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sexta-feira, 30 de março 2007

Qual foi mesmo o grande absurdo dito pela Ministra Matilde?

A turba que enlouquece de raiva sempre que o tema do racismo brasileiro entra em pauta e que se especializa em criar simetrias ilusórias do tipo “os negros também são racistas” recebeu da ministra Matilde Ribeiro o presente que esperava: uma declaração que não tem nada de absurda, mas que, tirada do contexto, foi suficiente para que a República Morumbi-Leblon começasse a queima em efígie da Ministra como uma perigosa Goebbels afro-tupiniquim. A hipocrisia de certas reações à fala da ministra demonstra o quanto o Brasil ainda está longe de enfrentar o tema das relações raciais. O motivo para tanto escarcéu? A seguinte citação:


BBC Brasil - E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?

Matilde Ribeiro - Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Vamos por partes. A primeira lição retórica que todo político progressista deveria aprender não é a de dar boas respostas; é a de desconstruir perguntas tendenciosas. Em primeiro lugar, como residente dos Estados Unidos há 17 anos, não sei a que “racismo de negro contra branco” nos EUA o entrevistador se refere. Estará pensando nas instituições exclusivamente negras (como universidades) criadas na época em que aos negros não era permitido entrar nas instituições brancas? Se é verdade que nos EUA há mais separação e segregação racial que no Brasil, só um lunático da Klux Klux Klan atribuiria isso ao “racismo de negros contra brancos”. O tema do racismo nos EUA é longo e complexo; não quero me estender sobre ele aqui. Mas a primeira coisa que a Ministra deveria ter feito é questionar essa estranha comparação, ancorada num factóide que o entrevistador pressupôs mas não demonstrou.

Daí vieram as frases que deliciaram a turba, louca para lançar suas pérolas de que “os negros são racistas” (até o termo gentinha, de ilustre história racista, foi ressucitado nos ataques de indignação). A frase Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco, quando justaposta à frase seguinte, me parece de sentido óbvio: o racismo é uma estrutura social que faz com que negros diariamente apanhem da polícia por serem negros, que sejam enviados ao elevador de serviço por serem negros, que sejam barrados na boate por serem negros, que se vejam privados de um emprego ou um financiamento porque se requer “boa aparência” (essa pérola eufemística do racismo brasileiro). Entendido como estrutura social que priva o outro de oportunidades e lhe diminui em sua condição humana – entendido nesse sentido – o “racismo de negro contra branco” obviamente não existe; não estão dadas as condições sociais para que ele exista. É só isso o que disse a ministra. O racismo como estrutura social não pode ser comparado à hipotética animosidade que pode sentir um negro contra um branco (será que a turba atentou para o uso do artigo indefinido singular aqui?) porque são fenômenos de ordens completamente diferentes. São alhos e bugalhos. A operação de criar simetrias ilusórias para justificar situações de opressão é conhecida. A ministra foi ingênua politicamente. Só isso.

Passemos ao tema de se é “natural” a hipotética animosidade do negro contra o branco. Aqui faço, como dizem os gringos, uma full disclosure ou, em bom tupiniquim, ponho os pingos nos i’s: dado meu interesse por candomblé, samba, funk, secondlines, capoeira e outras manifestações da cultura negra, eu provavelmente já passei mais tempo no interior de comunidades afrodescendentes do que a maioria. Incontáveis vezes já participei de desfiles em New Orleans ou shows na periferia de Belo Horizonte onde, entre centenas de pessoas, eu era um dos únicos brancos. Jamais senti qualquer agressividade, animosidade ou olhar do tipo “o que esse branquelo está fazendo aqui?” - o que não quer dizer que eu não acharia compreensível que isso ocorresse. Quando e se ocorrer, agirei – quero acreditar – de forma a minorar essa hipotética animosidade, em vez de tomá-la calhorda, hipocritamente, como prova de que “racismo é tudo igual” e que um gesto de hostilidade é equivalente a 500 anos de sujeição, desumanização e preconceito.

As reações à fala da ministra dizem muito, muito mais sobre a ansiedade da República Morumbi-Leblon com o tema da raça e da etnia do que qualquer coisa que a ministra tenha dito. Um pouquinho mais de compreensão sobre o que se está debatendo aqui, rapaziada.

E viva Nei Lopes.

Leituras relacionadas:

o caso Grafite
o debate sobre as cotas I
o debate sobre as cotas II
A cor não é transparente, no blog Diário da Lulu.



  Escrito por Idelber às 05:32 | link para este post | Comentários (53)


Comentários

#1

Minha vivência também não demonstra tal animosidade. E olha que sou gaúcho e os gringos da serra (Felipão, Dunga e Cia.) são foda! As vezes que fui chamado de branquela sempre foram expressões de bom humor e as respondi da mesma forma. O resultado sempre foram risadas. Nada mais.

É claro que a Ministra foi tola ao aceitar a formulação da pergunta. E o entrevistador passa batido, claro. Menos aqui e ali.

Abraço.

Milton Ribeiro em março 30, 2007 7:57 AM


#2

Concordo com vc, essa discussão tb aconteceu no blog de Sean Hagen e me senti uma voz única por ali.
http://seanhsean.blogspot.com/

Vivien em março 30, 2007 8:12 AM


#3

Idelber, preciso discordar. Essa bela explicação serveria de justificativa para boa parte das barbaridades que temos visto sendo praticadas por grupos sociais, portanto não psso concordar.

Quanto à "ingenuidade" da ministra, só tenho uma coisa a dizer. Talvez ela não seja a pessoa ideal para trabalhar nesta área polêmica.

Bender em março 30, 2007 8:55 AM


#4

Idelber, Barbão tradutor do Martín Kohan, lembra? Ia escrever um post sobre o caso, mas preferi fazer o link com o seu, que já diz tudo.

Voltei com um blog, apareça por lá.

Marcelo Barbão em março 30, 2007 9:03 AM


#5

Sempre que a classe média branca e leitora de Veja me faz passar muita raiva, eu venho aqui e me regozijo. Obrigada, Idelber! Aliás, a definição República Morumbi-Leblon é TÃO perfeita! Mas aqui eu chamaria de Rapública Morumbi-Leblon-Savassi. ;-)

Ju Sampaio em março 30, 2007 11:02 AM


#6

Tambem adorei a definicao Republica Morumbi-Leblon mas concordo com o comentario acima de que talvez Republica Morumbi-Leblon-Savassi seja ainda mais completo. Ou talvez Belvedere ao inves de Savassi hein? Abraco, Leticia.

Leticia Marteleto em março 30, 2007 1:46 PM


#7

Ju e Leticia, que tal Morumbi-Leblon-Mangabeiras?

Vivien, vi o post a que você se refere. Dizer o quê, né?

Oi, Barbão, obrigado pelo link. Seu novo blog já está incluído aqui no blogroll, e vou ajudar a divulgar. Abração,

Idelber em março 30, 2007 2:32 PM


#8

Caro mestre, perdão por discordar veementemente. De fato, a intenção da ministra não foi incentivar ações de negros contra brancos a pretexto de vingar a escravidão. Mas, como autoridade, e como ministra da Integração racial, cabia a ela dizer que, embora considerasse compreensível uma animosidade de negros contra brancos, esse tipo de atitude é condenável.

E é ridículo usar como justificativa "um negro não gostar de um branco, ou não querer conviver com um branco" o fato de que quem foi açoitado tem direito de não gostar de quem o açoitou. Pelos felxíveis padrões raciais do Brasil sou branco, nunca açoitei ninguém, muito pelo contrário, e não considero natural se for tratado de forma agressiva por uma pessoa de pele negra apenas porque minha pele e minhas feições diferem da dela e se assemelham à de algum troglodita que o maltratou no passado. Pode ser compreensível, pode ser relevado, mas nunca considerado como algo natural, pelos padrões éticos que acredito desejáveis na sociedade onde vivo.

Pode-se elaborar qualquer definição de racismo, mas eu prefiro uma bem simples: racismo é tratar uma pessoa diferentemente, ou discriminá-la, devido à cor da pele dela. Não há justificativa para concordar com isso.

Em um ponto lhe dou razão: estão usando a infeliz fala da minsitra (que revela grande preconceito racial dela) para apaziguar preconceitos racistas de outros. Racistas em Brasília fizeram um atentado contra estudantes negros, de Guine Bissau, na UnB, e muita gente tem ligado a fala da ministra a esse noticiário, o que é uma canalhice. Uma coisa nada tem a ver com a outra, e não se pode deiar que a fala deplorável da ministra interfira na condenação veemente à atitude grotesca contra estudantes africanos. Os que vem fazendo isso acabam dando razão ao seu argumento sobre a República Morumbi-Leblon.

S leo em março 30, 2007 2:36 PM


#9

cabia a ela dizer que, embora considerasse compreensível uma animosidade de negros contra brancos, esse tipo de atitude é condenável.

Querido amigo Sergio, mas foi exatamente isso que ela disse, sem tirar nem pôr!

Idelber em março 30, 2007 2:39 PM


#10

Amigo Sergio, só mais uma coisinha. Quando você diz:

não considero natural se for tratado de forma agressiva por uma pessoa de pele negra apenas porque minha pele e minhas feições diferem da dela e se assemelham à de algum troglodita que o maltratou no passado

concordemos por um minuto que nenhum de nós acha isso natural. Mas a questão concreta é: quantas vezes na sua vida isso lhe aconteceu?

Idelber em março 30, 2007 2:49 PM


#11

Perfeito! É no Mangabeiras que eles estão.
;-)
E era só o que me faltava, desvirtuarem a questão desse jeito! Gente, sério, onde estão esses negros tão racistas assim, que geraram essa celeuma toda? São nossas empregadas, essas que dormem em quartinhos de 1,5m por 1,5m dentro de nossos apartamentos de 200m2, que andam se recusando a conviver com a gente? Ou serão os porteiros dos nossos prédios, os motoristas dos nossos ônibus? Quantas vezes a gente tem sido agredido por eles, por causa da nossa cor? E olha que eu concordo totalmente com a ministra: não estranharia nada se esse tipo de reação acontecesse, me espanta muito mais a passividade do povo. E também não concordo de jeito nenhum com o Sérgio, quando ele diz "um troglodita que o maltratou no passado". Será que precisa mesmo ir ao passado para encontrar brancos racistas? Só quem maltratava os negros eram nossos tataravós escravocratas?! Eu acho que se algum negro te hostilizar por ser branco provavelmente é porque se cansou de ser destratado, desrespeitado e mal-interpretado bem agora, no presente mesmo. Mais ou menos como estão fazendo com a ministra.

Ju Sampaio em março 30, 2007 3:25 PM


#12

Eu gostei mesmo foi do comentário de um grande amigo meu, que é gay. Ele falou: "esse pessoal que tá reclamando do racismo dos negros contra os brancos deve ser o mesmo que queria o tal 'dia do orgulho hétero'". Realmente, brancos e héteros têm muito com o que se preocupar, o mundo não anda nada fácil pra eles, né?!

Ju Sampaio em março 30, 2007 3:37 PM


#13

Ju, que orgulho ter uma leitora (e amiga) como você :-)

Idelber em março 30, 2007 3:40 PM


#14

Idelber,

O absurdo não está no pensamento da ministra, mas sim na divulgação desse pensamento. Ela é a pessoa responsável por promover a igualdade racial, por facilitar e estimular a convivência entre pessoas de raças diferentes.

Por mais justificável que seja a insurgência de negros contra brancos, a última pessoa que deveria externar essa idéia é a ministra Matilde Ribeiro, por um simples motivo: quem tem de promover a igualdade, não pode justificar a discórdia.

Em última análise, dizer que é normal um negro não gostar de um branco, equivale a permitir que se ache normal um branco não gostar de um negro. Claro que isso é uma argumentação falaciosa, mas uma ministra está sujeita a isso o tempo todo, e cabe a ela não jogar as cascas de banana sob os próprios pés.

Afinal de contas, se fossemos todos tão inteligentes, tolerantes e bem-intencionados, a secretaria especial que ela preside não precisaria existir.

Abraço!

Andrada em março 30, 2007 5:48 PM


#15

"..500 anos de sujeição, desumanização e preconceito...'
Em janeiro morreu um grande amigo meu. Negro, grande percusionista, e invejável ser humano.
Bebíamos cachaça juntos, eu sempre o levava para casa. No caminho, bêbados, ele se lamentava de tudo e respondia a qualquer coisa dizendo; 'são 500 anos de chicote nas costas, você sabe o que é isso?'.
Não sabia mas nunca duvidava, sempre me calava.
Alguns dias antes de morrer ele me ligou e disse que gostava muito de mim e da minha mulherele, Estava bêbado e carente.
Depois que ele morreu sua mulher me disse que nossa amizade o pertubava muito, ele gostava bastante de mim mas no fundo ele esperava que eu em algum momento eu o hostilizasse. Ele não acreditava em igualdade racial, para ele, por mais que fossemos amigos eu era um tolerante.
Essa confissão indireta me deixou triste.
Formado em sociologia na USP, ele trabalhava em comunidades carentes, e me dizia que nem alí ele estava livre de preconceitos.
Lí com imensa indiferença a repercusão das 'interpretações' das declarações da ministra Matilde Ribeiro.
Entretanto sentí que não precisamos sermos racistas explícitos, basta simplesmente sermos brancos pra manifestar esse sentimento. O que acho muito 'natural'.
Nunca fui hostilizado por um negro, como já fui por um branco, e acredito que a questão vai para muito além da República Morumbi-Leblon.
O link 'A Basel Irmad Termos, pela vida que não foi', é um grande post.
Abraços, e me desculpe o desabafo

frank em março 30, 2007 8:28 PM


#16

idelber, no CORREIO BRAZILIENSE de 29/03/2007, a propósito desse assunto, foi publicado um artigo muito bom, de sueli carneiro, doutora em filosofia da educaçao e diretora do Geledés - Instituto da Mulher Negra, no qual ela demonstra a diferença entre o que sejam sentimentos de estranhamento frente aos diferentes e a transformaçao desses sentimentos em açao discriminitória ou estratégia de poder do grupo hegemônico sobre o(s) outro(s).
vale a pena ver aqui: http://buscacb2.correioweb.com.br/correio/2007/03/29/A10-2903.pdf
abraço

vera em março 30, 2007 10:16 PM


#17

A primeira frase foi retirada do contexto, certo. Mas essa "quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou" continua infeliz.
Assim que li a notícia, me veio à memória o que defendia Malcolm X: a separação entre negros e brancos. Para mim era um homem rancoroso, ressentido contra todos os brancos. Tinha seus motivos, mas para mim não justifica.
Gostaria de saber da ministra sua opinião sobre a militância dele, para saber mais como ela conduz a sua militância.

Te em março 30, 2007 10:31 PM


#18

(putz, comentei no lugar errado, hahahaha, enfim....agora no post correpondente...)

pois é, os políticos tinham que fazer um curso: "como dar entrevistas sem criar armadilhas para si mesmos"
e os jornalistas deveriam usar mais o bom senso e menos o sensacionalismo pra editar as entrevistas que fazem...

abraços
:)

daniel em março 31, 2007 4:07 AM


#19

Idelber,

Acho que dessa vez você está comprando a briga errada.

É lógico que um negro tem o direito de se insurgir contra um branco, se for vítima de desrespeito. O problema não está nessa frase, mas nas outras. Por exemplo:

"Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros."

O que fazer com essa frase? Ela simplesmente elimina, de uma penada, o próprio conceito de função social da propriedade, por exemplo.

Tudo bem que o Ministro do Planejamento, do Trabalho ou da Farinha de Rosca, em uma entrevista fortuita, se referissem de forma pouco rigorosa, inexata ou mesmo patentemente errada sobre noções que concernem a uma outra Pasta (por mais vexaminoso que isso possa ser). Agora, um ministro não tem desculpa para não ter rigor conceitual sobre os assuntos de sua própria pasta. Não é demais repetir: a ministra da Integração Racial acaba de produzir uma definição de racismo que sequer menciona cor da pele ou etnia, embora tais assuntos sejam objeto explícito de atenção na definição legal das competências da SEPPIR.

Mas isso é o de menos. Vejamos a frase seguinte:

"A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou."

Não há dúvida aqui: ela julga "natural" a segregação racial. Ela explicitamente acha natural que um negro não goste de um branco apenas porque o branco é branco.

Eu nunca açoitei ninguém (pelo menos, não de forma não consentida...), e digo que se um dia fosse vítima de "racismo contrário" me julgaria no direito de processar o autor da ofensa por racismo, sim senhor.

É lógico que se a Ministra estiver se referindo apenas à esfera privada, ok, é o direito de livre associaçào que está em jogo, não posso querer forçar um negro a ser meu amigo. Agora, se eu entrar em uma loja de um negro e ele não quiser me atender porque sou branco, o pau vai comer.

Finalmente, quem frequentava a Cinelândia na época do auge do governo Brizola sabe muito bem que o movimento negro que apoiava o PDT tinha componentes extremamente racistas. Eu presenciei isto inúmeras vezes.

É claro que nào estou dizendo que esse é o grande problema do Brasil hoje. Evidente que o racismo dos brancos contra os negros é hoje o único problema racial com que devíamos nos preocupar. O problema é que declaraçòes como a da Ministra nào ajudam, só atrapalham, como sabem agora os estudantes africanos da UnB.

abçs

Hermenauta em março 31, 2007 11:12 AM


#20

idelber
impressionante como às vezes vc veste o figurino stalinista tão de acordo com a República Leningrado-Tirana.
a ministra foi muito infeliz nesta declaração. ela mostra despreparo, rancor, demagogia. aliás tudo como manda a cartilha desta esquerda despreparada e ultrapassada q dirige o brasil.

armando braga em março 31, 2007 11:45 AM


#21

Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros.

Alguém me explique, por favor, o que isso tem a ver com "raça".

Sou advogado em Manaus. No fórum Ministro Henoch Reis, onde uma parte da Justiça Estadual (não)funciona, há um elevador privativo para juízes e promotores, outro para advogados e um terceiro para o "resto". Se você não for promotor, tente entrar no elevador dos juízes ao lado de um. Já houve gente expulsa.

Sim, há juízes e promotores negros. Eles são tão discriminatórios quanto os brancos quando se trata de proteger as próprias "prerrogativas" (muitas aspas), inclusive contra outros negros. Quem é o racista? O que essa situação tem a ver com "raça"?

Concordo com o comentário do Armando. Essa senhora é tão despreparada quanto o resto da turba que compõe OS GOVERNOS em nosso país.

Aliás, alguém me explica também o que é essa "classe média branca e leitora de Veja"? Me desculpe, mas é cada um mais ridículo que o outro, aqui nesse blog. É no que dá seguir ideologias. Todas são burras, e quem as segue, também.

Rodrigo em março 31, 2007 12:38 PM


#22

PS: Eu não uso nenhum dos elevadores no fórum. Até porque não precisa, são só 5 andares.

Rodrigo em março 31, 2007 12:39 PM


#23

Vera, muito obrigado pelo link; interessou-me muito, mas infelizmente o acesso ao Correio Brasiliense é limitado a assinantes...

Idelber em março 31, 2007 2:36 PM


#24

Aliás, alguém me explica também o que é essa "classe média branca e leitora de Veja"? Me desculpe, mas é cada um mais ridículo que o outro, aqui nesse blog. É no que dá seguir ideologias

Tentemos uma definição, Rodrigo: "classe média branca e leitora da Veja" é aquela que, normalmente, é incapaz de entrar em um debate sem caracterizar o opositor como "ridículo" ou outros epítetos ad hominem. Em geral, ela tende a achar que os outros falam por "ideologia", enquanto ela fala em nome da verdade, do bom senso e do sentido comum. Nada caracteriza melhor essa turma do que a idéia de que "ideologia" é sempre a dos outros.

Idelber em março 31, 2007 3:01 PM


#25

Caro Idelber

Concordaria com você SE a ministra ocupasse QUALQUER OUTRO POSTO DA REPÚBLICA.
Já vi na TV a ministra pedindo desculpas, o estrago, no entanto JÁ ESTÁ FEITO. MELHOR SERIA se ela PEDISSE DEMISSÃO.

Foi um episódio lamentável, MAS CONCORDO que no contexto étnico e demográfico em que vivemos a probabilidade de uma declaração deste teor ser proferida é grande. MAS NUNCA DE UMA MINISTRA NESTA PASTA!!!!!!

Dias melhores virão...PARA TODOS NÓS.

Paulo em março 31, 2007 3:32 PM


#26


Preocupante mesmo é um bando de Ministros politicamente ingênuos. Isso que não dá!
A única coisa que político não pode ser é ingênuo.

gugala em março 31, 2007 5:08 PM


#27

Rodrigo, vc devia ter um elevador só pra vc. Um que só descesse. ahahah

gugala em março 31, 2007 5:11 PM


#28


Belo texto, de grande refinamento analítico, e convidador, como sempre, de bons debates. Independente de qualquer juízo de valor, polêmicas como essas nos levam a discutir as nossas relações raciais, o que é muito positivo.

Algumas discordâncias.

Racismo "americano" - A opção de uma parte do movimento negro americano (movimento bastante plural) foi o de adotar a "regra do jogo" do racismo. Fazer aquilo que você aponta: num mundo em que instituições brancas não aceitam negros, as intituições negras não aceitariam brancos (outros, como Martin Luther King pensaram em estratégias mais universalistas, que quebrassem a espinha dorsal do particularismo). Essa lógica muitas vezes leva a situações de tensões e de incompreensão mútuas, que desencorajam o verdadeiro debate. Já sofri agressão verbal em West Oakland por estar no "lugar errado, na hora errada", e olhe que sou um legítimo representante da raça dos vira-latas.

O racismo à brasileira - Matilde tem uma leitura do mundo muito esquemática, muito "preto no branco". O racismo à brasileira - que existe e é insidioso - é muito mais complexo do que essa idéia do "negro que é chicoteado pelo branco". As pessoas no Brasil não são paradas pela polícia SÒ POR SEREM NEGRAS. Há outros fatores, como a perfomance (um negro - ou mestiço - de paletó carregando sua Bíblia é, para o policial, bem diferente de um negro - ou mestiço - sem camisa andando descalço...há um racismo mais "relacional", onde há muitas variantes que explicam a discriminação, ao contrário do racismo à americana). Eu acho que a gente precisa estudar mais as especificidades do racismo brasileiro pra não ficar comprando esses discursos prontinhos da Fundação Ford (o que parece ser o caso da militante e ministra Matilde). Lembro de uma resenha que você fez do livro do Robert Stam, na Luso-Brazilian Review, que você criticava exatamente esse esquematismo "racial" do Stam, pouco atento às especificidades de nosso racismo (ha uma otimo livro que li ultimamente sobre a logica de nosso racismo, escrito por Livio Sansone, que foi publicado aí nos States, chamado "Blackness without Ethnicity").

Por fim, acho que vc acabou argumentando "ad hominem" ao criticar os que discordem da ministra Matilde, como se essas fossem posições típicas do conservadorismo brasileiro. Eu discordo da ministra, discordo de certas defesas das políticas de ação afirmativa e não sou leitor da Veja, nem pertenço a República "Leblon-Morumbi-Savassi". Aliás, diga-se de passagem, que as idéias da ministra Matilde estão em perfeita sintonia com a sabedoria convencional da tecnocracia tucana. Foram os tucanos os primeiros a fazer essa "crítica" à democracia racial, na Conferência de Durban e, nessa aréa, não há diferença com o progama do PT.

Vamos pressupor que há pessoas de boa fé nas duas trincheiras do debate, com argumentos razoáveis e desejando o melhor para o nosso país. Um grande abraço!

Cesar em março 31, 2007 6:53 PM


#29

Idelber!
Primeiro lugar parabéns pelo espaço elegante do Biscoito Fino e a Massa. Sempre dou uma espiadinha, mas não me sinto capaz de entrar em debates tão eruditos. Conheço pouco de você, mas admiro a sagacidade (?), a fina ironia e, principalmente, o direto(de esquerda?). Sem maiores rapapés, vou meter a colher torta neste angú.
Fostes sagaz, irônico e direto(como sempre és), em teu comentário sobre a Ministra...
Mas, atirastes no que viu e acertastes no que não viu!! Todos, que aqui comentaram, tiveram, primeiro, a fineza de deixar claro que seus comentários nada tinham de preconceituosos.
Muitos, fizeram questão de dizer que inclusive conheciam alguns negros... até bebiam juntos etc.., (isto é irrelevante para o debate).
Bem, desnudaram as palavras da Ministra, primeiro, porque demonstraram, claramente, que racismo, se houver é coisa dos outros.
Segundo, a maioria acha que a ministra foi incoseqüente, ou leviana, ou imprudente ou, vá lá, ingênua...
Outros, tentam "elevar" o debate, discorrendo citações, títulos, a cor de sua pele, sua origem social, sua biblioteca de plantão, seus autores prediletos.
Mas, e o debate meu nêgo? Vamos ficar só na enquete popular-sociológica-erudita, a ministra devia falar ou não devia falar.
Estava simplesmente reproduzindo discursos acadêmicos?
Ora, gente, a ministra falou o que deveria falar, não soltou plumas ao vento, respondeu uma pergunta objetiva, com uma resposta objetiva.
Só não sei se devemos discutir se estamos do lado da pergunta ou do lado da resposta, não há ingenuidade em nenhum dos lados, a República Morumbi-Leblon fica no meio. Acabei me estendendo, prazer participar e pelo que conheço do Mestre Idelber, a República Morumbi-Leblon, que todos querem acrescentar mais um ponto, tem o exato desenho do mapa do Brasil...

Paulo Vilmar em abril 1, 2007 2:34 AM


#30

Idelber, meu rei (repara não, cheguei a pouco de Salvador):
você está coberto e recheado de razão, as usual. Das declarações da ministra salta aos olhos (pelo menos aos meus)o despreparo dela. Mesmo que se possa corrigir aqui ou ali uma ou outra frase, o mais grave pra mim é que ela tenha sido enredada tão facilmente, fornecendo munição á República tão bem nomeado por você. Por força do trabalho, acompanho a atuação da Seppir junto às comunidades quilombolas, e por isso, infelizmente, o que vc chamou elegantemente de "inocência" eu acho que é realmente despreparo.
Mas tudo isso me lembrou um certa lição que tomei com mestre Joel Rufino, acho que vou contar lá no Dufas..
Beijoca!

Helena Costa em abril 1, 2007 11:12 AM


#31

Aqui e acolá concordo com os ditames do Hermenauta e do Sérgio Leo. A ministra não foi apenas infeliz nas colocações: aliou incompetência com intolerância. Num momento como esse, declaração danosa aos interesses
de um ministério da Integração Racial.

Roberson em abril 1, 2007 7:54 PM


#32

Caro Paulo Vilmar, data venia, data maxima venia!
Primeiro lugar, se todos que aqui comentam tem a fineza de afirmar que não são preconceituosos, você grosseiramente não se declarou. Seguindo esse raciocínio podemos pensar que você é um preconceituoso. Mas pela sua ironia, e lógica, podemos concluir certamente que ao não se pronunciar, você é o único que não é preconceituoso .
Pelo que lí nos comentários somente eu declarei ter um amigo negro, e que bebía com ele. Portanto não foram tantos quantos seus 'esses' querem supor.
Sobre beber com um negro... não, com um amigo negro, ser relevante ( detesto essa palavra) ou não, não é de sua competência decidir.
Apenas citei com um fato que poderia ser relacionado com o post do Idelber, na passagem: "Entendido como estrutura social que priva o outro de oportunidades e lhe diminui em sua condição humana – entendido nesse sentido – o “racismo de negro contra branco” obviamente não existe; não estão dadas as condições sociais para que ele exista.".
Por isso disse que meu amigo era formado em sociologia mas 'ganhava a vida' com aulas de percusão na periferia de são paulo.
De qualquer forma é muito interessante sua colaboração ao debate, seu comentário foi na 'veia', creio até que será um divisor de águas.
Será antes e depois de Paulo Vilmar!
Mas se você for atento, mesmo, perceberá que este espaço para debate, este blog, haverá sempre 'lugar' para opiniões emotivas e irrelevantes, contrárias ou não, racionais ou relevantes. Fora isso, será deletada, mas só se for mal educada. Coisa que poucas vezes ví aquí.
Ao contrário de você, quando descobrí este blogue percebí que não havia distinção entre popular e acadêmico, ou erudito. Por isso sempre me senti livre para opinar. E acredito que essa é a intenção do blogue. Posso estar errado.
Não creio que seja sua função criticar os comentarístas deste blogue. Muito menos determinar os 'caminhos que devem seguir os comentários.
Abraços

frank em abril 1, 2007 9:27 PM


#33

E o mais desse domingo? que vergonha....a falha se supera a cada vez.

Luana em abril 1, 2007 10:03 PM


#34

Pior que o Mais de hoje, Luana, só o Reinaldo Azevedo falando do "preconceito contra os brancos", negando que o crime da UNB tenha sido racista e dizendo que Gilberto Freyre é ignorado na universidade.

Dá vontade de fazer uma lista das teses, livros e artigos dedicados ao Freyre...

Idelber em abril 1, 2007 10:37 PM


#35

Um país que deposita todas suas mazelas em 24 anos de ditadura militar, não crê que o passado escravagista não tenha nenhum significado, não pode mesmoo ser levado a sério.

frank em abril 1, 2007 11:17 PM


#36

Em tempo, há ainda o Manolo Fiorentino, no Estadão, com mais pérolas na mesma linha. ai, ai...

Idelber, estou muito muito honrada com a sua linkagem. Mesmo.
um abraço meu.
Luana.

Luana em abril 2, 2007 12:08 AM


#37

Para quê precisamos de um Ministério de Integração Social? Mais gastos públicos, mais burocracia e resultados zero. Como sempre.
O problema do Brasil não é racismo. O grande problema é exclusão econômica, social e educacional.
Se você é negro, branco, pardo e pobre, você está
ferrado. O baixo nível da imprensa mais uma vez sobressai.

fatima em abril 2, 2007 11:07 AM


#38

Frank !
Sem polemizar, quero apenas pedir desculpas, não era a intenção, de forma alguma, criticar seu comentário, justamente o que mais me tocou, pela lucidez e posicionamento firme. Foi mais como uma forma retórica, que falei do episódio (beber com negros), quanto a relevância, concordo plenamente e, longe de mim a "função" de criticar ou determinar os caminhos que devem seguir os comentários. Desculpas e abraços !!Ponto final.


Paulo Vilmar em abril 2, 2007 7:47 PM


#39

Sobre o assunto, bom mesmo é o texto de Luiz Fernando Veríssimo, publicado hoje na (argh) Zero Hora o qual reproduzo parte:

"Racismos

Preconceito racial e discriminação racial são duas coisas diferentes. O preconceito é um sentimento, fruto de um condicionamento cultural ou de uma deformação mental, mas sempre uma coisa pessoal, quase sempre incorrigível. Não se legisla sobre sentimentos, não se muda um hábito de pensamento ou uma convicção herdada por decreto. Já a discriminação racial é o preconceito determinando atitudes, políticas, oportunidades e direitos, o convívio social e o econômico. Não se pode coagir ninguém a gostar de quem não gosta mas qualquer sociedade democrática, para não desmentir o nome, deve combater a discriminação por todos os meios - inclusive a coação.

Não concordo com quem diz que uma política de cotas para negros no estudo superior é discriminação ao contrário, ou uma forma de paternalismo condescendente tão aviltante quanto a discriminação. É coação, certo, mas para tentar corrigir um dos desequilíbrios que persistem na sociedade brasileira, o que reflete na educação a desigualdade de oportunidades de brancos e negros em todos os setores, mal disfarçada pela velha conversa da harmonia racial tão nossa. As cotas seriam irrealistas? Melhor igualdade artificial do que igualdade nenhuma.

Agora mesmo caíram em cima de quem disse - numa frase obviamente arrancada do contexto - que racismo de negro contra branco é justificável. Nenhum racismo é justificável, mas o ressentimento dos negros é. Construiu-se durante todos os anos em que a última nação do mundo a acabar com a escravatura continuou na prática o que tinha abolido no papel. Não se esperava que o preconceito acabasse com o decreto da abolição, mas mais de 100 anos deveriam ter sido mais do que suficientes para que a discriminação diminuísse. Não diminuiu.

Igualar racismo de negro com racismo de branco não resiste a um teste elementar. O negro pode dizer - distinguindo com nitidez preconceito de discriminação - "Não precisa me amar, só me dê meus direitos". Qual a frase mais próxima disto que um branco poderia dizer, sem provocar risos? "Não precisa me amar, só tenha paciência"? "Me ame, apesar de tudo"?. Pouco convincente.

Paulo Vilmar em abril 2, 2007 7:57 PM


#40

Idelber, mais uma vez texto lúcido, inteligente, bem argumentado! Cê não sabe como me faz bem -ufa! - ver gente na mídia com personalidade e discernimento e não compartilhando dessa oba (b)obagem que impera por aí. tamanha inversão q fizeram, não? Axé, mto axé!

Sibila em abril 3, 2007 9:54 AM


#41

Paulo

O Brasil não foi o ultimo país a abolir a escravatura: a Arábia Saudita só o fez por volta de 1960...

André Kenji em abril 3, 2007 11:27 AM


#42

Idelber, não gosto de concordar com o Reinaldo Azevedo, mas definitivamente a academia brasileira tem um birra ridícula com o Gilberto Freyre.

André Kenji em abril 3, 2007 11:51 AM


#43

Kenji, nao precisa dar razao ao azevedo, nao, cruz credo, nao faca essas coisas. O Freyre foi realmente vetado na academia durante a ditadura mas comecou a reviver jah no final da decada de 80. Fiz faculdade na decada de 90, historia na PUC RJ e na UFRJ, e li Freyre em varias aulas, sempre dado entusiastica mas criticamente. conheco um ou outro esquerdista ou militante negro que tem birra com o freyre ateh hoje (por bons e maus motivos), mas a birra institucional ja acabou hah quase 20 anos. basta ver o numero de livros e teses sobre sua obra - a maioria, alias, encarando sua contribuicao positivamente.

alex castro em abril 3, 2007 1:00 PM


#44

O banco de dados JSTOR registra 2042 artigos acadêmicos sobre a obra de Freyre.

Só eu seria capaz de citar uns 30 livros acadêmicos que trabalham com a obra dele.

Reinaldo Azevedo não tem a menor idéia do que está dizendo.

Idelber em abril 3, 2007 1:45 PM


#45

Mas eu não disse que ele é ignorado. Eu disse que há uma birra da academia com ele.

André Kenji em abril 4, 2007 1:29 PM


#46

Aliás, não leio o que o RA escreve. Não tenho dificuldades para defecer.

André Kenji em abril 4, 2007 1:32 PM


#47

Já faz uma semana mas creio que ainda é tempo:
"Odeio as vítimas que respeitam seus opressores" - Jean Paul Sartre.
Respeitads as devidas proporções e o contexto, creio que se encaixa essa frase existencialista do autor francês.

Kleber Miguel em abril 6, 2007 11:00 AM


#48

Caro irmão Idelber, como vai?

mais uma vez a sua perspicácia de ler além das linhas e conseguir resgatar a verdade e a inocência da fala da Matilde! Você é o cara!!!
E ainda articula o outro cara, o Nei Lopes!!!
Minha tese está praticamente pronta e estou angustiado por não poder ampliar algumas discussões em diálogo com as suas, pois há tanta coisa em comum?
Mais uma vez, uma pérola
de um brother e adimirador

paulinho

ps. e a barriga cresce...

paulinho em abril 6, 2007 11:49 AM


#49

Falou e disse, Kleber. Perfeita a frase :-) Que bom vê-lo aqui!

paulinho, não deixe de mandar notícias quando nascer o herdeiro :-)

Idelber em abril 6, 2007 2:13 PM


#50

Tenho freqüentado seu blog com mais assiduidade nos últimos tempos. Na maior parte das vezes concordo com as teses que sustentas, mas penso que a Ministra da Igualdade deu uma derrapada feia. Quem defende a igualdade entre brancos e negros não pode achar que rancor e discriminação sejam os fundamentos certos. Igualdade é sinônimo de inclusão, nada mais excludente do que vitimizar o negro pelo seu passado e usar disso como justificativa para novos atos de ódio racial. O maior equívoco, na minha opinião, é mais uma vez um representante da intelligentzia trair-se sem perceber que o Brasil que a gente sonha não vai ser construído com esse discurso de revanchismo. Quanto ao argumentum ad hominem, citar uma assim denominada República Morumbi-Leblon é a mesma coisa.

Cássio em abril 8, 2007 6:09 PM


#51

Pôxa Idelber, já estou fã do seu blog, tudo de bom, o post está 10, por coincidência esse foi o assunto que tratei no post O inversionismo brazuca com o qual inaugurei meu blog em Abril.

Para quem não entrar adianto algumas coisas:

1- O único "erro" da Ministra foi "aceitar" a pergunta capciosa sem antes "instruir" que não existe racismo nem revanchismo exacerbado de negro contra branco (pelo menos não no contexto brasileiro)

2- Uma definição de preconceito racial : Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que se lhes atribui ou reconhece. Quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para as suas manifestações os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, diz-se que é de marca; quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico, para que sofra as conseqüências do preconceito, diz-se que é de origem. (Nogueira, 1985, p. 78-9)

3- Uma definição de racismo:


[..]o racismo, como construção ideológica incorporada em e realizada através de um conjunto de práticas materiais de discriminação racial, é o determinante primário da posição dos não-brancos nas relações de produção e distribuição
(Hasenbalg, 1979, p. 114).



Ou seja, racismo hoje é principalmente "embarreiramento" sócio-econômico,cultural e invisibilidade,nem tanto ódio e coexistência turbulenta..., é sempre contra "não-brancos" e não o contrário... (em outros países o racismo não envolve exatamente questão de cor mas étnica,vide judeus x árabes, croatas x sérvios, hutus x tutsis, sunitas x xiitas, etc..), é sempre de um grupo históricamente poderoso e opressor contra outro(s) oprimido(s)


Na realidade vivemos um novo tipo de racismo dissimulado e cínico que tenta se travestir de anti-racista inclusive acusando de "racistas" justamente os combatentes do racismo REAL (branco -> não-branco), e que se chama META-RACISMO, quem se interessar procure por resenhas ou pelo livro de Joel Kovel, White Racism: A Psychohistory.

Portanto a Ministra está certa..., não incitou nada nem mostrou "despreparo", mas realmente uma certa "inocência" ao tratar com uma imprensa claramente tendenciosa, reacionária e pouco escrupulosa.
.


Juarez Silva (Manaus) em setembro 24, 2007 12:17 PM


#52

Sr.Rodrigo de Manaus, disse :

"Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros.

"Alguém me explique, por favor, o que isso tem a ver com "raça"."



Pois lhe explico: Também moro em Manaus e sou militante do movimento negro local, a frase da Ministra que lhe causa "dúvida", quando lida dentro do contexto geral da reportagem faz todo o sentido..., afinal na reportagem ela estava falando de racismo(e consequentemente de uma situação com componente "racial" o que obviamente envolve conceito de "raça"), a tal "maioria" a que ela se referiu tem obviamente um componente "racial" característico (é virtualmente "branca") e "os outros" são "virtualmente não-brancos" .

É comum os leigos confundirem(ou tentar confundir) conceitualmente racismo com outros tipos de preconceito e discriminação, como por exemplo o de classe (caso das categorias profissionais privilegiadas em relação aos "outros" nem tanto...),no Brasil existe sim uma estrutura social de "Raça/classe" onde o topo da pirâmide é 80% "branca" e a base é 70% "negra"..., o que quer dizer que qualquer um pode ser pobre mas se for negro tem mais chances, já para ser "rico" a situação se inverte .

Só para lembrar ... Manaus tem apenas 2 juizes pretos( só o TJAM tem 19 desembargadores e nenhum preto..., imagine a quantidade de juizes "não-negros" de outras instâncias...), temos também 3 promotores(MPF, MPT) obviamente pretos e 1 (MPE) que se declara negro (em meio a quantos promotores "não-negros" ?), seriam estas raras exceções negras na magistratura os responsáveis pela "estrutura" de elevadores diferenciados ou qualquer outra "característica" da classe ?,o fato de seguirem o "padrão de classe" os torna "discriminadores" ou "racistas ao inverso" ? , creio que não..., seu argumento me remete ao tipo de argumentação falaciosa normalmente utilizada pelos meta-racistas de juntar "alhos com bugalhos" e tentar "inverter" situações transformando vítimas em algozes..., talvez por falta de experiência com a temática, pela influência da mídia reacionária ou da mentalidade comum instalada nas classes média/alta e alta... (justamente aquela que "forma opinião" lendo a Veja... :-))

Juarez Silva (Manaus) em setembro 24, 2007 1:26 PM


#53

NO FINAL DAS CONTAS ... ELA ERA APENAS UMA PESSOA DESPREPARADA PARA SER UMA MINISTRA ... NAO CONSEGUIU MANTER SEU CARGO APENAS PQ TINHA UM CARTAO DE CREDITO SEM LIMITES.
ELA NUNCA DEVERIA TER SIDO MINISTRA, ERA UMA VERGONHA PARA O PAIS ... UMA MOLEKA COM UM REVOLVER NA MAO ...

PS.: TOMA JULIANA

RODRIGO em fevereiro 6, 2008 12:29 PM