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quinta-feira, 24 de maio 2007

A idioletice de Aldo Rebelo

Já falou-se muito de liberdade de expressão aqui no blog, e eu já me posicionei várias vezes acerca de processos judiciais onde foi cerceada a expressão de alguém. Jamais achei que o direito à livre expressão tivesse fronteiras com o direito à calúnia (se Diogo Mainardi disse que Franklin Martins traficou influência no Congresso Nacional e participou da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo, que apresente provas do que disse ou que responda pela sua boca na justiça; é o que acho que vale dizer sobre esse caso).

Mas o processo que é matéria deste post é outro, é claramente de liberdade de expressão e me é muito caro, porque trata de legislação sobre o uso da língua portuguesa. Para quem acompanhou os primórdios deste blog, é assunto antigo. Mas não o é para quem chega agora, e por isso vale a pena recapitular a história: na sua coluna da semana passada na Veja, Millôr Fernandes confirmou que está sendo processado por Aldo Rebelo por ter chamado de idioletice o projeto do deputado que proíbe estrangeirismos na língua portuguesa. O projeto, na sua imensa ignorância (e quem o chama de ignorante sou eu, Idelber Avelar), determina o seguinte:

Todo e qualquer uso de palavra ou expressão em língua estrangeira, ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... será considerado lesivo ao patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da lei. . . . Toda e qualquer palavra ou expressão em língua estrangeira .... ressalvados os casos excepcionados nesta lei ... terá que ser substituída por palavra ou expressão equivalente em língua portuguesa no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data de registro da ocorrência.

Quem quiser ler a excrescência por inteiro, pode fazê-lo aqui. Sobre esse projeto, Millôr comentou, na Folha: "Ele sabe do que está falando? Quanta idioletice!". Resposta do Dep. Aldo Rebelo? Um processo judicial.

Há que se dizer, em primeiro lugar, o seguinte: o projeto de Aldo Rebelo é de ignorância mastodôntica, infinita, no que diz respeito a como funciona a linguagem. Eu não sou o primeiro profissional da área de letras a dizê-lo. O prof. John Schmitz, da UNICAMP, já escreveu seis ensaios demonstrando a encefalia da coisa. Meu amigo Mario Perini, lingüista da UFMG, com elegância, já desancou o absurdo. Para resumir o que colegas mais pacientes que eu diriam de outra forma, o projeto de Aldo Rebelo contra os estrangeirismos é de imbecilidade:

a) sociolingüística, porque ignora que sobre a língua viva não se legisla.

b) filológica, porque não sabe que a evolução da língua inclui a incorporação de vocábulos estrangeiros. Ou será que a digníssima esposa do deputado usa porta-seios, ao invés de sutiãs? Será que ele ignora que este último foi, um dia, um vocábulo estrangeiro?

c) pragmática, porque ignora que cada falante, individualmente, tenderá a ter a capacidade de selecionar os estrangeirismos adequados para cada contexto e, no caso de não fazê-lo, a própria interação subseguinte com os outros falantes atuará, corrigindo-o.

d) psicolíngüística, porque quer cercear legislativamente o leque de escolhas lexicais do falante da língua.

Em outras palavras, em todos os ramos da linguística, o projeto do deputado Aldo Rebelo – conhecido por querer instituir o dia do Saci Pererê e legislar sobre a composição da farinha de mandioca – é de uma idiotice sem fim. E ele está processando Millôr porque este chamou o projeto de idioletice (criação do Millôr, claro, formada pelo sufixo -ice na palavra "idioleto", que significa língua ou dialeto individual).

Agora imaginem: como explicamos para o deputado que, ao processar Millôr por chamar sua excrescência de projeto de idioletice, ele está passando o atestado de idiotice mesmo? Ou seja, está automaticamente julgando seu reclamo improcedente? E quantos querem apostar que há juiz por aí que daria ganho de causa ao digníssimo xenófobo deputado sobre Millôr neste processo?



  Escrito por Idelber às 05:38 | link para este post | Comentários (32)


Comentários

#1

Olha, vou te dizer q eu O-D-E-I-O quando usam palavras estrangeiras desnecessariamente, mas isso é questão de estilo.

Simplesmente não dá para entender como uma pessoa tão pouco culta consegue liderar alguém na Câmara dos Deputados. É, sinceramente, um mistério.

Bender em maio 24, 2007 8:53 AM


#2

Idelber, eu não vou apostar, porque poderia ganhar, então...E de dentro do judiciário a gente vê cada coisa que não seria mesmo surpresa ver o deputado ganhar. Abraços.

Nalu em maio 24, 2007 8:57 AM


#3

Idelber, a gente tem que escolher a data e a hora em que vamos matar a língua, ou melhor, em que vamos cristalizá-la.

Já pensou a maravilha de ler autores do passado como se fossem contemporâneos?

Fico pensando em como me referir a meu i-Pod sem utilizar estrangeirismos... Toca-mp3? Mas mp3 pode?

Ai, Jisuis!

Milton Ribeiro em maio 24, 2007 9:07 AM


#4

Idelber, o erro do deputado é pecar pelo rigor e pelo excesso. Mas considero que há algo de válido e importante na preservação da Língua, posto que a Língua é a mais importante definidora de nossa identidade. Evidente que sou contra leis que me obriguem a falar dessa maneira ou de outra, escrever assim ou assado. Sou contra, evidente. Agora, eu também não concordo com a quantidade de estrangeirismos usados sem necessidade - sobretudo na imprensa. Na Argentina não é preciso que uma lei regulamente essa questão: a própria sociedade civil, muito mais organizada, culta e politizada do que a nossa, se encarrega de proteger a língua-pátria. São poucas as lojas de Buenos Aires que levam nomes em inglês em seus luminosos, por exemplo. E não vejo nisso nenhum radicalismo ou xenofobia por parte dos vizinhos. Mas esta é uma discussão longa e não cabe aprofundar agora, pois precisaria me informar melhor sobre a lei do Aldo Rebelo. Um político que sempre teve meu voto mas que dificilmente o terá de novo - não por esse motivo, mas pelo papel subserviente que assumiu na polêmica do aumento do salário dos deputados. Isso sem falar na decepção de vê-lo em foto, ao lado da mulher com chapéu pomposo, no afetado Jóquei Clube do Rio de Janeiro. Quer estrangeirismo maior do que freqüentar o Jóquei vestido como se estivesse na Europa da década de 30?

Bruno Ribeiro em maio 24, 2007 9:48 AM


#5

Acredito que a língua de um povo é construída pela sociedade, no decorrer de sua história. A língua reflete o que foi ou é a sociedade que a emprega. Assim, o espanhol de Madri é diferente do espanhol do Chile ou da Colômbia, como o inglês de Londres é diferente do australiano. Do mesmo modo, Português de Portugal sempre será diferente do angolano, do brasileiro e assim por diante (ainda que se utilizem regras gramaticais comuns...). Desse modo, entendo que o problema do deputado (além da infinita falta do que fazer) está relacionado com liberdade de expressão e democracia. Aliás, palavra que - segundo o Huaiss - só entrou para a íngua portuguesa em mil seiscentos e lá vai pedrada. Será que o próximo passo será obrigar-nos todos a falar Tupy?

Ana Carolina em maio 24, 2007 10:57 AM


#6

Até concordo que há um uso bem idiota de estrangeirismos, especialmente em alguns contextos (empresariais e comerciais, por exemplo, com os novos usos de "sold" e "off"). Agora, o distinto deputado poderia muito bem é virar os olhos para a educação, por exemplo. Uma boa educação traria de forma muito melhor os resultados que ele quer, a partir de uma boa cultura. Imagine só, agora até pra falar teria frescura, heheh

catatau em maio 24, 2007 11:12 AM


#7

Meu caro,

concordo com você, o projeto do Rebelo é realmente muito ruim, inclusive o considero bastante autoritário e xenófobo, em busca de uma suposta pureza da língua que nunca existiu. Como é que se pode falar em preservar o português de "influências estrangeiras" quando nosso idioma é fruto de uma tremenda e belíssima mestiçagem de línguas, tais como latim, árabe, os idiomas indígenas e africanos etc.

Abraços

Mauricio Santoro em maio 24, 2007 11:34 AM


#8

Meus caros, com vossas licenças, vou me desobrigar de responder individualmente os comentários hoje.

A internet por aqui está insuportavelmente lenta...

Idelber em maio 24, 2007 12:43 PM


#9

O caro colega deputado não sabia o quê quer dizer idoleto. Sei porque estudei lingüística.
De qualquer maneira, não estaria Millôr resguardado pelos direitos de crítica à figura pública ?

Na França a Academia de Letras cria logo que aparece palavra nova uma correspondente em francês. Só não pegou courrier élétronique. O computador é l'ordinateur e por aí vai.

Tento usar o português o mais possível. Sou do tempo da calça de brim. É minha maneira de ajudar a preservar a língua; usar palavras de alto e baixo registro do português. Rendi-me ao "nerd".

tina oiticica harris em maio 24, 2007 1:24 PM


#10

Idelber,
esta semana Bill Richardson, governador do Novo México, anunciou sua candidatura à presidência dos EUA em um programa de radio latino em Los Angeles, com as seguintes palavras: anuncio ahora mi candidatura a la presidencia de los estados unidos. O anúncio em espanhol (Bill Richardson é filho de mãe mexicana e fluente na língua materna) foi tema de um programa de radio agora a terde na NPR. O que diriam Aldo Rebelo ou ainda o público brasileiro em geral se um candidato gaúcho fizesse um anúncio desses em alemão ou um candidato paulistano fizesse o mesmo em japonês?

fernando lara em maio 24, 2007 3:20 PM


#11

Idelber
Às vezes o Leviatã entende proteger o cidadão da selvagem Natureza até legislando sobre o que se deve dizer ou não. Além de todas as razões lingüísticas que fazem o projeto ser uma excrescência, adiciona-se a falta do limite das garras do Estado. Esse é o Estado que queremos, que legisla até mesmo sobre o que se fala e se escreve? Adotar uma Norma Gramatical é uma coisa, proibir-me de utilizar termos que quiser na língua que eu quiser é bem outra. Ultrapassa a função que o Estado deve ter. O que me tranqüliza é que uma lei dessas tende a cair no ridículo, por ser impossível de seguir. Boa sorte ao Millôr no seu processo.

Cássio em maio 24, 2007 4:01 PM


#12

não era o policarpo quaresma que tinha uma idéia parecida?

Daniel em maio 24, 2007 5:12 PM


#13

Com certeza, Daniel, Policarpo, do grande Lima Barreto, queria eliminar todo o não-nativo, até que caiu na necessidade de fazer-nos voltar a falar Tupi...

Interessante a sua pergunta, Fernando, porque mostra as conotações diferentes que adquire o bilingüismo nos EUA e no Brasil: aqui, é um gesto na direção de uma "minoria", uma população específica -- é um gesto de inclusão (mesmo que ilusória, claro).

No Brasil o bilingüismo é um gesto de exclusão: atira na cara da população a miséria de sua monoglotice. Não há declaração em japonês no bairro da Liberdade que escape a essa conotação que adquire o bilingüismo no Brasil.

Idelber em maio 24, 2007 5:19 PM


#14

Arre, desisto de responder comentários hoje.

Conexão arrastando-se em níveis rubens-barrichellianos...

Idelber em maio 24, 2007 5:24 PM


#15

Excelente texto, Idelber. Realmente não entendo como o Aldo Rebelo nos levou a este ponto.

Juca Azevedo em maio 24, 2007 5:49 PM


#16

Tremento absurdo. AR age como idiota -- e, ei AR, espere!, eu disse "idiota", não "idioleota", não me processeeeee !!

César em maio 24, 2007 7:07 PM


#17

Resposta do Millôr, na Veja do dia 16/05:

Autor do processo, para me tomar R$ 32 200: Aldo Rebelo.

Motivo: quando ele, do alto do seu saber lingüístico, propôs decreto proibindo o uso de palavras estrangeiras em nossos escritos, comentei: "Ele sabe do que está falando? Quanta idioletice!".

Eu escrevia na Folha de S.Paulo quando o absoluto ignorantibus me processou. Sugeri à advogada Silvana Takano, do departamento jurídico da Folha, esta base para minha defesa:

1) Pra mim, laico, o processo está "prejudicado" em princípio. O deputado bota como meu este texto: "Ele sabe do que está falando? Quanta idiotice!". Ora, eu escrevi idioletice. O deputado confundiu idioletice com idiotice, o que é uma comprovação da mesma.

2) Parêntesis: A língua é a mais complexa, a mais milagrosa, a mais estranha, a mais gigantesca e variada invenção humana. Nada menos sujeito a tutelas autoritárias. Agora, mais uma vez, vê-se um cidadão, "eleito pelo povo", propor lei proibindo o uso de palavras estrangeiras em nossos escritos.

Péra aí: está na sua proposta de governo que ele teria autoridade para interferir no que eu falo, escrevo ou pinto em minha tabuleta? Ele sabe, literalmente, do que está falando?

Quanta idioletice!

3) Não coloquei o nome do autor, já que não era o caso, em se tratando de um absoluto leigo no assunto (e anônimo no geral) sobre o qual pretendia legislar – a língua nossa. Será que o Vossa Excelência aceitaria pequena sabatina de português tipo primeiro ginasial?

4) Bem, o "comprometimento da honorabilidade" do moço, como ele diz, pra ser tão grave, precisaria, pelo menos, que eu tivesse usado seu nome. Sem uso do nome a desonra fica restrita ao convívio de seus pares (e ímpares), que devem conhecer muito bem sua honra, e cultura lingüística.

5) Imune a tudo, o parlamentar tem direito total ao uso da palavra. Não pode ser condenado por isso (mesmo quando sua palavra é caluniosa). Por que o jornalista, que vive só da palavra, não pode nem discordar da legislação semântica do parlamentar sem ser tungado em R$ 30 200?

6) Embora não seja necessário, devido a se atribuir alto conhecimento da língua que defende, explico aqui ao nobre deputado o que significa a palavra idioletice. É palavra criada por mim com sentido evidente. Mas apenas coloquei a desinência ICE na palavra IDIOLETO.

Mas, afinal, o que é idioleto?

Vejamos:

Aurélio: Idioleto: S.m. E. Ling. 1. A fala de um único indivíduo.

Houaiss (definição mais barroca):

Idioleto: Sistema lingüístico de um único indivíduo, que reflete suas características pessoais, os estímulos a que foi submetido, sua biografia etc. (Pertence ao campo da langue, e não da parole, porque trata de particularidades lingüísticas constantes, não fortuitas. Depreendido de dialeto.)

II Nuovo ZINGARELLI – Vocabolario della Lingua Italiana:

Idiolétto: L'insieme degli usi di una lingua carateristtico di un dato individuo, in un determinato momento.

The Oxford Companion to the English Language:

Idiolect: (1940. From greek, idios personal, and -lect as in dialect.) In linguistics, the language special to an individual, "personal dialect".

The Cambridge Encyclopedia of Language. David Crystal:

Idiolect: Probably no two people are identical in the way they use language or react to the usage of others.

A Supplement to the Oxford English Dictionary:

Idiolect: 1948. B.Bloch in Languages XXIV. 7. The totality of the possible utterances of one speaker at one time in using one language to interact with other speaker is an idiolect.

Diccionario de Uso del Español Actual:

Idiolecto: En lingüístico, modo característico que cada hablante tiene de emplear su lengua.

(Importante, deputado: o prefácio deste dicionário é de Gabriel García Márquez. Vale a pena ler.)

1948. Archivum linguisticum:

Idioletical diversity is an inevitable result of the productivity inherent in every single individual linguistic habits.

P.S. Ah, deputado José Aldo Rebelo, vossa advogada, Dra. Zilah Joly, na página 7, linha 6, antepenúltima palavra da linha, de vosso brilhante arrazoado, usa à (a craseado), que mostra certo desconhecimento da língua normatizada. Eu não ligo não, defendo mesmo a tese de que a crase não existe em português do Brasil, mas tem gente no foro que repara.

Idelber em maio 24, 2007 7:21 PM


#18

o projeto de Aldo Rebelo é de ignorância mastodôntica, infinita, no que diz respeito a como funciona a linguagem.

I was reading this and I laughed out loud at "mastodontica" so hard that I woke up my son. Now that's the most original insult I've heard all year!

Idelber, if this law passes....be careful. Your blog comentarios say "Preview."

Mac Williams em maio 24, 2007 11:44 PM


#19

Mac, if this law passes I'll make sure the blog becomes a space of permanent civil disobedience..

Idelber em maio 24, 2007 11:48 PM


#20

Que coisa impressionante!! Simplesmente não dá para acreditar. O Aldo Rebelo para mim é o Severino (triste memória) da esquerda (será que ele é de esquerda?) Que triste saber que existem legisladores desse tipo de pensamento, e pior ainda, já foram Presidentes da Câmara... triste...muito triste. Que baita "Zé Mané"!!!

Gustavo Uriartt em maio 26, 2007 1:30 PM


#21

Concordo na condenação ao idioleta, Idelber, ainda que certos anglicismos que ouço me deixem com azia. Mas língua é coisa para se tratar informalmente, não para prender por lei. Você conhece o livro Preconceito Lingupistico, do Marcos Bagno? Se conhece, que achou dele? Não lhe parece que esticou um pouco demais essa compreensão de que língua é uma coisa viva, feita pelos falantes?

S Leo em maio 28, 2007 4:54 PM


#22

Falou e disse, Mestre Sergio. Quanto ao preconceito linguístico, acho que ele existe e é real -- mas nem sempre está presente só porque foi denunciado. Por exemplo, um professor que insiste com o aluno no uso da norma culta na escrita está simplesmente cumprindo seu papel. Sim, concordo com você que há "denuncismo" no campo da língua também.

Idelber em maio 28, 2007 5:10 PM


#23

O pior é que nem ao menos este é o primeiro projeto de lei imbecil do nobre deputado, Idelber. Há um, mais antigo, em que, resumindo a história, ele propõe a proibição da adoção, por órgãos públicos, de tecnologias que resultem em desemprego. Dá para imaginar as conseqüências calamitosas de uma cretinice dessas?! Aliás, vou até dar uma assuntada para ver a quantas anda essa jóia do pensamento parlamentar brasileiro. Argh. Beijos!

Cora em maio 28, 2007 11:58 PM


#24

Pois é, Corinha, eu cheguei a ler esse projeto que limitava a tecnologia nos órgãos públicos. É o cúmulo mesmo. A maioria dos barnabés já é lenta, sem tecnologia então! Beijos,

Idelber em maio 29, 2007 12:14 AM


#25

A aprovação desse projeto idiolético na Câmara dos Deputados ocorreu logo em seguida à rejeição da CPMF no Senado, ou seja aparenta constituir não algo de mérito em si, porém uma "birra", uma "vingança colegial", juvenil, da extrema esquerda contra a coligação PSDB/DEM. Por que ao invés de preocupar-se em falar privatização ou
"privatization" o governo Lula não desprivatiza a Vale do Rio Doce e o Parque Siderúrgico, retirando politicamente a CSN das garras de Benjamin Steinbruch?

Nicolau em dezembro 31, 2007 9:08 PM


#26

O mais lamentável de tudo isso é saber que essa discussão é muito antiga e que a maioria dos nossos cientistas da língua já se posicionaram contra esse projeto de lei e não foram ouvidos! Até virou livro: "Guerras em torno das línguas". Lá, lingüistas como Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, Marcos Bagno, José Luiz Fiorin e outros não menos importantes fazem comentários muito procedentes sobre o assunto, dando oportunidade para que o referido deputado, baseado em argumentos de autoridade, pudesse voltar atrás em sua idéia. Pena que ele não entendeu nada...

Beatriz Cruz em janeiro 2, 2008 2:37 PM


#27

E agora o projeto passou na CCJ...

Ernesto Dias Jr. em janeiro 3, 2008 4:13 PM


#28

Passeando pela Internet, acabei me esbarrando com esse assunto, achei interessante me dispus a fazer um breve comentário.
1º O projeto de lei é interessante sim, não o li para aprofundar, mas o tema e interessante, talvez cometa alguns abusos, que merecem uma maior discussão.
Mas para mim o que fica e a questão de como o povo brasileiro se reconhece e de como valoriza outras culturas, talvez falando em senso comum, mais do que a sua própria nosso pais é riquíssimo cada estado com suas particularidades culturais. Agora todos se entendem um fala uai, outro sô, Tche, mas todos conseguem se comunicar acredito por ser um País tão grande e com tantas diferenças temos que valorizar sua língua e defende-la, pois será que toda pessoa deste País sabe o que quer dizer 50% off, entre outras para não estender
.
2º A dominação de um povo não se da apenas de forma econômica ou bélica, mas também em sua cultura, porque será que assistimos tantos filmes americanos será que é porque são melhores que os nossos? São mesmo? E as musicas são melhores também? Porque será que aqui não se ouve Jobim e lá sim? E a bossa nova lá fora todos conhece até na América Latina se fala da bossa nova e aqui quem sabe?

3º o projeto já valeu só pela discussão, para pensarmos quem somos realmente, nossas origens. Sei de uma coisa não quero esse modelo americano como modos de vida e na minha opinião a defesa da língua Portuguesa passa por isso.
Sem mais obrigado pela oportunidade. Ah!! Outra questão algumas falas parecem mais torcida de futebol, peço a estes que cometem futebol assim poderão aflorar suas paixões de torcedores e por ultimo mesmo aqui tenta colocar nomes importantes para respaldar o Ataque a Aldo pergunto não tem nenhum lingüista importante que pensa como ele, será?

Mauro em março 6, 2008 7:16 PM


#29

Ó Aldo, pior se o Millor se referisse a sua pessoa como oligofrênico de terceiro gráu.

stanley em março 8, 2008 10:30 PM


#30

Bakhtin é um dos maiores pensadores do século XX e um teórico fundamental da língua. Em Marxismo e filosofia da linguagem está sua teoria da linguagem e do dialogismo. Bakhtin enfatizou a heterogeneidade concreta da parole, ou seja, a complexidade multiforme das manifestações de linguagem em situações sociais concretas, diferentemente de Saussure e dos estruturalistas, que privilegiam a langue, isto é, o sistema abstrato da língua, com suas características formais passíveis de serem repetidas. Bakhtin concebe a linguagem não só como um sistema abstrato, mas também como uma criação coletiva, integrante de um diálogo cumulativo entre o “eu” e o “outro”, entre muitos “eus” e muitos “outros”. Como comunista original, o deputado deveria ter conhecimento sobre esse pensador, e a questão da linguagem, Bakhtin, ao conceber a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação, fez da dialética o seu método na construção de seu arcabouço teórico. A sua dialética é dialógica e está vinculada com a totalidade, com a história, com a interação social. Sua visão de mundo é pluralista e polifônica. Dessa forma, ao privilegiar uma visão mais comunitária da dialética social, Bakhtin afasta-se do marxismo clássico ao dar menos ênfase à determinação econômica. Além de tudo isso, esse famigerado deputado se arvora em conhecer a região norte e fazer o jogo dos militares retrogrados contra a reserva indigena Raposa Serra do Sol, resumindo, seu pocisionamento frente as questões fundamentais e de minorias, são decepcionantes.

Cabesete Martins em maio 16, 2008 7:45 PM


#31

Excelente, espetacular, fabuloso. Adorei o texto, tá de parabéns..

Aldo Rebelo, o idioleta, é um fanfarrão, uma vergonha pra história do PCdoB. Dobra o salário dos ilustres senadores e ainda quer dar uma de vítima no acontecimento, agora até hoje nunca vi ele doar o alto salário q ele se dizia contra né!!

Hikari em junho 5, 2008 12:36 PM


#32

Acho que o projeto é válido para diminuir o exagero de palavras em ingles usadas hoje no Brasil , mas não estamos na época de Marquês de Pombal.

Fabiana Coura em junho 18, 2008 3:12 PM