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quarta-feira, 18 de abril 2007
Matança em Virginia Tech
Na época do furacão Katrina, Virginia Tech recebeu 24 estudantes de Tulane. Sinto gratidão pela acolhida que meus alunos receberam por lá. Os laços entre as duas instituições são estreitos; eu sou professor de várias pessoas que perderam conhecidos ou amigos na matança de Blacksburg, ocorrida nesta segunda-feira. O Departmento de Línguas Estrangeiras, acabo de receber a notícia, foi o mais atingido: perderam dois instrutores e duas salas cheias de alunos de francês e alemão.
Na manhã de terça, meus alunos de graduação, jovens como a maioria das vítimas em Blacksburg, me olhavam com aquelas caras de quem espera uma resposta. Por quê? Eram as mesmas caras que vi depois das matanças de Columbine e de tantas outras, tão freqüentes e tão tipicamente americanas: massacres a tiros sem vínculo com o crime organizado ou com qualquer organização política; sem relação com o tráfico de drogas ou com a vingança; não motivadas por disputas de qualquer natureza. Só um rapaz – em geral solitário e macambúzio – armado até os dentes, invadindo alguma escola na qual, em geral, ele mesmo estuda, e atirando em quem aparecer pela frente, matando quantos puder até ser abatido pela polícia ou cometer suicídio, como foi o caso esta semana em Virginia Tech.
A campanha Brady para prevenir a violência com armas dá à legislação do estado de Virgínia uma nota C-. Traduzo do site da campanha algumas perguntas relevantes:
Há um período de espera na compra de armas? Não
Há alguma limitação na venda de armas semi-automáticas? Não.
Pode o “attorney general” – autoridade judicial – regular a venda de armas? Não.
As cidades podem responsabilizar legalmente os fabricantes de armas? Não.
Há limitações sobre a posse de armas por menores de idade? Parcial. Não há limites para a venda de rifles ou espingardas para maiores de 12 anos.
Há algum requisito de licença para a compra de armas? Não.
Há algum treinamento para os compradores de armas? Não.
As cidades têm autonomia para estabelecer regras mais estritas para a compra de armas? Não.
E por aí vai. No dia 13 de março, Seung-Hui Cho, coreano residente há anos nos EUA, comprou, na Roanoke Firearms, uma Glock 19 de 9 mm. No dia 09 de fevereiro, já havia comprado uma arma calibre 22. Não se sabe por que um moleque de 23 anos precisaria de uma arma em Blacksburg – que é uma espécie de Conceição do Mato Dentro com uma grande universidade. O lobby de defesa das armas, treinado para manipular os fatos, já saiu dizendo que, se não fosse proibido carregar armas no campus de Virginia Tech, talvez mais alunos tivessem se salvado. Mais um vez, o interesse dos que lucram com a morte tenta extrair dos fatos uma mensagem exatamente oposta àquela que eles transmitem.
A pobre direita brasileira, coitada, quando não especula, no melhor estilo racista, que se houve matança é porque deve ter sido islâmico, encontra-se ocupada em atribuir o poderio econômico dos EUA ao direito de qualquer moleque comprar uma arma semi-automática em menos de 15 minutos – demonstrando assim profundo desconhecimento do próprio país que eles insistem em querer imitar.
PS: ótima cobertura da matança lá no Tiago Dória.
Escrito por Idelber às 04:58 | link para este post
| Comentários (44)
#1
É lamentável caro Idelber.
Não consigo encontrar explicação.
Mas...se como você diz, estas matanças são "tão freqüentes e tipicamente americanas", também não consigo entender as caras à espera de resposta. Talvez estes alunos saibam, pelo menos, uma parte das respostas. Uma partezinha dos problemas que atormentavam o atirador, deve ser de conhecimento dos seus contemporâneos.
Vida que segue.
P.S.1 Uma pessoa que, aos 23 anos, vive desde os 8 anos no Rio de Janeiro é Carioca. Seria descrito pela imprensa como "de origem sul-coreana".
P.S.2 Nunca vou esquecer a descrição "Conceição do Mato Dentro com uma grande universidade".
Paulo em abril 18, 2007 7:31 AM
#2
Bah Idelber, nada a ver essa tuas alfinetadas. A "direita" nem disse nada de islâmicos, só se comentou hipóteses, logo destruídas pela confirmação da identidade do assassino.
Pessoalmente, eu sempre achei que atribuir uma tragédia a motivos não diretamente relacionados à ela como islamismo ou "incômodo com o capitalismo" (juro que já ouvi isso) é uma enorme de uma bobagem.
Bender em abril 18, 2007 10:21 AM
#3
Você que vive aí, professor, me esclareça: esse tipo de tragédia não seria conseqüência da cultura "losers" X "winners" vigente em todas as escolas daí? Quer dizer, o sujeito que pensa diferente é isolado e espezinhado até que não aguenta mais e explode, certo?
Nohay em abril 18, 2007 10:45 AM
#4
Mais uma matança? nem estava sabendo. mas novamente com os mesmos motivos 'passionais', de adolescentes que querem se 'vingar' dos colegas... Interessante a relativa frequencia com que isso ocorre por lá.
Outra coisa: meio grotesca a maneira que o NYTimes expõe o perfil das vítimas, quase como uma espécie de orkut de mal gosto.
Quanto à direita, previsível... só não ver quem não quer, rssss
catatau em abril 18, 2007 10:46 AM
#5
Sabe outra coisa que me espanta, Idelber? A mídia repete sem parar: o jovem coreano tem o mesmo perfil psicológico de outros que cometeram atrocidade semelhante, fechado, tímido (ou seja, era o tipo não-popular). Ora, a pergunta é: por que pessoas com esse 'perfil psicológico'(ou seja jovens não-populares), vez por outra, surtam e saem atirando em escolas e universidades nos EUA? O erro é falar em 'perfil psicológico', excluindo o contexto em que o fato se deu. O 'psicológico' e a cultura não são termos que se opõem. Usando um termo freudiano: não existe "um aparelho psíquico", para existir um é preciso que existam no mínimo dois, não existe subjetividade, psiquismo, 'perfil psicológico' que não esteja em articulação (dialética) com um contexto cultural
abraço
Wesley Peres (Psicanalista e autor do romance Casa entre Vértebras, a ser lançado pela Record em junho desse ano, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2006)
Wesley Peres em abril 18, 2007 11:49 AM
#6
Idelber, eu fico chocada com esse tipo de coisas. E triste também.
Mas, muito mais triste fico quando assisto a cenas da verdadeira guerra urbana que se trava nas grandes cidades brasileiras.
Os telejornais de ontem mostravam uma mulher e uma menina (mãe e filha) encurraladas no meio de um tiroteio entre policiais e bandidos no Rio de Janeiro.
Infelizmente, vou falar algo que parecerá egoísmo, mas, não me preocupo nada com as causas da tragédia na universidade americana. Prefiro gastar meu tempo me preocupando com as causas da guerra urbana brasileira. Até porque, por morar no Brasil, posso ser vítima dessa guerra a qualquer momento.
Valéria em abril 18, 2007 12:25 PM
#7
"Se loucura tivesse explicação, não seria loucura”. - Arnaldo Jabor.
Texto original aqui.
Ed em abril 18, 2007 12:39 PM
#8
E eu fui dar aula horas depois das primeiras noticias. Todos cabisbaixos no campus, inclusive eu, mas ainda nao se sabia muito. Hoje ja' se ouvem mais noticias sobre a tragedia que vao ajudando a montar o quebra-cabeca; se eh que tem jeito de se entender um negocio desses. Confesso que fico impressioada como a midia vai seguindo o caminho do perfil sujeito-solitario-parte de uma minoria e usa esse discurso. Vejamos. O cara deixou uma carta, dizendo alguma coisa sobre "esses brancos privilegiados". Ja' comecam a aparecer "explicacoes" levando a crer que houve uma motivacao de isolamento baseado no "background"/raca do cara; resultado de uma sociedade exclusionista e favoravel a0 isolamento. Mas parece que ele tambem disse "ricos", nao foi? E parace que ninguem escuta isso. Parece que tudo pode ser justificado pela cultura isolacionista e pelas minorias, sejam raciais ou de classe. Pelo que me lembro os caras de Columbine eram brancos e nao necessariamente se encaixavam nesse perfil de minoria. Entao porque essa seria uma explicacao potencial? Nao concordo. Acho que eh loucura e pronto, como o Jabor disse acima. Loucura que pode ser ligada a questao do isolamento, mas nao necessariamente passa por minoria racial ou elite. Porque vc perde a namorada e nao se sente incluido vc vai fazer algo assim? Tem de ter falta de alguma coisa muito poderosa. Falta alguma coisa e nao se consegue lidar com essa falta de forma alguma. Nao ha' como isso ser canalizado de uma maneira positiva. Isso pode ser chamado do loucura? Ou loucura de uma sociedade?
A questao do acesso a armas e' seria. Eu me lembro de um show to U2 onde eles cantaram "Bullet the Blue Sky" enquanto mostravam o tal cara que e' presidente da associacao das armas (nao lembro o nome do sujeito) dizendo que o problema nao sao as armas estarem disponiveis, o problema e' quando elas caem nas maos dos "bad guys". Bem, na cena seguinte, vemos uma crianca brincando com uma arma e podemos imaginar o resultado. Bad guys? Quem sao os bad guys? Como uma sociedade forma seus "bad guys"?
Ao mesmo tempo, nao nos esquecamos do nosso plebiscito do desarmamento no Brasil. O resultado foi desfavoravel ao desarmamento. Sera' que sao questoes tao diferentes assim nos dois paises? Sera' que o acesso a uma arma e' tao diferente assim? Levantando a bola...
E para terminar, conversando com uma amiga ontem a noite sobre a tragedia, escuto que ontem morreram 18 no Rio de Janeiro em um confronto de faccoes criminosas. E ouco a perola: mas eh diferente, porque esse pessoal era da favela e aih nao... nao choca tanto.
Enfim, abracos tristes, Leticia.
Anonymous em abril 18, 2007 1:09 PM
#9
Nao sei porque foi anonimo...
Eu estava pronta para me pronunciar em relacao a discussao sobre o aborto... e aih veio essa bomba e, por consequencia, seu post. Como o tempo e' limitado, foi o post de cima.
Outro abraco, L.
Leticia em abril 18, 2007 1:10 PM
#10
Ando correndo para pegar um vôo para Madison, Wisconsin, então hoje o tempo só vai ser suficiente mesmo para dar um alô geral.
Seria irresponsável, com tanta pressa, tecer teorias. Mas acho o texto do Jabor fraquíssimo. Se há alguma coisa que é eminentemente explicável, mapeável, esse algo é a loucura - que nasce como conceito, não nos esqueçamos, precisamente no momento em que a psiquiatria postula a possibilidade de mapear e compreender o corpo e a psique do outro. Como é que "se tivesse explicação não seria loucura"? Isso é coisa de gente que já aposentou o cérebro por preguiça.
Dito isso, não acho, de forma nenhuma, que seja uma questão pura e simples de "loucura". Qualquer explicação unidimensional perderá algo, mas você não está errado, caro Nohay, ao levantar a bola da separação brutal entre "winners" e "losers" na cultura americana. Isso é parte - só parte, mas parte importante, eu acho - da explicação.
E o Wesley nos lembra, com razão, que qualquer "perfil psicológico" tem que ser entendido no contexto da cultura em que se insere. É claro que há jovens solitários e macambúzios em todos os países do mundo. Mas praticamente só nos EUA se vê esse tipo de crime. E aí, claro, o acesso às armas é parte - só parte, mas parte importante - da explicação.
Não seria este um caminho mais interessante de análise do que a boçalidade jaboriana de ver nisso (e, pior, em eventos como o 11 de setembro) a expressão de uma "loucura sem explicação"?
Idelber em abril 18, 2007 1:48 PM
#11
Caro Idelber,
Discordo que a explicacao pela locura seja unidimensional, acredito que, pelo contrario, ela seja multifacetada; mas concordo que "loucura sem explicacao", como colocado pelo Jabor, e' de fato vazio. Penso em loucura com explicacao, naquela cujas raizes podem ser tracadas, principalmente atraves da relacao entre perfil psiquico e contexto cultural, como colcado pelo Wesley. Ai' podem ser encaixadas as ideias de "winners" e "losers" e de isolamento. Todos temos no minimo uma pitada de agressividade e frustracao em relacao ao "outro". Para mim, a resposta passa por ai': na forma equivocada de se lidar com a agressividade e a frustracao inerentes ao ser humano. O que, levadas as ultimas consequencias como no ato de VT, a meu ver, passa pela loucura. Loucura com explicacao. Como psicanalise nem filosofia nao sao minhas areas, apesar dos varios anos no diva~, deixo a questao tecnica a eles: locura com explicacao -- tem jeito?
Boa sorte na U. of Wisconsin.
Leticia.
Leticia em abril 18, 2007 2:41 PM
Rafael em abril 18, 2007 4:07 PM
#13
Bom, Rafael, o Idelber eu não sei. Eu diria o seguinte:
"O lobby de defesa das armas, treinado para manipular os fatos, já saiu dizendo que, se não fosse proibido carregar armas na Palestina, talvez mais árabes tivessem se salvado."
E lhe perguntaria, o que você tem a dizer sobre isto aqui, Rafael?
http://en.wikipedia.org/wiki/Baruch_Goldstein
Hermenauta em abril 18, 2007 9:59 PM
#14
O Hermê anda inspirado :-)
Eu diria, Rafael, que das centenas de matanças gratuitas possibilitadas pela fácil aquisição de armas nos EUA, você foi capaz de citar uma em que a presença de outros indivíduos armados aparentemente salvou vidas - que, é provável, nem teriam estado em risco se o franco-atirador não tivesse tido acesso tão instantâneo ao seu revólver semi-automático .380.
Tem outros exemplos aí?
Idelber em abril 18, 2007 10:23 PM
#15
Existem estudos que procuram esclarecer a real vinculação entre violência e loucura. De maneira geral, 'os loucos' é que são vítimas de violência, segregação, discriminação. Atribuir automáticamente a violência à loucura de quem a pratica é uma redução perigosa: tachamos de loucura o inexplicável. É evidente que o paranóico pode cometer assassinatos, mas é em muito menor quantidade do que os 'sãos' e os 'normais'. Pelo que já está circulando na mídia, o jovem coreano andou 'mandando recados' de que algo ia mal com ele: será que a cultura predominante no mundo ocidental está disponível para esta escuta? Na verdade, quando há muitas explicações possíveis (como partes de quebra-cabeças), não haverá explicação suficiente.
Cláudio Costa em abril 18, 2007 11:09 PM
#16
Falou muito bem, eu acho, o meu amigo Dr. Cláudio. Esse caso em particular - e eu acabo de assistir os vídeos gravados pelo rapaz e enviados pelo correio na manhã dos ataques - parece o de um maníaco-depressivo sufocado por um tremendo ressentimento.
O que, como nota a Letícia, não explica por si só o ocorrido. Há que se ver qual é o contexto em que um maníaco-depressivo é levado a fazer algo assim. Sem dúvida que a cultura da competitividade e da vitória a todo custo é parte da explicação.
Idelber em abril 18, 2007 11:18 PM
#17
Idelber, Virginia Tech é um caso isolado, uma "anecdote" pra discussão. Meu exemplo também. Outros também. Se formos ampliar a discussão para anecdotes, para crianças que se ferem com armas de fogo etc, caímos no erro do "conheço um amigo que etc". Deixaria de ser uma discussão séria sobre este episódio em particular.
Posi bem, vamos recapitular:
1) O moço matou muita gente. Tinha acesso fácil a armas. Ninguém o parou porque ele estava numa "gun free zone".
2) O homem do meu exemplo matou pouca gente. Tinha fácil acesso a armas. Conseguiram pará-lo. Ele tinha mais munição ali. Quem mata um pode matar dez, a vida dele já tá fodida mesmo. Note que de cerca de 80 textos na imprensa sobre o ocorrido, apenas uns dois mencionaram que os sujeitos que "subdued" o assassino estavam armados também.
3) Vamos supor que o estudante do VT não tivesse acesso a armas de fogo. Ah, ufa, nada disso teria acontecido, pensam as inúmeras pessoas desinformadas sobre os trâmites de bans no Congresso e as pessoas que são "contra a violência". Não. Errado. Ele podia pegar um rifle de caça, que não passam pelos bans. Teríamos a mesma situação. A maioria das bills no Congresso cobrem "assault weapons" - e as armas que o estudante usou NÃO SÃO CLASSIFICADAS como assault weapons. Teríamos a mesmíssima situação.
Sei que é reconfortante pensar que banir ou dificultar o acesso a armas pode impedir mortes nesse tipo de coisas (shootings de civis inocentes por outro civil). Mas duvido que isso aconteça. Talvez o buraco seja mais embaixo - cultural, talvez.
Infelizmente pintar a situação de um jeito "preto no branco", do tipo "quem defende o porte a armas é lobista e corrobora a violência" e "quem defende leis estritas quer a paz" é tapar o sol com a peneira. A melhor postura nesses casos, para o bem de todos, é deixar de ser partisan e tentar pesar bem todos os prós e contras. De tudo.
Rafael em abril 19, 2007 1:32 AM
V em abril 19, 2007 1:33 AM
#19
Além, claro, da questão clássica: o estudante de VT Tech tinha intenção e desejo claros de matar. Talvez pensasse nisso há semanas. Há meses. Talvez anos. Caso ele não tivesse acesso fácil a armas, poderia conseguir facilmente uma arma de fogo por meios ilegais. Ele não era pobre (por mais que sua diatribe condene os "ricos" e os estudantes que ele matou estivessem no mesmo status financeiro que ele). Fácil comprar armas ilegais. É o que sem dúvida ele faria.
Rafael em abril 19, 2007 1:38 AM
#20
Yo no sé cuánto es "típicamente americana" la violencia así. No estoy diciendo que no ocurra con mucha frecuencia aquí, pero también acontece en otras partes del mundo. Por ejemplo:
http://en.wikipedia.org/wiki/Cologne_School_Massacre
Cologne, Germany - 11 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89cole_Polytechnique_Massacre
Montreal, Quebec - 15 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Dunblane_massacre
Dunblane, Scotland - 18 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Erfurt_massacre
Erfurt, Germany - 18 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Dawson_College_shooting
Montreal, Quebec - 2 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Port_Arthur_massacre
Tasmania, Australia - 35 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Strathfield_massacre
Sydney, Australia - 8 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Queen_Street_massacre
Melbourne, Australia - 8 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Nanterre_massacre
Nanterre, France - 8 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Aramoana_massacre
Aramoana, New Zealand - 13 dead
http://en.wikipedia.org/wiki/Hungerford_massacre
Hungerford, Berkshire, England - 16 dead
Lo peor es que hoy murieron 166 personas en Baghdad y esto no está en los encabezados de los periódicos. Y esto pasa por lo menos una vez por semana en Irak.
Soy estadounidense. Asistí a la escuela secundaria pública. Es un proceso difícil. Yo no sé porque algunos se convierten en matadores en vez de sólo suicidarse. Dos años después de que me gradué del colegio, un chico, a quien yo conocí muy bien, Brian Head, se mató en clase después de amenazar a la clase con la pistola. Él era un tipo muy tímido con las chicas; le gustaba la ciencia ficción..mucho; se vestía de negro todo; era muy alto; llevaba un estilo de pelo que se llama un ‘mullet’; era muy alto y gordo; tenía muchas cicatrices de granos y de la varicela; básicamente era todo lo que la clase “prep (winner)” decía que era “nerd (loser).” Cito un artículo de la revista Time sobre el fenómeno de lo que se llama “bullying” en inglés:
Georgia began its pioneering efforts to legislate against bullying after two school tragedies. In 1994 Brian Head, a chubby, bespectacled 15-year-old who had been taunted for years, broke when a classmate at Etowah High School in Woodstock slapped him. He shouted, "I can't take it anymore!," pulled out a gun and shot himself in the head. Four years later, Josh Belluardo was punched in the head--and killed--by a bully who also attended Etowah. The next year, Georgia passed a three-strikes-and-you're-out policy. After three bullying offenses, middle and high school students may be shipped to a school for problem kids.
Ambos de estos casos ocurrieron donde yo asistí al colegio. Soy de lo que, en ese entonces, era un pueblo pequeño a 30 millas al noroeste de Atlanta. Ahora es parte de Atlanta, pero cuando Brian Head hizo lo que hizo, estaban llegando muchos que no eran del cantón. Se construían grandes barrios en medio de los bosques y las personas que vinieron no eran ni del mismo estado. Eran de todo el país. Brian era de una familia que había vivido en el cantón por generaciones. Es justo decir que Brian era de otra cultura que los recién llegados. Él pertenecía a lo que se llama la cultura “redneck.” Su familia vivía en una casa portátil (mobile home) y eran pobres. Cuando Brian nació casi todos eran de esa misma cultura. Ya, cuando vinieron otros, no les gustaba la manera de ser de Brian y los rednecks. Como casi no había nadie en cantón cuando era joven, los grandes barrios que construyeron tuvieron el efecto de aumentar la población del cantón de una manera verdaderamente increíble. Los nuevos tuvieron casas nuevas y grandes (miles y miles de McMansions). Brian sufrió mucho a manos de esa gente con quien no tenía nada en común. Lo torturaron por ser diferente; porque él no resistía los sadistas pudieron satisfacer sus tendencias crueles en el diariamente. Después de cuatro años de soportar ese tratamiento tan cruel, Brian no pudo aguantarlo. Reaccionó con violencia. No hirió a otros, pero fácilmente pudo haberlo hecho.
Yo sufrí cuando tenía 12 y 13 años. Era bien gordo y entré en la pubertad hasta los 13. Otros estaban llenos de hormonas y pelo en todas partes y yo estaba tan calvo como el día en que nací. Me era difícil. Y luego un día empecé a crecer. Crecí y crecí hasta que era mucho más grande que los demás. Jugué al fútbol americano para impresionar a las chicas. Dejaron de burlarse de mí. Pero yo conocí a otros, como Brian, que seguían sufriendo.
El sistema del colegio es tan cruel. No sé cómo arreglarlo; lo único que puedo hacer es enseñarles a mis dos hijos a ser amigos de todos y no aguantar que otros les traten mal a los desamparados.
Sobre el de Virginia Tech, al leer su drama que se llama “Richard McBeef” siento que él fue abusado sexualmente por alguien y que nadie le creyó. “Beef” tiene muchos sentidos, y “tener un beef” con alguien quiere decir que uno esto bravo con otro. El abuso sexual causa problemas ilimitados en sus víctimas.
For what it’s worth
Mac Williams em abril 19, 2007 1:44 AM
#21
Bacana e ponderada a argumentação neste último comentário, Rafael. Eu não acho que eu tenha apresentado um quadro branco-e-preto. Todas as minhas intervenções aqui foram no sentido de duvidar das explicações unilaterais. E eu não disse que "quem defende o porte de armas é lobista e corrobora a violência"; eu disse que o lobby das armas já arrumou um jeito de imaginar uma situação bem improvável: algum aluno armado no campus de Virginia Tech, às 9 da matina, interropendo a matança. Possível? Sim, tudo é hipótese. Mas acho improvável.
Continuo achando, sim, que a facilidade do acesso às armas é parte chave da coisa. No caso de crimes passionais, por exemplo (sei que este não foi exatamente passional), a dificuldade de acesso à arma pode representar a diferença entre haver ou não haver vítimas fatais.
Há que se falar também no culto às armas, que é parte da dimensão cultural que você menciona. 24 horas antes da matança de V. Tech, o piloto vitorioso da corrida NASCAR comemorou assim.
Alguma relação há de haver, não é?
Abraço.
Idelber em abril 19, 2007 3:20 AM
#22
Oi Idelber.
À parte da discussão sobre a posse de armas (importante sem duvida) estou bastante preocupado com o frenesi da midia ao redor do material que o psicopata mandou para NBC. Tenho certeza que já inspira outros desajustados a considerar a hipotese de se tornarem famosos pela mesma via. Preocupante.
Alguem deveria se levantar e questionar a exposição excessiva da mensagem final divulgada por esse maluco. Eu sei que é cruel afirmar que ele foi bem sucedido em seu plano mas esta é a verdade nua e crua. E agora ele está sendo mostrado como estandarte da inspiração para atos semelhantes.
Fábio S. em abril 19, 2007 10:23 AM
#23
Tô contigo em gênero, número e grau, Mestre Fábio. Num mundo onde os conglomerados de mídia esfolam por um pontinho a mais na audiência, eu sei que seria utópico da minha parte esperar isso, mas: teria sido muito responsável da parte da NBC simplesmente não divulgar o vídeo. Quer ficar famosinho matando gente? Morra na obscuridade. Eu estava em Chicago ontem à noite, embarcando aqui para Madison, e via aquele treco na TV.
Caracolis, deu medo de entrar no avião. O sujeito era muito creepy!
Idelber em abril 19, 2007 11:27 AM
#24
Na verdade a postura correta seria um equilíbrio dificílimo entre a proibição pura e simples da compra de armas pela população, e, sua liberação total.
As duas posturas, tanto a que acha salutar a proibição da compra de armas como a que libera totalmente a compra são radicais, e não solucionam o problema.
Se proibir a compra de armas totalmente, as pessoas que as adquirem com propósitos criminosos (ladrões, assaltantes, traficantes de drogas, etc) continuarão a adquiri-las, pois em sua maioria tais pessoas não as compram regularmente, em casas de armas, apresentando documentos.
Haja visto o tipo de arsenal dos traficantes de drogas brasileiros. Possuem armas importadas, de último tipo, legalmente restritas ao uso pelas forças armadas. Não as conseguem pelas vias regulares certamente.
Se liberar sem nenhum controle, como em alguns estados dos USA, corre-se o risco de ocorrer o tipo de evento de dias atrás, ou da escola Columbine.
O melhor seria que houvesse a possibilidade da venda de armas à população, com um controle rigorosos de cada arma. Idade mínima, necessidade de exame psicológico, obrigatoriedade de um curso para o uso da arma, etc, necessidade de comunicação obrigatória de mudança de endereço do proprietário da arma, entre outras coisas que escapam agora.
O grande problema é que não existe controle perfeito, nem norma jurídica perfeita. Sempre há falhas e possibilidade de burla. E é com isso que criminosos e psicopatas contam.
Idelber, a maioria dos crimes passionais ocorrem sem o uso de armas de fogo. Facas, porretes, cordas, etc, também podem ser usados como armas letais. E, esses não temos como controlar.
Valéria em abril 19, 2007 11:31 AM
#25
Grande Idelber, então aqui vai o link para o original da transmissão de ontem da NBC. Gravado, recodificado e "upiloudado" no mais puro espirito pirata por este q vos tecla:
Video do Cho Seung-Hui
Abs.
Fábio S. em abril 19, 2007 3:48 PM
#26
A proibição da venda (no caso aqui de armas) estimula a criação de um mercado negro se existe o reforço positivo vindo dos meios de comunicação e entretenimento para ações violentas ou contra o patrimonio. Agora deixar a coisa solta como está na Virginia é um caso a se analisar minuciosamente. Aumentar a idade minima? Exigir exame psicológico? Ficha limpa na policia e no transito? Treinamento para uso?
Muitas são variaveis para compor um dossie que autorizaria alguem a possuir uma Glock 9mm, arma mortifera como o diabo.
Os assassinatos por arma branca e agressão implicam no contato físico entre agressor e vitima, o que pelo q já li sobre criminal requer um estimulo bem mais forte para ser levado até o fim.
Fábio S. em abril 19, 2007 4:02 PM
#27
Idelber, sim, concordo que relação há. Se há armas disponíveis, mais pessoas hão de usá-las.
O ideal seria que as armas só estivessem acessíveis a pessoas de bem. Com leis mais severas ou até ausência de acesso a armas, seria isto possível? NÃO. Outlaw é o que o nome já diz: alguém que está fora da lei. Temos que pensar em termos [b]reais[/b], não ideais.
Se não é possível tirar armas das mãos de pessoas mal intencionadas, a única solução possível é deixar armas nas mãos de pessoas bem intencionadas que precisam se defender das mal intencionadas. Penso assim. Sei que para muitos essa idéia parece excessivamente parece permissiva e que daí tudo vira festa e bagunça. Mas o mundo já é uma bagunça. Impedir que um assaltante ou assassino tenha acesso LEGAL a armas não impedirá que ele tenha acesso ILEGAL. NUNCA impediu. E não impediria que essa tragédia acontecesse.
Rafael em abril 19, 2007 4:07 PM
#28
Uma pessoa que possua uma arma já não é de bem. Se só as pessoas de bem as possuírem, para que elas servirão?
Daniel em abril 19, 2007 5:20 PM
#29
Daniel, não sei se seu comentário é em resposta ao que escrevi; se sim, pelo que leia de novo. Nâo foi isso o que eu disse. (E, perdoe-me, parece ingênuo dizer que "uma pessoa que possua uma arma já não é de bem". Uma mulher que faz um curso de tiro e auto-defesa e compra uma arma porque já foi violentada não é de bem? Um policial aposentado que tem uma arma em casa para o caso de defender a família não é de bem? Como assim?)
Rafael em abril 19, 2007 6:04 PM
#30
Pessoal, uma das coisas que a Campanha Brady já demonstrou fazer a maior diferença é o tal do "waiting period". Está comprando pela primeira vez? Entre com o pedido e espere 72 horas. Para esfriar a cabeça. Pensar melhor. No caso desse rapaz coreano em particular, é verdade que não teria, provavelmente, alterado o rumo dos fatos. Ele estava determinado mesmo. Mas no caso dos que cometem crimes passionais, com frequência os estados que possuem "waiting periods" escapam de crimes passionais bobos, com mortes bobas, evitáveis.
Nos EUA, Valéria, sim, há um número assombroso de crimes passionais cometidos com armas de fogo.
Obrigado pelo link ao vídeo, Mestre Fábio.
Rafael, ando correndo para outro seminário em Madison, mas digamos o seguinte: a dicotomia entre pessoas do bem e pessoas do mal, como toda dicotomia maniqueísta assim, é problemática, instável. Pergunte ao Bolsonaro. Ele diz que é uma pessoa de bem e o Gabeira seria uma pessoa do mal.
Eu deixo perguntas, como sempre: a própria dicotomia entre pessoas de bem e pessoas do mal seria um binarismo próprio às pessoas de bem ou às pessoas do mal?
Idelber em abril 19, 2007 6:45 PM
#31
A sociedade norte-americana é violenta e cultiva a violência como cultiva os hamburguers. E a violência é um dos seus produtos de exportação. O drama da Virgínia Tech não será o último. O que fazer?
gd ab
JULIO CESAR CORRÊA em abril 19, 2007 7:02 PM
#32
Idelber, entendo que é difícil apontar exatamente quem é de bem e quem é de mal, já que temos tendências benéficas e maléficas. Para fins dessa conversa, podemos pensar em pessoas que têm como intenção a auto-defesa, e pessoas que têm como intenção matar os outros. (Se falarmos de crimes passionais não-premeditados, já estaremos saindo do escopo da questão, que é a auto-defesa contra assassinos como o estudante de V.)
Rafael em abril 19, 2007 7:12 PM
#33
Caro Idelber
Só para acrescentar: 1) o fundamentalismo continua crescendo em terras norte-americanas; 2) esta história de querer CENSURAR as imagens remetidas para a NBC pelo estudante coreano-americano, É A ÚLTIMA PALAVRA EM DEFENDER O LOBBY DAS ARMAS!!! Não é não???
Paulo em abril 19, 2007 8:35 PM
#34
Caro Idelber,
Tendo a discordar de vc, Paulo, e a concordar com um ponto levantado acima. Se um dos propositos do sujeito era tambem "aparecer" como martir, ser assunto, acho que valeria a NBC nao ter digulgado a tal fita tao abertamente. Acho que deveria ter sido feito exatamente o contrario. Anunciar sua existencia mas nao divulga-la de forma tao aberta como foi feito. Alias, confesso nao ter tido coragem de assistir ao video. Apenas as imagens divulgadas pela internet ja' bastaram para mim.
Um outro ponto que andei pensando e' que se o sujeito parecia de fato ter alguma patologia (sem questionar, por ora, se isso e' de fato verdade ou nao) a quem cabe o dever (se e' que podemos chamar de dever) de ajuda-lo, denuncia-lo, trata-lo? Cabe `a familia, `a universidade, aos colegas, amigos, professores? Nao tem resposta facil, eu creio. Por exemplo, o que fazer se se percebe que seu aluno demonstra algum tipo de problema/patologia? E se for so' vc que acha isso? E se vc entao se torna o tipo professor-maluco-que acha que todo mundo esta' doido? Como disse o Idelber em algum momento, estou levantando mais perguntas que qualquer outra coisa.
Abracos,
Leticia.
Leticia Marteleto em abril 19, 2007 10:37 PM
#35
Siendo norteamericano, digo que debemos tener libertad de armas, pero no de pistolas. Las pistolas solo tiene un proposito, el de matar a un hombre.
Yo quiero la libertad de tener una escopeta en mi casa para proteger a mi familia de maleantes. Tambien, me gusta mucho tirar al blanco con lo que se llaman "clay pigeons." No me gusta cazar, pero hay muchos que si lo hacen. Tambien, mi abuelo necesita su rifle y escopeta para matar coyotes y perros ferrales que atacan a su ganado. Las armas si tienen un proposito.
Las pistolas deben ser muy dificiles de conseguir. Uno deberia tener que pasar un examen, hablar con la policia y explicarles porque quiere comprarla. Yo creo que si uno tuviera que hablar con la policia para comprar una pistola, todo seria muy diferente. Tambien, creo que seria bueno si tuvieramos que esperar 10 dias para comprar una pistola.
Para mi, siendo basicamente moderado politicamente, si hemos aprendido algo de la supuesta "Guerra contra drogas" es que si prohibimos algo, el mercado negro y la corrupcion satisfacen la demanda de todos modos. Estoy a favor de legalizar muchas de las drogas prohibidas para evitar los problemas que su control causa. No estoy a favor de prohibir las armas de fuego, porque esto tendria el efecto de aumentar el mercado negro de armas.
Hace algunos años en Nueva Orleans habia un "outdoor"(billboard) del FBI, en un barrio muy peligroso, que decia "A 9 Will Get You Five." Un "9" es el apodo de una pistola 9mm y el FBI les estaba diciendo a los criminales que si usaran un arma de fuego para cometer un crimen, esto automaticamente añadiria cinco años a su sentencia.
Creo, sin duda, que si prohibieramos las armas, eventos asi aumentarian. Algo se tiene que cambiar, mas no tengo la solucion, pero se que prohibiendolas tendria el mismo efecto que prohibiendo las drogas ha tenido.
Mac Williams em abril 20, 2007 1:24 PM
#36
Pegando no gancho da Leticia, penso como serão tratados daqui pra frente os alunos de escolas e universidades com o perfil comportamental do assassino antes do massacre:
- Ignorarão como depois de Columbine?
- Darão mais atenção aos alunos com problemas de comportamento, oferecendo apoio psicológico e o que for necessário para ajudá-los?
- Ou, no pior estilo da atual política americana, vão encarar todo "freak" como um assassino em potencial, como encaram todos os árabes como terroristas? Qualquer comportamento considerado "anormal" vai ser motivo para expulsão ou convite a sair da instituição e seus dados vão para o cadastro do FBI, ficando visado pelo resto da vida?
Te em abril 20, 2007 2:37 PM
#37
A dicotomia entre pessoas do bem e do mal é própria de pessoas que se acham de bem, e que portanto teriam o direito a ter uma arma de fogo. Se essa pessoa perde a cabeça na transito e mata alguém, tudo bem, porque ela é de bem.
*****
Quem vai definir quem é de bem e merece ter uma arma? Simão Bacamarte?
*****
Não há nada que justifique possuir uma arma, ainda mais se a justificativa é o fato de outras pessoas possuírem.
Daniel em abril 20, 2007 2:49 PM
#38
"Não há nada que justifique possuir uma arma, ainda mais se a justificativa é o fato de outras pessoas possuírem."
Certo... Vai dizer isso para mulheres que já foram violentadas e passaram a andar armadas.
Rafael em abril 20, 2007 2:55 PM
#39
"mulheres que já foram violentadas e passaram a andar armadas."
Uma violência gerando outra violência, e assim por diante.
NINGUÉM deveria andar armado. Nada justifica isso.
Daniel em abril 20, 2007 11:08 PM
#40
Sem contar que o número de mulheres vítimas de estupro que decidiram armar-se é mínimo. Ínfimo mesmo. Estatisticamente minúsculo. Eu acho que os defensores do armamento poderiam sustentar sua posição sem recorrer a elas.
Especialmente porque elas não costumam contar com o apoio deles ao, por exemplo, defender seu direito de interromper uma gravidez indesejada.
Idelber em abril 21, 2007 3:25 AM
#41
Um mundo sem armas é a meta utópica de todo pacifista que um dia aprendeu, conviveu assiduamente e por entender na pratica a destruição que elas podem causar, passou a renega-las incondicionalmente.
Falar de armas, e condena-las! é muito mais facil quando voce algum dia já experimentou o poder devastador de uma 357 em uma melancia ou testemunhou o tamanho do rombo que uma escopeta calibre 12 faz em um aparador de papelão a menos de 15 metros.
Nota: Esse é um comentario confessional.
Fábio S. em abril 21, 2007 2:01 PM
#42
Tá certo, Daniel. Bacana esse mundo cor-de-rosa. Vamos todas dar as mãos e morrer.
Idelber, não usei o exemplo das mulheres armadas como argumento pró-armamento, mas só para contrabalançar a opinião do Daniel de que ninguém, em hipótese alguma, deve andar armado. E não entendi a referência a aborto, já que não fiz nenhuma. Você está me incluindo numa categoria X de tipo de debatedor, é isso?
Rafael em abril 21, 2007 4:46 PM
#43
Suspiro. Nos anos 60,no Itamaraty, um contínuo apareceu com o pé enfaixado. É que ele foi assaltado na Baixada e não tinha dinheiro. Levou um tiro e uma bronca: -- Pobre não merece viver.
Isto faz parte do busilis do crime brasileiro.
Aqui nos EUA, a violência começa com três problemas intoleráveis na cultura escolar: competição exarcebada, trotes animalescos e bullies. Estes impactam de maneira adversa vários estudantes, como disse aí em cima o Mac.
Vamos passar sobre a Segunda Emenda que era pelo porte de mosquetes, não de Glocks ou AK-47s.
Numa sala de espera disse pra uma gringa mãe de um jovem visivelmente estranho que no Brasil em qualquer boteco vão te dizer que tás gorda, dão a dieta o curandeiro. Horror! Invasão da privacidade. Depois de 22 anos de USA também me incomoda o achismo. tupiniquim.
Só que em Columbine o Dylan Klebold tinha pais, o pai trabalhava na casa e nem pai nem mãe perceberam nada até o fim. O Eric Harris foi considerado psicopata. Não eram ricos nem tão toscos. Jogavam Doom o tempo todo. Processaram os pais deles e o processo está trancado até daqui a 23 anos.
Por favor, não sejamos hipócritas. A violência não é propriedade dos EUA; é humana, vide "Heart of Darkness" do Joseph Conrad. A violência do Brasil é o descaso de classes altas; Belíndia e Daslu. A gurizada tem doadores de óvulos e esperamtozóides. Pobre só é visível quando puxa faca ou um berro. Ou quando é flanelinha.
A gurizada de classe média anda em um processo crescente de alienação: usam joguinhos em qualquer oportunidade; sacaram a pose Laura Croft (Tomb Raider) do Cho no vídeo? --com filmes cada vez mais sanguinolentos,a sensibilidade do ser humano se embota. Filmes ou jogos, ou TV, a linha entre ficção e realidade é cada vez mais tênue.
O Cho cansou de dar aviso prévio. Em sua cultura, a coreana, ninguém quis ajuda. Na cultura gringa pedir ajuda é feio e é "Lei de Mereci; cada um cuida de si."
Atenção brasileiros aos seus adolescentes comportados que não fazem nada demais, passam o dia inteiro quietinhos no computador plugados em som. Vão lá dar uma olhada, não custa nada.
Um brasiianista "tropicalista" que era da U de NC recomendou este blog depois de ler o meu Anarchic Universe. Fiquei com medo de entrar,sou tímida. Parei de ser "intelectual" faz tempo.
Não há tempo, todos tão ocupados. Os joguinhos tomam conta dos guris. O trem tá fora dos trilhos mas ainda nao quero descer do mundoido, como diz o Marmota.
Não pude evitar o comentário nada sucinto e convoluto. Sou de NYC,carioca/alagoana e há 22 anos losangelina. Choro com a "Aquarela do Brasil" e choro com a bandeira das listas e estrelas e seu hino. Perdão. Precisava falar sobre isso. Fui professora 23 anos. Sou CTY fellow da Johns Hopkins U. Obrigada.
tina oiticica harris em abril 23, 2007 3:37 AM
#44
é triste ver pessoas inocentes sendo vitimados, mas se as pessoas xenofobos racistas nazistas que oprime certos grupos semeando sofrimento forem punidos assim? EUA é um pais muito misterioso, kennedy, onze de setembro e outras coisas sem esclarecimento.
opiniao e hipocrisia em junho 3, 2007 4:04 AM
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