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sábado, 28 de outubro 2006

Uma correção

Em ponderada crônica escrita hoje para o Globo, Teresa Cruvinel fez uma avaliação das razões da vitória de Lula e da implosão da candidatura de Alckmin no segundo turno. É uma apreciação crítica de ambos os lados: petistas e tucanos deveriam lê-la.

Mas num dado momento a colunista diz: Muito se escreveu, com frustração ou preconceito, sobre uma suposta leniência brasileira com a corrupção. Houve até uma pesquisa sustentando que os mais pobres, os mais negros e os menos escolarizados têm menor exigência ética que os mais ricos, brancos e cultos.

Na verdade, a segunda frase é falsa. Não houve nenhuma pesquisa "sustentando" isso. Houve uma pesquisa que não encontrou, entre esses grupos, nenhuma diferença de atitude que excedesse a margem de erro. Mesmo assim, o jornal Estado de São Paulo permitiu-se a manchete: Rigor com a corrupção na política varia com região e condição social.

Não houve, como supôs Cruvinel, uma pesquisa "sustentando" o que afirma a manchete do Estadão. Houve uma manchete que não condizia com a informação dada na matéria. Só isso. Quando aconteceu, nós apontamos.



  Escrito por Idelber às 19:55 | link para este post | Comentários (9)


Comentários

#1

Caro Idelber, quando acabei de ver o debate de sexta-feira e fiquei otimista. Mas acabo de ler suas palavras e infelizmante não vou poder concordar, pois da colunista não espero nada, incluindo ponderação!!!

A jornalista tem um feudo improdutivo na página 2 de O Globo. E desde o episódio do Mensalão (cito por ser mais fácil a referência), omitiu-se de opinar. Passou a tratar apenas de fatos, e aliás FOI SUPERADA pela equipe de jornalistas d´O Globo que cobrem Brasília. A primeira razão parece localizar-se em antiga pinimba com Roberto Jefferson. E do episódio em que ele foi pivô em diante, ela passou visivelmente a se "esconder em campo". Você conhece, não é mesmo? É um tal de passar a bola pro lado, passes atrasados (incluindo de cabeça para o goleiro) e chutes improváveis ao gol seguido pelo gestual de lamentação.

Tá certa a jornalista? Olha muita gente acha que SIM. Eu já tive colegas assim no trablho. Primeira motivação deles: preservar o emprego. Neste caso ficar em cima do muro representa também ficar bonita com seus leitores. E ela brilhantemente conseguiu isso. Veio dando uma no casco e outra na ferradura ao longo dos dois últimos anos, apaziguando seus leitores d´O Globo.

Mas eu que não tenho nada com pinimba de qualquer jornalista com R.Jefferson (aponta-se como visível a indisposição entre eles no programa RODAVIVA daquele episódio), nem com um possível problema a ser enfrentado pela jornalista por uma eventual crítica a ÉTICA de membros do atual governo. Ou seja, é como ler o colunista sobre o clássico da véspera e ele não apontar qual time jogou melhor, nem quem foi o melhor em campo!

Seria curioso se pudessemos não pagar pelas colunas de opinião de um jornal, quando elas não opinam. Gostaria de poder argumentar com 'O Globo', que ele me desse um desconto na centimetragem do 'Panorma Político'.

Parabéns para a titular do 'Panorama Político'. No Globo de hoje podemos ver a aparência final, o "fecho" jornalísitco do MURO existente na página 2, ele está, de fato, bem construído!!!

Paulo em outubro 29, 2006 6:58 AM


#2

caramba idelber. vc tá parecendo um leão de chácara de lula. jamais imaginava que voce faria um serviço desse.
voce ignora o lula com sarney, ignora o delfim netto com o lula.
e tome-lhe porrada na elite. mas que elite, idelber?
será que elite é só aquela que fica contra lula? sarney não é elite não, é?
agora eu quero que voce seja sincero: na época de collor voce foi a favor do impeachment dele? por quais razões? e por que que só a menção de impeachment para lula é golpismo e pro collor não? voce não acha que o governo lula se comparado ao de collor em termos de corrupção é bem bem bem maior?
espero uma explicação.
ps. não faça de conta que não leu.
e VIVA SARNEY VIVA SARNEY VIVA SARNEY, o maior politico de esquerda do brasil e maior inimigo das oligarquias. VIVA SARNEY

ajurimar santanna em outubro 29, 2006 4:31 PM


#3

Idelber, deixando a campanha para trás (quando escrevo aqui a votaçao já foi encerrada) e sem pensar nas enormes dificuldades do próximo governo Lula, acho que no dia de hoje dá para relaxar um pouco. Penso que a margem de erro não supera a diferença de 20 pontos. Claro que se o jogo já foi pesado no primeiro governo, agora a coisa vai piorar ainda mais. Claro que espero estar enganado. E para aliviar a tensão, hoje falo pela primeira vez de futebol no meu blog. Gostaria de um teu parecer. Abraços

Flavio Prada em outubro 29, 2006 4:49 PM


#4

Perfeito, Idelber. É isso mesmo. A pesquisa não sustentou coisa alguma.

Gravatai Merengue em outubro 29, 2006 7:20 PM


#5

Lula Presidente!
Ouço fogos estourando aqui perto de casa. Lula está com a faca e o queijo na mão, isso até a Castanhede, a mais tucana da Folha do PSDB, reconheceu, não sem antes fazer ameaças, dizendo que se novos escândalos aparecessem, o jogo iria virar. Sinal que eles sabem muito bem que essa historia de dossiê tem vida curta.
Haverá muito menos pressão sobre o governo, agora que o jogo eleitora de 2010 está mais aberto.
Espero que o governo como um todo (que sabemos não se resumir a Lula: é composto por muitas forças politicas em conflito, projetos individuais etc) aprenda que o jogo politico interno não pode fornecer tanta muniçao aos que saqueiam essa terra, "desde Cabral"... Bob Marley já dizia "no more internal power struggle"...
Projetos de esquerda tomaram certos atalhos autoritários (não todos os que a direita aponta, afinal não se pode deixar que os inimigos nos digam quem somos) por uma variedade de razões e uma delas é que os mais críticos às vezes jogam toalha cedo demais e viram as costas para o que tacham de concessões aos inimigos (como fez a turma do PSOL). Assim fica aberto o caminho para bajuladores e oportunistas e para a paranóia vigilante de alguns.

Mas como fazer isso, como fazer nossa parte para que não haja retrocesso? Acho que nós que estamos em universidades públicas temos uma grande responsabilidade em contribuir para encorpar essa "criança" (como chamou um articulista da FSP comparando o Brasil com as histórias milenares de China e India), mas temos que fazer as pessoas que decidem nos ouvir. Bom, pensei alto aqui, mas depois completo minha argumentação.

Leo Vidigal em outubro 29, 2006 7:20 PM


#6

Idelber,

Em relação à pesquisa, vc esta mais do que correto. Observaçoes curtas sobre as eleiçoes:

-Ministério para Marta? Espero que não, mas esta ficando inevitavel.

-Sera que é dessa vez que Lula da espaço para outras cabeças pensantes do PT como Suplicy e outros?

-Quem serão os "fusíveis" desse mandato para evitar que a luz de Lula se apague? No primeiro foram Berzoini, Dirceu, Palocci..

Mas o principal motivo para o comentario é para que vc veja e destaque os numeros estaduais de Lula e Alckmin. Varias "surpresas": Lula massacrou o tucano no Amazonas e em quase toda regiao norte e nordeste. Mas por que em Roraima ganha Alckmin? Outra: Sao Paulo que todos falavam tanto em ter dado o passaporte do tucano para o segundo turno, assinou o atestado de obito de Alckmin ao quase ter um empate entre os dois em pleno "territorio" do candidato do PSDB.

E para terminar: a campanha Xo Sarney deu resultados como as chuvas: esparsos mas arrasadores! Xo Roseana! Viva o Maranhão. Cuidado que a ex-governadora pode resolver ser amazonense, ou do Acre nas proximas eleiçoes...hehehe

Um abraço!

Celinho em outubro 29, 2006 9:58 PM


#7

Uma coisa é certa: Lula não pode mais ficar sem Marco Aurélio Garcia, o grande escudeiro desse segundo turno. Ao que tudo indica, a esquerda do PT terá mais espaço no governo a partir do ano que vem. O próprio Garcia dá indícios de que será assim. Esperemos.

Bruno Ribeiro em outubro 29, 2006 10:05 PM


#8

Geraldo - 60,8% = 58 milhoes de votos
Lula - 39,2% = 37 milhoes de votos
Diferenca de 21 milhoes de eleitores.
Imaginem tivessem sido estes os numeros que emergiram das urnas neste domingo. Certamente o minimo que se diria e' que o governo de Lula sofrera uma reprovacao acachapante. Nao sou cientista politico, mas uma analise da eleicao 2006 nao pode passar ao largo desta consideracao. Muitos haverao de tentar debitar o fato de Lula ter obtido este nivel de aprovacao na surrada conta "Despreparo do povo". Estes provavelmente nunca entenderao o porque do resultado. So' a historia lhes podera ensinar, se alguns anos adiante despirem o "manto de sabeoria" e tiverem disposicao de aprender.

Roman em outubro 29, 2006 11:09 PM


#9

Na mosca, Roman. E por mais que a coisa possa parecer óbvia para alguns, haverá os que entenderão e os que não entenderão, como é de costume...

Abraços :-)

Idelber em outubro 29, 2006 11:31 PM


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