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sábado, 17 de fevereiro 2007

Resenha n' O Globo

A quem interessar possa: saiu hoje n'O Globo uma resenha minha (link para cadastrados; é gratuito) do novo livro de Luiz Costa Lima, História. Ficção. Literatura (Companhia das Letras, 2006).

Se você não está em terras fluminenses, só poderá mesmo ler o texto online, já que a direção do jornal decidiu limitar ao Rio de Janeiro a circulação de alguns cadernos, entre eles o Prosa e Verso.

Saiu também (já há algum tempo, aliás) minha coluna na Germina, sobre um episódio do qual os amantes do futebol se lembrarão bem.

É isso. Feliz Carnaval.



  Escrito por Idelber às 11:42 | link para este post | Comentários (15)


Comentários

#1

fiz dois cursos com costa lima, Historia Medieval II e Historia Antiga II, parte do ciclo basico do curso de Historia. deveriam ter sido cursos extensivos, para dar um panorama amplo do periodo as calouros, mas CL deu os cursos como "intensivos" (quase como se fossem eletivas da pós), focando numa unica obra, e com um vies totalmente literário, e não histórico, o que deixou frustrados os calouros que tinham acabado de entrar em história, estavam cursando uma disciplina basica de historia em uma graduacao em historia, e queriam ver, ora bolas, historia.

Em Medieval II, TUDO o que lemos foram as confissoes de agostinho, estudando o inicio do conceito de eu, e em Antiga, nem lembro mais, mas foi também uma única obra literária.

Alem disso, ficou-se em duvida se ele era apenas um pessimo professor ou se estava revoltado por ter sido posto de castigo naquelas disciplinas. ele falava do comeco ao fim da aula, sem parar, sempre num tom monocordio enlouquecedor, nunca abria para os alunos, respondia perguntas com tanta ma-vontade que ninguem perguntava mais nada, nao havia possibilidade alguma de os alunos interagirem ou darem feedback. na verdade, acho que ninguem nem poderia, pois ele dava a aula claramente num nivel tao acima do dos alunos, com vocabularios e referencias que ele nunca explicava e que os alunos nao tinham como conhecer, que deixava todos com cara de deer in the headlights, nao havia nem por onde se comecar a perguntar. Hã, professor, quem é Foucault? Quem é Bentham? O que é panóptico? O que é ontologico? etc

ah, e mencionei que ele fumava cachimbo a aula toda, jogando aquela fumaca em cima da gente, e que saimos da aula com as roupas e os cabelos empesteados?

alem disso, pra terminar, ele é famoso por ter a mais profunda e sincera conviccao de que ele sabe tudo e o que ele nao sabe é pq nao é tão importante assim.

enfim, um ano de inferno, um trauma que sabe-se lá quantos alunos pode ter espantado em direcao às ciencia atuariais e odontologia.

pra quem quer se professor tb, as aulas do costa lima sao um exemplo negativo a se ter sempre em mente. cabe sempre perguntar: "o prof costa lima faria isso? Bem, entao melhor fazer o oposto!"

um allluno anonimo em fevereiro 17, 2007 1:57 PM


#2

Vixe, aluno anônimo meteu a boca no trombone...

Bom Carnaval pra ti, Idelber!

Andréa N. em fevereiro 17, 2007 6:52 PM


#3

Igualmente, Andréa. Agüenta o frio aí :-)

Idelber em fevereiro 17, 2007 8:42 PM


#4

A quem interessar possa: saiu hoje n'O Globo uma resenha minha (link para cadastrados; é gratuito) do novo livro de Luiz Costa Lima, História. Ficção. Literatura (Companhia das Letras, 2006).

Idelber: artigo teu sendo usado no curso de Legras.

Can't open that Globo link. Can you send the text of the review to me?

Depois conto coisas acontecidas em USA ha' anos...

cap em fevereiro 17, 2007 10:28 PM


#5

Legal, Anjo, é sempre uma honra saber que o Horacio está usando artigos meus. Já mandei o texto para você. Abraços,

Idelber em fevereiro 18, 2007 1:24 AM


#6


A estupidez do professor, podia ser uma performance, para se, com muito esforço, dado o impacto que sua postura causava, de interligá-lo como sujeito da própria época.

Um beijo
Naeno

Naeno em fevereiro 19, 2007 8:17 AM


#7

Eu nunca o vi na vida e gosto um pouco do cheiro da fumaça de cachimbo, e gosto de professores mal humorados, então...

O fato é que já o li, não tanto quanto eu gostaria, mas bastante, e entendi mais ou menos trinta por cento do que li, ambora ache que ele ande escrevendo mais claro. Dos trinta por cento que entendi, achei genial. Não por concordar mas porque é um intelectual da área de letras que se propõe aos grandes debates sobre arte e a natureza da mimesis. Porque é uma crítica bastante apaixonada, autoral, elistista também, mas que propõe debate, idéias, e sai daqueles livros, esses sim chatos ai que sono, que ficam desvendando metáforas de autores sem chegar a lugar nenhum.

Luana em fevereiro 20, 2007 12:04 PM


#8

Falou e disse, Luana.

Idelber em fevereiro 20, 2007 5:06 PM


#9

Caro IDELBER

Apenas para acrescentar ao que já foi dito sobre a atuação do professor Luiz Costa Lima em sala de aula.
Fiz um curso com o professor Costa Lima na PUC-RJ. Consegui terminar o curso apesar do professor insistir em dar aula falando BAIXÍSSIMO, e ser bastante econômico nas suas informações em relação a bibliografia e exigências para trabalhos e provas.
Cheguei uns cinco minutos atrasado na primeira aula de Luiz Costa Lima. Os alunos se aglomeravam nas três primeiras filas. Me sentei onde foi possível (na quarta fila), e então percebi o porque da aglomeração na frente: onde eu estava pouco podia se ouvir. Nos dez primeiros minutos eu jurava que Costa Lima estivesse FALANDO EM GREGO (o curso era sobre Grécia). Só lá pelos quinze minutos percebi algumas palavras no idioma pátrio.
O professor não respondia a maioria das dúvidas, se referia a bibliografia e peculioaridades sobre os trabalhos e provas apenas uma vez e não voltava ao assunto.
Passei a priorizar a obtenção de uma nota decente e esqueci do conhecido professor (aqui não estou falando do trabalho literário dele). Na última aula ele distribuiu as notas e deu uma reprimenda na turma na base de EU SOU O BOM (ele citou passagens de sua atuação nos EUA) e VOCÊS NÃO TEM CULTURA.
Achei muito bom este contato durante um período. É bom sabermos como se comportam os intelectuais mais laureados do país.
SAUDAÇÕES

Paulo em fevereiro 22, 2007 9:02 AM


#10

Obrigado pelo depoimento, Paulo. Só acho que devo insistir que esse comportamento, repetidamente testemunhado por tanta gente no caso do professor em questão, não é necessariamente o "dos intelectuais mais laureados do país". Incontáveis alunos já deram testemunho de que gente como Antonio Candido, Roberto Schwarz, Flora Sussekind, João Alexandre Barbosa e tantos outros (para ficar só no terreno da literatura) sempre trataram os alunos com atenção, respeito e carinho. E os supracitados são tão ou mais laureados que Costa Lima - que, diga-se de passagem, não deveria citar passagem pelos EUA como prova de nada, porque aqui ninguém nunca ouviu falar dele.

Idelber em fevereiro 22, 2007 2:05 PM


#11

falou e disse, Idelber. :)

Luana em fevereiro 25, 2007 8:56 AM


#12

vi algumas fotos em (flickr-pordesol)por Idelber Avelar.com ,nao consigo encontras novamente ,pode ajudar?agradeço

olivian em fevereiro 25, 2007 10:34 PM


#13


RELÓGIO

Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos,
Horário oficial de Brasília,
Eu estava ardendo em febre, suando,
E na tiragem dos meus uis, contados,
Uns vinte e tantos mil, falei, quietei
Aos teus ouvidos,
E de febril, de puro amor, o meu remédio,
Tomei por tantas horas, em tantos goles,
Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo,
E amando-te voluptuoso, transpirei,
E a febre não passava, passavam as horas,
Já pela madrugada, ainda eu te amava.
E pela manhã, à hora da voz do Brasil,
Eu te amava.
Em meu delírio, uma poldra branca,
De crinas alvas e esvoaçantes,
Carregava-me sobre seu dorso.
E eu galopei vinte e quatro horas,
Sobre um leito de areia fina,
E nas esquinas por onde andei,
Espantava-me o medo, de cair
Por tua cabeça,
Quando te inclinavas a me beijar,
Fazendo. Aproximadamente,
Dez anos se passaram
Sem que este despojo se passasse,
Eu na tua crina seguro,
E tu em meus flancos grudada.
Amar faz a gente perder a noção do temo,
Mas se tem ciência dos espaços
E não se perde o tempo, se acha,
Mesmo que estando dentro da gruta
Mais escruras, como as que passamos,
E vimos dentro animais atônicos,
Encontrávamos-nos,
Permitíamos-nos
Como os ponteiros dos relógios,
Ora encima, ora embaixo,
Ora não se distingue o prazer do bom,
Quão bom é o prazer das horas.

Um abraço
Naeno

Naeno em março 25, 2007 9:22 PM


#14

oi!vi fotos que me interessaram ,em www.idelberavelar.com/Post_imagens/flickr...e nao as encontro,ja tentei de tudo.que faço?

Olivian em março 30, 2007 2:41 PM


#15

Fico a me perguntar se essas aulas fossem dadas em uma sociedade com histórico de pesquisa mais consolidado que o nosso se os comentáris seriam em um tom tão grosseiro. Que pena... Sinceramente, nada foi dito sobre os conceitos apenas lamentos sobre eu não seri, eu não vi, nunca ouvi. Uma dica: nada de vitimização. AS bibliotecas são ótimos lugares para aprender sobre o que nunca ouvimos falar ou sabemos pouco. Depois podemos fazer uma crítica série e competente. Antes disso, nada feito.

Marina em outubro 15, 2008 7:55 PM