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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.
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terça-feira, 31 de outubro 2006
Confirmando Jorge Amado

Segunda-feira vai rolar aqui uma conversa sobre Terras do Sem Fim, de Jorge Amado. Eu comecei a ler e já me envolvi. É curioso como isso acontece rapidamente com Jorge Amado.
No último post, Monix, Milton, Edk, Fefê, Vera, Carmen, Valéria, Isabela, Alessandra e mary w toparam a parada. Estão dentro mesmo, né? Alguém mais?
Sobre o Clube de Leituras do blog, um leitor uma vez disse que ficava sem jeito de escrever sobre literatura no blog de um professor de literatura. Fique não, viu? A idéia é brincar e trocar leituras, e não demonstrar erudição. Inclusive porque sobre Jorge Amado eu não sei porra nenhuma mesmo. De forma que estamos todos no mesmo barco.
Agora com licença que eu vou ali tomar umas biritas para festejar o niver (o meu, não o do blog - eu nasci no dia em que nasceram Carlos Drummond de Andrade e John Keats, é mole?). Amanhã volto com um post decente sobre qualquer coisa, menos política.
Inté.
Escrito por Idelber às 20:34 | link para este post
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Perguntinha
Qual o seu post favorito neste blog?
Escrito por Idelber às 02:07 | link para este post
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segunda-feira, 30 de outubro 2006
À minoria

imagem roubada dela
Foram 58,3 milhões de votos, 5 milhões a mais que em 2002. Nos votos válidos, uma acachapante vitória de Lula por 61 x 39. Pela primeira vez na história das eleições presidenciais, um candidato regrediu do primeiro para o segundo turno. Além de não ganhar nenhum eleitor, Alckmin perdeu quase 2,5 milhões que haviam votado nele no primeiro turno e desistiram de repetir o voto no segundo. Os votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque migraram massivamente para Lula. O New York Times falou em “landslide”, o Página 12 comemorou e Reinaldo Azevedo reconheceu que foi uma derrota humilhante.
Durante certo tempo, parcela do eleitorado tucano falou de Lula como o candidato “dos grotões”. Chegou a brincar-se com fantasias secessionistas para o Sul e o Sudeste do país. A brincadeira não durou muito: Minas Gerais deu a Lula 65% dos votos e o Rio de Janeiro nada menos que 70%. Em São Paulo, onde Alckmin esperava ganhar de muito, levou por pouco, 52 x 48 (um resultado que esteve além do esperado para Lula e que, por sinal, fortaleceu Marta Suplicy para o jogo político no futuro próximo).
No Nordeste, a surra foi de 77 x 23. No Amazonas, estado daquele senador tucano que gosta de ameaçar o Presidente da República com agressões físicas, a balaiada foi de 86 x 14. Lula venceu em vinte estados. O único que deu ao candidato “moderno” uma maioria significativa foi Roraima. Em 2002 Lula tinha o apoio de 4 governadores quando se elegeu. Hoje conta com 16. A base do governo em 2002 girava em torno de 200 deputados. Hoje ela engordou para 300. Ainda não é o suficiente para aprovar emendas constitucionais – para as quais são necessários 308 deputados, ou 3/5 da Câmara – mas é uma situação bem melhor que a de 2002.
O PT, que havia elegido três governadores em 2002, desta vez elegeu 5 (Sergipe, Bahia, Pará, Piauí e Acre). Esteve longe, muito longe de levar a surra que se chegou a prever: entrou nas eleições com 81 deputados federais e elegeu 83. Não é, de forma nenhuma, indicação de que o eleitorado tenha esquecido as lambanças feitas pelo partido ou esteja assinando um cheque em branco. A vitória é acima de tudo do lulismo; o PT deve explicações à sociedade e uma reformulação à sua militância. Mas dançou quem apostou no estilo Jorge “essa raça” Bornhausen de fazer política. Quem apostou no ódio como plataforma dançou. E vai continuar perdendo o bonde da história quem se agarrar a explicações paupérrimas como "o país está bêbado" ou "venderam-se por um prato de comida". É incrível que uma parcela significativa dos que esbravejam contra Lula, "o analfabeto", não consiga ler a realidade com fórmulas um pouquinho mais sofisticadas que essas.
Lula, que não é bobo, sabe que não é hora de tripudiar. Mas é a oposição, principalmente o PSDB, quem tem que decidir qual é a cara que terá. A campanha que terminou ontem teve mais pinta de Arthur Virgílio e Reinaldo Azevedo que de Gustavo Fruet e Aécio Neves. E o PSDB pagou caro pela escolha. Não acho Fruet e Aécio dois modelos de políticos, mas por ali o PSDB pode conseguir revitalizar-se. Apostar no xingatório e no lacerdismo só fará deles uma presa do moribundo PFL (que elegeu, viva, um mísero governador, só no DF!) e os condenará a serem o eterno anti-PT.
Que todas ações do governo federal sejam sempre fiscalizadas e que os responsáveis por quaisquer irregularidades sejam punidos. Mas ficar apostando fichas nas denúncias de uma combalida revista semanal para virar eleição não é papel que se espere de um partido político sério. Apresentar-se como “os únicos éticos” contra “os corruptos” é uma zombaria da inteligência do eleitor. O PSDB pode e deve ter mais a dizer do que disse nesta campanha.
Um primeiro passo é abandonar as esdrúxulas explicações que os peessedebistas de Higienópolis, por exemplo, deram à Folha ontem (para assinantes): O eleitor do Lula é o povo do interior ou do Nordeste, que não tem acesso à informação, disse uma delas. Trata-se de frase ironicamente infeliz, ou infelizmente irônica, já que mostra que é ela quem ainda não teve acesso a um simples mapa eleitoral do Brasil. Uma executiva chegou a dizer que Alckmin perdeu porque seu programa tinha nível alto demais: É triste, mas só ganha quem reduz a qualidade do discurso para atingir o maior número de eleitores possível, frase que é uma monstruosidade de cegueira, como se o programa do candidato tucano tivesse sido uma riqueza de propostas que o pobre eleitor analfabeto não conseguiu descifrar.
O PSDB pode escolher insultar os eleitores brasileiros com ofensas ou insinuações, ou pode elaborar um programa político para reconquistar a hegemonia política. Pode escolher ecoar as asneiras das entrevistadas de Higienópolis ou pode construir uma cara mais conforme com a herança de Montoro e Covas. Se optar pela última alternativa, mais sensata, tem todas as condições de brigar pela presidência em 2010.
PS: Há exatamente dois anos, em 29 de outubro de 2004, nascia este blog, filho de um erro.
Escrito por Idelber às 04:25 | link para este post
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sábado, 28 de outubro 2006
Uma correção
Em ponderada crônica escrita hoje para o Globo, Teresa Cruvinel fez uma avaliação das razões da vitória de Lula e da implosão da candidatura de Alckmin no segundo turno. É uma apreciação crítica de ambos os lados: petistas e tucanos deveriam lê-la.
Mas num dado momento a colunista diz: Muito se escreveu, com frustração ou preconceito, sobre uma suposta leniência brasileira com a corrupção. Houve até uma pesquisa sustentando que os mais pobres, os mais negros e os menos escolarizados têm menor exigência ética que os mais ricos, brancos e cultos.
Na verdade, a segunda frase é falsa. Não houve nenhuma pesquisa "sustentando" isso. Houve uma pesquisa que não encontrou, entre esses grupos, nenhuma diferença de atitude que excedesse a margem de erro. Mesmo assim, o jornal Estado de São Paulo permitiu-se a manchete: Rigor com a corrupção na política varia com região e condição social.
Não houve, como supôs Cruvinel, uma pesquisa "sustentando" o que afirma a manchete do Estadão. Houve uma manchete que não condizia com a informação dada na matéria. Só isso. Quando aconteceu, nós apontamos.
Escrito por Idelber às 19:55 | link para este post
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Debate da Globo
As últimas pesquisas fizeram desmoronar a tese de que Lula só se elegerá graças aos pobres e ao Nordeste. Elas confirmam, por exemplo, o empate técnico entre eleitores com nível superior e a considerável subida de Lula no Sul e no Sudeste. Revelou-se péssima sociologia a tese do “Brasil arcaico versus o Brasil moderno”, com que Fernando Henrique Cardoso entreteve jornalistas argentinos e tentou explicar a divisão do eleitorado. Nessas explicações ele nunca foi bom, mas as últimas têm sido particularmente sofríveis.
Se alguma influência o debate puder exercer nas eleições de domingo, ela terá sido de poucos pontos. Será interessante ver se se realiza a previsão dos que viram uma “vitória” de Alckmin, que talvez leve [...] uns pontos a mais, evitando que Lula fique na casa dos 60% dos válidos. Eu acho exatamente o oposto: que o debate ampliou a vantagem de Lula. 62% é a porcentagem de votos que Lula teve no segundo turno contra Serra em 2002. Chegar a esse número depois dos tropeços e dos ataques cerrados sofridos na segunda metade do mandato seria simbólico de uma grande vitória.
Para os indignados da Zona Sul que ainda não conseguiram entender por que o povo escolheu Lula, o debate foi um resuminho de tudo. Nada do que Alckmin disse “estar mal” no Brasil estava melhor sob FHC. Nada: nem juros, nem emprego, nem educação, nem saúde, nem microcrédito, nem acesso do povo pobre à cidadania. Como diz o Alon, o que derrotou Alckmin não foi o marqueteiro ruim e sim uma discussão política, na qual o terreno de jogo, os termos nos quais dava a peleja, foram definidos pela coligação Lula, que partiu para o ataque já no dia 02 de outubro. A dificuldade com que Alckmin respondeu aos ataques feitos ao passado privatista do PSDB foram a expressão da sua sina neste segundo turno, a de debater nos termos ditados por Lula.
Na última volta do parafuso da privatização, não deixou de ser cômico assistir ao candidato tucano acusar Lula de estar "privatizando" a Amazônia. Não se trata de discutir aqui a lei nº 4.776, de 2005, claro. Simplesmente aponto o óbvio: um Alckmin que esteja acusando Lula de "privatizar" já está debatendo em termos determinados pelo adversário. Por ali não vence nunca.
Como notou a Mary W, Alckmin transmite a péssima impressão de que está sendo condescendente quando tenta explicar algo em termos populares. Em algum momento do debate cheguei a achar que o olho-no-olho que Lula lhe dirigia podia ter passado da medida e que o candidato do PT poderia perder pontos por excesso de agressividade com um adversário já derrotado. Mas a força com que Lula investiu sobre Alckmin e a insistência em fazer gestos de conciliação a Aécio Neves e José Serra já podem ser parte do mapa pós-eleitoral. Para o PSDB, continua o desafio de conseguir ser algo que não um mero anti-PT. Seria muito bom para o Brasil.
Boa eleição para todos.
Escrito por Idelber às 07:10 | link para este post
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sexta-feira, 27 de outubro 2006
Sobre o café

Descubra, se puder, os autores de cada uma das seguintes frases sobre o café:
1. O café faz árabes fogosos; o chá, chineses cerimoniosos.
2. Ao tomar café, as idéias movimentam-se como os pelotões do grande exército no campo de batalha.
3. O café deve ser preto como o diabo, quente como o inferno, puro como um anjo, doce como o amor.
4. Leva sempre a ração de café, mesmo com prejuízo do pão.
5. A história do Brasil foi escrita com tinta de café.
6. O café é a bebida dos homens que nunca se embriagam.
7. Desses grãos escuros tiraram os enciclopedistas a força, o ardor, a petulância e as idéias.
Dicas: são três franceses, um português, um brasileiro, um estadunidense e um inglês.
PS: Vou assistir o debate da Globo esta noite. Sábado de manhã tem post.
Escrito por Idelber às 00:04 | link para este post
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terça-feira, 24 de outubro 2006
Cidadania cultural
Depois de umas semanas só trabalhando “para os outros” (dando aulas, corrigindo trabalhos, revisando teses, escrevendo cartas de recomendação, etc.), arrumei finalmente um tempinho para trabalhar numa coisa minha, que é um projeto de artigo sobre a relação entre algumas formas de música popular no Brasil e novas práticas cidadãs. O que me interessa não é analisar canções que “falem do tema da cidadania", mas mostrar como certas práticas musicais a transformaram, em diferentes pontos do país (meus guias são Chico Science e o Mangue Beat).
Há trabalhos recentes que fazem isso. Há um estudo interessante, por exemplo, de Goli Guerreiro, que mostra a trajetória do projeto musical de Carlinhos Brown no Candeal, em Salvador, e detalha o impacto gigantesco que ele teve na auto-estima da comunidade.
A formulação mais influente do conceito de cidadania nas ciências sociais, durante algumas décadas, veio da obra de T.H. Marshall, Citizenship and Social Class (1950). Ela associa a cidadania à condição de “ser membro pleno” de uma comunidade, independendemente das desigualdades econômicas existentes. A noção de universalização do direito como característica do cidadão é mais antiga, claro. É grega, e vem acompanhada sempre da salutar ressalva que o princípio da universalidade ali não incluía mulheres nem escravos.
Marshall separa a cidadania em três tipos – civil, econômica e política – e entende que há considerável independência entre eles, chegando ao ponto mesmo de designar um período formativo para cada tipo: fim do século XVIII para o civil, século XIX para o econômico, século XX para o político (períodos que devem ser entendidos de forma flexível e elástica, claro).
O que vários estudos contemporâneos têm feito é sublinhar que há uma esfera não necessariamente dos direitos civis, econômicos ou políticos através da qual a cidadania também é articulada. Chamemos-na de cidadania cultural. São todas as iniciativas que passam pela cultura (música, internet, teatro, o que seja), mas que têm impacto real na condição de cidadãos dos sujeitos envolvidos nela; são, numa palavra, práticas que redefinem a cidadania a partir da cultura. Há uma corrente que é bem entusiasmada com essa noção de cidadania cultural. Há outra mais cética, que diz que esse papo de cidadania cultural tira a atenção do mais importante, que é o direito ao feijão no prato, ao décimo-terceiro salário e ao voto na urna.
Já reuni uma baita bibliografia para esse artigo e sei que no Overmundo há um zilhão de casos, mas adoraria escutar quaisquer pitacos sobre histórias que você conheça, sobre iniciativas culturais que têm potencial cidadão, sobre como a música realiza mediações entre você e a polis. Diga lá uma coisa bem inteligente para que seu blogueiro possa cumprir suas obrigações acadêmicas e voltar para escrever novos posts.
Escrito por Idelber às 23:33 | link para este post
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Vamos subir, Galô!

No dia 14 passado, o meio-campista Vander e a equipe do Santo André descobriram a diferença entre um time grande e um time pequeno. Em sétimo lugar na tabela, o Santo André precisava da vitória em casa contra o líder Galo para seguir sonhando com a série A. Cometeram o erro fatal: eles, cujo o primeiro uniforme é branco, resolveram usar camisas azuis para "amedrontar" o primeiro campeão brasileiro. Erro número 1: um time grande jamais muda o uniforme em função do adversário, e os pequenos que o fazem geralmente pagam o preço. Erro número 2: ninguém no Santo André sabia, pelo jeito, que o Galo pode até ser eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará, mas tem larguíssima vantagem sobre o Cruzeiro em confrontos diretos - a maior de todos os grandes clássicos brasileiros, aliás. Se há algo que não "amedronta" o Galo, é uma camisa azul.
Aos 2 minutos de jogo do segundo tempo, o meio-campista Vander cometeu o terceiro erro fatal: ao marcar o gol de empate, mandou a multidão alvi-negra (que era maioria no próprio estádio do Santo André) "calar a boca". Ora, há que ser muito suicida para mandar calar, na hora de um empate, uma torcida visitante que está em maioria. Se for a torcida do Galo, é um tiro no peito. O Santo André até cresceu no jogo, mas a torcida mais apaixonada do mundo encheu-se de brios e gritou até o fim. Aos 43m, contra-ataque do Galo, gol de placa de Tchô, Galo 2 x 1, Santo André mais um aninho na Segunda Divisão. Vander, na próxima, pensará duas vezes antes de pôr o indicador entre os lábios na frente da mais apaixonada do mundo.
No sábado passado, a torcida do Galo bateu de novo o recorde de público do futebol brasileiro em 2006, com quase 60 mil pessoas no Mineirão. A goleada sobre o Avaí praticamente carimbou o passaporte de volta para a Primeira Divisão. Os poucos pontinhos que faltam devem ser conquistados nas próximas rodadas. Em meio à euforia, até mesmo o Sr. Mílton Neves fez questão de aparecer no Mineirão, fazer média com a torcida e bajular os cartolas, numa tremenda confusão entre jornalismo e politicagem.
É hora de reiterar o óbvio: os méritos da iminente subida à Primeira Divisão são, em primeiro lugar, da mais apaixonada do mundo, que arranjou forças para incentivar um time que não havia vencido ninguém fora de casa no primeiro turno. O que aconteceu no jogo contra o Avaí neste sábado foi indescritível. Depois da goleada, um desolado catarinense testemunhava: "contra essa torcida, não dá". Inconscientemente, ele citava Telê Santana, autor da frase "quem tem uma torcida como essa é quase impossível de ser derrotado em casa". Em segundo lugar, os méritos são dos garotos que vieram das categorias de base e puseram os corações nas chuteiras; depois, de Levir Culpi, que soube colocá-los para jogar. A diretoria do mais querido de Minas continua criminosamente omissa, burra e sem planejamento, para não dizer mui, mui suspeita. Aliás, com raríssimas exceções - São Paulo, Internacional, Botafogo - os clubes brasileiros continuam em mãos das mesmíssimas corjas. Comandada pelo Sr. Ricardo "BMG" Guimarães, a atual diretoria do Galo é responsável pela pior crise técnica e financeira da história do clube e não merece nenhum laurel por este belo movimento que está unindo atleticanos em todo o Brasil. Vamos subir, Galô! - mas sem nos deixarmos cegar, ok?
Enquanto isso, na série A, tudo na mesma chatice. E na Série C, olha o Ipatinga aí, gente.
Leia e veja mais: Vamos Subir, Galô!
Do Balípodo: Torcer, torcer, torcer, esse é o nosso ideal.
No Youtube: A massa alvi-negra faz a festa no Mineirão.
Youtube: Galo 2 x 0 Sport, melhores momentos no campo e nas arquibancadas.
Movimento 105 minutos (dica da Ana)
PS: O Prêmio The BOBs já escolheu os dez blogs finalistas em língua portuguesa. O Biscoito convida seus leitores para comparecerem e votarem no Pensar Enlouquece.
Atualização: ... e convida também a votar no blog da Alcinéa Cavalcante, que concorre ao prêmio Repórteres sem fronteiras.
Escrito por Idelber às 02:31 | link para este post
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sexta-feira, 20 de outubro 2006
Homer Simpson da TV Globo leva baile dos leitores do Observatório da Imprensa.
Nesta quinta-feira, ao tentar responder à reportagem de Raimundo Pereira na Carta Capital, o editor-executivo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel – sim, aquele que escreve livro para negar a existência do racismo no Brasil – levou uma das maiores lavadas que já vi alguém levar na história da internet brasileira. O episódio já é, em si, um marco desta campanha eleitoral e mostra a força democratizadora do “jornalismo cidadão” feito na internet por gente como Mino Carta, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Luis Weis.
A reportagem da Carta Capital demonstrou como o jornalismo da Globo foi cúmplice do delegado Bruno – que fotografou, na véspera da eleição, o dinheiro apreendido com petistas quase duas semanas antes, para depois pedir divulgação no Jornal Nacional e exigir mentira dos veículos para explicar aos seus superiores o vazamento (além de cometer várias outras ilicitudes, como implicitamente confessar que o fazia por motivos políticos). As fotos do dinheiro que talvez pudesse ter origem ilícita e poderia ter sido usado para comprar um dossiê contra José Serra que talvez não contivesse nada de grave contra o tucano (contaram os condicionais?) receberam, nos dois Jornais Nacionais imediatamente anteriores à eleição, cobertura ampla, histérica e raivosa que excedeu inclusive o tempo dedicado a um dos piores acidentes aéreos da história do Brasil, em que mais de uma centena de famílias haviam sofrido perdas. Isso no sábado, porque na sexta-feira o JN curiosamente ainda não sabia que o avião da Gol havia caído. O Sr. Ali Kamel sofisma, faz traça da inteligência de seu leitor e não oferece explicação satisfatória para o fato de que a CNN e o New York Times noticiaram a queda do avião da Gol horas antes da TV Globo. Essas horas são cruciais, claro, porque entre aquelas foi exibido o Jornal Nacional com a farra das fotos. Na reportagem em que detalhou como a Globo omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê, Raimundo Pereira incluiu as dez perguntas que havia encaminhado ao responsável pela Central Globo de Jornalismo. O Sr. Ali Kamel não respondeu nenhuma das dez perguntas feitas pelo jornalista Raimundo Pereira quando da confecção da reportagem.
Seis dias depois da ampla circulação da reportagem da Carta Capital e de sua repercussão na internet, o Sr. Ali Kamel veio ao Observatório da Imprensa tentar se explicar. A reportagem da Carta Capital havia perguntado porque o JN não destacara um repórter para a investigação das relações entre Barjas Negri e Abel Pereira em Piracicaba. Perguntava porque a Globo omitiu o conteúdo da conversa que atestava participação na ilegalidade cometida pelo delegado Bruno. Perguntava porque a Globo adotou critérios diferentes para divulgar as fotos (obtidas ilegalmente) na véspera da eleição e não divulgar o dossiê de Cuiabá sob a alegação de que o material estava sob suspeita. Perguntava várias outras coisas. Quantas dessas perguntas o Sr. Ali Kamel responde no seu longo arrazoado de enrolações produzido seis dias depois da publicação da CC? Nenhuma. 
Para tentar defender a si e ao Jornalismo da Globo, Ali Kamel escreveu um texto que se enrola em contradições, longas citações fora de assunto, omissões de explicação para fatos já sabidos, meias-verdades, clichês desprovidos de credibilidade e todo um sem-fim de fraquíssimos truques retóricos para evitar responder claramente o perguntado. Como exercício de argumentação num hipotético curso de graduação em retórica, o texto de Kamel mereceria nota não maior que D até mesmo na Faculdade de Conceição do Mato Dentro.
O artigo de Kamel tenta fazer-nos crer que o acidente da Gol já não era fato sabido às 20:30 de sexta-feira, e sua mentira é desmascarada por vários leitores que testemunham terem lido sobre o acidente antes do JN (em vários outros veículos, como a CNN e o Terra) e terem ligado a televisão na Globo com a esperança – a certeza – de que o JN o noticiaria. Leva o primeiro tombo ali. Também tenta desqualificar as 10 perguntas apresentadas por Raimundo Pereira usando um velho truque retórico: simplesmente ignora 8 delas e toma 2, jogando uma contra a outra como se elas fossem contraditórias entre si. Não são. Elas perguntam coisas diferentes sobre a não-cobertura das atividades de Abel Pereira. É pego na mentira uma segunda vez. Escreve como se a frase Tem de sair hoje à noite na TV. Tem de sair no Jornal Nacional, dita pelo delegado Bruno, tivesse sido editada pela Carta Capital. Não foi. Pego na mentira a terceira vez. No final coloca um PS dizendo que Cópias da fita com a conversa gravada entre o delegado e os repórteres, divulgadas por alguns sites, estranhamente têm uma qualidade sofrível. Duas horas depois ele é pego na mentira pelo próprio site da Globo que, diante da pressão criada na internet, coloca no ar a gravação da conversa – pelo menos quatro dias depois da sua divulgação em outros blogs, como o de Paulo Henrique Amorim - ironicamente desautorizando seu chefe de jornalismo com o título Leia e ouça, com nitidez e na íntegra, conversa do delegado do caso dossiê com repórteres. Kamel também é contradito outras vezes, como quando afirma que esses diálogos mostram claramente que CartaCapital se baseou numa edição parcial das frases do delegado. Os leitores do Observatório demonstram repetidas vezes, de diferentes formas, como é Kamel que está omitindo o fundamental: a motivação política, vingativa e a atitude ilegal do delegado Bruno com a cumplicidade da direção de jornalismo da Globo, que recebeu a fita não depois do dia 29 de setembro e agiu como se não a tivesse recebido.
Enquanto que as inverdades são muitas, as meias-verdades não são menos numerosas: Kamel repete duas vezes no seu texto que o delegado Bruno, ao vazar as fotos, conversara com quatro repórteres, “nenhum deles da TV Globo”, sem dizer que uma delas era do jornal O Globo, sem dizer que além disso um repórter do JN é explicitamente mencionado na conversa,sem dizer que o material é prometido a ele e sem dizer que o jornalismo da TV Globo sim recebe a gravação não depois de 29 de setembro e decide acobertar a mentira que ali está. Esqueceu de dizer isso tudo? Ora, ora, quem está trabalhando com uma edição parcial das frases do delegado?
Depois de umas poucas horas no site do Observatório, o texto de Kamel já havia sido esmigalhado, minuciosamente desmontado, desconstruído, depenado por 90% - sim, pelo menos 90% - dos 286 leitores que lá haviam escrito até a madrugada de hoje. Os leitores não puderam senão recordar, claro, a sujíssima história da TV Globo em episódios como o quase-roubo da eleição estadual de 1982 das mãos de Brizola (em conluio com o Proconsult) e a edição do debate Collor / Lula em 1989. Este episódio das fotos ilegais para atingir Lula e a posterior – posterior em seis dias – “explicação” de Kamel demonstra que a TV Globo vai além de ter na chefia do maior telejornal do país alguém que pensa em seu tele-espectador como um “Homer Simpson”. Demonstra também que o chefe de jornalismo da Globo ainda não conseguiu diferenciar os leitores de um site como o Observatório da Imprensa dos seus Homers imaginários. Demonstra que o Sr. Ali Kamel ainda não aprendeu o básico do básico sobre o jornalismo político dos nossos tempos: que na era da internet, o buraco é mais embaixo. Tudo indica que pagará caro em perda de credibilidade por achar que o Observatório da Imprensa era o sofá de Homer Simpson.
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quarta-feira, 18 de outubro 2006
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Começa amanhã em São Paulo, na Livraria da Vila, uma Balada Literária que tem programação imperdível até o dia 31. Armação do super-ativo Marcelino Freire.
No Rio de Janeiro, a grande dica é a mostra O Negro no Cinema Brasileiro, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna. Se você nunca viu Barravento (1962), de Gláuber Rocha, na telona, amanhã é a chance. A mostra inclui debates com cineastas e críticos. Infelizmente para nós, o melhor que já se escreveu sobre o negro no cinema brasileiro está em inglês: Tropical Multiculturalism, do meu amigo Robert Stam.
Conheça melhor a trajetória de Raimundo Pereira, ícone do jornalismo brasileiro e responsável pela reportagem da Carta Capital que detalha como os grandes veículos de comunicação do país não só omitiram a fonte, o que é procedimento corrente no jornalismo, mas mentiram com a fonte no caso do vazamento das fotos que inundaram a mídia na véspera da eleição. Ouça a gravação ou leia a transcrição da conversa do delegado Bruno com repórteres aqui. Das organizações Globo, até agora, alguma palavra?
Saiu o novo Datafolha e Lula abriu vinte pontos sobre Alckmin. Depois de 2 anos sob fogo cerrado na mídia, Lula se aproxima da votação consagradora que teve contra Serra há quatro anos. É o povo se vendendo por um prato de comida, como querem alguns colunistas? Não é bem isso, explica o Alon num de seus melhores posts.
Enquanto isso, a o ódio de classe na Zona Sul mostra suas garras.
No mesmo dia em que reconhece a derrota iminente de seu candidato, Reinaldo Azevedo afirma : Lula termina o segundo mandato? É razoável apostar que não. Tenho as licenças de Vossas Senhorias para chamar isso de golpismo?
Um espectro paira sobre o Observatório da Imprensa: o que aconteceu com o Alberto Dines? Num texto irreconhecível, ele supõe que há "indícios claros" de que a Veja está dizendo a verdade e a Polícia Federal está mentindo. Quais os argumentos apresentados? Nenhum. Leiam o texto de Dines, mas leiam também, com cuidado, a excelente caixa de comentários. Dines é minuciosamente desconstruído por mais de 100 leitores, incrédulos com a mainardização do antigo crítico arguto da mídia. Vale a pena presenciar. Sobre o mesmo episódio, e contrastando com a crença de Dines nas ilações da Veja (sim, ilações, pois não há testemunhas nomeadas, provas, literalmente nada), vejam os textos de Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e Luis Weis.
A grande notícia: depois de ajudar a eleger o novo governador de Sergipe, o Paraíba voltou com tudo.
PS 1, aos amigos: já tenho data de chegada ao Brasil de novo: 10 de dezembro. Pelo jeito, com as coisas nos devidos lugares, Lula reeleito e Galo na Primeira Divisão. Só falta o time chapa-branca cair, aí fica bonito mesmo.
PS2: Houve um debate na TV Cultura entre Mino Carta e Clóvis Rossi. Eu seria capaz de vestir uma camisa do ex-Ipiranga para ter acesso a esse debate. Alguém aí gravou ou sabe se será reprisado?
PS3: A partir de hoje a tolerância com certos termos na caixa de comentários será um pouco mais baixa do que tem sido. Descer o sarrafo nas idéias que eu defendo pode. Insultar e xingar não pode. Confio no bom senso de todos para discernir o limite entre as duas coisas e manter o blog como espaço aberto de debate sem moderação de comentários.
Atualização: Ao falar de CPI da mídia nesse post, eu não me referia à discussão de conteúdo ou "censura" do que entra no jornal ou na novela. Mas acho que a população tem o direito de saber quanto a Globo recebeu da ditadura militar, por exemplo; quanto ela deve ao BNDES; quais foram as barganhas feitas. Mesma coisa no caso do grupo Civita. Não tem nada a ver com censura, e tudo a ver com saber qual tem sido a relação desses conglomerados com o erário público.
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terça-feira, 17 de outubro 2006
Confirmando (ou não) discussão de Jorge Amado no Clube de Leituras

Pois bem, a discussão de Terras do Sem Fim aqui no Clube de Leituras está marcada para a próxima segunda-feira, dia 23 de outubro. Quem está lendo?
A minha situação aqui é a seguinte: ainda não comecei a ler. Esta é a semana em que corrijo trabalhos bimestrais nos cursos de graduação e de pós aqui em Tulane. Também é a semana em que meus orientandos no Ph.D estão preparando seus currículos e cartas para os concursos que começam em dezembro. Ou seja, estou atolado de trabalho. Mas se houver gente suficiente lendo, eu dou um jeito de encaixar a leitura do livro até segunda.
Se não houver gente suficiente lendo, melhor deixar para depois da eleição. O que me dizem? Quem está lendo, quem estaria pronto até segunda e quem estaria disposto a participar se a coisa for adiada, digamos, para o dia 06 de novembro?
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segunda-feira, 16 de outubro 2006
A explícita campanha eleitoral da mídia brasileira
 
Que duas das últimas quatro capas da revista Veja demonstrem claramente que ela está empenhadíssima na campanha de Alckmin não deve surpreender. A Veja há tempos perdeu qualquer respeitabilidade como veículo de comunicação com pretensões à isenção: matérias insultantes, moleques caluniadores assinando colunas, versões fantasiosas dos fatos e grosseira parcialidade na cobertura são o prato de toda semana nessa que é ainda, tristemente, a mais vendida revista semanal brasileira.
Mas do maior jornal brasileiro costumávamos esperar um pouco mais. Sim, é fato sabido que a Folha de São Paulo foi parte integrante do golpismo anti-Jango de 1961 a 1964; também é abundantemente sabido que esse jornal emprestava suas C-14 para recolher torturados durante a ditadura militar; é igualmente de conhecimento público que o Sr. Frias apoiava de forma explícita a mais sinistra opção para a sucessão de Ernesto Geisel, o general linha-dura e delirantemente fascista Sílvio Frota, comandante do Exército; é também sabido que durante os oito anos de FHC a Folha, com raríssimas excessões, abriu mão completamente do papel investigativo da imprensa ante as suspeitas privatizações realizadas pelo tucanato. Tudo isso é fartamente sabido.
Se o seu suplemento literário já há tempos perde de goleada do "Prosa e Verso", do Globo, na cobertura política acostumamo-nos a esperar um mínimo de decência e imparcialidade da Folha. Nesta campanha eleitoral, no entanto, ante a vantagem de Lula e a perspectiva de outra derrota eleitoral dos seus queridos tucanos, a Folha resolveu arregaçar as mangas e entrar na campanha de cabeça. Já não fazem qualquer questão de escondê-lo. A deturpação, parcialidade e manipulação de manchetes estão chegando às raias do que seria de se esperar da Veja.
No caso do dossiê anti-Serra que foi decisivo para a realização do segundo turno, a imprensa brasileira simplesmente omitiu que conseguiu as tão desejadas fotos do dinheiro através de uma mentira de um delegado ("tomem, mas vou mentir aos superiores dizendo que foi vazado da minha escrivaninha; tem que sair no Jornal Nacional, viu?"). Não há defesa de sigilo de fonte que justifique a omissão de que a foto havia sido conseguida através de procedimento criminoso. Josias de Souza, com a desonestidade própria aos que se dedicam a servir os poderosos, acha normal a omissão das circunstâncias em que se conseguiu a foto, normal o esquecimento de qualquer pergunta sobre o conteúdo do dossiê, normal a omissão do fato de que a campanha tucana havia chegado ao local antes da PF. Há que se reconhecer um mérito naquele blog: o blogueiro leva uma surra diária dos seus leitores e continua lá, fazendo sua campanha, incólume. Enquanto isso, lembremos: Soninha continua proibida de falar de política em seu blog. 
As manchetes da Folha nesta última semana parecem saídas do Pravda. Depois da declaração do coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, de que fiizemos alguns reajustes importantes que vão nos dar hoje uma situação mais equilibrada. Não precisaremos dar os pinotes que foram necessários para, entre outras coisas, atender à necessidade do nosso funcionalismo público, a Folha estampou na capa do dia 14: PT vai dar reajuste menor a servidor se vencer a eleição. Esqueceram-se de dizer, claro, que os reajustes dados no governo Lula foram infinitamente superiores aos dos oito anos de FHC. Ante a declaração de campanha do presidente Lula, de que querem privatizar o que resta neste país. Como eles nunca trabalharam, querem vender o que têm, o jornal, no dia 13, escolhia como manchete: Lula insiste em dizer que Alckmin vai privatizar Petrobrás, BB e Caixa.
Prestem especial atenção aos verbos e substantivos que não são de responsabilidade do entrevistado ou da fonte, mas de escolha do jornal: ante a notícia de que a votação de Lula foi de 93% na cidade de Manaquiri (AM), onde 75% das famílias recebem o Bolsa-Família, a Folha estampou, no dia 08, a manchete: Medo é cabo eleitoral de Lula no Amazonas. Não, leitor, você não está delirando. A manchete foi essa mesma. Na discussão sobre a dimensão privatista do programa de Alckmin - sobre o qual, diga-se de passagem, ele ainda não disse nada - a Folha, no mesmo dia 08, estampou a incrivelmente cretina manchete: PT ressuscita chavões de oposição para atacar tucano. "Ressussita chavões?" Desde quando chavão em política é exclusividade de alguém? E desde quando um jornal relata a versão de sua fonte com esses termos grosseiros? O outro lado da mesma notícia? Sim, o outro lado aparece, claro, na manchete Alckmin nega que fará privatizações e reprova petistas. Note-se o óbvio: a versão de Alckmin é dada com palavras dele. A versão do PT é caracterizada na manchete como "ressureição de chavões", numa grotesca paráfrase que poderia ter sido tirada de um panfleto do . . . do . . . próprio Alckmin! É a "imparcialidade" do jornal.
Será que é preciso ter um doutorado em retórica para perceber o que está em jogo aqui? Acredito que não. Acho, inclusive, que o grosso do povão já o percebeu. O sentimento anti-imprensa no Brasil está chegando a níveis comparáveis aos tempos do bordão o povo não é bobo / abaixo a Rede Globo, com que os pobres profissionais da organização eram saudados nos comícios das diretas em 1984, depois que o "jornalista" Roberto Marinho publicou sua carta de louvor à ditadura.
É urgente uma CPI da mídia no Brasil. Quando e se ela acontecer, a última coisa que vou querer ouvir é algum jornalista reclamando, "ai, meu Deus, é censura!"
PS 1. Um melhores blogs do Brasil no momento: Blog do Alon (eu dei pitaco nesse importante post).
PS2: O Kit Básico da Mulher Moderna completa quatro anos de existência! Tim-tim. Um dia eu chego lá :-)
Escrito por Idelber às 03:27 | link para este post
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quinta-feira, 12 de outubro 2006
Um exercício hipotético
imagem: daqui.
Imaginemos que dois pilotos brasileiros, voando em território estadunidense, colidissem com um avião de passageiros norte-americano, provocando um acidente com 154 mortos (obrigado pela correção, Alline). Suponhamos que houvesse crescentes indícios de que voavam na aerovia errada e de que haviam desligado o transponder, além de fortes suspeitas policiais de que se portavam irresponsavelmente na condução da aeronave.
Na improvável hipótese de que estivessem recebendo a assistência jurídica de qualidade que estão recebendo os pilotos americanos Lapore e Paladino no Brasil, e na igualmente improvável hipótese de que estivessem em liberdade num hotel cinco estrelas, haveria alguém, uma alma sequer, acusando as autoridades policiais americanas de "anti-brasilianismo" por haver apreendido seus passaportes enquanto se concluem as investigações? Acredito que não.
Mas assim costuma funcionar com os EUA. Quando a lei internacional é aplicada a eles, não falta algum acéfalo para gritar "anti-americanismo!". Lapore e Paladino são suspeitos de homício culposo cometido na República Federativa do Brasil. Se, e somente se, declarados inocentes depois da investigação, voltam pra casa.
Portanto, it's time to bring them home, vírgula, meu amigo. São objetos de investigação no Brasil e, pelo que consta, estão sendo tratados impecavelmente pelas autoridades. Se inocentados, voltam pra casa, entendeu, amigo? Assim funciona a lei internacional. São aquelas leis que costumavam valer também para os EUA antes de Guantánamo e Abu Ghraib, lembra?
Sobre o imbróglio, quem disse tudo foi Elio Gaspari (link para assinantes). Pode-se imaginar o seguinte: um jatinho de uma empresa brasileira rasga um Boeing de uma empresa americana e derruba-o sobre o Grand Canyon do Colorado. É exagero acreditar que os sete tripulantes e passageiros do Legacy acabarão em Guantánamo. Mas não é exagero garantir que nenhum deles será rapidamente liberado para escrever um artigo e dar entrevistas lançando suspeitas sobre o governo americano.
Eu vos digo, leitores do Biscoito: se tudo no Brasil funcionasse como a Polícia Federal e a Torcida do Galo, já teríamos umas três dúzias de Prêmios Nobel na mochila.
Atualização às 19:55: O blog do Joe Sharkey saiu do ar. Não sei por quê.
Escrito por Idelber às 03:26 | link para este post
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quarta-feira, 11 de outubro 2006
Silviano Santiago: Uma homenagem em seu aniversário
Completou 70 anos no dia 29 de setembro o romancista, ensaísta, poeta e contista Silviano Santiago, uma das mais prolíficas e brilhantes figuras da literatura brasileira. Tê-lo como amigo é dessas honras para as quais faltam palavras. Imagine dezenas de estudiosos reunindo-se num mesmo lugar, vindos de vários países e não tendo em comum nada exceto a gratidão pelo papel que cumpriu alguém em suas vidas. Foi essa a homenagem que recebeu Silviano na Casa de Rui Barbosa na semana passada. É difícil imaginar um mestre mais merecedor da honra.
Na literatura brasileira moderna, talvez só Mário de Andrade tenha produzido, simultaneamente, obras ficcional e crítica tão vastas e de importância tão capital em ambos gêneros. Conhecidos dentro da universidade, seus livros ainda não têm o público amplo que merecem. A injustiça vai, aos poucos, sendo sanada, já que não se trata, de forma nenhuma, de um escritor “acadêmico”. Alguns de seus romances, como Em Liberdade e Stella Manhattan, estão entre o que de melhor se fez na ficção latino-americana das últimas décadas.
Mineiro de Formiga, Silviano passa em Belo Horizonte os primeiros anos de sua formação intelectual. Em 1959 recebe uma bolsa para se especializar em literatura francesa no Rio de Janeiro. Junta-se ao numeroso time de mineiros que transformariam a vida intelectual do Rio de Janeiro ao longo do século XX. Em 1961 conhece o médico Octavio Couto e Silva, que possui um manuscrito de André Gide. Silviano passa seis meses descifrando o manuscrito e publica o resultado dos trabalhos na Revue Annueile du Centred'Etudes Supéríeures de Français. Recebe o primeiro lugar e ganha bolsa do governo francês para doutorar-se na Sorbonne. Em 1962 suspende a redação da tese e parte para os EUA, onde trabalharia como professor. Defende a tese sobre Gide em 1968 e continua o trabalho docente nos EUA, em universidades como Novo México, Rutgers, Stanford e SUNY-Buffalo. Retorna em definitivo ao Rio em 1974.
Ali ele começava, calmamente, a realizar uma revolução na crítica literária brasileira. De 1970 é o artigo Eça, autor de Madame Bovary, que preconizava outra forma de se pensar as relações entre tradições centrais e periféricas. De 1971 é seu artigo mais influente, O entre-lugar do discurso literário latino-americano, que desmontava a antiga primazia da crítica baseada no rastreamento de fontes e influências. Esses artigos – junto com outros, sobre temas absolutamente heréticos para um acadêmico de então, como por exemplo a música de Caetano Veloso – seriam compilados em Uma Literatura nos Trópicos (1978). Para quem quer entender o que é a crítica brasileira das últimas décadas, trata-se de um ponto de partida obrigatório. Em 1976 Silviano organizava, com seus alunos da PUC-RJ, um Glossário de Derrida, uma das primeiras obras publicadas no mundo sobre o ineludível pensador magrebiano. No mesmo ano, publicava um livro sobre Drummond, que ainda permanece como um dos melhores estudos de sua obra.
Paralelamente, Silviano ia compondo sua obra ficcional. Já em 1970 lançara O Banquete, livro de contos insólitos, na contra-mão da literatura “engajada” ou “alegórica” que então dominava o cenário brasileiro. Em 1981 publica a luminosa obra-prima que é Em Liberdade. Na capa do livro, o aviso: “uma ficção de Silviano Santiago.” Na página do título, a mesma ressalva. Mas a partir daí começa uma deliciosa brincadeira, bem séria por sinal: Silviano prefacia o livro com uma “nota do editor” em que avisa ter encontrado um manuscrito de Graciliano Ramos, escrito por ele depois de ser libertado da prisão onde o lançara Getúlio Vargas em 1936 (e cuja experiência seria relatada no clássico Memórias do Cárcere). O “diário de Graciliano” é escrito num estilo que mimetiza o escritor alagoano e traz ásperas reflexões sobre a situação do intelectual no Brasil. Inúmeros leitores – e inclusive alguns críticos – esqueceram-se do aviso da capa e caíram na armadilha de achar que estavam lendo Graciliano. A “brincadeira” jogava o leitor na vertigem dos problemas da assinatura, do estilo, da autoria. Se há alguma obra literária contemporânea que penetre mais fundo na reflexão sobre o lugar do escritor brasileiro, eu a desconheço. Leitor deste blog, não morra sem ler essa obra-prima. Depois de devorá-la, você poderá ver se concorda ou não com a análise que dela fiz no capítulo 5 desse livrinho.
Enquanto publicava uma série de ensaios sobre o problema da dependência cultural, depois compilados no livro Vale quanto pesa, Silviano escrevia outro marco do romance brasileiro contemporâneo: Stella Manhattan, uma teia nova-iorquina onde se encontram La Cucharacha, um(a) hilário(a) exilado(a) cubano(a), o Sr. Vianna, vetusto servidor da ditadura militar e drag queen nas horas vagas, Eduardo, funcionário da embaixada durante o dia travestido de “Stella Manhattan” à noite, além de uma série de outros personagens que dão o tom a uma ácida reflexão sobre sexo, poder e perversão numa Nova Iorque latino-americanizada. Imperdível. Em Liberdade é o meu favorito, mas Stella Manhattan é, certamente, o que mais o divertirá, leitor. 
As obras-primas vão se sucedendo: Viagem ao México, romance caudaloso que narra a incursão mexicana do enlouquecido gênio teatral francês Antonin Artaud, em 1936; Uma história de família, curto e denso relato que explora um tema que os mineiros bem conhecem: o fato de ser sob a família nuclear, heterossexual, monogâmica e religiosa que se escondem as perversões mais indizíveis; De Cócoras, outro relato breve e poderoso sobre uma imagem recorrente na ficção de Silviano, a perda precoce da mãe; Keith Jarrett no Blue Note, contos homoeróticos que vão se tecendo como improvisos jazzísticos ao redor de um tema; O falso mentiroso, um exercício de "imaginação pura" a partir do conhecido paradoxo grego do mentiroso (o fato de que a frase "eu minto" é, por definição, impossível e contraditória consigo mesma).
Enquanto Silviano construía seu projeto ficcional, a obra ensaística não parava de dar frutos: Nas malhas da letra (1989) trazia uma série de estudos que transformavam completamente a forma como percebíamos o modernismo, que devia ser lido, insistia Silviano, não mais como modelo mas como construção canônica que limitava e tolhia a chegada dos jovens escritores. As obras mais recentes de Silviano são O cosmopolitismo do pobre, Ora (direis) puxar conversa! e As raízes e o labirinto da América Latina. Ainda encontrou tempo, nos últimos anos, para editar uma coleção de obras clássicas de interpretação da realidade brasileira.
Resumindo, então: imaginem alguém que é o primeiro crítico acadêmico a tratar seriamente a cultura pop; o primeiro crítico literário a desmontar a idéia de que brasileiros e latino-americanos estão condenados a estudar literatura rastreando as fontes e influências localizadas alhures; o primeiro a perceber a importância da desconstrução; o primeiro crítico a produzir obra vasta e capital como ficcionista (ou vice-versa, claro); o primeiro a abrir veredas na sufocante celebração do modernismo como modelo literário; o primeiro a carnavalizar o romance político com travestis e drag queens e fazê-lo refletir sobre a sexualidade como tema político; o primeiro a tecer uma consistente poética homoerótica na ficção; o primeiro a escrever, entre nós, um romance influente utilizando-se, com sucesso, da armadilha da falsa autoria. Last but not least, ele foi o primeiro a gerar, no Brasil, uma vasta família de doutores em literatura unidos no afeto pelo seu exemplo.
Esse é Silviano Santiago, meu amigo e mestre, que fez 70. Que viva mais 70. Evoé.
Escrito por Idelber às 03:45 | link para este post
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segunda-feira, 09 de outubro 2006
Ana Maria Gonçalves na Globo News
A Ana deu uma super entrevista para o programa Espaço Aberto, da Globo News, falando da obra-prima que é Um Defeito de Cor. Edney Silvestre, o entrevistador, fez um belíssimo trabalho de preparação prévia: informou-se, leu o livro, perguntou o essencial, deu o espaço para que a entrevistada brilhasse. Vale a pena ver a entrevista.
PS: E na passagem pelo Rio, ficamos conhecendo a nossa blogueira-cientista mor, Lucia Malla, uma das pessoas que mais admiro e de quem mais gosto na blogosfera. A memorável botecada também contou com as minhas já amigas queridas, as Duas Fridas, o Brunão, minha amiga Renata e Viva. Tem relato e fotos lá na Lucia.
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domingo, 08 de outubro 2006
Da antropologia dos aeroportos
Um doce, uma camisa do Glorioso ou as obras completas de Guimarães Rosa para o primeiro que me der uma resposta convincente para a seguinte pergunta, que me atormenta há vinte anos: por que os brasileiros são os únicos do mundo a amontoarem-se, em pé, diante do portão de um avião, 20 minutos antes do embarque, mesmo sabendo que há dezenas de cadeiras disponíveis no saguão e que a companhia os embarcará por ordem de assento?
Por quê?
Garanto-lhes que há uma maneira bem fácil de reconhecer, em qualquer aeroporto do mundo, se o vôo é para o Brasil: observe se há uma amontoeira de gente em pé na porta. Ninguém mais faz isso.
Alguém me explique? Confesso que é a única hora em que sinto um pouquinho de vergonha de ser brasileiro.
PS: O blog volta ao ritmo normal amanhã, segunda-feira, quando chego de volta aos EUA.
Escrito por Idelber às 10:20 | link para este post
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sexta-feira, 06 de outubro 2006
Post com pedido de notícias
Acho que já avisei aqui, mas em todo caso: este blogueiro se encontra no Rio de Janeiro, participando desde segunda-feira de um evento acadêmico organizado pela Casa de Rui Barbosa em homenagem aos 70 anos de Silviano Santiago. Em vinte anos de carreira acadêmica, nunca vi coisa igual: os trabalhos começam às 9 da manhã e vão até as 9 da noite. Doze horas de labuta, diária.
Resultado: faz cinco dias que não leio jornais. Não sei de nada. No post anterior há belas conversas que acompanhei, mal e porcamente, mas das quais não pude participar.
Pedidos encarecidos: Contem-me o que anda acontecendo. Como anda a cobertura da imprensa do segundo turno? Meu caro leitor Cesar me diz que o tom da cobertura do segundo turno está bem diferente do primeiro. Meu também caro leitor Frank me diz que a Veja chegou ao cúmulo de falar dos lados `positivos´ do governo Lula. Ficaram loucos? Contem-me por favor se o Brasil ainda está no mesmo lugar depois destes cinco dias em que ando enfurnado na casa em que morou Rui Barbosa. Sei que consegui eleger minha candidata a deputada federal e não consegui eleger meu estadual. De resto não sei nada.
Contem tudo aí, por favor, e em grata retribuição eu prometo um post legal antes da minha viagem de volta aos EUA, no domingo. Abraços do blogueiro que anda dormindo 3 horas por noite,
Escrito por Idelber às 02:20 | link para este post
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domingo, 01 de outubro 2006
A angústia do batedor na hora do pênalti
Há um clima de euforia na imprensa. Na Folha de hoje, Eliane Castanhêde anuncia, jubilante: “segundo turno à vista”! O mais provável é que, sim, o percentual de votos de Lula esteja em curva descendente, depois de semanas de bombardeios ao PT pelo episódio da compra do dossiê. A reta final da campanha de Lula não poderia ter sido mais repleta de trapalhadas: depois de ver a “central de inteligência” colocar em risco o certo (a eleição nacional) em nome do improvável (uma virada em São Paulo), Lula escolheu a forma mais desastrada de não ir ao debate. Fez com que auxiliares plantassem o boato de uma possível ida, obrigou a Globo a esperar até o último minuto e só aos 44 do segundo tempo avisou que não ia. O desgaste foi maior que o necessário. Claro que as fotos do dinheiro da compra do dossiê - cuja origem ainda não está esclarecida - foram o grande prato da mídia no fim de semana.
Mesmo que o episódio do dossiê não tenha custado a Lula a eleição, foi uma ducha de água fria na militância, que começava timidamente a voltar às ruas. Em estados importantes como o Rio Grande do Sul, Pernambuco e Pará, onde a perspectiva do PT disputar o segundo turno era real, a tendência sofreu um refluxo. A luta interna dentro do partido deve se reacender, com a crescente revolta de muitos filiados de todo o país contra o setor mais aparelhista, eleitoreiro e inescrupuloso cujo centro se encontra em São Paulo. A tendência de distanciamento entre Lula e o PT, que já era nítida, deve se acentuar no caso de um segundo mandato – com conseqüente diminuição do espaço do partido no governo.
O terço do Senado que será renovado hoje traz perfil bem conservador, com exceções como Eduardo Suplicy (PT-SP), possivelmente Jandira Feghali (PC do B-RJ), José Eduardo Dutra (PT-SE) e quem sabe - alegria das alegrias para este blog, caso ocorra – Cristina Almeida (PSB-AP). Com seu partido abalado, sofrendo bombardeio de parte significativa da imprensa e vendo a oposição ouriçada, Lula terá que costurar o seu segundo mandato com mais eficácia e habilidade do que demonstrou na última semana de campanha.
PS: Para não dizer que não dei minha declaração de voto completa, aí vai:
Presidente: Lula
Governador: Nilmário Miranda - 13 (PT)
Senadora: Maria da Consolação - 500 (PSOL)
Deputada Federal: Jô Moraes - 6565 (PC do B)
Deputado Estadual: Ricardo Duarte - 13013 (PT)
PS 2: Belo post da Kellen sobre a diferença entre um programa de assistência baseado na solidariedade particular e um programa centrado no direito.
PS 3: Na medida que forem sendo divulgados os resultados, fiquem à vontade para debatê-los, com um olho muito especial para o Amapá, por favor.
Atualizaçao, I: Imperdível texto da pesquisadora Ivana Bentes (UFRJ), convidada a escrever no Caderno Mais! da Folha de hoje e logo depois convenientemente "desconvidada" pelo jornal quando apresentou o seu texto (obrigado ao leitor Hermes pelo link).
Escrito por Idelber às 04:13 | link para este post
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