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quarta-feira, 09 de maio 2007
Horrendo
Este blog tinha um post ameno quase pronto, concordando com o Juca Kfouri e o Milton Ribeiro sobre os campeonatos estaduais. Mas fica para amanhã.
Hoje, um link a uma monstruosidade: a nota escrita pela Fenaj e pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo depois do assassinato de Luiz Carlos Barbon Filho é das coisas mais repugnantes que uma entidade já disse depois da morte de um ser humano. Ela já foi criticada, devidamente e com elegância aqui e, sem elegância e pelas razões erradas, aqui. Mas atentem para o vocabulário dos guardiões do diploma: insistem em chamar Barbon, que morreu fazendo jornalismo, de "colunista".
Eu, que não faço jornalismo investigativo, aposto a minha credibilidade que a frase O jornal Realidade, de sua propriedade, foi fechado pois nunca esteve regularizado é falsa. Independente de qualquer coisa, ela é infame.
Escrito por Idelber às 07:48 | link para este post
| Comentários (21)
#1
Putaqueopariu. Desculpe a boca suja, Idelber, mas não tenho palavras mais amenas para expressar o que estou sentindo.
Que canalhice. Que coisa hedionda.
Marcus em maio 9, 2007 8:45 AM
#2
Mas... eu venho aqui falar sobre outra coisa e leio isso. Que filhas da puta.
Idelber, falamos depois sobre os estaduais. Adorarei ler.
O motivo que me trouxe aqui diz respeito a um post anterior que escreveste. Só ontem, recebi 3 cópias completas, em ".pdf", do livro "Roberto Carlos em Detalhes". A Internet acaba de tornar o livro gratuito. Será lidíssimo!
Abraço.
Milton Ribeiro em maio 9, 2007 9:08 AM
#3
Idelber,
Os jornais da imprensa regional são complicadíssimos e todos enrolados com esquemas de grana, chegando a lavagem de dinheiro e corrupção pura e simples. Entram em chantagnes, achaques e extorsão. Boa parte deles, infelizmente, entra na briga de foice de grupos políticos da maneira mais suja do mundo. O que se sabe do Luiz Carlos Barbon Filho é de seu assassinato. Possivelmente, há mais coisa por baixo dessa história. É preciso saber quem são os mandantes do crime, qual o tipo de relação que tinham com o Barbon.
Quanto à nota da Fenaj, é velha e surrada briga da entidade com as empresas de mídia em torno da exigência de diploma para exercer a profissão. É uma discussão brasileira que não faz sentido para quem mora em outros países. Mas é uma briga que está no Supremo Tribunal Federal (STF).
Quando a Fenaj fala que Barbon não era jornalista e tal, está tocando o dedo na ferida do faroeste da imprensa regional.
Na imprensa regional, liberdade de imprensa é mera questão de dinheiro e de verba publicitária do governo local de plantão.
Renzi em maio 9, 2007 10:40 AM
#4
Caro Idelber
Concordo INTEIRAMENTE com a sua mensagem anterior.
Em relação a atual, sugiro: pesquisar se a FENAJ e o Sind. dos Jornalistas de S.P. não estarão dominados pelos ASSESSORES DE IMPRENSA, ofício muito parecido com o JORNALISMO! Não seria esta a razão para que o JORNALISTA fosse chamado de COLUNISTA?
Perceba que o falecido Otávio Frias foi tratado nos obituários como "PUBLISHER"!!!
Diga-se que blogueiros estão mais próximos do JORNALISMO (no seu sentido clássico) do que os ASSESSORES DE IMPRENSA, que sendo necessários, não exercem o JORNALISMO, Ou seja, eles são assessores JUNTO À IMPRENSA, mas se comportam como se praticassem o JORNALISMO!
Paulo em maio 9, 2007 10:42 AM
#5
Caro Renzi, sim, sim, entendo tudo isso, mas
O que se sabe do Luiz Carlos Barbon Filho é de seu assassinato
não, né? Sabe-se mais. Sabe-se que ele foi o jornalista que desvendou um esquema de prostituição adolescente envolvendo empresários, políticos. Sabe-se que teve que fechar um jornal depois disso. Sabe-se mais um monte sobre os que foram julgados pelo crime.
Que o nome "colunista" é tomada de posição na discussão sobre obrigatoriedade do diploma, eu sei - mas não muda o fato de que ela é repugnante, independente da posição de qualquer um sobre a querela em si.
Não acha?
Idelber em maio 9, 2007 10:49 AM
Charley em maio 9, 2007 12:32 PM
#7
Valeu, Charley, já corrigido :-)
Idelber em maio 9, 2007 12:53 PM
#8
Idelber,
O crime é violento, sim, coisa de jaguncismo. Mas cuidado em transformar o sujeito em mártir.
Falta dizer quem é Barbon? Do lado de quem ele estava quando denunciou as orgias de empresários e políticos? Certamente, não era do lado da "verdade jornalística", do interesse público de informar os leitores. Isso não cola, ainda mais na imprensa regional que não é vigiada e controlada pelos leitores
Pode apostar que a denúncia das orgias foi arma política de um grupo contra seus rivais. No meio, estava Barbon. Pode apostar que ele se meteu em encrenca brava e não era somente um observador dos fatos.
Anonymous em maio 9, 2007 3:35 PM
#9
Renzi e Anônimo
O que vocês estão querendo fazer é querer colocar a culpa no morto. Politicagem ou não, o fato de um jornalista ter feito uma denúncia contra políticos poderosos e ter sido assassinado é algo terrível.
E sim, a imprensa do interior de São Paulo é uma m*(Talvez o Cruzeiro do Sul de Sorocaba e o Vale Paraibano se salvem, mas o resto é bem ruim mesmo), mas mesmo nessa imprensa ruim eu não vejo jornalista sendo morto. Coincidência, não é?
André Kenji em maio 9, 2007 4:59 PM
#10
Fico meio assustado com a discussao. Confundem alhos com bugalhos. De um lado, a Fenaj sem tato nenhum; reação virulenta do outro lado.
Assassinato é assassinato, violência é violência, em qualquer lugar do mundo.
Discussão sobre diploma e sobre o exercício do ofício de jornalista é outra coisa, por esses lados do mundo.
Coitado do Barbon, como ser humano, simplesmente não merecia estar no meio de uma discussão tão virulenta e, talvez, muito mais oportunista que oportuna. Oportuna, agora é a investigação para prender quem mata e quem manda matar.
Isso não muda em nada a questão do exercício da profissão que, certamente, não tem nada a ver com o assassinato.
Mauricio Lara em maio 9, 2007 5:08 PM
#11
Canalhice. Fiadaputice.
Nada mais a declarar.
abraço
marcelo em maio 9, 2007 7:56 PM
#12
Concordo com Mauricio em cada frase escrita [alias, saudacoes e saudades nossas].
Sao duas discussoes pertinentes mas distintas e ambas em nada deveriam mudar o fato de Barbon ter sido assassinado e da necessidade de investigacao. Mas me assusta pensar que ja' imaginamos que essa investigacao nao vai dar em nada. E' absolutamente trivial mas tambem absolutamente perigoso pensar assim em um caso desses.
Abracos,
Leticia.
Leticia em maio 9, 2007 11:24 PM
#13
Acho interessante que tanta gente ache que a discussão está sendo virulenta. Por quê tanto melindre?
É canalhice chamar o cara de "colunista" assim como o é entregar sua investigação a outros poderes políticos. Ele é quem pôs seu pescoço pra fora e créu.
Desculpem-me a franqueza. Não suporto dois traços culturais no Brasil. A mania de diploma, de repente vão criar um curso para "blogueiros". A outra é de querer botar paninhos quentes, turma do deixa-disso, nada disso. Há que pressionar para ver o quê há não por baixo do assassinato, mas por cima. A discussão está mansa, até ;P))
Levaram três anos para achar uns ossinhos que sobraram do Tim Lopes. Não duvido de nada.
tina oiticica harris em maio 10, 2007 2:04 AM
#14
Um dos jornais do SBT apresentados por Carlos Nascimento, afirmou ontem (9/4) que o pai de Luiz Carlos Barbon foi abordado na rua e ameaçado.
P.S.:Em relação ao diploma, é interessante dizer que é a FENAJ o centro do corporativismo. Embora ela seja uma associação muito mais de ASSESSORES DE IMPRENSA, do que de JORNALISTAS. Não sendo necessário o diploma para a imprensa, o que seria da FENAJ e das assessorias de imprensa?
Paulo em maio 10, 2007 6:52 AM
#15
Concordei com o post e entre outros, gostei do comentário do Maurício. E já sei que vou ter pesadelos com o diploma de blogueiro da Tina...
Márcia W. em maio 10, 2007 12:03 PM
#16
Tina
Eu junto minha assinatura ao o que você escreveu. Só um detalhe: muitos blogueiros com formação de jornalistas acham que os blogs nunca serão fonte de notícias para competir com a mídia impressa por causa da formação e "infra-estrutura" dos blogueiros, ou dão excessivo valor a formação de jornalismo num blogueiro.
André Kenji em maio 10, 2007 2:55 PM
#17
caro idelber
escreve algo sobre essa coisa que está ocorrendo com esse peleguismo que estamos vendo. ou não é peleguismo? isso é obra da direita golpista da udn ou a classe operária chegou ao paraí$o?
queria muito saber a sua opinião. mas pra mim é peleguismo puro.
(obs) antes de mais nada espero que voce não me acuse de ser um agente da direita e devo dizer q odeio a revista veja
orlando tavares em maio 10, 2007 3:38 PM
#18
Caro Orlando, o que eu menos faço por aqui é acusar, e a expressão "agente da direita" não é parte do meu vocabulário.
Sobre este caso? Não sei. O que sei está aí nos dois posts.
Eu, de minha parte, aspiro um mundo onde eu possa desgostar tanto da Veja como da Fenaj. Será coincidência o quase-anagrama?
Idelber em maio 10, 2007 3:49 PM
#19
A discussão sobre o diploma de jornalista nada tem a ver com eventual corporativismo, peleguismo ou qualquer ismo de entidades de classe. A discussão sobre o diploma de jornalista tem a ver com o direito da sociedade à informação, é para pura e simples proteção da sociedade e não para garantir qualquer reserva de mercado ou coisa parecida. Qualquer um pode ser jornalista, desde que se prepare para isso.
Mauricio Lara em maio 11, 2007 12:01 AM
#20
Mas Mauricio (um abraço antes de tudo), isso não deveria valer para a maioria das profissoes? Mais preparo durante o aprendizado e mais responsabilidade durante o exercicio. O diploma deveria ser um atestado de minima competencia, mas muita gente que tem diploma se esconde atras de seus respectivos CRMs, CRJs, CREAs e afins. De qualquer forma concordo que isso nao tem nada a ver com um assassinato brutal. Mas cabe também perguntar o que é jornalismo ao invez de se perguntar quem é jornalista.
Fernando Lara em maio 12, 2007 11:25 PM
#21
Claro, Fernando, deveria valer para todas as profissões.
Precisamos não só refletir sobre o que é Jornalismo, mas também sobre que tipo de Jornalismo é praticado por uns e outros. Jornalismo é ofício de interesse público, que mexe com a vida das pessoas. Profissão em que é muito mais fácil fazer o mal do que fazer o bem. Por isso a necessidade de preparação e de reflexão.
Grande abraço.
Mauricio Lara em maio 15, 2007 7:09 PM