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terça-feira, 26 de setembro 2006
Estadão descobre que nordestinos, pretos e pobres são os culpados da corrupção
Vejam a que ponto chega a manipulação de informações e pesquisas nesta bela crítica de Franklin Martins a um editorial do Estadão (valeu, Duas Fridas).
PS: Então, a idéia dessa campanha é pôr o nariz de palhaço, e depois? Fazer o quê? Qual é a proposta mesmo? Não me comoveu não - para não mencionar o fato de que qualquer movimento em que participe o Ivan Lins imediatamente deixa de contar com meu apoio.
Escrito por Idelber às 00:28 | link para este post
| Comentários (69)
#1
A imprensa realmente tem ódio dos números. E não falo aqui de ódio racial ou coisa do gênero, mas sim da política.
O PSDB reuniu 3000 pessoas num clube cafona situado às márgens do límpido (se comparado a eles) Tietê. Isso foi chamado de "ato público".
Lula discursou para 35000 pessoas em Porto Alegre.
Adivinha qual foi a foto mais divulgada? A turma tucana na sua palestr... digo... em seu "ato público".
Lula, que contou com singelos 35000 ouvintes, não foi 'notícia' para a mídia internética. Aliás, ignorando essa multidão, sobrou tempo para mostrar fotos de 'faixas de protesto' contra o Presidente, fixadas em algumas residências (ainda durante o dia). É mole? rsss
Os caras juntam meia dúzia num clube (em São Paulo!), e isso é chamado de "ato público"; Lula reúne 35.000 ouvintes (em Porto Alegre!) e a coisa passa batida.
Só fica uma pergunta: será que teve claque paga nesses 3000 do Clube Espéria? Porque, na ocasião do lançamento da candidatura de Alckmin, em Minas Gerais, o pessoal foi pra lá sem saber quem era o candidato (ou seja, o negócio funcionou na base do busão fretado + lanchinho reforçado).
Acha que é cascata? Veja aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1206200606.htm
Eita peste!
Gravatai Merengue em setembro 26, 2006 2:35 AM
#2
Permita-me discordar. Mas você deturpou a infomação passada. Que tal imaginar que as pessoas de menor renda são menos preocupadas com a corrupção por absoluta falta de compreensão sobre o tema?
Duralex em setembro 26, 2006 2:55 AM
#3
Eu também estou com Franklin Martins que afirma que neste período eleitoral muitos estão tentando envenenar o país.
E é uma pena que Franklin Martins não aborde a notória falta de cuidado da imprensa brasileira para tratar da noção de quantitativos em suas matérias. O fato se agrava ainda mais no período NEO-LIBERAL que vivemos onde a noção de quantidades e proporções são decisivas (Por exemplo, quantos indivíduos estão excluídos de tal ou qual prática política. EXCLUÍDO é palavra chave no NEO-LIBERALISMO).
Aparentemente a falta de bom senso na matéria do Estadão seria debelada se fosse consultada alguma pessoa que, minimamente, entendesse de apresentação numérica de dados.
E o pior é que a nossa imprensa se equivoca com números não apenas em questões políticas, mas em quase tudo. Na política esta prática poderá parecer odiosa, mas o desastre é generalizado.
Em relação às divergências entre as pesquisas Ibope x DATAFOLHA, Franklin Martins é bastante coerente na crítica mas aparentemente NÃO FOI ENTENDIDO PELOS SEUS SEGUIDORES. Ocorre que por vezes a política não nos deixa entender bem algumas situações. A vida é assim.
Paulo em setembro 26, 2006 7:23 AM
#4
Gente, tenho uma proposta: vamos votar na Heloisa ou no Cristovam como forma de garantir um segundo turno enquanto a origem da grana dos aloprados e a verdade sobre o envolvimento do assessor de Serra no MS não vierem à tona. Ganhamos, desta forma, mais tempo, porque não podemos dar carta branca a picaretas, sejam eles petistas ou tucanos, assim, sem mais nem menos, sob pena de elegermos outro elefante branco pelos próximos quatro anos. Ou será que o eleitor brasileiro não merece um mínimo de respeito por parte desta corja?
Abaixo a picaretagem! E tenhamos, por favor, um mínimo de vergonha na cara, pessoal!
Paula em setembro 26, 2006 8:28 AM
#5
Paula, acho melhor a gente construir o voto pelo que foi proposto e posto em prática pelos candidatos nos últimos anos - e isso dá pra páginas e páginas de debates.
Mas não pelo que a imprensa tem alardeado nos últimos dias. Votar ou deixar de votar em alguém por causa desse escândalo espetacularizado pela imprensa é reduzir absurdamente o nível da discussão.
E olha que meu voto é do Cristóvam Buarque. Mas também sou a favor da democracia.
Pensa bem se toda véspera de eleição soltarem um escândalo? Isso não é difícil de acontecer, pois os escândalos prontos pra serem investigados de todos os lados. Depende apenas de a imprensa querer noticiar ou não.
Paulo Morais em setembro 26, 2006 8:56 AM
#6
Sugiro a leitura do editorial do O Globo de hoje (26/09).
Apesar de suspeitíssimo, Franklin Martins falou a verdade. Infelizmente a noção de que rouba mas faz persiste no DNA brasileiro. Paulo Betti que o diga. O Estadão está errado. Isso acontece em todas as classes sociais. O pobres, aliás, são muito mais honestos.
Votar em Lula ou não não tem nada a ver com ladrão. Tem a ver com manutenção de privilégios e esmolas, que, aí sim, os pobres acham que pode garantir algum futuro, alguma possibilidade de deixarem de ser pobres.
Sabemos que isso não é verdade.
Paulo - Defina o que seria Neo-liberal para mim... É marca de sabão em pó? Quais medidas neoliberais estão sendo tomadas hoje? Você sabe quais são?
Carga tributária de 40% é liberal onde?
Taxa de juros estratatosférica é liberal onde?
Centenas de empresas públicas é liberal onde?
Empreguismo governamental é liberal onde?
Leis trabalhistas que garantem o desemprego é liberal onde?
Gastos de previdência social igualitários para 1 milhão de funcionários públicos e mais de 20 milhões de privados é liberal onde?
FGTS é liberal onde?
Gostaria de saber em que nós somos neoliberais...
Ou é só retórica mesmo?
[]'s Pablo
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 9:03 AM
#7
Paulo Morais - Falou tudo! Apesar de saber que escândalos de última hora podem sim mudar uma eleição. Vide o que aconteceu na Espanha após os atentados.
É por isso que minha avaliação sobre o governo Lulla é acima desses escândalos. Até porque não tenho ilusão nenhuma de que o PSDB, sendo do mesmo viés ideológico do PT, não tenha feito a mesmíssima coisa.
Minha maior crítica a Lulla é sobre o caminho que o país está tomando.
O Brasil perdeu o bonde da história a crescer mais apenas que o Haiti.
Nossa carga tributária vai aumentar ano que vem. Logo, logo estaremos trabalhando 6 meses para o governo e continuamos sem educação, saúde e segurança.
O aparelhamento do Estado foi inacreditável. Não houve qualquer movimento efetivo para diminuição da burocracia estatal. Reformas necessárias como da previdência, política e judiciárias foram esquecidas.
Programas assistencialistas de resultados questionáveis a longo prazo não são complementados por políticas de desenvolvimento pessoal, tornando essas pessoas reféns desses programas para utilização eleitoreira.
Um presidente que as maiores virtudes foi manter o programa econômico do governo anterior (o que não há nada de errado nisso, volto a afirmar) e "não saber de nada, não ter ouvido nada, não ter visto nada".
Isso sem contar ao fato do alinhamento ideológico com narcotraficantes (FARC), ditadores (FIDEL), ladrões (EVOU ROUBALLES) e outros.
Para mim, são motivos suficientes para não votar em Lulla para um novo mandato.
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 9:13 AM
#8
A coluna da Miriam Leitão de hoje também está interessante...
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 9:17 AM
#9
A lógica do Estadão é esta ironizada por Tom Zé há quase 40 anos. Com a palavra o bardo de Irará:
"Sei que quem rouba um, é moleque
Aos dez, promovido a ladrão
Se rouba 100 já passou de doutor
E 10 mil, é figura nacional
E se rouba 80 milhões...
É a diplomacia internacional
A "Boa Vizinhança" e outras tranças
É que na profissão de ladrão
Injustiça e preconceito
Dá chuva pra inundação
Para alguns fama e respeito
Pra outros a maldição
Pois o tamanho do roubo
Faz a honra do ladrão".
Franciel em setembro 26, 2006 9:43 AM
#10
OUTRO ASSUNTO:
A candidata ao Senado pelo Amapá Cristina Almeida foi entrevistada na Rádio CBN pelo âncora Heródoto Barbeiro.
A entrevista que começou por volta das 9 horas de hoje, 26 de setembro, no programa JORNAL DA CBN iniciou-se com um suspense por parte de Heródoto Barbeiro. Cristina Almeida, candidata pelo PSB do Amapá, foi apresentada como uma possível futura ‘personalidade nacional’, na hipótese de vencer a eleição majoritária para o Senado tendo como adversário o ex-presidente José Sarney. O jornalista evidenciou o importante crescimento que Cristina Almeida obteve nesta corrida para ocupar a cadeira em Brasília.
Quando Heródoto deu a palavra para que Cristina Almeida se apresentasse, ela fez isso e ao final deu ênfase a questão do Estado do Amapá estar sub representado no Senado. Heródoto insistiu neste tema perguntando a Cristina Almeida qual a razão deste prejuízo que o Amapá vem sofrendo. Cristina Almeida foi clara ao colocar a prática de José Sarney em não morar no Amapá e de não efetivar os compromissos que ele tinha assumido naquele estado e, no entanto continuar a fazê-lo em relação a compromissos com o Maranhão.
Ela ainda foi mais específica ao indicar que a construção de um hospital, “prometido” pelo senador José Sarney ao Amapá teria sido efetivada no estado do Maranhão. Perguntada em seguida por Heródoto sobre o que tinha mudado naquele estado em relação a campanha para a cadeira no Senado, Cristina Almeida disse que Sarney se limitava a mandar um ‘telão’, que circula pelo estado fazendo a ‘campanha’ para o atual senador.
Heródoto comentou que nas pesquisas de opinião sobre o voto dos eleitores do Amapá para o Senado, Cristina Almeida encontra-se com 40% das intenções de voto contra 47% de José Sarney (mas não citou a fonte).
P.S.
A rede CBN de rádio possui 4 emissoras próprias (SP, Rio, BH e Brasília) e cerca de 21 emissoras afiliadas. Na região Amazônica a CBN tem apenas uma emissora, em Manaus, a Rádio Tiradentes. No estado do Maranhão também não há emissora da CBN (embora existam 5 emissoras em outras capitais do Nordeste).
É possível aos moradores do Amapá ouvirem a Rádio CBN pela Internet (inclusive esta entrevista da candidata Cristina Alameida).
Paulo em setembro 26, 2006 9:53 AM
#11
Idelber,
Esse caso do Estadão é mais um dos vários em que a grande imprensa tenta fazer suas teses colarem, mesmo que para isso seja necessário forçar a barra.
Outro exemplo é o que acabo de postar no Uaipod: a matéria "O que há com o Islã?", veiculada pela última edição da Época. Apoiada em material de agências de notícias, ela mostra os muçulmanos como meros objetos do terrorismo. Por outro lado, a Caros Amigos foi até o Líbano e mostrou o outro lado da história. Creio que vale a pena conferir os dois lados.
Um abraço.
Paulo Morais em setembro 26, 2006 10:12 AM
#12
Caro Pablo Vilarnovo
Estamos em meio a Operação Tabajara, domingo teremos importante eleição!
O Brasil é NEO-LIBERAL.
Paulo em setembro 26, 2006 10:18 AM
#13
minha nossa, simplesmente grotesco. Aliás, tem alguns veículos midiáticos maiores do Brasil que vou te contar, heim?!
catatau em setembro 26, 2006 10:51 AM
#14
Realmente é rir pra não chorar ho ho ho, a campanha do nariz de palhaço é liderada pela Constanza Pascolatto e pela Cláudia Liz ! A primeira uma pessoa super engajada nas causas sociais e a segunda fez lipoaspiração no célebro...me poupem...Já o autor da matéria do Estadão deve estar pensando em mudar de emprego e ir trabalhar na Veja...
Ana Lucia em setembro 26, 2006 11:05 AM
#15
Pablo,
Contra o argumento do Paulo - "O Brasil é NEO-LIBERAL" - não há réplica.
Ele não precisa nem demonstrar a veracidade de sua afirmativa - para quê ? - ele falou tá falado.
Talvez pela repetição constante desse mantra ele se torne verdade - para ele. Para mim um argumento só basta - 40% de carga tributária - se isso é uma prática liberal (ou neo) o Lulla realmente não sabia de nada.
Abraços,
Fred
Frederico em setembro 26, 2006 11:18 AM
#16
Pois é Frederico. É isso que me incomoda. Principalmente com a esquerda. Principalmente porque também tem gente de direita que não faz a menor idéia do que seja isso.
O sujeito repete a mesma cartilha "O Brasil é neo-liberal" sem nem ao menos se perguntar porque. Isso assusta. Isso prova a capacidade de manipulação que as pessoas estão sujeitas.
Nada contra o cara achar que o Brasil é neo-liberal. Só acho que ele deveria saber o motivo. Colocar argumentos que sustentem uma teste. Cabe o receptor da informação concordar ou não.
Só que infelizmente, com a maioria da esquerda é assim. Não há argumentos. Repetem a mesma coisa há décadas. Usam os mesmos artifícios há décadas. Como essa história de golpe.
E o pior de tudo. Falam que o Brasil é neo-liberal. São viceralmente contra. Mas vão votar no mesmo presidente que está no poder, ou seja, aquele que faz com que o país seja neo-liberal na visão deles.
O cargo de Presidente está tão em baixa que acabam por não saber para que ele serve mais...
É o cúmulo da religião ideológica.
E o Brasil vai, cada vez mais para o buraco.
PIB caíndo, competitividade caindo, impostos subindo, carga tributária subindo, etc... etc...
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 11:51 AM
#17
Fala Pablo!
Como disseram ali em cima, o neo-liberalismo pressupõe exclusão. Então é aí que a gente é neo-liberal: na nossa exclusão. Por isso que todas aquelas garantem nossa adesão ao neo-liberalismo, ao garantirem que continuamos excluídos. Ou por acaso o neo-liberalismo permitiria que todos os países sejam desenvolvidos?
Daniel em setembro 26, 2006 11:52 AM
#18
Pablo tem razão. Que horror essa esquerda, não?
Por isso que acho que deveríamos largar mão desse negócio de esquerda e chutar o balde, votando na Heloísa Helena logo de uma vez.
Daniel em setembro 26, 2006 11:56 AM
#19
Eu tive uma disciplina na faculdade de jornalismo que se chamava Estatistica. No entanto, acho que nao é necessário ter estudado isso para saber que os numeros sozinhos nao dizem nada, ou podem dizer muita coisa. Mas para isso é preciso saber ler os mesmos numeros. Ou pelo menos querer ler. Ignorancia pode ser inconsciente ou voluntária. Pelo jeito alguns jornalistas são voluntarios de primeira hora..
Paulo, e todos que lerem isso: Alguem achou o link para a entrevista da Cristina Almeida? Eu procurei e nao achei..Acho que seria interessante divulgar tambem..
Um abraço!
Celinho em setembro 26, 2006 12:10 PM
#20
Eu tive uma disciplina na faculdade de jornalismo que se chamava Estatistica. No entanto, acho que nao é necessário ter estudado isso para saber que os numeros sozinhos nao dizem nada, ou podem dizer muita coisa. Mas para isso é preciso saber ler os mesmos numeros. Ou pelo menos querer ler. Ignorancia pode ser inconsciente ou voluntária. Pelo jeito alguns jornalistas são voluntarios de primeira hora..
Paulo, e todos que lerem isso: Alguem achou o link para a entrevista da Cristina Almeida? Eu procurei e nao achei..Acho que seria interessante divulgar tambem..
Um abraço!
Celinho em setembro 26, 2006 12:12 PM
#21
Pablo, por favor, permita-me contra-argumentar.
Essa história de que o Brasil está crescendo mais apenas que o Haiti é uma leitura parcial e errônea da realidade. Toda vez que a imprensa abre o microfone para a turma do PSDB/PFL, eles atacam dizendo que países emergentes do mesmo porte do Brasil - no caso China, Argentina e Índia - crescem mais do que nós.
Mas ninguém contextualiza a informação. É preciso informar, por exemplo, que a China vive uma ditadura há décadas, que permitiu um planejamento visando uma economia baseada na indústria popular, empregando todo mundo em condições que, pela cultura ocidental, não seria possível aplicar por aqui (vc já deve ter ouvido falar sobre trabalho escravo por lá, o que é outra visão simplista sobre o assunto).
No caso da Índia, eles têm a vantagem de serem um país que fala inglês. Logo, milhares de indianos estão sendo contratados como mão-de-obra barata por empresas de telemarketing dos Estados Unidos. Como as ligações internacionais estão muito baratas por causa do Voip, milhares de indianos estão tendo a "carteira assinada" pelos americanos e a Índia virou um paraíso do setor de serviços.
No caso da Argentina, eles ainda estão se recuperando do mega rombo do PIB que rolou há alguns anos.
Por outro lado, precisamos parar com essa visão de que o Bolsa-Família é um mero projeto assistencialista. Ela colabora, por exemplo, para fixar famílias nos locais de origem e assim combater o inchaço e a favelização das grandes cidades. Aliado a programas de saúde da família, alfabetização solidária e incentivando as crianças a frequentarem a escola, o programa vai sim colaborar a longo prazo para saúde, educação e segurança.
Chamar o bolsa-família de esmola (como é feito por alguns) é praticamente um atentado ao pudor.
O Brasil só vai crescer mesmo quando o povão (no bom sentido) tiver acesso aos mesmos meios que os ricos - e isso inclui a renda. Paulo Freire já coisas parecidas em 1970, mas até hoje a elite não consegue enxergar isso.
Mas, mesmo na elite, há quem enxergue isso de outra forma. A revista época dessa semana, dentre as bobagens que escreve, publicou um artigo dizendo que o capital humano é o responsável pelo crescimento. Valorizando os mais pobres, estamos qualificando mais capital humano. Pois as classes média e alta já tem um nível de capacitação razoável. Têm escolas, renda, universidades, saúde, etc. Ou seja, esse Brasil já está construído. E se mostra a cada dia radicalmente contra o fato de outro Brasil também ser construído.
Lembro, mais uma vez, que meu voto é do Cristóvam Buarque.
Paulo Morais em setembro 26, 2006 12:14 PM
#22
Meus amigos Pablo Vilarnovo, Daniel e Frederico, enquanto os termos "exclusão", "excluído", "excluídos", estiverem corriqueiramente no vocabulário corrente, podem ter certeza que o NEO-LIBERALISMO estará entre nós.
O NEO-LIBERALISMO é hoje o padrão dominante. E ele infelizmente pressupõe uma centralização nos países líderes (G8). Estes trabalharam direitinho e construíram uma, vamos dizer assim, uma periferia de países neo-liberais, ou neo-liberais de segunda, no qual também se inclui o nosso país.
Vocês, meus caros Pablo Vilarnovo, Daniel e Frederico sabem muito bem disso, pois são, certamente, MUITO BEM INFORMADOS!
Dessa forma não é necessário que eu lhes diga o que é NEO-LIBERALISMO, pois vocês sabem muito bem o seu significado. Não sou candidato a nada e estou tão indignado como todos com a 'Operação Tabajara'. Portanto espero que exerçam suas respectivas indignações contra os políticos que vocês acharem melhor. SAUDAÇÕES CARIOCAS!
Paulo em setembro 26, 2006 12:14 PM
#23
Eu ouvi a entrevista da candidata Cristina Almeida na Rádio CBN ('ao vivo'). Não sei se esta entrevista está disponível em outro meio. Não sei se a Rádio CBN a propagou em outro meio.
Paulo em setembro 26, 2006 12:25 PM
#24
O Brasil não é neoliberal, nem mesmo 'liberal'. É, talvez, um feudo. E isso por culpa do sistema de privatizações do PSDB.
Não houve uma real privatização, mas sim um 'repasse de monopólio'. Setores essenciais foram passadas para empresas únicas, e não para um 'mercado aberto'.
Telefonia fixa, gás, eletricidade, por exemplo, são serviços explorados, cada qual, por UMA ÚNICA EMPRESA em cada região. Isso não é 'liberalismo', mas sim puro e simples monopólio.
Se é para alguém monopolizar, que seja pelo menos o Estado, repassando os eventuais lucros para a própria sociedade.
Se é para injetar eficiência nos serviços, bem como efetivamente privatizar, então deveriam permitir que pelo menos TRÊS empresas explorassem cada um desses serviços.
Nâo somente geraria mais empregos, como tornaria esses mercados mais saudáveis e menos viciados (ou alguém aqui acha que a Telefonica cobraria 'assinatura mensal' com a concorrência abrindo mão dessa taxa teratológica?).
O PSDB é capitalista de araque. A direita partidária brasileira, por sinal, é de araque também. É coronelista e fisiológica, não tem compromissos com o real liberalismo.
Vejam os caciques da 'direita partidária' e digam qual deles não enriqueceu às custas do Estado Grande.
Gravatai Merengue em setembro 26, 2006 12:33 PM
#25
Duralex, eu não "deturpei" nada, acredito que você não tenha entendido uma linha do que leu. Percebeu que a diferença entre as raças, classes e regiões está dentro da margem de erro da pesquisa, e que portanto a sua conclusão - e a do jornal - de que "as pessoas de menor renda são menos preocupadas com a corrupção" é absolutamente falsa?
São esses os que pontificam sobre a "falta de compreensão" dos pobres....
Idelber em setembro 26, 2006 12:46 PM
#26
Gravatai - Perfeito!
Muito obrigado. É um prazer ler linhas lúcidas sobre esse assunto vez por outra.
Paulo Morais - O bolsa família é um programa assistencialista. Esse não é o problema dele. O problema é que o foco dos atendidos está cada vez mais sendo desvirtuado. O erro está em usar mais verbas para o Bolsa Família do que para a Educação.
Engana-se quando pensa que o Bolsa Família é renda. Não é do ponto de vista que não é uma renda do cidadão, oriunda de seu proprio esforço. Se o programa acabar, acaba a renda. Temos que fazer com que as pessoas possam ter capacidade para conseguir renda por contra própria. Não é preciso tirar ela de sua cidade natal. Israel hoje é um dos maiores centros tecnológicos de software no planeta e fica no meio do deserto.
O que precisa? Educação. Saúde. Saneamento básico. Segurança.
Só que é mais fácil dar 50 mangos para alguém não é?
Não é questão de elite. Não reduza os argumentos contrários ao Bolsa Família (da maneira que está hoje) a isso.
A coluna de Ali Kamel no O Globo de 13/12/2005 chamada "Pobreza Maquiada" é bem interessante. Recomendo. Como sempre ele coloca números e argumentos.
Para mim é difícil compreender que alguém me critique quando digo que programas assistencialistas não reduzem a pobreza das pessoas. Programas assistencialistas apenas maqueiam a pobreza. Retire o programa e as pessoas voltam a ser pobres.
O Bolsa Famíli NUNCA deveria ter prioridade sobre a educação e geração de emprego. Nunca.
Mas mesmo assim quem acha isso é tachado de "elite que não consegue entender".
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 1:00 PM
#27
Gravatai,
Eu concordo com você sobre sua opinião sobre a direita no Brasil - não há, e também com relação ao virtual monopólio em determinado setores. Mas não quanto a sua opinião de que "Se é para alguém monopolizar, que seja pelo menos o Estado, repassando os eventuais lucros para a própria sociedade".
Quem lucra com esse monopólio podem ser os funcionários da estatal e os políticos que mamam na estatal MENOS a sociedade como um todo. A própria experiência pré privatização das telefônicas mostra isso - serviços sofríveis, linhas que custavam até R$10.000,00 - tanto que eram objeto de especulação - e por aí vai.
Estado grande é sinônimo de ineficiência e empreguismo - que é o que vemos. Patrimonialismo.
Abraços,
Fred
Frederico Correa em setembro 26, 2006 1:00 PM
#28
o editorial nao merece nem comentarios, eh uma materia sobre numeros que nao provam nada.
mas fiquei curiossissimo com uma coisa, e nao quero parecer estar citando a classica piada dos judeus e dos barbeiros (http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2003/06/piada-parbola-n-2-o-judeu-e-os.html), mas... pq ivan lins??
alex castro em setembro 26, 2006 1:13 PM
#29
Frederico - Isso mesmo. E o pior. Colocam os militares como direita. A ditadura, para alegria de uns, foi uma máquina de criação de Estatais.
Por exemplo a Petrobrás, "empresa do povo brasileiro" é apenas de seus empregados, beneficiados com salários acima do mercado e um fundo de pensão criminoso.
Tanto o Petrus (Petrobrás) quanto o Previ (Banco do Brail) apresentaram rombos de R$ 8,3 BILHÕES e R$ 1,5 BILHÃO.
Um chiclete mascado para quem adivinhar quem pagou a conta desse rombos...
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 1:13 PM
Franciel em setembro 26, 2006 1:48 PM
#31
Incrível, né Franciel? E o que nosso dignissímo Marco Aurélio de Mello, o que vai dizer agora? Que se "enganou?
Idelber em setembro 26, 2006 1:56 PM
#32
Olá Idelber e todos outros,
Vou me manter na discussão do bolsa-família levantada pelo Pablo. A questão do programa, na minha opinião, envolve sim renda. Mas ele, por si só, não é um programa de geração de renda, mas sim de transferência de renda. Ele é importante pois corrige as distorções da distribuição de renda que acontecem desde quando Pedro Álvares Cabral pisou aqui.
O benefício de quem recebe o auxílio é de pouco dinheiro, o suficiente apenas para garantir o básico. Ou seja, não vai garantir o sustento completo de uma família, mas garante o mínimo necessário para que ela possa, cumprindo as condições que o programa exige (como manter as crianças na escola), avistar um futuro melhor.
Até que seja resolvido, o problema da distribuição de renda vai durar ainda várias boas décadas pela frente. Enquanto não tiver alguém que tire a renda concentrada em uns e distribua aos outros, não vai haver possibilidade de gerar oportunidades para aqueles que nada têm.
O Bolsa-família não é um fim em si próprio, mas o ponto de partida para que várias outras coisas aconteçam. É o básico para que o governo possa finalmente se lembrar de que precisa cumprir seus deveres determinados pela Constituição de 88.
Paulo Morais em setembro 26, 2006 1:56 PM
#33
Paulo Morais - O problema da distribuição de renda no Brasil é que ela ainda é definida por um mofado discurso de que só há pobre porque há rico.
Distribuição de renda só irá existir quando houver uma melhor pulverização de oportunidade para todos, ou seja, educação gratuita de boa qualidade, saúde de boa qualidade, saneamento básico.
O governo gasta com o Bolsa Família praticamente o mesmo que gasta com educação. Na verdade gastou mais no Bolsa Família. Isso irá tirar alguém da pobreza? Não. Irá fazer alguma "distribuição de renda"? Não.
E aí? Como ficamos? Gastamos no Bolsa Família e não investimos em educação ou investimos em educação e diminuimos o Bolsa Família?
Pablo Vilarnovo em setembro 26, 2006 2:19 PM
Idelber em setembro 26, 2006 5:24 PM
#35
Tivemos um problema aqui no site durante umas duas horas. Voltamos à programação normal graças, como sempre, a Deus .
Idelber em setembro 26, 2006 5:26 PM
Franciel em setembro 26, 2006 6:18 PM
#37
Essa entrevista do "boquirroto" foi a melhor entrevista que eu já vi.
Daniel em setembro 26, 2006 6:33 PM
#38
Sei que a discussão tá séria, mas não posso deixar de registrar as risadas com tua observação sobre o Ivan Lins! Sem contar a Constanza Pascolatto e a Claudia Liz, como citado acima...mas mesmo assim gostei do tal Rir pra Não Chorar, já que votei no Lula esperando uma mudança muito maior, em muitos sentidos (ilusão alimentada pela atuação do PT na oposição), e portanto me senti 'feito de palhaço'. E não acho um problema que seja só uma maneira de manifestar meus sentimentos nesse domingo.
Rica P em setembro 26, 2006 6:54 PM
Idelber em setembro 26, 2006 7:50 PM
#40
Caro Idelber
O livro "Ministério do Silêncio", de Lucas Figueiredo [Editora RECORD, ISBN 8501069205] aborda a questão dos 'grampos' em Brasília (além de muita coisa mais).
O livro foi lançado no início de 2005 algumas semanas antes do início do escândalo que convencionou-se chamar de MENSALÃO. Para quem leu o livro naquela época pode constatar como ele era, de certa forma, premonitório.
O jornalista também trata no livro da passagem pela direção da ABIN do delegado Mauro Marcelo (da polícia de SP), e as dificuldades que ele encontrava por lá. Para quem leu o livro não foi surpresa que este dirigente do 'Serviço Secreto' pudesse vir a cair. Ele acabou pedindo demissão na esteira do MENSALÃO (creio que em 13/7/2005). Na saída da ABIN o delegado Mauro Marcelo, em mensagem ao aos funcionários da agência, CAPRICHOU e chamou os parlamentares de "bestas feras no picadeiro". Mas creio que se ele esperasse um pouco mais (e não pedisse demissão) poderia estar hoje confraternizando com os 'aloprados' de hoje.
Eu tenho a impressão que este negócio de grampo é bem mais enrolado do que isso. E creio que EVENTUALMENTE o Ministro do TRE pode ter agido na base da contra-informação. Será?
Paulo em setembro 26, 2006 9:32 PM
#41
Ah, morar em Brasília... Você acorda, lê o dossiê do dia, usa o telefone grampeado prá conversar com os colegas e o não-grampeado p/ falar com os amigos. Vai a uma orgia com lobistas antes do almoço, refuta acusações no restaurante, paga o mesmo com uma propina, se maqueia para aparecer na CPI do momento, janta com governistas, toma uns drinques com a oposição (ou o contrário, às vezes é confuso), visita um ministro de madrugada junto com outros colegas e combina com eles que cada um contará uma versão diferente do encontro à imprensa, comenta com pseudônimos em blogs antes de dormir e finalmente se recolhe depois de ouvir as fitas grampeadas do dia.
Deve ser um barato.
Pelo menos é o que eu acho, lendo jornais.
Daniel em setembro 26, 2006 9:48 PM
#42
Também deve ser bacana viver no mundo do Pablo, onde a existência de ricos não tem NADA a ver com a existência de pobres, e todos podem ser ricos. Onde países que seguem a doutrina neo-liberal o fazem apenas do lado saudável da coisa, e não do lado dos que necessariamente são subdesenvolvidos para que os desenvolvidos possam ser assim, desenvolvidos. Pois nesse mundo a existência de países desenvolvidos não pressupõe a existência de países sub-desenvolvidos.
Deve ser um barato.
Daniel em setembro 26, 2006 9:53 PM
#43
Idelber,
...acredito que você não tenha entendido uma linha do que leu.
Acreditou errado, entendi sim...
Quando digo que você deturpou (e você deturpou) foi colocar como título do post: Estadão descobre que nordestinos, pretos e pobres são os culpados da corrupção
"Percebeu" (como você disse para mim), que a 'culpa' não foi o teor da matéria? Não estava falando da pesquisa mas da distorção que seu título causa que é TÃO maliciosa quanto a própria publicação da pesquisa.
Como você decidiu o teor da matéria criando um título novo, então você poderia ter escolhido: "nordestinos, pretos e pobres são corruptos", "nordestinos, pretos e pobres são corruptores", "nordestinos, pretos e pobres são maus"... mas VOCÊ escolheu a palavra "culpados", portanto esta é a SUA a percepção, o que é ou uma distorção proposital, ou um lapso de sua parte(o que eu tenho que acreditar), ou um ato falho lamentável.
Quanto ao fato em si levantado na pesquisa, dentrou ou fora da margem de erro é bastante provável, senão certo, que quem tem que trabalhar braçalmente como um louco, pegar 30 ônibus por dia ou andar 300 kilometros para ir para casa, tomar conta dos seus filhos que têm escolas de m***da e segurança nula, contando com o repaldo de um incrível salário mínimo não vá lá ter muito tempo para debater a estrutura do governos federal/estadual e suas nuances... portanto, não tenha sequer opinião formada a respeito.
Desinformados sim, culpados nunca...
Duralex em setembro 26, 2006 10:50 PM
#44
Duralex, não adianta. Explicar ironia é como explicar piada. Ou o cara pega da primeira ou qualquer emenda ficará pior que o soneto.
Num contexto em que o Estadão já alardeou aos quatro ventos que o governo "corrupto" será reeleito porque seus eleitores são "desinformados", a ironia contida no título que escolhi só está tornando visível o que o Estadão já pressupôs no próprio momento de fazer a pesquisa - e o pior é que a pesquisa não confirmou o que eles queriam. Na mesmíssima edição em que noticiou a pesquisa o Estadão culpa a desinformação do eleitor pela reeleição de Lula: essa é a questão que a ironia do título apontava.
Você tem tanta certeza assim de que quem tem que trabalhar braçalmente como um louco, pegar 30 ônibus por dia ou andar 300 kilometros para ir para casa, tomar conta dos seus filhos que têm escolas de m***da e segurança nula, contando com o repaldo de um incrível salário mínimo não está, nesse próprio processo colhendo muita informação sobre a realidade brasileira? Por que a informação só pode vir em forma de "debates sobre a estrutura do governo"? A informação não pode vir da prática do trabalho? É isso, amigo. Se deu desta vez, beleza. Se não deu, deixemos para lá.
Idelber em setembro 26, 2006 11:17 PM
#45
Acredito que os comentários acima explicitam muito bem as visôes do Brasil! Sobre o bolsa-família, convoco João Cabral de Melo neto: - Seu José, mestre carpina,
que lhe pergunte permita:
há muito no lamaçal
apodrece a sua vida?
e a vida que tem vivido
foi sempre comprada à vista?
- Severino, retirante,
sou de Nazaré da Mata,
mas tanto lá como aqui
jamais me fiaram nada:
a vida de cada dia
cada dia hei de comprá-la.
- Seu José, mestre carpina,
e que interesse, me diga,
há nessa vida a retalho
que é cada dia adquirida?
espera poder um dia
comprá-la em grandes partidas?
- Severino, retirante,
não sei bem o que lhe diga:
não é que espere comprar
em grosso tais partidas,
mas o que compro a retalho
é, de qualquer forma, vida.
(...)
Maria Andréia em setembro 26, 2006 11:59 PM
#46
Olá Duralex,
Ao postar em um blog, o blogueiro presume que seu público seja mais qualificado que o da grande imprensa e, por isso, se dá ao direito escrever ironias. Às vezes o público não entende isso, talvez por não ser qualificado, talvez por birra. É isso.
Um abraço.
Paulo Morais em setembro 26, 2006 11:59 PM
Maria Andréia em setembro 27, 2006 12:01 AM
#48
Idelber,
Fique no seu direito de chamar isso de ironia e já que, parabéns, seu blog é aberto, permita-me chamar isso de distorção.
Abraços... aliás.. não tem pra ninguém, Plinio de Arruda Sampaio está destruindo os outros candidatos no debate de SP.
Duralex em setembro 27, 2006 12:17 AM
#49
Daniel no meu mundo a existência de países desenvolvidos não são a causa de países subdesenvolvidos.
Do contrário como eu poderia falar da Irlanda que há vinte anos atrás era a favela da Europa, hoje possui a maior renda per capta européia?