo ele é o romance amadiano de construção mais acabada.
Poderíamos começar com Mar morto, passar a Terras do sem fim e depois passar a A Morte e a morte, que parece ter muito apoio também.
Eita, clube de leituras que não vai acabar nunca!
Idelber em agosto 12, 2006 5:01 PM
#16
Monix, a melhor coisa do mundo é ser agregado!
Idelber em agosto 12, 2006 5:03 PM
#17
Olá,
Idelber.
Pode contar comigo que desta vez irei participar. Só preciso providenciar um exemplar deste livro, mas este será o menor dos problemas.
Só discordo de um ponto nisto tudo, se o primeiro livro for Mar Morto, eu acho que o próximo deveria ser de algum outro autor. Só para a coisa não ficar muito presa a um único estilo.
Ferreira em agosto 12, 2006 6:29 PM
#18
Idelber,
Sou colega de trabalho da sua irmã, Larissa, aqui em BH. Descobri esse parentesco quando ela comentava sobre seu blog e eu disse: _conheci o dono do Biscoito Fino no salão do livro do ano passado. E ela: _sério? ele é meu irmão! Esse mundo é muito pequeno mesmo, né?
E mais engraçado ainda é eu ter entrado pela primeira vez em seu blog depois desse tempo todo e ter sido justo quando vc fala do Jorge Amado. Eu sempre pensei a mesma coisa da literatura dele, que era popularesca, coisa de minisérie e de novela da globo e tal... Até o dia que eu li Mar Morto, um excelente livro! Eu diria até meio triste... Bem diferente do que foi retratado em uma novela que dizem ter sido baseada na obra.
Enfim, pretendo entrar em seu blog mais vezes. Parabéns pelo trabalho!
Abraços,
Milena.
Milena em agosto 12, 2006 7:33 PM
#19
Aqui no cantinho onde trabalho botei meus alunos do 2º ano de Letras no mundo de Jorge Amado, em 2005. A tarefa era escolher uma obra do autor: ler e fazer um relato para a sala em duas versões; uma escrita e outra oral. Havíamos lido alguma teoria e historiografia literárias tendo por centro Jorge Amado. Os jovens alunos descobriram encantadamente a narrativa de Amado. Para mim, cinquentão, foi um prazer reencontrar as minhas origens de leitor nos 60 e 70 do século passado.
Topo a releitura e a discussão.
Belon em agosto 12, 2006 8:52 PM
#20
Li seis livros do Jorge, somente. Engraçado que até hoje os relaciono com períodos da minha vida. Algo como um 'despertar', sei lá...
Na pré-adolescência, 'Capitães de Areia'. No secundário, 'Gabriela, Cravo e Canela', 'Tereza Batista Cansada de Guerra' e 'Tieta do Agreste'. Na universidade, 'Cacau' e 'Suor'.
Tô ali procurando o 'Mar Morto'.
Abração.
Juliano em agosto 12, 2006 10:39 PM
#21
Caro Idelber,
Em primeiro lugar, quero deixar um depoimento. Assisti à palestra de mestre Idelber na Abralic e, graças a Deus, foi uma das melhores explorações de um texto de machado que já vi! Aliás ele estava muito bem acompanhado (restrito e academicamente) e fez valer a minha única tarde no congresso!
Sobre Jorge, tenho a dizer que o li de cabo a rabo! Ou seja, já li tudo que Jorge escreveu enquanto viveu! Em livro, é claro, pois em Minas há uma certa dificuldade de que aquele universo entre escancarado! Melhor, devo dizer que li Jorge adolescente, tudo que havia, pois já havia coleção de Jorge em (só para dar um parâmetro) em 1982. Depois, continuei fiel a Jorge (sou fiel ao meus autores, gosto de ler tudo o que eles publicaram). Até escrevi um texto chamativo ( era para um jornal sobre leitura dirigido a adolescentes) sobre Quincas berro d'água. Par quem não o conhece (o Quincas) aqui vai!
"É melhor ser um bêbado conhecido que um alcoólatra anônimo? Será que o homem tem a possibilidade de traçar seu próprio destino? Ou quem nunca desejou mudar completamente de vida?
Quem o fez, certamente pensou tornar-se alguém mais bonito, mais forte, mais rico. Não foi o caso de Joaquim Soares da Cunha. Este, de funcionário público exemplar, honesto pai de família, resolveu transformar-se num bêbado: Quincas Berro d’Água.
É nesta temática, de transformação do ser humano e de crítica à sociedade burguesa que transcorre a narrativa de Jorge Amado. Além desses elementos tão caros ao desejo humano, o romance apresenta o tradicional tempero baiano: cenas picantes, bom-humor, peixadas em caldeirão de barro, tudo regado a uma boa cachaça. O cenário não poderia deixar de ser o tradicional Pelourinho, antes da reforma , é claro, quando ainda era o reduto de prostitutas, bêbados, marginalizados em geral, que, com Jorge Amado, ganham poeticidade, autenticidade e ternura.
A narrativa desenvolve-se a partir de uma lógica fantástica, alterando as noções de realidade e fantasia. O leitor que não aceita o pacto mágico proposto corre o risco de perder uma oportunidade única: escolher sua própria morte."
Por fim, todos os textos sugeridos são suculentos, mas acredito que, depois de Grandes sertão, Quincas seria como um aperitivo! Boas jornadas em Parati, sucesso para a Ana (O livro é deslumbrante!
Maria Andréia em agosto 12, 2006 10:54 PM
#22
Mar Morto, um dos livros que emprestei e nunca mais vi! Um dia eu aprendo!
A Flip tá bombando, heim?? Passando rapidinho só pra desejar um feliz dia dos pais. Beijus
Luma em agosto 13, 2006 1:35 AM
#23
Disculpa la intromision en este post que no tiene nada que ver con lo que voy a escribir, Idelber. Lei ahora en el diario español "El Pais" que ha muerto Moacyr Santos...Una triste manera de comenzar el domingo pro la mañana...En mi lector de CD cambié a Elton Medeiros por Moacyr.
saludos
javi brasil em agosto 13, 2006 6:49 AM
#24
Oi todos:
Durante a minha estada nos Brasis ha' anos marquei entrevista com Jorge Amado (lemos alguns livros no mestrado). Como aa última hora não pôde mais aparecer, mandou um _Cancioneiro da Bahia_ de Caymi (que acaba de ganhar pRemio Jorge Amado), todo dedicado e tal e mandou falar com o mestre da canção! Peguei o livro no apto da filha de JA, casualidade paralela a minha rua e fui ate' casa do mestre musical, que recebera pedido de JA pra nos receber. Muita gentileza./ Se fosse a mim dado escolher um livro pra Clube seria sim _Terras do Sem Fim_ depois apesar de Sonia Braga _Gabriela Cravo e Canela_ um bom romance "histórico" no sentido de "change over time" "mudança ao longo do tempo". A academia norteamericana tem sido mais generosa com JA, ate' tem um volume de ensaios em homenagem, onde entra até _axé music_/ Pasquale
charles324 em agosto 13, 2006 1:10 PM
#25
Post bacana, menino. O amado Jorge é genial, sim.
Parabéns pelo Dia dos Pais!
Beijão!
Cipy em agosto 13, 2006 3:04 PM
#26
Idelber,
topo sim ler Jorge Amado "Mar Morto, já o li a muito tempo e gostaria de ver como é rele-lo agora...
Ainda não parei de ler o Grande Sertão: Veredas mas acho que não vou parar nunca mais e estou lendo o livro da Ana "Um Defeito de Cor" que me levou a ler um livro da Nelida Piñon "A Republica dos Sonhos".
Esse Clube de Leitura está me fazendo devorar livros. Vamos lá.
carmen lopez em agosto 13, 2006 9:55 PM
#27
Maravilha, ficamos combinados então que a próxima leitura é Jorge Amado, Mar morto ou Terras do sem fim. Hoje vou tentar responder alguns comentários por email (todos já lidos com atenção). Ando ainda meio zumbi, chegando de viagem :-)
Idelber em agosto 14, 2006 6:43 AM
#28
Mestre Idelber,
gosto muito de Jorge Amado e me lembro de ter causado um certo escândalo no mestrado em ciência política quando disse que "Gabriela" era um dos melhores livros sobre coronelismo no Brasil e que deveria ser leitura obrigatória em qualquer curso sobre o tema. Noves fora a beleza da história de amor.
Sua campanha pela rehabilitação acadêmica de Amado está apoiadíssima.
Abraços
Mauricio Santoro em agosto 14, 2006 4:28 PM
#29
Idelber:
Não conhecia seu blog. Passei aqui por indicação de Ju (Mothern), para ler o texto sobre a FLIP e meu avô.
Eu não sabia que ele era considerado um autor de pouca importância. Talvez por estar tão perto do homem e da obra, sempre ví muito mais gente elogiando do que criticando (ví algumas pessoas que o desprezavam por pura inveja; no Brasil, fazer sucesso é ofensa pessoal).
Sei que sou bastante suspeita para falar, mas para mim a escrita de Jorge Amado é maravilhosa: me leva a outras épocas e lugares, me faz viajar, sofrer e sorrir. Meu avô foi uma das pessoas mais generosas que conheci. Um homem de bem; sem nada daquela inteligentsia presunçosa da intelectuália.
Pois é, dia 10 foi aniversário dele. Estive no TCA para ver Caymmi receber o Prêmio Jorge Amado e chorei muito. Lágrimas de emoção e de saudades de um tempo e de um povo que mesmo não estando presente em carne e osso, estão vivíssimos; mas como faz falta vê-los papeando na varanda de Calá, ou comendo pitú em Ilheus, ou apenas lá em casa brincando e sorrindo. Na Bahia, Jorge, Caymmi e Carybé são reis.
Achei interessante essa sua ideia de clube de leitura. Para mim Mar morto uma obra prima. Lí pela primeira vez aos 11 anos; e aos 20, ao relê-lo encontrei um livro totalmente diferente. Meu grau de compreensão era outro. Agora, aos 33, acho que encontrarei um terceiro livro.
Não sei se você já teve oportunidade de ler O Sumiço da Santa; eu amo de paixão, acho um romance delicioso. E o que dizer de Tenda dos Milagres? A obra de Jorge é vasta e é linda.
Recomendo às pessoas interessadas em conhecê-lo um pouco mais, que leiam os livros de Zélia Gattai. Aposto que não vão se arrepender.
Se for rolar mesmo de ler Mar Morto no clube de literatura, me avise: tou dentro.
Um abraço
Maria João em agosto 14, 2006 5:31 PM
#30
Oi, Maria João, obrigado pela visita e que honra recebê-la aqui. Com "pouca importância" a referência era, claro, a uma percepção anterior equivocada minha, influenciada por uma parcela - maioria, eu diria - dos acadêmicos da área de Letras no Brasil, que, mais uma vez, provou-se, estavam errados.
O povo leitor, que é quem verdadeiramente importa, sempre soube que seu avô foi/é um gigante da literatura.
Li, sim, O sumiço da santa, e gostei muito - como de Tocaia grande, também daquela época, não é mesmo?
Confimo sim, o clube de leituras. Que tal com Terras do sem fim? Fiquei tão curioso para lê-lo, depois do que me relataram alguns amigos...
Abraços, e por favor volte sempre,
Idelber em agosto 14, 2006 5:55 PM
#31
Esse Jorge é sucesso até nos comentários, em Idelber? Li muito dele, gosto particularmente de Jubiabá, do Quincas e de Farda fardão Camisola de Dormir. Adolescente, estava lendo encantado o teresa Batista, quando, um dia, acordei (estava na casa de um primo) e não achei o livro. A mãe dele me viu procurando, e explicou que aquilo não era leitura opara a minha idade (uns 16 anos!). Fiz meu pai comprr o livro assim que terminaram as férias.
Já minha irmã quis agradar à sogra, que gostava do Jorge, e comprou de presente para ela o Navegação de Cabotagem. Para descobrir, quando a mãe do marido abriu o livro, que ele começa com um tratado anatômico do órgão sexual feminino. E a sogra era uma senhora conservadora.
S Leo em agosto 14, 2006 6:33 PM
#32
Sergio, estou mais ou menos na metade de Navegação de Cabotagem, e estou me deliciando!
Idelber em agosto 14, 2006 6:44 PM
#33
Idelber
JA é uma de minhas paixões. E Maria Joao tem razão. Me apaixonei por Jorge conhecendo-o através de Zélia Gattai. Vislumbrar o homem por meio da retina de Zélia, é delicioso. Reli a obra de Jorge Amado depois de ler os livros de memórias de Zélia, que valem por todo um estudo de contextualizaçao da obra Amadiana. Não sei direito como se faz pra participar do teu clube de leitura, mas vou pesquisar nos teus arquivos e tô dentro! Amo Terras do Sem Fim, e será uma delícia reencontrar seus coronéis e jagunços. Uma das coisas que adoro em JA é a sua capacidade de "colocar o personagem de pé" como ele dizia. Ele próprio relata em suas memórias 'Navegaçao de Cabotagem" que adorou uma crítica que dizia ser ele um escritor de putas, bebados e vagabundos. Gostou tanto que adotou o mimo. E cada vez que recebia um premio mundo afora (e foram muitos) agradecia e modestamente dizia que ele nada mais era que um escritor de putas, bêbados e vagabundos. Pois assim trazia pro palco, recebendo a comenda com ele, estes personagens fantásticos das ruas da Bahia. É por muitas destas que amo Jorge Amado.
Suzi em agosto 15, 2006 9:53 AM
#34
Reler JA será para mim grande prazer. Como escritor era dos maiores, como pessoa só conhecendo. Tive o privilégio. Carinhoso, falando baixo, maravilhoso anfitrião. Poucos souberam cultivar amizades tão bem. Lembro dele na casa da rua Alagoinhas, no Rio Vermelho. Camisa florida, bermuda branca, atento a tudo. Importante que todos estivessem bem servidos, à vontade, integrados naquele ambiente sempre festivo. Se uma fruta, um sorvete, um suco, alguma coisa estava muito boa, trazia para que experimentássemos. Generoso, gostava de dividir o que apreciava. Deixou saudade.
Ricardo Ramos Filho em agosto 15, 2006 12:25 PM
#35
Oba, um autor do qual eu já li algumas obras! Talvez ele tenha sido menosprezado por ser, antes de Paulo Coelho, o autor brasileiro mais conhecido no exterior. Tem gente que confunde popularidade com má qualidade. Mas enfim...
Farda fardão camisola de dormir é divertido. Fala da feira de vaidades que é a Academia Brasileira de Letras e a eleição do seu presidente.
Recentemente a Ana Maria Machado lançou "Romântico, Sedutor e Anarquista - Como e Por que Ler Jorge Amado Hoje". Parece interessante.
Te em agosto 15, 2006 3:45 PM
#36
Oi, Suzi, para participar é só começar a (re)ler Terras do sem fim e aparecer por aqui na data que marcamos para papear :-)
Ricardo, Te, todos: obrigado pelos depoimentos.
Idelber em agosto 15, 2006 5:22 PM
#37
idelber, estou surpresa que FARDA FARDAO CAMISOLA DE DORMIR tenha sido citado umas tres vezes. eu tinha esperança de ser original. pra mim, é dos melhores, completamente fora da temática de mar, bahia, coronéis e cacau, nao que os desse universo nao sejam encantadores e envolventes, e desse universo considero TENDA DOS MILAGRES a mais perfeita traduçao. já FARDA FARDAO... me parece um livro de maturidade, sem qualquer panfletagem, nao que (de novo) os do tempo do calor da luta nao sejam igualmente envolventes e inspiradores. FARDA..., como todos, tem aquela narrativa de vai e volta, de desnudamento gradativo do personagem e da trama que nos torna cativos das páginas. adorei pensar nessa reabilitaçao do prestígio de JA. prestígio, sim, porque no coraçao dos brasileiroos ele sempre esteve.
vera em agosto 15, 2006 8:37 PM
#38
Idelber, você por acaso estava na segunda ou terceira fila na mesa Africa/Africa ou na Livros de Cabeceira? camisa branca? eu estava na frente do palco, fotografando. Achei que era você, talvez esteja enganado.
Abraço!
Sergio Fonseca em agosto 16, 2006 1:53 AM
#39
Não, caro Sergio, não era não... Infelizmente não pude assistir essa mesa... Abraços!
Idelber em agosto 16, 2006 6:57 AM
#40
Idelber,
É um prazer, como jornalista e sobrinha de Jorge, ver que, afnal, sua obra está sendo reconhecida. É impressionante o preconceito do brasileiro. Preconceito em todos os sentidos e no cultural, então! Quanto tempo Caetano elogiou Roberto Carlos em vão, até que a elite se desse acordo do fenômemo que foi (não acho que ainda seja, preconceito???)
Com Jorge é assim. O melhor contador de histórias deste país e foi preciso que morresse para a "elite intelectual" reconhecê-lo. Pena! Quanta gente perdeu o prazer de sua leitura por isso.
Me avise quando começar o clube de leitura. Adoro Mar Morto. Li menina, adolescente e adulta. Vai ser muito bom ler agora, depois dos 50.
Um abraço e parabéns por sua coragem em mudar de posição. Coerência absoluta é coisa de gente burra.
Inaê
Inaê Amado em agosto 16, 2006 10:18 AM
#41
Oi, Inaê, é mesmo um prazer e uma honra muito grande ter vocês, da família, por aqui. Aviso quando começarmos, sim, com certeza. Um abração,
Idelber em agosto 16, 2006 12:06 PM
#42
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