« Os 100 melhores romances em língua espanhola dos últimos 25 anos ::
Pag. Principal
:: Resposta de Paulo Cesar de Araújo a Roberto Carlos »
quinta-feira, 05 de abril 2007
Faltou combinar com os russos

Eu sou um mineiro apaixonado pelo Rio de Janeiro e pelos cariocas. Como a maioria dos atleticanos, tenho, na Cidade Maravilhosa, simpatias cruzmaltinas. A primeira camisa de time de futebol que tive foi do Vasco da Gama. Não me canso de contar a história do Campeonato Carioca de 1923, em que o bravo time de negros e mulatos do Vasco deu um baile nos quatro grandes (na época o América-RJ era grande) e começou a enterrar a segregação racial no futebol brasileiro, então disfarçada de amadorismo aristocrático.
Mas confesso que vibrei muito ontem quando o Gama marcou, aos 48 minutos do segundo tempo, o gol que eliminou o Vasco da Copa do Brasil. Não foi por birra com Romário ou com a festa preparada para o seu (segundo suas contas) milésimo gol, que acabou, de novo, não saindo. Foi simplesmente porque eu não suporto a imprensa esportiva do Rio de Janeiro. Alguém precisa avisá-los que a capital mudou para Brasília e que as transmissões ocorrem em cadeia nacional.
Eu me lembro de jogos entre, digamos, Flamengo x Grêmio ou Fluminense x Internacional em que o telespectador da Globo tinha a nítida sensação de que Grêmio e Internacional eram equipes estrangeiras. A transmissão de Vasco x Gama feita ontem pelo Sport TV (e veiculada aqui nos EUA pela Globo Internacional), com narração de Milton Leite e comentários de Paulo César Vasconcelos, foi dessas coisas que insultam a inteligência de qualquer um que tenha concluído o ensino primário.
Não me refiro à torcida descarada pelo gol de Romário. Ela é natural. Tampouco implico com as análises táticas que tratam o jogo como se somente uma equipe estivesse em campo – “o Vasco não está conseguindo fazer isso”, o “Vasco precisa fazer aquilo”. Já estou acostumado com isso também. Onde a miopia do comentarista carioca via incapacidade do Vasco havia simplesmente um esquema de marcação que se aproveitava da obsessão dos cruzmaltinos com o milésimo de Romário. Até aí tudo bem. Normal.
Mas as declarações do comentarista PCV, de que o Gama “estava felicíssimo” com um empate por 1 x 1 que o eliminaria da Copa do Brasil e “comemoraria” a eliminação (talvez porque os boçais do Centro-Oeste devessem ficar felizes de serem eliminados sem derrota) foram tão insultantes e tão contraditórias com o que se observava no campo que eu me peguei torcendo contra a minha segunda maior paixão futebolística. Só para contrariar.
O Gama havia empatado com o Vasco no DF em 2 x 2 e, portanto, o empate em 1 x 1 no Rio o eliminava da competição, já que o gol na casa do adversário é o primeiro critério de desempate na Copa do Brasil. Várias vezes durante o jogo o comentarista PCV disse: “O Gama vai comemorar o empate”, “o Gama está feliz com o resultado”, “o Gama só quer enervar o Vasco” e outras pérolas de bairrismo rasteiro. Dei-me ao trabalho de fazer estatísticas: o Gama teve mais posse de bola, chutou mais vezes a gol, teve mais escanteios e jogadas de linha de fundo que o Vasco. Algum erudito leitor pode me explicar como uma equipe dessas está “feliz com o empate”?
Até o juiz resolveu dar uma mãozinha. Praticamente não houve paralizações no segundo tempo, mas Sua Excelência resolveu dar 4 minutos de acréscimos, na esperança de que alguma bola espirasse para Romário. O feitiço virou contra o feiticeiro. 48 do segundo, falta contra o Vasco, tirambaço de Marcelo Uberaba, bola no ângulo, gol do Gama, 2 x 1, Vascão fora da Copa. Bem feito.
Na saída, os jogadores do Gama desabafavam: Deus é justo. Vocês ficam fazendo festa antes da hora, levaram ferro! O pior é que nenhum dos nossos ilustres jornalistas esportivos pareceu entender que o desabafo era contra eles, mais que contra o clube cruzmaltino.
PS: Antes do recente confronto entre Atlético-MG e América-RJ pela Copa do Brasil, as duas equipes haviam se enfrentado 36 vezes, com vantagem de uma vitória para os cariocas (12 x 11, com 14 empates). Isso bastou para que o Ameriquinha estampasse em seu site que o Galo era “freguês”. Como o Santo André ano passado, o Ameriquinha descobriu a diferença entre um time grande e um time pequeno. E a importância de não se abrir a boca antes da hora. Especialmente contra o Galo. Bye bye. Galo nas oitavas, invicto há 11 jogos.
PS2: Alguém aí sabia que o pai de Pelé jogou no Galo?
PS3: Enquanto isso, o Campeão do Mundo vive seu inferno astral, cujas raízes estão explicadas aqui, por quem entende do assunto.
Escrito por Idelber às 04:28 | link para este post
| Comentários (17)
#1
Perfeito, Idelber. Eu não vi o jogo, apenas o resultado no Sportscenter, da ESPN Brasil. O reporter que entrevistou o jogador que fez o gol da vitória chamou o Gama de time pequeno, (pode ser pequeno, comparado ao Vasco, mas esteve recentemente na primeira divisão nacional, por isso acho que merece mais respeito), e teve a coragem de falar que o time de Brasilia realizou uma "missão impossível" no Maracanã.
E depois perguntou pro Renato Gaúcho se o Vasco tinha menosprezado o Gama. Quem menosprezou foi a imprensa carioca, não o Vasco.
Quanto aos comentários para um time só, eu lembro-me de, na mesma ESPN Brasil, estar vendo Coritiba X Flamengo pela Copa São Paulo, ja fazem alguns anos. O Coritiba vencia o jogo, e o Paulo Calçade só falava do Flamengo, o que o Flamengo precisava fazer para virar o jogo, onde tinha que arrumar o time, etc.
Eu cheguei a conclusão que o Coritiba estava perfeito naquela partida, pois vencia o jogo, (e venceu, no final), e o comentarista não tinha um "a" pra falar do time.
Abraço.
Ricardo Antunes da Costa em abril 5, 2007 9:22 AM
Ricardo Antunes da Costa em abril 5, 2007 9:25 AM
#3
Vi os melhores lances no final do jogo Vasco X Gama. Para cada 5 jogadas do Gama, o Vasco fez uma.
Não quer perder assim?
Bender em abril 5, 2007 10:14 AM
#4
"...levaram ferro!" disse tudo hehehe Estava assistindo ao fim deste jogo com meu pai ontem (após mais uma vitória tricolor) e vibramos muito com o golaço de falta! Mas bairrismo descarado e desinformação acompanhada de empáfia infelizmente não é exclusividade dos cariocas, eles só são os melhores nisso hahahaha
Donizetti em abril 5, 2007 11:10 AM
#5
Quando um time joga para um jogador ao invés de ser o contrário o resultado é mais que previsível: o time perde. Infelizmente é o que tem acontecido ao Vasco, que tem jogado seus últimos jogos não para ganhar, mas, para que o Romário faça o milésimo gol.
Quanto à cobertura futebolistica da Globo, sempre foi parcial. E a exclusividade das transmissões só piora o quadro. Afinal, por mais que reclamemos, só ela transmite os jogos em tv aberta.
Valéria em abril 5, 2007 2:25 PM
#6
Gostei muito de seu comentário: realmente "dá raiva" escutar o bairrismo exacerbado dos locutores e comentaristas cariocashh! Quanto ao nosso Galo, começamos o ano meio que assutados - mesmo após a gloriosa campanha que nos recolocou na primeirona - para, enfim, fazermos série invicta nas últimas onze pelejas.
- Quanto aos posts anteriores, eu os li, gostei, fiquei invejando você que já leu "80%" dos melhores da literatura hispânica...
- Quando você vem a BH?
Cláudio Costa em abril 5, 2007 2:56 PM
#7
Você não sabia que o PCV foi um dos primeiros comentaristas brasileiros a ganhar o certificado PGBQ 9200?
Não? Nunca ouviu falar de PGBQ? É o Padrão Galvão Bueno de Qualidade. Para entrar na Globo e/ou afiliadas, só se tiver este certificado.
Dismnésico em abril 5, 2007 9:33 PM
#8
1- Vem cá, esse tal bairrismo é só coisa de carioca?
2- Sentimento de inferioridade é coisa de colonizado que gosta de ser colonizado. Por que as outras praias (pura metáfora) não fazem suas transmissões e defendem seus interesses.
3- Atlético continua na Copa do Brasil por mais duas rodadas, depois... se é que me entende?
Ronaldo em abril 6, 2007 1:12 AM
#9
1- De jeito nenhum. Na certa cada canto tem o seu.
2 - Elas até fazem, só que o futebol é vendido em regime de monópolio no Brasil. Claro, a Globo não tem culpa disso, paga mais e faz a sua parte. Pode ser que a coisa esteja mudando, como mostra a compra da Copa pela Record. Mas pensando bem, um bairrismo evangélico tampouco é uma opção tão atraente, né?
3- Verdade que o Galo tem tradição de ir mal na Copa do Brasil. Mas também tem tradição de quebrar a tradição. Aguardemos :-)
Idelber em abril 6, 2007 6:56 AM
#10
Cláudio, no final de maio estamos aí para aquela carne com giló na chapa e cachaça ;>)
Idelber em abril 6, 2007 6:58 AM
#11
Idelber
pra não ficar tão off topic assim, eu queria me certificar de uma coisa: o América já foi um time grande? Sim, o América que só tem hoej, 3 ou 4 tordores e o hino de futebol mais lindo feito pelo Lamartime e que eu tenho aqui em casa cantado pelo TIM MAIA? Oh my gosh!;-)
Mas eu vim aqui mesmo foi te dar um abraço e um beijo. (A ti e a ela). Minha discrição me impede de alardear qualquer coisa que eu ache que possa ser entendida nas entrelinhas;))
E no mais um obrigada, imenso, imensíssimo.
Meg (Sub Rosa) em abril 6, 2007 5:06 PM
#12
Meg, o América foi grande sim, digamos, entre a publicação de Policarpo Quaresma e a de Macunaíma :-)
E o hino do América na voz de Tim Maia é tudo de bom!
Um beijo grande e, citando a você mesma, não agradeça o merecido :-)
Idelber em abril 6, 2007 9:34 PM
#13
Eu comemorei o gol do Gama por ser flamenguista. O bairrismo já não me alcança. Agora eu só escuto os gritos de GOL durante as transmissões.
Bairrismo mesmo encontramos nas equipes de radialistas. Adoro escutar jogos pelo rádio, mas eles extrapolam qualquer limite - sejam cariocas, mineiros, baianos ou gaúchos.
Rodrigo em abril 7, 2007 1:47 AM
#14
Futebol desperta paixões! Mas eu achava que o futebol carioca já tivesse encerrado a sua carreira amorosa. E vem lá você, caro Idelber, desmentindo esta tendência. Ou seja, o futebol aqui praticado mantém-se, por uma coisa ou outra, ainda atraente.
No momento como assunto de futebol, o Rio de Janeiro tem se destacado apenas pela reforma no Maracanã e pelos 1.000 gols de Romário.
Aqui uma pequena parada para citar o repórter paulista que pisando o sagrado gramado do ‘Maraca’, nestes dias de Romário, fez questão de dizer (para o público e patrocinadores paulistas) que o estádio FOI o ‘maior do mundo’. É esta tendência ao uso da CONTABILIDADE (neste caso, a contagem do número de espectadores pós reformas) que faz do paulista um cidadão preso a mitos como Jânios, Malufs e Rogérios Cenis da vida!!! Vida que segue.
A imprensa esportiva brasileira, como todos nós sabemos é fraca. Tem lá seus expoentes, mas no geral é fraca. A imprensa esportiva carioca é igual a brasileira, NEM MELHOR, NEM PIOR.
O Paulo César Vasconcelos é botafoguense e bom papo, tendo como cenário o Bracarense. Na televisão a coisa deve ser diferente, não é mesmo? Depois do fenômeno Galvão Bueno (nem vou perder meu tempo dizendo que ele é paulista de quatro costados), que é mais um promotor de espetáculos que um narrador de futebol, a vida inteligente do esporte na TV vem se reduzindo, Concorda?
Mas que o América deu calor no seu Atlético, a isso deu hem? E o Válber tem quase a idade de uns três jogadores do seu Galo.
Que bom, o futebol carioca continua despertando paixões. Até o Mequinha...
P.S. Eu pediria a gent6ileza para que a palavra "bairrismo" não fosse usada próximo dos ternmos 'carioca' e 'Rio de Janeiro', por que não pega bem.
Ao carioca foi poupado o sentimento do bairrismo. Consta que a parcela a nós atribuída foi totalmente absorvida pelos paulistas, QUE SÃO GENTE BOA, mas EXAGERAM UM POUCO neste sentimento.
Paulo em abril 7, 2007 5:54 AM
#15
As equipes de rádio realmente são bairristas, mas isso é justificado, pois a audência do rádio é, supostamente, local.
Se o seu time joga fora de casa, você vai acompanhar o jogo pela rádio da sua cidade, e não pela rádio da cidade do adversário.
Já a Globo transmite para todo o Brasil, ou seja, tanto os torcedores locais quanto os adversários verão a mesma transmissão, com a mesma equipe.
Há uns 10 anos, mais ou menos, a Glogo regionalizou as transmissões. Lembro-me que aqui em SC só dava jogo do Criciúma, na época na primeira divisão.
Infelizmente não fazem mais isso, agora só dá Flamengo e Corinthians, Flamengo e Corinthinas...
Ricardo Antunes da Costa em abril 7, 2007 10:45 AM
#16
Aqui na Bahia está regionalizado. Pelo menos na Copa do Brasil, única competição nacional que reúne os maiores times e na qual os clubes baianos estão participando (no caso do Vitória, estava). Foram transmitidos jogos do Bahia e do Vitória enquanto a Globo passava os jogos do Flamengo ou São Paulo na Libertadores para RJ e SP.
Rodrigo em abril 7, 2007 1:19 PM
#17
upbjql nczgbv rhubpwflz qvno bnorwlaz entjpq qeihrfzjt
zkhxua ohzwclv em maio 14, 2007 2:34 PM
Deixe seu comentário: