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segunda-feira, 21 de agosto 2006
Histórias de escritor
Histórias de escritor, I :
Roda de escritores na Mercearia São Pedro, em Sampa. Eu, na minha condição de agregado, estou lá com Ana, que recebera convite de Daniela Abade. Terminamos na Sala VIP, olha que chique. Fico conhecendo dois camaradas, a cronista Lucia Carvalho, que experimentou 7 variações na pronúncia do meu nome, e o mítico Pecus, capaz de ser eleito blogueiro sexy sem que ninguém jamais tenha visto foto sua. Passaram pela roda Marcelino Freire, que saiu cedo, com o Jabuti a pesar-lhe sobre os ombros, Ivana Arruda Leite, Indigo, Joca Reiner Terron, Ronaldo Bressane, Daniel Galera, mais um pessoal que não conheço. Também havia um simpaticíssimo, erudito piauiense, cujo nome não aprendi. Como todo piauiense em São Paulo, torce pelo Corinthians.
Eis que pinta a melhor história da noite: encontrar o próprio livro num sebo. Não é nada traumático e pode até lhe dar aquela ilusão de ter galgado mais um estágio na hierarquia literária. A menos, claro, que o raio do exemplar esteja autografado. Foi a história da noite: escritor que permanecerá inomeado, caminhando por certa capital brasileira, encontra um exemplar de seu próprio livro, dedicado a certa leitora de alguma, digamos, importância, que também permanecerá inomeada; ela o havia vendido ao sebo só rasurando seu próprio nome na dedicatória. Pior parte: a leitora nem sequer havia comprado o livro na noite de autográfos, mas recebido o dito cujo de presente! Imaginem o xingamento que sai da boca do escritor.
Aí, claro, os cérebros dos contistas se põem a imaginar um fim para a história. A que arrancou mais gargalhadas foi: o escritor compraria de novo o próprio livro. Escreveria uma segunda dedicatória. Algo como: “já que a primeira não foi suficiente....”. Colocaria o livro no correio de volta a sua primeira dona, para provável surpresa e terror da leitora.
Histórias de escritor, II (Mesa de debates sobre blogs e literatura)
A Rosana Hermann fala como posta: a mil por hora, com análises, estatísticas, bruscas viradas de jogo. A Bruna Surfistinha foi lúcida e narrou o que foi, para ela, o fetiche do livro, o desejo de ter um livro publicado. Tinha o radar anti-ironia ligado e bem preparado. Olhava com certa desconfiança, natural, para as outras. A Indigo narrou a deliciosa história dos seus sub-empregos, que geraram um belo blog. A Ivana, inspiradíssima, era a que mais se divertia: elencou tudo o que tinha em comum com a Surfistinha, e não era pouco.
Indigo e Ivana concordaram que a escrita destinada ao livro tinha uma nobreza, uma perenidade, um valor, que a escrita do blog não tem. Fiquei curioso para saber mais sobre esse limite, para o escritor de ficção. Porque a tentação de publicar o conto recém terminado no blog deve ser grande. Acho que acabamos concordando que a perenidade é muito mais da satisfação proporcionada pela publicação em formato livro, do que do objeto em si – objeto hoje em dia menos perene, afinal de contas, do que os textos que têm existência eletrônica. A figura mais falada nesse debate sobre blogs foi, curiosamente, o bom, velho, nobre e fetichizado livro.
PS: Um super time de cientistas criou um blog dedicado à área, o Roda de Ciência. A idéia é debater um tema por mês. Este mês o tema é a divulgação científica. A Lucia Malla está participando, então a coisa é fina. Vão lá conferir, ok?
Escrito por Idelber às 04:50 | link para este post
| Comentários (24)
#1
Caro Idelber
Um Sebo é uma "caixinha de surpresas", não é mesmo? Há dedicatórias incríveis nas estantes de um Sebo.
Paulo em agosto 21, 2006 5:36 AM
#2
Ótima dica o "Roda de Ciência".
Acho que enviar o livro pelo correio seria um pouco sem graça para o próprio escritor, apesar do narrador poder detalhar a reação do que recebeu a segunda dedicatória. Eu numa situação dessas guardaria o livro pelo tempo suficiente para ter a oportunidade de entregar a segunda dedicatória em mãos! Ah! E com carimbo do sebo logo acima, pra que fique tudo bem claro.
Capedonte em agosto 21, 2006 10:03 AM
#3
Idelber,
acabei tendo de trabalhar, que pena, não deu...
Agradeço pelo seu relato do evento. É muito frustrante quando não conseguimos encontrar os amigos virtuais em eventos de-carne-e-osso, mas essa generosa web sempre nos reaproxima.
E nosso Clube de Leituras, vai rolar o Jorge Amado mesmo?
beijos,
Alê
Alessandra Alves em agosto 21, 2006 10:16 AM
#4
Quanta história num pequeno post. "Post", não "poste". Que encontro, hein? Pena eu não estar lá. Em compensação, estive na Feira do Livro, aqui em BH. Uma ala inteira de estandes de "sebos", a começar pelo tradicional Amadeo. Diante de um sebo a gente se depara com a fugacidade do objeto livro, que, como todo "objeto", só tem valor quando investido libidinalmente - portanto, um fetiche, como você colocou. Jacob Moreno falava do livro como "conserva cultural", tal como as "conservas" em lata. Algumas duram mais. Outras são descartáveis. Mas, com certeza, todas perecerão. Já as idéias... estas podem mover o mundo.
Cláudio Costa em agosto 21, 2006 10:21 AM
#5
idélber.
idelbér.
ídelber.
idêlbêr.
idelbééér.
ildelbêlr.
irderbér.
gosto mais desse último, com pronúncia acaipirada, caro uberabense.
ei, recebeu as fotos devidamente embaçadas da noite-vip?
e não me conformo de não ter sido convidada e avisada sobre o encontro de sábado no canto da madalena.
PÔ! depois que acontece o Inagaki avisa?
beijo.
adorei te conhecer.
lucia carvalho em agosto 21, 2006 10:39 AM
#6
Hahaha! Que bom que a Lúcia veio aqui e esclareceu quais seriam as sete maneiras de pronunciar seu nome, porque eu só consegui ter dúvida entre duas opções, e já achava muito. :P
Adorei a idéia de re-autografar o livro. Vinagança é um prato que se come frio etc e tal.
Bjs
Monix em agosto 21, 2006 11:45 AM
#7
Lucia, você foi convidadíssima para a reunião lá no Canto! No seu blog e no meu (duas caixas de comentários atrás)! Que pena que não confirmei com você durante o evento no Centro Cultural. Faltou aquela confirmadinha básica, né ?
Idelber em agosto 21, 2006 12:45 PM
Monix em agosto 21, 2006 1:19 PM
#9
Oi, Monix, linda foto :-) O homem é duro na queda, né ?
Dr. Cláudio, muito bem dito, as idéias sim, ficam... O problema é quando só as encontramos em livros já usados:-) Abraços,
Capedonte, entregar em mãos acho que eu não teria coragem não...
Alê, com certeza, o clube vai rolar sim. Que pena que você não pôde ir. Beijos :-)
Idelber em agosto 21, 2006 1:43 PM
#10
Idelber, faltaram as pronúncias inglesadas como Áidelbãr. Hildelberg?
pecus em agosto 21, 2006 2:19 PM
Idelber em agosto 21, 2006 2:30 PM
#12
pô, foi ótimo ter encontrado vocês.
:>)
beijão pra vc e pra ana.
Biajoni em agosto 21, 2006 3:16 PM
#13
Idelber,
Por motivos que só agora me parecem claros, ninguém me convidou para ir ao bar. Mas foi um erro: talvez, se vocês me embebedassem a contento eu conseguisse, enfim, parar de maritacar.
Mas hoje é segunda, não é dia de sofrer e vou arquivar nos autos que eu não poderia mesmo ter ido, porque tinha compromisso no circo.
Beijos genéricos,
Rosana Hermann
Rosana Hermann em agosto 21, 2006 3:28 PM
#14
i., já fiz meu relatório sobre o evento e publiquei no frankamente. espero tirar uma boa nota.
lucia carvalho em agosto 21, 2006 3:35 PM
#15
Rosana, acho que não chamaram/chamamos porque ainda não nos conhecíamos pessoalmente; foi tudo meio que armado na hora mesmo, e a culpa é dos paulistanos que lideravam, eu sou só um mineiro hóspede por aqui... Mas na próxima você não escapa :-) Beijos,
Bia, bom demais te ver, lindão. Vou ficar devendo relato do Canto, porque depois da sua já não há como fazer outra, como sempre
:->)
Idelber em agosto 21, 2006 4:58 PM
#16
Idelber, o debate foi nota mil! Achei a Bruna tímida ou constrangida, sei lá! A Ivana e a Rosana foram fantásticas! Só descordei com a Rosana em relação ao duelo livros x blogs. Acho que os livros sempre ganham. Todo blogueiro que escreve em blogs, sonha em lançar o seu.
Vi vc chegar com a Ana, o Ina e o Biajoni. Como o evento já estava rolando, esperei vcs lá fora para nos conhecermos. Daí vcs sumiram. Terminei a noite na Mercearia com o Vidal da Bagatelas, o Marcelino, a Andréa e a Indigo. Não vi vcs. Mas deixa pra próxima!
gd ab
Julio Cesar Corrêa em agosto 21, 2006 8:49 PM
#17
Vixe, que desencontro! Mas valeu a intenção, também achei que você sabia da reunião lá no Canto, que pena... Na próxima sem falta.
Idelber em agosto 21, 2006 8:51 PM
#18
O texto do Idelber está saborosíssimo.
Ótimo também a obsevação do Cláudio (sem Manuel da)Costa colocando o livro na lista dos objetos libidinosos. Que tesão!
Belon em agosto 21, 2006 10:04 PM
#19
So com o seu relato e do Biajoni já deu vontade de estar lá ;-)
Bom, sobre a história de encontrar o livro autografado no sebo, se fosse comprado, poderia ter sido uma desilusão com o escritor, porque alguém que era fã e depois deixou de ser. Mas livro dado, autografado e no sebo, parece que certa pessoa nunca quis receber esse presente de grego ;-)
Livros são sempre perenes. Fisicamente, metaforicamente e mesmo num sebo "abandonado"(um livro nunca está abandonado, só está a procura de um leitor, como na peça de Pirandello.. Mas isso dá pano pra manga
Um abraço!
Celinho em agosto 22, 2006 1:02 AM
#20
Idelbé, mas depois que você viu in loco Pecus Bilis, o homem sem face, você chegou a conclusão que nóis, mulé mistério, tivemos bom gosto, né não? :)
Marcia Kawabe em agosto 22, 2006 9:41 AM
#21
Tiveram sim, Marcia. O moço tem o seu charme.
Idelber em agosto 22, 2006 11:22 AM
#22
Afinal, como se pronuncia o nome corretamente??
Beijus
Luma em agosto 22, 2006 8:16 PM
#23
Duke University, né? Deve então ter conhecido figuras como o Nicolelis e o Sidarta... tá linkado lá no Impostor. Apareça!
Abrazzz
RB
RB em agosto 22, 2006 11:17 PM
#24
Oi, Luma, é Idélber ;
RB, cara, que baita post esse seu último. Estive lá em Duke entre 93 e 96, priscas eras... Valeu o contato. Abraço,
Idelber em agosto 23, 2006 2:07 AM