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sexta-feira, 11 de maio 2007
A fogueira de livros do "rei" Roberto
Depois de perpetrar um dos maiores massacres da história recente do judiciário brasileiro contra um estudioso, pesquisador e fã da sua música, Roberto Carlos fará o quê, agora que o livro de Paulo Cesar de Araújo está disponível na internet, em formato doc ou em pdf ?
Como se sabe, depois da decisão em primeira instância favorável a Roberto Carlos (denunciada aqui), o acordo firmado há 15 dias dá ao cantor o direito de recolher e incinerar os mais de 10 mil exemplares que restavam da obra de Paulo Cesar de Araújo. O acordo proíbe inclusive que Paulo Cesar dê entrevistas sobre o conteúdo do livro. Com a exceção dos protestos nos blogs e de um louvável artigo de Paulo Coelho (link para assinantes), nenhum grande escândalo se produziu nos meios de comunicação de massas depois desse assalto à liberdade de expressão e de pesquisa perpetrado por Roberto Carlos e sua matilha de advogados contra, ironicamente, um dos maiores estudiosos de sua obra - obra que tantos de nós nem achamos tão interessante assim.
Na era da internet, qualquer cerceamento à livre circulação de informações produz o efeito contrário e acaba sendo letal para a reputação do censor. Talvez Roberto Carlos não tenha percebido ainda, mas ele será o grande derrotado desta história. Enquanto isso, vejam a obra que esses crápulas arrancaram das livrarias, com a conivência, estímulo e bênção de um juiz que foi à audiência de reconciliação com cópia de seu CDzinho para Roberto Carlos.
PS: Ainda sobre música, dêem um pulo no Música popular do Brasil. Vale a pena.
Escrito por Idelber às 01:18 | link para este post
| Comentários (33)
#1
Trágico o desenlace dessa história. O blog da Cora Rónai tem o link da Folha. Acho que deveria ter havido uma consulta com o RC antes da publicação. Personalidade ou não, não acho que tudo é válido. Quem quer fazer um conta-tudo deve arcar com as conseqüências. Aqui nos EUA o RC não poderia fazer nada, pelo menos com blog.
A imagem dos livros ardendo me trás à mente "Fahrenheit 451" Sabe o quê? Muita mobilização por uma causa meio que incógnita. Enquanto isso, só no seu blog li sobre o assassinato avisado do
jornalista, um assunto mais relevante para mim.
tina oiticica harris em maio 11, 2007 4:40 AM
#2
Trágico o desenlace dessa história. O blog da Cora Rónai tem o link da Folha. Acho que deveria ter havido uma consulta com o RC antes da publicação. Personalidade ou não, não acho que tudo é válido. Quem quer fazer um conta-tudo deve arcar com as conseqüências. Aqui nos EUA o RC não poderia fazer nada, pelo menos com blog.
A imagem dos livros ardendo me trás à mente "Fahrenheit 451" Sabe o quê? Muita mobilização por uma causa meio que incógnita. Enquanto isso, só no seu blog li sobre o assassinato avisado do
jornalista, um assunto mais relevante para mim.
tina oiticica harris em maio 11, 2007 4:41 AM
#3
Muito obrigado pelo link para o livro. Eu me encaixo no tipo de pessoa que nem acha a obra do RC tão interessante assim. Se não fosse a proibição do livro, eu não teria perdido um único minuto lendo "Detalhes...", ou talvez perdesse algum lendo um excerto em um suplemento literário. Agora eu quero perder algumas horas para descobrir o que RC achou de tão inadmissível na própria história que nem deixou publicar. Tiro pela culatra.
Cássio em maio 11, 2007 9:15 AM
#4
O lado trágico é ter de esperar RC morrer (de velhice, óbvio) para que se comece a venerá-lo como sua obra e personalidade merecem.
Bender em maio 11, 2007 10:07 AM
#5
Não gosto do Roberto e não vou ler sua biografia, mas achei sua atitude vergonha, e fiz questão de linkar o arquivo para download. Sim, Idelber, e não tinha visto ainda que eu estava linkado aqui neste seu prestigiado blog. Grato, abraço e bom fim de semana.
Daniel Lopes em maio 11, 2007 10:43 AM
#6
Anos atrás, dois casos foram bastante ilustrativos do uso que se faz da vida privada de alguém.
O primeiro foi com o escritor Paulo Lins. Ele batizou em na primeira edição de "Cidade de Deus" personagens com nomes de pessoas que existiram. Muitos haviam morrido, e ele acatou a sugestão de amigos de que os moradores da favela leriam o livro porque os personagens tinham nomes de pessoas conhecidas. Deu uma merda total. Depois que saiu o filme, a mãe de um daqueles traficantes perguntou por que o nome do filho dela foi usado num personagem que tinha uma mãe prostituta. Ela disse que nunca havia sido prostituta. Como era um romance, Paulo Lins misturou várias histórias em um personagem. O autor reconheceu o equívoco de usar o nome das pessoas de forma indiscriminada. Na segunda edição, mudou vários nomes.
O segundo caso foi o livro de cartas do Caio Fernando Abreu. O organizador, Italo Moriconi, perguntou às pessoas citadas se elas se importariam em ter seus nomes citados. Algumas disseram que preferiam ficar de fora do livro. A solução foi colocar asteriscos no lugar dos nomes. Foi uma saída excelente e que mostra um alto grau de responsabilidade de quem organiza um livro desses.
Renzi em maio 11, 2007 11:47 AM
#7
E quando se deu atenção devida ao caso na Globo, com uma matéria no Fantástico, ele foi usado de forma distorcida pela emissora para defender os seus próprios interesses:
http://olhaso.nominimo.com.br/?p=541
Edson em maio 11, 2007 12:01 PM
#8
"Botafogo, Botafogo,
Campeão desde 1907
Foste herói em cada jogo
Botafogo
Por isso é que tu és
E hás de ser
Nosso imenso prazer
tradições,
Aos milhões tens também
Tu és o Glorioso
Não podes perder,
Perder pra ninguém
Noutros esportes
Tua fibra está presente
Honrando as cores
Do Brasil de nossa gente
Na estrada dos louros,
um facho de luz
Tua estrela solitária
Te conduz"
Fogão em maio 11, 2007 12:03 PM
#9
Fogao, o post e' sobre o RC e a fogueira de livros, e nao sobre a vitoria do Botafogo em cima do Glorioso Clube Atletico Mineiro. Infelizmente, essas injusticas acontecem de vez em quando : )
Titina, li sobre o assassinato do jornalista aqui tambem: http://rosebud-nyc.blogspot.com/ mas realmente e' pouco.
Voltando ao RC, vergonhosa sua atitude mas alem de tudo perigosa porque gera um precedente de censura e assalto a liberdade de expressao. Acho que a posicao da editora tambem deveria ser discutida. Se bem entendi, a editora nao defendeu suficientemente o autor e acabou se alinhando com RC? Foi isso? Qual seria o papel da editora nesse caso? E essa fogueira de livros, que e' isso? Queimar livros? Nao leria o livro nao fosse essa confusao toda -- agora vou ler.
Leticia em maio 11, 2007 12:27 PM
#10
Como muitos já disseram, também não fiquei muito fã do RC depois que saí da adolescência. Mas é inegável o espaço que ele teve/tem na constelação cultural brasileira. E o livro eu leria, ou melhor baixarei, porque achei o "Eu não sou cachorro não" importantíssimo e estava interessada em ver os frutos de tantos anos de pesquisa do PC Araújo. Mas ainda tem muitos nós a serem desatados nesse rififi todo.
Márcia W. em maio 11, 2007 1:35 PM
#11
Edson, interessante mesmo a leitura que faz o Ricardo Calil do episódio. Eu perdi essa reportagem do Fantástico. Obrigado pelo link :-)
Márcia e Cássio, pois é, acho que muitos dos que nunca foram fãs ou já não eram fãs de RC vão ler o livro com outros olhos. Enorme tiro pela culatra.
Idelber em maio 11, 2007 1:59 PM
#12
Letícia, o que sei da posição da editora é que num primeiro momento foi louvável. Bancou o escritor, fincou pé na liberdade de expressão, recusou-se a tirar o livro das livrarias. No momento seguinte, depois da decisão em primeira instância favorecendo RC, ela parece ter se assustado e partiu para a aceitação de um acordo absurdo. Há que se investigar mais sobre qual foi exatamente a postura da Planeta ao longo do imbróglio.
Renzi, dois excelentes exemplos :-)
Idelber em maio 11, 2007 2:12 PM
#13
Acho espantoso que as pessoas considerem absolutamente normal um escritor, jornalista, sei mais o quê, usar seu talento e sua "liberdade de expressão" para esquadrinhar a vida particular de uma celebridade que não quis lhe dar entrevista, que não autorizou que sua vida particular foi devassada, que evidentemente tem problemas com seu defeito físico, que evidentemente tem dificuldades com a memória da morte de sua mulher,que tem problemas em admitir de público sua vida amorosa extra-conjugal, e que esse escritor se "expresse" parasitando, literária e financeiramente, sobre a carreira e a fama de uma pessoa famosa. Para qual expressão o referido escritor usou a liberdade que a Constituição lhe garante? Expressar o quê? Ele não poderia ter se limitado a relatar a carreira profissional do artista? Pra que esmiuçar e divulgar detalhes que o biografado não deseja divulgar? Não entendo esse uso do conceito de liberdade de expressão (expressão de quê?) para acobertar toda e qualquer devassa da vida de um artista ou de uma pessoa famosa. O que importa para a carreira artística do cantor saber como e quando ele perdeu uma parte da perna, como a mulher dele morreu, com quem ele teve ou deixou de ter casos amorosos?
Vera em maio 11, 2007 11:47 PM
#14
Três coisas recentes:
– O Rei fazendo esse papelão com um livro que era mais uma homenagem que uma biografia (ou uma "devassa").
– O jornalista do Meio&Mensagem sendo demitido por ter incluído no obituário do Frias um "box" sobre a relação no mínimo controversa do dono da Folha com o regime militar.
– O horroroso assassinato do jornalista de Porto Ferreira.
Não era o Iraque que era perigoso para os jornalistas?
E cadê aquele pessoal, afoito para apontar o dedo para a suposta "vocação autoritária" do governo em relação à imprensa, para comentar esses três casos?
Daniel em maio 12, 2007 12:47 AM
#15
Eu acho que o Robert Caro deveria ter pedido autorização ao Robert Moses e ao Lyndon Johnson para escrever a biografia de ambos, assim como Simon Sebagg Montefiore deveria ter pedido autorização à família de Stálin para fazer sua biografia(Ou ter pedido a autorização com um medium). Assim como os jornais deveriam pedir autorização toda vez que falam de Bush ou de Lula.
Eu hein... Cada uma que a gente tem que ler.
André Kenji em maio 12, 2007 1:24 AM
#16
Nota-se, Vera, que você não leu o livro, ou saberia que de "devassa" nele não há nada: praticamente a totalidade do que lá se encontra se refere à carreira pública de Roberto Carlos, que é parte da história da música brasileira. Assim, é claro que sempre foi absolutamente normal, pelo menos nos regimes políticos que costumamos chamar de democracias, que figuras públicas sejam tematizadas em estudos, biografias, ensaios ou análises sem que tenham que dar sua autorização para tanto. Negar isso implica, simplesmente, fechar as possibilidades de que uma sociedade conheça o seu passado e o seu presente.
De ter acompanhado o caso, você saberia que a acusação de que Paulo Cesar estaria "parasitando" "literária e financeiramente" (o que será "parasitar literariamente" alguma coisa?) é risível: não o desmente só a parca porcentagem que cabe ao autor no preço de capa do livro. Desmente-o também a oferta que fez Paulo Cesar na audiência de "reconciliação", de abrir mão de todos os seus direitos autorais, oferta prontamente recusada por RC rumo à perpetração do massacre jurídico.
Da mesma forma, é pura balela o argumento de que RC teria "problemas" para admitir caso com A ou B ou alusão ao acidente como justificativa para a fogueira de livros: também na audiência de "reconciliação" Paulo Cesar ofereceu-se para eliminar todas as passagens "pessoais" que supostamente estivessem incomodando a dondoca - oferta que também foi recusada rumo ao massacre jurídico.
Daí que, pelo visto, sejam muito poucos os que a acompanham ao dizer Não entendo esse uso do conceito de liberdade de expressão (expressão de quê?). Parece-me, a mim e a muita gente, bastante claro de que "expressão" se trata:
Expressão de 15 anos de pesquisa, de compilação de fatos públicos relevantes para a história da cultura brasileira, de organização, estudo e interpretação de eventos comprovadamente verdadeiros que são parte da trajetória de um artista popular e, por conseguinte, da cultura brasileira.
Se você continua achando que RC estava mesmo protegendo-se de uma "devassa" ou de "parasitismo", convido-a a que leia o livro.
Idelber em maio 12, 2007 2:18 AM
#17
Idelber,
O que está acontecendo neste país me assusta. Acho que estamos a maio passo da ditadura.
Alcinéa Cavalcante em maio 12, 2007 2:48 AM
#18
Corrigindo: MEIO passo
Alcinéa Cavalcante em maio 12, 2007 2:50 AM
#19
Fiquei muito chocada com o incêndio dos livros. É legal você elucidar o caso RC. Amanhã sai um link do delicious sobre o assassinato do jornalista em SP.
Gore Vidal declarou ao New Yorker uma vez:
--Quem quer ser romancista tem que optar entre não revelar nada e manter os amigos, ou ser fiel ao público e contar tudo, perdendo assim os amigos.
Vivo pensando nisso. Sei de tantas de celebridades; mas prefiro ficar na minha.
tina oiticica harris em maio 12, 2007 4:08 AM
#20
Caro Idelber
Entre nós, os brasileiros, há muitos que namoram com a CENSURA, quase todos às escondidas. Mas tomamos conhecimento que RC a ama, e quer casar com ela. Pelo menos é o que se observa em relação aos termos CONHECIDOS do acordo Autor x Editora x RC.
O Incrível, Fantástico e Extraordinário é que DA MANEIRA QUE AS COISAS ESTÃO CORRENDO, possivelmente o EPISÓDIO ATUAL (formado por eventos PÚBLICOS) poderá ser banido de um futuro relato sobre a carreira do "Rei", FALSEANDO A SUA RELAÇÃO COM A SOCIEDADE.
A partir de agora, para mim, a imagem de RC estará inalienavelmente associada ao "Fahrenheit 451" (como já lembrado aqui mesmo em outros comentários).
E assim, grandes ídolos populares de nosso país vão, progressivamente, sendo associados a atitudes perniciosas. No passado aquele grande craque se tornou LEI (da vantagem), e agora, em passo acelerado RC poderá vir associado a CENSURA de livros e a manutenção de uma fogueira ávida de engolir livros que desagradem a uns e outros.
Vida que segue.
Paulo em maio 12, 2007 8:32 AM
#21
Então, contar sobre as ações (e omissões) do "Rei" no cenário político, nem pensar, não é? Por outro lado, fica mais enlameado esse caso se acreditarmos nos comentários de que o verdadeiro motivo da ação seria o interesse do próprio RC de publicar suas memórias.
Francisco das Chagas Alves em maio 12, 2007 10:11 AM
#22
Alcinéa, eu, em geral, tendo a ser otimista -- mas confesso que, desde os processos contra você e contra o Paulo Cesar, estou achando a coisa preocupante também.
Idelber em maio 12, 2007 12:57 PM
#23
Idelber, os otimistas acham que estamos no caminho da ditadura. Os pessimistas acham que a gente já está lá.
Um país em que a polícia de um único estado(São Paulo) mata mil pessoas por ano não é democracia. Nem um país aonde biografias de cantores são recolhidas das livrarias após o juiz que ordenou o acordo presentear uma das partes envolvidas.
André Kenji em maio 12, 2007 1:14 PM
#24
É curioso observar que quando o IUTCHIUBI foi fechado provisoriamente caíram de pau na Cicarelli. Só que o Dodozinho namoradinho tem um pai que é amiguinho do pessoal da vara de SP que decidiu fechar o YTube. Foi o segundo processo que determinou isso, aliás não determinou nada. O advogado do Dodozinho se apoveitou de um vacilo do desembargador, saiu anunciando que tinham decidido fechar.
Li em blog jurídico, o Ultima Instância, da uol.com.br.
Elis apoiou a ditadura e na época foi enterrada. Hoje choram por ela. Devemos separar o artista de sua persona
tina oiticica harris em maio 13, 2007 3:49 AM
#25
É curioso observar que quando o IUTCHIUBI foi fechado provisoriamente caíram de pau na Cicarelli. Só que o Dodozinho namoradinho tem um pai que é amiguinho do pessoal da vara de SP que decidiu fechar o YTube. Foi o segundo processo que determinou isso, aliás não determinou nada. O advogado do Dodozinho se apoveitou de um vacilo do desembargador, saiu anunciando que tinham decidido fechar.
Li em blog jurídico, o Ultima Instância, da uol.com.br.
Elis apoiou a ditadura e na época foi enterrada. Hoje choram por ela. Devemos separar o artista de sua persona
tina oiticica harris em maio 13, 2007 3:50 AM
#26
Saudações Cruzeirenses, Caro Idelber!!!
Hein! Mas com relação ao Rei e sua atitude ao iniciar toda aquela briga judicial contra um escritor/pesquisador/fã, acho que nada justifica tal posição. Outro dia eu assistia a um programa de tv(que não me lembro qual)quando famosos opinavam a respeito disso. Acredito, assim com a maioria, que biografia não deve ter a alcunha de "autorizada" ou "não autorizada", afinal, cadê a tal liberdade de expressão? Se o biografado, em questão, discorda ou acha-se difamado ou prejudicado com as informações expressas na obra, que cobre uma posição do autor judicialmente, mas nada de tirar de circulação um trabalho, que bem ou mal, demandou anos de pesquisa. A atitude do Roberto não foi de rei. Sou fã e grande admirador do trabalho do Roberto, mais especificamente do que ele fez nas décadas de 60 e 70, mas não posso compactuar com tal posição. Não tive a oportunidade de ler a biografia, ainda, mas as informações que tive, lendo comentários de gente especializada e respeitada, como o Marcele Tas por exemplo, é que a obra em nada desrespeita o artista em questão, muito pelo contrário. Torço para que esta questão seja revista. Se não, de nada adiantará, pois a internet está aí, como vc mesmo citou, caro Idelber, para oferecer aquem se interessar.
Abraços
Vinicius
Vinicius(Vini) em maio 13, 2007 10:24 AM
#27
Olá, Idelber...Ontem, assistindo ao documentário Cartola, em uma das passagens contam que RC se recusou a gravar o sambista já que não concordava com "as rosas não falam...". Lamentável.
Beijos
Fefê em maio 14, 2007 9:30 AM
Anarquia Digital em maio 15, 2007 3:32 AM
Idelber em maio 15, 2007 4:15 AM
#30
idelber, 1o., aquela Vera nao sou eu, que costumo assinar com minúscula.
2o. embora nao tenha o menor interesse pelo ROBERTUS TIRANOSSAURUS EX REX, já baixei o arquivo.
3o. já viram a nova versao de DETALHES?
(tambem péssima, sem métrica, com o mesmo português ruim, mas...)
Detalhes
Robertus Saurus
Não adianta nem tentar me descrever
Durante muito tempo muita coisa em minha vida, vou esconder
Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra se revelar
E a toda hora que alguém comentar, vou processar!
Se um outro jornalista aparecer na Editora
Fazendo um troco com uma nova biografia, vai levar tóra
O ronco barulhento do antigo celular
A velha calça desbotada que ele ia trocar
Imediatamente sem a grana… isso não vai dar
Eu sei que o mercado livreiro está chateado, com tudo isso
Palavras de indignação contra a justiça, um retrocesso
Duvido que outra Editora tente escrever
Dos erros do meu passado para todo mundo ler
E nessa hora você ver… vai se fuder
A noite envolvida no silêncio do escritório
Meu advogado te lançou, no purgatório
Mas não se meta com quem tem grana e já foi Rei
E olha que você nem contou que eu era gay
Da próxima vez não vá dizer… que eu não avisei
Se alguém ler algum dos livros que não recolhi
Não vá dizer para o meu advogado, que eu permiti
Pensando que esse livro tinha tudo para revelar
Desesperada, a Editora correu pra suplicar
Mas até nesse momento eu fui… te processar!
Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma a Literatura em quase nada
Mas se na internet o livro está liberado
O livro em papel não vai mais ser editado
Só deixo você escrever de mim… comigo do teu lado
Não adianta nem tentar me descrever
Durante muito tempo muita coisa em minha vida, vou esconder
Não adianta nem tentar, vou processar!
Não, não…
__._,_.___
vera em maio 16, 2007 4:22 PM
#31
Ficou demais essa paródia de "Detalhes" :-)
Idelber em maio 16, 2007 5:24 PM
#32
Olá Idelber,
Peguei emprestado alguns dos comentários aqui para ilustrar uma reportagem para o Global Voices sobre a cobertura dos blogs neste 'affair' do Rei.
"Brazil: The Once and Future(?) King"
(http://www.globalvoicesonline.org/)
Abraço, e obrigado pelo sempre ótimo trabalho.
jose murilo junior em maio 18, 2007 5:26 PM
#33
Caro Idelbar,
Paz e Bem
O direito de se expressar livremente sobre a realidade brasileira está cada vez pior.
Tenho ou tinha um blog chamado Coaripolis e por fazer uma leitura crítica da minha cidade que se chama Coari, localizada no centro do Estado do Amazonas, tive meu minha senha roubada, meu acesso ao blog tomado, assaltado.
E o pior o grupo que fez isso ainda postou em meu nome, um post totalmente contrário ao que o blog sempre se propôs.
É esse um país democrático?
Onde está a liberdade de expressão, que quando tentamos nos expressar livremente, nossa vida é invadida, roubada?
Abraços,
Francisco josé.
Francisco José em maio 19, 2007 12:22 PM
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