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sexta-feira, 27 de abril 2007
O bule emprestado
Slavoj Zizek escreveu recentemente um livro intitulado Iraq: The Borrowed Kettle, no qual relata a divertida sucessão de silogismos de pé quebrado que antecederam a invasão do Iraque. O momento número 1, de princípios de 2003, rezava que o Iraque possuía armas de destruição em massa que colocavam um “perigo claro e iminente” não só para Israel como também para os estados ocidentais democráticos. O que fazer, então, quando em setembro de 2003 David Kay, o próprio oficial da CIA encarregado da busca, reconhece que o país havia sido revirado pelo avesso mas as armas não haviam sido encontradas? Passa-se ao segundo momento: mesmo que Saddam Hussein não tenha nenhuma arma de destruição em massa, ele está envolvido com (deals with) a al-Qaeda, autora dos ataques do 11 de setembro. A guerra seria necessária para impedir tais ataques no futuro. O que fazer quando o próprio presidente Bush reconhece, em setembro de 2003, que “não há evidência de que Saddam Hussein estivesse envolvido com os ataques de 11/09”? Ora, passa-se ao terceiro momento: mesmo que não tivesse armas e nem estivesse envolvido com a al-Qaeda, Saddam era um perigoso ditador que representava uma ameaça ao seu próprio povo....
A mentirada inventada pela junta bushista como justificativa da guerra de rapinha no Iraque replica, para Zizek, a estrutura de uma anedota contada por Freud para ilustrar a estranha lógica dos sonhos. Um sujeito empresta um bule a um amigo. Recebe de volta o bule danificado. Ante a reclamação do dono, retruca:
1. Eu jamais tomei nenhum bule seu emprestado.
2. Aliás, eu lhe devolvi o bule inteirinho!
3. Inclusive, quando você me emprestou o bule, ele já estava estragado!
Pois bem, o blog hoje abre sua caixa de comentários para que você crie a sua própria variação desse joguinho de afirmativas incongruentes que é o relato freudiano do bule emprestado. Histórias que contenham Mangabeira Unger, Zagallo, Reinaldo Azevedo ou Galvão Bueno terão preferência :-)
Escrito por Idelber às 05:23 | link para este post
| Comentários (17)
#1
1 - Mangabeira Unger seria um bom nome para o miolo de zaga do Corinthians
2 - Zagallo é um treinador vencedor e competente
3 - Reinaldo Azevedo narraria um jogo de futebol melhor do que Galvão Bueno.
---
A realidade é mais maluca do que a ficção, sempre, a não ser que estejamos falando de Charlie Kaufman
Bender em abril 27, 2007 11:07 AM
#2
Zagallo: "Bule estragado" tem treze letras!
Hermes em abril 27, 2007 1:01 PM
Christina em abril 27, 2007 1:55 PM
Christina em abril 27, 2007 1:57 PM
#5
24/10/96: É criada a CPMF (contribuição provisória sobre transações financeiras) com alíquota de 0,2%, propósito de financiar ações e serviços de saúde e duração até jan/1999
17/06/99: É ressuscitada após 5 meses, com aumento da alíquota para 0,38% e duração prorrogada até jun/2001
14/12/00: Emenda à constituição aumenta prazo de arrecadação até dez/2004
19/12/03: Outra prorrogação, desta vez até dez/2007
23/04/07: Encaminhado ao congresso PEC prorrogando até 2011. Ministro da Fazenda: "A CPMF já está incorporada à arrecadação do governo. Não dá para fazer a omelete sem quebrar os ovos"
Charley em abril 27, 2007 2:13 PM
#6
Hermes: "bule devolvido" também :-)
Christina, !qué video maravilloso! Gracias por el enlace - yo nunca me había fijado en la cantidad de clips de Zizek que hay en Youtube. Y qué rico verte por aquí.
Grande Charley!
Idelber em abril 27, 2007 3:38 PM
#7
Dr. Mangabeira Unger chama o governo Lula de "o mais corrupto da história" e depois aceita nele um cargo de ministro. O repórter indaga do doutor o que aconteceu para justificar tamanho giro. Respostas de RMG:
1. O governo Lula é o mais corrupto da história (mas eu aderi assim mesmo).
2. Aliás, o governo Lula era o mais corrupto da história mas já não é, por isso eu aderi.
3. Inclusive, eu jamais disse que o governo Lula é o mais corrupto da história. Olhem no meu website!
Ronaldo em abril 27, 2007 3:41 PM
#8
Boa! Falta uma legal do Galvão Bueno...
Idelber em abril 27, 2007 3:42 PM
#9
Galvão Bueno diz em julho de 2006:
1) Apesar de capenga, RRRRonalllldo tem de jogar a Copa. Como diria Margaret Thatcher, Menem, FHC e Nenê Prancha, there is no alternative.
2) Após o jogo contra o Japão, RRRRonalllldo é insubstituível, o maior goleador de todas as Copas.
3) Ih, cadê o RRRRonalllldo? Perdemos para a França, pô. Eu disse que tinham de mudar o time.
Renzi em abril 27, 2007 4:24 PM
#10
-Hoje está uma trabalheira aqui, não dá tempo nem de ler o Biscoito.
-O post tá ótimo, quem me dera poder fazer uma pausa para comentar. mas é impossível.
Daniel em abril 27, 2007 6:00 PM
Ricardo Antunes da Costa em abril 27, 2007 6:07 PM
#12
Vou tentar uma com o Zagallo, meu quase vizinho na Tijuca.
Eu jamais toquei sua filha. Sou ponta-esquerda recuada. Recuada.
2. Aliás, eu a trouxe de volta da concentração em estado zero quilômetro!
3. Inclusive, quando você deixou sua filha comigo, ela já estava arrombada!
Boa noite, até!
tina oiticica harris em abril 27, 2007 9:36 PM
#13
triema truly onírico para galván, bueno.
1. arnaldo, eu te amo. vamos pra tailândia, vou mudar de sexo pra você.
2. nunca apertei o botão pra mandar o pelé calar a boca. isso eu nunca fiz. pode ver como eu prefiro humailhar o burro do arnaldo a fechar o mike dele.
3. o jogo vai chegando a um final dramático.
desvio concatenado olímpico IX
1. galvão bueno é a voz que comanda o torcedor brasileiro de todos os esportes.
2. o torcedor brasileiro liga o pagode no máximo, pra poder ouvir lá da churrasqueira, onde o pai tá assando a carne.
3. derrubar o galvão bueno é mais difícil que achar motivo pra guerra do Iraque.
tiagón em abril 27, 2007 10:28 PM
#14
é bem um caso freudiano, porém com repercussões políticas sem precedentes. Como no Mal-Estar na Civilização, e uma frase marcante de Freud: "É desnecessário dizer que todo aquele que partilha um delírio jamais o reconhece como tal". Vivemos em tempos nos quais os 'delírios' não precisam mais ter aparência de 'razão'...
catatau em abril 27, 2007 11:53 PM
Idelber em abril 28, 2007 1:41 AM
#16
Galvão Bueno narrando o milésimo gol do Romário. Cinco minutos de reverberação do nome do artilheiro a plenos pulmões. Confusão no Maracanã, invasão de campo, seguranças do Vasco da Gama dando catiripapos nos torcedores beijoqueiros. Galvão pergunta para o Arnaldo:
- Não foi o gol mais bonito do baixinho no Maracanã, Arnaldo?
- Foi impedimento, Galvão. A regra é clara...
Mais cinco minutos de execração pública ao infeliz comentarista da arbitragem. Só falta o Galvão chamar o Arnaldo de anta, para ficar no terreno zoológico do esculacho. Quase chegam às vias de fato.
Passado o tumulto, o juiz assinala o impedimento e invalida o gol do centro-avante.
Show do Galvão performático:
- Este juiz – como é nome dele mesmo Arnaldo?(...) Está querendo aparecer, fazer nome em cima do milésimo gol do baixinho...
- Olha, eu tenho minhas dúvidas... Não sei não... Passa o replay... Eu quero ver o replay... (em off: passa a porra desse replay aí ô caralho, eu quero ver se esse juizinho filho da puta tem razão... Que merda! Passa a porra do replay aí, seus viadinhos do caralho!...)
- Olha! Questão de centímetros... Eu não daria o impedimento. Você marcaria ou não, Arnaldo?...
Arnaldo tergiversa, quase um metro. Galvão belisca firme. Arnaldo diz que não marcaria. Falcão também não...
luizao em abril 28, 2007 10:54 AM
#17
Um séculoq ue eu não apareço por aqui! Saudades!
Alena em abril 28, 2007 8:49 PM