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quinta-feira, 07 de setembro 2006

O chique manifesto internacional pró-Heloísa Helena

heloisa.jpg
Esquerda? Até que ponto?

Eu hesitei antes de fazer este post, porque vou criticar pessoas que admiro. Mas não há como não dizer algo sobre esse manifesto que intelectuais socialistas do exterior lançaram em apoio à candidatura de Heloísa Helena (original em inglês). Assina-o um time de respeito: o lingüista e militante Noam Chomsky, o sociólogo Michel Löwy, o filósofo Slavoj Zizek, o historiador Howard Zinn, o grande geógrafo Mike Davis e la crème de la crème da esquerda internacional. Até o Partido Democrático do Povo da Indonésia assinou. Meu amigo Sergio Leo ironizou o manifesto, dizendo que espera dos signatários, ansioso, o compromisso de se mudarem para o Brasil, para viver no país durante os quatro anos de gestão da moça, se eleita, e nos dez anos seguintes, para usufruir das conseqüências. Eu até estaria disposto a defender o direito desses intelectuais de dar pitaco nas eleições brasileiras. Mas o texto é fraco demais.

Não deixo de ter, pela figura de Heloísa, uma certa simpatia que vem de longa data: eu militei durante anos (de 1983 a 1987, para ser exato) na mesma corrente política com a qual se filiava, e ainda se filia, Heloísa Helena. Trata-se da Democracia Socialista, seção brasileira da IV Internacional fundada por León Trotsky, e da qual também fazem parte figuras que permaneceram no PT, como Raul Pont e Miguel Rossetto. Depois de desligado da corrente continuei próximo a ela e nunca deixei de manter a interlocução com as pessoas que continuaram lá. Naturalmente, ter militantes em dois partidos diferentes (o PT e o PSOL) coloca a DS hoje numa situação bem esquizofrênica.

Com todo respeito aos amigos que vão votar em Heloísa Helena, à candidata e aos signatários do documento, esse manifesto é um tiro no pé e demonstra desconhecimento básico da realidade brasileira. Clama por rejeição da Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA), como se esta não fosse a atual posição do governo brasileiro. Defende o fim do pagamento da dívida externa sem mencionar que o Brasil, sob o governo Lula, não renovou o acordo com o FMI. Apóia Heloísa Helena em solidariedade com os pobres e as massas brasileiras exploradas, precisamente o setor social onde Heloísa Helena tem menos apoio. Não é segredo que os pobres estão massivamente com Lula e que Heloísa Helena conseguiu angariar muito mais apoio entre a classe média indignada. O manifesto conclui falando em "reforma agrária radical" e mais nada. É um amontoado de clichês. Se você vai dar palpite na eleição de outro país, faça pelo menos uma análise minimamente sofisticada.

Mesmo votando em Lula (não sem críticas ao governo, que fique dito), eu não teria qualquer problema com uma candidatura de extrema esquerda, contanto que fosse realmente de extrema esquerda. Mas Heloísa é das grandes adversárias do projeto de descriminalização do aborto – bandeira importante do movimento feminista. Heloísa também é contra a descriminalização das drogas – com o fraquíssimo argumento de que “a cocaína destrói as pessoas”, como se a questão fosse essa. Heloísa tampouco é das mais entusiastas defensoras do projeto de cotas para afro-descendentes. Caramba, com uma extrema esquerda destas, quem precisa de direita? Não é bem curioso que eu já tenha sido interpelado cinco vezes por tucanos ou pefelês que exigem de mim coerência com minhas críticas ao governo e um voto em Heloísa Helena? Por que se preocupam tanto com o voto de um xiita raivoso como eu? Quando a direita que sempre governou o país se vê formulando essas pautas de coerência para a esquerda, há que se olhar a coisa com um pouco mais de cuidado.

O discurso que Heloísa Helena apresentou até agora na campanha não é de esquerda. Trata-se de um discurso de indignação moral – que é basicamente uma forma de se reduzir a política a uma questão de caráter. O problema é que essa indignação moral apela justamente para as pessoas que não querem nem ouvir falar em nada que cheire a socialismo. Essa contradição, nem Heloísa Helena nem o PSOL explicaram ainda. Quanto aos intelectuais europeus e americanos que assinaram o manifesto, acho que perderam uma ótima oportunidade de ficarem calados e serem úteis depois, num momento que realmente demande uma aliança internacional. Quanto pintar essa demanda, é provável que Löwy ou Chomsky já tenham se "queimado" com parcela significativa da opinião pública brasileira. O que é uma pena, porque os cabras são bons. Mas desta vez, pisaram na bola. E duvido que tenham ajudado sua candidata.

PS: Obrigado a todos os que particaram da enquete que coloquei ontem, e que ainda está aberta, obviamente. Dentro de uns dias publico uma reflexão sobre os números, que me surpreenderam, para dizer a verdade.

PS2: Que Consulado de Houston que nada. Estarei em Belo Horizonte no dia das eleições, depositando meu votinho na minha zona eleitoral. Iuhuu. E depois vou ao Rio. Detalhes em breve.



  Escrito por Idelber às 04:27 | link para este post | Comentários (63)


Comentários

#1

Caro Idelber

Tenho dúvida em relação às diretrizes que você indicou como bandeiras da esquerda: descriminalização do aborto, das drogas, e criação de quotas para afro-descendentes. Não seriam melhor enquadradas como medidas progressistas?

No estado do Rio o deputado Chico Alencar, que desde o primeiro momento está no PSOL, defende realmente estes três pontos levantados por você. Mas já o deputado Fantazini, também desde o início com H.Helena, defende por exemplo uma mal disfarçada CENSURA à televisão, aparentemente originada em grupos religiosos (ultra)conservadores do Grande S.Paulo (que faziam (ainda fazem?) campanha para não se ver TV). Fantazini, aliás, esteve em alta, representando o PT, quando àquelas medidas coercitivas de opinião (proposta da FENAJ e lei do audiovisual) estiveram em voga.

Ainda no estado do Rio, estado que SISTEMÁTICAMENTE A CÚPULA DO PT usou (e usa agora novamente) para barganha APOSTANDO NO VOTO DE PROTESTO E DE ESQUERDA da população carioca (região metropolitana), o candidato do PRB (coligado com o PT) é contra o aborto e contra minorias (como respondeu a VLADIMIR PALMEIRA na TV).

A existência de quotas nas universidades, MEDIDA A QUAL SOU FAVORÁVEL, não creio que seja uma ‘medida de esquerda’. Creio que até mesmo a expressão ‘ação afirmativa’ veio do nosso grande irmão do Norte. Mas quotas onde? Na UERJ? A universidade em estado de penúria, que foi da cidade mas que hoje é do estado do Rio, e que chegou onde está por medidas tomadas por seguidores de Brizola!

Você tem toda a razão que o discurso de H.Helena é de indignação moral. E creio que concordará comigo que ela deve ‘pescar’ eleitores não entre os radicais, mas sim entre parcelas que não assimilariam o seu discurso original. Campanha eleitoral é isso, TODOS FAZEM ASSIM. ABSOLUTAMENTE TODOS! E não podemos perder de vista que o PSOL precisa se viabilizar nestas eleições.

P.S: Idelber, relendo o que escrevi acima, a tristeza aumentou. Posso te dizer que o eleitor carioca não poderá ser mais prejudicado por H.Helena como é prejudicado pelo seu próprio hábito: O VOTO DE PROTESTO E DE ESQUERDA. Pois se baseando nesta prática, o PT está agora coligado aqui no estado do Rio com grupos que são PUBLICAMENTE contra a descriminalização do aborto e das drogas. Pela segunda vez em eleições presidenciais, o estado do Rio naufragará em prol do Brasil. Acho que isso não faz sentido. Mas o VOTO NULO, este sim faz sentido para o carioca!

Paulo em setembro 7, 2006 9:39 AM


#2

As observações acima (Paulo) fazem todo sentido.
O Idelber reduziu o voto em HH a uma questão de PSOL. A coisa é muito maior.
Eleições e política identificam-se parcialmente. A política é muito maior.
Votar em HH é uma circunstância, ela fica aquém, mas é o que temos. Falo como quem pensa de uma perspectiva revolucionária, sem o pudor da palavra.
Não basta a Heloísa. Então o manifesto dos intelectuais meteu o bedelho em nossos assuntos? Issso não pode? Ora, ora, ora....

Belon em setembro 7, 2006 12:15 PM


#3

O da ironia (Leo) é a outra face de uma moeda antiga. Antes era Brasil, ame-o ou deixe-o. Agora é Brasil, se você o ama, mude-se pra cá.

Belon em setembro 7, 2006 12:23 PM


#4

HH é uma pessoa interessante. Mas concordo quando dizes que ela é ambígua. Indignada, porreta e coisa e tal. Mas tem algumas posições contraditoriamente conservadoras. Que o diga o Luís Estevão. (Esse trecho é uma pequena brincadeirinha com viés machista, aviso de antemão). Quanto ao manifesto: efeméride intelectual.

Roberson em setembro 7, 2006 2:30 PM


#5

Acredito que a Luiza Helena seja cheia de boas intenções. Mas a classe média se assusta com o radicalismo dela.
Não participei da enquente por não saber ainda em quem votar.
gd ab e ot feriadão

Julio Cesar Corrêa em setembro 7, 2006 2:49 PM


#6

Ate me espanta que todas essas pessoas que respeito muito tenham assinado um manifesto de apenas 4 ou 5 paragrafos, que objetivamente nao diz absolutamente nada.. Como diz o Idelber, está cheio de clichês e ideias feitas sobre um ideal de America Latina que até Hugo Chavez ou o Morales poderiam ter assinado.. Acaba por ser, por parte do PSOL uma forma de pressão na classe media semi esclarecida e por parte dos ilustres signatários, uma forma de manterem o seu ideal vivo, sem grandes preocupaçoes de haver possibilidade real de serem postas no terreno. Nao sou tao radical de pedir que eles venham morar no Brasil, mas entendo o argumento do Sergio Leo..Assinar um documento sem saber se ele é exequivel vale so pela utopia..

Celinho em setembro 7, 2006 4:38 PM


#7

Paulo, é muito bom o seu comentário sobre o que aconteceu com o voto no Rio de Janeiro: é a pura verdade que o PT usou o Rio como moeda de troca confiando no voto carioca "de esquerda" e que nos momentos decisivos não ofereceu nada (mais ou menos um pouco como os democratas norte-americanos fazem com os negros, que são seus aliados "incondicionais" e que por isso mesmo ficam a ver navios).

Idelber em setembro 7, 2006 4:56 PM


#8

Então o manifesto dos intelectuais meteu o bedelho em nossos assuntos? Isso não pode?

Claro que pode. Talvez fosse o caso, Belon, de reler o que escrevi. Em nenhum momento tiro o direito de ninguém dar palpite na eleição brasileira. Não disse que não pode. O que disse foi que o texto é fraco e, sendo um grupo de intelectuais estrangeiros com os quais nós, progressistas, teremos muito em comum em outras brigas, o manifesto foi politicamente burro no sentido de que alienou boa parte da opinião pública brasileira que, no futuro, poderia até ver argumentos de Lowy, Chomsky e cia. com simpatia. Já vi uma razoável amostra de brasileiros progressistas tendo reações a esse manifesto que confirmam minha percepção de que foi uma grande burrada.

Idelber em setembro 7, 2006 5:01 PM


#9

Julio, mas esse é o paradoxo desta eleição: o "radicalismo" da Heloísa Helena é a coisa mais classe média que existe. Não acredito que a classe média "se assuste" com ela. Na verdade é somente na classe média que ela tem apoios, o que está provado pelas pesquisas. O radicalismo que moraliza a política, que transforma a opção política em questão moral, tem longa história na classe média. Essa classe foi, lembremos, a grande eleitora de Carlos Lacerda, por exemplo.

Idelber em setembro 7, 2006 5:06 PM


#10

Nesse ponto do 'moralismo', leu o Veríssimo hoje, Idelber? Muito bom.

marcos em setembro 7, 2006 5:15 PM


#11

não li, marcos. Desisti do Globo. Não consigo navegar naquela joça daquele site novo. Se quiser fazer um copy and paste aqui, pode fazer, a casa agradece :-)

Idelber em setembro 7, 2006 5:51 PM


#12

O Chomsky já andava queimando a língua (sem trocadilho, juro) pelo planeta afora, Idelber. Só faltava no Brasil. Apois.

Nelson Moraes em setembro 7, 2006 6:41 PM


#13

Pois é, Almirante. O pior é que eu gosto do cabra. Mas tem hora que é dose.

Idelber em setembro 7, 2006 6:50 PM


#14

O texto está impecável. Concordo até com as vírgulas.

Queria apenas opinar que o programa de Heloísa Helena é bastante semelhante, em sua tentativa de conciliar o inconciliável, ao de Lula em 1998 -- que falava em socialismo mas se pretendia meramente a administrar o estado capitalista melhor que os governos anteriores.

Tenho a certeza absoluta que, na improvável hipótese da senadora ser eleita presidente, ela faria concessões semelhantes às que Lula fez quando chegou ao poder.

O PSOL está fazendo esse caminho da esquerda para o centro com uma velocidade muito maior do que a do próprio PT. E não está aprendendo com os erros do PT, que apostou muitos anos num "lacerdismo de esquerda" que também ajudou a despolitizar o debate nacional.

O agravante é que, se Lula "traiu seus ideais", foi para viabilizar seu governo, e se HH faz isso agora, é apenas para subir nas pesquisas.

Existe muita gente, muita mesmo, que vai votar em Heloísa Helena no primeiro turno e, se houver segundo, em Alckmin. Por aí se toma a despolitização do discurso dela. Uma situação análoga seria impensável entre os eleitores de Lula, em qualquer das eleições de que ele participou.

Marcus em setembro 7, 2006 7:10 PM


#15

Eu não podia concordar mais com esse post. Tenho repetido algo semelhante para todo mundo que pergunta minha opinião sobre o assunto. Às vezes tenho a impressão de que os órfãos do lacerda (e no rio eles são muitos) encontraram um candidato ideal.
E outra coisa que me incomoda muito no discurso conversador dela é o apelo às mulheres como "mães" (e ela se apresenta assim, várias vezes, reduzindo a identidade feminina à identidade materna).
um abraço

Angélica em setembro 7, 2006 7:49 PM


#16

conversador = conservador

Angélica em setembro 7, 2006 7:50 PM


#17

hahaha, Angélica, "conversador" também ficou ótimo, não deixou de ser apropriado :-)

Pois é, Marcus. É muito interessante sua observação sobre como o PSOL está fazendo a trajetória rumo ao centro com mais rapidez que o PT. E enquanto conversamos me chegam os números da pesquisa que diz que metade dos eleitores da HH se declaram de ... direita!

Idelber em setembro 7, 2006 7:58 PM


#18

idelber, bravo!, concordo 100% contigo!

pedro alexandre sanches em setembro 7, 2006 8:02 PM


#19

Pedrão sumido, welcome back!

Idelber em setembro 7, 2006 8:04 PM


#20

A candidata Heloísa Helena conversou com William Bonner (aquele mesmo do J.Nacional) sobre a distinção entre 'Programa Partidário' e as promessas de campanha. Apesar do pouco tempo disponível no JN, H.Helena procurou mostrar a diferença entre os dois.

No momento o PSOL procura se viabilizar, acredito que não há dúvida quanto a isso.

Paulo em setembro 7, 2006 8:51 PM


#21

Não só "procurou mostrar a diferença", Paulo, como disse que programa de governo "não tem nada a ver" com programa do partido. Nem Delúbio faria igual.

Idelber em setembro 7, 2006 9:03 PM


#22

Em relação a eleições com segundo turno, já dizia De Gaulle, um animal político:
'No primeiro turno o eleitor francês vota no candidato do seu coração. No segundo turno o eleitor vota em quem vai governar a França.'

Como se vê, votar na H.Helena em um turno, por exemplo, e votar no outro turno em Alkimin (no mesmo exemplo) tem lógica. Ainda mais levando em conta a obrigatoriedade do voto em nosso país.

O processo democrático é composto de ideologia e de simples escolhas. Há momento para os dois.

Anonymous em setembro 7, 2006 9:06 PM


#23

Discurso exatamente de quem quer manter numa pseudotentaiva de melhoria o que já está aí. Aborto? Só quem não tem direito é a pobre. A classe média e a rica fazem muito bem assistidas. Drogas? E é proibido mesmo neste país? Só aumenta o crime como está.
Sabe, Idelber, cansei do que vejo há anos nesta política. Estou sem fé.

Alena em setembro 7, 2006 10:33 PM


#24

Pois é, Alena. No caso dela, uma mulher que se quer socialista e republicana, militar ativamente contra o direito ao aborto, não saber separar o que é a fé dela e o que é a política pública, não conseguir efetuar essa separação é grave, muito grave. É imperdoável.

Idelber em setembro 8, 2006 3:15 AM


#25

Ao Rio? Jura? Iurrú! Favor avisar, marcaremos outro chope. Bjs

Monix em setembro 8, 2006 11:17 AM


#26

Ah, agora que li os comentários, acrescento uma informação: há meses o site do Globo bloqueou o recurso "Copiar". Melhor desistir mesmo, Idelber. Bjs

Monix em setembro 8, 2006 11:24 AM


#27

Não vou votar na HH, e sim no Cristóvão. Discordo de muita coisa que ela e seu partido defende, mas o que me preocupa mesmo, caro Idelber, é como a esquerda pró-Lula tacha a moça ou qualquer um da esquerda que critique Lula de "esquerdista maluca". Corremos o risco, assim, de ficar no futuro sem um grande partido de esquerda (que acredito que o PT ainda seja).

Daniel em setembro 8, 2006 12:57 PM


#28

Você tem razão, Daniel, que há uma parte da esquerda pró-Lula que trata a moça com sanha sádica. Maluca ela não é, e quando critica Lula por se aliar aos Sarneys da vida, como você comentou no post seguinte, eu estou com ela. Mas ela também tem contribuído à fama, né? Abraços,

Monix, estarei aí entre o dia 02 e o dia 06 de outubro com certeza (falo dia 02 lá na Casa Rui Barbosa, num evento em homenagem aos 70 anos do Silviano Santiago)e quero mais chope sim :-)

Idelber em setembro 8, 2006 4:11 PM


#29

Caríssimo Idelber, obrigado pela citação. E você expressou, de maneira séria como sabe fazer um acadêmico, o que minha brincadeira quis dizer com a irresponsabilidade do jornalista em dia de folga.

O duro de fazer ironia é ser interpretado ao pé da letra, como fez o belonaí em cima. Claro que não tiro de ninguém o direito de se manifestar sobre o que se pasa em outro país (eu sou um dos primeiros a fazer isso, toda semana, no jornal).

O que incomoda é ver gente que também admiro, intelectuais do tope do Chomski, do Lowy e do Zizek, assinar um manifesto de centro acadêmico como esse.

Como v. disse: se querem botar o prestígio próprio em favor de uma causa, que pelo menos a estudem direito. Além disso, deixaram o companheiro Ruy Pimenta, do PCO, numa bruta depressão.

Só me vejo obrigado a discordar nesse maniqueísmo: quem é contra a descriminalização das drogas não pode ser de esquerda: quem questiona a maneira acrítica como estão trazendo ao Brasil a discussão das políticas afirmativas também é conservador. Menas, mestre Idelber. Menas.

S Leo em setembro 8, 2006 6:13 PM


#30

Eu não achei o site ruim, não é organizado (como o seu blog no começo, lembra disso? hehe), tem dia que ficam corretas as noticías, tem dia que não, essa do Verissimo por exemplo, os parágrafos estavam todos embaralhados.
Tomei a liberdade de destacar algumas partes.

Segue, "Dos usos do moralismo", por Luis Fernando Verissimo, publicado n'O Globo edição de 7 de setembro:

"
Espera-se honestidade e ética de qualquer governante ou pessoa pública — ou motorista, médico ou manicure.

Um comportamento moral generalizado é um requisito mínimo para a convivência, com ligeiros ajustes para a hipocrisia e a mentira social. Mas, como tudo na vida, o conceito de moral é relativo. Uma questão de perspectiva.

Você pode viver no país mais imoral do mundo, nascer e viver em meio à injustiça mais obscena e à miséria mais pornográfica, sem se dar conta disso — e se escandalizar com cenas de sexo na TV. A imoralidade endêmica brasileira nem exige que a gente viva em permanente estado de indignação, o que até impossibilitaria a vida, nem absolve imoralidades menores ao ponto de nada nos indignar. Mas é um pano de fundo contra o qual se estudar os usos e desusos, entre nós, do moralismo, essa outra coisa relativa que depende da perspectiva.

O objetivo do moralismo não é, necessariamente, a moralidade.

Como o colesterol, existe moralismo ruim e moralismo bom, com efeitos diferentes no organismo nacional, com perdão da metáfora médica prolongada. O moralismo pode ser um mau conselheiro político. Já foi em muitos momentos da nossa História. Ajudou a eleger o Jânio Quadros, que iria varrer toda a sujeira deixada pelo governo do Juscelino, e cuja renúncia inaugurou um dos piores períodos da nossa vida institucional. Culminando com o golpe militar de 64, que também nasceu do moralismo, ou da cooptação de valores cristãos ameaçados pelo demônio vermelho. Foi o moralismo que elegeu o Collor, para acabar com a pouca-vergonha dos marajás do serviço público. O moralismo mal usado tem um prontuário quase maior do que o da corrupção na História destes últimos 60 anos.

O bom moralismo é um traço reincidente e surpreendente no eleitorado de um país que gosta de se autocaracterizar como a terra do jeitinho e da malandragem. O pior moralismo é o oportunista, para uso de acordo com a conveniência política. O fato de as denúncias de corrupção do governo Lula não estarem, aparentemente, afetando o julgamento da maioria dos eleitores sugere uma de duas coisas, dois pontos. Ou o moralismo já não tem o poder político que tinha nas nossas eleições (suspiros de alívio ou de decepção à vontade), ou os eleitores declarados do Lula estão sabendo distinguir o moralismo de ocasião, cujo objetivo é tudo menos a moralidade, do moralismo legítimo. Ou, claro, estão votando contra a imoralidade maior.
"

Abraço,
Marcos

marcos em setembro 8, 2006 6:14 PM


#31

Você tem razão, Sergio, eu peguei pesado na questão das cotas e da descriminalização das drogas. Mas que a HH deveria pelo menos defender o direito das mulheres a um aborto decente, ah isso deveria! Essa aí eu acho imperdoável. Abração,

Idelber em setembro 8, 2006 6:17 PM


#32

Obrigado, marcos. Belo texto. Cada vez eu gosto mais do Veríssimo.

Idelber em setembro 8, 2006 6:25 PM


#33

Nessa, tô contigo, Idelber.

E como v. lembrou, o desempenho dela na Globo foi vergonhoso. Essa história de programa de partido é uma coisa, de governo é completamente diferente já sabemos onde termina.

S Leo em setembro 8, 2006 8:05 PM


#34

O texto do Idelber e, porque não, do Veríssimo é um claro sinal de que a esquerda mundial está perdidinha perdidinha.

Os velhos discursos ideológicos já não colam em mais ninguém. Finalmente as pessoas estão começando a separar o que a esquerda fala, do que a esquerda faz.

A Heloisa Helena é um caso típico. Parte de seu programa não condiz com o que chamamos de esquerda tradicional ou estatizante. A outra é pura propaganda para a parcela radical que se aliou a ela.

A verdade é que o capitalismo está mais forte que nunca. Com todos os seus defeitos, é verdade, mas a esquerda, desde o fracasso em todos os países que ocupou, nunca consegui uma alternativa viável.

Inclusive os países, lares do "bem estar social" estão adotando medidas liberais, uns mais outros menos, porém todos estão em fase de transformação.

Ou seja, não há mais salva-vidas. Estão dando tiros para tudo quanto é lado...

Idelber: se não se importar em tomar chopp com um liberal, estou dentro!!

Aliás, o Veríssimo deveria aprender separar o fato das pessoas que o criticam. Criticar Lulla não é falso moralismo vindo de pessoas comuns e trabalhadoras. Mas o é vindo de políticos enfiados até o pescoço com o mesmo problema.

Os eleitores de Lulla, coitados, estão sendo vítimas do que o assistencialismo tem de pior. A escravidão financeira, a esmola. E infelizmente isso ele não critica.

Pablo Vilarnovo em setembro 8, 2006 8:21 PM


#35

O fato é quem enxerga o mundo ainda em Esquerda e Direita está muito fora de contexto...

Pablo Vilarnovo em setembro 8, 2006 8:24 PM


#36

A HH, a meu ver, faz populismo para a classe média. É bem informada, bem intencionada, mas seu projeto é um retrocesso absurdo. A única coisa com que concordo é em relação à cota para negros. Sou contra por vários motivos que não lhe interessaria ver aqui, mas até contra a pesquisa com células-tronco a senadora é.

Marcos em setembro 8, 2006 11:41 PM


#37

Vixe, ela é contra pesquisa com células-tronco? Essa eu não sabia. Afe!

Idelber em setembro 8, 2006 11:53 PM


#38

Tem um comentario de um daniel ali em cima, não sou eu :) Nada contra o ilustre xará, apenas estou esclarecendo p/ não confundir o debate.

Belo texto. A ilustre senadora sempre me pareceu uma incógnita, no sentido de ter opiniões difíceis de se juntarem num todo coerente. Admirei a eloquencia e a rapidez dela nas CPIs, mas os discursos e entrevistas dela mais confundem que esclarecem. Aliás, confundiram até os caros intelectuais estrangeiros, porque parece que o manifesto deles é prá outra pessoa em outro país. Nao consigo ligar HH à pessoa que eles falam lá. Concordo com quem falou que o PSOL corre pro centro bem mais rapido que o PT, e que a HH vencendo a eleição vai fazer concessões bem parecidas com as do Lula. Discordo completamentedo cara ali em cima que veio com a lengalenga do fim das ideologias e do capitalismo cada vez mais forte. Aliás, desculpe, me corrijo, concordo com ele: o capitalismo está cada vez mais forte. por isso seria bom a esquerda estar mais articulada e presente neste mundo de hoje :) Um rolo que nem esse do manifesto dos intelectuais não ajuda nada, e o capitalismo enquanto isso cada vez mais forte...

daniel em setembro 9, 2006 1:31 AM


#39

que nada, idelber!, tô sempre aqui!, mesmo quando silencioso!
abraço!

pedro alexandre sanches em setembro 9, 2006 1:15 PM


#40

Daniel, entre promessas e fatos cumpridos, o que a esquerda fez?

Economicamente todos os países socialistas/comunistas fracassaram. Não vou ficar citando exemplos porque acho ridículo essa coisa de esquerdista "esquecer" do passado. Ou pior não atribuir aos erros de seu "sistema" o que aconteceu na Rússia, Coréia do Norte, Vietnam e etc...

Na verdade, cada socialista tem o "seu" socialismo. Isso na economia, nos outros aspectos então nem se fala. Fomes, mortes, gulags etc... etc...

Agora, quais são os países com a menor taxa de desemprego no mundo? Quais são os países onde há o maior grau de liberdade individual? Onde a censura é combatida? Onde coisas como Sarney está fazendo são praticamente impossíveis?

Essa esquerda sempre com o mesmo blá, blá, blá... Mas resultados que é bom nada...

Pablo Vilarnovo em setembro 9, 2006 1:49 PM


#41

Caro Leitor Paulo,
Não sou eleitor do Marcelo Crivela, mas justiça seja feita, no programa do seu partido e no debate na TV
ele não teve coragem de ser contra o aborto. A idéia
é desvencilhar o candidato da religião. No caso de HH é o contrário, a candidata mistura política, religião emais algumas coisas que nem merecem ser comentadas.

paulinho em setembro 9, 2006 2:24 PM


#42

Aborto, discriminação de droga são bandeiras do anarco-liberalismo há tempo. Não creio que sejam o que caracteriza a "extrema-esquerda".

Tudo bem, o tom de HH pode ser de indignação de "classe média", mas melhor esse tipo de indignação do que o cinismo presidencial de que política é isso mesmo, e caixa dois todo mundo faz. Enfim, dentro do espectro político atual, acho a posição dela melhor que a do presidente e seu partido.

Cesar em setembro 9, 2006 5:32 PM


#43

Direito ao aborto eu diria que é uma bandeira liberal, que é de todo mundo que se julga à esquerda do liberalismo. Não tem nada de escandalosa nem de particularmente "anarco".

Sobre a descriminalização das drogas - para responder ao Cesar - a bandeira em si pode até ter mais ressonância em circuitos anarquistas do que da extrema esquerda. Mas uma candidata que não tem nada a propor sobre o tema a não ser militar contra a despenalização do consumo com o argumento de que "a cocaína mata as pessoas" é uma candidata que trai os princípios da esquerda e repete o discurso da direita antes mesmo de chegar ao poder .

(esse era o ponto, Sergio Leo: eu não disse que para ser de esquerda tem que ser a favor da descriminalização. Mas sim, tem que ter algo a propor sobre tema que não seja repetir o discurso da direita - a repressão do tráfico e do consumo).

Idelber em setembro 9, 2006 5:42 PM


#44

Oi Pablo. Entre promessas e fatos cumpridos, o que o capitalismo anda fazendo?

Tentei lembrar onde as liberdades individuais são mais respeitadas mas não consegui lembrar de nenhum lugar. Todos que eu lembrei me pareceram tolher as liberdades em algum momento. Os que pareciam mais livres justamente sendo aqueles onde essa supressão era mais cruel, por estar disfarçada. Diga um aí, de repente eu me esqueci. Mas se for EUA ou UK ou França, nem precisa falar nada.

Daniel em setembro 9, 2006 9:22 PM


#45

O texto do veríssimo também pode ser acessado aqui: http://www.informante.net/resources.php?catID=2&pergunta=3242#Cena_1.
Ps: Você tem a programação da homenagem a Silviano Santiago? Não consta ainda do site da Casa de Rui Barbosa! Abraços!

Maria Andréia em setembro 10, 2006 11:29 AM


#46

Idelber, que bom ler o seu texto. Concordo plenamente com você, na verdade o texto traduz muitas coisas que penso sobre HH. E acrescento que nem simpatia por ela eu tenho, porque esse discurso todo me cheira muito mais a um "moralismo de ocasião" do que qualquer outra "boa intenção". Você já viu as imagens dela com vassoura nas ruas, para "varrer a bandalheira"? Cruzes, é de matar.

Kellen em setembro 10, 2006 9:48 PM


#47

Maria Andréia, tenho só um rascunho. Me lembrarias por email, e eu te mando?

Pois é, Kellen, e a vassoura é uma metáfora meio que de triste memória na política brasileira, né? Abraços,

Idelber em setembro 10, 2006 10:11 PM


#48

Idelber,

Mais uma da candidata da "autêntica" esquerda: Umas semanas atrás (não lembro ao certo a data), HH estava no Canal Livre da TV Bandeirantes; questionada sobre o problema da segurança e do sistema prisional, mais especificamente sobre presos que não retornam do indulto ou que estão em regime aberto ou semi aberto e não comparacem aos albergues, HH disse que já havia no Senado uma ótima proposta para resolver a questão, proposta de autoria de Romeu Tuma (sic): pulseira eletrônica (uma pulseira que contém um chip informando a localização do seu detentor e que emite sinais ou causa dano se retirada). Por que não aproveitar o embalo e propor que todos usem esta prótese biopolítica? O grande problema, creio, é que grande parcela dos que se consideram de esquerda possuem um discurso crítico quanto à economia, mas na maior parte das demais questões seguem o consenso. Reducionistas. Economicistas. Ou então o velho esquema infra-estrutura/super-estrutura.
Mas enfim, concordo inteiramente com teu post sobre o manifesto dos intelectuais (assim como o texto do Veríssimo é excelente - Mino Carta escreveu recentemente no blog dele sobre esta reencarnação de Carlos Lacerda que é FHC).

Você poderia me mandar também o programa do evento na Casa Rui? Assisti há uns meses atrás do Seminário "Poéticas do Inventário" que foi realizado lá. Muito interessante.

Um abraço,

Alexandre Nodari

P.S.: Li faz um bom tempo o seu "Alegorias da Derrota". Belíssimo.

Alexandre Nodari em setembro 11, 2006 5:05 AM


#49

Gostaria apenas de comentar que a Democracia Socialista continua sendo unica e exclusivamente uma tendencia interna do PT. A tendencia em que se reunem os ex-DS que foram para o PSOL se chama "Liberdade e Revolução": http://www.socialismoeliberdade.org/?id=129

Carlos em setembro 11, 2006 6:34 AM


#50

Daniel - Mole, veja a situação de vários países como Irlanda, Canadá, Inglaterra, Coréia do Sul...
Todos esses países possuem problemas? Claro que sim. Não sou um liberal ortodoxo (o que aliás existem pouquíssimos) que acreditam que o livre mercado é a solução de todos os males. Não sou mesmo.

Mas tenho pouca fé no Estado como principal controlador do dinheiro alheio.
Não vou comentar sobre comunismo/socialismo porque sinceramente, acho ridículo ficar comentando sobre ideologias responsáveis por milhões de mortes, de fome, miséria e outras cositas más...

Sobre economia então, é patético...

O debate não é sobre capitalismo X socialismo. E de que capitalismo queremos. Qual o nível de controle Estatal queremos.

Pode pesquisar em qualquer lugar e verás que quanto menor o controle Estatal em um país maior o seu sucesso econômico/social.
Quanto mais se mete em coisas que não é obrigação do Estado (como ser banqueiro ou vender gasolina) mais o Estado deixa de fazer coisas que é sua obrigação como Educação, Saúde e Segurança...

É essa a difernça entre um liberal e uma pessoa de esquerda.

Só falta você citar Marx...

Pablo Vilarnovo em setembro 11, 2006 11:01 AM


#51

Carlos, obrigado pela correção. A última vez em que eu havia conversado com militantes dessa tendência não majoritária, eles ainda se reivindicavam membros da DS, apesar de já estarem no PSOL. Com certeza a situação já deve ter mudado desde então e eu, claro, não conheço a documentação interna. Obrigado também pelo link, um abraço :-)

Idelber em setembro 11, 2006 3:25 PM


#52

Alexandre, é de estarrecer o que você conta, porque o conservadorismo dela em questões de saúde reprodutiva pode até ser atribuído à incapacidade dela de separar fé cristã e política pública. Mas esse panóptico foucault-bladerunneriano do projeto do Tuma, putz, não há razão para apoiá-lo - até anti-cristã a coisa é.

Obrigado mesmo pela leitura do livro, é sempre tão bom saber que gente inteligente o leu. Estou enviando o programa do evento por email. Abraços,

Idelber em setembro 11, 2006 3:45 PM


#53

Caro Idelber

Posso não ter idade o suficiente para discutir ao seu nível, faço 18 anos amanhã e admito, voto por obrigação. É claro que não estou indiferente aos acontecimentos políticos, gostaria muito de participar da democracia brasileira, se pode ser assim chamada.
Acredito que falo em nome da classe-baixa da população quando pergunto: Em quem votar? Afinal vejo que discutem sobre o puritanismo de HH, idéias socialistas ou capitalistas, e até mesmo fatos históricos. Porém não os vejo chegando no cume da questão: Se o governo do PSDB foi péssimo, se o Lula desapontou toda a população, e se os ideias de Heloisa Helena não são apropriadas para um governo, qual é a nossa quarta opção? Voto nulo talvez?
Acredite as esperanças se acabaram, chegamos a um ponto em que um governo sem corrupção é proposta eleitoral e não mais obrigação.

Amanda em setembro 11, 2006 3:49 PM


#54

Amanda, eu entendo a sensação de desilusão e falta de alternativas políticas. Sim, houve decepção com o governo Lula, especialmente com certa liderança do PT, mas houve muitas outras coisas também. Não, não acredito que você fale em nome das "classes baixas" quando pergunta em quem votar. Elas já sabem em quem votar: votarão em Lula, massivamente.

Talvez fosse o caso de parar de pensar em cenários ideais do tipo "governo sem corrupção" e pensar o que podemos fazer para dificultar a corrupção, restringi-la, puni-la. Eu não acredito que o saldo do governo Lula, até mesmo nesse quesito, tenha sido negativo não. Quanto às razões para votar nele, veja só, dê uma olhada nesses números aqui. Não são os números com os quais eu sonhei, mas são algo.

Idelber em setembro 11, 2006 5:49 PM


#55

Oi Pablo. Irlanda e Inglaterra não adianta citar. Taí o Jean Charles para atestar o nível das liberdades individuais na Inglaterra. A Irlanda tem sua própria história de violência e intolerância para apresentar. São as ideologias de esquerda que são responsáveis por milhões de mortes, etc.?

Um país de enorme sucesso econômico hoje é a China. Sucesso social? Não exatamente. Pouco controle estatal? Não exatamente. Outro país de sucesso econômico e social é a Venezuela. Qual o controle do Estado sobre a economia lá? Aliás, lá, foi vendendo gasolina que o Estado deu uma melhorada na educação e na saúde.

O capitalismo pressupõe o prejuízo de uns muitos em prol do sucesso de outros poucos. Sem controle estatal, a tendência da economia é concentrar renda, não distribuí-la. Como resolver educação, saúde e, principalmente, segurança, com a renda cada vez mais pornograficamente concentrada? Se não é o estado a controlar a grana alheia, quem será? Porque sempre haverá alguém controlando, mas pode estar escondido nos mecanismos de mercado, que tanto se parecem com liberdade mas tanto se afastam dela.

Finalizando, cito Marx:
-"Now there's a man with an open mind - you can feel the breeze from here!"
-"You haven't stopped talking since I came here! You must have been vaccinated with a phonograph needle!"
(Groucho Marx)

Daniel em setembro 11, 2006 8:50 PM


#56

Daniel - O que vc quer dizer que é mais seguro morar em Cuba, ou na Coréia do Norte que em Londres e na Inglaterra?

Considerando que tanto Inglaterra quanto Cuba são Ilhas, qual das duas existem pessoas que preferem se arriscar a fugir nadando?

Quer dizer que por causa da trapalhada com Jean Charles, há ditadura na Inglaterra? Foi mesmo o caso ou um erro na Inteligência Policial? Quantos presos políticos há na Grã Bretanha?

O único "sucesso" da China é em sua economia. Ponto final, os problemas com a justiça, liberdade e até mesmo pobreza continuam o mesmos, da mesma maneira que Chavez foi incapaz de diminuir a pobreza do povo Venezuelano e nem mesmo é essa a intenção dele.

O controle estatal levou a Rússia à falência, Cuba produz a mesma quantidade de açucar que produzia na década de 50. As coletivizações forçadas no campo levou à morte mais de 50 milhÕes de chineses de fome.

A culpa da concentração de renda é muito mais causada por impostos extorcivos que atacam muito mais os pobres e a classe média que os ricos. Estado nunca foi um bom mecanismo de distribuição de renda.

Já que gostas de citações, eu cito Bakunin:

"Sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão (o governo popular proposto pelos marxistas), chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares por uma minoria privilegiada.

Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários.

Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, deixarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.

Quem duvida disso não conhece a natureza humana."

Pablo Vilarnovo em setembro 12, 2006 3:19 PM


#57

Só acho incrível a capacidade das pessoas de não aprenderem com erros do passado...

Pablo Vilarnovo em setembro 12, 2006 3:22 PM


#58

Eu não falei que a Inglaterra era uma ditadura. Mas é justamente onde não há ditaduras que a falta de liberdade é mais cruel, porque disfarçada.

Em termos de segurança, Cuba ganha da Inglaterra adoidado. Já estive nas duas. Em qual das duas eu consegui andar por vielas e ruas escuras de madrugada sem ser assaltado? Em qual das duas um sujeito levemente "árabe" corre o risco de levar uma porção de tiros na cabeça?

Boa citação! Aprecio bastante o velho Bakunin! Bem mais que Marx, certamente (o Karl, não o Groucho). O mais bacana é que tanto eu quanto você podemos encontrar citações dele para autenticar nossos pontos de vista, já que a questão dele não era o nível de interferência estatal, mas a existência do Estado, ou de qualquer tipo de governo. Inclusive esse governo ditatorial e cruel disfarçado de "mercado".

Daniel em setembro 12, 2006 8:48 PM


#59

É uma freirinha.

Milton Ribeiro em setembro 13, 2006 12:37 PM


#60

Direto. Sou filiado do PT, fui da DS, não voto no Lula e voto Heloisa Helena.Contradição? Sim. Qual a mediação possível na atual situação? Esta pergunta é feita sómente aos que se reivindicam da esquerda. Para aqueles que acreditam que" um novo mundo é possível".

Pinto Jr. em setembro 16, 2006 5:11 PM


#61

Oi, Pinto Jr., não vejo contradição na sua posição, necessariamente. Vejo o manifesto dos intelectuais estrangeiros como uma tremenda bola fora. Mas respeito quem optou pelo voto de protesto, especialmente alguém com sua trajetória - já imagino quão complicado é o problema da mediação para aqueles que, na DS por exemplo, estão decepcionados com o governo Lula. E aí no Sul vocês têm motivos para ter raiva, depois do que foi feito com Olívio.

Idelber em setembro 16, 2006 5:33 PM


#62

Gostaria de saber porque luiza elene naõ tira aquela maldita blusinha branca.
que coiza terrivel.

Damiaõ c de andrade em setembro 28, 2006 12:59 PM


#63

E entender que São Paulo sofreu massacre de bandidos ate se entenderem... e em nome de uma disputa presidencial o vale tudo - e como vale - não se foi permitido as forças federais dar segurança aos paulistas que viveram momentos de terrores. Prefreriram o sacrificio - morte... de seus patricios do que ter ajuda militar federal.

UMA LASTIMA....

idpol_01 em outubro 3, 2006 11:18 AM