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terça-feira, 12 de setembro 2006

Extra! Reinaldo Azevedo descobre que o Brasil é na Islândia

Só 6% são negros no Brasil. 52,1% são brancos. E há 41,4% de mestiços.

Eu. Não. Estou. Inventando. Tirei. Daqui.

Por onde começar a desconstruir as asneiras dessa turma? E depois não entendem por que estão levando essa surra nas pesquisas.



  Escrito por Idelber às 18:18 | link para este post | Comentários (42)


Comentários

#1

Como desconstruir essas bobagens?

Primeiro passo: mostrar que esse número está errado, pois, provavelmente, se baseia na autodeclaração dos pesquisados pelo IBGE, e é resultado da política de branqueamento que faz alguns mestiços se considerarem brancos (Ronaldo Fenômeno foi o exemplo mais eloqüente disso), e alguns negros se considerarem mulatos.

Querem ter uma idéia mais clara (mesmo que empírica) da proporção racial? Vão num lugar onde não haja qualquer diferenciação social, por exemplo, a fila do alistamento militar. Eu acho que não vi nem 15% de brancos lá.

Segundo passo: demonstrar que a condição sócio-econômica média dos mestiços é muito semelhantes à dos negros, e bem distante da dos brancos. O que significa dizer que eles sofrem racismo também.

Marcus em setembro 12, 2006 7:52 PM


#2

Fico contente Idelber que tu pareces continuar a favor das cotas, pensei que tivesses mudado de posição.

Já existe bastante gente desconstruindo os argumentos da patota antropológica, basta ver a repercussão que teve o manifesto CONTRA as cotas assinado por Peter Fry, Yvonne Maggie, Caetano Veloso, Simon Schwartzmann, Lilia Moritz Schwartz e cia. E que em seguida foi rebatido com um manifesto favorável às cotas assinado por Abdias do Nascimento, João José Reis, Luis Felipe Alencastro, etc, etc, etc, etc. Antropólogos e historiadores parecem estar em dois campos diferentes em relação ao assunto.

Quanto as porcentagens que o Azevedo lançou, ele está correto. Segundo o censo do IBGE de 199 9 (autodefinição) dava isso aqui :

Brancos 90.000.000
Mestiços : 65.000.000
Negros : 9.000.000
Orientais : 800.000
Índios : 270.000
Sem informações : 17.000
TOTAL 165.087.000

O único porém é que não existe nenhuma proposta de Estatuto dos NEGROS. O que existe é um estatuto racial onde a definição usada é a de afro-descendente e não negro. E hoje em dia eu acho que a discussão em torno da autodefinição é superada, é o único meio ...Enfim...

Ana Lucia em setembro 12, 2006 9:59 PM


#3

Claro, me constava que esses eram os números do IBGE. O problema é tomar os números do IBGE sem entender em que contexto eles são produzidos, sem levar em conta tudo o que leva negros a se declararem "pardos" e aí depois sair com essa pérola de que no Brasil só 6% são negros. Só pode ser má fé, né?

Idelber em setembro 12, 2006 10:16 PM


#4

Caro Idelber, eu te pergunto, a opinião deste cara que você citou é realmente relevante?

Paulo em setembro 12, 2006 10:23 PM


#5

Sim é má fé, principalmente porque não existe Estatuto do Negro, e de má fé esse debate está cheio, por isso que eu acho importante apontar o erro lá onde ele está. O argumento da mestiçagem aliás é uma coisa tão velha, mas eles conseguem dar uma roupagem nova pra coisa, até o último disco do Caetano é sobre isso... O manifesto antropológico falava que na "república" todos são iguais, provavelmente sonharam que estavam na República Francesa, onde a coisa também está pegando fogo literalmente. Enfim quanto mais gente bater nessa tecla melhor é. Um outro blog muito interessante sobre o assunto é esse aqui :
http://sschwartzman.blogspot.com/
Pena que ele não publica os comentários contrários às cotas...

Ana Lucia em setembro 12, 2006 10:31 PM


#6

sorry : "pena que ele nao publica comentarios a favor das cotas..."

Ana Lucia em setembro 12, 2006 10:34 PM


#7

"...sem levar em conta tudo o que leva negros a se declararem "pardos""


Idelber,

Uma coisa que sempre me irritou no movimento negro foi essa mania de negar os pardos.
O filho de uma negra e de um branco NÃO é negro (e nem branco). Isso é tão obvio, não sei o que os militantes negros ganham negando esse fato.

Marcus,

Só por curiosidade em que parte do país você vive?

Charlotte Corday em setembro 12, 2006 11:42 PM


#8

Ana:

acho q não tem nada a ver fica chamando um manifesto de antropológico e outro de "dos historiadores".
parece q vc desqualifica o primeiro só por ser da "patota antropológica".
O Manolo Florentino é historiador, especialista no tema da escravidão e, além de tudo, salvo engano da minha parte, negro. mas assinou lá o primeiro manifesto, contra as cotas.
então eu acho q não é por aí...

abs,

dra em setembro 12, 2006 11:43 PM


#9

Escrevi um post semanas atrás chamado "Raça é uma construção social" que explica muito bem minha posição sobre a questão.

André Kenji em setembro 12, 2006 11:48 PM


#10

e outra coisa:
não acho q dê pra botar no mesmo barco o pessoal q assina esse manifesto contra as cotas e gente de inclinação meio fascitóide como Reinaldo Azevedo. tem muita gente boa lá no manifesto (aliás, nos dois), e o debate me parece sadio.

de minha parte, eu só acho q toda essa história de defesa da diversidade e das ditas minorias acaba nublando a questão verdadeiramente mais importante, q ainda é a da oposição entre as "classes sociais". mas, como todo mundo se apressou em matar e enterrar o velho Marx, parece q virou demodé falar em classe social hj em dia (como se o capitalismo tivesse deixado de ser, de uma hora para a outra, estruturalmente excludente e criador de desigualdades).

abs,

dra em setembro 13, 2006 12:02 AM


#11

aliás, volto aqui com um exemplo pra ilustrar o q eu tava dizendo.
hj mesmo eu tava pensando nisso assistindo à novela das 8. (às vezes a gente tem q ver a novela das oito pra conhecer melhor o Brasil - rs).
pois então, lá na novela a personagem principal (Regina Duarte) tem uma filha q sofre de síndrome de Down. Rola um drama pq a menina estuda em uma escola dita "normal", junto com outras crianças "normais", e tem algumas professoras e mães de outros alunos q não gostam, acham q ela devia ir estudar em outro lugar "especial", para crianças "especiais" como ela (sempre entre aspas).
aí a Diretora da escola, q acha q ela deve continuar estudando lá mesmo, faz um discurso de como a educação deve ser "includente" e não pode segregar a menina por ela ser "especial".
corta para outra cena, onde Regina Duarte, q é médica, está no hospital onde ela trabalha conversando uma freira-enfermeira. o assunto é a discriminação q a menina tem sofrido na escola, e a freira fica contando de como ela achava horrível trabalhar em um outro hospital q não atendia gente assim ou assado. e tome mais discurso sobre inclusão.
só q, porra, em nenhum momento alguém se liga no fato de q tanto a escolinha da menina qto o hospital em q a mãe trabalha são PARTICULARES, e q tem gente q está excluída desses lugares pelo simples fato de q não tem grana pra pagar!
assim é fácil falar de inclusão, né não?

abs,

dra em setembro 13, 2006 12:35 AM


#12

dra, eu não costumo chamar o manifesto de antropológico porque fiz uma associação com o manifesto antropofágico, foi algo que me veio aqui na caixa...:) e eu sei quem o Manolo Florentino, eu trabalho sobre escravidão, e respeito vários outros que assinaram o manifesto contra as quotas, como a Lilia M. Schwarcz, etc., tem até militante do movimento negro que assinou o manifesto contra... A questão é que nesse debate alguns antropólogos como o Peter Fry (do site Observa) são os mais árduos defensores anti-quotas, até livro ele publicou sobre o assunto em pleno debate. Bjos.

Ana Lucia em setembro 13, 2006 1:06 AM


#13

Idelber,

saiu duas semanas atrás (03/09) no caderno Mais! da Folha de S. Paulo uma resenha desmentindo argumentos à la Azevedo. Não colo aqui porque é meio grande, mas o link (assinantes UOL ou Folha) é http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0309200615.htm

Quem quiser, manda um email que eu passo. Abraço.

Alexandre Nodari em setembro 13, 2006 1:38 AM


#14

Sabe que uns meses atrás recebi em casa a visita de um sul-africano, amigo da minha mulher. Prá mim, prá ela e prá todo mundo, ele era negro. Qual não foi nossa surpresa quando ele esclareceu que NÃO era negro, mas sim "colored", definição criada na época do apartheid para indivíduos intermediários entre "blacks" e "whites". Sem nos dar tempo para sairmos de nosso estupor com a notícia, ele emendou que quase não viu negros no Brasil, que quase todos eram na verdade "colored", para grande desgosto de uma amiga nossa que sempre teve orgulho de ser negra mas descobriu com nosso amigo que é apenas mais uma "colored".

Ou seja, esse camarada Azevedo aí que apresentou esses números tem razão! É pelos critérios do apartheid, mas tem razão.

daniel em setembro 13, 2006 2:25 AM


#15

Charlotte, o Marcus é de Belém do Pará....

Outra coisa: não se trata de "negar os pardos"; o filho de um branco e uma negra pode, sim, "ser" ("ser" aqui entendido como "ser percebido como", "existir socialmente como", "ter, socialmente, o estatuto de") negro, ou branco ou mulato - dependendo de muita coisa, de como ele for fisicamente, da posição social dele (que, sabemos, no Brasil afeta a percepção da cor de alguém) e inclusive da parte do Brasil em que ele mora. O que ele não será nunca é "pardo" - palavra que, até onde eu sei, existe muito mais como categoria de IBGE do que termo realmente usado para a auto-identificação espontânea de um brasileiro, tal como seriam "negro" ou "mulato" ou "branco" ou "índio".

Há uma frase bacana do Caetano: "eu sou um mulato claro o suficiente para, até em São Paulo, ser considerado branco; Gil é um mulato escuro o suficiente para, até na Bahia, ser considerado negro". A palavra "pardo" nem costuma entrar nestes processos de auto-identificação. É pura categoria vazia da pseudo-sociologia do IBGE - nada a ver com a realidade.

Idelber em setembro 13, 2006 2:34 AM


#16

Por treinamento e dever de ofício, acostumei-me a buscar a causa-raiz dos problemas, antes de sair "resolvendo" o dito cujo. Atacar a causa-raiz acaba ficando mais barato, o resultado é mais duradouro e, em geral, a correção provoca menos (ou nenhuma) distorção.

Sou contra as cotas por cor da pele, raça, etnia, e coisas do gênero porque acredito que elas não atuam para eliminar a distorção - maior incidência de exclusão social e econômica entre negros e pardos - no seu nascedouro. Agindo sobre um dos efeitos mais secundários (a dificuldade de acesso ao ensino superior), a política de cotas raciais deixa intactas a sub-nutrição, a sub-moradia, sub-ensino fundamental (estas sim mais próximas da raiz do problema) e, como não poderia deixar de ser, provoca suas próprias distorções e efeitos colaterais indesejáveis e evitáveis. Muito já se falou sobre elas. Vou poupá-los de enumerá-las aqui.

Se a situação está tão crítica, tão urgente (e eu acredito que esteja), por que não implantar "ações afirmativas" por critérios sociais e não étnicos? por que intervir no ensino universitário e não na oferta de emprego, moradia, ensino fundamental? ainda mais sabendo que o Brasil está cheio de graduados desempregados.

Não consigo responder a isto sem me reportar ao oportunismo dos governantes, muitas vezes apenas com fins eleitoreiros.

Ah, nobre Idelber, pedindo desculpas pelo comentário meio lateral ao tópico, concluo dizendo que populismo, ainda mais feito com a máquina governamental, normalmente dá surra nos demais, nas pesquisas e nas eleições.

Bear em setembro 13, 2006 4:47 AM


#17

Idelber
Competente é o que é o Manolo Florentino!
P.S.
É totalmente irrelevante o que fala o autor mencionado. E creio que uma discussão mais profunda baseada em poucos dados (citados por extenso e de forma organizada por Ana Lucia), é superficial (dizer que é superficial não é dizer que não seja bem vindo).
Nem sei quais são as simpatias políticas do dito cujo. Mas não me surpreenderia que existisse (ou que exista) um partido baseado em teoria segregacionista. Digo isto porque o TSE aceitou que se formasse um partido religioso. E nesta primeira eleição que o referido partido concorre, alcançou o apoio do nosso presidente. Não sei se o presidente Lula tem a noção de uma verdadeira guerra de ideologias que está se abtendo em algumas regiões do país, comandada justamente por estes seus novos aliados (em debate, Lupi (PDT) e Vladimir Palmeira (PT) reclamaram do sectarismo). Pode ser que o presidente Lula não saiba do exacerbamento de rivalidades, já que mostrou-se totalmente surpreso com o ESCÂNDALO DO MENSALÃO! De qualquer forma há várias forças que estão em escalada segregacionista em nosso país. E como sabemos a religião é a maior causadora de guerras.

Paulo em setembro 13, 2006 10:10 AM


#18

Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho.

Hahahahahahaha.

Milton Ribeiro em setembro 13, 2006 11:40 AM


#19

O que ? Surra nas pesquisas ? Sapo barbudo ? Cara, desculpe ter acessado o seu blog nestes últimos dias. Prometo não pôr mais o pé aqui...

Juca em setembro 13, 2006 12:44 PM


#20

eu não sabia direito quem era o tal Azevedo, é realmente como lembra o Milton, uma mistura de Olavo de Carvalho com Diego Mainardi, numa versão sub-escolarizada.

Ana Lucia em setembro 13, 2006 1:24 PM


#21

Mano,
De um lado, acredito que esses números tem a ver com a tentativa de apaziguamento da questão racial no Brasil sob o “mito da democracia racial”, que tende a justificar uma certa ausência de conflitos ou melhor convivência pela forma como se deu no Brasil a miscigenação, em oposição à forma norte-americana. De outro lado, no Estados Unidos é mais provável que uma pessoa se perceba ou seja percebida como “puramente” branca ou negra do que no Brasil, em que o “espectro” é mais abrangente.
Aproveito para matar uma curiosidade: sobre essa comparação, você, que vê essa diferença de perto, o que acha?
Inclusive queria indicar este artigo do qual gosto muito, apesar de, a meu ver, coadunar com esse tom mais “apaziguador” (que me lembra também aquela entrevista do Mautner...): http://www2.cultura.gov.br/scripts/artigos.idc?codigo=387 do poeta Antônio Risério (que era – ou ainda é – assessor do Gil...).
Abs da mana, Lalá

Larissa em setembro 13, 2006 1:26 PM


#22

puxa, eu estudei com o manolo anos, ele foi meu orientador e tal, mas eu jamais pensaria nele como negro, nao num contexto de brasil, talvez, quem sabe em atlanta...

eu nao leio nem olavo nem sader, nem azevedo nem chaui, justamente pq sei que vou discordar de tudo...

pq vcs leem pessoas de quem sabem que vao discordar de tudo o que escrevem??

alex castro em setembro 13, 2006 2:27 PM


#23

Reinaldo Azevedo acaba de ser contratado pela Veja. Fico feliz. Acho que a Abril perdeu o pudor e detém a revista porta-voz da direita.

Parabéns...

Milton Ribeiro em setembro 13, 2006 2:43 PM


#24

o affonso romano de santanna resumiu a questao mais ou menos assim: quando ele viaja, quanto mais ele se afasta dos trópicos mais preto ele vai ficando; na volta, à medida que se aproxima dos trópicos, ele volta a embranquecer.

vera em setembro 13, 2006 3:57 PM


#25

alex, a questão para mim não é "por que leio pessoas com as quais sei que vou discordar"; inclusive por que não se trata aqui de "discordância", mas da correção de um erro: o Brasil não tem 6% de negros e sabe-se disso. Então não é diferença de opinião, e sim correção de um erro.

Por que fazê-lo? Porque existe uma coisa chamada política, disputa de espaço político dentro de uma sociedade, e bem ou mal nesse terreno RA não é insignificante, ele significa algo, há gente que lê e acredita e se alinha. Acaba de ser contratado pela Veja... Por isso vale a pena combater; se fosse só autor de um blog com 6 leitores, como tantos de direita (e esquerda) por aí, claro que eu ignoraria.

Lalá, valeu a visita, recebi a pergunta - deixo para amanhã, tá? Hoje está meio braba a coisa aqui. beijos,

vera, muito boa essa do A.R.S....

Idelber em setembro 13, 2006 4:36 PM


#26

Eu concordo com o Alex Castro. Eu nem leio. Eu não tenho problema nenhum que discordem de mim, adoro entrar numa polêmica, debater uma idéia. Mas pra isso acontecer de uma forma produtiva tem que ser com quem você tenha uma margem mínima de concordância, tem que ter margem pra um acrescentar alguma coisa ao outro. Há um certo nível de desencontro ideológico que é intransponível, é dar murro em ponta de faca mesmo. Eu me lembro de uma aula de língüística em que o professor explicava que para haver diálogo é preciso um certo nível de redundância, de códigos compartilhados. Num estado de redundância zero, ou seja, de não-intersecção entre os códigos, não é possível o diálogo (como entre pessoas que não falam nada da língua um do outro, e não compartilham nem o mesmo gestual simbólico). É mais ou menos assim. Por exemplo, lá na Mary W. eu fiquei sabendo que o Coronel Ubiratan usava o nº 111 na candidatura dele pra deputado. Aquele Coronel Ubiratan do Carandiru, que agora foi assassinado. Isso é uma idéia que tem um nível de intersecção zero com a vida aqui no meu planeta. Eu simplesmente deleto do meu HD, não ia nem tentar entender.

Ju em setembro 13, 2006 4:43 PM


#27

Eu como autora de um blog com seis leitores, volto a afirmar que o erro não está nos 6 % como está sendo dito aqui, mas no Estatuto do Negro, que na verdade é afro-descendente. Existem vários blogs com centenas de leitores, assim como a audiência do Faustão e do Huck é de milhares e que nem por isso merecem mais crédito do que o que foi dado para o jornalista em questão. É claro que se cada professor de universidade ou militante do movimento negro fosse dar trela pros Olavos de Carvalho, Diogos Mainardis e Wunderblogs a fama dessa gente estaria nos céus...

Ana Lucia em setembro 13, 2006 5:51 PM


#28

Idelber, não sei se já postaram aqui, mas o caso da Imprensa Marrom está no Overmundo, o site de colaboração cada vez menos dirigido pelo Hermano Vianna, que aliás veio aqui em BH ontem, deu uma palestra meio básica demais sobre o Overmundo e outros sites como ele. ah, e eu fui no Gang of 4, muito legal, os velhinhos mandaram muito bem, com direito a um solo nada chato e narcisico (como soem ser os solos de guitarra) do Andy Gill. Tem uma hora que ele pega uma guitarra só pra fazer um acorde e mandar ela pro chão. A Zilka, produtora do Chevrolet, disse que ele começou a dar piti, porque a guitarra, que só servia pra ser jogada pro chão, tava muito detonada e ele ficou dizendo qeu se não arranjassem outra guitarra mais ruinzinha pra ele quebrar, ele não faria o show. Ela me disse que o vocalista foi lá deu um tapa na cara dele e falou que ele ia tocar sim! Atitude é isso aí! Abraço, Leo.

Leo Vidigal em setembro 13, 2006 6:11 PM


#29

Continuando, depois fomos jantar com ele no Lucas e conversamos muito, ele está com muitos planos, mas o Overmundo parece ser a prioridade dele, juntamente com o Central da Periferia. Foi muito legal.

Leo Vidigal em setembro 13, 2006 6:13 PM


#30

Uau, valeu o relato, Leo! Vou lá conferir a matéria no Overmundo, abração :-)

Idelber em setembro 13, 2006 6:14 PM


#31

olá a todos! voltei aqui pra acompanhar um pouco mais o debate...

Ana, me desculpe se soei um pouco rude, mas é q ao te ler tive a impressão de q vc separava historiadores e antropólogos nos dois manifestos. explicação dada, explicação aceita.

Alex: eu disse q Manolo Florentino era negro "salvo engano da minha parte". eu não o conheço pessoalmente, só o vi uma vez em uma foto de jornal já há bastante tempo, e fiquei com essa impressão. talvez eu tenha confundido as bolas pelo fato dele estudar escravidão, sei lá.
mas, como vc mesmo disse, talvez ele não seja negro no Brasil, mas possa ser visto assim em Atlanta.
Isso acontece um pouco pela dificuldade de definir rigidamente quem pode ser considerado negro ou mesmo afro-descente aqui nesse nosso país de dominação e racismo dissimulados. como o Idelber já notou, isso pode mudar completamente dependendo da situação. e, como eu ouvi uma vez de uma militante do movimento negro (não lembro quem, nem a ocasião): é simples saber quem é negro no Brasil, basta perguntar a qualquer policial ou porteiro de prédio...
ironias à parte, o fato é q essa classificação é cultural/social, e não tem qq base nas ciências biológicas, como desmontra um artigo q saiu na Revista do IEA um tempo atrás e pode ser acessado pelo link http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
(segundo esse artigo, o Brasil é muito mais africano do que parece fenotipicamente).

então é isso, pessoal. o debate sempre é saudável.

PS: eu tb não costumo levar muito a sério o q escrevem os RA, Olavos e Mainardis da vida (ou, do outro lado, os Emir Sader). tb acho tudo rasteiro demais pro meu gosto...

abraços a todos,

dra em setembro 13, 2006 7:14 PM


#32

Idelber:
segue um off-topic, mas é q eu achei muito engraçado...
http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs&mode=related&search=
abs,

dra em setembro 13, 2006 8:51 PM


#33

O Manolo Florentino é um historiador brasileiro que trabalha prioritariamente com escravidão PONTO

Curiosamente ontem em depoimento para defender o seu mandato, o senador Nei Suassuna falou que o assessor que está lhe dando tanto trabalho na ‘Máfia das Ambulâncias’ é ‘bem parecido’. O nobre senador disse que na Paraíba, estado o qual ele representa, usa-se a expressão ‘bem parecido’. E esclareceu, em seguida, para os presentes e para a taquigrafia do Senado: é handsome. Falamos como na América, disse o senador da República. PANO RÁPIDO!

Acho interessante saber o que pensa ROBERTO CIVITA. Afirma-se que ele fala pela pena de Mainardi. Há inclusive os que sustentam que as negativas de que o polemista dê voz ao proprietário da editora, apenas reforçam a especulação. Se esta editora hoje publica revistas muito contestadas, no passado e sob a direção das mesmas pessoas, publicou a primorosa revista REALIDADE (os primeiros 30 números).

Pois é caro Idelber, você deu a maior sorte para este Reinaldo Azevedo! Agora creio que ele vai levantar uma graninha boa da VEJA.

Paulo em setembro 13, 2006 11:07 PM


#34

Bacanas mesmo os links deixados pelo dra e pela Larissa.

Paulo, Realidade teve fantásticos números no começo; eu adorava.

Idelber em setembro 14, 2006 12:29 AM


#35

Fico sem saber o que pensar. De verdade... Porque vejo bons motivos para as cotas (afinal de contas é uma reparação aparentemente justa para com os descendentes de escravos, que só se deram mal com a penada da Princesa), mas também vejo maus motivos. Me parece, às vezes, mais um caso de equívocada importação de modelos estrangeiros.
Reservar espaços para negros nos EUA dos anos 60, 70, era absolutamente necessário, já que se não fosse assim, a parcela negra jamais poderia chegar lá - nos EUA, aliás, e me corrijam se eu estiver equivocado, a separação "racial" é mais clara do que aqui no Brasil. Nos EUA, desde sempre: negros com negros, brancos com brancos; mulatos são minoria. Quer dizer, a imensa dúvida que paira aqui sobre a quem se destina o benefício, lá (ou aí, Professor) não existiu. Importou-se o modelo sem se levar em consideração as diferenças sociais. E aí, não posso deixar de concordar com um dos comentaritas, quando ele (ou ela, não sei bem e está tarde demais pra subir a barra de novo) diz que essa questão ganha contornos eleitoreiros...
Não sei o que pensar. Preciso de mais tempo e mais leituras.
Abraços, Idelber. =)

Thiago em setembro 14, 2006 4:26 AM


#36

Perfeito, Thiago: só insisto no que o dra afirmou acima. Ser contra as cotas é uma coisa; pode haver bons motivos para sê-lo. Adotar esse discurso fascistóide do RA é outra bem diferente. Respeito quem é contra as cotas. Não respeito quem não aceita a legitimidade do debate sobre as cotas. É mais ou menos isso...

Idelber em setembro 14, 2006 2:14 PM


#37

Idelber, você nunca me verá desmerecendo qualquer tipo de debate. =) te garanto. mesmo os mais medíocres, que existam, pras pessoas notarem quão infrutíferos eles são. (ou pra que notemos, como no caso do RA, quão débil são os debatedores.)

grande abraço.

um ps necessário: é sempre muito bom comentar aqui.

Thiago em setembro 15, 2006 2:00 AM


#38

Uai, vc disse "Respeito quem é contra as cotas. Não respeito quem não aceita a legitimidade do debate sobre as cotas." e depois caracteriza o discurso dele de fascistóide - leia no resto do blog do RA e verás que dias atrás ele estava justamente presente a um debate sobre cotas - ou seja, não é contra o debate. Por que colar o epiteto "fascistóide" nele ? Melhor, fascistóide é identificação do que - esquerda, direita ou práticas espúrias ?

Fred

Frederico em setembro 15, 2006 12:56 PM


#39

Meu caro Fred, eu sei que o RA foi a um debate sobre as cotas. Eu linkei para o post dele sobre esse debate, não sei se você percebeu. O caso é que ele foi ao evento para dizer, nas palavras dele, que o debate é "idiota".

Acho que "fascista" descreve, sim, algumas das práticas e das atitudes dele, por exemplo: gabar-se de ter "mandado para o espaço trinta petralhas", ao referir-se à sua prática de apagar qualquer comentário que questione sua posição. Seria como se eu apagasse o comentário que você fez aqui ao invés de respondê-lo. É uma prática típica do fascismo, sim. Abraços,

Idelber em setembro 15, 2006 4:22 PM


#40

Caro Idelber,

Ele não disse que o debate é "idiota", tanto que diz que gostou do debate - está lá.
Acho que você tem todo direito de publicar o que escrevi ou não, o blog é seu. E eu nunca vou considerar o exercício desse seu direito de atitude fascista.

Abraços,

Fred

Fred em setembro 15, 2006 5:40 PM


#41

Caro Fred, aqui vai uma citação literal do post do RA linkado aqui:

Esse debate é uma bobagem. Uma bobagem cara.

Você tem razão, "idiota" ele usou em outro post. Nesse ele disse que o debate é uma "bobagem". Se isso não é desqualificar o debate, não sei o que é.

Idelber em setembro 15, 2006 5:45 PM


#42

Bom ver a imbecilidade petista vivendo "neste paiz" contra estatísticas e a favor do atraso discutindo as palavras de pessoas que não supõe seus números. Assim como o presidente ignorante que nunca leu nada, que acha que metade do Brasil passa fome só porque foi iluminado nas suas caravanas eleitoreiras. Depois teve que desmintir o IBGE, que obviamente está sempre errado. Também, é um orgão político pois trabalha sem seguir a ideologia da petralha. Vocês são tristes. Ignorantes e tristes. Precisam reinventar o seu país sempre que o país real insiste em desmentir suas conclusão abjuradas. Facismo no Brasil tem líder, chama-se José Dirceu. Faz tempo que é assim. Desde... deixa eu ver... 1984.

Anonymous em setembro 22, 2006 5:13 PM