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sexta-feira, 10 de novembro 2006

A Internet do Sr. Eduardo Azeredo

cartorio.gifO Senador Eduardo Azeredo, não contente em entrar para a história como a origem do mensalão, decidiu achar um caminho mais rápido para a imortalidade. O destino reservava-lhe papel mais grandioso, o de ser o senador que tentou aprovar um projeto que exige a identificação dos usuários antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de e-mails, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros. O projeto já foi saudado como demente, absurdo, inconstitucional, orwelliano, ditatorial, e produto de uma massa encéfalica que não tem a menor idéia de como funciona a internet.

Os primeiros cinco adjetivos se aplicam, sem dúvida, mas pelo que vi até agora só os leitores do Nova Corja sabem que No texto do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar intitulado “As Cabeças do Congresso”, de 2003, o senador Eduardo Azeredo (PSDB/ MG) é descrito da seguinte forma: “É especialista em tecnologia da informação, tendo sido presidente da Empresa de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais, superintendente da DATAMEC, da Empresa de Processamento de Dados de Belo Horizonte, além de presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO”. O senador teve o financiamento de R$ 150 mil para sua campanha de 2002 da Scorpus Tecnologia S.A. (link). O Rodrigo Alvares do Nova Corja vai além e mostra o interesse do Bradesco, financiador de Azeredo, nesse projeto.

Mais adiante, o mesmo blog apontou que Quando a Receita Federal decidiu ampliar seus serviços na internet, adivinhe qual empresa chamou garantir os certificados digitais. Isso mesmo: a Serpro de Eduardo Azeredo (PSDB/ MG). Desde 2001, com a criação da Infra-estrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil), a empresa passou a emitir certificados para órgãos da Administração Pública Federal. O negócio foi tão lucrativo que a empresa apostou no novo negócio e começou a oferecer a certificação como um produto para seus clientes.

Fui eu quem passou batido em algum detalhe ou o Nova Corja deu um baile investigativo no Globo, Folha, Estadão e congêneres? O máximo que me lembro ter lido na Folha foi uma referência a um vago "lobby dos bancos". Como se sabe, a votação do projeto foi adiada. Mas que ele tenha sido aprovado na Comissão de Educação do Senado já é motivo suficiente para que façamos barulho.

PS: O bonequinho eu roubei via Träsel.



  Escrito por Idelber às 13:26 | link para este post | Comentários (23)


Comentários

#1

É inacreditável, Idelber. A gente só acredita pq é com a gente que tá acontecendo. Surreal, meu filho.

Fal em novembro 10, 2006 2:53 PM


#2

Ah, vai chegar o dia em que um camarada qualquer, com um jornalzinho de mimeógrafo* (tiragem: 15), vai dar baile na Folha, Veja, Estadão, etc. Inclusive acho que esse dia chega antes do fim do ano.

Imagina, os caras do Noja Corja não tiraram sequer a bunda da cadeira e a cara da internet prá juntar todas essas informações!

Pior que mesmo com a gritaria toda que rolou no dia (só eu mandei a lista com os emails de todos os senadores para um monte de gente) resolveram apenas adiar a votação, ainda não engavetaram esse projeto bobo.

Sem dúvida que esse projeto é coisa dos bancos. Eles estão louquinhos prá tirar dos próprios ombros a responsabilidade pela segurança de seus sites.

Daniel em novembro 10, 2006 3:18 PM


#3

*ainda existe mimeógrafo?

Daniel em novembro 10, 2006 3:18 PM


#4

Putz, professor, perdi a discussão sobre o Terras do sem fim. É uma pena! Tive toneladas de provas para corrigir e tive que revisar um trabalho de graduação, além de um sistema que estou terminando. Uma pena mesmo!!

Da próxima vez, quem sabe? Aliás, as sugestões ainda estão abertas?

Sobre o projeto, em uma palavra: ridículo.

Até...

Edkallenn em novembro 10, 2006 5:57 PM


#5

Nem o pessoal do DOPS poderia ir tão longe. Temos que ficar de olho, MESMO!!!!!!!
gd ab e ótimo finde

JULIO CESAR CORRÊA em novembro 11, 2006 11:08 AM


#6

pois é, Idelber...
é por essas e outras q a "grande imprensa" foi, na minha opinião, a grande derrotada dessas últimas eleições.
é claro q não é todo e qq jornalista, mas há uma parte q imagina q a mídia tem força para levar a opinião pública pra onde quiser, através de métodos lamentáveis do tipo "vamos arrasar com a reputação de fulano em menos de uma semana"...
o resultado final das eleições, apesar de toda campanha explícita e implícita, felizmente mostrou q esse "poder" tem seus limites.
e a verdade é q, eqto a maior parte dos grandes veículos continuar a servir apenas como máquina ideológica, o espaço para o jornalismo investigativo "doa a quem doer" só tende a diminuir, ainda mais qdo esbarrar nos interesses e rabos-presos corportativos.

abs,

PS: e viva os blogs sem rabo-preso, né?

dra em novembro 11, 2006 12:15 PM


#7

Venho publicando alguns posts sobre este assunto. Meus argumentos contra o projeto são de outra natureza, mas foi muito bom ler o que vc escreveu.

José Alberto Farias em novembro 11, 2006 2:16 PM


#8

Idelbar,
Muito bom o artigo e melhores ainda os links.Não sei se é informação pertinente, mas a CCJé composta por 23 titulares e igual número de suplentes. Acho que deveríamos enviar correspondência de repúdio ao projeto do Azeredo a todos os membros da Comissão que, por sinal é presidida pelo ACM. Como a lista é grande, como você vai ver abaixo, talvêz a melhor maneira de economizar tempo é enviar o protesto à Secretaria Geral da Mesa sgm@senado.gov.br solicitanto distribuição entre os membros da Comissão.
Abs e parabéns.
Augusto César

Senado Federal
CCJ
Comissão de Constituição e Justiça
Secretaria Geral da Mesa: sgm@senado.gov.br

Titulares

Antonio Carlos Magalhães (PFL) - acm@senador.gov.br
César Borges (PFL) – cesarborges@senador.gov.br
Demostenes Torres (PFL) – demostenes.torres@senador.gov.br
Edison Lobão (PFL) – edison.lobao@senador.gov.br
José Jorge (PFL) – jose.jorge@senador.gov.br
João Batista Motta (PSDB) – jbmotta@senador.gov.br
Alvaro Dias (PSDB) – alvarodias@senador.gov.br
Arthur Virgílio (PSDB) – arthur.virgilio@senador.gov.br
Juvêncio da Fonseca – juvêncio.Fonseca@senador.gov.br
Ramez Tebet (PMDB) – ramez@senador.gov.br
Ney Suassuna (PMDB) – neysuassun@senador.gov.br
Roberto Cavalcanti (PRB) – robertocavalcanti@senador.gov.br
Romero Jucá (PMDB) – romero.juca@senador.gov.br
Amir Lando (PMDB) – amir.lando@senador.gov.br
Pedro Simon (PMDB) – simon@senador.gov.br
Aloizio Mercadante (PT) – mercadante@senador.gov.br
Eduardo Suplicy (PT) – eduardo.Suplicy@senador.gov.br
Fernando Bezerra (PTB) – fbezerra@senador.gov.br
Magno Malta (PL) – magnomalta@senador.gov.br
Ideli Salvatti (PT) – ideli.salvatti@senadora.gov.br
Antônio Carlos Valadares (PSB) – antval@senador.gov.br
Serys Slhessarenko (PT) – serys@senadora.gov.br
Jefferson Peres (PDT) – jefperes@senador.gov.br

Suplentes

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Maria do Carmo Alves (PFL) – maria.carmo@senadora.gov.br
José Agripino (PFL) – jose.agripino@senador.gov.br
Jorge Bornhausen (PFL) Bornhausen@senador.gov.br
Rodolpho Tourinho (PFL) – rodolpho.tourinho@senador.gov.br
Tasso Jereissati (PSDB) – tasso.jereissati@senador.gov.br
Eduardo Azeredo (PSDB) – eduardo.azeredo@senador.gov.br
Leonel Pavan (PSDB) – pavan@senador.gov.br
Lúcia Vânia (PSDB) – lucia.vânia@senadora.gov.br
Luiz Otavio (PMDB) – luiz.otavio@senador.gov.br
Geovani Borges (PMDB) geovaniborges@senador.gov.br
Sérgio Cabral (PMDB) – sergio.cabral@senador.gov.br
Allmeida Lima (PMDB) – almeida.lima@senador.gov.br
Wellington Salgado de Oliveira (PMDB) – wellington.salgado@senador.gov.br
Garibaldi Alves Filho (PMDB) – garibaldi.alves@senador.gov.br
Delcidio Amaral (PT) – delcidio.amaral@senador.gov.br
Paulo Paim (PT) – paulopaim@senador.gov.br
Sérgio Zambiasi (PTB) – sergio.zambiasi@senador.gov.br
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Sibá Machado (PT) – siba@senador.gov.br
Mozarildo Cavalcanti (PTB) – mozarildo@senador.gov.br
Marcelo Crivella(2)(4) (PRB) – crivella@senador.gov.br
Osmar Dias (PDT) – osmardias@senador.gov.br

Augusto César em novembro 11, 2006 5:07 PM


#9

SEja benvindo a BH, mais uma vez...
Quanto ao Eduardo Azeredo, seu nome diz tudo: Aze(re)do!

Cláudio Costa em novembro 11, 2006 7:08 PM


#10

Idelber,
Desculpe, mas não resisti.Seguem abaixo duas conbtribuições do Tutty Vasques sobre a discussão do projeto do Azeredo.
Abs.
Augusto César

http://nominimo.ig.com.br/
Tutty Vasques

Sabe tudo
O PSDB deve recuperar a liderança da bancada da lambança no Congresso graças ao senador Eduardo Azeredo, o tucano aloprado que queria instituir o crachá de internauta na web. Deve ter gente no PT preocupada

Biografia
O tucano Eduardo Azeredo tinha bons motivos para querer acabar com a Internet. Não quer ser lembrado como o senador que inventou o Marcos Valério

Augusto César em novembro 11, 2006 8:04 PM


#11

Creeeedo! Engraçado que fiquei sabendo disso por seu blog, se for depender da imprensa "normal" divulgar...
Beijos e obrigada pelas informações.
OBS: Só foi noticiado o negócio da "carteirinha" internautica.

Flávia Nogueira em novembro 11, 2006 10:58 PM


#12

O Nova Corja tem dado um banho em todos os meios da imprensa. Neste caso, a cobertura do problema Azeredo foi perfeita.

Só que a Nova Corja faz o mesmo diariamente com os absurdos do governo Lula e estes posts nunca são mencionados aqui. Bastou aparecer um nome do PSDB lá e ... tchan !

Paulo em novembro 12, 2006 9:25 AM


#13

Por que o Biscoito não comentou esse post da Nova Corja, por exemplo ?

http://www.insanus.org/novacorja/archives/018389.html

Paulo em novembro 12, 2006 9:28 AM


#14

CARO IDELBER

O senhor Eduardo Azeredo foi talvez o pior governador que o Estado de Minas Gerais já teve.

O seu envolvimento com o MENSALÃO está bem explicado no livro "O operador", de Lucas Figueiredo, 252 pp. Editora Record, 2006. Mas me pareceu que o jornalista ainda poderia ir mais fundo!

Creio no entanto que as duas piores decisões tomadas pelo senhor Eduardo Azeredo NÃO FORAM CITADAS. (1) Quando governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo fez um contrato criminoso no qual a administração da CEMIG passava para terceiros, NÃO TRAZENDO NEHNUMA VANTAGEM PARA O POVO MINEIRO. A danosa operação, que pretendia ao seu final passar o controle da empresa para terceiros, foi interrompida com a vitória de ITAMAR FRANCO nas eleições de 1998.
(2) O outro episódio terrível que o senhor Eduardo Azeredo foi figura central foi a greve da PM mineira, com danosa repercussão em todo o país.

Ambos episódios foram FARTAMENTE DIVULGADOS. Creio que a reação popular se deu nas urnas quando o referido político perdeu a eleição para governador.

É uma pena que este político não tenha RENUNCIADO!

Paulo em novembro 12, 2006 2:35 PM


#15

Mas Paulo (dos comentários 12 e 13), se de policiar se trata, a sua pergunta é reversível: onde estava a sua reclamação de simetria quando eu critiquei as lambanças do PT aqui e aqui, ou ataquei os chefes do mensalão aqui e aqui, entre vários outros exemplos?

Idelber em novembro 12, 2006 11:01 PM


#16

Falzuca, prepare-se, mô fia, porque livre como ainda é a internets (Bush dixit) não fica não!

Idelber em novembro 12, 2006 11:04 PM


#17

Eu não tinha visto o post da Nova Corja. Eu também fiz um post sobre o Azeredo _ e tinha descoberto que enquanto o Bradesco foi o terceiro maior contribuinte na campanha do Senador em 2002, via Scopus, braço tecnológico do Banco, o Banco Safra havia sido o maior contribuinte, o primeiro da lista do TSE.

Mas eu não entendi bem esta história de "Serpro do Senador Azeredo". O Serpro é uma empresa pública, foi criado para dar suporte aos sistemas corporativos do governo federal. Veja:

http://www.serpro.gov.br/instituicao/quem/

Talvez a confusão tenha sido motivada pelo seguinte parágrafo:

"Contamos também com a presença do Ex-presidente do SERPRO, Eduardo Azeredo, com a representante do Prefeito Municipal, Eugênia Bossi Fraga, Diretora da PRODABEL, além da Assessora da Presidência do SERPRO, Themis Assis Brasil. A solenidade foi aberta pelo gerente da SCBHE, Ricardo Valério Martelleto, representando os gerentes das projeções regionais e pelo Diretor do SERPRO, José Henrique Santos Portugal."

Independentemente do que possa ter rolado, não há nada de mais em o Serpro prover serviços para a Receita _ ele foi criado pra isso.

Hermenauta em novembro 13, 2006 6:13 AM


#18

Absurdo como esse, só mesmo a lei que obriga às empresas de ônibus a gratuidade das passagens ou 50% aos idosos que desejam viajar, e se tiverem prejuízo com isso, deve reclamar só depois... O "presente" então não existe, minha gente?
Tem cada um nesse país que parece até dois...
Bjs

Ana em novembro 13, 2006 7:15 AM


#19

Hermê, foi um uso confuso do genitivo ´de´ por parte do pessoal da Nova Corja. Onde queriam dizer ´SERPRO dirigida por E. Azeredo´, disseram ´SERPRO do Azeredo´.

Idelber em novembro 13, 2006 8:54 AM


#20

Não tenho simpatias pelo Sr. Eduardo Azeredo, mas nem por isso fico tecendo argumentos falaciosos para derrubar o projeto dele. Acho que uma coisa nada tem haver com a outra. O fato de ele ser “mensaleiro” ou dono de empresa que administra “chaves-públicas” não inviabiliza a necessidade de se criar um sistema de autenticação dos usuários para acessar a WEB e seus serviços, uma espécie de “passaporte virtual”. Essa lebre que o seu blog levanta a respeito da especulação financeira em vista desta modalidade de controle de acesso, vejo como teoria de conspiração. Responda qual serviço é gratuito na internet? Você pode citar vários, mas cada pessoa que acessa a internet paga algo quer seja o acesso (banda larga) discado (conta telefônica) provedor de conteúdo (UOL, GLOBO, TERRA e etc) e se não paga diretamente alguém paga por ela. De graça na internet nem injeção na testa. O blog do José Alberto traz uma discussão sem sensacionalismo desta questão (http://josealbertofarias.blogspot.com/).
Acho que palavras doces não resolvem a questão, incitar os ânimos dos internautas sem oferecer argumentos que não sejam baseados em sofismas e falácias para que estes reflitam sobre a questão de forma consciente e mais digno. O que o Sr. Eduardo Azeredo propões e retirar do anonimato todos os internautas e não lhes cecear a liberdade de expressão. O projeto dele é tosco, mas a idéia central é brilhante. Hoje quando nasce um cidadão, para este ser reconhecido pelo Estado, o mesmo precisa ser registrado pelos pais em cartório e não há nada de errado nisto. Por que que quando nasce um internauta o mesmo não precisa ser registrado? Visto que na WEB o anonimato é a principal cortina de fumaça de indivíduos mau caráter que pretendem cometer crimes virtuais. Como cidadão idôneo e escrupuloso não vejo problema algum em ser registrado e identificado pelo estado brasileiro como usuário da WEB. Quem não deve não teme e quem teme tenta arrebanhar incautos para seus objetivos torpes.

Precisamos discutir com argumentos fortes e não com falácias e sensacionalismos tendenciosos. Massa de manobra não!

Defendo A LIBERDADE COM ÉTICA.

Jorge em novembro 14, 2006 12:22 PM


#21

muito me honra ser lido pelo prezado blogueiro.

träsel em novembro 17, 2006 2:11 PM


#22

diz a verdade, jorge, você é correligionário ou cabo eleitoral do azeredo, não?

aqui há links para diversos textos com muitos argumentos bons, que você provavelmente não leu, pois seu comentário demonstra total desconhecimento do funcionamento da rede:

http://blog.laudano.com.br/2006/11/o-brasil-realmente-nao-entendeu-a-internet.html

träsel em novembro 17, 2006 2:14 PM


#23

Vocês todos matam a pau lá, Träsel. Mesmo quando eu discordo eu gosto muito de ler.

Gostei pacas da charge da pantalha :-)

Idelber em novembro 17, 2006 11:58 PM