Meu Perfil
Um weblog anti-apocalíptico sobre polí­tica, música, futebol e literatura.



email: idelberavelar gmail ponto com
Sobre o autor
 Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane
 Prêmio Itamaraty (pdf)
 The Untimely Present
 The Letter of Violence
 Alegorias da Derrota
 Ensaio sobre o PT
 Balanço Governo Lula
 Ensaio Música Mineira
 Ensaio sobre 11/09
 Entrevista no Chile
 Entrevista no Gravatá
 Ensaio sobre o Galo


Sobre ela
 Um defeito de cor
 Ao lado e à margem do que sentes por mim
 Prêmio Casa de las Américas
 Comentário de Millôr
 Comentário de Risério
 Resenha na Folha de Pernambuco
 Entrevista na Record
 Entrevista na Globo News
 Entrevista na Novae (2002)


Direto do arquivo
 Decálogo do blogueiro
 Perfil do direitista tupiniquim
 ABC das eleições americanas
 Valsa, Polca e Maxixe
 Discoteca do Mangue Beat
 Homenagem a Silviano Santiago
 A Globo e as eleições
 Katrina, em 10 datas
 On Cult studies and blogs
 Bloomsday
 Sobre o luto
 Entrevista com José M. Wisnik
 Entrevista com Martín Kohan


Histórico
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 Clube de leituras
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Visito
 Acontecimentos
 Afrodite sem Olimpo
 Afonso, o Chato
 After the Fall
 Agência Carta Maior
 Aguafuertes
 Alcinéa Cavalcante
 Alê Felix
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Amante profissional
 Ane Aguirre
 Animot
 Antônio Carlos Miguel
 Ao mirante, Nelson!
 Bala perdida
 Balípodo
 Bereteando
 Biajoni!
 Bibi's Box
 Big muff
 Blog do Alon
 Blog do Cássio
 Blog do galinho
 Blog do Juarez
 Blog do Mello
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blog dos Perrusi
 Blogafora
 blowg
 The brain eaters
 Brainstorm # 9
 Branco Leone
 Bratislava
 Bugio
 Caldos de tipos
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Caryorker
 A casa da colina
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cinefilia
 Cinematógrafo
 Cintaliga
 Cocadaboa
 Conejillo de Indias
 Contra Capa
 Contraditorium
 Controvérsia
 Conversa afiada
 Cria Minha
 Cris Dias
 Crônicas perversas
 Cultura e barbárie
 Cyn City
 Cynthia Semíramis
 Uma dama não comenta
 Daniel Lopes
 De olho no fato
 De primeira
 De Rasuras
 Dez polegadas
 Diálogico
 Diário da Lulu
 Diário da Odalisca
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Diário gauche
 Diplomacia bossa nova
 Discoteca básica
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Don Quijote
 Dossiê Alex Primo
 ¡Drops da Fal!
 Duas Fridas
 É bom para quem gosta
 É por aqui que vai pra lá?
 eblog
 Ecologia Digital
 Enloucrescendo
 Enquanto seu blog não vem
 Epicaos
 EraOdito
 Escrúpulos Precários
 Eugenia in the meadow
 O eu profundo
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 A Feminista
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Fósforo
 Fina flor
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Futebol, política e cachaça
 Gabinete dentário
 Galo é amor
 Garotas que dizem ni
 Gejfin
 Gravatá
 Gravataí Merengue
 Groselha news
 Guga Alayon
 Guia de literatura
 Hedonismos
 Hermenauta
 Histórias do Brasil
 HQ e cultura
 Hunny.bunny
 Idéias mutantes
 Impedimento
 Impostor
 Imprensa Marrom
 Incautos do ontem
 Ingresia
 InternETC
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jon Kepa
 Juca Kfouri
 Juliano Rosa
 Kit Básico da Mulher Moderna
 La lectora provisoria
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 Letícia na web
 Liberal Libertário Libertino
 Limpo no lance
 Linkillo
 Lino Resende
 Lixo Tipo Especial
 Lixomania
 Lord Broken Pottery
 Luis Nassif
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 Maísa na blogosfera
 Uma Malla pelo mundo
 Marcelo Coelho
 Marconi Leal
 Marmota
 Martelada
 Meio bossa nova
 Melômano
 Meta.comunix
 Milton Ribeiro
 Mineiras, uai!
 Mino Carta: direto da Olivetti
 Mothern
 Monolingua
 Mox in the sky with diamonds
 Música popular do Brasil
 Na média
 Na prática a teoria é outra
 Nababu
 Nación apache
 Nalu
 Nei Lopes
 Noncapisconiente
 Nova corja
 Novo mundo
 Nóvoa em folha
 Odisséia literária
 Óleo do diabo
 Olho de boi
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 A Ostra e o vento
 Outros dias
 Overmundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Paralelos
 Parede de meia
 Pátria futebol clube
 Pecus Bilis
 Pedro Alexandre Sanches
 Pedro Dória
 O pensador selvagem
 Pensamentos esparsos
 Pensar enlouquece
 Perto do coração selvagem
 Pirão sem dono
 Poemas del alma
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Prosaico20mgs
 Puente aéreo
 Quando, onde e como
 Que cazzo
 Querido leitor
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Retrato do artista quando tolo
 Ricardo Antunes da Costa
 Río fugitivo
 Rizomas
 Roda de ciência
 Rosebud NYC
 RS urgente
 Sandino
 Seqüências parisienses
 Sergio Leo
 Serbão
 Sérgio blog 2.3
 Silenzio, no hay banda
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 Soninha
 Soninha (gabinete)
 A Sopa no exílio
 Sovaco de cobra
 Sub rosa v.2
 Superfície reflexiva
 Talqualmente
 Tapera
 Taxitramas
 Tentativas de mitologia
 Terapia Zero
 Tiago Dória
 Todo prosa
 Todos os fogos o fogo
 Tordesilhas
 Torero
 Torre de marfim
 Três amigos
 Tudo pode acontecer
 Tudo que é sólido se desmancha no ar
 Túlio Vianna
 Umbigo do sonho
 Ultimas de Babel
 Universo anárquico
 Vejo tudo e não morro
 Velho do farol
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 A vida em palavras
 Virunduns
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro




selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« A Internet do Sr. Eduardo Azeredo :: Pag. Principal :: El entenado, de Juan José Saer »

segunda-feira, 13 de novembro 2006

Políticos processando cidadãos

orwell.jpg Nos últimos anos, quatro episódios envolvendo três processos e uma ameaça de processo a cidadãos comuns por supostas injúrias ou calúnias contra políticos de diferentes ideologias colocaram de novo na mesa o debate sobre a livre expressão no Brasil. Em defesa, não da imparcialidade, mas da coêrencia deste blogueiro, diga-se que nos quatro casos eu me coloquei inequívoca e publicamente do lado dos processados - ao contrário, imagino, de boa parte dos que me criticam (alguns anonimamente) por defender `cegamente´ o governo Lula ou o PT. Dois dos políticos que moveram ou ameaçaram mover processos nesses quatro casos eram do PT.

Na semana passada, Emir Sader foi condenado a um ano de reclusão (a ser cumprida em liberdade, dada sua condição de réu primário) e, pasmem, à perda de um cargo na UERJ, por haver se referido à `mente suja´ e ao ´racismo´ do senador Jorge Bornhausen, que declarara jubilante, antes da surra do 29 de outubro, que o Brasil iria `ficar livre dessa raça´ [o PT] por ´trinta anos´. Num processo por crime de opinião, movido por um parlamentar que goza de imunidade, contra um cidadão comum (seja jornalista, sociólogo ou o que for), você, me desculpe o maniqueísmo, só pode ocupar um de dois lugares: o lado da liberdade de expressão ou o lado do cala-boca. Não há meio-termo. Daí que os debates sobre o acerto da opinião de Emir Sader sobre Bornhausen ou sobre a estatura intelectual de Sader sejam, agora, completamente inapropriados – e eu tenho minhas opiniões sobre o que infelizmente disse Marcelo Coelho aqui ou o que desdenhosamente disse, na Folha, o desconhecido Fernando de Barros e Silva aqui , ou o que afirmou, com incomum cretinice, Bárbara Gancia aqui (os dois últimos links para assinantes). Agora, o que importa é uma coisa: você acha que o cidadão deve ser livre, ´neste país´, para achar que as declarações de um senador podem ter sido movidas por racismo, ou acha que não? Por achar que sim, assinei o manifesto de solidariedade a Sader encabeçado pelo meu mestre Antonio Candido. O Biscoito convida: assine você também.

Durante a recente campanha eleitoral, o coronel ex-ARENA, ex-PDS, ex-Frente Liberal e neolulista José Sarney processou a minha amiga blogueira e jornalista Alcinéa Cavalcanti, numa seqüência de ataques covardes que resultaram em condenações a indenização monetária e, pasmem, direito de resposta em blog pessoal que já tinha sido tirado do ar como resultado do próprio processo judicial! Na época, o apoio deste blog a Alcinéa expressou-se aqui, ali, e acolá; o resumão do movimento de solidariedade blogueira a Alcinéa foi feito por mestre Inagaki, da forma classuda de sempre, aqui.

No dia 14 de abril de 2005, Demétrio Magnoli publicou, na Folha de São Paulo, um artigo em que se referia ao Ministro Tarso Genro como o Ministro da Classificação Racial. Tarso, que sempre gostou de se apresentar como ´intelectual´no PT, atualmente está movendo contra Mignoli um processo que ainda aguarda sentença. O Biscoito manda a inequívoca e incondicional solidariedade a Magnoli e o repúdio à infeliz decisão de Tarso Genro.

Em novembro de 2003, o talentosíssimo sociólogo Francisco de Oliveira, lenda viva do pensamento de esquerda no Brasil, referira-se ao então todo poderoso ministro José Dirceu como `espertalhão´ e, ao contrário do que afirmou a Folha de São Paulo, não o chamou de ´safado´, e sim disse, literalmente, A política não se resume a rapapés, salamaleques e golpes de espertalhões que pensam que estão inventando a roda, como esse ministro José Dirceu. Nisso, ele se parece com qualquer político safado do Brasil . Na época, o ex-guerrilheiro e ex-chefe da ´Articulação´ que criou os Delúbios ameaçou publicamente, do alto da sua condição de ministro da Casa Civil, um processo contra Chico. O professor Chico, como cavalheiro que é, emitiu uma retratação meia-boca para acalmar o espertalhão, e evitou-se o processo. Na época em que Dirceu ainda era o ministro poderosão, num site com um público leitor considerável, dentro e fora do Brasil, eu escrevi em inequívoca solidariedade a Chico o ponto número 7 desse texto aqui (alguém que saiba inglês traduza o parágrafo aí nos comentários).

Por isso, leitor que ocasionalmente, de forma educada ou não, tenha questionado a minha defesa do governo nesta campanha eleitoral, dê uma olhadinha no histórico do blog no quesito ´defesa da liberdade de expressão´. Nos comentários a este post, como sempre, você é livre para discordar e achar que uma ou mais dessas quatro vítimas cometeram crime passível de processo. Mas sinto-me obrigado a dizer que qualquer comentário que ataque Chico, Magnoli, Alcinéa ou Sader com injúrias será apagado. No minifúndio deste blog, a palavra final sobre qual comentário ultrapassou a linha da injúria cabe, obviamente, a mim.

De minha parte, acrescento: esse negócio de político com imunidade parlamentar ou ministerial processando cidadão comum por crime de opinião tem que acabar. E você, o que acha? Estou particularmente interessado em saber se você vê alguma diferença importante entre esses quatro casos. Diga lá.



  Escrito por Idelber às 01:43 | link para este post | Comentários (62)


Comentários

#1

Grande Idalba,

Não é de se admirar muito que após pelo menos uma ou duas décadas com faculdades de esquina despejando advogados no mercado, a cultura da litigância tenha chegado entre nós.

Dito isto, tenho que dizer que carrego mixed feelings sobre esta história toda. Vamos fazer algumas distinções. Nos casos de Sader, Chico e Magnoli, temos pessoas bastante conhecidas veiculando suas opiniões em veículos de mídia importantes. Um agravante em qualquer processo de calúnia e difamação é o tamanho da publicidade que teve a injúria. O caso da Alcinéa é diferente, pois ela é uma blogueira e os blogs (ainda) não têm o alcance que os grandes veículos de mídia têm _ embora essa distinção venha se apagando aos poucos.

Dito isto, eu acho que há dois elementos a serem levados em consideração: em primeiro lugar, acho que a luta política é um campo um tanto distinto das querelas privadas, e que os juízes deveriam ou poderiam ter um pouco mais de sensibilidade em julgar casos assim. Especialmente no caso do Sader, o sentenciamento à perda do cargo não guarda nenhuma proporcionalidade com o que foi dito sobre o Senador _ o Sr. Bornhausen certamente não teve sua subsistência ameaçada pelo que o Sader disse, não é?

Por outro lado, as pessoas também tem que ser um pouco mais cuidadosas com o que dizem. Eu também achei o artigo do Sader um pouco raivoso demais e desproporcional ao que o Bornhausen disse. Pode ser até que o Sader tenha informações de coxia sobre o Senador, pode até ser que o Bornhauser tenha uma fazenda de escravos em Santa Catarina _ a prática infelizmente não é incomum entre parlamentares fazendeiros(!) _ mas no frigir dos ovos a resposta dele ao Bornhauser foi acima do tom.

Uma coisa que vivo observando nos blogs americanos é que dificilmente a gente vê, por exemplo, o tipo de troll que se vê pela terra brasilis. Claro, pode ser um certo bias, vai ver os blogs que leio são de melhor qualidade, ou vai ver que eles apaguem os trolls mais rápido que nós, mas não creio, acho que lá a coisa é um pouco mais civilizada no embate de idéias _ o que aliás rende momentos belissimos no exercício da grande arte da ironia. Porque rir com arte de alguém sempre é melhor do que xingá-lo.

abçs!

Hermenauta em novembro 13, 2006 6:01 AM


#2

Idelber,
Acho que todos têm o direito de se sentirem ofendidos, entrarem com processo, e coisa e tal. Mas como o Hermenauta disse, o julgador tem que ser mais responsável ao analisar casos assim, pois realmente a pena do Sader me parece ter sido muito desproporcional ao incoveniente causado ao Bornhausen... "certamente não teve sua subsistência ameaçada pelo que o Sader disse, não é?
Mudando de assunto: não sei se estará aqui, mas 4ª feira, dia 15 - FERIADO - haverá show do Chapéu Panamá, comemoração de 02 anos de banda com convidados especiais no palco. Vc e a minha escritora predileta são nossos convidados, ok?
Será no RECICLO - ASMARE.
Mais informações no site da banda: www.chapeupanama.com
Bjos

Ana em novembro 13, 2006 7:11 AM


#3

Caro Idelber
Acho lamentável a decisão judicial sobre o episódio ‘professor Emir Sader x o senador’. O caminho desta ação seria certamente o ARQUIVAMENTO! O fato dos congressistas possuírem IMUNIDADE QUANTO A TRIBUNA, deveria levar a Justiça a entender que os demais cidadãos possam se expressar publicamente e de forma CONTRÁRIA à dos parlamentares. Com esta prática penso que haveria equilíbrio entre as partes.

O eminente professor Emir Sader, em relação a PUBLICAÇÃO de suas opiniões, NÃO É um “cidadão comum” (na expressão infelizmente popularizada). Ao contrário, ELE É UM CIDADÃO QUE POSSUI MAIS ESPAÇO NA MIDIA que nós outros. Faltou a Emir Sader, no entanto, uma maior CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO contra o senador, em assunto especialmente espinhoso. E acabou que o professor caiu em alguma coisa semelhante a uma cilada nas AFIRMAÇÕES GRATUÍTAS ESPERANDO CONTESTAÇÃO, feitas pelo senador. O PIOR É que o senador conseguiu, em grande medida, NEUTRALIZAR suas afirmações estapafúrdias sob a cortina de uma DECISÃO JUDICIAL que aparentemente lhe beneficiou. ASSIM PERDEMOS TODOS com esta decisão que poderá eventualmente se voltar contra cada um de nós.

Não creio, NO ENTANTO, que temos um time de ‘mauzinhos’: Sarney, Dirceu, Bornhausen e Tarso Genro; contra um time de ‘bonzinhos’: Chico, Mignoli, Alcinéa ou Sader. Mas a questão contra ALCINEA, por seu caráter inicialmente informativo e não de franca expressão de uma opinião, revela-se diferente se comparado com os demais apresentados. É injusto.

P.S.
A prova de que há no país um problema BEM MAIOR de falta de eqüidade na relação PODER PÚBLICO x cidadão, é o caso do acesso criminoso à conta bancária do jardineiro pelo ministro da fazenda!

Paulo em novembro 13, 2006 7:43 AM


#4

Olá. Engraçado é que há poucos dias escrevi um post citando também o 1984, de Orwell. Tal obra previu muito do que acontece atualmente, e muito do que pode vir a ocorrer no futuro. É de pasmar.

Edd em novembro 13, 2006 9:22 AM


#5

Desculpe, mas não é MAgnoli, ao invés de MIGnoli?

Eu não entendo a perseguição que rola com o Emir Sader, antes e depois da história do processo do Senador. Se ele e sua obra são tão desimportantes e medíocres como dizem, por que se gasta tanta tinta e tantos pixels na tentativa de desqualificá-lo? Li vários textos dele na internet (meio fracos), vários na Caros Amigos (bem melhores) e o vi falando algumas vezes, no Forum Social Mundial. Pode não ser o mais brilhante intelectual do mundo, está certamente há milhas e milhas de ser um Chico de Oliveira, mas nunca me pareceu o paspalho que pintam por aí.

Eu não sabia do caso do Chico de Oliveira nem do caso do Tarso Genro x Demétrio Magnoli. Que horror, hein? Concordo com o Idelber: em todos esses casos, independente da escala de influência dos processados, não tem como ficar do lado de quem está processando.

Daniel em novembro 13, 2006 9:30 AM


#6

Assino embaixo,

Milton Ribeiro em novembro 13, 2006 10:19 AM


#7

É difícil não concordar que a reação do senador Bornhausen foi ridiculamente desproporcional, histérica e descabida. Mas eu realmente não acho que Emir Sader está lá muito coberto de razão. É preciso pensar e evitar o double standart: será que se falaria a mesma coisa a respeito de liberdade de expressão e censura se o senador Bornhausen (que na minha opinião realmente não é lá flor que se cheire) chamasse Sader de mente suja, mesquinho, despezível, racista, fascista? Isso é crime contra a honra, tipificado claramente no Código Penal. Por mais que haja motivo, sair falando desse jeito é no mínimo ingênuo. Mesmo que moralmente Sader tenha razão (que na minha opinião tb não tem, me parecem dois bobos brigando, um mais errado que o outro), legalmente não tem nenhuma.

Alessandra em novembro 13, 2006 10:59 AM


#8

Gente, no link abaixo há o novo artigo do "desconhecido" (sic) Fernando Barros e Silva. Ali podemos constatar a contradição de Emir Sader como vítima em um processo e testemunha de acusação em outro do mesmo tipo:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1311200603.htm

Qual seria a opinião do blog sobre este segundo processo ?

Juca Azevedo em novembro 13, 2006 11:05 AM


#9

Idelber,

O bloglines não esta atualizando os feeds do Biscoito. Algum problema conhecido?

[]'s

RodrigoSol em novembro 13, 2006 11:06 AM


#10

Extraído do artido de Fernando Barros e Silva:

"Alguns leitores consideraram muito duras ou injustas as palavras que dirigi a Emir Sader na última segunda. Explico-me melhor e agrego novos fatos à discussão, cuja importância vai muito além da estatura do personagem.
No texto do abaixo-assinado em solidariedade a Sader se lê que a decisão do juiz visa "impedir o direito de livre expressão" e "criminalizar o pensamento crítico". Balela.
O manifesto é oportunista e hipócrita. É oportunista porque quem aprova a execução dos dissidentes cubanos não pode ser a favor da "livre expressão". São coisas excludentes -e isso é simples assim.
É hipócrita porque o petista mobiliza contra outro intelectual o mesmo instrumento que condena para si. Embora pouca gente saiba, Sader é testemunha de acusação de um processo em curso contra César Benjamin, vice de Heloísa Helena.
Trata-se, como este que o senador Bornhausen move contra Sader, de um processo por calúnia e difamação. Quem acusa (ou tenta "impedir o direito de livre expressão" de) Benjamin é Ivana Jinkings, grande parceira de Sader e sócia da editora Boitempo. E por quê?
Porque num e-mail de circulação restrita, escrito em 2004 e destinado ao próprio Sader, Benjamin narra como praticamente flagrou a dupla -que, segundo ele, fraudou uma licitação e superfaturou a publicação do livro "Governo Lula: Decifrando o Enigma". Resultado de um convênio com uma fundação alemã, a obra foi publicada pela Boitempo.
O caso está na Justiça e um dia seus detalhes sórdidos (são muitos) virão a público. Sem dúvida menor, esse episódio ilustra no entanto a deterioração e o cinismo de parte expressiva da esquerda brasileira.
Uma esquerda que se vale de manifestos e recorre à patota ao mesmo tempo em que invoca princípios para legitimar sua demanda por impunidade diante da lei e do público. Uma esquerda intelectualmente embotada, incapaz de refletir a sério sobre o alcance da vitória de Lula, tão mais problemática e passível de críticas do que sugerem os slogans triunfalistas repisados pelos que teriam a obrigação de pensar."

Juca Azevedo em novembro 13, 2006 11:08 AM


#11

Daniel, você está certo, é Magnoli. Já corrigi o post, obrigado.

Rodrigo, estamos mesmo com problema no RSS. Estou tentando resolver, valeu o toque.

Obrigado, Ana, infelizmente no dia 15 à noite já estarei no Rio...

Juca, se os detalhes do processo forem os que diz o tal Fernando Barros e Silva, a posição do blog seria clara: a favor de Cesar Benjamin e contra Sader, da mesma forma como fiquei contra Dirceu a favor de Chico de Oliveira.

Daqui a pouco volto para responder aos demais com calma, porque quero expandir um pouco em cima do que disseram Hermê, Alessandra e Paulo. Abraços,

Idelber em novembro 13, 2006 11:17 AM


#12

Não entendi o comentário de Fernando Barros Silva trazido pelo Juca.

Pelo que eu sei, o manifesto é contra a expulsão de Sader da UERJ, não a favor dele incondicionalmente, em qualquer situação e/ou lugar. Se ele falou bobagem, acho que o direito de expressão, inclusive concernente a bobagens, deveria sempre ser observado. Se ele é testemunha em outro processo, tão estúpido quanto o que há contra ele, então que o juiz do outro processo seja mais sábio que o que condenou Sader. E se for o caso, que haja neste outro processo um manifesto também, a favor de Cesar Benjamin.

Enfim, não há porque desqualificar o manifesto, que é a favor da liberdade de expressão, não a favor de Sader.

Daniel em novembro 13, 2006 12:58 PM


#13

Idelber, o assunto é sério, mas devo dizer que ao me deparar com o livro do Orwell pensei que o post era sobre ele, o que seria maravilhoso. Mas tudo bem. Quanto aos bobalhões que criticam sua parcialidade política, deixa eles se fazerem lá na isenção do Reinaldo Azevedo. nem dê bola.

Daniel em novembro 13, 2006 1:31 PM


#14

Infelizmente, estamos sob a regra de ouro: "Quem tem o ouro faz as regras".

Podem me execrar, mas estou olhando minha emigração para Austrália.

Abraços.

Joao Reis em novembro 13, 2006 1:35 PM


#15

Idelber, o mais interessante é que essas ameaças são feitas por muitos daqueles que dizem que lutaram pela volta da democracia. Vivemos uma hipocrisia epidêmica.
gd ab

JULIO CESAR CORREA em novembro 13, 2006 2:22 PM


#16


Otimo post, Idelber.

Apesar de achar a intervenção do Sader completamente despropositada (ele não só chamou Bornhausen de racista, mas também de assassino!), o processo que condenou Sader é falho. Deveria ser dada chance de conciliação, ou como manda a Lei da Imprensa, um retratamento.

Interessante também é verificar que poucas pessoas sabem do caso de Tarso Genro X Magnoli e do PT x Chico de Oliveira. Por que será?

De qualquer modo, creio que faça parte do estado direito a livre expressão, mas toda liberdade tem seus limites. Por que a constituicao veda anonimato? Exatamente porque nos somos responsaveis por aquilo que falamos. O estado de direito dá instrumentos para que a pessoa que se sinta caluniada peça retratamento público. Creio que isso é legítimo. O que está errado no caso de Sader (onde não houve discussões de idéias, como no caso de Magnoli, mas ofensas pessoais) é a punição extrema: Cadeia e demissão do emprego. Se houvesse retratação dos termos, eu não acharia errado.

Alias, vc viu a decisao do juiz no caso Eduardo Jorge? Estah no blogue do Nassif. O juiz condenou o jornal o Globo.

Ah, e parabens pelo Atletico! Primeira divisao. Estou torcendo para o Nautico nao morrer na praia.
Abraco!

Cesar em novembro 13, 2006 3:13 PM


#17

Já assinei a petição pela liberdade de expressão e contra a condenação de Sader. O artigo de Sader não tem nada de calunioso, apenas expressou a opinião dele sobre o senador. Não acredito que a liberdade de expressão seja absoluta. Na minha opinião, manifestações explícitas que incitem a violência contra grupos raciais, políticos, de gênero etc, devem ser punidas exemplarmente. Mesmo insinuações, que tenham como objetivo construir pontos de vista compartilhados contra tais grupos devem ser monitoradas com atenção e cortadas pela raiz. O caso clássico do "perigo judeu" na Alemanha nazista não deve ser esquecido. Filmes, peças e artigos de jornal colaboraram para criar um inimigo para o combalido povo alemão dos anos 30. Começou como "perigo" e acabou em genocídio. Não foi algo impulsivo como o massacre de São Bartolomeu (ao menos na versão que ficou dessa história), foi planejado e pensado desde a chegada de Hitler ao poder. É esse tipo de construção ideológica que Sader denunciou. Essa ação desmesurada contra o Sader tem um óbvio sabor político. Faz parte do "terceiro turno", e certamente tem a ver com a frustração do PFL por sua derrota fragorosa nas urnas, que já se pronunciava quando o senador processou Sader. Todos os artigos que atacam Sader não tocam na questão central da liberdade de expressão, então, não passam de mais uma tentativa de transformar Sader em réu, que deu certo em primeira instância. Ele pode até não ser elegante nos seus escritos, mas estes vão sempre direto ao ponto. Me lembro do "A gargalhada das Hienas", um dos primeiros a sair na Folha durante a crise do mensalão que não tinham como objetivo acusar o governo ou defendê-lo, mas atacar a hipocrisia dos acusadores. Na verdade não me lembro tanto do conteúdo, mas o título me pareceu expressar bem o que via e ouvia entre a tal oposição. Me parece que ali ele foi transformado em alvo. Esperaram pela primeira oportunidade de enquadrá-lo. Espero que o juiz de segunda instância julgue na letra da lei e não politicamente.

Leo Vidigal em novembro 13, 2006 3:20 PM


#18

Caro Idelber,
Muito bom o texto.
Para mim, o caso Sader x Bornhausen é de uma total falta de justiça, mas se deveria dar mais publicidade a esses casos do Tarso x Magnoli, e Sader x Chico de Oliveira, ou ainda Delúbio x Chico de Oliveira como falou este mesmo Fernando Barros na coluna dele da semana passada. Talvez o pessoal esteja abusando da reparação por dano moral.
Acho que o caso da Alcinéia é um pouco diferente, e no caso dela, realmente o processo é injusto e desproporcional...

Jose em novembro 13, 2006 4:10 PM


#19


E tambem hoje o Diogo Mainardi foi condenado na justica por violacao da honra e injuria, num processo movido por jornalista Mino Carta.

"Numa coluna na revista Veja, Mainardi disse que Mino se submetia ao empresário Carlos Jereissati para fazer reportagens contra Daniel Dantas, na revista Carta Capital.

Mainardi também disse que Mino se equipararia aos “mensaleiros”.

Por isso, Mainardi e a Abril foram condenados e vão ter que pagar uma indenização a Mino Carta"

Equiparar Mino a mensaleiros é opinião ou calúnia?

Os casos se avolumam, como a gente pode ver.

http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/399501-400000/399983/399983_1.html

Cesar em novembro 13, 2006 4:51 PM


#20

caro Idelber,
curioso é que nos artigos sobre o Sader, que indica o post, a maioria das matérias se inicía com uma avaliação depreciativa das qualidades intelectuais do Sader. Essa opinião gratuita e insinuativa não tem nenhuma ligação com a condenação de Sader, mas reforça a idéia sobre a livre expressão.
Se não estou enganado, Paulo Francis morreu e se livrou de um processo movido pela direção da Petrobrás na justiça americana por calúnia ou difamação, ou os dois juntos, ainda no governo FHC.
Millôr foi processado por Aldo Rebelo pois era contra o projeto deste de proibir termos estrangeiros na lingua portuguesa. Millôr disse que o projeto era uma idioletice (Aldo Rebelo o processou pensando que foi chamado de idiota).
Lula decidiu expulsar o jornalista americano, no caso da bebedeira, dizendo que era para '-servir de exemplo'.
Essa truculência está longe de ser nova, é uma velha companheira nossa. Todos querem intimidar todos e proibir que escrevam coisas negativas um sobre os outros.
Fora o fato dos políticos serem inemputáveis, (só lembrando, os loucos também o são), e do tempo recorde em que o judiciário decidiu dar ganho de causa ao Borhausen, nada de novo na república. A imunidade que nasceu para protegê-los de reis, tornou-os reis.
Existe uma legislação sobre crimes contra a honra, e é um direito de cada um recorrer a ela cada vez que se achar no direito, resta ao tribunal decidir se a ação é cabível ou não, porque também há legislação sobre a liberdade de expressão.
Então eu acho que o olhar deve ser dirigido ao judiciário. E talvez aí fazer alguma consideração sobre o que foi dito no primeiro comentário, sobre ' cultura da litigância'.

frank de morais em novembro 13, 2006 5:19 PM


#21

Caro Idelber

Depois de ler suas linhas, os comentários e o noticiário da noite, chego a conclusão que:

(1) O eminente professor Emir Sader é hoje o que já se chamou no passado de POLEMISTA;
(2) A reação do nosso presidente Lula, em evento com Chaves (da Venezuela), quando ele criticou duramente a imprensa brasileira por emitir opinião contra o governante venezuelano! O QUE NÃO É NADA BOM, especialmente para quem tem memória.

Paulo em novembro 13, 2006 6:16 PM


#22

Olá, Idelber,

Quando eu era moleque, tinha uma brincadeira com meu irmão que consistia em um ir xingando o outro de tudo o que fosse lembrando, até ver quem ficava definitivamente emputecido e ia embora. Na boa, mas as declarações do Bornhausen e o texto do Sader me lembraram a brincadeira. Nem um nem outro tem fundamento nenhum para o que está dizendo. Parece briga de criança.
De verdade, que benefício traz à democracia o cara escrever um texto atacando pessoalmente um político? Se fosse uma acusação de corrupção, de assassinato, de racismo (o de verdade, porque aquilo que o senador disse não tem NADA de racista), ainda vá lá. Mas "Você é feio" e "Vou contar tudo pra minha mãe", sinceramente, não merece nem atenção.
Só estimula agressões, diga-se, criminosas como as que aconteceram um tempo atrás, em que se espalharam cartazes associando o Bornhausen a Hitler.
O cara é um mala, mas peralá, né? Eu processava também.
Não: eu chamava de bobão.


PS: é claro que acho a discussão que você propôs extremamente válida. A pena imputada a Sader é descabida.

Luis T Ladeira em novembro 13, 2006 11:26 PM


#23

Idelber, o FEEDS do biscoito não está mostrando os últimos posts.

Charley em novembro 14, 2006 7:08 AM


#24

Idelber,

Acho essa discussão muito importante e ela me fala muito de perto, por eu ser jornalista. Meus colegas e eu fomos forjados no lema da liberdade de expressão e esse valor costuma ser muito caro aos da minha classe. Durante o século 20, tendo vivenciado duas longas ditaduras de direita, o conteúdo acadêmico ligado aos temas de comunicação, no Brasil, sempre associou o cerceamento à liberdade de imprensa às condutas totalitárias desses governos. Foi, de certa forma, uma dicotomia "cômoda": de um lado, estava a direita e a censura; do outro, a esquerda e a liberdade de imprensa.

Os próprios veículos de comunicação que se imolaram como mártires da censura carregaram nessas tintas. O Estadão sempre pareceu se orgulhar menos de sua história centenária que da intervenção durante o Estado Novo. A Abril, sempre que pode, lembra o recurso da arvorezinha sinalizando a retirada de um texto censurado para a publicação do símbolo da editora. Tais intervenções parecem troféus a esses veículos. Muitos jornalistas, de diferentes gerações, apegaram-se a esse dogma de imprensa livre como sinônimo de luta popular. E, no entanto, o que tem ficado claro nos anos mais recentes é uma postura bem afastada, desses mesmos órgãos perseguidos, em relação aos anseios populares. Estadão e Veja, de fato censurados, parecem hoje mais inimigos das ditaduras de direita não pelo que elas representavam de atraso em relação à igualdade social, mas aos entraves que esses regimes significavam em relação à prática liberal, que parece o grande ideal de sociedade para esses veículos.

Ficamos diante de um limite tênue: aceitamos a imprensa como agente de investigação e denúncia de condutas inadequadas na vida pública, OK. Mas como garantir que ela mesma não esteja a serviço de uma causa que pode simplesmente ser o interesse econômico de um grupo, ou uma perseguição ideológica, ou um contencioso pessoal?

O que me parece alentador é o fato de que uma parcela de leitores desses órgãos está atenta para o fato de que a imprensa eventualmente comete abusos, advoga em causa própria ou de um grupo de interesses e eventualmente não se sustenta como delatora imparcial de fatos incontestáveis. Essa percepção tem ficado clara, para mim, na leitura das cartas de leitores de alguns desses órgãos (aliás, a sova recebida pelo diretor de jornalismo da Globo, no Observatório da Imprensa, foi um dos exemplos mais evidentes dessa consciência ampliada dos leitores/espectadores).

Seu post expressa exatamente o que penso. Todos - figuras públicas, imprensa, sociedade em geral - temos responsabilidade com o que falamos. Não há imunidade para o quarto poder. Não há o quarto poder. A imprensa não pode tudo: ela é parte da sociedade como qualquer outra entidade e deve responder por seus atos.

Alessandra Alves em novembro 14, 2006 7:13 AM


#25

Alessandra,

Boa análise.

O perigo, porém, é quando se pretende impor "controles", ainda que "sociais", à mídia. Porque aí temos um problema travestido de solução: assim como não existe o "quarto poder", também não existe o "social" fora do conceito abstrato de social _ porque na hora em que se pretende incorporá-lo como voz institucional, o social vira "social", tão suscetível à captura quanto qualquer órgão de imprensa, e às vezes talvez pior porque chancelada pelo poder público e manipulada pelo interesse político.

Acho que só há um remédio prático possível, e é o que a legislação européia parece tendente a abraçar, que é que o Estado se limite a garantir o pluralismo no "mercado de idéias".

Hermenauta em novembro 14, 2006 8:01 AM


#26

Hermenauta,

A questão do controle externo causou toda aquela grita que nós acompanhamos no caso do Conselho Federal de Jornalismo. Aquilo, na minha opinião, teve um erro de condução anterior a qualquer discussão. Eu também não gosto da idéia de um órgão fiscalizador ligado ao governo, porque me parece aparelho de governo totalitário.

No entanto, será impossível pensarmos em um órgão regulador da ética para veículos de comunicação? Uma entidade independente, formada por representantes do próprio segmento? Isso é utopia ou é sinal de amadurecimento? Afinal, o Brasil não se orgulha de ter um órgão como o Conar, que nada mais é do que uma entidade setorial, regulamentadora do setor da publicidade? Por que a publicidade pode lançar mão de um recurso como esse e o jornalismo não?

O modelo do Conar me parece adequado por vários motivos: é multidisciplinar, ou seja, formado por publicitários de diversos ramos de atuação (agências, veículos, entidades etc.), é aberto à participação da sociedade (em geral, as queixas e denúncias apresentadas contra peças publicitárias partem de cidadãos comuns ou entidades representativas de grupos sociais), prevê a defesa do acusado e o julgamento do caso por um profissional, também publicitário, independente do contencioso. É um processo de primeiro mundo que, no entanto, está circunscrito ao intervalo comercial.

Ou seja: eu, cidadã, posso protestar contra qualquer coisa que se diga e que eu ache ofensiva contra mim, desde que divulgado entre o "estamos apresentando" e o "voltamos a apresentar". O que vai entre uma coisa e outra - a programação jornalística ou artística da emissora - é salvo conduto absoluto dela, e isso não me parece justo nem equilibrado.

Alessandra Alves em novembro 14, 2006 9:01 AM


#27

Idelber, o mais interessante é que após criticar a decisão da Justiça em uma série de posts veio alguém nos comentários comparando o crime de racismo ao... homicidio...

Nem Al Sharpton conseguiu fazer isso...

André Kenji em novembro 14, 2006 9:54 AM


#28

Idelber, na minha opinião existem apenas dois limites à liberdade de expressão:
a boa educação e a calúnia comprovada.
Respeitando-se esses limites, o cidadão tem o direito, conquistado a duras penas diga-se, de se expressar como quiser.
A censura a esse tipo de comentário, a censura a órgãos de imprensa - incluo os blogs como órgão de imprensa - é um resquício totalitário. De direita, de esquerda, ambidestro, tanto faz. É ato autoritário e por esse simples motivo merece meu total repúdio.
Discordo da tua posição política mas, a sua defesa à liberdade de expressão terá sempre o meu apoio.
Um abraço.

Valéria em novembro 14, 2006 10:07 AM


#29

Caro Idelber,

O caso do Emir Sader me parece ser completamente diferente dos outros. O Sader chamou o Bornhausen de Assassino e Racista.

Se você realmente acha que nenhum crime foi cometido, então é importante iniciar uma mobilização nacional para a retirada da Calúnia e da Difamação como crimes previstos no código penal.

Esse negócio de abaixo-assinado me parece uma grande roubada. Ao dizer que não estão apenas se solidarizando com o Sader mas sim em defesa da liberdade de expressão, os signatários se comprometem moralmente a assinar um abaixo-assinado em defesa do Diogo Mainardi e todos os outros que sejam condenados por Calúnia e Difamação.

Homero em novembro 14, 2006 10:56 AM


#30

Só pra constar: bloglines OK!

RodrigoSol em novembro 14, 2006 11:25 AM


#31

Idelber,

Assino em baixo este teu texto, que até me inspirou uma postagem no meu blog: falando em liberdade de expressão, o que pensas sobre o caso de cancelamento do visto daquele jornalista estadunidense que chamou Lula de "beberrão"? E sobre a retratação do Presidente ao jogador da seleção da Nike, Ronaldo, por este ter-se referido pejorativamente ao mesmo suposto hábito de Vossa Excelência?

Beto em novembro 14, 2006 12:08 PM


#32

Acho que qualquer pessoa, até mesmo o Diogo Mainardi, mereceria um abaixo-assinado se a sentença for desproporcional ao delito. O Mainardi tem um monte de processos em cima dele, perdeu vários, mas ninguém o condenou a perder o posto de arruaceiro da Veja. E olha que o texto do Emir Sader parece escrito por um coroinha perto dos textos do Diogo Mainardi.

Daniel em novembro 14, 2006 12:16 PM


#33

HAHAHA! Muito boa a comparação do Beto, entre o jornalista americano e o Ronaldo Fenômeno. Acho que na verdade são casos diferentes. O Ronaldo na verdade estava lembrando o Presidente que ele, Presidente, também já havia sofrido, com a história da suposta predileção por biritas, o mesmo que ele, Ronaldo, com a história do suposto excesso de peso.

Ou então o Presidente não tinha prá onde expulsar o Ronaldo, já que este já foi embora do Brasil há um tempão atrás.

Daniel em novembro 14, 2006 12:23 PM


#34

Alessandra,

Estamos de acordo, um órgão de auto-regulamentação poderia ser útil. Seria interessante conhecermos a história do CONAR para saber como e porque as empresas de publicidade chegaram a este ponto e porque os órgãos de mídia até hoje não o fizeram. Principalmente quando sabemos que os veículos de mídia também fazem parte do CONAR...

Eu tenho algumas hipóteses: embora a persona pública do CONAR seja muito identificada à ética, acho que há aspectos óbvios do negócio que exigem algum grau de coordenação. Por exemplo, o CONAR tem preocupação expressa com a propaganda comparativa, que é vista no meio como uma forma rápida de arranjar problemas com clientes _ passados ou futuros, já que tudo está bem enquanto a publicidade fala bem de seu produto, mas a coisa se complica quando você tem que falar mal do produto concorrente daquele do seu cliente _ mas que pode ser seu cliente amanhã.

Esse é só um aspecto, existem outros, como direito autoral, concorrência desleal, propaganda enganosa e outros, que podem afetar a lucratividade da indústria de publicidade como um todo _ e cuja regulamentação, claramente, tem muita importância para os próprios players.

Resta saber se os veículos de mídia teriam interesse em se organizar para fazer algo assim. Eu posso imaginar vários motivos pelos quais eles não o teriam. Por exemplo, a liberdade para falar mal de alguém dá a um determinado órgão de mídia um grande poder de barganha política _ tanto maior quanto mais influente é o órgão.

Enfim, é uma discussão beeeem complicada, essa.

abçs

Hermenauta em novembro 14, 2006 12:54 PM


#35

obrigado pelo comentário, bicho.
:>)
beijo no povo.
:>*

Biajoni em novembro 14, 2006 1:36 PM


#36

Para quem ainda não leu o polêmico artigo de Sader:

Juca Azevedo em novembro 14, 2006 2:25 PM


#37

Tomei a liberdade de embutir o link para não esticar a página, Juca. O post trazia o link ao artigo de Sader :-)

Idelber em novembro 14, 2006 3:17 PM


#38

Idelber,

Desculpe, acabei me empolgando na discussão sobre o órgão regulador da imprensa e não respondi ao seu interesse primeiro, que era saber a opinião dos leitores sobre os casos por você listados.

Eu acho que há diferenças entre eles, embora sejam todos relatos de políticos processando cidadãos que se manifestaram pela imprensa. A diferença maior, para mim, está na truculência dos casos ganhos de Bornhausen e Sarney, que extrapolaram a fronteira do veículo de imprensa e foram bater na atuação civil dos dois ofensores (a cadeira de professor de Sader; a condenação monetária a Alcinéia e a suspensão de seu blog pessoal, aliás já suspenso).

Peço licença para transcrever um trecho de uma coluna que escrevi em junho no ww.gptotal.com.br, sobre liberdade de expressão:

"Minha posição pessoal sobre a liberdade de expressão alinha-se com um conceito muito antigo e conhecido, o do respeito ao outro. Manjado, né? Minha liberdade termina onde começa a do outro, é isso aí. Costumo dizer que a defesa intransigente da liberdade irrestrita de expressão é o "manifesto do macho adulto branco", como já escrevi no meu blog: o combate ao politicamente correto me parece muito arraigado na tradição paternalista, machista, elitista de quem nos dirige. O "macho adulto branco" é meio inatacável nesse sentido: ninguém faz piada de homem burro (ou que não sabe dirigir), de heterossexual, de branco. Ser um "macho adulto branco" é como ter um salvo conduto: pode rir de todas as piadas (de loira, de homossexual, de negro, de árabe, de idoso), propagá-las à farta, pois estará resguardado delas."

É detestável ver políticos acuando jornalistas, mas também é muito ruim sentir-se presa de quem se julga acima de todos os julgamentos, como às vezes acontece com alguns representantes da imprensa. Respeito é a chave.

Alessandra Alves em novembro 14, 2006 3:28 PM


#39

Talvez eu tente parecer simplista demais.
Talvez.
Qualquer tipo de liberdade de expressão, é delimitada.
Código Penal.
Crimes de injúria, difamação e calúnia.
Alguém tem uma única justificativa lógica, coerente, inequívoca, e pelo menos minimamente justa para que representantes da imprensa não tenham que se submeter a esta delimitação?
Do ponto de vista legal, não dá pra "ficar de um ou de outro lado". É preciso estabelecer a verdade dos fatos, se houve crime, deve haver punição.
Não somos competentes para isso. A justiça é.
Se achas que deve-se discutir o judiciário...bom... ai é outra história.

Roger em novembro 14, 2006 4:21 PM


#40

//modo politicamente correto off

"O "macho adulto branco" é meio inatacável nesse sentido: ninguém faz piada de homem burro (ou que não sabe dirigir), de heterossexual, de branco"

Ei, eu nunca vi piada de português viado, Manuel e Joaquim sempre são brancos, burros e heterossexuais. :)

//modo politicamente correto on

Hermenauta em novembro 14, 2006 4:23 PM


#41

Para comentar rapidamente algumas coisas levantadas:

Concordo que há que se fazer distinções: dos quatro casos levantados aqui, somente o Sader inclui termos que realmente poderiam ser julgados como daninhos à honra do atacado. Nem "ministro espertalhão" nem " Ministro da Classificação Racial" nem muito menos, claro, a foto de uma charge num muro publicada num blog tem condição de atingir a honra de um senador ou ministro (é incrível como quanto mais a gente analisa mais fica claro o dantesco-orwelliano que foi / é o caso da Alcinéa).

É verdade que o Sader pegou pesado. Mas não é verdade que ele tenha chamado Bornhausen de assassino, da mesma forma como Chico de Oliveira não chamou Dirceu de safado. O dito por Sader, literalmente, é: Não, senhor Bornhausen, nosso ódio a pessoas abjetas como a sua, não os deixará livre de novo para governar o Brasil como sempre fizeram – roubando, explorando, assassinando trabalhadores.

Pesado? Pesadíssimo. Mas bem diferente de que se tivesse dito Bornhausen é assassino. Nos processos de calúnia, injúria e difamação a referência exata ao que foi dito - especialmente no que tange à diferença, por exemplo, entre atribuir crime a alguém e atribuir crime a "pessoas como o sr.", ou entre dizer "tal frase de fulano tem conteúdo racista" e " fulano é racista".

A pena a Sader foi 1. protocolarmente falha por não dar chance de retratação; 2. particularmente desproporcional por se tratar de alguém com imunidade parlamentar processando um cidadão comum; 3. descabida no que se refere à perda do cargo na UERJ. Inclusive já foi recom