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sexta-feira, 02 de março 2007

Resposta a Renato Janine Ribeiro

janine.jpgRenato,

Você não se lembra de mim e provavelmente não lerá isto, mas achei por bem fazer este post em forma de carta e evitando o tratamento de Sr. que, se justificável pela diferença etária e curricular existente entre nós, talvez pudesse, aqui no caso, soar irônica. Não é a intenção.

Mas convenhamos: que cagada, hein cara? Eu vou lhe contar uma coisa: com esse artigo que você escreveu para a Folha de São Paulo do dia 18/02, você pode ter jogado por terra toda a reputação construída ao longo de pelo menos 16 livros, uma centena de artigos e uma presença impecável na vida intelectual brasileira. A estas alturas do campeonato, você já deve ter se arrependido amargamente do que disse. Você quis agradar a direita e sacudir a esquerda, e acabou ridicularizado por aquela e desmontado por esta – para não falar na tunda que o Elio Gaspari lhe deu, na lição de classe que o italiano Andrea Lombardi, seu colega de USP, lhe brindou e nas aulas que você andou levando blogosfera afora. Você conseguiu desagradar todo mundo; ficou mal com gregos e baianos.

Tudo isso para satisfazer a sanha linchadora da turba depois do assassinato do menino João Hélio? Tudo isso para mostrar que o intelectual também pode ser durão como o Jornal Nacional, indignado como o Fantástico, paladino e denunciador como a Veja? Tudo isso pelo medo de remar contra a maré? Tudo isso para pegar carona nos discursos simplistas, por medo de discutir com argumentos um pouco mais tridimensionais o complicadíssimo problema da violência no Brasil? Você abdicou da principal tarefa do intelectual, que é desconfiar do senso comum e não ter medo de estar em minoria. Juntou-se à turba com argumentos tão patéticos que ela própria se encarregou de expulsá-lo do cerimonial do linchamento.

Você escreveu: Se não defendo a pena de morte contra os assassinos, é apenas porque acho que é pouco. Não paro de pensar que deveriam ter uma morte hedionda, como a que infligiram ao pobre menino. Imagino suplícios medievais, aqueles cuja arte consistia em prolongar ao máximo o sofrimento, em retardar a morte . . . Torço para que, na cadeia, os assassinos recebam sua paga; torço para que a recebam de modo demorado e sofrido . janine-livro.gif

Custa acreditar que quem escreveu essas frases é a maior autoridade brasileira no ramo da filosofia conhecido como ética. Aliás, o que anda acontecendo com os professores de ética aí em São Paulo, hein? Primeiro, o Roberto Romano descobre o tucanato como culminação da razão ocidental; agora, no maior jornal do país, você fantasia estuprar e torturar prisioneiros com o argumento de que “pena de morte é pouco”. Você se lembra da época em que explicava o imperativo categórico kantiano (aja a cada momento como se o seu ato fosse ser universalizado) com a frase a cada ação que cometo, estou reconhecendo o direito (ou o dever) de todo ser humano a também cometê-la? Sem dúvida, trata-se de uma explicação boa, compreensível, que capta o essencial da Crítica da razão prática. Como é que você vai explicar o imperativo categórico kantiano agora, hein Renato?

Você sabe, já li uma penca de livros seus. Meu favorito é A sociedade contra o social. Quando estou no Brasil, assisto ao seu programa sempre que posso. Ana também gosta. Era um belíssimo precedente de incorporação da filosofia, de forma aplicada, aos meios de comunicação de massa. Digo “era” propositalmente. Não é irônico que os episódios mais recentes tenham sido exatamente sobre a diferença entre justiça e vingança, sobre a irredutibilidade daquela a esta? Como é que você se esqueceu dessa diferença? Com que cara você vai apresentar esse programa agora?

Para satisfazer a turba, você disse: Se há Deus, e acredito que haja, embora não necessariamente antropomorfo, como admite Ele esse mal extremo, gratuito, crudelíssimo? . . . Não vejo diferença entre eles e os nazistas . . . Os nazistas foram culpados do que fizeram. Optaram pelo mal. Como esses assassinos.

Nazistas? Mal gratuito? Que pilha de platitudes pré-kantianas é essa? Depois de um homícido culposo, produto de uma trapalhada de um assalto feito com arma de brinquedo? O sofrimento horrível da criança e dos seus pais vai agora sair da esfera privada e virar inspiração para políticas públicas? Como é que você vai ensinar agora, aí na USP, a diferença entre um indivíduo culpado de um crime e uma política de exterminação estatal de mais de uma década? Você cometeu o pior erro que um progressista pode cometer em política: aceitar discuti-la com categorias morais.

Fiquei sabendo que no próximo domingo, no Mais!, você vai tentar “explicar” que não defendeu a pena de morte nem a tortura. Sabe, Renato, em Minas temos um bom ditado: merda, quanto mais mexe, mais fede. Não tente dizer que não o entendemos. Retire o que disse, retrate-se. É o mais digno.

Já sei: não faltará quem diga que estou absolvendo os criminosos. É o que sempre acontece quando alguém tenta introduzir um pouco de racionalidade no debate sobre o castigo. É fácil gritar: mais porrada, mais cadeia, mais polícia. Falamos de prevenção do crime, de políticas públicas para tentar atenuar a violência, e o patrulhamento só vê nisso a absolvição dos criminosos e a justificativa dos seus atos.

Veja bem, não nego que possam existir argumentos razoáveis a favor da redução da maioridade penal para 16 anos; não nego mesmo que possam existir argumentos razoáveis a favor da pena de morte. Eu sou radicalmente contra esta última, especialmente num país como o Brasil, onde o judiciário quase só funciona contra os pobres. Mas deixemos de fingir que a punição é a chave maior para resolver o problema, num país onde só 3% dos homicídios são esclarecidos.

Discutamos também as experiências reais, ainda que limitadas, de redução da violência. Diadema é um exemplo. Belo Horizonte não fez milagres, mas melhorou. Nas experiências com algum grau de sucesso, em geral se vê uma combinação de fatores: iniciativas educacionais, melhoria das condições de trabalho da polícia, programas de reintegração. Discutamos também alguma mudança na absurda política de drogas do Brasil, talvez a nossa grande chance de reduzir rápida e significativamente a taxa de homicídios dolosos.

Não, não acho que a “sociedade” seja culpada pelo crime dos assassinos do João Hélio, pelo menos não dessa maneira simplista; da mesma forma, Renato, que a lamentável ausência de um discurso de esquerda sobre a segurança pública no Brasil (que acaba deixando o tema nas mãos da direita) não é a culpada pela monumental cagada que você cometeu na Folha.

Mas não há dúvida que a luta contra a violência passa, sim, por medidas educacionais, ambientais e também penais, assim como a formulação de um discurso progressista sobre a segurança pública talvez possa impedir que no futuro apareçam no Brasil professores de ética defendendo a tortura de presos.

Atentamente,

Seu leitor.



  Escrito por Idelber às 00:31 | link para este post | Comentários (53)


Comentários

#1

É Idelber, crimes cruéis nos tornam cruéis. Me senti como um animal raivoso ao saber da barbaridade, cheguei a pensar em tortura e tal, mas nunca chegue ao ponto de defender a ilegalidade (ou amoralidade) como arma para combater o crime.

Aquela história de usar fogo contra fogo é a melhor receita para deixar todo mundo queimado, como este senhor.

Bender em março 2, 2007 7:46 AM


#2

Bela resposta. Quanto à pena de morte, talvez hajam argumentos racionais, mas razoáveis, estou ainda para ver um, rsssss

Fico com Camus (estou preparando um post sobre ele):

"O que é a pena capital senão o mais premeditado dos assassinatos, ao qual não pode comparar-se nenhum ato criminoso, por mais calculado que seja? Pois, para que houvesse uma equivalência, a pena de morte teria de castigar um delinqüente que tivesse avisado sua vítima da data na qual lhe infligiria uma morte horrível, e que a partir desse momento a mantivesse sob sua guarda durante meses. Tal monstro não é encontrável na vida real."

abração,

catatau em março 2, 2007 8:45 AM


#3

O seu post é irretocável, Idelber, merece aplausos até, exceto por um gravíssimo erro: o assassinato de João Hélio NÃO foi culposo.

Só poderíamos dizer isso se os ladrões que dirigiam o carro não soubessem que o menino estava sendo arrastado. Mas as testemunhas do crime foram claras que "pelo barulho, pelas pancadas na lataria do carro, seria impossível que os bandidos não soubessem do menino". E segundo outra testemunha, ouvida pelo Estadão , o caso foi pior: um dos assaltantes teria dito que o garoto era um "boneco de judas".

O que se pode dizer com certeza é que, ao contrário da Suzane Von Richtofen ou dos assassinos do índio Pataxó, eles não tinham a intenção inicial de fazer um assassinato brutal. Mas que diante daquele acidente que foi o fato do menino ter ficado preso, eles DECIDIRAM, com todo o dolo que isso representa, que era melhor arrastar uma criança de 6 anos por 7 km do que simplesmente parar o carro por 30 segundos para soltar o garoto e seguir na sua fuga. Uma decisão digna de burocratas nazistas, que merece a maior pena possível dentro do sistema jurídico brasileiro - embora com certeza não justifique o linchamento que a turba e parte da imprensa quiseram incentivar, e que o Janine cometeu a GIGANTESCA cagada de tentar legitimar com aquele artigo patético.

Edson em março 2, 2007 9:05 AM


#4

Aahh, como é bom ver o Biscoito de volta, com o melhor texto sobre um assunto que gerou inúmeras bobagens pela web afora.

Sem contar que eu nunca tinha visto a palavra "cagada" usada com tanta propriedade num texto tão sério.

Daniel em março 2, 2007 11:10 AM


#5

Falou, Idelber. Muito bem respondido. Obrigada pela citação. Um abração.

adelaide em março 2, 2007 11:26 AM


#6

Grande resposta, Idelber! Vc resumiu muito bem em uma única palavra o que um intelectual às vezes faz para provocar os aplausos da massa: CAGADA.

E sem querer polemizar quanto a questões técnicas, mas já polemizando: em princípio pode ter sido perfeitamente culposo, desde que, no momento em que eles perceberam que o menino estava sendo arrastado, este já estivesse efetivamente morto. Pode ter sido doloso também, mas isso só uma análise detida das provas talvez possa dizer. Na dúvida, decide-se de forma mais favorável ao réu: culposo, como dito em seu texto.

Túlio Vianna em março 2, 2007 11:30 AM


#7

Pois é, Túlio, cheguei a pensar nessa hipótese. Mas será que nesse caso o princípio jurídico de na dúvida decidir ao favor do réu deve ser seguido ao pé da letra? Eu dou muito valor a esse princípio, mas acho que esse caso é uma exceção bastante particular. Será que é justo que o dolo da decisão dos assaltantes (trato-os ainda como assaltantes, e não como assassinos, por causa dessa dúvida, apesar de achar que o crime foi doloso) dependa do fato - dificilmente verificável, acho eu - de saber se o garoto estava morto ou não quando perceberam que ele estava preso no cinto de segurança?

Eu prefiro pensar o caso com outra lógica: se era impossível saber se o garoto já estava morto, era DEVER dos assaltantes, se não queriam ser assassinos, parar o carro e tentar desamarrar o garoto. Ou mesmo tentar desamarrá-lo sem parar o carro, se concedermos um pouco ao cinismo de que a fuga deles valia mais que a vida de João Hélio. Se decidiram arrastar um garoto sem saber se ele estava vivo ou morto, eles arcaram com a responsabilidade de um assassinato, e merecem responder por isso.

De qualquer forma, Túlio, vc me fez perceber que estamos diante de um paradoxo jurídico formidável: uma decisão digna de oficial nazista pode ser enquadrada como homicídio culposo. Aliás, seria legal que os blogueiros da área jurídica (eu sou jornalista quase formado, mas entendo um pouquinho - um pouquinho só - de Direito por estagiar num Tribunal) pudessem esclarecer se há jurisprudência para casos desse tipo.

E é curioso que ninguém na imprensa tenha atentado para esse paradoxo. Ao menos do que eu tenho lido.

Edson em março 2, 2007 12:20 PM


#8

Belíssima a citação de Camus, Catatau, e bem a propósito. Minha admissão de que possa haver argumentos razoáveis para a pena de morte foi uma concessão além do que eu deveria ter feito, é verdade.

Obrigado, Daniel, adelaide; é isso, pouco a pouco vamos reaquecendo as turbinas.

Caro Edson, não há paradoxo. O paradoxo desaparece no momento em que você abandona a comparação com o nazismo. Mesmo que admitamos que pode ter sido doloso (com o cenário descrito pelo Túlio), a referência a "nazismo" não ajuda em nada. Abandonemos essas comparações, elas são puramente emocionais. Não foi uma decisão "digna de oficial nazista". O nazismo foi uma política estatal calculada de exterminação racial programada durante décadas. No homicídio de que foi vítima João Hélio, houve provavelmente um sofrimento terrível da criança, mas não houve sequer premeditação. Ontem, mais um jovem preto e pobre foi assassinado de forma premeditada por um policial num morro do Rio. O nome? Ainda não sabemos. São os mortos sem epitáfio no Globo, sem notícia, os mortos cujos assassinos jamais serão comparados a "oficiais nazistas".

Idelber em março 2, 2007 12:54 PM


#9

Camus não teve a oporturnidade de conhecer a quantidade de sequestros seguidos de morte no Brasil atual, inclusive de crianças. Se conhecesse, encontraria seus monstros.

Para mim está claro que o crime foi doloso. As justificativas da hipótese contrária são absurdas, quando não impossíveis. A lei tb tipifica como homicídio qualificado quando a morte é mediante tortura ou dificulte/torne impossível a defesa, como tudo indica que foi o caso. Desconheço de onde o Idelber possa ter tirado essa idéia.

Charley em março 2, 2007 1:18 PM


#10

Clap, clap, clap! Esse texto do Renato Janine tinha me deixado supertriste e realmente desanimada. Mais uma vez, a blogosfera me mostra que o mundo em que eu acredito ainda pode existir. Muito obrigada, Idelber.

Ju em março 2, 2007 1:34 PM


#11

Ufa! Tinha que ser você, Idelber, para responder. Fez falta, o Biscoito, viu? Beijocas

Monix em março 2, 2007 2:03 PM


#12

o texto do janine me chamou atenção somente por ser totalmente incoerente, hesitante e sem pé nem cabeça...

alex castro em março 2, 2007 2:37 PM


#13

Esta semana, aqui em Salvador, um grupo de PMs que fazia uma ronda regular por uma bairro da periferia atirou num jovem de 18 anos que voltava de uma festa com mais dois amigos, todos apirantes da Marinha, e que jogavam pedras num terminal de ônibus. Conta uma testemunha, que viu a cena de um apartamento, que os policiais colocaram o rapaz na mala do carro e, alguns metros depois, pararam e deram mais alguns tiros. No hospital, pra onde levaram o corpo, disseram que ele tinha sido baleado quando a patrulha perseguia alguns bandidos. Cadê a indignação da mídia com este caso e com tantos outros semelhantes que acontecem todos os dias neste país? Como avó de três crianças me coloco no lugar dos pais do João e consigo imaginar a imensa dor deles. Mas também tenho que me colocar no lugar dos pais daqueles jovens que cometeram essa barbaridade e também pensar na dor de quem vê seus filhos tratados não como seres humanos que cometeram um crime horroroso e devem pagar por isso, mas como animais. Lembro de uma música de Edson Gomes, um "regueiro" daqui da Bahia que costuma colocar os conflitos sociais e raciais nas letras das sua mùsicas: "Quando a polícia cai em cima de mim, até parece que sou fera..." Será que esse tipo de comportamento do Estado com os jovens negros e pobres não é responsável por esta violência "gratuita"?
Tudo isso pra dizer que concordo contigo. E penso que, pra mudar, temos que colocar mais amor em toda essa discussão. E também escola de verdade, emprego, perspectiva de vida pra esses meninos que não estão vendo luz nem no início do túnel. O ódio, o rancor, o medo, que aqueles rapazes que arrastaram o garoto deviam estar sentindo, não devem ser alimentados por quem quer, de fato, mudar tudo isso.

Socorro em março 2, 2007 2:57 PM


#14

Rapaz, comentei aqui antes de ler seu comentário lá no Dufas. Nossas saudações mútuas cruzaram o ciberespaço, deram tchauzinho e aterrissaram nas respectivas caixas de comentários! Hahahaha!

Amei o comentário da Socorro, principalmente esse final: "O ódio, o rancor, o medo, que aqueles rapazes que arrastaram o garoto deviam estar sentindo, não devem ser alimentados por quem quer, de fato, mudar tudo isso."

Mais beijos

Monix em março 2, 2007 3:19 PM


#15

Desconheço de onde o Idelber possa ter tirado essa idéia.

Talvez do fato de que eles saíram de casa para roubar um carro com uma arma de brinquedo?

Ah, e Camus conhecia muito bem o seqüestro seguido de tortura e morte. Era uma prática bem comum na guerra da Argélia.

Idelber em março 2, 2007 4:23 PM


#16

Contundente, perfeito, perfeito o seu texto.Adorei.
Eu costumo ir ver o Janine aqui no cafe filosofico da cpfl, tb já , como muita gente, tive a oportunidade de ler o que ele escreveu.
Esse artigo, se eu tivesse recebido por email, seria dado por mim como um daqueles emails malucos que o cara coloca o nome de um autor qq, eu não acreditaria. Simplesmente não acreditaria que ele tivesse escrito essa coisica.
Se eu fosse adolescente, diria que ele foi "tosco".
Como não sou, digo que foi, no mínimo, muito equivocado.

Vivien em março 2, 2007 4:39 PM


#17

Pois é, Vivien, minha primeira impressão foi essa - não era o Janine. Eu cheguei a pedir que a Ana conferisse a cópia impressa do jornal, pensando que talvez o site tivesse se equivocado na atribuição da autoria.

Socorro, o seu relato mais uma vez acerta em cheio: são diários, nos morros e favelas, os Joões Hélios cujas mortes não despertam indignação nem histeria coletiva.

Monix e Ju, obrigado, saudade das duas :-)

Idelber em março 2, 2007 4:45 PM


#18

Caro Idelber,
sobre a diminuição do índice dos crimes em Diadema, não creio ser um exemplo a ser seguido para que se evite crimes como o citado no post.
O que fez baixar o indice de criminalidade em Diadema foi a repressão ao que se chama de crime por 'motivos futeis' ou mais precisamente; briga de trânsito, desentendimento em bares e conflitos dentro de suas próprias casa, etc.
A lei de fechamento de bares, ajudou muito a baixar os índices.
É claro que roubar um carro e matar uma criança arrastandoa por quilómetros, nos parace fútil o bastante. Mas não para os dados do sistema.
Analizando sob a ótica da fórmula 'investigação /solução", tudo continua continua igual em Diadema, não ouve avanço exemplar. O Município está inserido dentro do índice de 3 por cento de desvendamentos. São dados da própria prefeitura de Diadema.
Não estou me contrapondo a você no que diz respeito à nescessidade de encontrar políticas eficazes no combate ao crime, e desde que não seja a diminuição da maioridade penal, ou pena de morte, torturas etc.
Lí este seu post, com as veias infladas, mas tenho que discordar do exemplo de Diadema.
É claro qualquer política que tenha eficácia em diminuir a criminalidade é bem vinda, mais ainda não temos um exemplo de política que realmente seja eficiente para lidar com esta questão, que passa nescessáriamente por dar condições ( e não mínimas) de cidadania às populações de baixa renda.
O que me assusta é o fato de que em momentos que mais precisamos refletir, e então recorreriamos ao que temos de melhor em reflexão, trombarmos com declarações toscas, que só compete para desacreditarmos completamente em qualquer solução possível.
Abrs frustados.

frank em março 2, 2007 7:23 PM


#19

Muito boa sua argumentação classificando de 'cagada' a opinião do Renato, que opinou "sob efeito de forte emoção", a meu ver. Isso não desculpa do Filósofo, claro, que renegou sua filosofia no momento em que era mais necessária.

Cláudio Costa em março 2, 2007 9:18 PM


#20

Concordamos na premissa básica: o artigo de Renato Janine é decepcionante para que tem tamanho histórico acadêmico. Mas discordamos quanto à tipificação do crime cometido. Todos os depoimentos apontam que os agentes do crime quiseram o resultado ou assumiram o risco de produzí-lo (caracterizando o dolo).

Roberson em março 3, 2007 7:02 AM


#21

Belíssimo post, Idelber. Matou a pau!

Tão triste quanto à cagada, no entanto, é a incapacidade de Ribeiro de reconhecê-la e fazer uma retratação. Alguns uspianos também querem negar o óbvio, como foi o caso do artigo da Olegária Matos, que tenta nos convencer que não entendemos aquilo que Janine Ribeiro de fato escreveu. Pior do que o erro é a falta de dignidade de reconhecê-lo.

Abraço!

Cesar em março 3, 2007 8:38 AM


#22

Belo texto Idelber, vale a pena a leitura da curta entrevista do Antonio Cícero na Folha de hoje.


Grande Abraço

Rodrigo Viana em março 3, 2007 10:47 AM


#23

A questão é: quem ou o que o embriagou deste modo?

Tentei até ler o texto do Janine procurando uma ironia, uma brincadeira, algo assim. Nada. O homem ou enlouqueceu ou cheirou ou o artigo não é dele.

Depois da tua brilhante argumentação, não irei despejar os sinceros lugares-comuns que teria para despejar sobre responder à barbárie com mais barbárie, mas é como se tivesse despejado, tá?

Abraço.

P.S.- Adorei o "cagada".

Milton Ribeiro em março 3, 2007 11:59 AM


#24

Excelente post. Nada a adicionar, só a elogiar.

Alexandre Nodari em março 3, 2007 12:32 PM


#25

deixo aqui meu elogio, brilhante resposta.

( Sim a entrevista com Antoni Ciecero na folha de hoje vale bem a pena)

Luana em março 3, 2007 10:49 PM


#26

Idelber, quando mais precisamos de um farol êle está apagado. Vivemos uma era pobre em termos de guias. Os filósofos desempenhariam a função se antenados com o nosso tempo. Não temos mais Sartre, Kiekergaard, nem Sócrates, Cícero nem Platão. Órfãos estamos. Se esperamos uma palavra de rumo e encontramos incitação à violência onde o amparo?
Abraço
(parabéns pelo texto, na veia)

valter ferraz em março 4, 2007 7:44 AM


#27

"Mesmo que admitamos que pode ter sido doloso (com o cenário descrito pelo Túlio), a referência a "nazismo" não ajuda em nada"

-------------------------

Concordo com vc quanto a referência infeliz ao Nazismo e quanto ao texto do Janine ser completamente emocional e talvez, por isso, essa defesa infeliz da pena capital, mas discordo quanto a natureza do crime. Vamos deixar "filosofias de lado" e analisar os fatos. A intenção inicial pode até não ter sido matar (arma de brinquedo), mas a partir do momento em que eles arrancaram com o carro arrastando um outro ser humano a intenção mudou. Com o agravante de que eles não arrastaram o menino por alguns metros, mas POR QUILOMETROS e QUILOMETROS de ruas e avenidas. Durante o trajeto, pessoas gritaram, motos e carros sinalizaram e,segundo uma testemunha, quando foi informado por um motoqueiro de que arrastava uma pessoa o motorista respondeu que era apenas um "boneco de Judas" e o ameaçou com a pistola. Como é que dá para relevar uma coisa dessas? Os nossos juristas precisam sim é perder os escrúpulos de punir exemplarmente esses psicopatas. Até o Gabeira, que é uma pessoa que eu considero super equilibrada, sentiu que não dá mais para fechar os olhos a situação. Não se tratam de coitadinhos que roubaram um açougue para botar bife na mesa, trata-se de gente desajustada. O sistema penitenciário brasileiro esta longe de ser a maravilha sonhada para punir e recuperar criminosos, mas o relaxamento da lei e da vigilância permite muitas regalias que em outros países não seriam toleradas. Penitenciária no Brasil tornou-se uma casa de Big Brother de 3ª classe, o cara fica lá preso, sutentado pelo dinheiro do contribuinte, e não faz mais nada a não ser usar celular para aplicar golpes e tramar os próximos crimes quando ficar livre. E a nossa lei ainda se esforça para que o tempo de reclusão de alguns seja o mais breve possível. Que país é esse? Lugar de besta fera é na jaula e de preferência sem abrandamento de pena.

Ollie McGee em março 4, 2007 11:01 AM


#28

Não discordo, Ollie e Roberson, de que a qualificação de "culposo" é discutível. Tampouco discordo de certas medidas de endurecimento, como o fim do abrandamento de pena para os que estão na cadeia por crime hediondo. Mas insisto que achar que isso resolveria algo é ilusório.

Frank, pode ser que a porcentagem de resolução dos homicídios tenha se mantido em Diadema, mas o fato é que a cidade chegou a estar entre as 5 mais violentas do Brasil e hoje não está nem entre as 200. Algo de certo estão fazendo. Mas a medida que limita o funcionamento dos bares depois das 23 h, por exemplo, é o tipo de providência que eu não apoiaria, por mais que ela tenha alguma responsabilidade na melhora relativa de Diadema. Coibir o direito de se servir uma cerveja às 23:30 é dose.

A quem deixou a referência da entrevista do Cícero: gracias, já li, com muito gosto e proveito, apesar de não concordar com tudo.

Idelber em março 4, 2007 7:54 PM


#29

Idelber, o seu texto está irretocável. Desculpe-me reforçar os comentários que falam da sua única escorregadela: em momento algum a morte de João Hélio pode ser considerada um crime culposo. Qualquer coisa acontecida sob uma intenção criminosa - no caso o roubo do carro, atrapalhado ou não, com arma de brinquedo ou não - não pode ser considerada culposa. O crime é latrocínio. Ponto.

No mais, entendo perfeitamente o foco de seu texto. O texto do Janine não tem pé nem cabeça.


MarcosVP em março 5, 2007 8:26 AM


#30

Belo texto, Idelber..nao quero parecer simplista mas parece que o professor de etica foi passar ferias em outro lugar e deixou alguem para dar a entrevista no seu lugar. Compreende-se o bafafa pela morte do Joao Helio mas o Renato Janine, por ser quem é, deveria pensar 1 milhao de vezes antes de proferir qqr comentario, como deve ter feito na sua vida de professor/especialista em etica..

Celinho em março 5, 2007 10:44 AM


#31

bem-vindo, idelber!
eu também acho que o professor saiu de férias.
lamentável!

vera em março 5, 2007 11:05 AM


#32

Qualquer coisa acontecida sob uma intenção criminosa - no caso o roubo do carro, atrapalhado ou não, com arma de brinquedo ou não - não pode ser considerada culposa.

Errado, Marcos. É só conferir o código penal. Se a intenção era roubo e houve homícidio, é culposo sim. Se isso se aplica ao caso, é outra discussão.

Idelber em março 5, 2007 11:29 AM


#33

Idelber, a morte do menino pode ser sim considerada como homicídio doloso, e mais, qualificado como cruel.
Quando o agente assume o risco de obter o resultado, mesmo que não tenha sido a sua intenção inicial, o crime pode ser classificado como doloso. É o que em direito se chama de dolo eventual.
É por isso que em alguns casos de atropelamento (quando o motorista nada faz para evitar o fato), de mortes em "acidentes" ocorridos em rachas de automóveis, o motorista é processado por homicídio doloso e não culposo.
No caso do João Hélio os ladrões arrancaram em alta velocidade sabendo q o menino estava pendurado, e em alguns trechos do percurso chegaram a fazer ziguezague com o carro pra que a criança caísse. Sabiam muito bem o que estavam fazendo. Sabiam que poderiam causar a morte da criança. E nem assim se detiveram.

Valéria em março 5, 2007 1:31 PM


#34

Ok, admito que fazer referência ao nazismo não ajuda em nada na discussão. O irônico que foi logo eu, que tanto já invoquei a lei de Godwin em listas de discussão por aí, que deu essa escorregada. :)

Só esclareço que, ao contrário do que normalmente ocorre, não fiz essa referência para caricaturizar os bandidos como "bestas-feras indignas de viver", como fazem os defensores da pena de morte, mas sim para apontar a perversidade bastante humana daqueles que num determinado momento escolheram uma vantagem para si mesmas em detrimento da vida de outrem.

É óbvio (mas só percebi depois de sua resposta) que o meu raciocínio é tão amplo se aplica a um milhão de outros casos que renderiam analogias bem melhores. Por sinal, os policiais que matam premeditadamente mais um menor preto e pobre no Rio - ou em Recife (houve um caso que particularmente me indignou no carnaval daqui no ano passado) - estão bem mais próximos de um oficial nazista do que os assaltantes do caso João Hélio, e ainda assim a comparação não é lá muito boa.

Aliás, qualquer esforço para obrigar a polícia brasileira a respeitar minimamente os direitos humanos (ou pelo menos rechaçar matanças indiscriminadas) seria imensamente mais relevante para a questão da segurança pública no Brasil do que a redução da maioridade penal ou a aplicação de penas mais duras para alguns criminosos.

Infelizmente, o que vemos é a matança de usuários de drogas pelas milícias cariocas ser legitimada pelos Cesar Maia da vida. Taí algo que merecia bem mais indignação.

Edson em março 5, 2007 2:37 PM


#35

É de estarrecer esse vínculo entre os Maia e as milícias. Obrigado pelo link, Edson.

Idelber em março 5, 2007 2:52 PM


#36

Ah, o link sobre o caso de violência policial em Recife que eu falei, que não sei pq acabou não saindo no comentário, é esse:

http://www.vermelho.org.br/diario/2006/0305/0305_viopolpe.asp

Edson em março 5, 2007 3:18 PM


#37

depois do caso da blogueira do amapá sendo perseguida por sarney agora é na bahia de jaques wagner do pt.
a blogueira juliana cunha de apenas 16 anos ESTÁ SENDO AMEAÇADA POR HOMENS ARMADOS por conta de um post do dia 27 de fevereiro passado em q faz criticas á postura do novo casal real da bahia.
está sendo passada pela net esta informação para q se divulgue este ato arbitrário.
o blog de juliana cunha é www.filosiaprivada.com

guilherme em março 5, 2007 7:11 PM


#38

Hmm. Logo após a publicação do artigo de Andrea Lombardi (25/02), redigi um texto defendendo Janine em um blog que tenho em conjunto com mais alguns amigos. Aqui, destaco apenas um dos parágrafos de meu texto:

Ao mesmo tempo que só um "insensato" objetaria a aplicação da pena máxima aos Nazistas, isso não significa que o mesmo raciocínio se aplicaria ao caso em questão. Nosso primeiro impulso certamente é desejar a morte pura e simples desses criminosos, mas isso não significa que um tal impulso seja desejável ou racionalizável. Em todo caso, para Janine, o papel do intelectual, diante desse debate público, seria uma manifestação honesta: "Por isso, o mínimo que devo fazer, se sou instado a opinar, é dizer o que realmente penso (ou, então, calar-me)." E, dado que parte dessa reflexão é o ajustamento entre a razão e nossas emoções, a morte de João Hélio, e a profunda indignação que se seguiu, nos leva a um questionamento sobre qual a finalidade de nossas práticas punitivas, se talvez não devêssemos re-avaliar nossas concepções prévias em vista dessa barbárie. Esse seria o propósito maior do artigo de Janine: não sugerir propostas concretas — "Quer isso dizer que defenderei a pena de morte, a prisão perpétua, a redução da maioridade penal? Não sei. Não consigo, do horror que sinto, deduzir políticas públicas, embora isso fosse desejável." —, mas provocar a reflexão. "É-se humano somente por se nascer com certas características? Ou a humanidade se constrói, se conquista — e também se perde? Alguém tem direito, só por ser bípede implume, de fazer o que quiser sem perder direitos?" Questão importante, mas sem resposta — aporética.

Daniel Nagase em março 5, 2007 11:12 PM


#39

Idelber, como você sugeriu, fui atrás do código penal. Eis o artigo que fala de roubo e suas conseqüências. Fica nesse link: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848.htm

Extrai o artigo para você ler:

------

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.

§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:

I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;

II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;

III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.

IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

§ 3° Se da violência resulta lesão corporal de natureza grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos, alem da multa; se resulta morte, a reclusão é de quinze a trinta anos, sem prejuizo da multa.
§3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de cinco a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)

§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996) Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90

-----

Bom, isso é a lei. A interpretação do advogado que me passou isso, ipsis litteris, com todos os sics, é a seguinte:

me: Sei... ou seja: a intenção era criminosa - roubar. A morte da criança foi um acidente. O tal "dolo eventual". É isso?
Marcelo: bicho 'e pior ainda
'e latroc'inio
'e o pior crime de todo o codigo
me: Latrocínio. Existe latrocínio culposo?
Marcelo: todo roubo com resultado morte e' latrocinio
nao
5:42 PM mesmo se a morte for culposa no caso
eh latrocinio mesmo
eh a maior pena do codigo
sinistro
30 anos de pena maxima
os caras tao encrencados ... pode ter certeza

Bom, agora já não é só minha muy humilde opinião...
Abração.
MarcosVP.

MarcosVP em março 6, 2007 4:54 PM


#40

Marcos vip,
Está correto, eles devem ser processado por homicídio culposo. Mas não por latrocínio. Pois latrocínio, só ocorre quando o evento morte, visa concretizar a intenção de roubar. E neste caso o evento morte foi uma conseqüência não relacionada à finalidade de roubar, e sim um crime autônomo ao roubo.
Provávelmente eles serão processados por dois crimes, homicídio culposo e roubo qualificado.
Um promotor poderia pedir a seguinte pena:
Pelo roubo, quatro anos, acrescida de dois anos pela qualificadora (emprego de arma de fogo e pelo concurso de agentes), e pelo homicidio culposo a pena de dez anos, acrescida de cinco anos pela qualificadora de concurso de agentes.
Ou seja no mínimo vinte e um anos de cadeia, para os maiores de 21 anos.

ricardo em março 6, 2007 5:30 PM


#41

Oi, muito bom tornar a ler seus posts!
O que achou da resposta do Janine à repercussão do artigo, dizendo que ele apenas teve coragem de dizer o que muita gente pensa mas não tem coragem de falar? E que intelectual não pode dizer só o que agrada? Resumindo, ele não se retratou em nada do que disse.
Parece o ex-reitor de Harvard que deu sua opinião sobre mulheres mais hábeis em ciências humanas que exatas. Será que o Janine corre o risco de perder seu cargo na CAPES por causa do artigo?

Te em março 6, 2007 8:14 PM


#42

Coitado do guri, virou mártir pra extrema-direita nos meios de comunicação.

fiz um artigo sobre isso no meu blog após assistir uma matéria do jornal nacional que me deu enjôo: http://subversivos.libertar.org

Pablo em março 7, 2007 12:11 AM


#43

Te, essa frase "tive coragem de dizer o que não ia agradar" é a mais absurda do século, porque a posição que ele expressou no artigo original foi exatamente a que ia agradar ao "clamor" que se seguiu à morte do menino. Em outras palavras, tudo ao contrário: algo que é a doxa que mais agrada no Brasil atual é apresentado como a posição difícil, heróica e pouco popular. É zombar da inteligência do leitor.

É muito desagradável quando um acadêmico - isso é cada vez mais comum entre os da "escola uspiana" - diz algo, depois diz que o dito não foi bem isso, afirma que quem o entendeu assim o entendeu mal (provavelmente por misturar conceitos) e finalmente é corroborado por um colega de peso que afirma que foi mal-entendido dos leitores mesmo (Olgária Matos foi a que prestou a esse papel neste caso). É uma operação que cheira a um uso obtuso, pouco transparente do saber. Coisa de quem usa o saber especializado e legitimado não para iluminar e sim para esconder. Lamentável.

Não, não acho que perca cargo não. Inclusive porque o trabalho dele à frente da CAPES, até onde sei, é impecável.

Idelber em março 7, 2007 12:24 AM


#44

Ricardo, só como informação: a imprensa carioca trabalha com a hipótese de condenação por latrocínio. Deu hoje no Bom Dia Brasil.

Mas, imprensa é aquilo, eu sei.

MarcosVP em março 7, 2007 9:52 AM


#45

Oi, sou nova por aqui, mas tenho adorado tudo o q escreve. Tõ realmente admirada! Qto a esse assunto, só tenho a dizer q o texto está irretocável e o Janine Ribeiro, cuja produção intelectual acompanho desde meus tempos de Usp, irreconhecível.

Sibila em março 7, 2007 10:03 AM


#46

Obrigado, Sibila :-)

Marcos, o meu ponto original era simplesmente que "culposo" se opõe a "doloso", não a latrocínio. Mas enfim...

Idelber em março 7, 2007 1:25 PM


#47

"Filósofos também cagam".
O problema é que alguns tem problema de olfato e acham que papel higênico só serve para escrever artigos de para jornal.
São tempos intrigantes estes, em que podemos até ler um Delfim escrevendo tratados em defesa da política econômica atual.
Abraços

gugala em março 7, 2007 3:10 PM


#48

Penso que só a família que são vítimas da violência sabem a dor real da perda de alguém dessa forma. Pena de morte eu considero vingança e não justiça, mas a justiça não existe no Brasil. E se ela não existe como comprovamos todos os dias, se acontecer algo com meus familiares eu farei justiça, melhor, vingança com minhas próprias mãos e não será com a pessoa não. Será com familiares dela.

barbara em março 7, 2007 5:52 PM


#49

Esses assassinos vão sair da cadeia daqui a 10/15 anos para quê?Ninguém dará emprego a eles, por mais que o Estado ateste que foram ressocializados.Na minha empresa ou casa nunca contrataria um ex-presidiário, o senhor o faria?Está na hora de rever o conceito de ressocialização, isso não existe, o cara sai da cadeia para concorrer com milhares de pessoas sem ficha criminal e melhor preparadas.São indesejáveis, inúteis para a sociedade.Seria melhor criar um sistema racional para finalizar esta situação, sem sentimentalismo.

eduardo em março 13, 2007 3:11 PM


#50

Acho que o espanto com tamanha brutalidade como a ocorrida no caso do garoto João Hélio, faz sim com que tenhamos pensamentos absurdos como a do filósofo em questão.

Quando o assunto é a violência desmedida como essa que atire a primeira pedra quem nunca pensou "esses caras merecem morrer de maneira ainda pior"... Ainda mais quando a mídia (leia-se Rede Globo) faz de uma matéria, um filme de terror que nos leva, inclusive, às lágrimas.

Porém, acredito que pessoas do nível intelectual de Jeanine estão aí para levar a discussão além desses pensamentos que nos invadem em momentos de total indignação. Portanto, concordo em gênero, número e grau que o artigo escrito pelo filósofo e publicado pela FSP foi "A CAGADA".

Parabéns pelo post. Coerente e brilhante.

silvia em março 15, 2007 3:08 PM


#51

Congratulo-me com seu texto - resposta ao descalabro do Sr...(me recuso a continuar pronunciando o nome). Será que dá pra chamá-lo de Professor? Será que dá pra continuar lendo seus textos? Será que este Senhor continuará sendo referência em Ética no país?
Porque um homem que diz, cinicamente, que o país não entendeu o que ele afirmou.Um homem que num país tão desigual como o nosso defende a pena de morte. Um homem que prefere se render ao senso comum e recusar o exercício do pensamento, da reflexão...Quer saber? O Sr...não merece mais nenhuma nota...é como jogar pérolas aos porcos...

Rachel Tegon em março 23, 2007 5:09 PM


#52

Opa! Pára tudo que eu quero descer!!


Pera aí um pouquinho. CAGADA foi o que esses delinqüentes desgraçados fizeram. Aliás, várias cagadas, começando por terem nascido. Para quê precisamos dessa escória, desse lixo? No Brasil é tudo tão fácil... tudo é justificado pela desigualdade social. A pobreza virou desculpa para as mais absurdas atrocidades. Ah, coitadinhos dos adolescentes pobres (de espírito, principalmente), tão sem oportunidades, tão sem perspectivas... ora, façam-me o favor!
Janine escreveu não como filósofo, mas como ser-indignado. Se cometeu excessos, o fez em momento de fúria. Concordo com o filósofo em um ponto: pena de morte é pouco. Precisava é condenar essa cambada de vagabundos à prisão perpétua com trabalhos forçados. Aí sim eles próprios implorariam pela tortura, podes crer! E gritariam:
- Não, tudo menos isso! Preferimos ser torturados até a morte! Trabalhar nunca!!!


Entendam uma coisa: esses monstros não têm salvação, não há como convertê-los para o bem. Já ouve a falha da natureza, que os concebeu com a semente da maldade. Também já ouve a falha da sociedade em suas formações. Acabou.


Pergunto aos defensores desses monstros: com mil diabos, esses adolescentes imbecis não poderiam ter se contentado com o furto de um VEÍCULO ESTACIONADO?
Escolhendo assaltarem um carro com seres-humanos dentro, optaram para o tudo ou nada; para o famoso "matar ou morrer". Não tá na cara???


Evidentemente que se trata de um crime doloso, pois eles assumiram o risco de produzir um resultado catastrófico como o que aconteceu.
Porra, até para ser bandido tem que ter um mínimo de decência e inteligência, caramba!


Perguntaram para um dos coitadinhos marginais (tem ironia aqui, capiche?) o que ele imaginava sobre como os pais do menino João Hélio estariam se sentindo naquele momento e qual foi a resposta do imbecil?
- Não sei, não tenho filhos!


E vocês acham que esse cara deve mesmo passar 30, 40 ou 50 anos na cadeia? Às nossas custas? Só isso??? Claro que não tem cabimento.


Precisamos já de prisão perpétua com trabalhos forçados (16 horas por dia, no mínimo). Olha, o que iria ter de gente pensando duas vezes antes de assaltar um banco ou invadir uma casa...


E essa estória de "dar um desconto" aos moleques porque a arma era de brinquedo é uma das coisas mais ABSURDAS que eu já ouvi na minha vida. Deixa o texto do Janine praticamente no nível de um conto de fadas.


VAMOS ACORDAR!!!
Desde quando o fato de se usar uma arma de plástico não tira a intenção por trás do ato em si? Quantas mulheres já foram estupradas sendo ameaçadas por armas de brinquedo? Tantas vidas destruídas (pergunte a alguma mulher que passou por isso), tanta dor e indignação! Não resulta em qualquer tipo de atenuante o fato de ser uma arma de verdade ou de mentira. A atitude do covarde que está atrás do cano é o que conta.


Tenho muito mais para escrever, mas acho que já seria abuso. Ainda poderia falar sobre o nazismo, sobre ética e seu objeto de estudo (ah, a moral!) e mesmo sobre churrascos e pescarias de fim-de-semana (discussões de imoralidades no tempo e espaço...). Fica para uma próxima.


Ah, quase ia me esquecendo: quem tem moral aqui para falar alguma coisa do texto do Janine? Pois só se for vegetariano(a), não tiver amantes e viver unicamente em prol dos seres-vivos!! Ah, também não vale ter DVD player e nem TV de plasma, viu? Xiii, acho que não sobrou ninguém, nem mesmo Jesus Cristo...


Agradeço o espaço que democraticamente está aberto aqui neste site. Acredito que sejam necessárias e muito proveitosas essas discussões.


Quem pensa como eu ou é totalmente contra pode ficar à vontade e me mandar mensagens. Seria uma "cagada" não dialogarmos e discutirmos esse problema tão contemporâneo.


Marcelo Rossin (anárquico e agnóstico).
rossin@hotmail.com

MARCELO ROSSIN em março 26, 2007 4:56 PM


#53

Renato Janine Ribeiro é humano, graças a Deus, reações ao...que lhe parece um crime hediondo e com um assassino tão cruel.... é grave a situação e mais ainda qdo a colocamos na vida... e a enxergamos como cotidiana,é de se desesperar. Claro que a primeira reação sempre é de ....matar....depois as emoções se ajustam e ...pensamos melhor

isabelllinha em agosto 17, 2009 9:48 PM