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quarta-feira, 28 de março 2007
Convite aos cariocas

Acontece na Livraria Unibanco Artiplex (Praia de Botafogo, 319), às 19 horas desta quinta-feira, o lançamento do livro Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo, com seleção, ensaio e notas do meu amigo Eduardo de Assis Duarte, professor da UFMG. É um volume imperdível para quem se interessa por Machado de Assis, e muito especialmente para quem acompanha o debate sobre as relações raciais em sua obra. Aí vai a reprodução do release da obra:
Joaquim Maria Machado de Assis, romancista, dramaturgo, contista, poeta, cronista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, viria a tornar-se o maior escritor do país. O estilo dissimulado do escritor turvou por muito tempo a interpretação de sua obra. Por mais que tenha proporcionado deleite literário para várias gerações, obtido reconhecimento geral e sido enterrado com pompas de estadista, Machado sempre foi acusado de não olhar atentamente para as grandes questões que o rodeavam - e aqui se destaca o movimento abolicionista - como era esperado de um autor de tal nível, precedido e sucedido por escritores que faziam questão de levar isso em conta. Passou décadas tachado de alienado e despolitizado, um sujeito que daria um voto nulo numa eleição sem sequer se preocupar com quem eram os candidatos.
O detalhe é que o "homem de seu tempo e de seu país" deixou um conjunto de escritos que é um universo de enigmas. Na antologia Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo, o pesquisador e crítico Eduardo de Assis Duarte relê a obra do escritor a partir das manifestações de afro-descendência presentes nos textos. E demonstra que os posicionamentos a respeito de temas como a escravidão e as relações inter-raciais no século XIX estão presentes, sim, na obra, mas integrados à matéria literária e não como panfletos de época. A forma dissimulada e homeopática com que Machado trata a questão étnica e o escravagismo ainda hoje é confundida com alienação e negação de suas origens.
A partir de uma minuciosa seleção e análise de textos, Eduardo de Assis Duarte constrói uma abordagem inédita da obra de nosso maior escritor e nos revela o escritor-caramujo que soube ser o guerrilheiro consciente de suas armas e de seus alvos.
PS: Por falar em livrarias, completou um mês a absurda decisão da 20a Vara Cível do Rio de Janeiro, de ordenar a retirada de circulação a obra Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar de Araújo. O blog registra o recebimento de simpática mensagem do autor, em agradecimento à solidariedade manifestada por nós aqui. Agora fiquei curioso: o livro sumiu mesmo das livrarias?
Escrito por Idelber às 06:17 | link para este post
| Comentários (9)
MarcosVP em março 28, 2007 9:35 AM
#2
Começando pelo fim: a biografia de R.Carlos pode ser comprada aqui no Rio em mais de uma livraria.
O curioso release do livro "Machado de Assis afro-descendente" parece ter se apaixonado pelo "universo de enigmas". E assim podemos apreciar um release que TAMBÉM VIAJOU por enigmas!
Paulo em março 28, 2007 11:17 AM
#3
Em SP tb tenho visto a biografia do RC em várias livrarias.
Valéria em março 28, 2007 11:32 AM
#4
Ainda está à venda nas livrarias e continua na lista dos mais vendidos. Mais um fricote do rei: saiu n´O Globo que um tribunal de SP marcou uma audiência sobre o caso para o dia 13 de abril, sexta-feira. Os advogados do RC pediram para adiar por causa da sua notória superstição. E foram atendidos. Mas há um parecer de uma juíza dando razão ao autor do livro.
Idelber, eu quero muito saber quem foi o orientador do Paulo César Araújo na dissertação em que se baseou Eu não sou cachorro não. Já perguntei na universidade onde ele defendeu e fui solenemente ignorada. Podia fazer o favor de me indicar o e-mail no meu e-mail pessoal?
Te em março 28, 2007 7:29 PM
#5
Oi, Te, já foi teu email :-)
Marcos, vi sim. Em breve um post sobre o assunto :-)
Idelber em março 29, 2007 8:29 PM
#6
Idelber,
Transcrevo, por preguiça e por economia, o comentário que fiz no Sítio do Sérgio Leo, que, aliás, me trouxe aqui, sobre a suposta indiferença de Machado às mazelas sociais brasileiras. A propósito, você leu o livro do Schwartz? É o que disseram que é? Se puder, esclareça-me.
Seu humilde criado,
Joaquim Dantas.
joaquim.dantas@uol.com.br
"Sérgio,
Há um livro do Scharwz (ver abaixo) eu, aliás, infelizmente, não o li), que, segundo consta, ataca essa tese da indiferença de Machado às nossas mazelas, em especial, à maior de todas, à escravidão. Afinal de contas, o homem era notoriamente mulato (não tão notoriamente também o era Nilo Peçanha, presidente - o que muito me faz pensar na recente entrevista da tal Secretária da Igualdade Racial, mas esse é outro tópico). Só que Machado era sútil como costumam ser os gênios e também "esperto", enfronhado que estava nos esquemas de poder da sua época, embora, como se sabe, muito pobre no começo da vida (vendeu balas e confeitos na rua, talqualzinho Lula).
E há um conto de Machado - esse eu li e reli (até corri à estante para pegá-lo e certificar-me do título)- chamado "Pai contra Mãe", a história de um capitão do mato "urbano", isto é, de um caçador de recompensas pela captura de escravos fugidos, que, além de ser uma obra-prima, é uma das mais acachapantes e cruelmente eficazes denúncias da escravidão que já vi.
O livro é esse aí ('tá marcado de há muito que eu dia, sabe-se lá quando, vou lê-lo - talvez como farei ginástica).
SCHARWZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo, Duas Cidades, 1977. ___. Um mestre na periferia do capitalismo.
Abraços,
Joaquim
joaquim.dantas@uol.com.br"
Joaquim Dantas em março 30, 2007 12:26 AM
#7
Joaquim, você tem toda a razão. A hipótese de um Machado de Assis "alienado" e indiferente aos problemas sociais brasileiros não tem muita credibilidade entre estudiosos da obra machadiana. O livro de Roberto Schwarz combate, sim, essa tese, mas vale dizer que ela já tinha pouca aceitação entre especialistas na época da publicação de Ao vencedor, as batatas. Uma outra refutação interessante da tese de um Machado "alienado" encontra-se no excelente estudo de Raymundo Faoro, A Pirâmide e o Trapézio que, se não me engano, é de 1974. O livro do Schwarz tornou-se célebre por outra coisa: o conceito de "idéias fora do lugar", com o qual Schwarz tenta descrever uma certa "esquizofrenia" da elite brasileira do século XIX, levada, ao mesmo tempo, a adotar idéias européias (como o liberalismo) e a transgredi-las na prática ao, por exemplo, beneficiar-se de uma estrutura escravocrata. A tese de Schwarz não é simplesmente de que essas idéias, no Brasil, eram "falsas", mas sim que sua inadequação cumpria um papel, tinha uma produtividade para essa elite. Você pode ler um trecho do livro do Schwarz aqui.
Não sei se respondo sua pergunta. Mas sim, com certeza, o conto "Pai contra Mãe" é um exemplo cabal de como a tese do "Machado alienado" não se sustenta.
Grande abraço,
Idelber em março 30, 2007 2:06 AM
#8
vcs já leram dom casmurro?
"afinal,Capitu traiu ou não Bentinho?"
bjs
fuiii
eliane em maio 13, 2008 3:13 PM
#9
vcs leram os contos de escola
é muito boa a leitura
fuizim
bjs
bia em setembro 8, 2008 1:29 PM