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domingo, 25 de fevereiro 2007
A última asneira da justiça brasileira
O festival de absurdos dos tribunais não tem fim. Depois da condenação ao Imprensa Marrom (por um comentário anônimo num post velho de seis meses!), da condenação a Emir Sader (por chamar de racista um senador que declarou, jubilante, que agora ficaríamos livres dos petistas, “esta raça”), da condenação a Alcinéa Cavalcanti (por uma charge de um senador publicada num blog) e do universalmente ridicularizado bloqueio ao YouTube (por um único vídeo que exibia uma modelo fazendo sexo na praia), eis que chega a última pérola do judiciário brasileiro: O juiz Maurício Chaves de Souza Lima, da 20ª Vara Cível do Rio de Janeiro, determinou que sejam interrompidas publicação, distribuição e comercialização do livro Roberto Carlos em Detalhes, fruto de 15 anos de pesquisas do jornalista e historiador Paulo Cesar de Araújo.
A justificativa da decisão é outra pérola: a biografia de uma pessoa narra fatos pessoais, íntimos, que se relacionam com o seu nome, imagem e intimidade e outros aspectos dos direitos da personalidade. Portanto, para que terceiro possa publicá-la, necessário é que obtenha a prévia autorização do biografado, interpretação que se extrai do art. 5º, inciso X, da Constituição da República.
O artigo 5o, inciso X da Constituição brasileira afirma: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Desse inciso, o Meritíssimo interpreta que é proibido escrever uma biografia (amplamente documentada em fontes) de uma pessoa pública sem a autorização do biografado! Bem vindo à 20a Vara Cível do Rio de Janeiro, onde o inciso constitucional que garante o direito à privacidade passou a significar que agora é proibido escrever livros sobre cantores sem sua autorização! Qual seria – pergunta o senso comum - o “dano moral” que terá sofrido Roberto Carlos com o livro de Paulo Cesar? O que há, enfim, no livro? Acusações de plágio, de roubo, de assassinato? Será que o Meritíssimo leu o mesmo livro que eu e o Ricardo Schott lemos? Será que pensou sobre o que é esse gênero, a biografia? Será que refletiu um pouquinho sobre os limites entre o público e o privado num caso como este, que inclui o cantor mais popular do Brasil? 
O mais revoltante da história é que Roberto Carlos em Detalhes é obra de um historiador meticuloso e de um fã apaixonado. Não há “fofocas” no livro; daí que a capa da revista Época sobre o assunto seja tão enganadora. Apoiado em duas centenas de entrevistas, o livro de Paulo Cesar reinvidica a importância central de Roberto Carlos para a história da cultura brasileira. Reconstrói sua trajetória da infância ao presente. Recopila praticamente tudo o que se publicou sobre Roberto ao longo das últimas décadas. Extrai desse material um retrato extremamente positivo do cantor, no qual, inclusive, não há uma palavra crítica sequer acerca da mesmice em que arrasta a carreira de Roberto há tanto tempo. Mas segundo "o Rei", nada disso é suficiente; para ele, a minha vida particular é só minha.
Apesar de não ter o menor interesse por Roberto Carlos, venho acompanhando o caso desde o começo, em primeiro lugar porque é aterradora a sucessão de decisões judiciais brasileiras que ferem os princípios mais elementares da liberdade de expressão. Neste caso em particular, eu tinha muita esperança de que a justiça não interferisse com o trabalho sério de um historiador que documentou meticulosamente seu livro, seja com entrevistas, seja com a consulta a fontes públicas.
Tenho acompanhado o caso também porque Paulo Cesar de Araújo é dos profissionais que mais admiro entre os que se dedicam ao estudo de música popular. Baiano de Vitória da Conquista e consumidor de música considerada brega, Paulo Cesar teve que batalhar muito para se estabelecer como profissional. Já havia publicado, em 2002, pela Editora Record, um livro que revira a história da música brasileira: Eu não sou cachorro não, obra de pesquisa que mostra a importância da música cafona, sempre desprezada por acadêmicos e jornalistas, para a formação da sensibilidade musical de camadas enormes do público brasileiro. Livro muito elogiado, Eu não sou cachorro não também demonstra que, ao contrário do que se pensa, Odair José, Waldik Soriano e outros foram muito mais censurados pela ditadura militar do que os artistas de prestígio da MPB.
Quando publicou seu primeiro livro, Paulo Cesar já compilara, durante anos, os materiais para a biografia de seu maior ídolo, Roberto Carlos – o mesmo que acionou advogados para retirar de circulação um livro que é um tributo sério, cuidadoso e acima de tudo apaixonado. Note-se que não há notícia de absolutamente nenhuma afirmação falsa no livro de Paulo Cesar. Note-se que as resenhas do livro têm sido unanimemente elogiosas, como se pode ver aqui, aqui ou aqui (este último link requer cadastro gratuito). Depois de realizar um trabalho dessa qualidade sobre seu maior ídolo, eu imagino quão dilacerante deve ser, para o autor, se ver vítima de um processo tão mesquinho.
A decisão do Meritíssimo da 20a Vara Cível do Rio de Janeiro determina que a Editora Planeta têm 72 horas para cumprir a sentença, a se contar a partir da entrega da notificação judicial, que deve acontecer nesta segunda. A menos, claro, que os advogados da Planeta consigam cassar essa absurda liminar.
Escrito por Idelber às 22:04 | link para este post
| Comentários (35)
#1
Percebe o quanto o judiciário (para não falar no legislativo) está despreparado (e amedrontado) para lidar com a democracia? A liberdade de expressão será cada vez mais confrontada daqui para a frente por toda essa velha corja. Fica a torcida para que essa liminar caia por terra o quanto antes. Até lá, sugiro um "mutirão" de resenhas desse excelente livro na blogosfera. Vou tentar deixar a minha pronta amanhã.
Donizetti em fevereiro 26, 2007 12:33 AM
#2
Idelber, apresento minha solidariedade ao Paulo César de Araújo. Felizmente, garanti um exemplar em dezembro, quando comprei a biografia do Rei para presentear minha mãe, fã ardorosa do cantor e compositor. O livro "Eu não sou cachorro, não", na minha opinião, é um divisor de águas na produção de livros brasileiros sobre música. Eu, que leio sobre o tema há mais de vinte anos, confesso ter mudado minha visão sobre a música popular brasileira depois de ler esse livro.
É importante ressaltar que todas as colocações do Roberto Carlos contra o livro não foram relativas a eventuais calúnias, injúrias ou difamações contidas na obra. Primeiro, porque ela realmente não as contém. Segundo, porque, ao que parece, ele nem leu o livro. A cândida justificativa do Rei para sua ação judicial é o fato de que outra pessoa, e não ele, está ganhando dinheiro com essa história. Ora, que hipocrisia!
Vou reproduzir mais ou menos o que já disse do blog do PAS. Há quase quarenta anos, Roberto Carlos invade os lares brasileiros com seu disco do ano, seu especial da globo do ano, sua separação do ano, sua viuvez do ano, seu filho natural do ano. Essa história não é só mais dele há várias décadas, muita revista de celebridade já ganhou dinheiro com a imagem de RC, muita emissora de TV, muita estação de rádio, sua gravadora, claro!, e ele mesmo. O Paulo César de Araújo parece, nesta história, o Malandro da Ópera, livremente adaptada pelo Chico: vai ser julgado e condenado culpado pela situação!
Alessandra Alves em fevereiro 26, 2007 8:24 AM
#3
Uma vez conversando com um advogado, ele me disse: "Juiz é um ser humano como qualquer outro. Ele pode enlouquecer também." O problema é que aqui no Brasil, isso tem ficado cada vez mais comum.
Leandro Oliveira em fevereiro 26, 2007 10:01 AM
#4
A justiça está maluca? Não, quem está maluco são as pessoas que exigem justiça.
Esse é o nosso direito de expressão nessa bosta de país.
Bender em fevereiro 26, 2007 1:03 PM
#5
o robertão devia ter morrido em 1985.
:>)
Biajoni em fevereiro 26, 2007 4:05 PM
#6
Idelber: Bem feito! Fico muito decepcionado com a Justiça Brasileira e também triste ao pensar o quanto nosso amigo Paulo César deve estar sofrendo com esta história. Há como recorrer a decisão? cd
Chris em fevereiro 26, 2007 4:21 PM
#7
Idelber, interessante que há uns vinte anos atrás a Kitty Kelley lançou aí nos EUA uma biografia não autorizada descascando o Sinatra ("His Way: The Unauthorized Biography of Frank Sinatra") e o livro circulou livremente, tornando-se um best-seller. E essa biografia do RC não diz 1/10 do que era dito sobre o Sinatra: ligações com a Máfia, adultério, um rápido affair com a Nancy Reagan, etc... Mas este é o Brasil, onde um documentário da TV inglesa desnudando Roberto Marinho e a Vênus Platinada ("Beyond Citizen Kane") só pode circular subrepticiamente pelo You Tube.
Hermes em fevereiro 26, 2007 4:30 PM
#8
Credo. Que absurdo. Ou que absurdos!
Milton Ribeiro em fevereiro 26, 2007 4:35 PM
#9
Chris, trata-se de uma liminar que pode ser cassada. A Planeta tem tido, até agora, uma postura exemplar: não cedeu às pressões dos advogados do RC quando a coisa ainda estava na fase de ameaças e de exigência de que a própria editora retirasse o livro de circulação. Se a Planeta tiver bons advogados, tem boas chances de virar o jogo, porque o argumento realmente é estapafúrdio.
Hermes, boa lembrança mesmo, essa do livro da Kitty Kelley. Aqui nos EUA ninguém jamais conseguiria retirar um livro de circulação, exceto num caso grave de calúnia que ficasse provada a intenção maliciosa. Os precedentes são incontáveis.
Idelber em fevereiro 26, 2007 4:56 PM
#10
Idelber, falando assim compreendi perfeitamente o que essa saida de circulação representa. Já tinha lido sobre o assunto e não tinha dado a mínima, mas agora sei que li.
Valeu!
Luiz Carlos Rufo em fevereiro 26, 2007 5:05 PM
#11
Doni, obrigado pela ajuda na divulgação e na apreciação deste livro tão importante. E parabéns pela casa nova! Meus links estarão devidamente atualizados esta noite.
Alessandra, sobre essa questão da "vida particular", poderíamos resumir a coisa assim: quer ter "vida particular", vá ser contador ou bancário :-) Ter a carreira que teve, com os apoios que teve, e depois querer controlar o que se publica sobre ele é muita desfaçatez.
Idelber em fevereiro 26, 2007 5:23 PM
#12
O pior é que o Biajoni não chega a estar errado sobre a data da morte do Robertão hehehee
Donizetti em fevereiro 26, 2007 8:37 PM
#13
Idelber,
Nao sei se trata de mais um sintoma do TOC - que claramente ainda nao esta sob controle - ou mero interesse comercial em escrever a sua propria biografia(ja que nao podemos alegar falta de leitura e de conhecimento do conteudo do livro), mas o Rei tem serios problemas em lidar com a fama.
Em relaçao à decisao judicial, é realmente inexplicavel e acho que se baseia num preconceito do responsavel pela decisao em relaçao a biografias. Eh realmente dificil de comentar.. Abraço!
Celinho em fevereiro 27, 2007 6:05 AM
#14
Se entendi bem, a decisão desse juiz significa: biografia de artistas mortos só daqueles que acharem bons cambondos para psicografar. De artistas vivos, só aqueles que além de tudo, tiverem talento literário, tempo e interesse em escrever suas próprias histórias. É isso?
Márcia W. em fevereiro 27, 2007 7:54 AM
#15
A cada dia me pergunto se a justiça nossa de cada dia não estaria por demais ocupada com o samba do crioulo doido...Só assim para entender tantos desmandos...
Tânia em fevereiro 27, 2007 10:49 AM
#16
Márcia, :-)))))
Levando ao pé da letra e às últimas conseqüências a justificativa da decisão, é isso aí...
Pois é, Celinho, só recentemente eu descobri que o Roberto tinha transtorno obsessivo compulsivo.Acho que foi uma combinação disso - da absurda obsessão de controlar tudo o que se publica sobre ele - com o despeito de ver sua futura autobiografia esvaziada pelo trabalho superior do Paulo Cesar.
Idelber em fevereiro 27, 2007 12:11 PM
#17
Tudo bem, o biografado pode sofrer disto ou daquilo e às vezes torna-se mais interessante justamente por ser neurótico, por sofrer muito ou ter quaisquer transtornos, etc.
O problema é a que a justiça dá guarida a qualquer Sarney que se irrite com uma charge, a um Roberto (com ou sem TOC) que ache que sua biografia não foi suficientemente laudatória ou, mesmo que provisoriamente, às filhas do Garrincha, que se irritaram porque Ruy Castro disse que o papai delas bebia, fato tão conhecido quanto o das bebedeiras de George Best no Reino Unido.
É ridículo.
Milton Ribeiro em fevereiro 27, 2007 1:33 PM
#18
Bom, com 200 entrevistas e milhares de tentativas de entrevistar o próprio Roberto, é impossivel que Roberto não soubesse que o livro estava sendo feito, certo? entào, já que ele não queria que sua vida fosse "publicada" em livro, pq nao falou anda antes né?
O Paulo Cesar passou um dia na minha casa, entrevistado meu pai (que foi integrante do grupo de RC durante 18 anos) e me pareceu uma pessoa ótima, completamente fascinado pelas historias e seu projeto é realmente muito bom (pelo que conversamos, infelizmente ainda nao pude ler o livro).
Só posso concluir que o Roberto Carlos é uma grandessíssimo MALA, marketeiro e mentiroso. Concordo com o Bia, ele devia ter morrido em 1985!
Juju em março 2, 2007 12:37 PM
#19
Idelber, a "música" de Roberto Carlos para mim nunca disse nada. O sucesso foi consequência de um trabalho bem feito de marcketing numa época em que pouco se usava essa palavra. Trabalhei na Gravadora Continental e sei muito bem como funcionava a coisa. "Compravam" a autoria e registravam em nome da dupla. Ganhou mais dinheiro com o Ecad que propriamente com a venda de discos. Mas deixa prá lá.
O caso da Justiça(?) é mais complexo. Já se diz que de cabeça de juiz e fralda de neném nunca se sabe o que sair.
Decisões como essa, a da modelo que deu no mar e outras só reforçam o que eu penso.
Agora, essa proibição do livro, tem um ar de provocar polêmica para "puxar" a venda de uma outra já autorizada, ah isso tem!
E também concordo com vc: não quer ter vida pública devassada? vá ser bancário, jornaleiro, engraxate.
um abraço
valter ferraz em março 3, 2007 8:34 AM
#20
Realmente valter ferraz, a palavra marcketing ainda hoje é pouco usada. uauauaua
Ignorante em março 3, 2007 2:32 PM
#21
Verdade, grafei errado a palavra MARKETING, mas acho que não muda o sentido do comentário, não?
valter ferraz em março 4, 2007 7:37 AM
#22
Idelber,
Ruy Castro, após aquele episódio com a biografia do Garrincha, objeto de perseguição pelas gananciosas filhas, disse (e felizmente descumpriu como se percebe do posterior livro dele sobre Carmen Miranda) que somente escreveria biografias de padres mortos, cumpridores do voto de castidade. Trata-se, é claro, de mais um caso de magistrado desequilibrado em completa falta de sintonia com o bom senso (”common sense”) e que eleva o direito à privacidade a alturas loucas e desconhecidas no resto do mundo. Imagine, se fora assim nos Estados Unidos ou na Europa, não saía uma biografia sequer de nenhuma personalidade, bastava o biografado ter um chiliquinho qualquer e adeus livro. É mais um caso de desatino judicial pátrio ou de juiz querendo aparecer. Essa raça eu conheço bem. a)Joaquim Dantas.
Joaquim Dantas em março 5, 2007 6:17 PM
#23
O livro do PC Araújo ainda pode ser achado em algumas livrarias teimosas, hehe. Já vi essa semana.
ricardo schott em março 8, 2007 11:00 AM
#24
Eu nem quero tecer qualquer comentário, porque é tão absurdo, que acho que se levantarmos as decisões judiciais bizarras, vamos ter comentários por mil anos.
De qualquer forma, li uma frase outro dia, nem sei de quem, que talvez resuma o que penso: Se Liberdade significa alguma coisa, significa também o direito de dizermos aos outros aquilo que eles não querem ouvir.
No Brasil,"tá dificil"!
fatima em março 15, 2007 9:23 PM
cheap futon em abril 11, 2007 8:53 PM
#26
muito bom. parabéns pela matéria. quando puder visite meu blog. agradeço
www.musicapopulardobrasil.blogspot.com
josué em maio 10, 2007 6:55 PM
#27
Rei? Rei de que? O homem morreu e não sabe!
Zé em junho 5, 2007 3:41 PM
#28
O povo brasileiro tem sofrido muito. Sofreu com a ditadura, e agora sofre com a democracia. Não sei se mais ou se menos, quero acreditar que sofre menos. Contudo, denota-se que o Estado Democrático de Direito também tem sido abalado, haja vista os episódios ocorridos nos três órgãos do Poder: Executivo, Legislativo e Judiciário.
É verdade que juízes também erram, mas pelo fato de serem representantes do Estado, quando exercem o poder jurisdicional, deveriam ficar mais atentos à realidade social. De modo geral os juízes são legalistas ao extremo, e assim agem em nome da segurança jurídica. Contudo, a justiça deve ser em benefício de todos, da sociedade. Mas sendo legalista, muitas vezes não é justa.
Também é verdade que, não sendo juiz, se torna difícil pensar como juiz, quando este está a decidir um conflito. Todavia é absolutamente razoável imaginar que suas sentenças seriam mais justas se contemplassem mais o valor intrínseco que se esconde nos meandros das petições elaboradas por profissionais da área jurídica, que mutas vezes são de difícil interpretação. Aqui cabe lembrar que a aplicação de princípios pode substituir leis injustas, mas isto depende também de coragem e do saber do juiz, pois a fundamentação torna-se mais difícil, vez que a citação de um simples artigo de lei é mais fácil e demanda menos tempo.
Concluindo: a justiça muitas vezes é injusta!
Pedro Antônio de Araújo em setembro 9, 2007 7:32 PM
#29
Li um comentário do autor Paulo Coelho, com o qual concordo em quase totalidade:
(…) quem está no fogo, está para se queimar, e fazer a fogueira o mais brilhante possível(…)
Mas tenho a salientar a forma arbitrária, e cretina da justiça em permitir, através de sua sentença favorável a Roberto Carlos; e volto a salientar e reafirmar, pessoas que detêm grande fortuna, possuam maior respaldo, e voz mais ativa perante a Justiça, a qual deveria ser “cega” e imparcial.
Alguns dos comentários acima dizem que a privacidade do “Rei”, deveria ser preservada, contudo, talvez essas pessoas não tenham o conhecimento que as fontes bibliográficas do livro foram extirpadas de matérias jornalísticas, tanto em mídia impressa (jornais, revistas atuais e de época, etc) quanto virtuais (programas de televisão, reportagens televisivas, etc), em miúdos, material de domínio público.
Portanto, NÃO há invasão de privacidade, há sim uma manipulação execrável e abjeta por parte dessa pessoa que se julga estar acima do cidadão comum.
Pior, desdenha de um fã, pois o autor do livro, (e é provável que poucas pessoas saibam), é fã incondicional de Roberto Carlos, e fez o livro com o intuito de simplesmente homenageá-lo.
Homenagear um ser que sequer teve a decência ou educação de trocar um olhar direto ou um simples cumprimento de “bom dia, boa tarde”, etc
Em uma entrevista dada a uma apresentadora de TV, o autor do livro ainda fã, tentou defender a postura de seu ídolo, que a alegação principal é que o livro seria um obstáculo a uma “pretensa biografia” que o dito “rei” quer escrever sobre si mesmo.
Portanto, o livro “Roberto Carlos em Detalhes” seria uma “ameaça” aos pretensos projetos futuros desse “rei”.
E pior ainda, o autor nesse programa disse que abria mão dos seus direitos autorais, contanto que o livro fosse liberado para a venda.
E ainda, tentando defender Roberto Carlos, o autor disse que achava que o “rei”,não havia sequer lido seu livro, e que muito provavelmente ele foi instigado por seus assessores a vetar a venda desse livro.
Bem, na minha vã e singela opinião, vejo e comprovo, pela enésima vez, que a justiça é para aqueles que podem realmente pagar por ela, advogados que torcem um sistema extremamente falho, e por serem muito bem pagos, executam sua tarefa com perfeição.
Minha opinião sobre um ser humano que sequer teve a capacidade mental de ler algo que lhe dizia respeito direto, e que se deixa levar por opiniões de assessores, é totalmente imprópria para verbalização ou digitação.
Demonstra uma total inépcia de civilidade e respeito para com o próximo.
Em se tratando de um material feito por um fã, o desrespeito se torna muito maior, muito mais amplo, pois se até hoje, esse pretenso artista que detém um codinome de “rei”, deveria se lembrar, que os “soberanos” são responsáveis diretos por seus “susseranos e vassalos”.
O mínimo de educação e respeito deveria ter sido observado em toda essa situação.
Porque hoje são histórias de pessoas públicas que são censuradas, mas onde se encontra a censura aos milhares de mortos todos os dias por falta de comida, medicamento, violência ou atendimento médico nesse país.
Isso não possui relevância nenhuma, agora a mácula sobre o ego de um artista, que se não fosse reverenciado pelo público, jamais teria angariado a fortuna e o respaldo público que detém hoje, isso sim merece toda a atenção da justiça.
Daí quando se fala que esse país não é sério, volto a enfatizar, nosso estimado, e muito temperamental amigo da Geração Coca-Cola, Renato Russo: “Que País É Esse?”
Cristiane Schilipack em setembro 21, 2007 1:00 AM
#30
PENSEI QUE A CENSURA HAVIA SIDO BANIDA, MAS ELA
ESTA AI SOLTA, PROIBIR UM LIVRO HISTORICO DESTES
EH UM ATENTADO A LIBERDADE DE EXPRESSAO, LI O LIVRO E NAO VI NENHUM ATAQUE AO REI, E AGORA O
ADVOGADO DO ROBERTO DISSE QUE FOI FEITO UM RESUMO DO LIVRO, UM ABSURDO UM RESUMO ADULTERADO, EH LAMENTAVEL QUE O ROBERTO TENHA ENTRADO NA JUSTIÇA SEM AO MENOS LER O LIVRO E SIM UMA VERSAO RESUMIDA COM TRECHOS ADULTERADOS, ABSURDO !!
EDSON ALVES em janeiro 5, 2008 9:01 PM
#31
Tu não viu nada, ainda. Daqui a um ano, em janeiro de 2008, um Desembargador Federal, em ação movida pelo Ministério Público Federal, proibirá o Governador do PR, Roberto Requião, de se utilizar da TV Educativa para se manifestar.
eduardo em janeiro 25, 2008 2:42 PM
#32
Roberto Carlos o senhor é um fanfarrão!
Se não quer q os Brasileiros falem sobre seu nome, vá morar em outro país, pare de vender músicas, e deixe de cobrar 3 milhões da Globo pelo seu showzinho mixuruco no final do ano!
Calhorda! Cospe no prato q te alimentou por décadas a fio!
Hikari em junho 5, 2008 1:01 PM
#33
Respeito sua opinião, mas a decisão foi acertada. Ninguém pode sair por aí fazendo biografia das pessoas sem a sua breve autorização. Pode ter coisa no livro de que o Roberto Carlos não concorda, ou até mesmo, seja mentira. Às vezes, o nosso Rei pensa em ele mesmo, mais para a frente, fazer a sua própria autobiografia - isso pode ser um belo motivo pela sua não autorização - já pensou nisso? E mais, a relativização do interesse público-privado deve ser relevado sim, por isso, mais uma vez, a decisão foi acertada. É completamente diferente a mídia invadir o privado para informar a população acerca de uma notícia, do que invadir o privado e relatar toda a vida de uma pessoa famosa. Por favor, basta ter bom senso.
William Néri Garbi em junho 4, 2009 12:40 PM
#34
Simplesmente lamentável. Deplorável esta atitude do Judiciário brasileiro. Porém, não posso esperar muito de um pais que tem na suprema corte vários exemplos de incompetência para julgar todo e qualquer tipo de caso. Isso é ridículo.
Thiago Santa Rosa em junho 4, 2009 12:43 PM
#35
Caro William, você fala em nome do bom senso e apóia o recolhimento de uma biografia que você não leu?
Pode ter coisa no livro de que o Roberto Carlos não concorda, ou até mesmo, seja mentira.
Claro que pode. O que acontece é que a (verdadeira) Justiça trabalha com o que foi, ou que é, não com o que "pode ser". Sabia que Roberto Carlos foi desafiado a apontar alguma falsidade no livro e foi incapaz de tal, pois não havia, como você, lido o livro?
idelber em junho 4, 2009 12:52 PM
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