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terça-feira, 22 de agosto 2006
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Pois, começou o programa das Mothern no GNT. Eu adorei assistir o primeiro episódio, o penúltimo que poderei ver antes do regresso a terras gringas. Foi suficiente para testemunhar que o programa tem fôlego para ir longe: um baita material, roteiro ágil, boas atrizes. Claro que a tendência dos que conhecemos as Mothern pessoalmente é ficar comparando, e aí é covardia: as personagens são ligeiramente “histéricas” quando comparadas à sabedoria zen de Ju e Laura. Mas minha única crítica de fundo é que num sitcom com quatro mães, realmente não havia razão para que todas elas fossem brancas. Fora isso, achei um charme o início da série. E acho que ela vai longe.
E só mesmo as Mothern para me fazerem abandonar por quinze minutos um Roda Viva em que Tariq Ali dava um show de bola nos jornalistas brasileiros para assistir o programa da Hebe Camargo! Lá estavam as poderosas, no sofá da Hebe. Outro show.
Encontros de blogueiros, neste país, são realizados com o único objetivo de que o Biajoni possa depois fazer um relato. Nada a acrescentar.
Do bom blog peruano Puente Aéreo vem um interessante post sobre Grandes Fraudes Literárias.
É bem curioso que entre todos os que se escandalizaram com as reações de suposta “censura” aos cartoons islamofóbicos publicados na Dinamarca, não se haja erguido uma única voz que se escandalize porque militantes socialistas são presos na mesma Dinamarca por usar camisetas pró-Palestina.
A trilha sonora do dia foi Vou tirar você deste lugar: tributo a Odair José, um excelente disco de rock, na verdade, com uma linda versão de “Eu queria ser John Lennon,” pela banda carioca Columbia, que eu não conhecia. Baixado lá no Mercado de Pulgas (dica da Luiza e seu belo Favoritos). O disco ainda conta com Mundo Livre S/A, Paulo Milklos, Mombojó, Pato Fu. Tudo bem feitinho. Demorou, mas Odair é cult. Só senti falta de uma versão de "Pare de tomar a pílula".
Milhares de mineiros saem de Governador Valadares, uma cidade de merda, para viverem numa cidade de Boston. As frases são assim, meio politicamente incorretas. Mas algumas são hilárias. Frases malucas.
Alguns blogs amigos já noticiaram que o Grande Sertão: Veredas foi disponibilizado online. Mas nesse link eu ainda não vi nada, só a capa. Alguém sabe o que está acontecendo?
Tenda do Nilo. Rua Coronel Oscar Porto, 638, Paraíso, Sampa. Ali teve lugar uma das melhores refeições árabes da minha vida, de longe minha melhor refeição em Sampa. Como é de tradição entre famílias árabes, a hospitalidade é algo mais. Recomendo.
O programa imperdível de hoje à noite em São Paulo é a mitológica banda Fellini, que toca no SESC Pompéia. Thomas Pappon está na cidade.
Valeu, Sampa. O próximo post lhes chegará de Belzonte.
Escrito por Idelber às 04:57 | link para este post
| Comentários (27)
#1
Idelber, uma correção, uma concondância e uma discordância.
No Tributo a Odair José há, sim, "Pare de Tomar a Pílula". Foi gravada pelo grupo gaúcho Arthur de Faria e Seu Conjunto. É que o título original chama-se "Uma Vida Só".
Assim como você, também gosto muito da versão de "Eu queria ser Jonh Lennon. Acho a melhor do disco.
Agora, preferia mesmo era que eles deixassem Odair no lugar em que o bardo goiano sempre esteve. Sei, sentimental (e brega) eu sou.
abraços.
Franciel em agosto 22, 2006 10:59 AM
#2
Clap, clap, clap para sua observação sobre o 'aspecto racial' do seriado, Idelber.
Helena Costa em agosto 22, 2006 11:14 AM
#3
Franciel, correção aceita. Na audição de ontem acabei pulando essa faixa, e por alguma razão não me lembrava do título certo da canção...
Idelber em agosto 22, 2006 11:19 AM
#4
Idelber meu irmão,
como sempre acertando em cheio! Não vi o programa, mas entendi a vocaçao naturalizada em direção ao eurocentrismo representacional, o que temos que 'colocar em crise' assim que se manifesta publicamente, tentando salvar gente legal como essa que você descreve e endossa. Vida longa ao programa delas e que elas estejam abertas para diálogo nessa direção, aproveitando a oportunidade única no seio da mass media para cutucar suas entranhas!!!
um abração
paulinho
paulinho em agosto 22, 2006 12:34 PM
#5
Que bom que você gostou, Idelber!!!
Só queria deixar claro para seus leitores, incluindo aí a querida Helê e o Paulinho, que essa questão de se ter mais diversidade racial no elenco foi MUITAS e MUITAS vezes pedida por nós, as autoras do livro e do blog. E queríamos mais diversidade não apenas racial: pedimos também para colocarem uma das quatro motherns bissexual. Mas, por contrato, não temos a palavra final nesse tipo de decisão e, não sei por que motivo, a produtora preferiu não nos atender nesses quesitos. É exatamente a nossa crítica também. Uma pena.
Ju em agosto 22, 2006 1:08 PM
#6
Aproveitando a deixa da Ju e também respondendo ao Paulinho e à Helê, aqui vai o meu testemunho pessoal de que as Mothern me relataram terem várias vezes pedido atenção à questão da representatividade racial na escolha das atrizes. Não rolou, infelizmente. Mas televisão é isso, conquistam-se algumas coisas, engolem-se outras.
Mas está valendo assim mesmo!
Idelber em agosto 22, 2006 1:24 PM
#7
Por sorte vi o finzinho da entrevista delas na Hebe. São tão parecidas que parecem gêmeas. Pena que na Hebe as entrevistas são profundas feito um pires. Mas valeu conhecê-las. Agora só falta você sentar no sofá da Hebe, gracinha! :-).
Te em agosto 22, 2006 1:45 PM
#8
Idelber, o PDF do Grande Sertão: Veredas está lá. Para baixar, é só clicar sobre a capa... Abraços!
Cristian em agosto 22, 2006 2:27 PM
#9
Ju, Idelber, todo mundo: eu tenho absoluta certeza de que se o programa fosse 'delas', como a gente acaba falando por preguiça e pressa, seria bastante diferente. Por isso a crítica não foi dirigidas às Ju e Laura, claro. E mesmo sabendo que tv é isso aí, não custa a gente chiar, né? Como diria o Quintana, "se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo pra não querê-las".
Helena Costa em agosto 22, 2006 2:56 PM
#10
Eu perdi a Hebe onteeeeeeeem!!! Não acredito nisso. :-(
Idelber, nada a ver com os muitos temas do post, mas só pra confirmar: o próximo clube da leitura vai ser sobre Mar Morto mesmo? Estou quase acabando o "Defeito de Cor" e o Jorge Amado já está na minha fila.
(Sonho com o dia em que o Defeito será tema de um clube do Idelber. :-)
Monix em agosto 22, 2006 2:59 PM
Biajoni em agosto 22, 2006 3:15 PM
#12
Guia Cultural Idelber em um de seus melhores momentos.
Flavio Prada em agosto 22, 2006 4:47 PM
#13
Rapaz, pensei logo em você quando vi, hoje, no Globo, uma tremenda nota 10 para a entrevista das meninas, numa seçãozinha da coluna sobre televisão, que, como deve ter notado, dá nota 10 ou zero às atrações da telinha.
Droga, perdi a entrevista do Tariq Ali. Li, por coincidência um livro do cara neste fim de semana (nem tanta assim, nunca tinha lido nada dele, a não ser artigos políticos, e estava curioso com tanta referência ele, por causa da Flip). O Sultão de Palermo. Espetacular.
E esse relato do Biajoni, hein? Que coisa marcante! Esse transexual é mesmo travesti? E ´[e cunhado dele?
S Leo em agosto 22, 2006 7:02 PM
#14
Monix, que tal Terras do sem fim para começar a viagem amadiana?
Cristian, ou eu estou ficando maluco ou ao clicar sobre a capa abre-se um pdf com .... a capa!
Sergio, a entrevista do Tariq foi imperdível, um show mesmo.
Flavio, Te, Bia, abraços :-)
Idelber em agosto 23, 2006 2:09 AM
#15
Eu também não consigo abrir o pdf do livro. Uma amiga me avisou ontem sobre a (ótima) novidade e desde então venho tentando... sem muito sucesso, no entanto.
=|
Thiago em agosto 23, 2006 2:11 AM
#16
Valeu, Idelber!!
Um forte abraço e boa viagem.
Tens, aqui em São Paulo, um lar a disposição!!!
Kleber em agosto 23, 2006 1:03 PM
#17
Que bom que gostou da dica, espero que seja útil. E obrigada pelo link. Um abraço, Luiza.
Luiza Voll em agosto 23, 2006 4:59 PM
#18
mas veja só: eu acho que seria muito legal uma pessoa negra na série. só que, se a gente for pensar assim, se quisermos deixar o pensamento excludente de lado, teríamos de colocar lá um anão (ou anã, para levar em conta o feminino e não ser, claro, excludente), uma albina ou albino, uma pessoa surda-muda, homos, héteros, bissexuais, transexuais, pansexuais... e aí, quando é que a gente consegue ser inclusivo totalmente? acho que é importante a inclusão, mas tem que ter critério. e de repente, oras, não cabia uma bissexual no que o roteirista da série concebeu. vai saber, não é? é complicada a coisa.
claudia em agosto 23, 2006 10:56 PM
#19
Pois é, Cláudia, é tão complicada que é melhor então deixar todos brancos, como sempre, não?
Helena Costa em agosto 24, 2006 12:41 AM
#20
Obrigado, Kleber, e transmita meu abração para o Artur, sua mãe, e respectivas/os. Obrigado por tudo, e no próximo churrasco prometo que não apareço carregando ressaca tão grande :-)
Pois é, claudia, a diferença entre um anão e um não-branco é que 70% do Brasil é composto de negros, mulatos, mestiços e mamelucos (i.e. não brancos). E quando a série opta por quatro brancas, isso faz uma diferença em como as mães não brancas elaboram ou não suas identificações. Isso faz, para muita gente que vê, uma diferença cuja importância você, provavelmente branca, ainda não percebeu. Mas acredite - altera a forma como muita gente (não branca e branca) percebe a ficção: é a questão da ficção como produtora de modelos possíveis para quem assiste/lê. Os gringos têm uma discussão bem adiantada sobre isso, eu recomendo; é um dos bons legados da affirmative action. Uma protagonista bissexual seria, concordo, fantástico. Bem mais importante, acredite, que ter uma mãe anã. Se é que me faço entender.
Idelber em agosto 24, 2006 12:50 AM
#21
vc se faz entender sim, idelber. mas aí eu penso: os anãos ou anãs (são só um exemplo) estão mesmo perdidos nessa vida. não são quantitativamente significativos e, assim, o jeito pra esse povo é mesmo ser anão de circo é dar jeito com o jeito que se pode dar. ;^)
eu acho que a solução tem que levar em conta o lado qualitativo da coisa. se a gente ficar pensando nas quantidades, no fato de que os negros são 70% e coisa e tal, tadinho de quem é minoria de fato.
claudia em agosto 24, 2006 1:33 AM
#22
inclusive, falei que "eu acho que a solução..." sei lá se tem solução. pra alguns talvez tenha, mas será que existe solução de fato? tá bom, falem que "se você achar que não tem solução, aí é que não tem mesmo...", mas a coisa é complicada sim. e só vendo que é complicada é que é possível, talvez, solucionar. bota um negro na série e dizem: que lindo... inclusão! mas é inclusão de fato? tá bom, pode ser um começo. mas pra muitos grupos não há começo nenhum; quanto mais possibilidade de solução da discriminação. o lance quantitativo pode ser uma armadilha pra quem não faz número aí na onda da coisa.
eu falei que "quantitativamente significativos e, assim, o jeito pra esse povo é mesmo ser anão de circo é dar jeito com o jeito que se pode dar."
quis dizer que "e dar jeito com o jeito". :^)
mas é isso. acho que não dá pra ser simplista. na boa...
claudia em agosto 24, 2006 1:41 AM
#23
sobre as bissexuais: por que não lésbicas? por que bissexuais? ;^)
claudia em agosto 24, 2006 1:42 AM
#24
Caramba, você acha que "não dá para ser simplista"? Eu me apavoro só de pensar o que seria se você o achasse.
Idelber em agosto 24, 2006 2:08 AM
#25
Caramba, que coisa essa história da "representação racial" no programa das mães lá. Acho que não aceitaram essa proposta porque o pessoal do canal deve ter visto as tabelas e gráficos que a equipe de marketing fez com o perfil do consumidor de canais pagos, e não-brancos e anões ali deviam estar com uma porcentagem (percentagem?) bem baixa. Assim, deixa o pessoal branco e alto mesmo.
Daniel em agosto 24, 2006 2:17 AM
#26
Eu baixei o livro no e-mule em PDF e txt, mas comprei o livro igual. Não consigo ler aquilo no computador, é demais para mim.
Bender em agosto 24, 2006 11:16 AM
#27
Idelber, ainda sobre o PDF do Grande Sertão: Veredas, devo dizer que você realmente deve "estar ficando maluco". :) Se quiser, mando por e-mail. Abraços!
Cristian em agosto 25, 2006 11:13 AM