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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 28 de setembro 2006

Links, na porta do avião

secondline2.jpg
Minha última secondline em New Orleans antes de embarcar para o Brasil.

secondline3.jpg
Sim, o carinha ao fundo é Bono Vox, que passou por aqui. Em primeiro plano, minha amiga e aluna Renata
.

Direto do Louis Armstrong International Airport (não é maravilhosa uma cidade onde o aeroporto tem nome de músico, e não de ex-presidente? Belo vínculo entre New Orleans e o Rio; só falta agora um vôo direto), deixo-lhes alguns links e recados:

Embarco agora para o Brasil para votar, mas também para participar de um evento de uma semana, intitulado "Crítica e Valor", no qual uma série de críticos literários e ensaístas do Brasil e do exterior se reunirão, de 02 a 06 de outubro, na Casa de Rui Barbosa, para prestar homenagens aos 70 anos do grande, do genial, do one and only Silviano Santiago. A programação está disponível no site da casa e as inscrições estão abertas. Se você não conhece a obra deste indispensável escritor, comece com Stella Manhattan ou Em Liberdade.

Direto do Planeta Mary W, um belo comentário dela sobre o debate em SP: E o Plínio perguntou "em quem você votou pra presidente do PT, Mercadante, em mim ou no Berzoini?". E o Mercadante não respondeu. E ficou mal. Ele que tinha feito um debate apenas ruim, descambou pro péssimo. Isso NÃO teria impacto no grande eleitorado e ele não ficaria com pecha de fujão. Comentário meu: Ah, o Plínio é muito sabido mesmo. Engole o Mercadante de primeira e sem fazer força. Essa pergunta foi o má-xi-mo! E o Mercadante é tão burro que nem lhe ocorreu a resposta fácil, mesmo que falsa: "em nenhum dos dois. Votei no Raul Pont. Jamais votaria num candidato que abandona um partido no intervalo entre o primeiro e o segundo turnos de uma eleição para presidente. Ou sai antes ou valida a eleição inteira, senão é oportunismo." Mas quem é o Mercadante para pensar numa resposta dessas? Nem que a vaca tussa. Parece que o Plínio comeu o debate em SP com garfo e faca; pelo menos é o que me disseram observadores parciais e imparciais.

Outra citação: eu fico estupefato com esse tipo de pensamento que achata o mundo e iguala um Mário Covas a um Paulo Maluf, um Jefferson Peres a um José Janene, um Hélio Bicudo a um Erasmo Dias, um Darcy Ribeiro a um Roberto Jefferson, um Jorge Viana a um Hildebrando Pascoal. No mínimo, é muita falta de conhecimento histórico, uma demonstração do que existe de mais nocivo, mais estéril nesse desprezo desinformado pela classe política como um todo. Escolher os homens e mulheres que decidirão os rumos desta nação pelos próximos anos certamente influenciará a sua vida muito mais do que a aquisição de uma roupa nova. E dizer que nenhum candidato lhe satisfaz, como se absolutamente ninguém dentre os milhares de nomes que concorrem às vagas de deputado, senador, governador e presidente não corresponda minimamente a qualquer uma de suas expectativas com relação a educação, saúde, transportes, turismo ou economia, me soa como uma tremenda falta de vontade em ao menos conhecer as propostas, o plano de governo ou as prioridades elencadas por cada postulante. Estou sinceramente saturado desse tipo de queixa genérica, balbuciadas do tipo "ah, esse país não tem mais jeito mesmo, ninguém presta", coisas de quem não lembra em quem votou, nunca entrou em contato com um vereador ou deputado para cobrá-los por suas decisões, de quem deixa de fazer a sua parte, seja saindo às ruas e participando de manifestações, seja se engajando em alguma atividade que vise o prol coletivo, limitando-se a resmungar por causa dos "patifes", seja lá quem forem eles. É Alexandre Inagaki matando a pau no último post, embaixo do qual o Biscoito assina integralmente. Nada, nada me irrita tanto como o santo e indignado discurso - muito comum no eixo que eu chamo de Leblon-Morumbi-Mangabeiras - que atribui à política enquanto tal uma sujeira inescapável, e aos políticos, todos eles, a mesma falta de "moral" ou de "ética" (acho curiosíssimo o sentido em que essa palavra vem sendo usada na campanha eleitoral brasileira). Discurso tranqüilo, reconfortante e preguiçoso que Ina desmonta com maestria no último post.

Já que o Biscoito estava certo de que não houve grampo no TSE coisa nenhuma, não seria o caso de o Ministro Mello, ao invés de dar uma entrevista como essa, vir a público para pedir desculpas à sociedade brasileira pelas suas absurdas ilações? O Biscoito continua perguntando: por que ele fez denúncias e 24 horas depois fez questão de dizer que a PF não acharia nada?

Sobre o debate no Rio, o que eu ouvi falar foi que Denise Frossard perdeu uma ótima chance e que o único que se saiu razoavelmente bem foi o Eduardo Paes. Confere?

O blog volta com um post "reta final" no sábado. Amigos de BH: estarei na cidade, no telefone de sempre, de sexta a domingo. Amigos do Rio: de 02 a 08 estarei por aí, encontrável no Golden Park, Rua do Russell, Glória. Abraços e boa eleição para todos.



  Escrito por Idelber às 14:27 | link para este post | Comentários (33)



terça-feira, 26 de setembro 2006

Estadão descobre que nordestinos, pretos e pobres são os culpados da corrupção

Vejam a que ponto chega a manipulação de informações e pesquisas nesta bela crítica de Franklin Martins a um editorial do Estadão (valeu, Duas Fridas).

PS: Então, a idéia dessa campanha é pôr o nariz de palhaço, e depois? Fazer o quê? Qual é a proposta mesmo? Não me comoveu não - para não mencionar o fato de que qualquer movimento em que participe o Ivan Lins imediatamente deixa de contar com meu apoio.



  Escrito por Idelber às 00:28 | link para este post | Comentários (69)



segunda-feira, 25 de setembro 2006

E essa história do grampo no TSE, hein?

grampo.jpgBem discreta, no canto do “Painel”, na Folha de São Paulo deste domingo, encontrava-se a notinha assinada por Renata Lo Prete que dizia (link para assinantes): Trote? A PF considera grande a possibilidade de não ter havido grampo em telefones do TSE, e sim um erro da empresa que fez a varredura.

Trote? Erro? Tentemos reconstituir o relato voltando até 2002, quando se revelaram os laços entre tal “empresa” e o Sr. José Serra.

A mui mal contada história dos grampos sobre o TSE é um exemplo de como se repetem, nesta campanha eleitoral, curiosos padrões de misturas entre ilações e fatos. No último dia 17, em meio ao escândalo sobre a compra dos dossiês, explode a bomba: o Presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, denunciara que “a empresa responsável” pela varredura dos telefones do TSE havia detectado grampos nos telefones dele e de dois outros colegas seus do tribunal, Cezar Peluso e Marcelo Ribeiro.

No momento em que noticiou a denúncia, a Folha de São Paulo fez questão de dizer que foi Ribeiro quem começou a condenar o que julga invasão do candidato ao Planalto no tempo de propaganda dos candidatos aos governos estaduais e ao Congresso. Desde o início da campanha, a candidatura de Lula já perdeu mais de 10 minutos nos programas e inserções. No meio da denúncia não comprovada a matéria sugeria, portanto, o interesse da candidatura de Lula no grampo.

Transgredindo qualquer paradigma de neutralidade magistrada, o presidente do TSE dá entrevista dizendo que Se partiu do Estado, aí merece a excomunhão maior. E revela a quadra de opressão que nós vivemos. Claro que isso foi o suficiente para que a imprensa anunciasse que Grampo pode ter partido do Estado, o que, por sua vez, foi suficiente para que Alckimin culpasse o PT pelo grampo. Imediatamente, o blog do Estadão fazia a "inocente" pergunta retórica A quem interessa o grampo?, lembrando que Alckmin havia tido 64 decisões a seu favor no TSE, contra 17 de Lula.

No dia 18, curiosamente, o presidente do TSE começa a declarar que dificilmente a PF acharia os responsáveis pelo grampo, numa "inexplicável" interferência no trabalho da Polícia Federal. O diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho, dá entrevista especulando que os grampos já poderiam ter sido retirados, tudo isso 24 horas depois da “revelação” do “fato” e antes que a Polícia pudesse ter feito seu trabalho. Não é estranho?

Pois bem, qual é a empresa que, segundo as investigações da Polícia Federal relatadas por Renata Lo Prete, pode ter cometido o “erro” de ter visto grampo onde não havia? Trata-se da Fence Consultoria Empresarial, de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle. Trata-se da mesma empresa que foi denunciada em 2002 por espionagem a favor de José Serra no episódio em que pilhas de dinheiro foram encontradas no escritório de Roseana Sarney. No dia 17 de setembro de 2002, o jornalista Jânio de Freitas escreveu:

Nada do que o Ministério da Saúde disse sobre a contratação da Fence Consultoria Empresarial merece crédito. Suas pretensas explicações não se conciliam nem com o que diz o próprio representante da empresa, coronel e ex-SNI Enio Fontenelle, sobre o contrato feito na gestão de José Serra na Saúde, alegadamente para vistoria de possíveis escutas clandestinas em instalações do ministério.

Atual ministro e secretário executivo do ministério ao tempo de Serra, Barjas Negri emitiu nota oficial afirmando que o valor do contrato multiplicou-se por seis, dois meses antes da mudança de ministro, porque a freqüência de verificações aumentou. De mensais, passaram a semanais. O custo, para os cofres da Saúde, passou de R$ 308.670,84 por ano (média mensal de R$ 25.722,57), segundo o contrato firmado em abril de 99, para R$ 1.872.576,00 (média mensal de R$ 156.048,00), conforme o contrato assinado em 19 de dezembro de 2001.

Ao passar de verificações mensais a semanais, a lógica levaria o valor do contrato a subir quatro vezes, de R$ 308.670,84 para R$ 1.234.683,36. Há, pois, R$ 537.892,64 não explicados pelo contrato para ‘varredura’ no Ministério da Saúde.

O número mesmo de ‘varreduras’ indicado pelo governo é falso. Em tranqüilo esclarecimento dado à Folha na tarde de sexta-feira, o coronel Fontenelle negou a ocorrência de periodicidade regular entre vistorias. A referência à periodicidade mensal, no primeiro contrato, deveu-se a conveniências de contratos no serviço público. No contrato feito dois meses antes da saída de Serra, a palavra ‘mensal’ foi retirada do texto. Apenas ‘foi pedida’, mas sem menção no contrato, ‘mais freqüência de verificações’, nas palavras do coronel.

As ‘varreduras’ eram ‘sem periodicidade definida’ e, esclarece Fontenelle, não abrangiam todos os pontos de cada vez. ‘Segunda-feira e terça, alguns. Mais tarde, outros. Não existe ‘varredura’ todos os dias.’

Barjas Negri deu a dimensão desse trabalho: ‘600 itens’ de verificação a R$ 260,08 por item, o que leva aos montantes anual e mensal do novo contrato. Observação inicial: o coronel Fontenelle diz que ‘não verifica todos os itens a cada inspeção’, mas um grupo de cada vez, ‘até para não despertar suspeita’. Logo, não caberia multiplicar os 600 itens por seu valor unitário para fixar ou explicar o valor do contrato. Mais uma demonstração, portanto, da impropriedade do alto valor considerando-se apenas o serviço das ‘varreduras’ referidas.

Outra observação sobre os itens a serem verificados: os 600 citados por Barjas Negri são produto de uma conta de chegar, para bater no total do contrato. O número é falso. ‘São mais ou menos uns 80 itens’, esclareceu o coronel Fontenelle, já 24 horas depois de divulgada a nota de Barjas Negri com o número fabricado.

Ainda em seu atabalhoado e duvidoso socorro a quem o fez ministro, Barjas Negri diz que a ‘Abin [Agência Brasileira de Inteligência, o SNI criado pelo atual governo’] e a Polícia Federal não teriam condições de fazer varreduras quinzenais ou mensais’, por falta de pessoal e de estrutura. É mentira. Palavras do coronel Fontenelle: ‘Para fazer ‘varredura’ de um telefone, um minuto e meio. Para fazer uma sala, meia hora’. (E acrescenta o pormenor técnico: ‘Sempre fora do expediente, de preferência à noite’). Abin e Polícia Federal têm tal habilitação para ‘varreduras’, seja em que periodicidade for, que são as incumbidas de fazê-las na própria Presidência da República (os negritos são de responsabilidade deste blogueiro).

Na época da arapongagem que beneficiou Serra na eleição presidencial, vários parlamentares indagaram sobre o porquê da contratação, sem licitação, de uma empresa particular de escuta telefônica por R$ 1,8 milhão por ano se a Polícia Federal possui os mais modernos equipamentos para realizar tal serviço. O Deputado Federal João Herrmann Neto protocolou representação junto ao Tribunal de Contas da União em que se denunciava

- falta de proporcionalidade entre os serviços realizados e a quantia paga como contraprestação;
- desproporcionalidade do valor pago pelo Ministério da Saúde em relação a outros órgãos públicos que fizeram contratações semelhantes;
- ausência de licitação;
- existência de instituição pública encarregada da realização de serviços da espécie (Agência Brasileira de Inteligência - ABIN);
- incompatibilidade entre as funções precípuas do Ministério da Saúde e o ramo de atuação da empresa Mundo da Segurança (“especializada na venda de kits de espionagem”);
- expressivo incremento, no exercício de 2002, dos valores contratuais, comparativamente com o que se verificou em exercícios anteriores.
(lembremos, claro, que 2002 foi o ano da eleição).

Chegou-se a anunciar que a empresa seria investigada pelo Senado. Para vários setores da sociedade, as relações entre Serra e a arapongagem realizada pela empresa do coronel ex-SNI eram dadas como mais do que conhecidas. Na época, o senador Bello Parga protocolou pedido de auditoria no Ministério da Saúde para investigar as relações entre Serra e a Fence Consultoria Empresarial mas, segundo o próprio Estado de São Paulo – jornal absolutamente insuspeito de ter simpatias petistas - uma manobra dos governistas impediu ontem a aprovação de auditoria para investigar se a Fence Consultoria Empresarial teria feito espionagem a pedido do Ministério da Saúde. E a coisa ficou por isso mesmo.

No governo Lula, o contrato do Ministério da Saúde com a Fence Consultoria Empresarial foi rescindido e logo depois o STJ fez o mesmo. Esta é a empresa que, segundo o presidente do TSE Marco Aurélio de Mello - aquele que, segundo Elio Gaspari, precisa conter a devoção que tem pela voz do doutor Marco Aurélio de Mello - "descobriu" grampos que "poderiam vir do estado".

São estes os grampos que, segundo a Renata Lo Prete segundo a Polícia Federal - podem não ter passado de ficção. A quem interessava essa ficção? E o que faz o Tribunal Superior Eleitoral contratando os serviços de uma empresa sobre a qual pesam tão fortes suspeitas de já haver realizado espionagem em benefício de um ex-candidato a presidente?

PS: Imperdível análise do Imprensa Marrom sobre as últimas duas pesquisas eleitorais.



  Escrito por Idelber às 03:08 | link para este post | Comentários (37)



sexta-feira, 22 de setembro 2006

Clube de Leituras: Jorge Amado, Terras do Sem Fim

jorge-amado.jpgSem desgrudar os olhos do pau que come na política, eu gostaria de voltar ao nosso Clube de Leituras. Após participar como observador da Feira Literária de Parati deste ano, eu fiz um post em que repensava minha relação com Jorge Amado, depois de passar anos replicando o julgamento negativo que a universidade fez de sua obra - por motivos que em outro momento podemos discutir. Nesse processo, senti vontade de relê-lo. Decidimos que o próximo romance a ser lido aqui no clube seria Terras do Sem Fim. terras-do-sem-fim-russo.jpg

Devorei, junto com Ana, a deliciosa Navegação de Cabotagem, suas memórias. Divertimo-nos à beça com o relato de vida de Jorge: o homem foi testemunha de tudo quanto é evento importante do século XX. Ele reconstrói cada acontecimento com invejável humor, em rápidos parágrafos não organizados cronologicamente e legíveis em qualquer ordem. Depois disso, fiquei ainda mais animado para armar um papo sobre Terras do Sem Fim - romance que nunca li e que vem recomendado por um dos maiores estudiosos da obra de Jorge, o meu amigo Eduardo de Assis Duarte. Poderemos, eu acho, ter a honra da participação de Maria João Amado, neta de Jorge, que é blogueira.

Para quem não conhece, a brincadeirinha é a seguinte: marcamos uma data, lemos o livro, eu preparo um post e deixo rolar o debate. Já fizemos um bate-papo sobre Duas Vezes Junho, do argentino Martín Kohan, e uma entrevista com o autor. Depois, tivemos vários posts com discussões sobre Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

Acho que revisitar o humor e a picardia do velho Jorge seria um bom contrapeso nesta época de ânimos tão exaltados na política, não é mesmo? Pois bem, que tal segunda-feira, 23 de outubro, como data da primeira discussão? Teríamos um mês inteiro para ler o livro. Quem está dentro?

* A foto de Jorge foi tirada daqui.
** A outra ilustração é a capa de Terras do Sem Fim em russo. Eu acho.



  Escrito por Idelber às 22:10 | link para este post | Comentários (25)



quinta-feira, 21 de setembro 2006

Amapá Urgente: Mais notícias das agressões de Sarney contra a jornalista Alcinéa Cavalcante

camisa.jpgAo longo desta campanha eleitoral, José Sarney e seus capangas têm tentado silenciar e censurar o blog da jornalista Alcinéa Cavalcante. Sucessivas ações na justiça eleitoral do Amapá terminaram retirando do ar o blog que Alcinéa tinha no UOL, com vergonhosa cumplicidade do portal. Sarney havia conseguido que o TRE-AP ordenasse a retirada de uma charge que Alcinéa fotografou; o UOL se adiantou e retirou o blog inteiro do ar. A censura desencadeou revolta na blogosfera e gerou uma gigantesca campanha Xô Sarney. A história foi contada aqui no Biscoito e também no Pensar Enlouquece, e recebeu atenção da mídia internacional.

Já com o blog hospedado no Blogspot, ela recebeu, ontem, uma notificação de que Sarney havia ganhado o direito de resposta em seu blog. Isso mesmo: um direito de resposta num blog pessoal, onde Sarney tem o cinismo de assinar uma frase como Alcinea Maria Cavalcante Costa publicou matéria difamatória e caluniosa contra o Senador José Sarney, homem sério, digno, honrado e que tem prestado valiosos e imprescindíveis serviços ao Estado do Amapá nos seus mais de 50 anos de vida pública. O que você acha disso?

Este blog convida lulistas, alckmistas, helenistas, buarquistas e votonulistas a dar uma resposta à grotesca escrevinhação de Sarney no blog de Alcinéa. Além de deixar os seus comentários lá na Alcinéa, o leitor pode também escrever diretamente ao senador, para compartilhar com ele qual sua percepção sobre todo esse processo.

O TRE-AP que vem dando ganho de causa a Sarney e obrigando o blog de Alcinéa a retirar posts do ar, pagar multas e publicar cartas do coronel pode ser contactado neste email ou em algum desses.

A caixa de hoje está fechada, para que todos os comentários se concentrem lá na Alcinéa, especialmente na resposta ao Sarney. Para os que querem continuar debatendo os últimos acontecimentos do imbróglio com o dossiê, a caixa de comentários de ontem está aberta.

Toda a solidariedade à Alcinéa. Não deixe de dar o seu recado lá.

Atualização: por causa da configuração do blogspot, o permalink à resposta de Sarney abre o post na página como se ele não tivesse caixa de comentários. Tem. Por isso atualizei todos os links. Em vez de remeterem ao post específico, remetem agora ao blog de Alcinéa. Para ver a cartinha do coronel, desça até o post das 5:20 do dia 20/09.

Atualização II: Sarney se desespera e troca marqueteiro (gracias, Celinho).



  Escrito por Idelber às 03:20 | link para este post



quarta-feira, 20 de setembro 2006

Contra o golpismo, desta vez com ponderação

datafolhafotos.gif A coisa esquentou aqui ontem. Já era esperado. O post foi escrito num momento de indignação com o papel da mídia nos recentes escândalos. Acho que traduzi o sentimento de muitos colegas blogueiros sobre o episódio. Levei cacetadas de outros colegas também. Já outros amigos pediram ponderação. Tudo é parte do jogo.

Não retiro nada do que disse, mas coloco na mesa, em outro tom, algumas observações sobre o caso do dossiê contra Serra e a compra deste por integrantes do PT.

1. Quem já fez campanhas políticas sabe: dossiês incriminatórios contra concorrentes é o que há de mais comum. Perguntem ao Rafa. Comprar informação não é crime. Se a informação veiculada é falsa, configura-se crime de calúnia, obviamente. Se o dinheiro usado para a compra da informação é sujo ou de origem escusa, trata-se de outro crime. Mas a compra de dossiê, por si só, não é ilegal. Se eu tiver aqui um dossiê incriminando um candidato a prefeito de BH e quiser vendê-lo, o problema é meu e do comprador – contanto, repito, que o dossiê não contenha calúnia e o dinheiro seja limpo.

2. No caso da compra do dossiê sobre a suposta participação de José Serra no esquema dos sanguessugas, nada, absolutamente nada foi provado sobre a origem do dinheiro nem sobre a veracidade (ou não) das acusações que poderiam se desprender dali. A partir da prisão de Gedimar Passos e de Valdebran Padilha com R$1,7 milhão pela Polícia Federal – e da confirmação de que se tratavam de petistas – a mídia brasileira abandonou completamente a investigação do conteúdo da denúncia e iniciou a caça às bruxas sobre a compra do dossiê, como se a compra de um dossiê fosse mais importante que um mega-esquema de superfaturamento de ambulâncias que já opera há anos. A suposta compra de um dossiê que está na internet há tempos ganhou prioridade sobre os documentos e cópias de cheques revelados pela matéria. A parcialidade e a ânsia de produzir fatos contra a candidatura Lula é gritante.

3. Gedimar revela à PF que seu contato para a compra do dossiê era “um tal Freud ou Froud” – é curioso que um advogado e ex-policial federal se lembre em termos tão vagos do nome do contato de uma transação de R$1,7 milhão. Chega-se a Freud Godoy, assessor direto de Lula. A partir daí o PSDB e o PFL protocolam junto ao TSE um pedido de investigação da candidatura Lula! Começa a circular na mídia a palavra "impugnação"! Qual a prova existente contra Freud? Nenhuma, a não ser uma menção de alguém em poder da polícia. Mas isso é suficiente para que a oposição queira impugnar a candidatura de Lula. Começam a exigir que “Freud explique.” Explique o quê? Estão invertidas as coisas agora? Não é quem faz a acusação que tem que provar? Para piorar, a imprensa começa a publicar coisas como Envolvidos receberam dinheiro da União. Ora, se eles trabalham para a União, receberiam de quem? De Nelson Mandela? É como se eu fosse acusado de algo aqui e logo depois se publicasse: “Idelber Avelar recebe dinheiro de Tulane”. Acho que para a população não cola, sabe? Mas para o TSE, como se trata de investigar Lula, cola. Por outro lado, a CPI já instaurada para investigar a máfia dos sanguessugas não teria a obrigação de ouvir José Serra, que é o objeto das denúncias? Não, diz o membro da CPI José Carlos Aleluia (PFL-BA), porque afinal de contas ele é um homem de bem. Dá para engolir?

4. No meio da tarde de ontem, a Revista Época divulga uma nota em que afirma que um de seus repórteres havia sido procurado por Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho e atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula. Segundo a Época, a reunião ocorreu e teve também a presença de Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Ainda segundo a revista, Bargas teria afirmado que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde, Barjas Negri. O relato da revista conclui com a notícia de que Berzoini, presidente do PT, havia sido avisado da reunião mas não do teor das denúncias. O que faz a Folha? Lança uma manchete que diz Berzoini sabia da reunião de Bargas!, manchete essencialmente desonesta, na medida em que leva a crer que Berzoini soubesse do que se tratava. Logo depois a Época teria recebido um telefonema dizendo que o denunciante havia desistido do caso. Pergunta: mesmo que tudo tenha acontecido como relata a revista, o que, exatamente, nesta trajetória, configura crime? Nada, mas isso não importa. Páginas e mais páginas são dedicadas aos churrascos de Lorenzetti. A figura, obviamente, pede demissão.

5. Depois de prometer revelar o nome de outro petista “ilustre” envolvido no escândalo, o blog do Noblat anuncia que o famosíssimo Expedito Afonso Veloso, diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil, teria participado ativamente da operação de montagem do dossiê. Na verdade, ele teria dito a um amigo que “fui eu que investiguei tudo e montei o dossiê.” Filiado ao PT, foi gerente de divisão do banco, um cargo de quinto escalão. A filiação ao PT, claro, é importantíssima para a imprensa. Menos importante, e não formulada, é a pergunta óbvia: por que o PT pagaria R$ 1,7 milhão por um dossiê montado por um de seus filiados?

6. Em todo o imbróglio, a imprensa simplesmente abandonou a denúncia sobre a máfia dos sanguessugas e tratou o caso da compra de um dossiê como se fosse o estupro de uma criança de 4 anos. Onde está o crime, não visto até agora por ninguém exceto pelos mesmos de sempre?

7. Os exemplos do papel lamentável da imprensa são legião, mas assistam esse vídeo da entrevista da TV UOL com o Presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. A primeira pergunta do repórter já deixa claras as intenções: o que precisa acontecer para que a candidatura de Lula seja impugnada? A pergunta é tão vergonhosa e tendeciosa que o próprio repórter engasgou e sentiu a necessidade de inserir um “ou não” depois do subjuntivo do verbo “ser.”

8. Em todo o episódio, o Ministro Mello comprometeu seriamente sua neutralidade magistrada ao entreter a hipótese de impugnação da candidatura Lula, ao dar entrevistas especulando sobre a possível responsabilidade “do estado” nos grampos telefônicos e também ao supor que seria “muito difícil” detectar os responsáveis. Tudo isso antes de qualquer investigação. No meio da crise, o Ministro Mello não só acata a requisição contra Lula, mas também recebe os presidentes de PSDB e PFL para um “bate-papo”. Esse é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Não seria o caso de se manter uma posição um pouco mais equidistante?

9. O post de ontem pode ter sido um pouco incendiário, mas acho que ele reflete o que pensam muitos brasileiros. Inclusive, já com mais de 48 horas de escândalo, as pesquisas não se alteraram. Se você ler com cuidado os comentários feitos até mesmo em blogs visivelmente pró-tucanos como o de Josias de Souza, verá que eu não sou o único. Até mesmo ali a defesa do mandato de Lula e a indignação com o golpismo ganham por vasta maioria. Não acredito que os leitores de Josias sejam exatamente beneficiários do bolsa-família.

10. Aos amigos que questionaram o meu uso de comentários do blog de José Dirceu: continuo tão crítico de José Dirceu como sempre fui. Mas não acho que isso deva desqualificar aqueles que ali escrevem. Por outra parte, como dito acima, eu poderia ter recolhido comentários idênticos até mesmo no blog do Josias Tucano de Souza.

Sim, o futebol nos ensina várias coisas. Uma delas é que um time que está perdendo de 6 x 2 não tem nenhuma autoridade para pedir ajuda ao juiz ou recorrer ao tapetão. Fica feio.

Por tudo isso, na sexta-feira da semana que vem pego o avião para depositar meu voto belo-horizontino em Lula. Confesso que com o clima criado pelo golpismo lacerdista, é difícil não sentir um gostinho especial nesse voto e na vitória de Lula. Gostaria sinceramente de ver o debate político no Brasil atendendo ao pedido de meu amigo Inagaki, que clama por mais civilidade e menos polarização. Pelo que vi até hoje dos métodos usados pela oposição para “sangrar” Lula, acho difícil, infelizmente.

PS: para desarmar os espíritos, um belo post de Cláudio Costa sobre os sapos e a filosofia. Vão .



  Escrito por Idelber às 03:24 | link para este post | Comentários (146)



terça-feira, 19 de setembro 2006

A direita golpista mostra suas garras

Seleção de comentários retirados, todos, do blog do José Dirceu:

Então o Lula, com a eleição garantida, vai mandar comprar um dossiê que já rola nos blogs e na internet há dias? E o pior: pagar 02 milhões por um dossiê que já é de domínio público? Ah, e com um suposto ex-agente federal que é um suposto advogado, que, assim que foi preso começou a "cantar" que nem um passarinho e já foi logo entregando um assessor do Lula? Menos, direitona, menos! Vocês pensam que estão lidando com uma manada de burros?
(Igor Romanov)

Lembram como nasceu a CPI dos correios? Um vídeo, gravado clandestinamente, mostrando uma propina de R$ 3 mil, deu o mote para instalá-la. Toda a mídia e oposição esqueceram a forma e valorizaram exclusivamente o conteúdo da fita. Agora há denúncias de que ministros receberam grandes e continuadas propinas. Há acusações verbais e indícios. Há um vídeo onde os tucanos narram a criação da máfia das sanguessugas. O fazem com muito orgulho. Estranhamente a oposição e a midia só falam na forma. Esquecem o conteúdo. Aleluia faz tudo para evitar Serra na CPI. Muita incoerência. Ou pura hipocrisia?
(Riacho Seco)
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A mesma mídia que parece não ter a menor curiosidade em apurar o quanto há de verdade no suposto dossiê. A coordenação de eventos é que espanta: vai me dizer que os homens da Planam e outros envolvidos nem imaginavam que poderiam estar com telefones grampeados e com a PF em sua cola? Dá pra acreditar em tamanha ingenuidade, principalmente sde levando em conta que um dos envolvidos é ex-agente da PF? Enfim, as camisetas do PT já devem estar preparadas para serem vestidas nos envolvidos a pedido dos fotógrafos. Se não estiverem, não tem problema: um Photoshop rápido resolve...
(Carlos)

É a primeira vez que vejo criminosos celebrando a descoberta de um crime. Serra e Alkimin estão enebriados com a descoberta da compra do suposto dossiê contra eles. Isso é loucura, onde já se viu a mídia deixar de cobrir e noticiar o criminoso para atacar o meio termo que é a suposta transação de compra e venda?
(João Calazans)

É incrível o rumo dado pela imprensa a qualquer fato que envolva o PT. Se a Polícia Federal tivesse prendido dois integrantes do PSDB que tentavam comprar um dossiê que incriminaria o LULA, certamente o foco da imprensa seria o conteúdo do dossiê e a Polícia Federal estaria sendo colocada como agindo em defesa do LULA. Ou seja a verdade seria o DOSSIÊ contra o LULA, não os integrantes do PSDB que teriam sido presos praticando um ato "ilícito", mas heróico, de desmascarar o LULA. Afinal a opinião pública precisa saber do que trata este suposto dossiê, ou não?
(Evaldo)

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Quero dizer uma coisa à elite podre desse país, consubstanciada nos partidos PSDB,PFL e PPS: Vocês estão brincando com fogo! Uma coisa é participar do jogo político, dos embates políticos característicos do sistema democrático! Outra, diferente, é navegar pelas águas turvas das tentativas canhestras e mirabolantes da conspiração e do golpismo! Como aprendizes de golpistas, vocês têm de melhorar muito! Até a oposição raivosa da Venezuela é mais inteligente que vocês! Como é que vocês montam uma presepada chinfrim dessas, e querem que o povo lhes dê credibilidade? Vocês acham crível essa estória, esse imbróglio? Francamente, a direita já foi mais inteligente e mais astuta! Vocês caíram muito, de 64 pra cá! Também, vocês não têm um Castelo, um Golbery! Quem é a cabeça pensante de vocês? FHC? Borhausen? Tasso Jereissati? Vocês estão mal de liderança, hein? Aviso: Párem de brincar de dar golpe! A caserna está quieta, por enquanto! Não queiram ouvir nosso ruído! Respeitem a vontade do povo!

(Mascarenhas)

Leituras relacionadas: Vedoin acusam Serra.
Na época do Serra era mais fácil.

Ao presidente Lula, o que assina este blog só tem um recadinho: cadeia nacional de televisão, presidente. Avise à canalha golpista que se houver brincadeirinha de impugnação de candidatura, ou do seu segundo mandato, o sr. leva o povo às ruas. E aí vamos ver se golpistas como esse ou esse têm coragem de dizer o que o dizem na frente do povo.

À canalha golpista, o que assina este blog tem outro recado: muito, muito, muito cuidado com o que estão fazendo.



  Escrito por Idelber às 02:57 | link para este post | Comentários (86)



segunda-feira, 18 de setembro 2006

Aécio Neves e Andréia Neves: a censura e a mordaça sobre a imprensa em Minas Gerais

Marco Nascimento tinha longa história na Rede Globo de Televisão – incluindo-se uma chefia de redação em São Paulo – quando aceitou a direção de jornalismo da Globo em Minas. O objetivo era recuperar a audiência perdida para o SBT e, segundo suas palavras, “blindar a emissora contra a utilização indevida do jornalismo para fins políticos pelo poder público.” Depois da exibição de uma reportagem sobre o consumo de crack no bairro da Lagoinha, em Belo Horizonte, a Globo Minas passou a receber insistentes telefonemas de Andréia Neves, irmã do governador Aécio Neves, com reclamações de que isso afetava a “imagem” do governo do estado. Andréia Neves conseguiu uma reunião com o diretor nacional de jornalismo da TV Globo, Carlos Henrique Schroder. Poucos dias depois Marco Nascimento estava demitido. Também afastado foi o chefe de redação, Luiz Ávila.

igual-a-covas.jpgEm setembro de 2003, o editor de economia do Estado de Minas, Ugo Braga – também profissional com longa trajetória no jornalismo – publicou uma minúscula nota que informava que a popularidade de Aécio, naquele momento, era a terceira pior entre os governadores do país e só ganhava dos de Sergipe e de Roraima. Também depois de pressão do governo do estado, foi chamado por seu superior e convidado a aceitar ser realocado. Aceitou, mas logo depois foi convocado a uma segunda reunião e informado que nem mesmo a solução da realocação era mais possível, pois “a pressão era muito forte.” Ugo Braga foi demitido do Estado de Minas ali mesmo.

No dia 02 de junho de 2004 jogaram Brasil e Argentina no Mineirão pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Ante o estranhíssimo fato de que somente 40.000 ingressos haviam sido colocados à venda, Jorge Kajuru, então repórter da TV Bandeirantes, foi à entrada reservada aos portadores de necessidades especiais e ali noticiou que 10.000 convites haviam sido distribuídos pela CBF e pelo governo de Aécio Neves. Depois de denunciar o fato e ser encorajado a continuar com a denúncia pelo seu próprio superior (que lhe falava ao vivo, ao ouvido, no que os jornalistas chamam de “ponto”), Jorge Kajuru chamou o intervalo comercial com um “voltamos já”. Jamais voltou e foi demitido uma semana depois.

O ex-editor de esportes da TV Minas, Ulisses Magno – também profissional com longa trajetória na cobertura esportiva em Minas Gerais – gravou uma seqüência de imagens em que aparecia o então técnico do Cruzeiro, Vanderlei Luxemburgo, esbravejando e xingando um jogador. O vídeo da TV Minas deu voltas no Brasil todo e repercutiu nacionalmente. Zezé Perella, presidente do Cruzeiro e ex-deputado pelo PSDB, avisou em tom de brincadeira a Magno que “agora que Aécio vai assumir vamos te mandar embora.” Aécio é conhecido torcedor do Cruzeiro. A lei proíbe a demissão de funcionários estaduais durante os primeiros 100 dias de um mandato do governador. Magno foi demitido da TV Minas depois de 103 dias da gestão de Aécio.

Em todos esses casos, as vítimas testemunharam que seus veículos de comunicação sofreram intensa pressão do governo do estado, especialmente na pessoa da capanga-mor Andréia Neves. Também testemunharam que depois de suas demissões ninguém em Minas Gerais aceitava dar-lhes emprego, nem mesmo, como disse um deles, de “jornalista de sindicato do interior.”

Toda essa história está contada com detalhes nesse imperdível vídeo-documentário intitulado Liberdade, essa palavra. Se você se interessa pela liberdade de imprensa, reserve 22 minutos para assistir Liberdade, essa palavra. O documentário é trabalho de conclusão de curso de jornalismo (na UFMG) de Marcelo Baêta, e mostra também o amordaçamento do sindicato dos jornalistas em Minas Gerais e a presença censora constante do governo do estado, até mesmo fisicamente, nas emissoras de rádio e redações de jornal. Naturalmente, o trabalho de Baêta já passou a ser devidamente caluniado por um vídeo-propaganda circulado pela máquina aecista.

O documentário nos dá uma idéia horrenda do que seria, sob Aécio Neves, o Brasil – país cuja revista de maior tiragem tem hoje, semanalmente, ampla liberdade para caluniar e insultar o presidente da República.

Leituras relacionadas:
Sobre o vídeo Liberdade, essa palavra.
Aécio Neves pratica censura em Minas Gerais, do Centro de Mídia Independente.
Mordaça na Imprensa Mineira, de José Luiz Barbosa.
Entrevista com Marcelo Baêta, autor de Liberdade, essa palavra.
Aécio Neves infla contas da saúde em R$668 milhões, na Folha Online.
Programa mineiro de saúde usou só 7% dos recursos previstos, na Folha Online.
Ecoando denúncia sobre censura em Minas Gerais, do Cyrano.



  Escrito por Idelber às 04:06 | link para este post | Comentários (48)



sábado, 16 de setembro 2006

Sarney e seus capangas em apuros no Amapá: Cristina Almeida sobe 11 pontos nas pesquisas

cristina.jpg Pesquisa do Ibope divulgada na noite desta sexta-feira pela TV Amapá (filiada da Globo) mostra Cristina Almeida com 40% das intenções de voto para a vaga amapaense ao Senado Federal, 11 pontos acima do registrado na última pesquisa, na qual ela tinha 29%. O coronel José Sarney, que tinha 50%, já caiu para 47% (esta notícia chegou via minha amiga Alcinéa Cavalcante. Nesta sexta o site do Ibope estava fora do ar; se aparecer alguma matéria na grande imprensa remetendo a essa pesquisa, por favor avisem).

Como o Ibope tem uma longa história de favorecimento a Sarney, a coligação que apóia Cristina Almeida avalia que a queda do coronel deve ser muito maior. Pesquisas realizadas de forma independente pelo comitê de apoio a Cristina chegaram a indicar, nesta semana, que ela já teria uma vantagem de 6 pontos sobre o censor de blogs e jornais. São nítidos o nervosismo e a preocupação na coligação que apóia o coronel.

O Biscoito volta a convocar todos os leitores que tenham amigos ou parentes no Amapá a que participem do esforço para tirar Sarney do Senado. Você pode também contribuir com a campanha de Cristina, que tem sido feita com pouquíssimo dinheiro.

A vitória de Cristina seria his-tó-ri-ca, para o Amapá, para a democracia e para a blogosfera.

Atualização: Chegou o link à pesquisa do Ibope, confirmando a informação divulgada pela TV Amapá (obrigado ao leitor Expedito).



  Escrito por Idelber às 03:01 | link para este post | Comentários (41)



sexta-feira, 15 de setembro 2006

Uma crônica brasileira em New Orleans

Eu não sei quantos brasileiros vieram a New Orleans ajudar no trabalho de reconstrução, mas certamente são milhares. Hoje em dia, ouvir português nas ruas da cidade não é nenhuma surpresa. Em geral, eles dormem nas casas que estão desinfetando ou reconstruindo. Amontoam-se às dezenas numa mesma residência.

A maioria desembolsou de 10 a 15 mil dólares para entrar nos EUA ilegalmente. Em média, trabalham dois anos só para pagar os empréstimos feitos no Brasil. Não raro, ficam presos aos intermediários que fazem o contato com as empresas e exploram-nos de todas as formas imagináveis.

Na semana passada eu conheci o Sr. C. J., de uns 60 anos de idade. Deve ter no máximo 1,63m, mas impõe respeito pela pele calejada, por marcas de vida que traz o corpo, pelo português impecável – às vezes até excessivamente rebuscado – que fala. Pernambucano, ele chegou aos EUA há alguns anos. Morou na Flórida. Teve um tremendo desengano amoroso. Ouviu falar que havia trabalho em New Orleans. Veio.

Há quatro anos, ouvindo na internet um programa da rádio BH-FM, conheceu Maria, de Contagem, MG. Um pouco mais jovem que ele, Maria procurava um homem sério, trabalhador, honesto. Ele se apresentou. Começaram a relação. Apaixonaram-se. O Sr. C.J. conhece cada momento do cotidiano de Maria, cada gosto, cada mania.

Falam-se todos os dias pelo MSN ou pelo Skype. Maria também conhece cada recoveco da rotina do Sr. C.J: quais os melhores lugares para trabalhar, os patrões pilantras, os brasileiros que o trapacearam, as melhores receitas da cozinha créole, a cara do quartinho que ele aluga em New Orleans.

O Sr. C.J. me entrega uma cerveja gelada com aquela comovente hospitalidade nordestina. Tira um sarro com minha cara pela goleada que, na semana passada, sua equipe – o Náutico – impôs à minha – o Galo. Enquanto isso, ele me mostra as mudanças que está fazendo no quartinho para quando chegar a sua amada, Maria.

O Sr. C.J. e Maria se amam há quatro anos e nunca se viram ao vivo. Nesta semana, Maria faz uma viagem ao consulado norte-americano no Rio de Janeiro para tentar, pela terceira vez, um visto de entrada aos EUA que lhe permita vir ver seu amado.



  Escrito por Idelber às 00:40 | link para este post | Comentários (23)



quinta-feira, 14 de setembro 2006

TRE-Amapá dá a Sarney direito de resposta num blog que já não existe

sarney.JPG

Do blog da Alcinéa Cavalcante:

Fui notificada agora pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá que foram julgadas procedentes as representações 448, 449, 450, 451, 452 e 453/2006 movidas contra mim por Sarney.

O pleno do TRE deferiu o pedido de resposta feito por Sarney para ser publicado no alcinea.zip.net - que, repito, o UOL já tirou do ar faz tempo - e me aplicou uma multa de R$ 25 mil,

Quem está acompanhando a história sabe: Sarney primeiro conseguiu que o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá obrigasse Alcinéa a retirar um post do ar. Antes de que Alcinéa pudesse cumprir a ordem judicial, o UOL, sempre tão solícito com ditadores, retirou o blog inteiro do ar.

Agora Sarney ganhou - pasmem - direito de resposta num blog que já não existe. Isso mesmo: o ditadorzinho bigodudo que controla todos os meios de comunicação de massas do Amapá ganhou direito de resposta num blog pessoal que ele já havia conseguido - graças à cumplicidade do UOL - retirar do ar. Alcinéa no momento já deve R$45.000 em multas.

Sabe o que acho? Que seria um bom exercício de cidadania escrever para o tal tribunal com uma opinião sobre essa decisão. Para você que escreve cartas à moda antiga, o endereço é:

Tribunal Regional Eleitoral do Amapá
Av. Mendonça Júnior, 1502 - Centro
CEP 68900-020 - Macapá-Amapá

Se tem disponibilidade para telefonar, pode ligar para:
(96) 3214-1722 / 1723

Ou pode-se mandar uma correspôndencia para este email ou para algum dos membros da secretaria jurídica do TRE-AP, cujos endereços eletrônicos estão aqui.

Sabe como, não é? Um rápido e cordial email relatando sua opinião sobre decisões como essas, e um pequeno lembrete de que o mundo está de olho nas eleições do Amapá. Algo me diz que os capangas, aprendizes de ditadores, lambe-botas da ditadura, censores de blogs - e seus amigos nos vários poderes constituídos - estão começando a temer a internet.

PS: Enquanto isso, o blog da Alcilene Cavalcante, o Repiquete no Meio do Mundo, que havia desaparecido até do cache do Google desde o último dia 25, misteriosamente voltou ao ar, justo no dia em que Sarney ganhou direito de resposta nele. Curioso, não?



  Escrito por Idelber às 03:32 | link para este post | Comentários (37)



terça-feira, 12 de setembro 2006

Extra! Reinaldo Azevedo descobre que o Brasil é na Islândia

Só 6% são negros no Brasil. 52,1% são brancos. E há 41,4% de mestiços.

Eu. Não. Estou. Inventando. Tirei. Daqui.

Por onde começar a desconstruir as asneiras dessa turma? E depois não entendem por que estão levando essa surra nas pesquisas.



  Escrito por Idelber às 18:18 | link para este post | Comentários (42)




Sobre a enquete para presidente

favela.jpg


Pois bem, nossa enquete. Depois de 107 comentários, eu havia contabilizado 88 votos e a coisa estava assim:

Lula: 50%
Cristovam Buarque: 23,2%
Nulo: 11,6%
Alckmin: 8,1%
Heloísa Helena: 6,9%
Partido Verde: 2,3%

Observações:

1. Não computei o meu voto, que é do sapo barbudo também.

2. Participaram mais ou menos 3.5% dos visitantes diários do blog, ou seja, o resultado nos diz algo sobre os comentaristas, não sobre os leitores do blog (ei, você aí que não comenta, ser misterioso!). Os outros leitores podem muito bem ser, todos eles, eleitores do Alckmin. Nunca se sabe.

3. A porcentagem de Lula aqui é mais ou menos a mesma que ele tem nas pesquisas nacionais. A partir daí muda tudo. Cristovam aqui tem mais ou menos a mesma colocação de Alckmin nas nacionais. Alckmin aqui tem mais ou menos o mesmo que Heloísa Helena no Ibope e no Datafolha. Heloísa Helena, aqui no blog, tem menos que nas pesquisas nacionais.

4. Como o Roberson observou, é notável a votação do Cristovam aqui no blog. Foi bacana: sempre respeitei o Cristovam, e acho lamentável a forma como ele foi despedido do governo. Seria interessante que ele tivesse uma boa votação, inclusive, sonhar não paga, credenciando-o para compor um futuro governo Lula. Sei que é difícil, mas coisas mais estranhas já aconteceram.

5. Não deixa de surpreender que Heloísa Helena aqui tenha menos votos que nas pesquisas nacionais. É curioso, considerando que em seus posts de política, este blog passou um ano e tanto criticando o governo Lula pela esquerda. A candidata que supostamente representaria a oposição de esquerda a Lula tem, aqui, porcentagem mais baixa de adeptos do que em outras comarcas. O blog está à esquerda da média de seus comentaristas ou sou eu que estou certo ao insistir que a candidatura de HH não é realmente de esquerda? Adoraria ouvir teorias sobre por que, no blog que fez posts como esse, esse e aquele, a votação de Heloísa é tão fraca.

5. O voto nulo. Ah, o voto nulo. Os melhores argumentos sobre o nulo estão no blog da mary w. É uma seqüência de posts que vale a pena acompanhar. A declaração mais poética sobre o nulo aqui no blog foi do Rica P, do blog Caravana: depois de breve período de crença, volto ao nulo. Adorei. O que eu esqueci de contar a vocês foi que recebi, outro dia, um telefonema de uma repórter da Agência Reuters, para falar de voto nulo. Ana pilotava o carro na Fernão Dias, voltando de Sampa a BH, e eu dissertava sobre o voto nulo no telefone com a moça da Reuters. Uma graça. Parece que estão bem colocados, no Google, os posts que fiz sobre o assunto há uns tempos, ainda na época de UOL. A conversa foi uma baita decepção para a repórter, porque ela queria um discurso a favor do voto nulo, e eu insistia em analisar o porquê da colocação do assunto no contexto de hoje. Acho que nada do que eu disse lhe foi muito útil, porque tudo era matizado demais. No final, sugeri que ela procurasse o Pedro Dória e o Marcelo Träsel, que já escreveram sobre o tema manifestando simpatia pela opção do nulo. Parece que a moça queria saber onde estava "o movimento de blogueiros" em favor do voto nulo. Acho que ela se decepcionou um pouco com a notícia de que, er, não existe exatamente um "movimento blogueiro em favor do voto nulo". Pelo menos não que eu saiba.

6. Para quem insiste em absolutamente não "entender" como a população brasileira, assim como a maioria dos comentaristas deste blog, optará por reeleger Lula, eu recomendo o estudo desses números e a reflexão sobre notícias como a de que os 20% mais pobres do Brasil, sob Lula, cresceram mais que 90% dos países do mundo (o segundo link vem via Hermenauta).

Digam lá o que acharam.

PS: A entrevista do Pedro Alexandre Sanches com Ferréz está im-per-dí-vel. Como eu gosto do blog do Pedro. Vão lá conferir.



  Escrito por Idelber às 01:07 | link para este post | Comentários (38)



segunda-feira, 11 de setembro 2006

A vitória do terrorismo, com a mãozinha de Bush

vets-against-war.jpg
Kelly Dougherty, co-fundadora do Iraq Veterans against the War

Este mês eu já disse adeus a mais gente que posso contar. Alguns dos “adeuses” foram apressados e furtivos – do tipo que você dá à noite ao vizinho que recebeu uma ameaça de morte e está partindo ao raiar da madrugada, quieto.

Alguns dos “adeuses” foram emotivos e demorados, a amigos e parentes que já não conseguem viver num país que está se despedaçando.

[...]

Em horas como esta eu me lembro de um discurso feito por Bush in 2003: uma das grandes realizações que ele reclamava para si era o retorno de ‘exilados’ iraquianos cheios de júbilo ao seu país depois da queda de Saddam. Eu gostaria de ver alguns números sobre os iraquianos que vivem fora do país que vocês estão ocupando. Para não mencionar os iraquianos refugiados internamente, abandonando suas casas e cidades.

Este é um dos muitos relatos do infernal cotidiano no Iraque ocupado, segundo o blog Baghdad Burning, escrito por uma mulher em Bagdá.

Os números que a garota de Bagdá procura estão, na verdade, disponíveis: Os exilados iraquianos já são milhões, os mortos mais de sessenta mil, os refugiados internos contam-se pelas centenas de milhares e as mortes diárias medem-se, num "bom dia", pelas dezenas.

5 anos depois do começo da “guerra ao terrorismo” de Bush, Cheney & Rumsfeld e dos traficantes de petróleo e armas por eles representados, o responsável pelos atentados de 11/09/2001 não foi capturado, o Taliban já recupera o sul do Afeganistão, o Iraque é um lamaçal de mortes, as desculpas para a guerra se provaram todas falsas, as perspectivas de paz para palestinos e israelenses mostram-se cada vez mais distantes, os EUA são mais detestados mundialmente do que jamais tinham sido, a revolta no mundo árabe é maior que nunca e uma série de garantias constitucionais de privacidade e liberdade tão caras aos EUA – precisamente o que os fazia diferentes de tantos outros regimes políticos no mundo – têm sido repetidamente violadas. Os EUA hoje são associados a prisões clandestinas, encarceramento ilegal, prática de tortura, tráfico de prisioneiros, perseguições a jornalistas e mentiras sistemáticas como instrumento de política externa e interna. É o legado da era Bush.

Sobre a invasão ao Afeganistão que deu início à “guerra ao terrorismo”, eu continuo mantendo o que disse no Correio Brasiliense há cinco anos, e me alegro que alguns amigos liberais que apoiaram o bombardeio que deu início a esta seqüência de desastres estejam revendo suas posições.

São os apoiadores das guerras os que verdadeiramente insultam a memória dos assassinados em 11/09. São eles os que colocam mais uma cereja nessa tremenda vitória do terrorismo e da intolerância. Por outro lado, cada vez mais familiares das vítimas do 11/09 mandam seu recado, alto e em bom som: Guerras de agressão e de rapinha? Não em nosso nome.



  Escrito por Idelber às 04:26 | link para este post | Comentários (19)



sábado, 09 de setembro 2006

Links musicais

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Gang of Four toca hoje em BH

Dica de graça aos conterrâneos: se você está em Belo Horizonte neste sábado, o programa é um só: depois de assistir as Mothern no GNT às 20:30, despenque para o Chevrolet Hall para ver uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, Gang of Four. Eles são tão seminais, poderosos e indispensáveis hoje quanto há 27 anos, quando ajudaram a inventar o que se conheceu como "pós-punk". Até o Gang of Four, "canção política" no rock significava uma coisa: violão folksy acompanhando letra chorosa. Depois deles, outro babado. Esses caras redefiniram o sentido da palavra "integridade" no rock. Se você está em BH, não perca. A BH eles não voltarão nunca mais, garanto.

Henrique Cazes, uma das mais prolíficas figuras do choro brasileiro, comemora 30 anos de carreira com três lançamentos imperdíveis.

Quem completa 50 anos de carreira é o gigante Naná Vasconcelos, que lança no próximo dia 25 o CD Trilhas, que parece fascinante. Neste fim de semana, Naná está em Varsóvia, na Polônia.

Maria Bethânia fez 60 anos em junho. Foi relançada, em grande estilo, sua obra completa, em 34 CDs. O melhor da história é que os discos são vendidos separadamente, a preços razoáveis (R$20). Não deixem de conferir as raridades Drama (1972) e Pássaro Proibido (1976). Cinco faixas do novo disco de Bethânia trazem arranjos de Naná Vasconcelos.

O blog de Franklin "desmascarador de moleques da Veja" Martins tem uma bela seção musical, com dicas sobre o que tocava enquanto rolavam os acontecimentos que marcaram a história do Brasil.

É incrível. Em 1938 Mário de Andrade escarafunchou o nordeste brasileiro com o objetivo de registrar manifestações musicais populares e "salvá-las da extinção". Ao passar por Tacaratu, no sertão de Pernambuco, gravou a voz de uma certa Senhorinha Freire Barbosa, de 18 anos de idade. Quase 70 anos depois, em 2006, são lançados seis CDs com as gravações da Missão Folclórica Mário de Andrade e dona Senhorinha, agora com 87 anos, assiste, lembra e se emociona.

Foi relançado um dos maiores discos de violão da história da música brasileira, o petardo de 1959 de Luiz Bonfá. Relançamento mais urgente que esse, impossível.

Pintou por aí uma nova revista sobre música brasileira. Parece bem bacana. Com vocês, o Jornal Musical. Lá encontrei duas interessantes resenhas do disco novo de Caetano ("Cê"), que eu ainda não ouvi.

Recomendadíssimo também é o Projeto Memória Brasileira, uma viagem pela música instrumental do Brasil, criatura da pesquisadora e produtora Myriam Taubkin.

É muito lúcida a Rebeca Matta. Olho no novo trabalho dela, ok?

PS. Cheguei a vários desses links através do adorável, do indispensável Brazilian Music Treasure Hunt.

PS 2. Ainda sobre o UOL: um portal que convida esse sujeito para fazer parte do time realmente não merece a confiança de ninguém.



  Escrito por Idelber às 02:52 | link para este post | Comentários (14)



quinta-feira, 07 de setembro 2006

Mais notícias da vigília anti-censura

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Amapá urgente: Zé Sarney e seus capangas entraram com outras 5 ações no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá exigindo a retirada de posts do novo blog de Alcinéa. Vejam bem, são outras cinco interpelações judiciais para retirar posts do blog de Alcinéa, diferentes das anteriores, que terminaram provocando a saída do ar do antigo blog (com a cumplicidade do UOL).

Agora Alcinéa está no blogspot, hospedado no exterior. Ou seja, o buraco é mais embaixo. Mas acompanhemos com atenção e, óbvio, deixemos lá a solidariedade com a Alcinéa.

A primeira lição da história o Serjones já sacou: blogueiros iniciantes, não montem seus blogs no UOL.



  Escrito por Idelber às 23:22 | link para este post | Comentários (24)




O chique manifesto internacional pró-Heloísa Helena

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Esquerda? Até que ponto?

Eu hesitei antes de fazer este post, porque vou criticar pessoas que admiro. Mas não há como não dizer algo sobre esse manifesto que intelectuais socialistas do exterior lançaram em apoio à candidatura de Heloísa Helena (original em inglês). Assina-o um time de respeito: o lingüista e militante Noam Chomsky, o sociólogo Michel Löwy, o filósofo Slavoj Zizek, o historiador Howard Zinn, o grande geógrafo Mike Davis e la crème de la crème da esquerda internacional. Até o Partido Democrático do Povo da Indonésia assinou. Meu amigo Sergio Leo ironizou o manifesto, dizendo que espera dos signatários, ansioso, o compromisso de se mudarem para o Brasil, para viver no país durante os quatro anos de gestão da moça, se eleita, e nos dez anos seguintes, para usufruir das conseqüências. Eu até estaria disposto a defender o direito desses intelectuais de dar pitaco nas eleições brasileiras. Mas o texto é fraco demais.

Não deixo de ter, pela figura de Heloísa, uma certa simpatia que vem de longa data: eu militei durante anos (de 1983 a 1987, para ser exato) na mesma corrente política com a qual se filiava, e ainda se filia, Heloísa Helena. Trata-se da Democracia Socialista, seção brasileira da IV Internacional fundada por León Trotsky, e da qual também fazem parte figuras que permaneceram no PT, como Raul Pont e Miguel Rossetto. Depois de desligado da corrente continuei próximo a ela e nunca deixei de manter a interlocução com as pessoas que continuaram lá. Naturalmente, ter militantes em dois partidos diferentes (o PT e o PSOL) coloca a DS hoje numa situação bem esquizofrênica.

Com todo respeito aos amigos que vão votar em Heloísa Helena, à candidata e aos signatários do documento, esse manifesto é um tiro no pé e demonstra desconhecimento básico da realidade brasileira. Clama por rejeição da Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA), como se esta não fosse a atual posição do governo brasileiro. Defende o fim do pagamento da dívida externa sem mencionar que o Brasil, sob o governo Lula, não renovou o acordo com o FMI. Apóia Heloísa Helena em solidariedade com os pobres e as massas brasileiras exploradas, precisamente o setor social onde Heloísa Helena tem menos apoio. Não é segredo que os pobres estão massivamente com Lula e que Heloísa Helena conseguiu angariar muito mais apoio entre a classe média indignada. O manifesto conclui falando em "reforma agrária radical" e mais nada. É um amontoado de clichês. Se você vai dar palpite na eleição de outro país, faça pelo menos uma análise minimamente sofisticada.

Mesmo votando em Lula (não sem críticas ao governo, que fique dito), eu não teria qualquer problema com uma candidatura de extrema esquerda, contanto que fosse realmente de extrema esquerda. Mas Heloísa é das grandes adversárias do projeto de descriminalização do aborto – bandeira importante do movimento feminista. Heloísa também é contra a descriminalização das drogas – com o fraquíssimo argumento de que “a cocaína destrói as pessoas”, como se a questão fosse essa. Heloísa tampouco é das mais entusiastas defensoras do projeto de cotas para afro-descendentes. Caramba, com uma extrema esquerda destas, quem precisa de direita? Não é bem curioso que eu já tenha sido interpelado cinco vezes por tucanos ou pefelês que exigem de mim coerência com minhas críticas ao governo e um voto em Heloísa Helena? Por que se preocupam tanto com o voto de um xiita raivoso como eu? Quando a direita que sempre governou o país se vê formulando essas pautas de coerência para a esquerda, há que se olhar a coisa com um pouco mais de cuidado.

O discurso que Heloísa Helena apresentou até agora na campanha não é de esquerda. Trata-se de um discurso de indignação moral – que é basicamente uma forma de se reduzir a política a uma questão de caráter. O problema é que essa indignação moral apela justamente para as pessoas que não querem nem ouvir falar em nada que cheire a socialismo. Essa contradição, nem Heloísa Helena nem o PSOL explicaram ainda. Quanto aos intelectuais europeus e americanos que assinaram o manifesto, acho que perderam uma ótima oportunidade de ficarem calados e serem úteis depois, num momento que realmente demande uma aliança internacional. Quanto pintar essa demanda, é provável que Löwy ou Chomsky já tenham se "queimado" com parcela significativa da opinião pública brasileira. O que é uma pena, porque os cabras são bons. Mas desta vez, pisaram na bola. E duvido que tenham ajudado sua candidata.

PS: Obrigado a todos os que particaram da enquete que coloquei ontem, e que ainda está aberta, obviamente. Dentro de uns dias publico uma reflexão sobre os números, que me surpreenderam, para dizer a verdade.

PS2: Que Consulado de Houston que nada. Estarei em Belo Horizonte no dia das eleições, depositando meu votinho na minha zona eleitoral. Iuhuu. E depois vou ao Rio. Detalhes em breve.



  Escrito por Idelber às 04:27 | link para este post | Comentários (63)



quarta-feira, 06 de setembro 2006

Enquete

Esta é última enquete realizada por este blog antes das eleições e não tem, obviamente, nenhuma pretensão científica, exceto a de dar uma pequena amostra do perfil político de quem comenta por aqui. Você, que normalmente não comenta, fique à vontade para participar desta. Não dói, não.

Diga aí:

Em quem você pretende votar para Presidente da República? Claro que também vale dizer "nulo", "branco" ou "não sei ainda".



  Escrito por Idelber às 00:04 | link para este post | Comentários (119)



segunda-feira, 04 de setembro 2006

CRISTINA ALMEIDA para o Senado Federal, Amapá - É hora de Xô Sarney!

Este blog é político até os ossos e a raiz dos cabelos, mas nunca fez campanha para qualquer candidato a um cargo eletivo. As regrinhas existem, no entanto, para serem quebradas: estou pedindo votos e apoio para Cristina Almeida (PSB), a linda líder comunitária negra e já testada administradora, amapaense da gema, que tem a chance histórica de chutar o rabo de José Sarney para fora do Senado Nacional:

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Depois que o coronel José Sarney e seus capangas protagonizaram lamentáveis episódios judiciais contra:

1. a jornalista e blogueira Alcinéa Cavalcante, vítima de nove representações, agressões sistemáticas, desiguais e covardes que forçaram seu antigo blog a sair do ar e mudar-se do UOL, ataques que antigiram também a irmã de Alcinéa, Alcilene Cavalcante, cujo blog Repiquete no Meio do Mundo foi apagado até mesmo do cache do Google.

2. rádios e jornais do Amapá, várias vezes ameaçados e processados para que não veiculassem matérias de desagrado do coronel Sarney e sua coalizão política;

3. até mesmo o Google Brasil, contra quem o antigo servidor da ditadura e atual aprendiz de censor da Internet moveu processo, pasmem, para tirar do ar matérias que continham críticas à Sua maranhense Excrecência, pedido que foi - ainda há razão neste mundo e no judiciário - negado;

depois disso tudo, dizíamos, e de conhecer um pouco da biografia da candidata que o desafia, este blog decidiu colocar-se à disposição da campanha de Cristina Almeida, pedir votos para ela a todos os leitores amapaenses que por ventura vejam este post e incentivar qualquer ajuda possível a essa que pode ser a responsável por uma derrota histórica do coronelismo no Brasil. Enquanto o coronel Sarney e sua equipe de advogados tentam calar blogs e até fazer expurgos no Google – coroando coerentemente uma vida de proximidade ao poder, oportunismo político e manipulação de feudos – Cristina Almeida tem uma biografia bem diferente. Tirado do seu site:

... aprovada no primeiro concurso público para ingresso de mulheres no quadro da Polícia Militar do Amapá. Cristina passou a integrar a primeira turma de policiais femininas do ex Território.

... formada em Administração de Empresas pela Universidade da Amazônia. Foi aprovada em dois concursos públicos e desde1990 é funcionária da Assembléia Legislativa do Estado.

... militante do movimento negro desde 1998, através da UNA (União dos Negros do Amapá). No ano seguinte fez parte da fundação do IMENA – Instituto de Mulheres Negras do Amapá. Participa ativamente das festividades populares tradicionais compondo o grupo de Marabaixo da Comunidade de Campina Grande.

.... Secretária Estadual da Indústria, Comércio e Mineração (SEICOM) durante o segundo mandato de João Alberto Capiberibe no Governo do Estado. Em 2003, assumiu a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (SEMAT), na Prefeitura de Macapá. De 2003 a 2006 exerceu a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA/AP.

.... à frente do INCRA foi responsável pela primeira titulação de áreas quilombolas no Amapá: Conceição do Macacoari e Mel da Pedreira, reconhecidas pela Fundação Palmares como remanescentes de quilombos.

... ainda no INCRA, Cristina foi responsável pelo único levantamento fundiário feito em terras públicas no Amapá, que resultou em denúncia formal junto ao Ministério Público Federal apontando autoridades locais como responsáveis pela grilagem de terras da União.

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Aproveitando o embalo do Xô Sarney, o engajamento dos blogs na campanha eleitoral para o Senado no Amapá poderia fazer a diferença, num contexto em que Cristina Almeida já subiu de 15% para quase 30% - e o desgaste dos episódios censores de Sua Excrescência o coronel maranhense ainda não foi medido por nenhuma pesquisa; afinal, esse desgaste só está começando. Alô, blogs amapaenses apoiadores e simpáticos à campanha da líder comunitária negra e testada administradora Cristina Almeida, estamos com vocês para o que precisarem. Para quem usa o Orkut, está disponível a comunidade Xô Sarney. Também há a possibilidade de contribuir diretamente com a campanha de Cristina Almeida.

Pensem bem: esta é uma campanha na qual podem se engajar eleitores de Lula, Alckmin, Heloísa Helena, Cristovam Buarque. Contribuir para tirar Sarney do Senado seria uma vitória inesquecível da democracia e possivelmente mais um passo adiante no caminho da maturidade política dos blogs no Brasil. Circule os links, imagens e biografia de Cristina Almeida se gostar da idéia.

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PS: A foto acima é de camiseta com charge criada por Ronaldo Rony, vestida por Patrícia Andrade.



  Escrito por Idelber às 05:56 | link para este post | Comentários (74)



sábado, 02 de setembro 2006

Andar com Fé, Bola na Rede, Democracia

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Imagine um país que é o melhor do mundo no futebol, mas cujo esporte é dirigido por máfias, enraizadas em redes capilares de clientelismo local que se ramificam até os altos escalões dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Imagine que esse país há década e meia vive sob ditadura militar, regime que se alimenta de e reforça o controle destas máfias sobre a maior paixão cultural e esportiva de seu povo. Imagine que esse sistema se reproduz por toda sorte de falcatruas, incluindo-se aí o suborno, a corrupção, o deslavado uso de vagas no Campeonato Nacional como instrumento de troca política, a total falta de prestação de contas do uso do dinheiro público repassado à Confederação Nacional de Desportos e do dinheiro arrecadado pelos clubes, uma estrutura ditatorial baseada na ausência de poder decisório dos responsáveis pelo espetáculo (os jogadores), submetidos a concentrações e a decisões autoritárias nunca discutidas. Imagine que essa cultura anti-democrática se reproduz pelo terror, já que todos os jogadores sabem que a carreira é curta, o país é cheio de craques, o “passe” (ou seja, o direito de ir e vir de um emprego) não lhes pertence e, para os poucos que conseguem a fama, esta é efêmera. Imagine o medo. Imagine o Brasil em 1979.

Agora imagine que os jogadores e comissão técnica de um dos dois clubes mais populares do país se reúnem e decidem: de aqui em diante, aqui nesta casa reina a democracia. Tudo será decidido entre todos, tudo é passível de discussão, do detalhe na camisa à tática de jogo aos planos para a semana de folga. Nossa vida será permanentemente reinventada pelo diálogo coletivo. Tudo será novo.

Continue lendo Andar com Fé, Bola na Rede, Democracia, o texto deste mês no Alegorias, minha coluna na revista literária Germina. A edição deste mês está belíssima e inclui também um dossiê sobre Minas Gerais.



  Escrito por Idelber às 20:07 | link para este post | Comentários (15)