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segunda-feira, 11 de setembro 2006
A vitória do terrorismo, com a mãozinha de Bush

Kelly Dougherty, co-fundadora do Iraq Veterans against the War
Este mês eu já disse adeus a mais gente que posso contar. Alguns dos “adeuses” foram apressados e furtivos – do tipo que você dá à noite ao vizinho que recebeu uma ameaça de morte e está partindo ao raiar da madrugada, quieto.
Alguns dos “adeuses” foram emotivos e demorados, a amigos e parentes que já não conseguem viver num país que está se despedaçando.
[...]
Em horas como esta eu me lembro de um discurso feito por Bush in 2003: uma das grandes realizações que ele reclamava para si era o retorno de ‘exilados’ iraquianos cheios de júbilo ao seu país depois da queda de Saddam. Eu gostaria de ver alguns números sobre os iraquianos que vivem fora do país que vocês estão ocupando. Para não mencionar os iraquianos refugiados internamente, abandonando suas casas e cidades.
Este é um dos muitos relatos do infernal cotidiano no Iraque ocupado, segundo o blog Baghdad Burning, escrito por uma mulher em Bagdá.
Os números que a garota de Bagdá procura estão, na verdade, disponíveis: Os exilados iraquianos já são milhões, os mortos mais de sessenta mil, os refugiados internos contam-se pelas centenas de milhares e as mortes diárias medem-se, num "bom dia", pelas dezenas.
5 anos depois do começo da “guerra ao terrorismo” de Bush, Cheney & Rumsfeld e dos traficantes de petróleo e armas por eles representados, o responsável pelos atentados de 11/09/2001 não foi capturado, o Taliban já recupera o sul do Afeganistão, o Iraque é um lamaçal de mortes, as desculpas para a guerra se provaram todas falsas, as perspectivas de paz para palestinos e israelenses mostram-se cada vez mais distantes, os EUA são mais detestados mundialmente do que jamais tinham sido, a revolta no mundo árabe é maior que nunca e uma série de garantias constitucionais de privacidade e liberdade tão caras aos EUA – precisamente o que os fazia diferentes de tantos outros regimes políticos no mundo – têm sido repetidamente violadas. Os EUA hoje são associados a prisões clandestinas, encarceramento ilegal, prática de tortura, tráfico de prisioneiros, perseguições a jornalistas e mentiras sistemáticas como instrumento de política externa e interna. É o legado da era Bush.
Sobre a invasão ao Afeganistão que deu início à “guerra ao terrorismo”, eu continuo mantendo o que disse no Correio Brasiliense há cinco anos, e me alegro que alguns amigos liberais que apoiaram o bombardeio que deu início a esta seqüência de desastres estejam revendo suas posições.
São os apoiadores das guerras os que verdadeiramente insultam a memória dos assassinados em 11/09. São eles os que colocam mais uma cereja nessa tremenda vitória do terrorismo e da intolerância. Por outro lado, cada vez mais familiares das vítimas do 11/09 mandam seu recado, alto e em bom som: Guerras de agressão e de rapinha? Não em nosso nome.
Escrito por Idelber às 04:26 | link para este post
| Comentários (19)
#1
Caro Idelber
Não acredito que o fundamentalismo vá acabar com a Terra. Já vivemos outros períodos de fundamentalismo e estamos aí.
Mas, incutir em nossas cabeças que estamos no ‘fim dos tempos’ é vender o extremismo religioso. Você para na rua por um incidente qualquer e ouvirá os argumentos do extremismo, começando pela condenação da droga. O resto virá encadeado.
Não acho que o presidente norte-americano tenha condições de formular nada. Mas seu cargo é tão importante que hoje muitos se espelham nele. Se espelham na sua vertente religiosa fundamentalista. Estamos vivenciando isto em nosso país agora. Aqui o presidente eleito está em fase de atravessar o Rubicão do Estado leigo.
Creio que no futuro os acontecimentos de 2001 em N.Iorque terão nova leitura. Possivelmente desaparecerá o status do acontecimento/espetáculo. A palavra TERRORISMO que provisoriamente usamos, será possivelmente substituída por uma explicação.
As pessoas estavam naqueles prédios, bem como os bombeiros que foram para lá mandados (Para que? Salvar o que?) fizeram o papel que muitos cariocas fazem ao levar uma bala perdida de bandidos ou tiro do “caveirão”. São (e aqueles foram) mártires da humanidade.
A religião é a principal causa das guerras! Sempre é bom lembrar isso.
Paulo em setembro 11, 2006 8:17 AM
#2
Prezado,
leio com frequencia seu blog... mas a minha pergunta é: vc realmente acredita em atentado terrorista contra as torres gêmeas? o que acha da idéia de ter sido tudo cruelmente arquitetado pelos próprios EUA? não sei se vc vai responder, mas gostaria muito de saber sua opinião.
grata, Cristina Lanzini
Cristina em setembro 11, 2006 10:36 AM
#3
Idelber, bom dia!
A cada 11/9 lembro-me muito bem de 2001. Pensei e disse:"é o começo do fim do império do Norte". Outros já afirmaram o mesmo. O 'fundamentalismo' do Bush, creio, é o imperativo do capitalismo selvagem: lucro a todo custo, poder para dominar as reservas de combustível fóssil, busca de garantir os excessos do american way of life: afinal, se o 'resto' não sustentar o império, este se desmorona.
Off topic: quanto ao post anterior, maravilhosas as dicas do Francklin.
Cláudio Costa em setembro 11, 2006 10:51 AM
#4
Idelber - Sou liberal. Estou de pleno acordo contigo.
Até a teia de aranha que se cria diariamente no cérebro de Bush sabe que o terrorismos é financiado pela Arábia Saudita (aliada dos EUA) e Irã. Possui seus campos de treinamento no Irã, Paquistão (outro aliado) e Afeganistão.
Todos os sites de geopolítica militar são unânimes ao afirmar que Bush nunca deveria ter entrado no Iraque, que a guerra mesmo estava no Afeganistão. Provas de que os EUA deixaram Bin Laden escapar pipocam diariamente.
Agora acreditar que os atentados tenham sido obra dos americanos é um pouco forte demais...
Só faltam afirmar novamente que o homem não foi à Lua...
Pablo Vilarnovo em setembro 11, 2006 10:52 AM
#5
Idelber
Um capitalista acima de qualquer suspeita conta em sua biografia o nada glamouroso início da construção do W.Trade de NY. David Rockfeller conta em suas memórias a conjuntura na qual estes prédios foram erguidos.
Há duvidas quanto as raízes capitalistas deste Rockfeller?
Como podemos ver, os aliados dos norte-americanos são mais realistas que o Rei. O presidente Bush deve estar envaidecido destes apoios, POIS ATÉ CIDADÃOS NORTE-AMERICANOS (cerca de 30%) ACREDITAM QUE O GOVERNO NORTE-AMERICANO PISOU NA BOLA E DE ALGUM MODO FACILITOU!
Sinceramente eu não consigo entender esta argumentação EXCESSIVAMENTE pró norte-americana. Maior do que a dos nacionais daquele país, onde aliás existem contingentes expressivos de pessoas que não acreditam que o homem pisou na Lua!
Paulo em setembro 11, 2006 11:49 AM
#6
Idelber,
O dia de hoje, no Brasil, em nada lembra o 11 de setembro de 2001. Estava cinzento. Hoje, um sol fulgurante aquece ao estio esses últimos dias de inverno.
A leitora Cristina perguntou algo que eu ia perguntar. São cabíveis essas teorias de simulação dos atentados? O que se diz aí? O que o pensamento de esquerda enxerga de verdade e de paranóia nisso? Aquela história do Pentágono não ter sido alvo de um avião faz sentido?
beijos!
Alessandra Alves em setembro 11, 2006 12:11 PM
#7
O exército de Bush, com toda sua tecnologia e treinamentos, com os equipamentos mais modernos que os amigos do presidente, capitães da indústria bélica, poderiam fornecer, não conseguem sequer dar segurança às autoridades do governo. Não se protegem, contam com um serviço de inteligência capenga, mas ainda contam com as Fox da vida para injetarem na cabeça dos concidadãos que a guerra está vencida, que apenas meia dúzia de revoltados (não rebeldes) estão fazendo arruaça. Muitos já previram, e eu ouso me colocar nesse rol, que as guerras do Iraque e do Afeganistão tinham tudo para se transformar num novo Vietnã. Só Bush, Cheney e seus amiguinhos belicistas não pensaram nessa possibilidade.
Marcos em setembro 11, 2006 12:33 PM
#8
As teorias conspiratórias sobre o atentado são absurdas, Cristina, e já foram desmentidas N vezes, de forma cabal. O Pablo Vilarnovo tem razão, muitas pessoas que pensam isso também acham que o homem não foi à Lua. Isso é anti-americanismo cego, que nada tem a ver com a crítica política ao imperialismo norte-americano.
Sobre o apoio aos atentados: é impressionante a capacidade de algumas pessoas em prestar mais atenção ao discurso do que aos atos. Um primo meu (o único olavete que eu conheço pessoalmente, hehehehehe) fez uma vez pra mim um longo discurso de enaltecimento à guerra contra o terror do presidente Bush, dizendo que os terroristas não merecem trégua e coisa e tal. Eu perguntei: "mas essa guerra está dando certo"? Ele respondeu que "não, mas pelo menos Bush está tentando".
Quer dizer, mesmo que a estratégia seja a mais equivocada possível, o conteúdo do discurso é o que interessa para esse pessoal. Mas não existem idéias viáveis desconectadas da análise histórica. Esse a-historicismo de muitos liberais e/ou conservadores é algo que me dá nos nervos.
Marcus em setembro 11, 2006 1:47 PM
#9
Tens o telefone dela? Também sou contra a guerra!
Estou de acordo contigo, só não gostaria que nós, latino-americanos, esquecêssemos de que foi num outro 11.09 que Salvador Allende foi assassinado.
Milton Ribeiro em setembro 11, 2006 2:04 PM
#10
Muitos brasileiros na década de 60 comeram arroz note-americano, cozido em óleo norte-americano, fornecidos pela Aliança para o Progresso. E creio que leite em pó também. E não era no Nordeste apenas, também havia alimento desta procedência distribuído no Rio, S.P. e M.G. As embalagens traziam a marca da USAID.
Não creio que existam muitos brasileiros anti-americanos, mas em nossa população, por vezes, INSTALA-SE UM SENTIMENTO DE DESILUSÃO contra governos dos EUA. E COM TODA RAZÃO!
Norte-americanos que façam pouco dos outros devem ser repelidos mesmo. É O CASO ATUAL. O FUNDAMENTALISMO NORTE-AMERICANO, QUE ESTÁ NO PODER, gostaria de igualar qualquer crítica ao sentimento anti-americano. Essa demonização é sintomática!
Paulo em setembro 11, 2006 2:40 PM
#11
Mr. Bush fez exatamente como Bin Laden queria. Seguiu a cartilha cuidadosamente.
A ignorância (e não a religião), como agora, é a grande causadora das guerras.
Pode até ser o "começo do fim" do Império do Norte, mas, eles ainda vão dar muito trabalho para os que os odeiam. O fim dos EUA só virá com seu fim como potência econômica e tecnológica.
E o Iraque, bem, o Iraque sempre foi, desde o incício, um beco sem saída...
Edkallenn em setembro 11, 2006 2:58 PM
#12
Cristina e Alessandra: como outros leitores já disseram, não, as teorias conspiratórias sobre o 11 de setembro não têm muita credibilidade, e os que as defendem não conseguiram apresentar provas suficientes de qualquer participação ativa de quem quer que fosse do governo americano nos atentados. E mesmo assim um terço da população americana acredita que eles tiveram algo a ver com a coisa, veja só você o nível de descrença e desmoralização do governo Bush.
O fato de que as teorias conspiratórias sejam falsas não quer dizer que ainda antes do atentado a coalizão não tenha procurado encontrar pretextos para invadir o Iraque (a primeira coisa que Rumsfeld tentou fazer na primeira reunião de gabinete depois do 11/09 foi pôr a culpa em Saddam) e também não quer dizer que eles não tenham sido, antes do atentado e por interesses políticos, criminosamente negligentes com informações transmitidas pelo governo Cliton. Também não quer dizer que eles, já antes do atentado, não manipulassem dados fornecidos pelos seus organismos de inteligência para seus próprios objetivos políticos.
Depois do atentado, aí ficou claro como água, óbvio, que eles usariam aquele acontecimento durante anos para justificar a implantação de todo o seu plano de "hegemonia americana global pela violência", plano elaborado minuciosamente por ideólogos neo-conservadores desde os anos 80.
Idelber em setembro 11, 2006 5:16 PM
#13
Milton, com certeza não devemos nos esquecer. Aliás, este post, na minha cabeça, era também uma forma de honrar a memória de Allende.
Estou acompanhando de perto os acontecimentos no Chile, e há tempos não escrevo sobre o país. Cobre-me :-)
Idelber em setembro 11, 2006 6:36 PM
#14
Idelber,
seria então um "deixa que aconteça". Sim, porque ainda que a teoria pura da conspiração não tenha base fática propriamente dita, o discurso do Bush, logo após a queda é uma demonstração clara do uso da desgraça para fundamentar qualquer plano. Um ataque surpresa-esperado(desejado)?
Atenciosamente,
Cristina em setembro 11, 2006 7:20 PM
#15
Mas Avelar, o que seria correto? Nao bombardear o Afeganistao, e deixar o Taliban continuar la dando guarida ao Bin LAden? Abraços.
Jorge Villar em setembro 11, 2006 10:04 PM
#16
Caro Jorge, 11/09 foi um crime. Não foi ato de guerra. Foi um crime internacional. O que fazer? Tentar capturar os criminosos, de acordo com as pautas previstas pela lei internacional. Não garanto que teriam capturado Bin Laden, mas o planeta inteiro estava disposto a colaborar. O governo Bush nem mesmo quis dar uma chance a essa possibilidade, porque isso não lhe interessava politicamente. Abraços,
Idelber em setembro 11, 2006 10:08 PM
André Kenji em setembro 12, 2006 1:56 AM
#18
Off-topic nada, André. Tudo a ver com o post. Realmente, o Fiuza é muito fraco, né?
Idelber em setembro 12, 2006 2:11 AM
#19
esta pagina culera esta bien aburrida no tiene nada vergon que llene mi imaginacion de cosas locas. no hay imagenes de terrorismo que es lo que esperava ve.saluuuuuuuu.lulu
douglas borja(spyro) em setembro 20, 2006 2:06 PM