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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 31 de maio 2007

Extra!

cigars.jpgshoes.jpg

Dizem por aí que o Alex Castro está fumando charutos em Cuba, mas na verdade ele foi preso em Wisconsin.



  Escrito por Idelber às 18:37 | link para este post | Comentários (7)




Rapidinhas

Na Folha de hoje, caderno de esportes, lemos a manchete (link para assinantes): Zaga vacila, e Santos congela no Sul. Depois, o subtítulo: Ávalos faz pênalti tolo, e Adaílton perde bola boba nos gols que dão vantagem ao Grêmio na semifinal da Libertadores. É curioso. No jogo que eu assisti, parecia haver uma equipe, vestida de azul, branco e negro, que fez aqueles gols. Êta imprensa esportiva brasileira! Mais uma vez tratam o Rio Grande do Sul como se fosse outro país.

Também na Folha, Fernando Henrique Cardoso declarou, sobre a Operação Navalha: Acho que o nível de corrupção extrapolou. Não me refiro especificamente a este caso. Mas eu acho que temos assistido a uma série infinita de processos de corrupção. Alguém poderia explicar a ele a diferença entre a febre e o termômetro? "Assistimos" uma série infinita de processos de corrupção porque há alguém trazendo-os à luz, não é mesmo, ex-presidente? Quando os casos de corrupção não estão sendo revelados, fica um pouco mais difícil "assisti-los", não é?

Em São Paulo, hoje, às 19:30, no Instituto Cervantes (Paulista, 2.439), a ensaísta argentina Beatriz Sarlo conversa com o Prof. Jorge Schwartz, da USP. Se você está em Sampa, gosta de literatura e nunca viu Beatriz falar, compareça. É uma das 4 ou 5 pessoas que mais admiro no mundo hoje. Sem exagero.



  Escrito por Idelber às 05:09 | link para este post | Comentários (31)



terça-feira, 29 de maio 2007

Caco Barcellos

O link cômico de hoje não foi unanimidade, então aqui vai um link muito sério.

Caco Barcellos é um dos maiores jornalistas investigativos da história do Brasil. Especialista com décadas de trabalho sobre violência policial, é o autor de Rota 66: A polícia que mata, livro que documenta o assassinato de 4.200 pessoas, todas jovens e pobres, pela Polícia Militar de São Paulo. Caco já venceu duas vezes o Jabuti e recebeu dezenas de prêmios por reportagens especiais. Obviamente, coleciona também ameaças de morte.

Se você quer ter uma aula sobre as raízes da violência no Brasil, com lúcida explicação dos papéis do Estado, da polícia e da imprensa, dada por quem pesquisa a coisa de perto, leia esta entrevista em duas partes com Caco Barcellos. Ela não é nova, mas continua atualíssima.

PS: lembrei-me do Caco numa troca de emails com o Biajonicus.



  Escrito por Idelber às 18:44 | link para este post | Comentários (10)




Conhecem o Paulinho?

Se você só tem 3:40 minutos para perder na internet hoje, perca-os aqui. O personagem tem 5 anos, mas o vídeo é para maiores de 18:

O menino é um caso para Mothern nenhuma botar defeito. É só parte do show do grupo de humor Óbvios que acontece toda terça-feira, às 21 horas, no Bar Radio Club Brasil (Av. Cotovia, 749, Moema) e que inclui também a poderosa Brenda Ligia, prima da Ana.

Estando livre aí em Sampa esta noite, pinte lá.



  Escrito por Idelber às 03:08 | link para este post | Comentários (19)



segunda-feira, 28 de maio 2007

Gaúcho de uma figa

diego_atlemg_folha.jpg

Pronto. O Dunga convocou o goleiro Diego, do Galo, para a Seleção. Agora é que o moleque não completa nem mais meia dúzia de jogos pelo Atlético mesmo.

Ah, como eu odeio esse Dunga.

Aliás, por que continuamos nos importando com futebol mesmo?



  Escrito por Idelber às 19:56 | link para este post | Comentários (14)




USP

Eu vou ter que discordar do meu amigo Gravata. Não de todo o texto, mas do ângulo geral da coisa. Não sou necessariamente apoiador da invasão da reitoria da USP – estando fora do país e acompanhando o caso pela imprensa, aliás, me sinto desobrigado de emitir um juízo de um lado ou de outro. Como a partir do impasse que se arrasta há 3 semanas na USP, no entanto, muito se disse por aí sobre autonomia universitária, eu achei que deveria acrescentar uns pitacos.

1. Pessoalmente, não sou fã do método de invasão de reitoria, desde minha época de estudante. E não por ser contra a invasão em si – a ocupação de uma fábrica como forma extrema de forçar a discussão de problemas de uma categoria, por exemplo, me parece atitude justificada. Mas há uma diferença entre ocupar uma fábrica e ocupar uma reitoria. Ocupa-se uma fábrica com o objetivo de pará-la. Ocupando-se uma reitoria não se para muita coisa, como é, aliás, o caso na USP, onde várias escolas continuam tendo aulas. No fundamental e formador para todos -- discentes e docentes -- que é a pesquisa, quem faz continua fazendo a sua, mesmo se vinculado a escolas que estão paradas.

2. Na longa seqüência de posts feitos sobre o assunto pelo Reinaldinho Azevedo da Veja – que, até que comece a linkar ou pelo menos nomear aqueles a quem ataca, será aqui nomeado sem link – eu já vi execração pública de professores de currículo muito superior ao dele, grosseiras caracterizações dos estudantes ocupadores como “remelentos” e maconheiros e chamados à invasão imediata da PM, além dos indefectíveis vitupérios nas caixas de comentários, exigindo fechamento dos cursos de humanas ou privatização já.

3. Mas não vi nenhuma discussão do fato de que um dos decretos de Serra – do qual, inclusive, ele já recuou como fruto do movimento na USP – impunha como membro do Conselho de Reitores o “Secretário de Ensino Superior” nomeado pelo Governador! Ora, se isso não fere a autonomia universitária sacramentada na constituição, vocês me leiam aí de novo, por favor, o artigo 207 da Carta Magna. Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas? Chefiado por um “Secretário” indicado politicamente pelos PFL’s da vida? O CR que reúne os reitores responsáveis por 50% da pesquisa e pós-graduação brasileiras? Que invasão é essa de um corpo intra-universitário?

4. Sim, sim, nesse decreto o Serra já voltou atrás. Sim, sim, os reitores já disseram que os decretos que restaram não ferem nada. Disseram-no, em parte, como resultado do impasse produzido pelo movimento, sublinhe-se. E é ou não preocupante que decretos assim sejam impostos num contexto em que o “Secretário” em questão envia cartas como esta a uma reitora, impondo apadrinhados seus à pós-graduação da melhor universidade da América Latina?


cartapinotti.jpg (fonte)

Ora, se você é um reitor submetido a um acosso assim, não é complicada a presença do Secretário em questão como membro do Conselho de Reitores? Não começa a parecer nebuloso todo esse remanejamento? No seu artigo sobre o problema, o Secretário Pinotti diz que os supostos decretos que cerceariam a autonomia universitária não existem -- pena que quase ninguém se dê ao trabalho de procurá-los e analisá-los . Ora, eu me dei ao trabalho de procurá-los. Sacumé, né secretário, tô de férias, e trabalho numa universidade onde a autonomia gerencial-orçamentária do meu departamento nem a minha autonomia de ensino e pesquisa estão ameaçadas. Aí dá tempo até de fazer umas leituras a mais.

Nos decretos que restam, ainda há muito que é preocupante aos olhos de uma parcela significativa das comunidades da USP, Unicamp, Unesp. É injusto dizer que não se explicou claramente qual o problema com eles. O blog da Ocupação traz um relato minucioso com documentação linkada sobre o que o movimento vê de problemático nos decretos.

Em particular, o decreto 51.460 é daninho. O seu art. 4, inc. III transfere as Universidades Estaduais para a Secretaria de Ensino Superior e o seu artigo 7, inc. XII transfere o Centro de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETPS) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para a Secretaria de Desenvolvimento. Em outras palavras? Arranca o fomento à pesquisa do âmbito da educação e transfere-a ao “desenvolvimento”. Quebra o laço institucional da FAPESP com as universidades. Quebra o vínculo entre ensino e pesquisa. Fere, na tora, o artigo 207 da Constituição.

O decreto 51.471 reza que ficam vedadas a admissão ou contratação de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta, incluindo as autarquias, inclusive as de regime especial. Ora, se o decreto 6283, de janeiro de 1934, define a USP como autarquia de regime especial, como é que o 51.471/2007 não representa a possibilidade de congelamento de contratações na USP, alguém me explique? Basta, para debelar esses medos, uma declaração de boas intenções de um político?

Perguntou-se “para que serve” a autonomia universitária. Caro contribuinte paulista que por ventura leia este blog: a autonomia jamais quis dizer falta de prestação de contas. O Tribunal de Contas da União é responsável pela verificação das contas das universidades, e isso ele já faz. No caso das estaduais paulistas, elas recebem esses 9,57% do ICMS, o uso dos quais é escrutinado pelo TCU. A USP, a Unicamp e a Unesp respondem por mais de 50% da pesquisa e da pós-graduação brasileiras. A USP continua sendo, tranqüilamente, a melhor universidade da América Latina. O dinheiro está sendo bem empregado: a questão é garantir acesso de amplas camadas da população ao ensino universitário com qualidade USP. O que há que se melhorar ali -- e muito haverá -- não é da ordem do "prestar mais contas ao estado". É muito mais estrutural que isso.

Sem autonomia orçamentária (possibilidade de remanejar recursos internamente) e autonomia completa de definição de pautas de pesquisa e ensino (o que significa, sim, que a existência do curso de sânscrito na USP não está aberta a plebiscito entre os contribuintes paulistas), sem isso, pois, não existe universidade – no máximo, um colégio técnico. Não digo que o movimento grevista esteja correto em todas suas interpretações. Mas há alguns sinais preocupantes no governo Serra, sim, quanto à relação com a universidade.

Aproveito para deixar um abraço especial aos leitores da megalópolis querida, Sampa, o desejo de que os direitos de todos -- grevistas e não grevistas -- sejam respeitados e o convite a que você dê o seu pitaco na caixa de comentários.

PS: Sobre a universidade, recomenda-se, com muita ênfase, a leitura de um grande livro do filósofo chileno Willy Thayer: La crisis no moderna de la universidad moderna (Epílogo del conflicto de las facultades). Santiago: Cuarto Propio (editora feminista daquelas bandas trans-andinas), 1996.

Atualização: Na Folha de hoje, há uma excelente coluna (link para assinantes) de Fernando de Barros e Silva sobre a questão.

Atualização II: O blog da ocupação deveria ter, pelo menos, moderação de comentários que impedisse que qualquer um fosse lá insultá-los sob pseudônimo e um email para contato na página principal -- o básico do básico. Falta assessoria blogueira aí, rapaziada. Logo em Sampa, onde é impossível sair na rua sem tropeçar com um blogueiro.



  Escrito por Idelber às 03:41 | link para este post | Comentários (22)



sábado, 26 de maio 2007

Fim do vício

Confesso que, quando visito o lindo blog da Marina W, penso em revogar minha decisão, mas agora já não há volta. Parei.

O vício, amigo, é barra pesada: você se esconde ali no cantinho, jurando ao seu super ego que será a última vez. Esconde o ato ilícito do seu amigo, do seu cônjuge, até do seu psicanalista. Chafurda-se na lama do comportamento compulsivo, na ilusão de que é a última vez, de que já não cederá à vontade, de que amanhã você para. Você sabe que o vício é daninho à sua saúde física, mental, emocional. Você promete e quebra promessas no círculo vicioso da denegação e do auto-engano.

Até que um dia você . . . para e não sente mais vontade! Sim, é o que aconteceu comigo. Podem acreditar. Já fez cinco dias. E não sinto a menor vontade. Mesmo. Nem um único momento de tentação eu passei nesta semana.

Parei mesmo de seguir a novela das oito.

Uma satã e uma santa gêmeas é suspensão da descrença demais para o meu gosto. E aquele Olavo (como se chama o ator mesmo?), que vilão mais inverossímil! Não dá.

Dediquei meu tempo de novela da Globo a ler Don DeLillo. Amanhã, um post sobre ele.



  Escrito por Idelber às 16:52 | link para este post | Comentários (9)



sexta-feira, 25 de maio 2007

Subúrbio

Aqui em Tulane está se armando um projeto interessante de estudo das representações do subúrbio (carioca) na literatura e no cinema. A pessoa responsável, carioca da gema e conhecedora das Zonas Norte e Oeste do Rio (amiga de Nei Lopes), está equipadíssima para fazer o trabalho. Vai centrá-lo, por claras razões, em Lima Barreto (crônicas e ficção) e em Nélson Pereira dos Santos.

Portanto não é por ela, mas por minha própria curiosidade que faço a pergunta que segue:

Além dos clássicos de Lima, textos curtos de João Antônio e Clarice Lispector e uns parcos momentos de Rubem Fonseca, não consegui me lembrar de representações do subúrbio (ou do suburbano) carioca que tenham me marcado. Fiquei curioso por ler mais.

Alguém aí tem dicas? Subúrbio, não o morro ou a periferia.

PS: Sim, já sugeri a ela que visite o Suburbia Tales.



  Escrito por Idelber às 20:27 | link para este post | Comentários (14)




Borges

borges.jpgEstou preparando um curso sobre Borges. É mais ou menos como se um moleque de 13 anos, especialista em sorvetes, chegasse na Amor aos Pedaços, aí em Sampa, para escolher um sabor. São 14 semanas, com 2 horas e meia de contato em sala de aula por semana. Seria possível dedicar todo esse tempo a dois livros de Borges: Ficciones (1944 - cuja primeira metade saiu em 1941 como El jardín de los senderos que se bifurcan, volume depois completado em 1944 por Artificios) e El aleph (1949). Desses dois livros saem os grandes clássicos da contística borgeana: "Funes, o memorioso", "O jardim dos caminhos que se bifurcam", "Pierre Menard, autor do Quixote", "Emma Zunz", "Três versões de Judas", "A morte e a bússola", "As ruínas circulares", "A biblioteca de Babel", "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", "Loteria de Babilônia", "O milagre secreto", "O aleph". Todos esses contos são paradas obrigatórias. Decidir de qual ponto de vista lê-los já é um exercício que pode tomar um tempo considerável, posto que essas duas dezenas de contos --- que a grande maioria dos leitores considera "a obra de Borges" -- geraram, e eu não exagero, algumas centenas de livros e alguns milhares de artigos dedicados a analisá-los.

Borges tem essa singularidade: é um minimalista enciclopédico. Jamais escreveu, eu acredito, nada que tivesse mais de dezesseis páginas. E gerou essas bibliotecas imensas, escrevendo, concisamente, sobre o infinito.

Neste curso eu decidi enveredar por outro caminho e examinar algumas coisas insólitas que escreveu Borges -- se você, leitor deste blog, quiser acompanhar, junte-se ao time. O curso rola da primeira semana de setembro a meados de dezembro. Para quem quer ler Borges a sério em português eu sugiro, claro, as Obras Completas em 4 volumes, da Globo, que são uma tradução integral das Obras Completas publicadas em espanhol pela Emecé. Ali tem 70% do que realmente importa.

O que significa que as Obras Completas de Borges não estão, obviamente, completas. A elas faltam: os três livros de ensaios curtos, juvenis, criollistas, populisto-nacionalistas que escreveu Borges nos anos 20: Inquisiciones (1925), El tamaño de mi esperanza (1926) e El idioma de los argentinos (1928). São fundamentais para entender o Borges que volta da Suiça depois da Primeira Guerra Mundial e integra-se à vanguarda poética do seu país, com um olho na ultra-modernidade européia e outro olho nas bombachas dos pampas (alô, Tiagón). Saíram reeditados em espanhol nos anos 90, são fáceis de encontrar. Que eu saiba, não existem em português.

Às Obras Completas também faltam, claro, todos os livros escritos em colaboração, compilados depois em Obras completas em colaboración, também inédita, que eu saiba, em português, apesar de que alguns dos volumes saíram, avulsos, em pindorâmico. Aqui, há dois destaques:

1) Borges, ah, Borges, escrevendo tantos livros em colaboração com mulheres sem nunca ter comido nenhuma. Ironia das mais incríveis, essa. Poupo-lhes a história de como Borges perdeu Norah Lange. É demasiado humilhante. Com outras mulheres escreveu O livro dos seres imaginários (1967 - com Margarita Guerrero, livro absurdamente indispensável, este sim, disponível em português), O que é o budismo (1977 - com Alicia Jurado), Breve antologia anglo-saxã (1978 - com María Kodama) e Introducción a la literatura inglesa (1965) e Literaturas germánicas medievales (1966), ambos com María Esther Vásquez.

2) os livros publicados com o pseudônimo de Bustos Domecq e escritos em parceria com seu amigo Adolfo Bioy Casares -- contos policiais pastichados, exacerbados ao limite da paródia. É aqui, com este pseudônimo, que Borges e Adolfito escrevem sua definitiva autópsia do peronismo, "La fiesta del monstruo", conto pouquíssimo conhecido fora da Argentina.

Aliás é o peronismo -- vocês sabiam disto? -- que transforma Borges de diretor da Biblioteca Nacional em inspetor de frangos. Não minto. É episódio pouco estudado, e o que mais me interessa descobrir é: o burocrata peronista que fez essa crueldade havia, com certeza, lido Borges. O gentleman portenho, claro, renunciou. Voltou ao cargo de diretor da Biblioteca Nacional depois, com a queda do peronismo.

As Obras Completas da Emecé -- e por conseguinte da Globo -- também não incluem a miríade de textos jornalísticos, de resenha, que Borges publicou no diário Crítica em 1933-34 (compilados num incrível livro, que inclui resenha de Borges sobre um brasileiro chamado Pedro Faria de Magalhães, alguém sabe quem é?) e os textos publicados por ele na legendária revista Sur, porta-voz da elite intelectual anti-esquerda da Argentina nos anos 1930-70.

Além disso, há os Textos recobrados, também inéditos em português, publicados em espanhol em três volumes -- crônicas, resenhas, colaborações a revistas, entrevistas, porque, como se sabe, no final de sua vida, Borges dava palpite em tudo, até em futebol e casamento, assuntos nos quais ele tinha zero experiência. Fora isto, está tudo nos quatro volumes das Obras completas da Globo aí no Brasil.

Os que mais insistiram pela volta do clube de leituras foram Meg, Alessandra, Milton e Bender. Para quem topar mergulhar em Borges, está aberto o convite. Diga lá o que você já leu e o que quer ler.

PS: quem é rei não perde a majestade.

PS 2: Sobre Borges: Mac Williams defendeu, mês passado, aqui em Tulane, sob minha orientaçao, uma brilhante tese que discute as complexas reinterpretações das várias religiões na obra de Borges. Mac, religioso (mormon) e eleitor de políticos conservadores (pelo menos até recentemente). Eu, ateu e xiita de esquerda. Poucas vezes um orientando e um orientador foram tão diferentes e se deram tão bem. Parabéns, Mac. Consulte-se, em breve, a tese de Mac na Internet.

Atualização: Ainda sobre Borges, veja-se este belo microconto do Almirante.



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quinta-feira, 24 de maio 2007

Links

ethics-zivin.gifPara setembro: À ínfima porcentagem de leitores do blog que compram livros acadêmicos em inglês, vão aí a propaganda e o auto-jabá. A editora Palgrave lança, nos próximos meses, The Ethics of Latin American Criticism: Reading Otherwise, livro compilado por Erin Graff Zivin que inclui um ensaio meu ('Cultural Studies in the Blogosphere: Academics Meet New Technologies of Online Publication'), uma versão bem aumentada e melhorada dessa palestra. A extensão veio por conta de uma polêmica com um texto de Habermas, publicado na Folha de São Paulo, em que o vetusto filósofo alemão dá mostras de não ter pensado muito bem ainda sobre a Internet. O texto inteiro do artigo eu não posso postar sem violar o copyright, claro.

Para julho: Ana Maria Gonçalves é destaque na Flip, de Parati.

Para julho e agosto
este blog transmitirá direto de Recife e, no finalzinho de junho, de Santiago.

Para dentro de uns dias: Liberal Libertário Libertino transmitindo de Havana. Quem viver verá. Caso o Alex consiga boa conexão, claro.

Para já: pintou na Verbeat o Atmosfera, blog coletivo sobre o clima. poa-atmosf.jpg



  Escrito por Idelber às 19:56 | link para este post | Comentários (7)




A idioletice de Aldo Rebelo

Já falou-se muito de liberdade de expressão aqui no blog, e eu já me posicionei várias vezes acerca de processos judiciais onde foi cerceada a expressão de alguém. Jamais achei que o direito à livre expressão tivesse fronteiras com o direito à calúnia (se Diogo Mainardi disse que Franklin Martins traficou influência no Congresso Nacional e participou da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo, que apresente provas do que disse ou que responda pela sua boca na justiça; é o que acho que vale dizer sobre esse caso).

Mas o processo que é matéria deste post é outro, é claramente de liberdade de expressão e me é muito caro, porque trata de legislação sobre o uso da língua portuguesa. Para quem acompanhou os primórdios deste blog, é assunto antigo. Mas não o é para quem chega agora, e por isso vale a pena recapitular a história: na sua coluna da semana passada na Veja, Millôr Fernandes confirmou que está sendo processado por Aldo Rebelo por ter chamado de idioletice o projeto do deputado que proíbe estrangeirismos na língua portuguesa. O projeto, na sua imensa ignorância (e quem o chama de ignorante sou eu, Idelber Avelar), determina o seguinte:

Todo e qualquer uso de palavra ou expressão em língua estrangeira, ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei. . . . Toda e qualquer palavra ou expressão em língua estrangeira .... ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... terá que ser substituída por palavra ou expressão equivalente em língua portuguesa no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data de registro da ocorrência.

Quem quiser ler a excrescência por inteiro, pode fazê-lo aqui. Sobre esse projeto, Millôr comentou, na Folha: "Ele sabe do que está falando? Quanta idioletice!". Resposta do Dep. Aldo Rebelo? Um processo judicial.

Há que se dizer, em primeiro lugar, o seguinte: o projeto de Aldo Rebelo é de ignorância mastodôntica, infinita, no que diz respeito a como funciona a linguagem. Eu não sou o primeiro profissional da área de letras a dizê-lo. O prof. John Schmitz, da UNICAMP, já escreveu seis ensaios demonstrando a encefalia da coisa. Meu amigo Mario Perini, lingüista da UFMG, com elegância, já desancou o absurdo. Para resumir o que colegas mais pacientes que eu diriam de outra forma, o projeto de Aldo Rebelo contra os estrangeirismos é de imbecilidade:

a) sociolingüística, porque ignora que sobre a língua viva não se legisla.

b) filológica, porque não sabe que a evolução da língua inclui a incorporação de vocábulos estrangeiros. Ou será que a digníssima esposa do deputado usa porta-seios, ao invés de sutiãs? Será que ele ignora que este último foi, um dia, um vocábulo estrangeiro?

c) pragmática, porque ignora que cada falante, individualmente, tenderá a ter a capacidade de selecionar os estrangeirismos adequados para cada contexto e, no caso de não fazê-lo, a própria interação subseguinte com os outros falantes atuará, corrigindo-o.

d) psicolíngüística, porque quer cercear legislativamente o leque de escolhas lexicais do falante da língua.

Em outras palavras, em todos os ramos da linguística, o projeto do deputado Aldo Rebelo – conhecido por querer instituir o dia do Saci Pererê e legislar sobre a composição da farinha de mandioca – é de uma idiotice sem fim. E ele está processando Millôr porque este chamou o projeto de idioletice (criação do Millôr, claro, formada pelo sufixo -ice na palavra "idioleto", que significa língua ou dialeto individual).

Agora imaginem: como explicamos para o deputado que, ao processar Millôr por chamar sua excrescência de projeto de idioletice, ele está passando o atestado de idiotice mesmo? Ou seja, está automaticamente julgando seu reclamo improcedente? E quantos querem apostar que há juiz por aí que daria ganho de causa ao digníssimo xenófobo deputado sobre Millôr neste processo?



  Escrito por Idelber às 05:38 | link para este post | Comentários (32)



quarta-feira, 23 de maio 2007

Copyright perpétuo x liberdade de criação

Em 1998, os EUA aprovaram o Copyright Term Extension Act – também conhecido aqui como Mickey Mouse Protection Act. A essência daquela legislação era estender o copyright – que até então cobria a vida do autor e mais 50 anos, ou 75 anos para criações de corporações – para inacreditáveis “vida do autor mais 70 anos” e 95 anos para corporações. Era a Disney deitando e rolando com seu lobby na Washington D.C. de Clinton, "protegendo" Mickey Mouse e cia. Bons tempos aqueles, os da ameaça de impeachment por uns boquetes. Éramos felizes e não sabíamos.

Mas tergiverso.

Eis que no New York Times (link aberto temporariamente), o Sr. Mark Helprin – vá lá, leitor, ajude-nos a saber quem é – propõe copyright perpétuo sobre bens intelectuais. Sim, isso mesmo é o que a proposta significa: que se daqui a 800 anos você quiser fazer uma adaptação teatral d’ "A Terceira Margem do Rio", terá que negociar pagamento com algum deca-neto maluco de Guimarães Rosa, que sacará do colete uma tabelinha de preços. Isso é o que “copyright perpétuo” significa. Não se trata de nada que tenha a ver com garantir ao autor da obra uma compensação justa por sua criação – que é a idéia da legislação original de copyright –, mas sim algo que aprisiona a posteridade nessa farsa que é a posse sobre bens intelectuais passando de geração a geração.

Sabe do que falo quem acompanha a batalha ingrata que livram os estudiosos da obra de James Joyce com um neto possessivo, maluco, obsessivo e frustrado. A ironia, claro, é que, na obra do avô, essa figura caberia em algo assim como meia linha.

Pois bem, logo depois da publicação da idéia absurda no New York Times, surgiu uma página estilo wiki com argumentação copiosa contra o copyright perpétuo. O primeiro argumento já rebate de cara a analogia proposta por Helprin com a posse dos bens físicos: esta última é um jogo de soma zero. Para que eu compre a casa da Main Street número 50, alguém tem que se desfazer dela. A posse do direito de uso -- citação e transformação -- de bens intelectuais, imateriais, obviamente não implica isso.

Meu direito de usar e citar e transformar Guimarães Rosa não altera o direito de ninguém fazer o mesmo. A posse do direito de uso de bens intelectuais não é uma equação de soma zero.

Este blog é pelo fim total do direito de herança sobre bens intelectuais. Vê lá se não tenho coisa melhor para deixar aos meus filhos que o direito e a tarefa de ficar decidindo quem pode ou não reaproveitar coisas que escrevi em parcos livrinhos. Ora bolas.

Atualização: A partir de hoje, o blog terá duas ou três atualizações diárias, ao invés do tradicional texto semi-diário. Você, que visita as caixas de comentários, acostume-se a descer a barra de rolagem. O site está programado para exibir, na página principal, os posts dos últimos 15 dias. Se, com o novo ritmo, ela ficar pesada, avisem.



  Escrito por Idelber às 17:02 | link para este post | Comentários (23)




Processe-me, Microsoft

linuxorg.gif Isto é história sobre a qual leremos mais, com certeza, no Ecologia Digital, Tiago Dória, Cris Dias, Sérgio, Bica e demais conhecedores do assunto: ante as crescentes ameaças judiciais feitas pela Microsoft contra usuários de software open source, armou-se uma bela página wiki, já com centenas de assinaturas, que oferece um detalhado desafio à Microsoft a que processe mesmo, se for macho!, como diria Xico Sá. Traduzo:

A ameaça da Microsoft com as patentes é outro exemplo do ditado de Franklin Delano Roosevelt de que a única coisa a se temer é o próprio medo. Primeiro, a Microsoft teve sucesso como empresa porque, na maior parte, refinou as inovações nas quais outras companhias foram pioneiras. Portanto a Microsoft tem sérios problemas com defesas de reivindicações de patentes baseadas em “arte prévia” e “obviedade.” Segundo, os criadores do GNU e do Linux foram inspirados pelo Unix, não pelo Windows, e o Unix é bem mais velho que o Windows. De novo, com defesas baseadas em arte prévia e obviedade. Terceiro, a Microsoft já vendeu, inclusive, licenças Unix, chamadas Xenix (que eles licenciaram da SCO), mas a Microsoft depois abandonou o Xenix em favor do Windows NT, o que indicaria (para mim, pelo menos) que as idéias para as patentes da Microsoft relacionadas ao Windows são provavelmente tecnologia bem diferente do Xenix. ... Quinto, e talvez mais importante, Linus Torvalds enviou por email a Charlie Babcock, do InformationWeek, o argumento de que a maioria das inovações que dizem respeito a funções dos sistemas operacionais perderam proteção de patente há muito tempo, já que a maior parte da teoria básica de sistemas operacionais já estava pronta nos anos 1960. A discussão do Slashdot sobre este último tema pode ser encontrada clicando aqui. Sexto, o advogado do IT, Andy Updegrove, já disse que não está impressionado com as reivindicações de patente da Microsoft. A discussão do Slashdot desta história encontra-se clicando aqui.

É o responsável pela página, advogado, embora não do ramo, mandando bala na introdução. Já são quase seiscentas pessoas do mundo todo convidando a Microsoft a processar.



  Escrito por Idelber às 03:46 | link para este post | Comentários (4)



terça-feira, 22 de maio 2007

Thinking blogger award

Bom, eu não ia entrar nesse meme, especialmente depois de ler a matéria do Inagaki, mas já que Biajoni, Marmota e Alessandra deram a este blog a honra da inclusão na lista de cinco que os fazem pensar, vamos lá. Abaixo seguem os links a cinco blogs que atualmente me estimulam o pensamento. Não cito o Ina, Bia, Marmota, Alessandra ou Rafael porque seria chover no molhado.

Favoritos: já citado pelo Ina, não posso deixar de endossar. O blog da Luiza Voll virou minha parada obrigatória diária. Leve, bonito, com achados espetaculares, dele saíram mais bookmarks para meu uso pessoal que de qualquer outro blog. Tem sido ótimo ter o Favoritos agora que a Bibi nos deixou órfãos.

Blog do Alon: comecei a ler na época da campanha eleitoral e não parei mais. Alon combina as vantagens de ter paixão pelo jornalismo político e não ser nem petista nem tucano. Raramente concordo com tudo e quase nunca comento (as regras são bem diferentes das daqui e terminaram me inibindo) mas é certamente um blog que me faz pensar, por mais que às vezes cometa frases que são verdadeiros empecilhos ao pensamento -- como, por exemplo, o debate sobre o aborto é um debate sobre o direito de matar, frase pragmaticamente falsa qualquer que seja sua posição sobre o direito ao aborto, posto que, de ser a frase verdadeira, não existiria debate. Mas o blog é parada diária minha.

Contemporânea: Não deve haver muita gente que conheça o Biscoito e não conheça o blog da Carla, mas ela não poderia faltar na lista. Jornalista, acadêmica, dona de um texto límpido e cristalino, com ótimo tino para encontrar materiais de reflexão por aí, ela assina um dos melhores blogs do Brasil, na minha opinião. Foi muito louvável a decisão de instalar a moderação nos comentários, porque o que acontecia ali (e ainda acontece, mesmo com a moderação) é de desanimar qualquer blogueiro. Já não tenho condições nem tempo de debater em caixa de comentários alheia, mas incentivo os leitores interessados a que passem por lá e participem da discussão, quando possível.

Hermenauta: confesso que achava que ele vivia gastando tinta inútil quando dedicava tantos posts a desmontar Olavo de Carvalho, mas hoje dou o braço a torcer – os sopapos diários de Hermê ao Reinaldo Azevedo são essenciais para questionar a credibilidade dessa verdadeira barricada de extrema-direita intolerante e falastrona hospedada no portal da Veja. Confiram, por exemplo, o post de hoje, desmontando a mentirada de que nas grandes democracias não existe regulação de conteúdo televisivo como o atualmente proposto pelo governo brasileiro.

Ao Mirante, Nelson!: porque pensa melhor quem pensa dando risadas. Os textos do Almirante são clássicos instantâneos de erudição e verve. Se você nunca leu um post chamado Se os diálogos de Platão fossem pelo MSN – encontre lá -- você ainda não conhece a contribuição brasileira aos top 5 da história da galáxia blogueira.

A Feminista (a quem deixo as condolências pela recente perda do pai), o Imprensa Marrom e o mais jovem Catatau também já me fizeram pensar muito. Que ninguém se sinta obrigado a repassar o meme, pelamor.



  Escrito por Idelber às 14:03 | link para este post | Comentários (11)




Giorgio Agamben

Agamben.jpgCapitaneado pela antenada Mànya Millen, o Prosa e Verso deste sábado (link para cadastrados) dedicou uma página a Giorgio Agamben, filósofo italiano com cinco livros lançados em português, mas ainda pouco conhecido em terra brasilis. As duas resenhas – a cargo de Pedro Duarte de Andrade e Alberto Pucheu – celebram o lançamento de Profanações (Boitempo) e A Linguagem e a Morte (pela atentíssima editora da UFMG). Os livros já publicados no Brasil anteriormente, Estado de exceção, Homo Sacer e Infância e História, são até mais capitais para o pensamento de Agamben mas -- é claro -- são de se saudar os lançamentos recentes. Infelizmente, as resenhas de Andrade e Pucheu são úteis para quem já leu Agamben, mas não muito amigáveis para quem nunca o leu – contextualizam-no muito pouco. Em todo caso, para os que acompanham o pensamento italiano contemporâno, cabem duas observações sobre Agamben:

1. Ele tem pouquíssima – se é que tem – relação com o chamado pensiero debole, o “pensamento frágil” associado a Gianni Vatimo, que celebra, de alguma forma, a queda dos universais como “pátria” e “Deus” e tenta armar, a partir daí, uma ética da precariedade. Não é essa a turma de Agamben.

2. Tem ele também pouquíssimo que ver com o marxismo obreirista italiano de figuras como Toni Negri que, a partir de uma leitura eufórica da globalização, enxergam o novo comunismo nos lugares mais insólitos, até no Bolsa Família de Lula.

Agamben é um pensador que propõe menos saídas, celebra menos, indica menos caminhos. Arrasta-se no pensar com um pouco menos de pressa. Meu livro favorito de Agamben é O que resta de Auschwitz: A Testemunha e o Arquivo (ainda inédito em português, acho), onde encontramos frases como :

a notícia atroz que os sobreviventes carregam dos campos para a terra dos seres humanos é precisamente a de que é possível perder a dignidade e a decência para além da imaginação, de que ainda há vida na degradação mais extrema. E que esse saber agora se torna a pedra de toque pela qual se medirá e se julgará toda moral e toda dignidade.

Capital mesmo para o pensamento de Agamben é a definição de Carl Schmitt (sim, o conservadoríssimo e católico jurista alemão) do soberano como aquele decide sobre o estado de exceção . O conceito de estado de exceção tornar-se-ia chave para Agamben e inspiraria um belo livro, dedicado a pensar o problema da exceção (à lei, especialmente) no mundo pós 9/11 e pós-bombardeio ao Afeganistão. O vetusto debate entre as correntes jusnaturalistas e positivas do direito é revisitado por Agamben em outro livro elegantíssimo, Meios sem fim (Mezza senza fine, de 1996, que eu saiba ainda inédito no Brasil), onde ele revira de ponta a cabeça o debate jurídico sobre meios e fins.

Mas os conceitos pelos quais Agamben é mais conhecido são os de homo sacer e de vida nua, noções que ganharam ainda mais relevância depois da instalação dos campos de tortura em Guantánamo: com homo sacer Agamben nomeia aquele humano no limite do animal, aquele humano cuja morte não tem epitáfio e cuja existência é completamente descartável. Com vida nua ele designa esse estado de vida / morte, próprio a esses humanos: árabes torturados em Guatánamo e palestinos mortos sem epitáfios hoje, vítimas do regime do apartheid na África do Sul de uns poucos anos atrás. Figuras cuja proliferação diz algo, argumenta Agamben, sobre o mundo contemporâneo.

Traduzir mais citações eu não poderia, já que só possuo Agamben em inglês, os originais em italiano da biblioteca estão emprestados e eu jamais cometeria com vocês a deselegância de traduzir do inglês um texto escrito originalmente em italiano. Mas os importantes livros Homo Sacer e Estado de exceção estão disponíveis aí no Brasil, em boas traduções. Com certeza vale a conferida, mesmo para quem não é leitor costumeiro de filosofia.



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segunda-feira, 21 de maio 2007

Entrevista exclusiva com Paulo Cesar de Araújo

paulo-cesar.jpg O trabalho de Paulo Cesar de Araújo é meu conhecido desde o revolucionário Eu não sou cachorro não: Música popular cafona e ditadura militar, obra monumental em que o autor analisa a música brega dos anos 70 e mostra, surpreendemente, que ela foi até mais censurada que a velha MPB -- trajetória que a academia e o jornalismo foram demasiado míopes para ver e que só a partir da obra de Paulo Cesar começou a ser devidamente estudada. Paulo Cesar é o autor de Roberto Carlos em Detalhes, obra cuja proibição inicial o Biscoito noticiou em primeira mão e a cuja posterior circulação na internet nós também demos vazão. Paulo Cesar estará em Tulane University, New Orleans, em março de 2008, para uma conversa sobre o caso. Por enquanto, aqui segue uma entrevista exclusiva com o historiador e pesquisador baiano, um dos maiores conhecedores da música brasileira popular. É honra recebê-lo aqui no blog.

1- Roberto Carlos se recusou a lhe conceder entrevistas na fase de preparação do livro. Como conhecedor profundo da vida dele, você sabia que ele já havia conseguido bloquear um outro livro, muito menos sério que o seu. Mas em algum momento você imaginou que a sua obra fosse parar na justiça?

Eu não esperava esta reação dele porque meu livro é completamente diferente do livro do ex-mordomo. Naquele o autor apenas relata inconfidências de sua relação de dez anos com o artista. Já "Roberto Carlos em detalhes" é um trabalho de pesquisa e reflexão sobre a moderna música popular brasileira, tendo Roberto Carlos como fio condutor. Além de passagens da vida pessoal do artista, falo de bossa nova, tropicalismo, jovem guarda, festivais da canção, ditadura militar... É, portanto, uma obra informativa e de interesse público, até porque a história de Roberto Carlos pertence à cultura e à memória nacional. Ressalta-se também que Roberto Carlos já foi tema de outros livros como "Roberto Carlos: esta é a nossa canção" de Ayrton Mugnaini Jr e "Como dois e dois são cinco", de Pedro Alexandre Sanches - que não tiveram nenhum problema na justiça.

2- Pelo menos para nós que acompanhamos o caso com interesse, mas de longe, a postura da Planeta num primeiro momento foi bem louvável. Recusaram-se a dobrar ante as ameaças. Qual foi o momento em que você sentiu que os seus interesses não estavam sendo bem representados pela editora?

A postura da Planeta foi louvável não apenas no primeiro momento desta briga judicial como também em todo o processo de produção do livro. Eu tive total liberdade para publicar o livro da forma que quis. Por tudo isso, foi surpreendente a capitulação, que aconteceu exatamente durante a audiência, sem nenhuma reunião ou consulta anterior. Tudo foi decidido no calor da hora.

3- Olhando retrospectivamente, você diria que foi um erro ter se deixado representar na "audiência de reconciliação" pela editora Planeta?

De um lado, penso que se estivesse ali com um advogado próprio aquele acordo não teria acontecido nos termos em que se deu. Por outro lado, dada a disposição de o juiz e os promotores em encontrar uma solução favorável a Roberto Carlos (que era proibir o livro) tenho dúvida se com outro advogado as coisas seriam diferentes. rcdetalhes.jpg


4. Como você já sabe com certeza, o seu livro está circulando pela Internet. Você tem alguma restrição a isso? O que você achou da repercussão que o assunto teve na Internet?

A rapidez e amplitude com que isto aconteceu podem ser vistas como um ato de desobediência civil. Entretanto, não apenas o meu, mas vários outros livros (e também músicas) correm livres na internet. Isto é um dado da realidade atual. O que lamento é que "Roberto Carlos em detalhes" não possa continuar também livremente nas livrarias, na forma como foi originalmente publicado. Seja como for, o importante é que meu livro está vivo. Eu escrevi para ser lido.

4- Você pretende seguir lutando contra a censura? De que maneira?

Estou participando de palestras, debates, discutindo até que ponto a privacidade de figuras públicas deve prevalecer no Brasil sobre a liberdade de expressão e o direito à informação. Acho que esta é a questão central nesta minha polêmica com Roberto Carlos. Meu livro está proibido e vai para a fogueira sem que os advogados do cantor questionem qualquer fato narrado nele. Por isso eles não me processaram por calúnia. Reclamam apenas que o cantor não queria ver este ou aquele episódio narrado no livro. Espero que todo esse debate sirva para sensibilizar a sociedade e o poder legislativo no sentido de definir melhor os limites entre liberdade de expressão e direito à privacidade - direito este que na maioria dos casos é definido em termos muito subjetivos.

5. Com a exceção de um artigo de Paulo Coelho e de uma rápida menção do assunto numa entrevista de Caetano à Folha, a "classe artística" silenciou sobre o episódio. Você se sentiu traído ou abandonado por alguém nesse caso?

Roberto Carlos é uma instituição nacional e muitos artistas ficam temerosos de contrariá-lo. Além disso, muitos cantores-compositores alimentam a expectativa de que Roberto Carlos grave uma música sua; ou aguardam a liberação de alguma música dele para gravar; ou simplesmente esperam um convite para cantar no especial que o cantor faz anualmente na TV Globo. Enfim, esta postura dos artistas é apenas mais um triste capítulo de "a vida como ela é".

O que mais lamento é a declaração do ministro da cultura Gilberto Gil à Folha de S. Paulo (10-05-2007): "Eu acho em princípio complicada essa questão de biografias não-autorizadas. A não-autorização cria espaço para os conflitos. Não vejo por que não produzem biografias autorizadas. Deveriam ter consultado o Roberto. Se o autor tivesse consultado o Roberto, essas coisas teriam sido evitadas". Além de desinformado (durante quinze anos tentei entrevistar Roberto), vê-se que Gil falou apenas como artista e não como ministro. Num momento em que uma obra literária é proibida e condenada à fogueira ele prefere enfatizar apenas o direito do artista à privacidade. Neste caso Gil não se portou como ministro da cultura e sim como um advogado da privacidade.

6-Você tem planos de alguma resposta jurídica ao acordo firmado no mês passado?

Estou me informando sobre medidas legais, ouvindo advogado, juristas. Enfim, estou estudando o caso antes de tomar qualquer decisão.

7. Quais são seus próximos projetos?

Eu tenho material de pesquisa para pelo menos mais dois livros sobre música popular. Depois de "Eu não sou cachorro não" e "Roberto Carlos em detalhes", talvez no próximo eu faça uma síntese geral da MPB. Mas ainda não tive tempo de pensar sobre o tema, pois continuo absorvido por "Roberto Carlos em Detalhes".


8. Nosso amigo comum Christopher Dunn me pede que eu lhe pergunte se o episódio alterou o seu prazer de ouvir a música de Roberto Carlos.

Eu continuo ouvindo suas canções com o mesmo prazer. A diferença é que antes eu ouvia apenas como fã; agora ouço como alguém que entrou na história de Roberto Carlos e compreende as limitações dele.

Obrigado pela gentileza da entrevista, Paulo Cesar. O nosso apoio aqui é incondicional.



  Escrito por Idelber às 05:49 | link para este post | Comentários (38)



domingo, 20 de maio 2007

Gol mil de Romário

romario1000.jpg

As reações irão do viva o baixinho ao a contagem é uma farsa!, mas todas têm algo em comum: fãs e descrentes coincidem no até que enfim!

Romário merece comemorar, posto que o feito era tão importante para ele. Mas foi sim, uma ironia bem significativa que tenha sido de pênalti. Não poderia ser de outra forma -- se o maior de todos, com uma contagem mais rigorosa, teve que aceitar esse destino, é justo que com Romário também assim fosse.

Romário foi o maior responsável pela conquista da Copa de 1994. Mas seu momento mais sublime foi contra o Uruguai, no Maracanã, no jogo que definia a classificação do Brasil para aquele Mundial. O Uruguai levou o 2 x 0 mais barato de sua história. Ali, naqueles 90 minutos, o baixinho foi Pelé.

PS: o ex-Ipiranga que se cuide...



  Escrito por Idelber às 21:10 | link para este post | Comentários (22)




Times inesquecíveis que eu vi, IV

Esta série, que já louvou o Internacional 1975-79, o Grêmio 1981-83, o Fluminense 1975-76, homenageia hoje o Guarani 1978.

guarani2 copy.jpg

Entre 1977 e 1979, poucas cidades do mundo tiveram – se é que alguma teve – duas equipes de futebol comparáveis àquelas de Campinas. Vice-campeã paulista em 77 e em 79, tendo perdido o primeiro título de maneira dramática, suspeita e inesquecível, a Ponte Preta maravilhou o mundo com um meio-campo sublime (Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá), um extraordinário goleiro (Carlos), uma dupla de defensores de área onde jogavam um quarto-zagueiro de Seleção (Polozzi) e um dos maiores zagueiros-centrais que o país já viu (Oscar). Eu me arrisco a dizer que o foi o maior esquadrão da história do Brasil a jamais ter conquistado um título.

Mas a história reservava a grande conquista para os bugrinos. Depois da tremenda injustiça que foi o Campeonato Brasileiro de 1977 – no qual o encantador time do Atlético-MG terminou vice-campeão invicto, batido nos pênaltis por uma determinada equipe de brucutus formada no Morumbi sob Rubens Minelli – o Guarani de Campinas redimiu o futebol arte, o futebol toque-dribles-lançamentos no Brasileirão de 1978. Eu vibrei com essa conquista. Amei Careca. Nem que viva 200 anos, me esquecerei da final em que os campineiros humilharam o arrogante goleiro Leão, do Palmeiras.

Essa inesquecível equipe contava com um volante experiente, veterano de muitas conquistas, que cadenciava o jogo como ninguém. Ele tinha o melhor passe que já vi num ser humano dentro de uma cancha. Qualquer bola que saía de seus pés parecia enviada com as mãos. A equipe contava com um bigodudo exímio cobrador de faltas, que lançava como ninguém. Completando o meio-campo, havia um perigoso e valente meia que recebeu um apelido injusto. Estes dois meio-campistas depois dariam alegrias à fanática torcida do primeiro campeão brasileiro.

Numa época em que se falava muito da morte dos pontas, o glorioso Guarani de 1978, comandado por um mineiro matuto, trazia dois ponteiros natos, um endiabrado ponta-esquerda revelado pelo São Bento de Sorocaba e um ponta-direita que brilharia em outras equipes. Além de tudo,claro, a equipe trazia Careca, essa espécie de duplo menos talentoso de Reinaldo, que tinha, no entanto, mais força física que Reinaldo-- além de ter talento suficiente para encantar o mundo. Careca representou, para quem pensava em reconcilar o futebol-força com o futebol-arte, a possibilidade de um encontro no meio do caminho, que mantivesse, para os torcedores, um mínimo de magia. Ele brilhou lindamente nesse campeonato, marcando 13 gols, assim como o bigodudo que era exímio cobrador de faltas.

Como é de costume nesta série, vocês relatam quem são os profissionais em negrito e qual é a escalação da equipe fotografada acima. Se demorar mais de 24 horas, é humilhação pública para o blog.

PS: para depois que vocês escalem a equipe, fica a pergunta: quantos dos campeões brasileiros de 1978 jogaram no glorioso, no mais amado de Minas, o primeiro campeão brasileiro?



  Escrito por Idelber às 02:54 | link para este post | Comentários (26)



sexta-feira, 18 de maio 2007

Momento bobagem

Ok, agora que o Rafael Galvão parou de falar de putaria, o Biscoito não poderia deixar de preencher o espaço. Dizem que na véspera da decisão da Copa das Confederações, uma empresa publicitária argentina saiu com a seguinte campanha. Depois dos 4 x 1, uma empresa publicitária brasileira devolveu a gentileza:

brazil_vs_argentina.preview.jpg

Perdoname, Linkillo :-) Mas essa era muito boa. Amanhã voltamos com a programação normal.



  Escrito por Idelber às 06:42 | link para este post | Comentários (15)



quinta-feira, 17 de maio 2007

Sobre a violência na virada cultural em Sampa

Roubei o texto que segue do blog do meu camarada Pedro Alexandre Sanches. Ele foi escrito por Franklin Ruão, que é jornalista da Revista Paisà:

DESCULPA BROWN"

POR FRANKLIN RUÃO

"São Paulo, seis de maio de 2007. Praça da Sé, São Paulo. Outono. Agora eu quero ver se a Praça da Sé é o lugar! Quero ver se aqui é o lugar!"

Com estas palavras, Mano Brown dava início ao show dos Racionais MC's que depois se transformaria em uma batalha pelas ruas de São Paulo.

Naquela madrugada não compareci à Praça da Sé para atuar como jornalista, fui apenas como mais um espectador disposto a ver o show junto com a multidão e deixo aqui meu ponto de vista de quem foi testemunha ocular dos fatos e esteve exatamente dentro do olho do furacão.

Às três e quinze da madrugada de domingo, eu e dois amigos (Hector, veterano de vários shows dos Racionais MC's, e Issao, recém-chegado do Japão em féria na cidade) subíamos a alameda Barão de Limeira rumo ao show. Não nos preocupamos em chegar no horário divulgado pela organização da Virada Cultural, porque tínhamos certeza absoluta que o show começaria atrasado.

A Praça da Sé estava completamente tomada pela multidão e as ruas ao redor também. Apenas com muita disposição conseguimos atravessar o oceano de pessoas e nos aproximamos do lado direito da praça, bem onde a rua terminava e começava a calçada. Exatamente em frente da banca de jornal. Notei que apesar da praça estar lotada ainda não havia ninguém em cima da banca que oferecia um local estratégico para ver o show.

Enquanto esperávamos, o teto da banca de jornal já começava a ser tomado por um grupo de pessoas. Simultaneamente outras começaram a escalar a marquise da farmácia que ficava na mesma calçada da banca de jornal e logo dezenas de jovens ocupavam vários andares de todos os prédios disponíveis. Um rapaz pulou na varanda do conjunto comercial, em questão de segundos já estava dentro do prédio, abrindo a janela da sacada ao lado e ajudando seus companheiros a subir.

Não havia ninguém realizando segurança no local, nenhuma força policial do Estado ou seguranças privados. Quando o show da banda de abertura começou, os mais audaciosos já estavam escalando o prédio para realizar pichações.

Do local onde estava pude acompanhar o teto da banca ceder gradativamente à medida que o número de pessoas em cima dele aumentava. Quando o teto estalou pela primeira vez a policia já estava no local. Com a mesma agilidade que utilizaram para subir na banca e nos prédios, todos desceram rapidamente debaixo de golpes de cassetete. Os que haviam invadido o prédio se esconderam dentro dos escritórios.

Tudo leva a crer que a polícia não se manteve no local, pois quando o show dos Racionais começou o grupo de escaladores voltou a ocupar a banca de jornal e os prédios ao redor.

Recordo nitidamente quando o rapaz sem camisa e usando boné que ficou escondido dentro do prédio escreveu com a lata de spray preto "Desculpa Brown" na parede do lado de fora do sexto andar. Quando vi aquela cena, tive a certeza que ele estava escrevendo o testamento de toda a multidão. Pela primeira vez na noite comecei a me preocupar.

No palco era possível ver e sentir todo o carisma messiânico de Mano Brown. Com um visual genuíno de quem sabe do que está falando e usando óculos escuros, Mano Brown logo após a primeira música, parou em um lado do palco e comentou com toda a sua manha adquirida em anos de sobrevivência na periferia: "Dizem que não pode ter show do Racionais... Que a gente fala mal da policia. Quem fala mal da policia?", para em seguida emendar "Eu sou 157", levando o público ao delírio.

A esta altura a PM já começava a bater em todos que estavam nos arredores da banca de jornal. Uma clareira começava a ser aberta. Na parte de baixo da Praça da Sé era possível ver uma multidão que havia sido afastada e isolada pela PM, que agora se preparava para marchar sobre nós.

Mano Brown é o nome mais importante do cenário musical brasileiro da atualidade e será preciso ainda muito tempo e reflexão para compreender todas as idiossincrasias de sua personalidade. Mano Brown não está apenas cantando suas composições, ele realmente acredita de corpo e alma naquilo que está dizendo e sua disposição de ir até o final e sacrificar-se como um mártir ficou clara para todos que compareceram na Praça da Sé naquela madrugada.

Após a multidão incitada ter atirado várias garrafas de vidro, pedras e até barras de gelo contra a PM, tudo que restou foi assistir ao massacre anunciado. Várias pessoas foram brutalmente agredidas. Quando a PM disparou contra nós, fomos empurrados pelos que fugiam, caímos no chão e por pouco não fomos esmagados pela massa que fugia. Issao milagrosamente recuperou seu tênis perdido e junto com outras pessoas tentávamos nos abrigar atrás de uma das palmeiras imperiais que adornam a Praça da Sé.

Durante todo o tumulto, as camadas de espectadores que nos separavam da PM foram sendo retiradas e agora estávamos frente a frente com os homens da tropa de choque. Centenas de pessoas levantaram as mãos mostrando nitidamente para a PM que não estávamos armados e não iríamos atacá-los. Muitos estavam sendo retirados da rua com as mãos na cabeça e Mano Brown reafirmou sua posição de permanecer na Praça da Sé: "Vocês podem ir, eu vou ficar, eu vou ficar aqui".

Neste momento algumas pessoas que estavam com as mãos levantadas começaram a bater palmas, tentando fazer a PM entender que aqueles que estavam sendo detidos eram os verdadeiros baderneiros e que o restante queria continuar assistindo o show em paz. Mano Brown não deixou este fato passar incólume e comentou, visivelmente aborrecido: "Batendo palma pra PM?".

Acredito que na verdade as palmas eram uma ironia contra a PM que estava agredindo a todos indiscriminadamente. Neste momento ficou evidente o abuso de autoridade e o excesso de violência utilizado contra o público. Um soldado que ficaria marcado na memória de todos, com seu bigode negro no melhor estilo de general de república do terceiro mundo, portando uma carabina, disparou contra nós e em seguida recebemos as bombas de gás lacrimogêneo.

Não havia mais nenhum lugar seguro para ficar e corremos em direção ao palco para buscar abrigo. Ao pular a barreira da área VIP em frente ao palco distendi um músculo da perna, mas consegui atravessar a barreira junto com a multidão que também fugia. Olhei para trás e vi Issao tentando pular a barreira, com os olhos irritados pelo gás lacrimogêneo. Mesmo ferido voltei para resgatar meu parceiro em dificuldades, contornamos a barreira e ficamos logo abaixo do palco.

Ainda sofrendo os efeitos do gás, acreditávamos que agora finalmente a PM nos deixaria em paz para poder assistir ao final do show. Mas isto não aconteceu: a tropa de choque continuou agredindo o restante do público que estava concentrado do lado esquerdo da Praça da Sé e que até aquele momento ainda não havia sentido a fúria da policia, pois nós que estávamos no frente absorvermos todo o impacto da primeira onda de ataque.

O público que permaneceu apenas queria ver o show, mas a PM estava determinada a estragar a festa. Eles continuaram atacando até que não houvesse mais condições de permanecer no local. Mano Brown, que já havia mudando seu discurso há algum tempo, tentava acalmar os ânimos e encerrou o show preocupado em preservar a integridade física daqueles que ainda resistiam.

O último desafio foi sair correndo da Praça da Sé. A PM começou a organizar um "corredor polonês" ao mesmo tempo que conduzia todos que fugiam para um verdadeiro beco sem saída. Aqueles que não conheciam as ruas do centro foram seguindo na direção indicada pela PM e com certeza não encontraram nenhuma luz no fim do túnel.

Conhecedor das ruas do centro, segui por outro caminho em relativa segurança junto com meus amigos. Mesmo assim foi impossível esquecer a imagem da multidão seguindo para o matadouro. Este foi apenas um dos muitos detalhes que a imprensa não noticiou.

Esta apresentação do Racionais MC´s já garantiu seu lugar na galeria de shows mitológicos do Brasil, ao lado da banda Sepultura na Praça Charles Miller em 11 de Maio de 1991, show este que eu também compareci e cujo saldo final foi uma morte.

No final perguntei para o meu amigo Issao sua opinião sobre tudo aquilo e para a minha surpresa ele respondeu animado: "Adorei! No Japão não tem nada parecido!".

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Antes da publicação do testemunho de Franklin Ruão, Xico Sá, outra testemunha ocular do ocorrido na Praça da Sé, já havia desmentido a nota à imprensa publicada pela Secretaria de Segurança Pública do governo de São Paulo, que diz que a polícia conteve o tumulto no local. Gilberto Dimenstein, ponderado, argumenta que a violência foi um produto de vários fatores, o que é certo. Mas que a ação da polícia, de acordo com várias testemunhas, parece ter sido premeditada, ah, isso parece. Quem conhece o tratamento normalmente dispensado a pretos, pobres e suburbanos pelas polícias brasileiras não se surpreenderia caso o intuito premeditado e criminoso da polícia se confirmasse. O YouTube está cheio de vídeos do ocorrido que, por si sós, dizem mais que toda a cobertura da grande mídia, que de novo não perdeu a chance de estereotipar os rapeiros e manos da periferia como seres violentos por excelência.



  Escrito por Idelber às 04:55 | link para este post | Comentários (24)



terça-feira, 15 de maio 2007

A Jazz Funeral for Alvin Batiste (1932-2007)

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Bendita a cidade que lembra a morte dos seus grandes com um desfile musical festivo pelas ruas. New Orleans mais uma vez se despediu a rigor de um dos seus gigantes. Alvin Batiste, um dos maiores clarinetistas da história, nos deixou no dia 06 de maio, aos 74 anos, de enfarte, horas antes do que teria sido um show consagrador com Branford Marsalis e Harry Connick Jr. no JazzFest.

Alvin Batiste redefiniu o som de New Orleans no século XX. Clarinetista de incríveis recursos, ia do dixieland mais tradicional às formas vanguardistas mais cabeludas, sem perder a pose. Incorporou toda a influência do bebop e combinou-a com o molejo inconfundível do som de New Orleans. Além de instrumentista e compositor, era um mestre, um professor nato. Dedicou-se durante décadas, na Southern University, a lecionar sua arte. Recebeu quase todos os prêmios a que pode aspirar um músico de jazz, mas percorria as escolas públicas de bairros pobres para compartilhar o que sabia. Estudaram sob Alvin Batiste o trumpetista Wynton Marsalis, os saxofonistas Branford Marsalis e Donald Harrison, o baixista Chris Severin, o pianista Henry Butler, além de centenas de outros músicos. Era amado, idolatrado na cidade. Deixou um legado de inesquecíveis gravações, mas vê-lo ao vivo era a experiência insubstituível.

Por isso, sabia-se que o Jazz Funeral que nos reuniria no úlitmo sábado, dia 12, seria um dos grandes e inesquecíveis. Já de manhã a multidão ia se aglomerando na Praça Lafayette:

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O Jazz Funeral é uma experiência incomparável, fruto da extraordinária cultura musical de New Orleans. O do último sábado, que reuniu uma multidão nas ruas para dançar e cantar em homenagem à memória de Alvin Batiste, foi um marco do renascimento da nossa cidade. Depois da cerimônia religiosa, impecavelmente vestidos, os músicos vão se aglomerando na preparação da homenagem. Desce o féretro:

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A festa é pública e todos os amantes da música são bem vindos. No Jazz Funeral de Alvin Batiste, não faltaram os ex-alunos com souvenirs inauditos da carreira do mestre:

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A música começa em tom solene, com notas graves e extensas, no ritmo conhecido como dirge. Uma porta-estandarte abre caminho, seguida por músicos engravatados e, logo depois, a multidão:

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Ao longo de vários quarteirões, a banda segue com o dirge, enquanto vamos homenageando a memória do morto com uma dança contida:

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Na chegada à histórica esquina de Rampart com Canal, a banda acelera e começa a tocar na batida das brass bands da cidade. A dança vai abandonando a contenção e cai num ritmo frenético. A partida de mais um mestre é lembrada com uma renovação do seu legado de amor à música e à cidade de New Orleans:

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Ao longo do trajeto, especialmente quando nos aproximamos do French Quarter, não faltam os indefectíveis turistas, olhando estatelados, com a cara de quem se pergunta que estranha cidade é esta, onde se celebra a morte com uma tomada ritual das ruas por uma multidão dançante.

PS. Para conhecer a obra de Alvin Batiste, gravada com muito menos freqüência do que teria sido justo, recomenda-se os CDs Bayou Magic (1993) e Late songs, words, and messages (1993).

PS 2. Fotos do post: Ana Maria Gonçalves, que teve seu primeiro Jazz Funeral. Ana também fez filmes do desfile, que eu, por incompetência, não consegui subir ao YouTube. O filminho fica para a próxima :-)



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segunda-feira, 14 de maio 2007

Dos jornais

1. O pai, presidente do Comitê de Direitos Humanos de Antioquia, foi assassinado em 1987 pelos paramilitares que aterrorizavam aquela região da Colômbia. Vinte anos depois, o filho lança, em Buenos Aires, uma reconstituição da vida do assassinado: El olvido que seremos, de Héctor Abad Faciolince. Esperemos uma rápida tradução ao portuga, pois esse calhamaço de 700 parece oferecer, além de um belo panorama do conflito na Colômbia, uma resposta interessante acerca de como representar uma figura paterna positivamente na literatura. O que, se formos pensar bem, é uma baita questão.

2. São aproximadamente 2 milhões de iraquianos fugidos do país e mais 1.9 milhão deslocados internamente: a Guerra do Iraque já é ocasionadora do maior êxodo no Oriente Médio desde 1948. É do New York Times o balanço do lamaçal de exílios criados pela aventura de Bush e cia. no Iraque.

3. Houve gritaria de alguns jornalistas católicos contra o fato de que Bento 16 não teria sido bem recebido pelo governo brasileiro. Acho balela. O Papa foi recebido com honrarias e forte esquema de segurança. Falou em paz e liberdade à grande população católica do Brasil. Ao acenar com propostas estapafúrdias como o regresso da obrigatoriedade do ensino religioso em escolas públicas, recebeu um diplomático não do governo brasileiro, postura que me parece absolutamente correta. Não se pode dizer, no entanto, que a pressão do Vaticano não tenha surtido efeito: a exemplo do que fez no primeiro mandato (naquele momento mais por pressão da bancada evangélica), Lula faz concessões às custas da saúde das mulheres para não desagradar a Igreja. Missão cumprida, pois. Vida que segue.

4. Decidido: na mudança à minha casa definitiva aqui em New Orleans, mês que vem, não carrego comigo o satélite receptor da TV Globo Internacional. O Campeonato Brasileiro que inicia promete ser dos mais medíocres, chatos, moderrentos e nivelados por baixo desde que Manga era um jovem arqueiro que havia sofrido um frango numa Copa. Se Grêmio, Inter e São Paulo são os favoritos, com os times que têm, imaginem o resto. Vou investir meus 40 mangos em ver jogos da Europa. Dá mais certo. Entre a corrupção, as falcatruas de arbitragem, o êxodo de jogadores e a violência nos estádios, a nossa cartolagem consegue arruinar até o entusiasmo do torcedor mais fanático.

Boa semana para todos :-)



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sexta-feira, 11 de maio 2007

A fogueira de livros do "rei" Roberto

bookburn_penn.jpgDepois de perpetrar um dos maiores massacres da história recente do judiciário brasileiro contra um estudioso, pesquisador e fã da sua música, Roberto Carlos fará o quê, agora que o livro de Paulo Cesar de Araújo está disponível na internet, em formato doc ou em pdf ?

Como se sabe, depois da decisão em primeira instância favorável a Roberto Carlos (denunciada aqui), o acordo firmado há 15 dias dá ao cantor o direito de recolher e incinerar os mais de 10 mil exemplares que restavam da obra de Paulo Cesar de Araújo. O acordo proíbe inclusive que Paulo Cesar dê entrevistas sobre o conteúdo do livro. Com a exceção dos protestos nos blogs e de um louvável artigo de Paulo Coelho (link para assinantes), nenhum grande escândalo se produziu nos meios de comunicação de massas depois desse assalto à liberdade de expressão e de pesquisa perpetrado por Roberto Carlos e sua matilha de advogados contra, ironicamente, um dos maiores estudiosos de sua obra - obra que tantos de nós nem achamos tão interessante assim.

Na era da internet, qualquer cerceamento à livre circulação de informações produz o efeito contrário e acaba sendo letal para a reputação do censor. Talvez Roberto Carlos não tenha percebido ainda, mas ele será o grande derrotado desta história. Enquanto isso, vejam a obra que esses crápulas arrancaram das livrarias, com a conivência, estímulo e bênção de um juiz que foi à audiência de reconciliação com cópia de seu CDzinho para Roberto Carlos.

PS: Ainda sobre música, dêem um pulo no Música popular do Brasil. Vale a pena.



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quarta-feira, 09 de maio 2007

Horrendo

Este blog tinha um post ameno quase pronto, concordando com o Juca Kfouri e o Milton Ribeiro sobre os campeonatos estaduais. Mas fica para amanhã.

Hoje, um link a uma monstruosidade: a nota escrita pela Fenaj e pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo depois do assassinato de Luiz Carlos Barbon Filho é das coisas mais repugnantes que uma entidade já disse depois da morte de um ser humano. Ela já foi criticada, devidamente e com elegância aqui e, sem elegância e pelas razões erradas, aqui. Mas atentem para o vocabulário dos guardiões do diploma: insistem em chamar Barbon, que morreu fazendo jornalismo, de "colunista".

Eu, que não faço jornalismo investigativo, aposto a minha credibilidade que a frase O jornal Realidade, de sua propriedade, foi fechado pois nunca esteve regularizado é falsa. Independente de qualquer coisa, ela é infame.



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terça-feira, 08 de maio 2007

Crime à brasileira

Triste o país onde ainda se assassinam jornalistas por terem dito verdades sobre alguns poderosos de plantão: morte anunciada, como costuma ser o caso. Luiz Carlos Barbon Filho foi vítima de um clássico assassinato de encomenda à brasileira, frio, business-like, executado por mixaria a mando de algum bandido desmascarado pelo seu trabalho jornalístico. Eu penso nos garotos de 14 e 10 anos que deixou esse pai, morto de peito aberto por covardes de capuz contratados por algum corrupto, cafetão ou pedófilo. Se esses garotos poderão sempre falar dele de cabeça erguida, também é certo que o legado não substitui o que teria sido estar com esse pai na adolescência, na juventude, na vida adulta – com essa figura que, tudo demonstra, era excelente profissional, bacana, íntegro, dedicado ao trabalho, à investigação e à verdade. Ao longo da dor, Juliana e Luiz Felipe terão orgulho do pai: a poucos a expressão morreu como homem se aplica tão bem como a Luiz Carlos Barbon Filho.

É revoltante que o Brasil, sequer no interior de seu estado mais desenvolvido, não dê segurança básica a jornalistas cujo trabalho investigativo incomoda os interesses de poderosos. Sabia-se de onde poderiam estar vindo as ameaças a Barbon. Como com Chico Mendes e com tantos outros, executou-se a morte como anunciada, com aquele odor de crime de colarinho branco à brasileira, cujos culpados nunca vêm à luz ou, quando são julgados e condenados, acabam por sair da cadeia ou reeleger-se.

Encontrar os mandantes desse assassinato a sangue frio não é só uma questão de justiça para a família, os amigos, os leitores de Barbon. É um daqueles marcos para a própria democracia, um medidor da sua capacidade de garantir liberdade de jornalismo. Encontrar os covardes mandantes e aplicar punição exemplar, mesmo que seja necessário mobilizar a PF e a imprensa nacional numa blitz à cambada de suspeitos na região de Porto Ferreira: não deveria ser muito sonhar com solução assim para crimes tão odiosos.

Num sentido bem literal, Barbon deu a vida pelo meu, seu direito de acesso à verdade: afinal, um país onde assassinos como os de Barbon permanecem impunes acaba cultivando o péssimo hábito de varrer para debaixo do tapete os podres que descobre sobre si.



  Escrito por Idelber às 06:37 | link para este post | Comentários (9)



sexta-feira, 04 de maio 2007

Lançamento das Mothern em BH

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Depois do show de bola que foi a série no GNT, as pioneríssimas e chiquérrimas Juliana Sampaio e Laura Guimarães lançam mais um livro e prefaciam outro. É sábado, no lindo espaço da Traquitana (Major Lopes, 63, São Pedro, ali pertinho da Contorno) a partir das 10 h.

Lá estaremos em espírito. Você aí em BH, não perca.

São as Mothern rumo ao Nobel :-)



  Escrito por Idelber às 02:58 | link para este post | Comentários (7)



quarta-feira, 02 de maio 2007

Festival Internacional de Lafayette

O último final de semana do mês de abril e o primeiro do mês de maio têm sido, para mim, sagrados: é época de JazzFest em New Orleans. Por isso eu nunca havia feito a viagem para o Festival Internacional de Música de Lafayette, que coincide com os primeiros dias do JazzFest. Desta vez, eu e Ana resolvemos abrir mão da festa em New Orleans para viajar até o portal das terras acadianas da Louisiana. Valeu a pena. Em termos de atrações internacionais, o Festival de Lafayette é bem superior ao de New Orleans. Em vez dos abusivos 45 dólares diários cobrados aqui em NOLA, a festa em Lafayette é gratuita e celebrada nas ruas do centro da cidade, onde se armam meia dúzia de palcos bem separados, sem interferência sonora. A comida é um show à parte. Em vez da horrenda Budweiser que povoa o festival neworleaniano, em Lafayette as barraquinhas trazem opções de qualidade como a Heineken ou a Guinness.

Foram três dias de muita música, que começou na noite de sexta com o estranhíssimo som world music do octeto francês Les Yeux Noirs. Eles passam as sonoridades centro-européias e ciganas por um liquidificador pop, com destaque para alucinógenos solos de rabeca:

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A noite de sexta terminou com um belo show de Vieux Farka Touré, filho do legendário guitarrista malinês Ali Farka Touré. A música de Vieux continua a tradição Sonrai desse verdadeiro ícone pop. Dele, infelizmente, não tiramos fotos aproveitáveis.

No sábado, sob um calor nordestino, começamos com o folk feminista das The Malvinas, um trio do Quebec-Texas-Louisiana à base de cordas: violão, bandolim, rabeca, banjo. A moça do Quebec quase se derretia na temperatura de 35 graus, mas elas mandaram bem o recado:

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Daí passamos aos insólitos argentinos do Los Pinguos, que não se parecem com nenhuma música argentina que você já tenha ouvido. Utilizando violões, um tres cubano e um cajón peruano, eles vão da balada politizada à salsa. Confesso que ao ver um bando de argentinos com instrumentos acústicos num palco de dimensões consideráveis, temi por um desastre. Queimei a língua. Os caras botaram a multidão para dançar:

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Depois foi a vez da banda americano-brasileira Rob Curto’s Forró for All. Nada que eu nunca tenha ouvido em Pernambuco, mas o baião e o xaxado eram muito bem executados:

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Depois de um cochilo, só chegamos a pegar alguns acordes daquela que talvez seja a mais ilustre banda de música cajun, o Beau Soleil, que completava seu trigésimo aniversário. Dali a próxima opção era clara. Fomos ver o legendário pianista e vocalista de New Orleans, Eddie Bo, famoso por seu estilo percussivo ao piano e por suas composições que mesclam o melhor do rhythm’n’blues, funk e jazz new-orleaniano. Foi o primeiro show em que dancei com vontade:

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Fechamos a noite com o reggae do jamaicano Clinton Fearon, conhecido como o grande baixista, vocalista e letrista da famosa banda dos anos 60, os Gladiators. Com o show super lotado e nossos corpos exaustos, vimos um pouco e saímos. Mas tinha boa pinta.

O domingo começou com a ponte afro-neworleaniana feita pela Gangbé Brass Band, do Benin. A fórmula é simples: polirritmia percussiva do oeste da África com muitos metais – trumpete, sax, tuba, trombone – na melhor tradição de New Orleans. A energia é contagiante:

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Dali partimos para o show do Afrissippi, produto do encontro entre o guitarrista senegalês Guelel Kumba com Eric Deaton, e o tradicional blues de doze compassos aprendido por ele no Mississippi. Foi um bonito show mas, de novo, nada que não tivéssemos ouvido antes:

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Muito original foi o show das mulheres batuqueiras da Guiné, as Amazones, que subvertem a tradição do homem-percussionista-mulher-dançarina comum nessa região:

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Os dois melhores shows, no entanto, estavam reservados para o final. A Dirty Dozen Brass Band, criticada por puristas desse gênero pela sua incorporação do rock, rap, funk e outros ritmos, comandou um show emocionante, de levantar defunto, que marcava a volta definitiva de todos os músicos da banda ao seu estado depois do furacão Katrina. O show foi pontuado por brincadeirinhas eróticas e alusões à sensacional campanha dos New Orleans Saints ano passado no futebol americano:

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Fechando com chave de ouro, o melhor show do fim de semana. O gigante da world music, o malinês albino Salif Keita, trouxe a banda completa, com kora e tudo, e sacudiu o público durante uma hora. O que mais me impressionou foi a sintaxe cuidadosamente armada da apresentação. Ele alternava canções uptempo com momentos de respiração líricos e emotivos, para logo depois voltar à música mais freneticamente dançante. É uma figura que impõe respeito:

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Fica aí a dica. Na primeira semana de JazzFest, vale mais a viagem a Cajun Country.



  Escrito por Idelber às 04:58 | link para este post | Comentários (14)



terça-feira, 01 de maio 2007

Piadas do campeonato mineiro de 2007

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- Ei, amigo, você viu o quarto gol?
- Não.
- O Fábio também não!

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- Você sabia que o Campeonato Mineiro vai ser decidido no tapetão?
- Não. Por quê?
- Porque o Cruzeiro não aceita o fato de que o Galo jogou as duas partidas da final em casa.

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- Você sabia que com a provável vitória de 4 x 0 do Galo no segundo jogo o Cruzeiro será campeão?
- Não. Por quê?
- Porque o Cruzeiro jogava por dois resultados iguais.

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- Como se chama mesmo aquele grande escritor... Machado Assis?
- Não. É Machado de Assis.
- E aquele grande descobridor, Vasco Gama, não é?
- Não. É Vasco da Gama.
- E aquele grande goleiro do futebol brasileiro, Fábio Costa?
- O do Santos?
- O do Cruzeiro.
- Não. Esse é o Fábio de Costas.

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- Você sabe por que o Fábio teve que pegar duas bolas no fundo do gol?
- Não.
- Porque quando é de quatro as duas bolas têm que estar no lugar.

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PS: OK, amanhã o blog volta à programação normal. Eu prometo. Mas antes, façam o favor e vejam esta entrevista e este vídeo.

PS 2: E aquela investigação do Ministério Público sobre o enriquecimento da família Perrela, alguém sabe como anda?



  Escrito por Idelber às 05:24 | link para este post | Comentários (21)