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sexta-feira, 20 de outubro 2006

Homer Simpson da TV Globo leva baile dos leitores do Observatório da Imprensa.

homer-1.jpg Nesta quinta-feira, ao tentar responder à reportagem de Raimundo Pereira na Carta Capital, o editor-executivo da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel – sim, aquele que escreve livro para negar a existência do racismo no Brasil – levou uma das maiores lavadas que já vi alguém levar na história da internet brasileira. O episódio já é, em si, um marco desta campanha eleitoral e mostra a força democratizadora do “jornalismo cidadão” feito na internet por gente como Mino Carta, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Luis Weis.

A reportagem da Carta Capital demonstrou como o jornalismo da Globo foi cúmplice do delegado Bruno – que fotografou, na véspera da eleição, o dinheiro apreendido com petistas quase duas semanas antes, para depois pedir divulgação no Jornal Nacional e exigir mentira dos veículos para explicar aos seus superiores o vazamento (além de cometer várias outras ilicitudes, como implicitamente confessar que o fazia por motivos políticos). As fotos do dinheiro que talvez pudesse ter origem ilícita e poderia ter sido usado para comprar um dossiê contra José Serra que talvez não contivesse nada de grave contra o tucano (contaram os condicionais?) receberam, nos dois Jornais Nacionais imediatamente anteriores à eleição, cobertura ampla, histérica e raivosa que excedeu inclusive o tempo dedicado a um dos piores acidentes aéreos da história do Brasil, em que mais de uma centena de famílias haviam sofrido perdas. Isso no sábado, porque na sexta-feira o JN curiosamente ainda não sabia que o avião da Gol havia caído. O Sr. Ali Kamel sofisma, faz traça da inteligência de seu leitor e não oferece explicação satisfatória para o fato de que a CNN e o New York Times noticiaram a queda do avião da Gol horas antes da TV Globo. Essas horas são cruciais, claro, porque entre aquelas foi exibido o Jornal Nacional com a farra das fotos. Na reportagem em que detalhou como a Globo omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê, Raimundo Pereira incluiu as dez perguntas que havia encaminhado ao responsável pela Central Globo de Jornalismo. O Sr. Ali Kamel não respondeu nenhuma das dez perguntas feitas pelo jornalista Raimundo Pereira quando da confecção da reportagem.

Seis dias depois da ampla circulação da reportagem da Carta Capital e de sua repercussão na internet, o Sr. Ali Kamel veio ao Observatório da Imprensa tentar se explicar. A reportagem da Carta Capital havia perguntado porque o JN não destacara um repórter para a investigação das relações entre Barjas Negri e Abel Pereira em Piracicaba. Perguntava porque a Globo omitiu o conteúdo da conversa que atestava participação na ilegalidade cometida pelo delegado Bruno. Perguntava porque a Globo adotou critérios diferentes para divulgar as fotos (obtidas ilegalmente) na véspera da eleição e não divulgar o dossiê de Cuiabá sob a alegação de que o material estava sob suspeita. Perguntava várias outras coisas. Quantas dessas perguntas o Sr. Ali Kamel responde no seu longo arrazoado de enrolações produzido seis dias depois da publicação da CC? Nenhuma. globo.jpg

Para tentar defender a si e ao Jornalismo da Globo, Ali Kamel escreveu um texto que se enrola em contradições, longas citações fora de assunto, omissões de explicação para fatos já sabidos, meias-verdades, clichês desprovidos de credibilidade e todo um sem-fim de fraquíssimos truques retóricos para evitar responder claramente o perguntado. Como exercício de argumentação num hipotético curso de graduação em retórica, o texto de Kamel mereceria nota não maior que D até mesmo na Faculdade de Conceição do Mato Dentro.

O artigo de Kamel tenta fazer-nos crer que o acidente da Gol já não era fato sabido às 20:30 de sexta-feira, e sua mentira é desmascarada por vários leitores que testemunham terem lido sobre o acidente antes do JN (em vários outros veículos, como a CNN e o Terra) e terem ligado a televisão na Globo com a esperança – a certeza – de que o JN o noticiaria. Leva o primeiro tombo ali. Também tenta desqualificar as 10 perguntas apresentadas por Raimundo Pereira usando um velho truque retórico: simplesmente ignora 8 delas e toma 2, jogando uma contra a outra como se elas fossem contraditórias entre si. Não são. Elas perguntam coisas diferentes sobre a não-cobertura das atividades de Abel Pereira. É pego na mentira uma segunda vez. Escreve como se a frase Tem de sair hoje à noite na TV. Tem de sair no Jornal Nacional, dita pelo delegado Bruno, tivesse sido editada pela Carta Capital. Não foi. Pego na mentira a terceira vez. No final coloca um PS dizendo que Cópias da fita com a conversa gravada entre o delegado e os repórteres, divulgadas por alguns sites, estranhamente têm uma qualidade sofrível. Duas horas depois ele é pego na mentira pelo próprio site da Globo que, diante da pressão criada na internet, coloca no ar a gravação da conversa – pelo menos quatro dias depois da sua divulgação em outros blogs, como o de Paulo Henrique Amorim - ironicamente desautorizando seu chefe de jornalismo com o título Leia e ouça, com nitidez e na íntegra, conversa do delegado do caso dossiê com repórteres. Kamel também é contradito outras vezes, como quando afirma que esses diálogos mostram claramente que CartaCapital se baseou numa edição parcial das frases do delegado. Os leitores do Observatório demonstram repetidas vezes, de diferentes formas, como é Kamel que está omitindo o fundamental: a motivação política, vingativa e a atitude ilegal do delegado Bruno com a cumplicidade da direção de jornalismo da Globo, que recebeu a fita não depois do dia 29 de setembro e agiu como se não a tivesse recebido.

Enquanto que as inverdades são muitas, as meias-verdades não são menos numerosas: Kamel repete duas vezes no seu texto que o delegado Bruno, ao vazar as fotos, conversara com quatro repórteres, “nenhum deles da TV Globo”, sem dizer que uma delas era do jornal O Globo, sem dizer que além disso um repórter do JN é explicitamente mencionado na conversa,sem dizer que o material é prometido a ele e sem dizer que o jornalismo da TV Globo sim recebe a gravação não depois de 29 de setembro e decide acobertar a mentira que ali está. Esqueceu de dizer isso tudo? Ora, ora, quem está trabalhando com uma edição parcial das frases do delegado?

Depois de umas poucas horas no site do Observatório, o texto de Kamel já havia sido esmigalhado, minuciosamente desmontado, desconstruído, depenado por 90% - sim, pelo menos 90% - dos 286 leitores que lá haviam escrito até a madrugada de hoje. Os leitores não puderam senão recordar, claro, a sujíssima história da TV Globo em episódios como o quase-roubo da eleição estadual de 1982 das mãos de Brizola (em conluio com o Proconsult) e a edição do debate Collor / Lula em 1989. Este episódio das fotos ilegais para atingir Lula e a posterior – posterior em seis dias – “explicação” de Kamel demonstra que a TV Globo vai além de ter na chefia do maior telejornal do país alguém que pensa em seu tele-espectador como um “Homer Simpson”. Demonstra também que o chefe de jornalismo da Globo ainda não conseguiu diferenciar os leitores de um site como o Observatório da Imprensa dos seus Homers imaginários. Demonstra que o Sr. Ali Kamel ainda não aprendeu o básico do básico sobre o jornalismo político dos nossos tempos: que na era da internet, o buraco é mais embaixo. Tudo indica que pagará caro em perda de credibilidade por achar que o Observatório da Imprensa era o sofá de Homer Simpson.



  Escrito por Idelber às 05:27 | link para este post | Comentários (110)


Comentários

#1

Bem, o que esperar que alguém que nega, por definição, o racismo no Brasil e que defende que a Globo não escondeu a notícia das manifestações pelas "Diretas Já"?

Mas, de fundo, não vejo a gravidade do episódio. O dinheiro existe, sua origem é ilícita e a não divulgação das fotos é fruto de intervenção indevida do PT na PF. E, bobo é o povo que se impressiona tanto com foto de dinehiro.

andre lopes em outubro 20, 2006 8:26 AM


#2

Simplesmente perfeita sua análise!

João Evaristo em outubro 20, 2006 8:50 AM


#3

Idelber, você foi brilhante. Concordo 100%.

Como acréscimo, é bom observar que o Fernando Rodrigues, em seu blog no UOL, também divulgou a maior parte da "resposta" do Kamel, mas sem ter nem sequer citado anteriormente a reportagem da Carta Capital.

Resultado: também está levando uma sova homérica (cerca de 9 pra 1) dos comentaristas.

Aliás, um dos comentários cita um fato singular: a Globo News já saberia do acidente da Gol desde às 19:00h, mas foi impedida de noticiar antes da Rede Globo.

Que lindo ...

Luiz em outubro 20, 2006 10:05 AM


#4

Esse país passa por sua maior crise. Não há projeto de país. Um bando de grupos iguais lutando pelo butim. Uma vez um tal de Dirceu falou para todos: "A Globo é nossa, a Veja é tucana". Hoje a Globo e a Veja são tucanas. A Carta Capital de acordo com o novo coordenador de campanha de Lula é "nossa".

Tudo mais do mesmo. Os tucanos e petistas são idênticos nos Modis Operandi. Se as fotos do dinheiro não foram divulgadas de pronto, porque o conteúdo do dossiê foi? Se a DASLU e a Schin foram invadidas por conta de sonegação, porque a sede do PT não foi?

Essa é a luta de dois grupos políticos, iguais em suas doutrinas e métodos, lutando pela mesma coisa. Poder, dinheiro. Uns são do "povo" outro da "elite". Mas tanto o povo quanto a elite se misturam numa massa de manobra. É bobo quem acredita que qualquer um desses lados pensa no Brasil, é só analisar seus programas de governo (sic). Não tem nada. Pura retórica. Navegam de acordo com suas vontades de permanência de poder.

O que falar da junção PSDB-PFL? O que falar de Lula quando diz que Delfin Neto não foi eleito porque foi "perseguido pelas elites"?

O que falar sobre os gritos de "golpe" do PT enquanto eles mesmos tramam incitam o golpe a possibilidade de perderem o registro partidário e consequentemente o poder?

É tudo mais do mesmo. Salvam-se alguns, é verdade, mas esses estão se cansando.

Tá na hora de pessoas começarem a parar de pensar apenas em sua ideologia mofada em décadas, e começar e encarar a realidade do mundo. Não se enganem o nascedouro do PT é o mesmo do PSDB. Mesmíssimo.

Infelizmente cometemos SEMPRE os MESMOS erros, as mesmas burrices, as mesmas fórmulas que vemos fracassar há décadas não só no Brasil, mas no mundo, enquanto outros países encontram soluções próprias mas nunca se descolando da realidade.

Pensam MACRO e aplicam MICRO.

Só que aqui tudo virou Fla-Flu.

E as pessoas que se f*****. Eleições vão passar, essas mesmas pessoas continuaram a mamar nas tetas do Estado. TODAS elas. Estado esse que NÓS sustentamos que deveria trabalhar para NÓS e não o contrário.

Antônio Gramsci sorri no inferno.

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 10:12 AM


#5

Post absurdo! O desaparecimento do avião começou a ser divulgado na Internet no meio do horário Jornal Nacional. Cadê o tal critério jornalístico ?

É o mesmo que elogia o Mino Carta e o Paulo Henrique Amorim (que vinculam notícias 100% pró-Lula) ? Por favor, tirem o Luis Nassif do meio desta gangue !

Paulo em outubro 20, 2006 10:27 AM


#6

Excelente análise, especialmente por elencar os argumentos de Ali, e mostrar como são falaciosos.

Que os blogs possam ultrapassar essa grande barreira da informação para a maioria da população. Pois não imagino que questão tão séria seja abordada com a devida honestidade nos canais maiores da mídia...

catatau em outubro 20, 2006 10:56 AM


#7

Caro Idelber

Bacana o seu texto. Mas o fato é que a TV Globo foi criada para o entretenimento.

A televisão brasileira tem pouca tradição no JORNALISMO (APESAR DE TER SOB CONTRATO VÁRIOS JORNALISTAS), anteriormente ao golpe havia jornalismo de verdade no 'Jornal de Vanguarda', que andou por várias emissoras, inclusive pela Globo. Como só acontece em nosso país há pouquíssimos registros de imagens deste programa. Em tempos mais recentes é a TV Bandeirantes (atualmente BAND) que trabalha com o que poderíamos chamar de jornalismo.

E FOI NA TV BANDEIRANTES QUE SURGIU A PRIMEIRA NOTÍCIA DO DESASTRE DO LEGACY. A BAND entrou às 8:30 da sexta-feira com a notícia do desastre aéreo sobre Mato Grosso. Talvez uns cinco minutos depois a mesma matéria entrou no ar pela TV Record. A TV Globo manteve-se na transmissão da novela.

A Bandeirantes resolveu interromper um filme banal que passava naquele momento. Aquela sexta-feira era um dia de transição na chamada grade das emissoras de TV pois o chamado PROGRAMA ELEITORAL GRATUITO tinha se encerrado e as TVs BAND e RECORD estavam com suas programações desestruturadas. A Globo voltou a seqüência de programas anterior a campanha eleitoral.

Logo após o JORNAL DA BAND, um filme do Mr. Bean (que passava na BAND pela milionésima vez) foi interrompido e Ricardo Boechat (atual apresentador do JORNAL DA BAND) apareceu na telinha falando do acidente. Pouca imagens, informações repetidas, mas era nesta mídia em que um grande número de brasileiros tomavam conhecimento.

E a BAND logo conseguiu colocar no ar áudio com o ministro da DEFESA, Waldir Pires. Os entrevistadores da BAND faziam mais perguntas ao ministro, possivelmente para impedir que o ministro ao deixar a BAND e passasse a ser entrevistado pela TV Record. E ambas as emissoras usaram a cobertura sobre o acidente como ponte até o momento que se retornasse a grade “normal”. No caso da BAND a cobertura foi levada até o momento em que começava o horário, já previamente vendido a terceiros, o programa Show da Fé.

Como a TV Globo não é uma emissora (e uma rede) voltada para o jornalismo, permaneceu na novela. A televisão brasileira tem repórteres, editores, comentaristas, camera-men, mas RARAMENTE TEM JORNALISMO. A TV tem uma coisa muito parecida com jornalismo, mas é apenas uma apresentação “high tech” de notícias E OUTRAS COISAS PARECIDAS COM NOTÍCIAS. Saudações cariocas.

Paulo em outubro 20, 2006 11:31 AM


#8

Interessante que esse sujeito Ali Kamel esteja no centro de tal trapalhada. Quanto ao resto, concordo com o André Lopes lá em cima, nada de surpreendente. Daqui a pouco passa a histeria e todo mundo esquece os malvados da Globo, do O Globo e da Veja, é só algum Diogo Mainardi ou outro Bozó pedir uma entrevista ou oferecer a publicação da foto de algum dos críticos ferrenhos em alguma coluna social mantida pela Globo, Veja e O Globo, que vai chover posts com notinhas, links e elogios a esses veículos de comunicação sensacionais, afinal hoje em dia tudo se compra e se vende por 2 minutos de suposta celebridade...

Ana Lucia em outubro 20, 2006 11:47 AM


#9

Como docente da cadeira de retórica da Universidade de Conceição do Mato Dentro, venho manifestar minha discordância da visão de nossa instituição apresentada neste blog.

Eurico Gomes em outubro 20, 2006 12:01 PM


#10

amigos
vcs não acham q estão passando do limite do razoável?
como diria o comunista aldo rebelo, "pelo amor de deus, pessoal"...
é tanta besteira sendo escrita para defender um inacreditável ato de corrupção do governo do sr luis inácio...
de onde veio o dinheiro, gente?
se isso acontecesse num governo com o pt na oposição o brasil estaria em chamas, a imprensa já teria mostrado de onde veio a grana e o diabo a quatro.
eu assisto a globo e é um festival de publicidade do governo. a tela quente é patrocinada pela caixa economica e o logotipo da caixa está quando o filme volta depois do intervalo. e nos intervalos tome petrobrás, tome banco do brasil. e vem vcs dizer q a globo é contra lula?? Tudo bem é dinheiro de publicidade e a globo não vai recusar, mas será q o governo lula TEM CORAGEM E COJONES MESMO para apertar o garrote da globo e não bancar publicidade para ela?? DUVIDO!!!
pelo q estou acompanhando aqui o q vcs querem mesmo é pautar a imprensa.
vcs q comentam, o idelber e o rafael galvão no blog dele escrevem o que quer e não medem palavras para esculhambar o psdb (e tem todo o direito de fazer isso) por outro lado, não vejo um pingo de indignidade de todos vcs a respeito da censura a opinião de arnaldo jabor e do magnolli. eu sei q vcs virão com 1,75 milhões de explicações para dizer q eles burlaram a lei eleitoral mas esta lei não pode ser usada para censurar uma opinião de um cidadão ou de um comentarista.
se for assim vamos censurar o veríssimo q faz uma descarada campanha aberta pra lula nas suas cronicas, o joão ubaldo esculhamba com lula nas dele e por aí vai.
um dos fatos mais importantes dos últimos dias é a censura q o pt está querendo impor à liberdade de expressão.
agora é jabor e o magnolli. E sei q vcs estão adorando isso. e quem será censurado amanhã?
cade a indignação de vcs perante a censura? ou vcs querem q só os q apoiam lula tenham voz?
abre o olho, companheirada....

adauto miranda em outubro 20, 2006 12:20 PM


#11

Idelber,

Eu acho ótimo que os leitores possam desconstruir o Ali Kamel e suas meias-verdades. Mas se é pa desconstruir, por uma questão de coerência e princípio, a gente tem que desconstruir o cenário inteiro.

Por que, mesmo sendo procedimento padrão da Polícia Federal, as fotos não foram mostradas assim que foram apreendidas, quando ainda não havia sido instalado inquérito e o mesmo não corria sob sigilo? Por que nos últimos duzentos casos (levantamento feio pela Federação Nacional dos Policiais Federais) o dinheiro era mostrado, e só nesse não foi? Se a exposição do dinheiro prejudicava a Lula, a quebra dessa prática padrão de divulgar as fotos com dinheiro apreendido, ajudava a quem?

Acho que a gente pode até discutir se é certo mostrar pessoas entrando algemadas no camburão da PF (antes de elas serem julgadas), se é certo ou não mostrar o dinheiro de cuecões, de pastores da Universal (antes dessas pessoas serem julgadas), mas o que não é correto é mudar uma prática só porque ela irá atingir a Presidência da República. Isso não é algo que uma instituição tão republicana como a PF possa fazer. Ou faz com todo mundo ou não faz com ninguém.

A meu ver, esse é um escândalo tão grande quanto o do delegado Bruno.

Se é pra desconstruir, vamos desconstruir tudo.

Um abraço!

Cesar em outubro 20, 2006 1:50 PM


#12

Você pretende ler o livro do Kamel?
O jornal da Band vai ao ar por volta das 19:20 hs e deu a notícia do desaparecimento do avião da Gol, só não sei dizer a que hora exata. Realmente essa de que às 20:30 hs não tinham certeza do desaparecimento para dar a notícia no JN não colou. Por essa e outras que deixei de assistir ao JN.

Te em outubro 20, 2006 2:05 PM


#13

Caro Idelber,

Um amigo meu disse que "a Carta Capital salvou o Brasil" com esta reportagem. E este seu blog, penso eu, tem contribuido bastante para esta salvação. De minha parte, tenho encaminhado seus posts a toda minha lista de endereços de e-mail. Acredito que esta é uma estratégia útil para não depositar novamente a nação nas mãos daqueles comerciantes tucanos.
Um abraço,

Beto

Beto em outubro 20, 2006 2:05 PM


#14

o debate aqui no blog está muito interessante. parabens ao idelber.

mas cesar, aí é que está o problema.
o idelber apoia o lula até a última gota do último e mais escabroso escandalo que possa surgir no governo do PT. o cara é um lulo-petista fundamentalista. fazer o que?
será que na época do fernando collor, o idelber agia assim tão em prol da república?
será q idelber dizia, à época de collor, que todo aquele movimento pelo impeacgment era golpismo?
seria bom saber.
é fácil acusar os outros de parcial olhando para o espelho...

guilherme em outubro 20, 2006 2:09 PM


#15

Caro adauto,
Ao menos que você se refira àlgum novo fato desconhecido que só você saiba de minha parte nunca defendi atos de corrupção. Nem do Lula nem de efeagace nem do Alckmin e nem de ninguém!

Quanto ao dinheiro, tenho quase certeza que ele veio da casa da moeda brasileira que é de onde vem todo dinheiro que circula no país.

'Isso' aconteceu no governo PSDB - emenda para reeleição, privatizações, Marka/FonteCindam, entre tantos outros- e não houve incêndio. Mas garanto que houve empenho do PT sim em denunciar, mas a grande mídia não mostrou e quando mostrou nada foi apurado pela então situação, hoje oposição.

O que ocorre atualmente no país com relação a corrupção reforça a idéia de que quando há corrupção, agora existe apuração e punição. Você pode argumentar que houve resistência do governo em apurar e que foi a oposição que levou as denúncias à CPIs. Mas esta ação da oposição leva a pensar nas verdadeiras intenções atuais da oposição que não tiveram o mesmo 'empenho' nos casos acima citados do governo anterior.

Quanto a 'usar a lei para censurar' o próprio fato do joão ubaldo 'esculhambar com lula', e não é exclusividade dele, refuta sua afirmação.

O que o PT parte da mídia e as pessoas de bom censo querem é que não exista sensura a ninguém.

Voz para todos e não só a voz dos donos. Não é bom vir aqui neste blog e deixar seu comentário?

frank de morais em outubro 20, 2006 2:24 PM


#16

Em que a cobertura da queda do Boeing atrapalharia as supostas intenções da Globo de atacar o PT?

Não estou dizendo que ela não atacou (nem que atacou). Podemos discutir a maneira como a Globo fez a divulgação da foto e/ou a omissão do áudio, e se o procedimento foi ou não foi ético.

Mas sugerir que ela deliberadamente ignorou uma notícia espetacular - que é afinal a matéria-prima dos produtos que ela vende - , só para "concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante", me parece um pouco de exagero, é imputar à gigante global um amadorismo improvável no contexto.

A emissora poderia muito bem ter noticiado o acidente e ainda assim ter dado o destaque e o enfoque que bem entendesse no caso do dossiê. Como aliás fizeram a Folha e o Estadão, que deram espaço na primeira página para ambas as notícias, segundo a própria Carta Capital.

A Globo teria assim garantido seus dois objetivos, o declarado (audiência), e o escuso (prejudicar o PT).

Tabac em outubro 20, 2006 2:30 PM


#17

frank
suas explicações não me convencem nem um pouco. não sou criança. não sou universotário esquerdista que acredita em papai noel fantasiado de karl marx.
o q está ocorrendo é q o país está num infinito poço de corrupção. isso é notório. se vc não gosta pq a midia fala disso, aí é um problema partidário seu
e eu respeito. mas chega com essa sua empostação de pessoa séria. se o dinheiro veio da casa damoeda brasileira, quem garante tambem q ele não tenha vindo da casa da mãe joana dos que apoiam lulla?
por muito menos o collor caiu, frank. sejamos corretos.
e se o collor caiu por tão pouco frente ao q lulla está fazendo em termos de corupção, pq o lulla não cai?????
q porra de paiseco é esse?????

adauto miranda em outubro 20, 2006 2:35 PM


#18

Estou achando isso tudo hilário...

Fato 1. Partidários do PT são pegos pela PF com a boca na butija. Com dinheiro ilegal (palavra de Biscaia) para compra de informações a serem utilizadas em capanha. Ato ilegal de acordo com a lei.

Fato 2. A PF permite que sejam divulgadas fotos do conteúdo do dossiê e do próprio dossiê, mas não do dinheiro apreendido.

NÃO FATO 2.1 O dossiê apresentado é notícia velha. O que não é fato, é que surgem na mídia estratos bancários contendo movimentação suspeita do PSDB.
CONJECTURA MINHA Logo depois disso um diretor do Banco do Brasil cai. A suspeita de quebra de sigilo bancário aparece. Os estratos somem, nenhum petista mais fala nele. Foram esquecidos.

Fato 3. Um delegado CRIMINOSO da PF (é criminoso sim! Deveria ter sido expulso) cria uma falsa história e motivado por motivos políticos tira foto do dinheiro e combina uma mentira para jornais ao apresentar as fotos.

RESULTADO

Partidários do PSDB - Querem que a origem do dinheiro apareça. Pouco lhes importa que o delegado agiu de maneira errada e criminosa ou por motivos políticos. Morrem de medo que a investigação atinja seus quadros.

Partidários do PT - Querem desviar o foco. Estão doidos para, como dizia o Dr. Ulisses, criar fato novo para que parem de falar sobre a origem do dinheiro. O alvo agora é a atuação desastrosa da Globo e Veja. O que não deixa de ser mentira. Porém o fato permanece: a origem ilícita do dinheiro e o fato criminoso de seus partidários. Estão apostando na grande votação para escapar de uma possível (porém não provável) impugnação de Lula.

CONCLUSÃO
Ambos são patéticos. Uns quebram leis por motivos políticos, cada um a seu jeito. Rasgam leis como se fosse papel higiênico. Outros quebram porque já se acostumaram a quebrar, e como ninguém está preso ainda, tanto faz um dinheirinho ilegal daqui ou dali.

Querem que eu acredite que Berzoini a ser avisado por dois funcionários seus que iriam conversar com jornalistas de uma grande revista não perguntou QUAL O ASSUNTO? Que não sabia de NADA do dossiê? Que esses dois funcionários teriam a capacidade de levantar mais de um milhão de reais por sí só?

Vão querer que eu acredite que o delegado da PF não tem NENHUM contato com tucanos? Ou tem um desejo enorme de virar uma Darlene e ter seus 15 minutos de fama, ou a possibilidade de ter recebido um "por fora" é muito grande.

Querem que eu acredite que Thomaz "Recursos Não Contabilizados" não atua fortemente para que a PF atrase as investigações?

Querem que eu acredite que a PF é insenta?

E nem é culpa do PT. Não é insenta porque qualquer força policial controlada por políticos nunca será insenta. Principalmente num país em que a transparência é zero.

Na minha opinião, ambos os partidos deveriam sofrer sansões. Estão abusando de cometer crimes.

A coisa toda tá num nível que o escândalo próximo serve para apagar o anterior. Então o que aconteceu é esquecido. Perdoado. Até por pessoas de bem, inteligentes, que por causa de um Fla-Flu em que ambos os times apresentam o mesmo esquema tático, se esquecem que quem perde é o Brasil.

Desculpem o longo desabafo.

[]´s

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:00 PM


#19

Alguns comentários sobre essa história toda:

-Quando eu li a réplica de Ali Kamel, achei bem escrita e cheia de argumentos. Pensei:"xi, vai ser difícil rebater isso aqui, ir atrás de todos esses horários e debulhar a gravação do delegado prá conferir tudo". E se fosse tudo OK, então, só restaria olhar feio para a Carta Capital. Mas no meio do texto me dei conta de uma coisa. Embora longa e cheia de detalhes, a tese da réplica é simples: a notícia do avião não foi ao ar porque a redação achava que a história não estava completa e precisavam de mais dados. Correto, creio que é o que se deva fazer. Aí vem o detalhinho, que derruba todo o castelo de cartas armado por Kamel. Se tivessem tido o mesmo cuidado com a história das fotos das notas, ela só teria ido ao ar no dia seguinte, ou até depois. O próprio Kamel diz que só ficou sabendo da gravação do delegado no dia seguinte. Quer dizer: mandaram pro ar uma história mal-contada e pela metade, com um monte de coisas importantes (por exemplo: a motivação do delegado era política? Por quê ele quis esconder seus passos dessa maneira criminosa?) por esclarecer. Por que tiveram tanto cuidado em apurar a história da GOL e foram tão precipitados com a história do dossiê?

-O Observatório da Imprensa tá de parabéns, mesmo com textos "esquisitos" do Dines e tudo. Engraçado, a cobertura do Observatório é melhor que a cobertura da imprensa em geral!

-Não gostei da maior parte dos comentários ao texto do Kamel lá no Observatório. Metiam o pau nele, mas a maioria era só uma gritaria de "o povo não é bobo abaixo a rede globo" que além de não rebater nada do ele disse ainda fazia parecer que era tudo um bando de bebê reclamão. Acho que um caso sério desse merece um debate mais embasado. Se não, aparecem os pablos, adautos e similares da vida derramando sua "superioridade" sobre "a esquerda chorona" e os "torcedores de futebol". Porque boa parte do que estava nos comentários lá era gritaria de torcida mesmo, infelizmente.

Daniel em outubro 20, 2006 3:03 PM


#20

caro adalto

Em primeiro lugar não tive a intenção de explicar nada apenas fiz um comentário contrapondo fatos.
Não. Não acredito em papai noel. Ele nasceu da barriga do capitalismo então o conteúdo de seu chiste é contraditório.
Quando que a corrupção se tornou preocupação para você? Hoje pela manhã?
Fernando Collor? É sujetivo o hiato! Lá se vão 12 anos que impediram o cara e depois teve outro que agia 'no limite da irresposabilidade'.
É isso mesmo adauto 'sejamos corretos.

frank de morais em outubro 20, 2006 3:06 PM


#21

Solicito ao Tribunal Superior Idelberiano o meu direito de resposta já que fui citado pelo texto do Daniel!

Daniel - Sinceramente para mim pouco interessa se a Globo colocou a notícia do delegado ou a que horas foi. Para mim o que fica é o seguinte:

A) Querem sim disvirtuar o foco da origem do dinheiro. Querm criar fato novo.

B) O ato do Delegado foi criminoso. Da Rede Globo não. Querendo você, ou não, as fotos do dossiê eram furo jornalístico. Se a Globo colocou a que horas, se foi antes ou depois do avião da Gol (acho que nunca imaginaria que iriam utilizar um acidente trágico para tal coisa), se foi por motivos político é problema dela. O crime foi do Delegado.

Como já falei. Se esse país não der uma guinada em direção ao Império das Leis iremos andar em círculos, cometendo os mesmos erros. A impunidade aqui chegou a níveis jamais vistos "na história desse país". E não estou falando apenas do PT.


E só para deixar claro, não votei em Alkimim, votei no Buarque.
Estou sofrendo um monte porque terei que escolher entre dois malas, entre duas pessoas que para mim representam todo o atraso latino-americano. E o que está acontecendo só prova que estou certo.

O PT e o PSDB se merecem...

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:13 PM


#22

Pablo,

Sobre a história do Thomas Bastos atuando na PF leia a entrevista da Caros Amigos - do segundo turno na capa - com um agente da PF, que fala sobre isso e sobre outras coisas. E antes de desprezar dizendo que é uma revista "petista" ou "lulista" leia o artigo de José Arbex na mesma edição. Além do quê, se o ministro influísse tanto não tinha deixado os caras prenderem os tresloucados.

E a atuação desastrosa da Globo ou da Veja não é fato novo sendo criado agora. Eles estão fazendo merda faz tempo.

Daniel em outubro 20, 2006 3:13 PM


#23

Daniel - Ao afirmar que o Ministro e o governo não influenciam na PF, você acaba de destruir o argumento que no governo PT a PF realmente trabalha quanto no governo tucano tudo era jogado para debaixo do tapete.

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:20 PM


#24

Paulo, a menos que você viva em outro fuso horário, você está errado: o acidente da Gol era conhecido da própria Globo News desde as 19 horas!!!! No meio do Jornal Nacional o acidente já tinha sido noticiado até aqui nos EUA.

Tabac, se você não consegue enxergar nem por que o ocultamento do acidente da Gol facilitava o carnaval das fotos para atacar Lula, então eu desisto. É muita ingenuidade.

Pablo, você já escreveu mais que eu neste post, ok?

guilherme, olhe no seu Aurélio a definição do que é "fundamentalismo" e depois me mostre onde está o "fundamentalismo" aí no post.

Idelber em outubro 20, 2006 3:21 PM


#25

Pablo,

Talvez o Supremo Tribunal julgue improcedente este comentário, segunda réplica antes de sua tréplica, mas vamos lá :)

Não achei que você tivesse votado no Alckmin, posso discordar de tudo que você diz (e geralmente discordo), mas já saquei que você é mais inteligente que isso.

Mas talvez você devesse prestar mais atenção ao papel da imprensa nessa porcaria toda que você descreve. Isso não é questão de ser "esquerda" ou "petista". Se a imprensa é tão tendenciosa como está sendo no Brasil, nos últimos tempos, a própria democracia tem seu funcionamento prejudicado. Independente de espectro político ou ideologia, essa discussão é muito séria. E assim detalhinhos como os que eu estava falando adquirem uma dimensão muito grande.

Abraço,

Daniel em outubro 20, 2006 3:27 PM


#26

Daniel - Muito bom o artigo do José Arbex. Bom mesmo. Concordo com muitas coisas. O texto desse o sarrafo no ponto certo. A mídia brasileira é muito pouco democrática. Esse sistema de concessões é ridículo.

Apesar de ele usar um famoso comunista, o Gramsci, atacar a burguesia, mas ao mesmo tempo elogia os EUA, falar mal da mídia na Venezuela e não sitar o controle que Chavez exerce sobre ela (chega a ficar 5 horas todo o domingo falando até do tamanho da orelha dele, persegue jornalistas a torto e direito)

http://www.anj.org.br/?q=node/155

Apesar de colocar as "invasões" de terra do MST assim mesmo, entre aspas, com o claro motivo de induzir que não existem invasão, fechando os olhos não só para as mesmas, mas também para os sequestros, torturas, destruição de propriedade privada e assassinatos realizados por integrantes do MST.

Mas mesmo assim, com o cerne do artigo, concordo com ele.

Sempre fui contra a concessões. Temos que tirar isso das mãos dos políticos.

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:30 PM


#27

Acho que também vou levar puxão de orelha por escrever demais...

Pablo, não entendi o lance da PF. Polícia Civil trabalhando significa Ministro da Justiça influenciando investigações por motivos políticos? Foi o que eu entendi do seu comentário.

Daniel em outubro 20, 2006 3:31 PM


#28

Estou em total acordo com o daniel.

frank de morais em outubro 20, 2006 3:33 PM


#29

Céus, o Pablo é muito rápido!

Acho que você leu outro texto do Arbex, mas tudo bem, esse é bom também.

Quanto ao Chávez, essas palhaçadas de entrar no meio da programação começaram depois do golpe de 2002. Acho uma atitude de merda, mas tem lá seu histórico e suas razões.

Daniel em outubro 20, 2006 3:35 PM


#30

Fui bomgado... ;-)

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:36 PM


#31

Daniel - Li esse aqui: http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed114/valeapena.asp

Com o título "O Grande Partido da Direita". Não era esse?

Pablo Vilarnovo em outubro 20, 2006 3:38 PM


#32

Não, é um que chama "Adeus a Luizinácio" e não tá no site ainda. Mas já deu prá comprovar o que eu tinha dito de não ser uma revista "lulista", não deu?

Acho que vou parar esse papo com o Pablo por enquanto, estamos fazendo a caixa de comentários do Biscoito virar um balcão de padaria.

Daniel em outubro 20, 2006 3:56 PM


Daniel em outubro 20, 2006 3:58 PM


#34

Não vejo como se comparar o critério de noticiar da TV Globo com a CNN. O que parece TOTALMENTE FORA DE PROPÓSITO é que a 'Globo News' (que pelo nome não se perca) NÃO ter anunciado o fato IMEDIATAMENTE.

E o representante da TV Globo ao responder ao Observatório foi ingênuo. Na medida que 'esticou' a sua resposta acabou se enforcando na própria resposta.

O fato de naquela sexta-feira tanto a BAND como a RECORD terem dado muita exposição ao acidente Legacy x Gol, FOI MERAMENTE CIRCUNSTANCIAL.

Paulo em outubro 20, 2006 4:45 PM


#35

É isso aí,Idelber.Como negro e assinante de O GLOBo, já cansei de enviar cartas à redação, questionando o fato do Sr. Kamel se dedicar a provar com numeros o que a nossa realidade desmente todo dia, mas, compreensivelmente o jornal nunca publica. Agora ele se desmascarou de vez. Suas investidas contra o Bolsa Familia, vão acabar como suas defesas da democracia racial brasileira: caindo no vazio.
Parabens, pelos seus textos.

Geraldo Vida em outubro 20, 2006 5:38 PM


#36

Obrigado. Pois é, Geraldo, acho preocupante ter alguém que escreve aquilo sobre "inexistência" do racismo chefiar uma central de jornalismo da mais importante TV brasileira. Que tipo de notícia esse jornalismo escolherá como merecedor de foco?

Idelber em outubro 20, 2006 6:05 PM


#37

tb acho o idelber, o frank de morais fundamentalistas petistas.
não adianta argumentar com pessoas assim porque são fanáticos mesmo e pronto.
e a censura à liberdade de expressõa que surge no horizonte do segundo mandato do lula?
concordo com o comment do leitor acima.
até agora não vi aqui no blog uma linha sequer questionando a censura a arnaldo jabor e a demétrio magnolli.
o idelber pula prá lá pula prá cá, diz que vai comentar sobre o ocorrido da censura e não fala nadinha.
qual é, mestre. até tu fazendo corpo mole pra censura? e aonde vai parar esse negocio de censurar????
fica a pergunta. e espero uma resposta. e que não deletem o meu comentário...

julio grandin em outubro 20, 2006 6:10 PM


#38

julio, um comentário escrito como o seu não será deletado jamais (a não ser que venha de leitor já banido: este blog tem somente dois desses). Sobre a censura do Jabor, sim, achei absurdo a coligação de Lula ter recorrido ao TSE contra o que ele escreveu. O único acesso que eu tive ao que o Jabor realmente escreveu (para saber se houve, por exemplo, ataque à honra, difamação ou não, etc.) foi no blog do Estadão. Procurei segunda fonte ao texto completo dele, não achei. Sou contra a coligação do Lula ter entrado com essa representação contra Jabor para tirar um texto do ar e acho absurda a decisão do TSE de dar ganho de causa a ela nesse pedido. Mas também sou contra o TSE ter dado ganho de causa à coligação de Alckmin no pedido de censura ao programa de Lula, que o havia apresentado como "privatista". Não fiz post nem sobre aquilo, nem sobre isso. Dou-me o direito de escolher o tema dos posts :-)

E aí eu, que faço blog por hobby e estou aqui argumentando um ponto de vista pacientemente com as pessoas que chegam no meu espaço, sou "fundamentalista"? E os grandes conglomerados de mídia que fazem essa lambança, são o quê? Terroristas de terceiro grau? Ora, menas.

Cuidado com os adjetivos.

El adjetivo
cuando no da vida
mata

(Vicente Huidobro)

Idelber em outubro 20, 2006 6:25 PM


#39

já q vc, idelber, reverbera as idéias do voço guia, por que lulla não REESTATIZOU as empresas q lulla diz q não deveriam ser privatizadas????

julio grandin em outubro 20, 2006 6:30 PM


#40

lulla não REESTATIZOU por que sabe que é melhor governar com elas privatizadas.

aliás, lulla é, sem dúvida, o político mais DEMAGOGO que surgiu no país depois da redemocratização.
cínico, mentiroso, ignorante, corrupto...

qto ao comentário sobre a censura ao jabor (e ao demétrio magnolli??) acho q ela veio depois da insistencia.

e vc, idelber, o q acha q pode acontecer com este espirito stalinista ditatorial do pt em querer censurar a opinião das pessoas???
aonde acha q isso vai parar??
será q depois de censurar a imprensa, os escritores, os comentaristas, lulla pode censurar o cyberespaço a exemplo do "cumpanhêro" (lá dele e de vcs) fidel castro??

teremos no segundo mandato de lulla uma internet controlada?

pode ser que sim. pois vc bem sabe, idelber, já q vc é uma pessoa inteligente e esclarecida q a sede dos poderosos de inclinação totalitários não tem fim.

e no mais, muitos adjetivos para vc, meu camarada

julio grandin em outubro 20, 2006 6:41 PM


#41

Julio,
Creio que essa sua afirmação (reestatizar) foi a mesma que alckmin fez no debate. Mas porque você acha que é melhor governar com elas privatizadas?
Gostaria de vê-lo discorrer sobre esse assunto.
Para Lula ser o mais demagogo seria interessante que você elencasse uma lista dos demagogos que já governaram o país.
Cínico mentiroso ignorante e corrupto?
Comparado a quem?
Sou curioso em saber quem é seu presidente culto. se for quem eu penso que é, pergunto qual o melhor livro que ele escreveu ( se não lembrar vou compreender já que ele pediu para esquecê-los).
Ao mesmo tempo que você cobra explicações sobre a censura ao jabor do sr. Idelber, você o policía me levando a crer que seu protesto contra a censura é só provocação.
Será?

frank de morais em outubro 20, 2006 7:45 PM


#42

Do Observatório:

Achei que a cobertura da Globo do segundo turno entre Serra e Lula, em 2002, deveria servir de exemplo, mas novamente a emissora trai o papel de responsabilidade social do jornalismo para manipular os leitores. Não sou contra o jornal explicitar suas posições por meio de editoriais, mas a manchete "PT usará facção do crime para abafar dossiê" e a consequente indignação dos assinantes mostra que o povo brasileiro não suporta manipulação e a desconfiança que paira sobre o grupo empresarial não se dissipará tão cedo, mesmo que eles tentem reescrever a história como no caso da vexatória cobertura dos comícios das Diretas Já, no debate Lula e Collor e tantas outras. Até porque o grupo Globo parece não resistir em intervir na história do país distorcendo palavras em manchetes. Sobre o sujeito que escreve este artigo foi o mesmo que escreveu o livro sobre cotas cujo título alega que o projeto quer tranformar o país em uma "nação bicolor" (sendo que a cota beneficia outros grupos étnicos). Assim não dá para levar a sério. Aliás, o constrangimento não é dos funcionários do Globo, mas dos brasileiros que têm que assistir um grupo jornalístico pateticamente tentando decidir as eleições e, consequentemente, os rumos do país.

(José Corrêa - RJ)

Anonymous em outubro 20, 2006 8:12 PM


#43

Saiu o segundo Ibope confirmando ampliação ainda maior da vantagem de Lula; o UOL já noticiou, mas esqueceu-se de dizer que em votos válidos já está 62% x 38%, ou seja, exatamente a votação de dezembro de 2002 entre Lula e Serra.

A mesma pesquisa mostra que 83% da população brasileira caracteriza o governo Lula como "ótimo", "bom" ou pelo menos "regular" (55% ótima ou boa e 33% regular).

Idelber em outubro 20, 2006 9:50 PM


#44

idelber, vc acha que tem ALGUMA chance do lula nao ganhar essa eleicao?

alex castro em outubro 20, 2006 9:59 PM


#45

acho que não.

Idelber em outubro 20, 2006 10:00 PM


#46

pois eh. sei lah. esses seus ultimos posts e os do rafa tb me dao a impressao de que vcs acham que o lula vai perder, ou que ele vai ser derrubado, nem parece que ele tah na frente por 20pt. eu acho que ele vai ganhar de lavada, vai cumprir os 4 anos regulamentares do proximo mandato, a veja, os tucanos, o reinaldo azevedo vao chiar e passar quatro anos reclamando e, por fim, vao tentar eleger o aecio em 2010. e pronto.

alex castro em outubro 21, 2006 12:02 AM


#47

Que o Kamel não é flor que se cheire, todos sabemos. Mas e o Dines, hein? Cacetada!

Lembro quando criei o Imprensa Marrom e o "OI" era uma grande inspiração. Eram bons aqueles tempos, né?

Gravatai Merengue em outubro 21, 2006 3:37 AM


#48

O giro do Dines é um treco inexplicável, Gravata. Depois de ler o texto em que ele papagaia a Veja desta semana, sinceramente, eu achei que alguém havia roubado a senha dele lá no OI e publicado aquilo como se fosse ele.

Idelber em outubro 21, 2006 3:43 AM


#49

Não entendi bem essa afirmação generalizada da "lavada" que o Ali Kamel levou. É por causa do número de comentaristas contra ele, é isso? Bom, sabemos todos que maioria nada diz em relação ao fato, apenas ao lado que o comentador torce. Digo isso porque algumas coisas factuais relativas a essa história toda ainda me parecem sem respostas, e penso que o post não as traz. Se alguém puder me esclarecer, são elas:

1 - A reportagem da Carta Capital diz: "E não divulgou que as fotos lhe tinham sido passadas por um policial visivelmente empenhado em fazer com que elas tivessem um uso político claro, de interferir no pleito de 1º de outubro."
Pergunta: Alguém pode me apontar onde está, na gravação, o "claro uso político"? As intenções registradas (e aqui uma curiosidade: como é que o policial estava "visivelmente" empenhado em uma gravação onde só se ouve a voz? Algum dos 4 jornalistas contou à Carta Capital que o gestual do policial indicava esse empenho? Existe linguagem corporal com intenções políticas tão evidentes?) enfim, as intenções registradas pela gravação são duas: a) o delegado estava querendo ferrar quem o tirou do caso. Se a revista falasse em motivação clara de vingança, isso de fato é indiscutível; b) o delegado cita o PT para os repórteres irem atrás de uma história com a Danone, numa investigação que ele estaria conduzindo - citou o caso porque um repórter perguntou. Ora, nada mais normal que os repórteres levantarem histórias com sua fonte para ir depois atrás ver se procede ou não. Qual a clara relação disso com "interferir no pleito no 1o turno"?

2 - A capa da Carta liga claramente (aí sim) a conspiração à Rede Globo. Mas durante a conversa o delegado realmente fala que tem que sair no Jornal Nacional, assim como fala da Ana Paula Padrão, mais de uma vez, e na Band, mais de uma vez. A fita foi passada a jornalistas do jornal Globo, Folha e rádios. Por que o alvo da Carta Capital é a Globo? Colocar uma capa assim, ligando Globo à conspiração não é distorcer a notícia, já que, se houve manipulação, nela estiveram presentes vários veículos, inclusive combinando entre si que ninguém daria furo em ninguém?

3 - O jornalista Luiz Weiz, admirado por aqui, escreveu: "Avisou que contaria aos superiores que o DVD foi roubado de sua escrivaninha, porque jornalistas fazem essas coisas. Disse também que esperava ver as fotos no Jornal Nacional daquela mesma noite. Teria dito ainda que queria "f..." com a candidatura Lula."
Erro factual, o de menos: não era DVD, era CD. O maior: o delegado disse na gravação que queria foder com a candidatura Lula? Alguém tem esse trecho pra postar? Se não existia esse trecho o Weis se retratou depois? Não foi um pouco de pressa dele criar uma frase que, aí sim, caracterizaria um uso político mais que explícito? Por que essa afobação em criar o uso político?

4 - Paulo Henrique Amorim, também tido por aqui como jornalista neutro, diz: "Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: “ ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.” Quer dizer: o golpe funcionou."
Há um problema de raciocínio aqui: as premissas não levam à conclusão. Um motivo, não ter ido ao debate, não tem nada a ver com as fotos. O outro, que reproduzo - "o escândalo provocado pelos petistas" - também não tem. Uma coisa é o escândalo do dossiê, outra é o caso das fotos. O tal Mauricio Dias está falando do primeiro, não das fotos. Foi a trapalhada do PT, segundo o Dias, que levou ao 2o turno, e não o "golpe" revelado pela Carta Capital. Estranho jeito isento de pensar o do Paulo Henrique Amorim: de dois fatos que não tem a ver com o “golpe” ele conclui que o golpe funcionou. Alguém explica?

5 – Diz a matéria da Carta Capital: “segundo relato de terceiros, ouvidos por CartaCapital, já que ele mesmo não quis se manifestar – foi a de omitir qualquer referência à existência do áudio: “Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos, não a temos”, teria dito Kamel. A informação complicava a Globo. A informação sumiu.” Estranho: aqui nenhum comentarista deste blog questionou o off da Carta. Eu posso afirmar que a pessoa que reproduziu tão precisamente à Carta a frase do Kamel tem “visivelmente” a intenção de prejudicar seu superior? (já que a fonte só pode ter sido dos bastidores da Globo). Por que os bastidores em relação ao off da imprensa no caso do delegado tem que ser explicitados e aqui, no caso da própria reportagem da Carta Capital, não? Não é curioso a Carta Capital cobrar uma postura da imprensa e na mesma reportagem não adotá-la? Eu, como leitor, não tenho direito de saber um pouco mais em que circunstâncias essa fonte pintou um retrato tão pesado do Ali Kamel?

É isso. Se alguém puder me dar esclarecimentos, agradeço. Acho que esse tipo de discussão precisa sair um pouco do clima de Fla x Flu e descer mais para os fatos, o que, a meu ver, anda em falta.

Abraços

Paulo Marcondes em outubro 21, 2006 5:00 AM


#50

Caro Idelber

O jornalista Ali Kamel recentemente perdeu-se em discussões sobre questões étnicas. Primeiro ele fez um artigo sobre os carros queimados na França, e foi contestado por Nei Lopes. Parece que isto foi razão para que ele em seguida "cometesse" (esta vez ficou bem aplicada) um livro sobre racismo em nosso país.

Das explicações dele para os episódios mencionados, creio que a lição que fica é que não se deve dar longas explicações por escrito (a não ser com fins legais). Por uma simples razão: cansa o leitor.

Se eu pudesse lhe dar uma opinião, eu diria para você fazer uma pergunta entre os seus leitores, se eles são favoráveis a CENSURA na imprensa. Creio que se depender apenas dos comentaristas acho que vai dar um SIM para a CENSURA. Os que aqui comentam aparentemente crêem que CRITICAR A IMPRENSA é quase a mesma coisa que CENSURAR A IMPRENSA.

p.s. Caro Idelber, já leu "Piauí"?

Paulo em outubro 21, 2006 5:51 AM


#51

Paulo Marcondes,
Era 29 de setembro, véspera da eleição presidencial, se o foco não era as eleições não havia motivo para o delegado insistir na publicação deseperadamente. A urgência que ele pedia para a publicação não se justifica só pela vontade de vingança. E se ele iria mentir ao seu superior informando um roubo que não existiu, porque dar fé ao motivos de um mentiroso declarado?
Muitas vezes em um crime não há a foto do momento do crime. Há fatos que ligados podem levar a conclução de que ele existiu e de quem o praticou.
Acho que você leu a matéria com o ‘vies anti-PT e pró tucano’, o mesmo que o jornalista acusa a imprensa ao abordar a notícias omitindo parte da notícia. Até aí tudo bem, é seu direito interpretar as notícais como bem entender. O problema é quando a midía omite para favorecer um ou outro candidato, como está ocorrendo.
A matéria da revista é clara ao apontar o favorecimento atravéz da omissão no caso do dossiê. E o alvo da reportagem da Carta éra, a Folha o Estado e a Globo mais específicamente, e de uma maneira geral cita a ‘grande mídia’.
Dizer que as fotos não tem nada a ver com dossiê ‘uma coisa é o escândalo do dossiê, outra é o caso das fotos’, como se fossem duas coisas sem ligação, é meio absurdo. O caso dossiê já estava fazendo água, e as fotos deu uma requentada na água fria do dossiê.
Não se trata aqui de fazer uma defesa cega ao PT. Tem que apurar sim, mas ser apurado e noticiado com transparência e isenção, coisa que não está acontecendo.
O fato é que a Folha o Estado de Sao Paulo e a Globo deram versões mentirosas ao explicar as circunstâncias do encontro com o delegado.
Sobre a outras emissoras, ontem (20/10/06) em seu blog do Mino diz;
'CartaCapital merece hoje uma chamada de capa de O Globo e referências na coluna de Luiz Garcia, no mesmo jornal. Diz o diário carioca que a transcrição da fita feita pela revista omite informações. Uma, basicamente. O delegado Bruno, além de solicitar a publicação dos fotos do dinheiro pelo Jornal Nacional, também mencionou o SBT e a Band. Verdade factual. Ocorre, porém, que Raimundo Pereira, autor da nossa reportagem, tinha à mão, no momento de deitar no papel os resultados de sua investigação, apenas e tão somente a transcrição parcial colocada por Ricardo Azenha, aliás repórter da TV Globo, no seu site pessoal. De verdade, ele ouvira a fita e publicou alguns trechos da conversa. Não havia ali qualquer referência ao SBT e à Band. Azenha deu a informação na semana seguinte à eleição e a mídia passou batida. CartaCapital recuperou-a somente a partir do dia 9, e dela se originou a primeira reportagem de Raimundo Pereira’.

frank de morais em outubro 21, 2006 1:29 PM


#52

Fala, Paulo Marcondes,

Concordo com você que o grande número de comentários contrários ao texto de Kamel não rebate o texto dele. A maioria era uma gritaria, infelizmente. Do resto eu discordo :)

1- Era ante-véspera de eleição. O delegado tinha pressa em ver as fotos na TV. Entregou pros 4 repórteres ali e entregou para o César Tralli logo depois (veja Carta Capital dessa semana) de fazer aquele teatrinho de não querer entregar p/ ele. Não tivesse motivação política, por que a pressa em ver as fotos na TV?

2- As réplicas contraditórias de Tralli e Kamel à reportagem da Carta já são suficientes para notar que a Globo tinha intenções segundas e terceiras com essa história. Do contrário, teria tido com as fotos do dinheiro a mesma paciência e o mesmo cuidado que Ali Kamel alega ter tido com o acidente da GOL antes de divulgar. Qual a motivação deles para agir assim?

3- É, essa famosa frase ainda não apareceu nas versões divulgadas da gravação do delegado. Deve ter sido fruto de boato. Mas você acha mesmo que precisava dela prá caracterizar o uso político dessas imagens, se não por parte do delegado, certamente por parte da Globo e seus colegas?

4- As fotos e o dossiê são parte do mesmo "escândalo". Um cara ligado ao PSDB ficou orbitando em volta dos Vendoin pela mesma época e com muito mais dinheiro. Raramente se fala dele nas reportagens e "análises" da imprensa. Quando falam, não vem o adjetivo "tucano" ou "ligado aos tucanos". P.H.Amorim provavelmente não é neutro nessa história. Ele é parcial, torce por um jornalismo menos canalha.

5- Se algum dia a fonte da Carta Capital vier à luz e se descobrir que ela passou informações por meios ilegais, como o delegado fez no caso das fotos, então a Carta vai ficar na mesma sinuca que a Globo ficou agora. Mas nada indica que a relação da Carta com sua fonte tenha sido a mesma d Globo com o delegado.

Eu não sei porque sempre que aparecem críticas à imprensa fica esse pânico de "censura". O que tem a ver uma coisa com a outra? A imprensa precisa ser criticada, observada e fiscalizada. Nada disso tem a ver com censura. A Globo tem reportagens prontas sobre o cara amigo dos tucanos que foi atrás dos Vendoin. Essas reportagens nunca foram ao ar. Onde está a censura?

Daniel em outubro 21, 2006 4:11 PM


#53

Ainda não li Piauí, Paulo. Há um exemplar guardado para mim em BH :-)

Idelber em outubro 21, 2006 4:42 PM


#54

Idelber, a parte mais ridícula da resposta do Kamel na internet é quando ele refere-se à "reportagem" (assim mesmo, com aspas) da CartaCapital, como isso querendo sizer que a matéria não tinha fundamento. Ora, fundamento não tinha era aquela dos dólares cubanos capa da Veja, à qual sua "imparcial" Globo deu destaque bem destacado. Madeira nas canela do sr. Kamel.

Daniel em outubro 21, 2006 5:20 PM


#55

Ideber,
Saindo, mas nem tanto, do contexto, não sei se você viu, mas após o debate de 19/10/06 transmitido pelo SBT e Cultura, ( em São Paulo) a Cultura levou ao ar um programa sobre avaliação do debate mediado pelo jornalista Alexandre Machado.
Estavam na mesa , Alberto Goldman, o ex-ministro da educação de fhc Paulo Renato de Souza pelo lado do PSDB, e João Paulo Cunha e Eduardo Cardoso pelo PT.
Respondendo à pergunta do jornalista sobre a avaliação do desempenho de cada candidato no debate, João Paulo iniciou criticando o governo Lula na questão da saúde, como o plano era aberto podia se ver a cara de espanto e indignação do Cardoso.
Além disso, nos três blocos do programa só deu Eduardo Cardoso, que fagocitou os Pesedebistas que queriam falar sobre a educação em São Paulo.
Entre tantas coisas foi hilário quando o Goldman falou que segundo seus os dados 'a educação no município de São Paulo havia melhorado'.
De pronto Cardoso perguntou : 'Que dados são esses? Qual origem desses dados?.
E o Goldman respondeu, constrangido; São dados... que... nós temos!
Se eu conseguir uma cópia ou transcrição enviarei para você.

frank de morais em outubro 21, 2006 6:52 PM


#56

Caro idelber
Os telejornais da TV Globo veiculam menos notícias do que os telejornais da Bandeirantes e dos telejornais que eram dirigidos poe Boris Casoy. Isso ocorre há muitos anos. Muitas vezes na Globo, notícias são preteridas por 'não-notícias'. Mas poucos se dedicam a observar este e outros aspectos do chamado jornalismo da Globo.

Em episódio recente o presidente Lula fez uma pequena sabatina com seu ministro da Saúde (desconheço o nome dele), e isto foi comentado pela imprensa. Mas a TV Globo poupou seus telespectadores tanto da imagem quanto do relato do fato. A TV Bandeirantes deu o início desta situação.

O assunto é vasto, mas quando se trata da emissão de imagens na TV Globo, especialmente no JORNAL NACIONAL torna-se alguma coisa crucial. Daí a questão da materialidade do dinheiro da Operação Tabajara.

É portanto curiosa essa discussão sobre o que 'passa' e o que 'não passa' na TV Globo. Foi por exemplo uma pergunta banal de William Bonner, que insistiu uma segunda vez, sobre a prioridade do então candidato Cristovam Buarque, que acendeu a luz amarela da campanha do presidente Lula sobre o tema Educação. Bonner na ocasião, com aquela habilidade que ele diz ter com os "Homer Simpson", perguntou ao candidato sobre qual seria a sua "segunda prioridade". Na seqüência Buarque foi taxado por Bonner como um candidato de "uma nota só" (o que foi reafirmado em O Globo nos dias seguintes). Mas foi o destaque sobre a insistência de Buarque que acabou levando para a campanha do presidente Lula o tema Educação, até então totalmente esquecido.

O episódio de Bonner em relação a "segunda prioridade" de Buarque, mostra como uma frase trágica torna-se uma coisa proveitosa na TV! Por isso mesmo que tem gente que gosta de aparecer na Globo até mesmo com "mídia negativa". Apenas para ser conhecido(a).

O jornalismo da TV Globo acaba ficando preso a imagens e não ao conteúdo, por isso ela briga tanto por imagens inéditas. E ainda por isso que a materialidade da grana era tão importante. Vida que segue.

P.S. Apenas uma constatação, há companheiros aqui que namoram com a censura.

Paulo em outubro 21, 2006 6:59 PM


#57

Não vi, Frank. Tenho aqui em New Orleans um satélite que me permite assistir a Globo e a Record. Mas à programação do SBT e da Cultura eu não tenho acesso quando estou aqui.

Ainda continuo com muita vontade de ver aquele debate Mino x Rossi que foi veiculado na Cultura. Se alguém tiver a fita, avise.

Idelber em outubro 21, 2006 7:05 PM


#58

Idelber, amigos

O surgimento na TV (conforme assinalado por frank de morais) do deputado João Paulo, que tornou-se folclórico ao falar de um pagamento de mensalidade de tv à cabo, mostra como se faz qualquer coisa aparecer na telinha. c.q.d.

Paulo em outubro 21, 2006 7:15 PM


#59

Caro Paulo,
Tenho uma dúvida; há um outro Paulo, ou outros, que comentam aquí. Nunca tenho certeza qual dos Paulos está comentando.
Como há muitos, e com opniões diferentes, fiquei com uma leve impressão de dupla ou multiplas personalidades.
Afinal qual dos Paulos é você?
Pergunto só por diversão, mas que é confuso é
Abraços.

frank de morais em outubro 21, 2006 7:30 PM


#60

Caro Idelber,
Tenho a impressão que você está, defintivamente, a fim de vestir a camisa do ex-Ipiranga!

frank de morais em outubro 21, 2006 7:35 PM


#61

Fiscalizar a Imprensa não tem nada a ver com censura. Aliás, pode até
evitar a censura velada que já rola.

Censura velada por parte dos próprios meios de comunicação, que vetam matérias para cumprir uma agenda política. Não entro nessa onda que o governo Lula "censura".

Desculpe a brincadeira boba anterior, Idelber.

Daniel em outubro 21, 2006 8:50 PM


#62

Desculpado, Daniel :-)

Idelber em outubro 21, 2006 8:53 PM


#63

Com a história do dossiê demorando prá dar resultado, a Veja resolveu ir atrás de outra coisa.

Agora eles vêm de Lulinha e Telemar.

Agora vejam: faz quase dois anos que essa história apareceu. Mesmo que a gente considere que tenha sido o negócio mais irregular, antiético e corrupto do mundo, por que é que só agora, 7 dias antes da eleição, a Veja resolveu ir atrás disso?

E depois o pessoal acha que é exagero quando a imprensa começa a tomar uns presta-atenção como vem acontecendo nesses últimos dias, desde a publicação da matéria da Carta.

Daniel em outubro 21, 2006 9:17 PM


#64

Amigos,
da minha parte sou favorável a uma imprensa SEM Censura. Prá quem acha que a imprensa é antiética, intolerável, não é imprensa, ou coisas assim, informo que ela tem sido assim TODO O TEMPO e não só no período eleitoral.
A VEJA é assim como está agora todas as semanas do ano. Incluindo o chatíssimo Mainardi. Que consegue ser ruim até entrevistando!

O Dines mostrou na última semana como o senador todo-poderoso da Bahia acabou com um jornal que não lhe agradava.

TUDO APARECE AGORA, quando estamos às vésperas da votação. Qual o sentido que faria falar do Lulinha com o presidente Lula recém eleito e com a caneta cheia?

Paulo em outubro 21, 2006 10:44 PM


#65

consegue ser ruim até entrevistando! é o máximo :-)

(esse é o Paulo Z, Daniel. A verve e o uso do CAPS LOCK são singulares. Não há confusão entre Paulos no blog).

Quanto à imprensa, certo, excelente nunca foi, mas há ruim e há ruim. Pressão e fiscalização do leitor só podem fazer bem. Órgão censor vinculado ao estado, jamais. Mas não acho que ninguém aqui esteja propondo isso.

Idelber em outubro 21, 2006 10:54 PM


#66

Olá Idelber,

Está quente o debate, hein? Acho que não podemos ainda considerar a eleição ganha, porque situações desesperadas podem levar a ações desesperadas, como a dos aloprados. Desde que o segundo turno se avizinhava comecei a temer por um golpe, seja branco ou não (aliás, ao escrever isso ficou para mim explícita a conotação racista da expressão "golpe branco"...). De qualquer forma não encaro meu voto em Lula como um cheque em branco. Temos que exigir que a voz de petistas não-envolvidos em aloprices como o Patrus, o Suplicy e outros seja mais ouvida no governo. Acho que já aprendemos que não existe um governo Lula, mas muitos, e que existe uma disputa acirrada pela hegemonia. O Boal publicou uma bela carta clamando contra a divisão na esquerda e que foi essa divisão que nos trouxe a ditadura militar. Mas os fatos recentes mostram que, se algo não for feito para impedir, alguns "gênios" podem por tudo a perder com suas idéias mirabolantes.

Também deveríamos voltar mais o foco de nossos estudos para para a direita: sobre a esquerda já se sabe quase tudo, existem mil estudos e teses, eles devem ter todas em suas bibliotecas, como um empreiteiro parente distante de minha mãe que tinha vários livros de Marx em sua biblioteca. Ante o espanto dela ao constatar isso ele apenas disse: sei muito bem que existem explorados e exploradores, só que prefiro estar do lado dos exploradores...
Então, uma coisa interessante que talvez já seja do conhecimento de todos, mas que não custa lembrar é que a Valor Economico levantou a verdadeira causa da ira dos Civita contra o atual governo e a cruzada da Veja que ameaça jogar de vez na lama o pouco da reputação que ela construiu, fazendo-a publicar capas e matérias dignas da antiga revista direitista Visão.

É só checar neste link
Dica tomada no blog Contrapauta.

Mudando de assunto micro, mas sem mudar o macro, amanhã o ministro da educação vai participar de um debate aberto na UFMG. Alguns reitores acabaram de lançar um discreto manifesto, que não fala em apoio explícito, apenas lembram que o orçamento das universidades públicas caiu 25% com FHC (a UFMG nao tinha grana nem para pagar a conta de luz) e que subiu em média 60% no novo governo. Foram abertas mais de vinte universidades federais no interior, uma "ação estruturante", no jargão da administração pública, que não dá resultados imediatos, isto é, não é eleitoreira, mas que pode impulsionar regiões abandonadas pelos governos anteriores. Senti isso quando voltei a Diamantina para participar do Festival de inverno, um ano depois de ser implantada a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri. Não sei porque o reitor da UFMG não assinou o manifeto.

ABraço ,

Leo

Leo Vidigal em outubro 21, 2006 11:18 PM


#67

Oi, Leo, bacana ler seu comentário bem na hora de abrir a cervejinha. Concordo com tudo - acho que particularmente com o quadro que se produziu, abre-se espaço para mais pressão dos setores mais à esquerda dentro do governo; com isso, consequentemente, mais influência nos rumos do segundo mandato.

Valeu o link (eu me tomei a liberdade de embuti-lo), eu havia visto, sim, via Contrapauta, como o grupo Civita perdeu com a (relativa) democratização da compra de livros didáticos.

Chegou-me também (além do manifesto dos reitores de apoio calculado, crítico e comedido a Lula), a carta aberta dos professores universitários com críticas ao programa Alckmin - carta que eu assinei. Aliás, estou para fazer um post sobre a universidade há tempos.

Abração forte para você e Laura e outro para Ju e Ed. Em dezembro estamos aí para assistir a minisérie de novo :-)

Idelber em outubro 21, 2006 11:34 PM


#68

Olá Idelber, tudo bem?

É Sampa e passa de uma da matina. Noite fria.
Jantar em minha casa, e tá todo mundo segurando as paredes.
A pauta é seu texto sobre o cigarro, e tá dando o que falar!
Eu já fumei um cigarro e meio e eles não vão embora.
Que política que nada tá todo mundo querendo se divertir, mas acharam seu blog ótimo. Tem psdebístas helenístas evoístas chavístas bushístas maoístas junguianos freudístas ginicologístas analístas iranianos iraquianos judeus e alemães. Fogo é que não falta. ( os judeus não gostaram da figura de imagem).
Uns acharam pouco engajado outros demasiadamente, e há uns que acharam na medida certa. E não há outros.
Um abraço de todos.
evoé baco

frank de morais em outubro 22, 2006 12:56 AM


#69

heheheh, grande Frank. Brigadim pela divulgação :-)

Idelber em outubro 22, 2006 1:25 AM


#70

Respondendo ao Frank de Morais e ao Daniel.

Pois é, pelas respostas vocês me dizem que a motivação política é uma indução decorrente do fato, mas que ela não estava claramente indicado na gravação, como a Carta Capital afirmou. Pode ser que houvesse a motivação (e, aliás, e daí se havia? As fontes dos jornalistas políticos são quase sempre políticos – e todas as informações que estes passam tem motivação política; deve-se sempre então indicar as circunstâncias? Quando eu trabalhava como repórter, uma grande fonte minha era o Adriano Diogo, então vereador petista – tudo que ele me passou contra o Maluf, então prefeito, tinha motivação política, inclusive documentos que não deveriam vazar. Essa é a regra. Vocês acham então que toda vez o bastidor da notícia tem que ser explicitado?) Enfim, estou derivando. O que quero dizer é que para vocês e a Carta, que estão do lado do PT, é clara a motivação política, mas isso está no campo da dedução, não do fato, que é a gravação. Era tanto o ímpeto em fazer o link com a “clara” motivação política que o respeitadíssimo jornalista Luiz Weis chegou a publicar uma frase que o delegado “teria dito”, e mais tarde não se retratou. Curiosos os pesos e as medidas do Weis: num de seus textos ele recrimina um repórter por ter chamado o colega de “gente boa” na gravação, porque isso é promiscuidade jornalística; mas ele mesmo não se recrimina de usar sua coluna para fazer fofoca: um “teria dito” vira notícia.
Assim como o “teria dito” do Kamel na reportagem da Carta Capital teria, sim, pelos seus critérios – repito: pelos critérios que vocês defendem de que os bastidores da notícia são tão importantes quanto ela – que ser trazido à tona. Ora, no meio de uma reportagem que quer atingir a Globo aparece uma fonte que reproduz uma frase monstruosa do seu chefe e nesse caso vocês me dizem que a motivação da fonte não tem importância? Mais uma vez, dois pesos e duas medidas.
Sobre o Paulo Henrique, vocês não entenderam. É claro que o escândalo do dossiê e as fotos tem ligação. O que quis dizer é que o Paulo Henrique citou uma frase de um diretor de instituto de pesquisa que diz que a trapalhada do PT no caso de dossiê e a ausência no debate é que tiraram o Lula do segundo turno. Daí o imparcial Paulo Henrique conclui que o golpe reportado na Carta Capital deu certo. Sim, o dossiê e as fotos tem ligação, claro, mas a fonte do Paulo Henrique estava atribuindo a responsabilidade aos petistas, à trapalhada que fizeram, e não à suposta manipulação expressa nas páginas da Carta. Mas na lógica super imparcial do Paulo Henrique o responsável é o delegado, não o criminoso.
Eu não acho que essa turma torça para um jornalismo menos canalha. Você diz isso, caro Daniel, porque esses jornalistas são os que estão ao seu lado. É Fla x Flu puro, porque se formos honestos com os fatos, o procedimento da Carta e desses tais jornalistas são os mesmos da Veja só que com sinal oposto.
O fato de o Mino Carta dizer que o seu repórter não tinha a gravação completa expressa no máximo a incompetência da revista, que se precipitou em fazer a capa colocando a Globo como chefe da gang. E se mesmo ele admite que tinha Band e SBT na jogada, por que a capa atual continua centrando fogo na Globo? E se o Frank admite que a matéria da Carta era clara que a conspiração envolvia muito mais órgãos de mídia que a Globo – e eu concordo que a matéria deixa isso claro – por que então, meu Deus do céu, a capa é só contra a Globo? Outro dia mesmo nesse blog houve gritaria geral porque a Folha não dá as manchetes que expressariam exatamente a matéria. Agora a Carta Capital dá uma capa que não expressa exatamente a matéria e vocês não reclamam? Como eu disse, Fla x Flu puro. Não pensem que a Carta Capital e o Observatório de Imprensa são os mocinhos: eles apenas são os canalhas que torcem para o mesmo time que vocês.
Abraços

Paulo Marcondes em outubro 22, 2006 3:45 AM


#71

Muito interessante o comentário de Paulo Marcondes.

Acho que todos nós sabemos que ao se colocar o logo da (TV) Globo em destaque na capa, o leitor corre lá e compra. Touché!

Reafirmo minha aversão a censura.

Paulo em outubro 22, 2006 11:09 AM


#72

Meu caro Idelbar,
Impossível não concordar com a sua análise. Só para complementar, ontem até 12:32:14 PM já haviam sido postados 416 comentários. Fiz questão de lê-los, um a um. Foram enviados 21 comentários favoráveis ao Kamel, dos quais 4 de uma jornalista que assina como Claudia Zardo, de Uberlândia/MG que já havia trabalhado para a Rede Globo e dois de um médico gaúcho, de Porto Alegre.
Fatoé que 95%, ou seja 395 das 416 pessoas que se manifestaram, dos mais diversos matizes profissionais, declararam-se contrárias ao Ali Kamel e a empresa que ele representa.
Parabéns.
Augusto César

PS: Hoje devem ter sido postados mais comentários. Vou analisa-los.

Augusto César em outubro 22, 2006 12:29 PM


#73

Bah meu!

Blog tendencioso falando das mazelas dos outros. Por que não comentas que a carta capital editou a gravação do jeito que quis para incriminar a Globo? Por que não comentas das mentiras dos petralhas? Por que nada sobre o Lillllinha?
Mas vai te catar!!!

Humberto em outubro 22, 2006 1:26 PM


#74

Preciso e infalível como Bruce Lee :**

Ângela em outubro 22, 2006 1:58 PM


#75

Humberto, você está mal informado. A Carta Capital não editou gravação nenhuma. E não existe nem "blog não tendencioso" nem "Lillinha". Ou seja, seu comentário está abaixo da crítica.

Saudações, Ângela, gracias, e que paciência, Augusto!

Idelber em outubro 22, 2006 3:08 PM


#76

Pois é, os trinta e muitos milhões de votos obtidos pelo candidato Alkmin tem feito muita diferença, e poderão fazer muito mais diferença no próximo mandato. Acabo de ler um título no Globo.com dizendo: "LULA QUER REDUZIR COTA DO PT EM NOVO GOVERNO".
A existência de uma oposição até que tem os seus méritos!

Eu só espero que o presidente Lula tenha o bom senso de afastar do governo o sr. Guido Mantega. E esta mudança não teria nenhuma ligação com escândalos ou coisa assim.

Paulo em outubro 22, 2006 3:24 PM


#77

Tem uma maneira muito boa de esvaziar debates políticos: é invocar o Fla-Flu. Imediatamente um dos lados fica sem ter o que falar, porque vai ser tudo "torcida". Várias vezes já pensei em apelar prá isso, em discussões políticas diversas, mas no fim sempre tento apresentar argumentos e dados. Sei lá, acho que levando pro lado da torcida perde todo mundo.

Discussões sobre imprensa e mídia também têm uma ótima ferramenta de implosão. É chamar qualquer tentativa de crítica de "censura". Pronto. Acende a luz vermelha e quem reclamou da imprensa vira "stalinista".

E nesta discussão do papel da imprensa nas eleições juntam-se as duas pragas: chamar o camarada de torcedor e de apoiador de censura!

Eu acho que os papelões que a imprensa anda fazendo nos últimos anos deveriam preocupar todo mundo, independente de espectro político.

Não gostei da capa da Carta Capital da outra semana. Mas a matéria era importantíssima e na verdade ainda está por ser rebatida. As explicações contraditórias de Tralli e Kamel apenas reforçam a reportagem. A capa dessa semana é ainda pior, com uma fusão dos logos da Veja e da Globo. Mas a matéria é tão boa quanto a anterior, e dá bastante o que pensar e discutir.

De modo que devemos lembrar das sábias palavras: "Não julgue o livro pela capa".

Daniel em outubro 22, 2006 7:13 PM


#78

A GLOBO ESTÁ CERTA EM MASCARAR A REALIDADE, EM PROMOVER O ENGODO, EM COMETER ILICITUDES, EM LUDIBRIAR O PAÍS. É A CONSEQUÊNCIA DA VALORIZAÇÃO DO SUPÉRFLUO, DO CULTO A UMA PROGRAMAÇÃO DESTITUÍDA DE CONTEÚDO, QUE VISA ANTES DE TUDO À AUDIÊNCIA, CUSTE O QUE CUSTAR.

AD VANUM em outubro 22, 2006 7:19 PM


#79

Caro Idelber,
sabemos que em nosso país a TV, infelizmente por seu ritmo apressado, é a grande formadora de opinião.

Vou recorrer a uma explicação que o jornalista Villas-Boas Correa há anos atrás (*) e creio que ainda é válida: "A televisão faz materinhas sobre política, mas foge da análise como o diabo foge da cruz. E o peso da televisão, hoje, é enorme. São 120 milhões de telespectadores para três jornais, no Brasil, que tiram 1 milhão de exemplares. Aos domingos O Globo, a Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e a VEJA, que é revista."

Saudações cariocas.

(*) Depoimento dado em 1997 para Marieta M. Ferreira e Américo Freire.

Paulo em outubro 22, 2006 8:43 PM


#80

Idelber,

Veja no blog do Mino Carta, ele reconhece que o delegado pediu a divulgação da fita não só no Jornal Nacional mas no SBT e na Band. Como é que apenas o jornalismo da Globo é cúmplice do delegado ? O Mino sustentou toda sua teoria conspiratória na exclusividade da Globo.

Frederico

Frederico em outubro 23, 2006 8:55 AM


#81

Qualquer recurso de censura ou controle prévio de imprensa é um atentado contra a liberdade.

Hoje já existem mecanismos judiciais para que pessoas que se sintam injustiçadas por uma matéria ou um jornalista possam solicitar reparações, tanto do cunho financeiro quanto por meios de publicações.

O problema que a maioria não faz isso porque a coisa está num nível que preferem que nada seja investigado. As vezes atiram no que vêem e acertam o que não vêem.

Censura prévia nunca!

Pablo Vilarnovo em outubro 23, 2006 9:53 AM


#82

A "teoria conspiratória" não é de Mino Carta e nem está sustentada na exclusividade da Globo. De qualquer maneira, depois da primeira matéria, dois dados novos apareceram: a íntegra da gravação, com o delegado citando outros veículos de comunicação, e o fato de que o delegado levou uma cópia das fotos exclusivamente para o César Tralli, da Globo.

A tese da matéria era que a imprensa, principalmente os veículos maiores, está muito partidária nesta eleição, e usava a Globo como exemplo. Então, não era sustentada pela "exclusividade da Globo".

Eu reclamei de quando alguém vem com a conversa de "Fla-Flu" num debate, prá desqualificar argumentos do outro debatedor, mas vou apelar agora. Tem que ter muita torcidinha anti-PT prá achar que a réplica de Ali Kamel e os adendos de Mino Carta em seu blog desmontam as matérias que estão saindo na Carta Capital. Esse problema da imprensa brasileira deveria preocupar todo mundo, não só quem está do lado que ela está prejudicando.

Porque a longo prazo vai prejudicar todo mundo.

Daniel em outubro 23, 2006 12:24 PM


#83

Paulo,

Admiro seus esforços mas meus argumentos para sustentar a tese do Fla x Flu estão expostos nos longos comentários que teci acima, correndo o risco até de ser deselegante com o dono do blog ao ocupar tanto espaço. Não desqualifiquei, certamente: os argumentos que sustentam a minha opinião estão bastante expostos.
Penso que você está brigando consigo mesmo. Você que não traz argumento algum, apenas a certeza arraigada e inquestionável do seu ponto de vista. Quem usa os expedientes sobre o qual você reclama é você mesmo. Reflita a respeito. Não deixe que o barulho da sua torcida organizada impeça você de pensar.
Abraço

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 1:44 PM


#84

Ratificando: o comentário acima é dirigido ao Daniel, não ao Paulo.
É que são tantos que falam a mesma coisa que a gente acaba se confundindo.
Abraços.

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 1:49 PM


#85

Paulo Marcondes,
Ainda respondendo a seu texto acima, insisto que é preciso ter em conta que era ante-vespéra da votação, se descontextualizar-mos a gravação é até possível pensar como você. Mas só descontextualizando.
Não há afirmação do jornalista que ‘estava claramente indicado na gravação’. Na matéria o texto se referindo a Folha é o seguinte; “... e não divulgou que as fotos lhe tinham sido passadas por um policial visívelmente empenhado em fazer com elas (as fotos) tivessem um uso político claro, de interferir no pleito de 1º de outubro.” O parêntese é meu.
O jornalista não afirma que o delegado diz que gostaria de prejudicar o PT. Mas dentro do contexto eleitoral, deduzir que a ação do delegado “se tratava de de uma intervenção política no processo eleitoral’, como fez o jornalista não é de forma nenhuma descabido. Que pese esta intervenção não ter causado nenhum efeito. Agora passado se tornou uma tentativade intervenção.
O jornalista não usou o método da vidência, que Veja e Globo utilizam (vide os dólares de Cuba), mas o da dedução. Mas se você afirmar que a dedução não é um instrumento válido, já adianto que não entro nesta área, porque além de colocar o jornalismo a advocacia a crítica literária a filosofia e tantos outras áreas em maus lençois, propôe um debate que confesso não me considerar preparado.
Quanto a Carta ser pró PT, ou outro veiculo ser pró PSDB, tenho dúvidas que isso seja pouco importante. Não é o problema desde que isso não signifique distorção ou ocultamento dos fatos com a intenção de favorecimento. E só para lembrar, não há negação que houve crime, mas a afirmação da Carta de que o crime é maior e envolve mais pessoas. Se isso causa mal estar, paciência.
Quanto aos ‘bastidores da notícia’ serem importante, não preciso nem dizer nada só estamos escrevendo aqui por causa deles.
E não cabe comparar as fontes, o delegado e a fonte Global, são dois pesos e duas medidas sim. Fazer uma matéria usando a informação de uma fonte que foi procurada pelo jornalista e que acusa a direção de um jornal, uma empresa privada, de tratar de maneira tendenciosa a cobertura das notícias exigime o jornalista de citar as fontes e isso não interfere na vida política do país, provoca o debate e é possível o direito de resposta a quem convir. É diferente da fonte delegado funciorário público, que procura alguns jornalistas no intuito de influir num processo eleitoral e estes jornalistas se calam sobre as circunstâncias do encontro naquele momento - ante-véspera das eleições- , e quando não calaram inventarm uma versão. Aqui cabe também uma pergunta que você não faz; Para que inventar? Qual a motivação?
A retratação feita pela mídia, após a gritaria, reforça a intenção do delegado e da mídia , mas isso é ‘só dedução’ de minha parte.
Adianto que não defendo o crime para garantir meus interesses ideológicos, e acho que as fotos deveriam serem mostradas muito antes. Mesmo porque o dinheiro não era prova nova, todos já sabiam que ele existia era só um detalhe de um crime maior mostrado parcialmente, porque é maior e envolve mais gente. Qual a importância que teria as fotos, diante do dossiê propriamente dito?
Entretanto o uso eleitoreiro da imagens, e é este o caso, que se defendido propõe a vitória da barbárie sobre a ética.
Não é nescessário ser muito esperto para saber que nos casos de corrupção noticiados tem provado a propensão da mídia para o recorte parcial, a discusão ética está passando longe.
Agora em seu arroubo de precisão ética para apontar os ciscos do texto, você só mira um lado e não chama de canalhas a imprensa toda, o que ‘deduzo’ ser uma forte inclinação para a parcialidade e não para a ética. Ou seja para a canalhice com sinal trocado que você se referiu.
Mas como não sou ombudsman e muito menos jornalista nem flamengo nem fluminense, prefiro sim que vença o corinthians.
Abraços

frank de morais em outubro 23, 2006 1:54 PM


#86

Caro paulo marcondes,
se você se desculpa pelo texto longo, então tenho que pedir perdão misericórdia e sei lá mais o que.
Mas é que a cada argumentação vai se estendendo mais e mais.
Acho que é natural embora seja realmente deselegante.

frank de morais em outubro 23, 2006 2:14 PM


#87

Oi Idelber!
Nossa, e a gente q nem foi ao Caraça??? E vc já foi pros EUA, já voltou pro BR, e já tá nos EUA de novo... E necas de encontro Caracence... rsrs ;-)
Fiquei de cara com o que li no seu texto. Pra mim este "dossiê" é uma puta de uma jogada política. Assim como dizem q o "PCC" em SP tb foi jogada política. Enfim, dá desânimo, pq é mentira de uma lado e de outro.
O nosso "querido" ex-Presidente falou que a "oposição não vai sabotar ou provocar golpe", porque não são "iguais a essa gente". (leia aqui.)
E quanto à mídia tucana que governa nosso país, não é só Veja e Folha. Veja o "O Globo" e o "Grande Jornal dos Mineiros"... É descarado!!!
No mais, manda um beijão pra minha escritora predileta... Terminei de ler o livro e quero começar a ler de novo!!!!!!!!! Muito bom! Masterpiece!!!!
Beijos

Ana em outubro 23, 2006 3:27 PM


#88

Que bom ter notícias suas, Ana, e sua escritora predileta receberá o beijão :-)

Pois é, tem a turnê de entrevistas argentinas do FHC... Vixe. Valeu o link :-)

E vamos marcar o Caraça dessa vez, pô.

Idelber em outubro 23, 2006 3:38 PM


#89

Frank,

Tentarei dessa vez ser sintético e mirar no centro do meu argumento, que você perdeu na sua réplica.
Quem trouxe o termo imprensa menos canalha não fui eu, foi outro comentarista. O que quis dizer é que se ele considera a Veja, a Globo e sei lá mais quem canalha, também o deve fazer em relação a Carta e Observatório, mas com sinal trocado.
Eu vejo os mesmos expedientes dos dois lados. Na sua defesa você utiliza coisas como uma fonte ser funcionário público e outro privado. So what? Onde está escrito esse código de ética, que diz que os bastidores da reportagem podem prejudicar a empresa privada mas não a vida pública? Critério tirado da manga esse, não?
"Visivelmente empenhado em fazer uso político" é ser rigoroso com os fatos? A gravação não só não continha frases de uso político como era impossível ela tornar visível alguma coisa, já que trata de som, e não de imagem. Ato falho que sugere bem qual a intenção da Carta - a mesma que vocês recriminam na Globo e Folha, só que a seu favor. Por que a motivação da vingança, essa sim clara na gravação, nem foi mencionada na matéria?
Tudo bem, não vamos entrar nessa de ato falho. Mais claras ficam as intenções com o uso que o respeitadíssimo Weis fez da gravação, inventando uma frase que estaria lá. Por que você não comenta sobre isso? O Observatório não está, nesse caso, usando o mesmo expediente que os "canalhas"?
Aqui mesmo, como disse, houve reclamação quanto as manchetes da Folha não expressarem o conteúdo da notícia. Falei que a Carta fez a mesma coisa, só que com a capa. O Daniel respondeu que não se deve julgar um livro pela capa. Então, concluo, não se deve julgar um jornal pela manchete, ok? Se vocês reclamaram da manchete enviesada da Folha, muitíssimo mais grave é a capa enviesada da Carta Capital, certo?
"Distorção ou ocultamento dos fatos com intenção de favorecimento", você diz. E em seguida: "E só para lembrar, não há negação que houve crime". Vamos analisar: você tem duas notícias, o crime e os bastidores de como as fotos desse crime vieram à tona. Qual é mais importante, honestamente? O crime do Jack o Estripador ou de um policial londrino que passou para a imprensa as fotos da mão de uma das vítimas? Acho que não precisamos disputar que o crime original é muito maior que esse das fotos, e muito mais notícia também. No entanto, a Carta Capital já está na 2a capa para falar do crime secundário. E deu uma só para falar do crime central do dossiê. E olhe lá, porque a marota manchete dizia "o lado escuro do PT". Sim, para o PT há um lado escuro que macula o seu lado claro. Por que não o lado escuro da Globo? Por que Globo e tucanos são associados na capa e o PT e os criminosos não são? Se isso não é "distorção dos fatos com intenção de favorecimento", não sei o que é.
Insisto, meu caro Frank, olhe para os lados: veja as camisas do Fla, a torcida irracional, e do outro lado do estádio a turma do Fluminense. A gritaria é muita, e a razão, escassa. É o jogo, meu amigo, e a Carta, o Observatório, o Mino Carta, o Luis Weis são no máximo ótimos chefes de torcida organizada.
Se você prefere, eu assumo então o termo canalhice para a Veja e para a Folha. Mas eu sei muito bem o que estou lendo. Nunca tive ilusões de imparcialidade, mas me surpreende muito que alguém compre o mito da transparência do outro lado da trincheira.
Abraços

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 4:02 PM


#90

Fala, Paulo Marcondes,

Eu não estou torcendo não. Mas você tem razão, estou me esforçando demais aqui nesses comentários. Deixa quieto. Já vi esse debate da imprensa juntar gente dos dois lados do "Fla x Flu", até mesmo aqui nos comentários do Idelber. O problema é maior do que as torcidinhas. Mas OK, coloque as coisas nesses termos, nivele o debate por baixo e vamos todos assistir prá onde vai tudo isso.

Idelber, você viu que eu fui um visitante exemplar, fiz tudo direitinho, e mesmo assim me chamaram de Paulo :D

Anonymous em outubro 23, 2006 4:22 PM


#91

o Anonymous acima era eu, sorry.

Daniel em outubro 23, 2006 4:23 PM


#92

hehehehe, acho que está na hora de fazer outro post :-)

Idelber em outubro 23, 2006 4:40 PM


#93

Frank - Gostei das deduções...

Eu poderia deduzir que pegar um jatinho, sair de Ribeirão Preto, fazer escala em Campinas, depois Brasília e voltar só para pegar umas míseras quatro caixas de Red Label que aqui no Rio se compra por 65,00 a garrafa sem precisar pesquisar muito não é muito provável não acha?

Lembro de uma notícia que dizia que Zé Dirceu tinha gasto mais de 10 mil em aluguel de um jatinho para levar ele em uma reunião com o Itamar em Minas...

Quantas garrafas de Red Label daria para comprar com 10 mil... mais de 100...

Mas, tudo são teorias. Nada será provado...

Pablo Vilarnovo em outubro 23, 2006 5:39 PM


#94

É isso aí, Daniel. Sugiro que você promova um curso de debate em alto nível. A primeira lição - como dar chilique para não ter que argumentar - você já mostrou.
Aproveito e pego carona no exercício proposto pelo Pablo e nivelar por baixo, como quer o nosso caro comentarista. Na matéria da canalhíssima Veja dessa semana, o fato de o filho do Lula ser um looser e virar um Ronaldinho tão logo o pai chegou à presidência é uma dedução possível?
Abraços

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 5:50 PM


#95

Paulo Marcondes,
Creio que esse debate pode ir longe.
Não tenho preferência que você use qualquer termo para me agradar. Mas agradeço a atenção.
Você me propõe razão e não aceita dedução, Pobre Kant.
Creio que a Carta esteja reportando em suas capas os crimes segundários, o das fotos e o da circunstâncias da publicação. Entretanto não fiz nenhuma referência à quantidade de matérias pró ou contra. Mesmo porque não acho que a quantidade de matérias pró ou contra torne o jornalismo mais ou menos democrático.
Mas vou aceitar seu argumento que o delegado não tinha nenhuma outra intenção que a de 'ferrar' um companheiro, porque é realmente muito lógico, mesmo que tenha em mente que era ante véspera das eleições, e o delegado tivesse muita urgência em ferrar o colega, Fica explicado, a Carta errou.
E não vamos ficar neste desgaste com o que é visível e o que não é (começo a desconfiar da existência da curva no espaço de Einstein), porque então levantarei dúvidas sobre a palavra 'clara' em seu texto '...Por que a motivação da vingança, essa sim clara na gravação...'. Claro é uma sensação visual e não poderia ser houvida. acho que era seu o argumento, se for me desculpe o plágio.
Não citei código algum, muito menos afirmei quem deva ser prejudicada ou não. você está deduzindo, só disse que eram diferentes, e disse porque queria me referir à mentira pubicada sobre como conseguriram as fotos, e qual a motivação para metir inventando uma outra fonte.
É bom lembrar que o barrulho todo é provocado por uma revista com uma tiragem de 77 mil exemplares (se não me engano). Me parece desproporcional o esforço para mostrar os defeitos da Carta, em relação ao esforço que fazem quando uma Globo ou Folha ou Estadão erram (estou em são paulo, e acredito que há outros no brasil).
Você me acusa de me perder na réplica em que me alonguei, como o Kamel na réplica do OI. Discordo no meu caso e atribúo à sua criteriosidade.
Mas diferenças à parte, e por falar em torcida, acho melhor, segundo o método da dedução, eleger o atual governo, e ter a mídia controlando denunciando apurando e pedindo punição e prisão como nunca houve, do que eleger novamente a outra turma, que esta mídia não controla não denuncía não apura e nem exige prisão como sempre foi!
Só para complementar, não sei de onde saiu essa coisa de debate em alto e baixo nível. Eu nunca escuto nada daqui de onde estou.
Abraços cordiais.

frank de morais em outubro 23, 2006 6:10 PM


#96

Caro Pablo,
dedução no seu caso é o que sobrou dentro da sua cabeça quando extrairam seu cérebro!

frank de morais em outubro 23, 2006 6:12 PM


#97

Ei Pablo,

Você deve estar respondendo, mas me desculpe, eu não fui justo com você.
Mas a piada é boa!!!

frank de morais em outubro 23, 2006 6:22 PM


#98

Fala, Paulo Marcondes.
"Chilique" é boa! Fazia tempo que eu não "dava chilique"!
Mas, enfim, dei chilique porque as respostas tendiam a ficar cada vez maiores, e, como eu disse, já me esforcei demais aqui. Contudo, argumentos prá continuar não faltariam.

Só que deixa quieto, a gente tá fazendo essa caixa de comentário virar um balcão de padaria.

Segue a vida, parodiando um dos inúmeros Paulos.

Daniel em outubro 23, 2006 6:55 PM


#99

Frank,

Uma das acepções de "claro" no Aurélio:
13. Bem perceptível ao ouvido, bem audível; alto, vibrante
É possível escutar com clareza, mas não é possível escutar visivelmente.
Sobre o debate de alto nível, alto não é só para escutar. Pode ter outras acepções, como diz o Aurélio:
9. De muita importância; grave, sério
Frank, deixa eu ver se eu me explico de novo. Talvez ainda não esteja me fazendo entender:
A questão é: Por que você aceita a dedução da Carta Capital sobre a motivação política e não aceita, por exemplo, a dedução da Folha na manchete que dizia que o medo era cabo eleitoral de Lula?
Um exemplo mais recente que nos servirá de parâmetro: Você aceita a dedução da Carta Capital. A Veja dessa semana traz o caso que eu citei – o filho do presidente que era um empresário bem chinfrim e ficou milionário no governo do pai. A Veja pode então deduzir que algo cheira mal?
Você aceita a dedução da Carta. Vou te propor outra, responda com sinceridade. O presidente tinha um chefe da casa civil e braço direito histórico corrupto; o ex-presidente do partido caiu por maracutaia; o novo presidente do partido caiu por maracutaia; o líder do presidente na Câmara caiu por ser mentiroso; o ministro da Economia caiu por malandragem; o secretário de Comunicação e compadre do presidente pra toda hora caiu por malandragem; o churrasqueiro do presidente foi pego com mala cheia de dinheiro que ninguém sabe de onde vem. Ora, meu caro, você aceita tão facilmente a dedução da Carta Capital mas não aceita a dedução do resto da mídia que trata Lula como cúmplice disso tudo!? Não precisa Kant não, meu amigo. O pipoqueiro aqui da esquina – aliás, grande filósofo – vai deduzir facilmente que aí tem. No entanto, a essa dedução você não chega. Curioso...
A regra parece ser: as minhas deduções são kantianas, a dos outros são canalhas. Parafraseando Sartre, o inferno são as deduções dos outros.
Você diz: “Entretanto não fiz nenhuma referência à quantidade de matérias pró ou contra.” Não, você não fez mesmo referência. Quem fez fui eu. Para tentar argumentar que se você mesmo falou sobre a “distorção dos fatos com intenção de favorecimento”, é bastante sintomático que não te incomode o fato de uma revista ter duas capas para o escândalo menor, que favorece o PT, e uma só (aliás meia, porque a capa alivia para o PT) para o escândalo maior. Eu citei as capas para argumentar (coisa que já andaram dizendo que não faço) de que há um viés claríssimo na Carta Capital. Só que o viés a favor é mídia combativa; o viés contra é canalhice.
Você diz: “Me parece desproporcional o esforço para mostrar os defeitos da Carta, em relação ao esforço que fazem quando uma Globo ou Folha ou Estadão erram” Bom, devo dizer que aqui tem só eu, e no máximo mais um, apontando os erros da Carta, contra dezenas apontando os erros da grande mídia. Pelo menos aqui na caixa penso que a proporção está ok, concorda? Além do que, a disputa é pelo fato, não para bater no maior. Grupos skinheads são pequenos e ainda assim devemos censurá-los, não?
Por fim, você diz: “acho melhor, segundo o método da dedução, eleger o atual governo, e ter a mídia controlando”. Olha o Fla x Flu aí. Eu, aqui da minha arquibancada, deduzo que eleger o atual governo será ter a mídia CONTROLADA, e não controlando.
Mas isso é mera dedução.
Grande abraço.

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 7:15 PM


#100

Caro Idelber,

no livro comemorativo recém saído sobre a FOLHA DE S.PAULO, há o reconhecimento por parte do autor(es) de que veículos dos jornais de Frias & Caldeira foram usados pelo "DOI-CODI" (é exatamente este o órgão que está lá indicado). Também há referências de pelo menos dois "caminhões" (é o termo que foi empregado no livro) da FOLHA que foram incendiados no mês de setembro de 1971.

Eu diria que pelo menos um dos carros incendiados da FOLHA era uma FORD F-100 (há um registro fotográfico, se não me engano, da 'Agência Estado'). O texto afirma que operações da repressão com carros da FOLHA não foram de conhecimento de Frias e "nem de Caldeira". A referência ao Caldeira vem acompanhada de uma explicação que ele e o coronel Erasmo Dias eram conhecidos por serem da cidade de Santos.

Acho que o caso está bem explicado. Quanto às justificativas, por favor procurem na FOLHA DE S.PAULO!
Saudações cariocas.

Paulo em outubro 23, 2006 8:02 PM


#101

você começou mal, faço meu teu argumento:
Aurélio
Vissível;
uma das acepções
4. fácil de se perceber, de se descobrir; óbvio.
Você pode deduzir qualquer coisa, desde que parta de premissas verdadeiras
senão é contrariedade ou subcontrariedade. aí depende da intenção de quem escreve ou lê, de quem faz as pipocas ou quem as comem.
Você não se cansa, mas vamos lá, quem deve estar se divertindo é o Idelber.
Ainda bem que seu pipoqueiro não é Juiz. Ele não sabe que para se condenar é preciso de provas. Condenar por deducões não é aconselhável. Mas comentar e opinar e críticar por deduções não é ilegal. É o que tem feito a mídia. Quando não esconde informação.
Não afirmo que você seja um canalha, apenas deduzo que seja, mas não posso afirmar, e é desonesto afirmar. E segundo a condução de seu texto deduzo que você não é tão arquibancada, já que toma um partido, o da mídia, de uma parte da mídia. Não acrescenta em nada, apenas torna 'vissível' a tendência, e o propósito da argumentação.
Tenho a impressão de não ter me referido ao Lula como inocente ou culpado, se ele é cúmplice ou não, e nem de ter dito que a deducão é burra. Senão é possível afirmar que; Se o papagaio fala, então o homem tem penas.
Sinto não poder mais continuar.
Mas tenho que parar, voltarei.
Abraçços

frank de morais em outubro 23, 2006 8:22 PM


#102

Olá Idelber,
(sempre achei que falta algo neste nome; Ideberguer?, idebregueson?, Idelberson?, sei lá, rs,rs,rs,rs),
Acabou de chegar aqui o livro 'Um defeitode cor' e chegou por um mensageiro. Explico o meio porque podem 'deduzir' que veio voando, apareceu derrepente no vazio, sei lá.
Mas ô livrinho (na verdade livrão) difícil!!!
não tem em lugar nenhum, deve estar vendendo como água (é pura imagem poque é caro pra casse....)R$,R$,R$,R$,R$( isso é um sorriso com dente de ouro).
Me propús a ler mais livros que minha capacidade de leitura.
Mas vamos lá.
Tá chegando 6 de novembro, dia que começa a leitura de 'Terras do sem fim'.
É sempre bom lembrar!
Abraços.

frank de morais em outubro 23, 2006 9:33 PM


#103

Frank, uma dúvida:

Primeiro você diz que

"não acho que a quantidade de matérias pró ou contra torne o jornalismo mais ou menos democrático."

E depois afirma que

"É bom lembrar que o barrulho todo é provocado por uma revista com uma tiragem de 77 mil exemplares (se não me engano). Me parece desproporcional o esforço para mostrar os defeitos da Carta, em relação ao esforço que fazem quando uma Globo ou Folha ou Estadão erram (estou em são paulo, e acredito que há outros no brasil)."

Qual o problema com o número (por sinal inverídico, já que aqui a maioria defende cegamente o PT, esforço que repercute o barulho da "Carta da Capital".)?

A grita pró ou contra fará mais ou menos democrática a discussão? (E é claro que nada dirá sobre a validade dos argumentos).

Se a trupe de Lula rouba, é provável que o presidente também roube -- a dedução é essa. Muito provável. Não há condenação, quem condena é o juiz, todo mundo sabe. Mas há indícios fortes. Não acha?

Você acha que Lula é inocente? Se disser que sim, estará absolvendo o presidente ou apenas deduzindo?

Abraços.

PS: Vai começar o debate.

Vinicius em outubro 23, 2006 10:36 PM


#104

Frank,

1 - As premissas que coloquei sobre Lula e Lulinha são verdadeiras. Onde estão as falsidades das premissas?
2 - Meu pipoqueiro não condenou ninguém. Ele apenas deduziu de premissas claríssimas. Por que a sua Carta Capital deduz e meu pipoqueiro condena sem provas? Quando é que você vai parar de comer pipocas e responder todas as contradições que coloquei sobre a Carta e o Observatório de Imprensa?
3 - "E segundo a condução de seu texto deduzo que você não é tão arquibancada, já que toma um partido". Bom, eu estava evitando entrar nos pontos mais sensíveis da sua argumentação porque iria baixar o nível de um debate que vinha bem até aqui. Mas já que você deu o ponto de partido, deduzindo que sou canalha (felizmente já vi que você deduz tão bem quanto o Lula: ou seja, sempre equivocadamente), então vamos engrossar o debate. Depois não venha com o chororô típico de que eu não sei manter o nível. Mas a pergunta que decorre da sua frase entre aspas acima é: Você sabe ler? E pensar? Quem está na arquibancada é porque tomou partido, meu caro gênio dedutivo. Essa conversinha de acreditar em neutralidade é coisa de ingênuo, ignorante ou covarde, e deixo a seu critério escolher em qual você se encaixa.
E já que você não assume que está na arquibancada, vamos ver se resolve fazê-lo agora. Você acha que Lula é inocente ou culpado? A partir de tudo o que aconteceu, os fatos todos que expus no comentário anterior - premissas verdadeiras, repito - é lícito deduzir que Lula é cúmplice? Desça do muro pelo menos uma vez.
Abraços

Paulo Marcondes em outubro 23, 2006 10:49 PM


#105

Olha, a regrinha é seguinte: no momento em que duas pessoas já estão trocando várias tréplicas, a casa dá a peleja por encerrada e convida os contrincantes a resolverem quaisquer pendengas que permaneçam por email. Já deu.

Idelber em outubro 24, 2006 12:53 AM


#106

Idelber, amigos

O jornal fundado por Irineu Marinho me sai hoje, 24 de outubro, à respeito do debate ns Record com a manchete: "Lula fala em entendimento após eleição; Alckmin nega".

A revista VEJA está perdoada por todo e sempre. Por preguiça, ou canalhice mesmo, 'O Globo' COMETEU ESTA MANCHETE.

Isso é para se ver que dono de jornal (e revista) tem compromisso é com o tilintar das moedas a cada distribuição de uma edição de seu 'veículo'. Nós discutimos à toa.

Paulo em outubro 24, 2006 7:32 AM


#107

Falou e disse, Paulo (do CAPS LOCK).

Daniel em outubro 24, 2006 12:14 PM


#108

E nós aqui queimamos a nossa mufa, discutímos, torcemos pela candidatura da Cristina (do Amapá) e hoje pudemos ver o presidente Lula de braços com a governadora Roseana Sarney. Ele disse que estava fazendo campanha pela candidata do PFL POR GRATIDÃO A JOSÉ SARNEY.
- PANO RÁPIDO!!!!

Paulo em outubro 24, 2006 8:26 PM


#109

Tem um personagem do Alan Moore que fala:"Não sou eu que estou preso com vocês, vocês é que estão presos comigo".

Essas alianças bizarras do Lula, Sarney e coronéis similares, acho que é a mesma coisa. Não é esse povo que leva voto pro Lula, o Lula que leva voto prá eles. Pô, olha o perrengue do Sarney prá se eleger, quase que ele leva uma surra da moça lá! Esse povo tá no bico do corvo.

Daniel em outubro 24, 2006 10:30 PM


#110

Regra minha para só eu seguir: se quiser saber das manchetes, assisto aos jornais da Globo, mas se quiser saber das notícias completas, existem infinitos meios mais eficazes e confiáveis.

Marcos em outubro 29, 2006 1:32 PM