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segunda-feira, 18 de junho 2007
Lamarca
A Folha de São Paulo e até mesmo o Estadão são capazes, via de regra, de articular posições conservadoras com tranqüilidade e ponderação. Mas quando o tema é a ditadura militar, ah, mes amis, neste caso costumam sair-lhes as garras raivosas. A propósito da recente indenização concedida à família de Carlos Lamarca, assassinado pelo exército brasileiro em 17 de setembro de 1971 – sim, assassinado, não “morto em combate” --, o Estadão publicou um editorial em que abusa de termos como “facínora” e “terrorista” para caracterizar Lamarca, concluindo com a pérola de que vivemos um despencar generalizado de valores éticos. Talvez a ética da qual o Estadão sinta saudades seja a ética da tortura a adversários políticos, realizada com a cumplicidade dos grandes veículos de mídia que, salvo poucas exceções, docilmente reproduziram as versões e o vocabulário do aparato repressivo. A Folha de São Paulo tem todo o direito de se opor à indenização, mas não tem o direito de mentir, afirmando em editorial que Lamarca foi “morto em combate”, versão amplamente desacreditada pela historiografia do período. A própria Folha reconhece, em reportagem publicada no mesmo dia, que a indenização é simplesmente uma conseqüência da decisão da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça que, em 1996, estabeleceu que Lamarca já estava sob o cerco de agentes do Estado, sem condição de reagir.
Lamarca desertou do exército cinco anos depois que o exército havia desertado da democracia. Junto a outros setores da esquerda que haviam rompido com o PCB, participou da opção pela luta armada que incluiu, sim, assaltos a bancos e uma expropriação de armas do exército, realizada no dia de sua deserção, 24 de janeiro de 1969. Mas não há sentido aceitável da palavra “terrorista” que se aplique a Lamarca. Cuidado aí com a banalização dos termos, senhores editorialistas. Sim, a desastrada teoria foquista, inspirada em Régis Debray e Che Guevara, propunha que a revolução brasileira seria possível a partir das ações de um grupo vanguardista armado e bem treinado, visão adotada por setores da esquerda ante o recrudescimento da repressão, o imobilismo do PCB e a completa desarticulação da oposição democrática. Salvo pouquíssimos casos, seus autores pagaram amargamente pela avaliação equivocada. Mas o termo “terrorista” simplesmente não se aplica.
A indenização à família de Lamarca foi feita nos termos da lei e é independente de qualquer avaliação que se faça sobre a deserção ou a luta armada. Durante anos, o exército propagou a versão de que Lamarca teria sido morto em troca de tiros com agentes do exército. O diálogo que ele teria tido com seus perseguidores, segundo a já desacreditada versão oficial, é digna de algum sargento que assistiu demasiados filmes de bang-bang: ‘Quem é você?’ – ’Carlos Lamarca.’ – ‘Sabe o que aconteceu com a Iara?’ – ‘Ela se suicidou em Salvador.’ – ‘Onde está sua mulher e seus filhos?’ – ‘Estão em Cuba.’ – ‘Você sabe que é um traidor da Pátria?’. Lamarca teria morrido sem responder a esta última pergunta (fonte).
Note-se aí, claro, o clichê cinematógrafico do herói que morre sem responder a última pergunta; a inverossimilhança da declaração atribuída a Lamarca, reconhecendo o “suícidio” de sua companheira Iara e endossando a versão do exército (já desacreditada e revista por historiadores); e, por último, a extrema improbabilidade de que os perseguidores do temido atirador Lamarca se limitassem a “bater um papinho” com um capturado ainda em condições de reagir. Sabem do que falo aqueles que conhecem a sucessão de mentiras produzidas para justificar mortes sob tortura durante o regime militar, desmascaradas em definitivo com o caso Herzog.
Merecem meus parabéns os que deram boas respostas às reações da mídia acerca da indenização à família de Lamarca: o Prof. Luiz Felipe de Alencastro, o jornalista Mário Magalhães (que, sem alarde, vem fazendo um brilhante trabalho como ombudsman da Folha, tendo desconstruído neste domingo o editorial publicado pelo jornal na sexta), Alan Feuerwerker (embora eu não concorde com a analogia entre o regime militar brasileiro e a França ocupada, o que me impede de concordar com a comparação entre Lamarca e Maurice Thorez) e o blogueiro Jayme Serva (valeu, gugala). Foram as vozes mais sensatas a se opor à histeria da mídia que, em sua forma mais abjeta - a da revista Veja , claro - incluiu até mesmo a criação do obsceno termo "bolsa-terrorismo".
PS: Registro a alegria e a honra de ter conhecido pessoalmente alguém cujo trabalho eu admiro muito, o grande poeta e artista multimídia mineiro Ricardo Aleixo.
PS 2: Bem vindo à blogosfera, mestre Antonio Cícero.
Escrito por Idelber às 04:09 | link para este post
| Comentários (52)
#1
Muito bacana o post do Lamarca, mas eu vim mesmo tietar. Acabei de assistir a Ana e o Defeito de Cor no Bom Dia Minas. Mandou muito bem ! Beijos pra vocês.
Fefê em junho 18, 2007 6:51 AM
#2
Uau, editaram rapidinho então, Fefê. A gente achou que de repente só iria ao ar amanhã. Hoje à noite eu assisto no MG-TV.
Leitores: se a página estiver demorando muito para carregar, avisem :-)
Idelber em junho 18, 2007 7:01 AM
#3
Estes editoriais da Idade Mídia são de dar dó. Mas as lúcidas respostas que você mencionou acima fizeram muito bem o trabalho de desmantelar pelo argumento e pela razão as fantasias da direita que se guia pelo id, ou idireita.
César em junho 18, 2007 8:57 AM
gugala em junho 18, 2007 9:50 AM
gugala em junho 18, 2007 9:53 AM
#6
Valeu, Gugala. Já atualizei o post com link ao Jayme e apaguei as gagueiras :-)
Tudo em casa :-)
Idelber em junho 18, 2007 9:57 AM
#7
Idade Mídia mesmo!
Qualquer fato que revolva a ditadura militar deve ser logo escamoteado. Estranho, não?
Estendendo a questão, penso que seja um problema psicológico de nosso país o de não examinar seu passado. Assim, não o pune e nem o preserva. Quando alguém faz isso, é bobagem.
Mais psicologia: quando alguém só fez bobagens no passado, não pode ter grande auto-estima, e a coisa que a direita brasileira menos tem é orgulho nacionalista. (Aliás, é uma característica bem brasileira.) Estou fechando um círculo?
Melhor escrever logo um post.
Abraço, Idelber.
Milton Ribeiro em junho 18, 2007 11:38 AM
#8
Errata: "característica que parece ser exclusiva da direita brasileira".
Milton Ribeiro em junho 18, 2007 11:40 AM
#9
Muito bom! Achei-o mais coerente do que o artigo de Alon - há momentos e momentos na posição de Alon (o mais delicado é aquele, como você bem frisou, no qual compara Brasil e França). Gostei tanto que reproduzi no meu blog. Abração.
Artur Perrusi em junho 18, 2007 11:44 AM
César em junho 18, 2007 12:57 PM
#11
Agora só falta indenizar as famílias das vítimas da chacina de Queimados e de tantas outras chacinas cometidas por agentes do estado.
André Kenji em junho 18, 2007 1:56 PM
#12
Esta é a prova de que padecemos de um atraso intelectual secular neste país. Por mais conservadora que possa ser a imprensa latino-americana, esse tipo de editorial não aconteceria na Argentina, Chile ou no Uruguai, por exemplo. A maioria dos países vizinhos, mesmo os mais pobres, demonstram ter clareza quanto aos conceitos de "nação", "democracia", "ditadura" e "terrorismo". Nós, não. Por aqui a imprensa, - mas também grande parte da classe média - não compreende, não se quer compreender ou age de má fé na observação que faz sobre a época do regime militar no Brasil. É um completo absurdo que ainda associem guerrilheiros com terroristas e que se tente eximir o Estado de toda a culpa pela violência contra civis. Antes de o Exército tomar o poder à força, não havia luta armada. A luta foi conseqüência do golpe e não o contrário, como defendem os jornalistas e até mesmo - lamentavelmente - alguns professores e intelectuais com certo prestígio na praça. Estes revisionistas, em qualquer lugar do mundo onde os direitos humanos são levados à sério, não teriam nenhuma voz. Aqui, no entanto, são tratados como articulistas sérios e responsáveis. Ainda há muito a ser construído nesta democracia tupiniquim fajuta que tentamos implantar desde séculos. Nenhum país pode almejar a ser uma nação rica e soberana enquanto seus heróis continuarem sepultados na vala comum da ignorância. Há muito a ser feito neste país e seu blog, ainda que modesto, presta grande serviço à Pátria, caro Idelber.
Bruno Ribeiro em junho 18, 2007 2:03 PM
#13
Comparação na mosca, Bruno. Mesmo na Argentina, onde a luta armada incluiu explosões em lugares públicos com civis, esse tipo de editorial do Estadão jamais seria publicado -- nem mesmo, digamos, no La nación, que é o jornal mais de direita entre os importantes.
André, acho que essas indenizações aí vão demorar um pouco...
Idelber em junho 18, 2007 2:11 PM
#14
Prezado Idelber, sei que vou ser pesadamente bombardeado pelo que vou escrever, mas mesmo assim vou em frente. Antes, quero que entendas que não sou defensor da ditadura, nem do militarismo. Sou isento, vivo numa democracia e assim acho que as coisas devem ser. Faço uma análise curta da situação. O cidadão Carlos Lamarca lutou contra a ditadura militar. Sabemos que ele não concordava pessoalmente com o regime e decidiu aderir à luta armada contra o regime. Sacrificou-se pelo que achava correto. Não vou chamá-lo de herói, seria ir muito longe. Da mesma maneira, não o chamo de terrorista porque também é sobrevalorizar o que ele fez. Se o Carlos Lamarca como cidadão brasileiro resolveu defender seus ideais, presumidamente democráticos, e o governo brasileiro reconhece nele um símbolo, por que não indenizar? Por que não transformar em prêmio post-mortem o valor perdido em vida? É justo fazê-lo, mas seria necessário fazê-lo com uma promoção militar e uma pensão de general? O Capitão Lamarca foi ladrão, porque roubou armamento, e a seguir desertor. A lógica interna é de que, militarmente, ele é a escória e assim não merece prêmio. Seu reconhecimento deve ser civil mas militar, jamais. Caso a dialética tenha algum valor real, me respondam: a família do sargento Guilherme do Rosário, que morreu na explosão do atentado do Riocentro, não deveria ser indenizada post-mortem e ele, reconhecido como herói?
Cássio em junho 18, 2007 2:14 PM
#15
Bombardeado de forma nenhuma, Cássio, a discordância é sempre bem vinda. Mas deixe-me colocar-lhe só um argumento: a lógica da indenização é independente do que ele fez antes da sua captura. Criminoso ou não -- isso é passível de debate -- ele estava em poder do estado e foi assassinado. Se tivesse morrido em combate, a situação seria diferente aos olhos da Comissão e segundo a letra da lei. Não entendo a comparação com o Riocentro. Lamarca estava em conflito com as agentes do exército. Os militares do Riocentro carregavam uma bomba para explodir um show de música, cheio de civis que jamais haviam transgredido a lei.
Mas a distinção que você propõe entre reconhecimento civil e reconhecimento militar é interessante. Vamos ver se outros leitores têm a mesma percepção.
Idelber em junho 18, 2007 2:24 PM
#16
A qualidade do debate está excelente por aqui. É uma alegria encontrar na blogosfera gente inteligente que ilumina seus pares, em um momento onde a mídia apagada só produz calor.
César em junho 18, 2007 4:42 PM
#17
Queria acrescentar à morte do jornalista Vladimir Herzog a morte do operário Manoel da Conceição. A Igreja resolveu então e somente então tornar público seu apoio ao movimento de massas incipiente.(Não me refiro aos prelados em Goiás)
Como exigir do Estadão ou da Rede Bobo coerência se o Golpe de Primeiro de Abril de 1964 foi tramado em suas salas editoriais?
Como exigir integridade de uma imprensa que pertence a seis famílias no país inteiro?
No tempo pós-Redentora havia duas opções juvenis: a guerrilha, desapercebida, ou o movimento paz e amor. A guerrilha do Araguaia foi divulgada bem depois do fato. A guerrilha urbana gerou leis rígidas contra assalto a banco.
Se foi terrorismo ou guerrilha é parecido com a resposta genial do Bill Clinton à investigação fútil sobre seu sexo (ou não), "It depends on what the definition of is is."
A revista Veja teve seu período heróico, sob direção do Mino Carta. São poucas instâncias de bravura porque não interessam às elites, que são as mesmas, "the same suspects as usual."(Casablanca)
O quê foram os seqüestros de embaixadores que não tinham nada a ver com o peixe? Atos heróicos?
Não faço apologia da ditadura. É importante que verdades venham à tona. É que sinto uma certa náusea nesta distinção entre "guerrilheiro" e "terrorista". Quando estudante na FAU-UFRJ ouvia meus colegas ipanemenhos chamando os sul-americanos de "Terroristas Tupamaros." As duas palavras, terroristas ou guerrilheiros eram usadas concomitantemente, sem distinções clintonianas.
tina oiticica harris em junho 18, 2007 6:09 PM
#18
A lógica é a seguinte, Idelber. O Sargento Guilherme do Rosário e o capitão Wilson Machado também morreram sob a responsabilidade do Estado. Assim, se reconhecemos que lamarca morreu sob responsabilidade do Estado e isso o faz merecedor de indenização, ambos militares citados do caso Riocentro também são. Os dois estavam a serviço, em missão militar, como membros do Exército Brasileiro. Se a missão era torpe, sim, era. Tão torpe e injustificável quanto a tortura o foi, mas resultou na morte de um deles, por ordem do Estado. Um erro não anula o outro, ou dois erros não fazem um acerto. Não consta que o Sargento e o Capitão tenham sido dois soldados que saíram do controle dos comandantes e planejaram e executaram o atentado por si só, o que faria deles terroristas - ou guerrilheiros de outra causa, enfim. Eles eram só a peça final da engrenagem e morreram em serviço. Lamarca era o comandante de si próprio e sabia o que o aguardava caso perdesse a luta. Por estar sob custódia do Estado ele também, vale sim a indenização. Não vale a homenagem, partida de dentro do Estado a um homem que como membro do Estado foi contra o Estado. Se ocorrer homenagem, merecedora afinal, que seja em âmbito social, político, civil, não-governamental. Ou que se homenageie a todos que morreram por uma causa, dos dois lados.
Cássio em junho 18, 2007 6:44 PM
#19
CARO IDELBER
Há uns meses atrás entrei num táxi, no Rio. No painel do carona havia enorme adesivo do Batalhão Suez. Comentei com o taxista texto na Internet sobre a associação gaúcha de ex-integrantes do Suez. A conversa se prolongou e ele disse ter servido no “contingente do capitão Lamarca”. Seguido de elogios ao oficial Lamarca (acredito era tenente no Suez). Acredito que uma questão dramática na vida de Lamarca foi a sua deserção. E em casos assim (mundo à fora), a constatação é que uma instituição muito grande e considerada forte não suporta a deserção de um dos seus. Esta deserção talvez tenha se tornado mais ofensiva, pois sucedeu às fotos da “aula de tiro” (onde caixas de banco preparavam-se para um improvável duelo armado). Creio que foi um brasileiro fora dos padrões (mesmo entre seus companheiros) e talvez por isso mesmo a imprensa (e a Sociedade em geral), não consiga COMPREENDER MUITO BEM sua trajetória. Mas de fato é bastante estranha a lei que se aplica nestes casos (a que democraticamente me submeto, mas não concordo). O professor Luiz Felipe de Alencastro indica a equiparação ao generalato que produz situação curiosa: na força armada (onde não há mais efeito) é muito contestada, na Sociedade (que contribui) é solenemente ignorada.
P.S. Achei curioso, caro Idelber, a sua gradação de "conservadorismo" na imprensa paulista, colocando a FSP como mais conservadora que o OESP.
Paulo em junho 18, 2007 8:38 PM
#20
Penso que nós, 30, 40 e 50tões (tenho 43 anos), não conseguimos dimensionar o que foi a ditadura militar brasileira. Tenho muito respeito pelas pessoas que pegaram em armas e foram à luta na tentativa de restabelecer a democracia; que tiveram um objetivo de vida e largaram o conforto de suas vidas para serem presos, torturados, morrerem ou fugirem para o exílio. A gente não pode esquecer a justificativa para o golpe militar, apoiado pelos EUA, nos primeiros dias de abril de 1964 estampadas em jornais e rádios: "afastar ideologias exóticas que ferem os valores da família cristã brasileira". Jango era comunista? Não me façam rir. Penso que pouco se fez para resgatar nossa História e o Milton foi inspiradíssimo no seu comentário sobre o edital do Estadão. Com a indenização à viúva do Lamarca, avançamos um tantinho naquilo que nos é sonegado, a bem de compreendermos quem somos e como chegamos até aqui na História Republicana Brasileira. Os 40 anos de ditadura foram uma verdadeira catástrofe da qual nos ressentimos até agora.
Claudia Cardoso em junho 19, 2007 2:21 AM
#21
Errata: família do Lamarca. :-) Saco não revisar antes!
Claudia Cardoso em junho 19, 2007 2:24 AM
#22
Voltei para ver se havia progresso. Há alguns anos atrás uma mulher se entregou à polícia em Boston. Tinha reconstruído sua vida em Seattle. A mãe da Courtney Love, vejam só, convenceu a mulher a se entregar para ter uma consciência mais tranqüila. Ela não tinha matado ninguém. Tinha dirigido o carro de agora escolham guerrilheiros ou terroristas que tinham assaltado um banco e detonado um policial.
Fiquei revoltada com a mãe da Courtney Love. Quanto ao Estadão e a Folha, um libelu amigo meu, anos 70, dizia que o Estadão não tinha zigue-zague; é a voz da burguesia. A Folha tem zigue-zague como representante da classe média, ou pequeno-burguesia.
O golpe foi apoiado pelas donas de casa, marcha das panelas, TFP, tudo aquilo que há em documentários. O Jango era fraco, o exército queria uma desculpa e o PCB procurava sede no dia anterior ao golpe. Faltava comida, falta água, faltava luz. Lacerda e Jânio davam voz aos conservadores.
Tenho perspectiva sim. Não peguei em armas. Fiz política estudantil 1975-81 sendo gringa. Aquele lance do Calabouço, lembro-me como se fosse hoje, a manipulação em cima da morte do Edson faxineiro do restaurante. Agit-prop existe.
Marcos de Sá Corrêa deu texto a uma foto da passeata dos 100.000 em algum aniversário do evento. Não havia povo, não havia negros.
E lamento dizer que não vejo a guerrilha como passo certo. Foi impulso juvenil que deu em catástrofe para os menos votados. No final das contas o ato oficial do governo quer dizer o quê, exatamente? Tenho 54 anos, falta-me perspectiva histórica e não entendi até agora.
tina oiticica harris em junho 19, 2007 4:06 AM
#23
É sempre difícil abandonar as paixões para discutir com a razão. Parece-me que as colocações do Cassio são bem pertinentes. A indenização pecuniária à família segue o princípio de que o Estado assume a culpa pela morte de Lamarca. Já a promoção militar me parece descabida. Podemos considerá-lo herói da luta armada, guerrilheiro anti-ditadura, etc... mas aos olhos do Exército ele é um desertor, que lutou contra os interesses das Forças Armadas. Se refletirmos um pouco perceberemos que não há ação sectária ou revanchista no Exército. Estão sendo razoáveis, e só.
Roberson em junho 19, 2007 9:44 AM
#24
Sem palavras para o post e os comentários ...
Cheguei tarde.... Ja disseram tudo ...
Mas quero reiterar o argumento e fazer das palavras de Bruno Ribeiro as minhas...
Ps: Tenho certeza que se cada 10 brasileiros, 3 fossem terroristas como Lamarca, as teriam outros rumos ...
Thi Marques em junho 19, 2007 10:07 AM
#25
Caro Paulo, reconheço que o escrito sobre os jornais era ambíguo: na frase A Folha de São Paulo e até mesmo o Estadão são capazes, via de regra, de articular posições conservadoras com tranqüilidade e ponderação o que eu quis dizer é que o "até mesmo" qualificava a ponderação, não os jornais. Ou seja, a ponderação é mais comum na Folha. Mas reconheço que a frase ficou meio "troncha".
Eu li com atenção os comentários do Cássio e do Roberson, cujas restrições à indenização são de natureza bem diferente daquelas lidas nos jornais. Ainda não sei se concordo, mas são colocações bem mais ponderadas do que as dos jornais.
Concordo com você, Claudia. O Brasil é, junto com o Chile, o país que menos refletiu sobre a experiência vivida sob ditadura e seus legados.
Abraços,
Idelber em junho 19, 2007 10:27 AM
#26
Ideologias a parte, ele assassinou ou não um tenente a coronhadas?
Gustavo em junho 19, 2007 11:17 AM
#27
Sim. O que é irrelevante para a indenização, já que esse crime -- assim como os crimes de torturas cometidos pelos militares -- estão cobertos pela lei de anistia de 1979.
Idelber em junho 19, 2007 11:43 AM
#28
Ei pessoal, só para dar notícia de algumas das blogodinâmicas que se originaram desta postagem do Idelber, La Vieja Bruja escreveu algumas coisas a partir de partes desta discussão que repercuti no meu blog.
César em junho 20, 2007 9:56 AM
#29
Com muita ponderação verifico que a idéia de matar por ideais é aceita com tranquilidade . Devastar sob capa de justiça social é legítimo.Desta forma a nova ética deve construir-se: quando é bom para mim e o Estado paga tudo é válido...
Fernando em junho 20, 2007 10:05 PM
#30
Existe um problema sério de desinformação na imprensa. É uma merda. Não dá para saber até que ponto isso é pura ignorância ou má-fé deliberada (haveria má-fé inconsciente?).
Lamarca não foi "promovido" pelo Governo, mas sim teve uma promoção que resultou de processo julgado pelo Judiciário (óbvio). O Governo fez o que se faz nesses casos: cumpre a decisão.
Uma coisa parecida acontece quando a turma do "deixa que eu chuto" (com o pé direito) se revolta contra movimentos pró-liberação desta, daquela ou de todas as drogas ilícitas.
Não sabem - ou fingem não saber - que as drogas, em específico, são proibidas não por alguma Lei ou coisa que o valha, mas sim uma mera PORTARIA MINISTERIAL.
Essas mesmas pessoas, que lutam com unhas e dentes CONTRA a revisão de tal portaria, condenam o Ministério da Justiça por - sem caráter proibitivo, mas sim indicativo - fazer uma classificação da programação da TV.
Esse neo-pensadores pró-indivíduo acreditam que o cidadão é, a um só tempo, autônomo e idiota. Autônomo, por exemplo, para portar uma arma. Mas idiota na escolha de um entorpecente (álcool e cola de sapateiro pode, maconhe e cocaína não pode).
Muitas vezes pensamos que há uma conspiração da mídia. Faz sentido, mas tenho minhas dúvidas. Talvez seja pura e simples ignorância; somada a uma agressividade provinciada já famosa por parte de uns e outros.
Gravatai Merengue em junho 21, 2007 1:16 PM
#31
Gosto muito deste blog! Faz poucos meses que moro no Brasil, por favor, tentem deconstruir meu portunhol poeticamente :)
Só tinha conhecimento do Lamarca por filmes e algumas menções isoladas. Infelizmente, pouco é o que se lê na Argentina sobre historia contemporânea Brasileira. Terça-feira passada, na sala de espera do meu médico, encontrei-me com a revista Veja (tenho que mudar de médico). Li o artigo sobre "Bolsa Terrorismo" e fiquei chocada: não podia acreditar que esse editorial pudesse ter sido escrito e publicado. Olhei outros exemplares de Veja onde se falava sobre a “esquerda” e também encontravam se apreciações similares. Talvez algumas pessoas achem que na Argentina se fala “demais” sobre a ditadura. Eu, ex historiadora, creio que nunca se fala demais de nada. Só que às vezes não se fala criticamente, não se “traz” esse passado para o presente da maneira mais politicamente produtiva. Contudo, respeito do pouco que li acerca da discussão da ditadura no Brasil, o que mais chamou minha atenção não foi só o fato de que não se fale muito disso, mas também os termos utilizados tanto para demonizar os esquerdistas quanto para defender as políticas de indenizações. Neste ponto, embora não concorda com a sugerência de “criação de heróis” feita por o Cássio (se é que entendi bem o seu comentário) acho a distinção entre reconhecimento civil e reconhecimento militar pertinente. Minha opinião é que uma política de indenizações deveria se basear numa política mais universalista, de reivindicação e de respeito pelos direitos humanos (os do passado, os do presente) e não numa lógica economicista de tipo profissionalista(?). Mas eu não sei muito sob o Brasil. Olhar de estrangeira.
Idelber, obrigada por o blog.
irení
irení em junho 21, 2007 2:19 PM
#32
idelber, compartilho com suas opiniões sobre os abusos que gotejam dos editoriais dos jornalões...
por outro lado, lendo a parte final do seu comentário, fiquei pensando: não parece que vem crescendo a cada dia o número de dissidentes dispostos a expressar opiniões diametralmente divergentes das dos "donos" dos editoriais? tenho achado..., e me pergunto se isso não é um sinal importante de algo muito interessante (e bacana) que vem acontecendo - e que tem, sim, muito a ver cá com nossos territórios blogueiros...
bacana, bacana!
pedro alexandre sanches em junho 21, 2007 5:46 PM
#33
hahaha, pedro, "abusos que gotejam" ficou excelente! E eu concordo com você, é visível que muita gente está se descolando dessa linha oficial dos meios de comunicação de massa. Ao Mário Magalhães, atual ombudsman da Folha, por exemplo, eu só tenho elogios.
Irení, o seu português está excelente; não se preocupe em trocar de médico... As salas de espera dos consultórios em geral trazem as indefectíveis Veja. Mais um motivo para não comprar :-)
Pois é, Gravata, haveria que se fazer um inventário das contradições dos nossos liberais, que recorrem à primazia do indivíduo quando lhes interessa, e tratam-no como boi de manada quando é conveniente...
Nada de novo :-)
Abraços,
Idelber em junho 22, 2007 7:26 AM
#34
Amigos
Cheguei tarde nesse debate.
Mesmo passados 22 anos da redemocratização, não podemos jamais deixar de registrar nosso repúdio à "página - mais - infeliz de nossa história", que foram os 21 anos da ditadura militar, para que não volte a se repetir.
Não podemos esquecer que o golpe militar que atentou contra o estado de direito democrático no País contou com o apoio civil da elite e de amplos setores da medíocre classe média.
Esse pessoal, que atualmente finge ser democrata (democratas de ocasião, certamente), não perde a oportunidade de utilizar conjunções adversativas para, após, justificar os horrores da ditadura.
Esse comportamento é cada vez mais comum na "idade mídia" (peço autorização do autor para usar tão brilhante expressão).
A ditadura é injustificável. O exército que deixa de cumprir sua função constitucional para perpetrar um golpe, não tem autoridade moral e jurídica para qualificar ninguém como traidor.
O exército brasileiro, sim, traiu o povo brasileiro no dia 1º de abril de 1964.
Certamente eu não optaria pela luta armada contra a ditadura, se tivesse idade para tal opção na época. Mesmo assim, reconheço em Lamarca um herói nacional. Lamarca contribuiu com seu sangue para o fim da ditadura.
p.s.: que legal que você participa deste blog, Pedro Alexandre Sanches. Sou fã de suas matérias na Carta, principalmente sobre música "brega". Adorei a matéria com o Odair no ano passado e estou esperando com o Fernando Mendes (autor, entre outras, da obra prima "Sádico Poeta", em 1978).
Ricardo Petrucci Souto
Ricardo Petrucci Souto em junho 22, 2007 7:35 PM
#35
Salve, Idelber! Espero poder revê-lo em breve. Quando puder, passe na minha posse. Grande abraço!
Ricardo Aleixo
ricardo aleixo em junho 23, 2007 12:34 AM
#36
Ricardo, eu não quero ser desrespeitoso com seu ponto de vista, ou com você, mas alguns adendos:
1 - O Exército não julga ninguém como traidor. Por sinal, Lamarca não traiu, ele desertou. Como Voltaire escreveu, entre a palavra adequada e a exata existe uma diferença estreita como um abismo.
2 - Defina povo brasileiro. Como bem lembrou a Tina, a marcha dos cem mil foi uma demostração da classe média carioca. Onde estava o povo durante a "gloriosa"? O povo, nunca-na-historia-desse-país, esteve em revolução nenhuma, com honrosas exceções talvez nas revoltas que explodiram no Norte e Nordeste durante a Regência. 1932, mesmo matando muitos paulistas, foi essencialmente uma revolta da burguesia industrial, que só conseguiu atingir o poder quando mesmo? Em 1964.
3 - "Lamarca contribuiu com o sangue para o fim da ditadura."(*cara de interrogação*) Troque "Lamarca" por "Jesus Cristo" e "ditadura" por "pecados". É só minha educação católica ou não seria mesmo de bom-tom com JC usá-lo como parâmetro para Lamarca?
Anonymous em junho 23, 2007 7:54 PM
#37
Anonymous,
Efetivamente a expressão que fora utilizada em post anterior (do Cássio) era "desertor". Aceito e agradeço a correção.
Ocorre que a minha intenção não era exatamente contestar esse post, mas registrar a minha opinião sobre a atuação do exército no golpe militar. Queria afirmar, com todo respeito às opiniões contrárias, que a instituição traiu o povo brasileiro ao deixar de cumprir seu papel constitucional.
No texto não pretendi discutir revoluções. Defendi e sempre defenderei o estado de direito democrático, contra o qual o golpe militar subversivo de 1º de abril de 1964 atentou violentamente.
A definição de "pecado" depende de critérios subjetivos. Já a ditadura atenta objetivamente contra a dignidade humana.
A resistência de Lamarca, mesmo utilizando discutível método, é claro que contribuiu com o fim da ditadura. Penso que contribuiu bem mais do que a minha participação no comício das "Diretas Já" em minha cidade, por exemplo.
Salvo melhor juízo, realmente não há qualquer possibilidade de comparação entre Lamarca e Jesus Cristo.
Obrigado por ler meu post!
Saudações democráticas.
Ricardo Petrucci Souto em junho 24, 2007 3:37 PM
#38
Ricardo, não sei por que motivo meu segundo post saiu como anônimo, mas sou eu mesmo o Anônimo que respondeu ao seu post.
Uma das coisas que me causa estranheza é o valor relativo que cada uma das ações contra a ditadura ganha. O caso Lamarca em si é emblemático. O Capitão teve uma trajetória pessoal coerente com o que ele acreditava. Provavelmente, por ser militar, por ter em si o germe da luta armada, é que pegou em armas e resolveu lutar contra o que achava errado. Não sei, não sabemos, ninguém nunca saberá se ele acreditava realmente que poderia derrubar o regime. Ele poderia apenas não querer morrer como um cordeiro no abatedouro. É desse contexto que creio que deve nascer o julgamento post-mortem de Lamarca: um homem que acreditou em seu ideal e morreu por isso. Não o de um herói. Heróis são redentores, e isso Lamarca não foi. A Guerrilha do Araguaia coincidiu com um momento de embrutecimento de regime, de suspensão de garantias constitucionais e de fortalecimento da ditadura. A Guerrilha não interrompeu esse ciclo, pelo contrário, ela o fortaleceu. Seguiu-se nos anos 70 o "Milagre Econômico" durante o qual os militares foram mais estáveis do que nunca. A redemocratização é fruto do fim do milagre, da recessão e da inflação, nos anos 80. As Diretas Já, nesse contexto, serviram como um recado bastante claro aos generais: a população deseja a democracia. O país inteiro clamando por democracia tem mais peso do que meia centena de fuzis no Araguaia. Por sinal, pessoas reunidas em uma reunião política são por si só uma demostração de democracia, em plena ditadura. Assim, meu amigo, não tenho dúvida nenhuma que você na sua cidadezinha, junto com todos os outros, teve mais importância na queda do regime do que o pobre Lamarca.
Cássio em junho 24, 2007 9:28 PM
#39
Muito bom, muito bom. Sigo daqui o papo de vocês com interesse. Que continue o debate em alto nível :-)
Idelber em junho 24, 2007 9:33 PM
#40
Entrei na faculdade um pouco antes do golpe de 64. Daí viví a ditadura. Muitas barbaridades foram cometidas pelos militrares, mas também muitas barbaridades foram cometidas pelas esquerdas. Os anjinhos que estão no céu não pertenceram a nenhum dos dois lados. Mas quando lí:
"Lamarca desertou do exército cinco anos depois que o exército havia desertado da democracia. Junto a outros setores da esquerda que haviam rompido com o PCB, participou da opção pela luta armada que incluiu, sim, assaltos a bancos e uma expropriação de armas do exército, realizada no dia de sua deserção, 24 de janeiro de 1969."
Pensei: taí o pensamento vivo da esquerda, que continua lá mesmo: para os inimigos, os rugidos e para os amigos, a Comissão de Anistia. É engraçado que os que querem que o Lamarca seja tratado como um valentíssimo lutador pela democracia (um Che brasileiro?)não se preocupem minimamente com os que ele e outros assassinaram.
Em tempo: pela Wikipedia temos:
"Terrorismo é um método que consiste no uso de violência, física ou psicológica, por indivíduos, ou grupos políticos, contra a ordem estabelecida através de um ataque a um governo ou à população que o legitimou, de modo que os estragos psicológicos ultrapassem largamente o círculo das vítimas para incluir o resto do território."
Era isso que eles faziam? Ah, bom.
Aldo Cosentino em junho 25, 2007 3:26 PM
#41
Caro Aldo,
o pensamento vivo da esquerda é "para os inimigos, os rugidos e para os amigos, a Comissão de Anistia", a qual seria o da direita? No mínimo o mesmo. Se existe um esforço para evitar esse favorecimento, ele vem da esquerda, a direita nunca moveu um passo em favor de qualquer diálogo ou tolerância. Aliás essa mesma direita [ junto com a imprensa que a apoiou] resolveu "queimar" o passado - assim como queimaram muitas vidas. Algum deles fora punido? O Estado tem antes de tudo que preservar a lei, ele tem que ser o último a transgredi-la, porém o Estado Autoritário foi o primeiro a rasgar a letra. Se havia terror, com certeza não era vinda de qualquer guerrilheiro. O terror era de Estado
Jorge em julho 4, 2007 12:09 AM
#42
agora só falta indenizar a familia do capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo, covardemente morto por Lamarca após ter sido torturado, e promove-lo a Coronel.
elton em julho 5, 2007 4:34 PM
#43
Esse é um dos melhores post que já li em blogs. Hesitei um tempão antes de mandar um elogio a alguém já tão elogiado, mas, bolas, a qualidade deve ser incentivada. Vou elogiar quem? Toda aquela turma que afirma peremptoriamente os maiores lugares-comuns?
Paulo em julho 8, 2007 10:01 AM
#44
Sim! Matou um tenente amarrado a coronhadas, Esmigalhou o cranio do kra. A ditadura era péssima mas o regime que esse Filho da Puta queria implantar aqui é no mínimo 10 vezes pior.
Anderson em agosto 29, 2007 11:32 AM
#45
Percebe-se o seu ódio contra os militares.Alem disso, voçê repete todos os clichês do que se convencionou chamar de esquerda. Seria mais interessante voçê ouvir os dois lados ideológicos e opinar. Seria mais justo. Ou para voçê os fins justificam os meios? Uma sociedade fraterna, igualitária e desenvolvida deve ser erguida ou soerguida sem depreciar qualquer lado, direita ou esquerda, pobre ou rico, negro ou branco.Penso que o Brasil está nesta direção, embora o governo esteja contemplando a "companheirada" toda .Quanto ao caso Lamarca,morreu porque reagiu.Foi um traidor, terrorista, assaltante e não lutava por democracia. Queria transformar o Brasil num país comunista. Se tivesse tido êxito, talvez nós não fôssemos vivos e hoje poderíamos estar como Cuba ou como a Colombia.Se existe atraso intelectual, não conheço um maior do que a defesa dos ideais comunistas.Gosto do debate. Civilizado, honesto e respeitando todos os pontos de vista. É covardia um intelectual mentir sobre o fato histórico, contando a sua "verdade".Tem que contar os dois lados.
aureo junior em outubro 1, 2007 6:33 PM
#46
aureo: agradeço o comentário. Quem manifesta esse grau de indignação com um post sobre este tema, usualmente, não assina o nome. Você o faz e já é um grande mérito.
1. Não tenho ódio dos militares. Não tenho motivos pessoais para tê-los. Tenho uma visão crítica do que fizeram no Brasil.
2. Seria mais interessante voçê ouvir os dois lados ideológicos e opinar. Você, me parece, ingenuamente assume que há somente dois lados. Viu como ao recortar já está tomando partido? Implicitamente, nega a existência da possibilidade de uma posição que condene os métodos de Lamarca e ao mesmo tempo ache justa a indenização pelo assassinato que ele sofreu.
3. Quanto ao caso Lamarca,morreu porque reagiu. Não é isso o que dizem as pesquisas históricas. Você, que me acusa de mentir porque "não ouço os dois lados", ou opta por ignorar ditas pesquisas ou as conhece e, bem, mente.
4. Se tivesse tido êxito, talvez nós não fôssemos vivos e hoje poderíamos estar como Cuba ou como a Colombia. Para quem pauta a opinião alheia como "mentira", você toma boas liberdades com os condicionais! Em todo caso, a frase sua é "imaterial": a guerrilha jamais teve chances no Brasil.
5. É covardia um intelectual mentir sobre o fato histórico, contando a sua "verdade".Tem que contar os dois lados. Eu teria "mentido" se tivesse dito que Lamarca jamais matou ninguém, ou que jamais cometeu assalto a bancos. Por outro lado, teria mentido se, como você, tivesse dito que Lamarca "morreu porque reagiu".
Quase nunca as coisas têm só dois lados. E nunca, nunquinha mesmo, "ouvir os dois lados" é garantia de "verdade". Você, por exemplo, acaba de nos confirmar que neste caso em particular, os que exigem que se ouça "os dois lados" estão, em geral, tentando silenciar uma demanda legítima dos que foram vítimas. Abs.
Idelber em outubro 1, 2007 7:39 PM
#47
Eu achei bom pois carlos lamarca foi, um homem que matou muitos.
Eric em outubro 3, 2007 11:06 AM
#48
Se hoje vocês têm democracia,se é que o que está aí pode-se chamar de democracia, vocês devem ao Exército Brasileiro, que cumprindo sua obrigação de defender ao Estado e não a governo, evitou que se instalasse aqui um regime comunista.Houve excesso? Sim, houve, e dos dois lados. Ou vocês pensam que os "guerrilheiros,terroristas,bandidos, assaltantes, etc...",não importa a designação pois todos eram um bando de safados mesmo,eram santinhos?Lamarca poderia ter dado baixa do Éxercito e assumir sua condição de subversivo, direito dele.Mas não,preferiu usar da traição para roubar e assassinar ainda usando o posto que exercia.Atitude digna de um canalha, como são todos que se enveredam por esse caminho,pois fazem de tudo para fazer valer suas vontades.Acabo de ler que uma Juíza Federal suspendeu a promoção de Lamarca a Coronel, bem como a pensão absurda que foi concedida a seus familiares.Tudo bem que ainda cabe recurso, mas é bom saber que no Judiciário tem pessoas bastante esclarecidas para lutar contra este bando que está no poder, se enriquecendo com o numerário público.Mas eles lutaram contra a "ditadura",mataram,roubaram,sequestraram e por isso merecem uma reparação do Estado.E o trabalhador que luta para sobreviver merece o quê?Merece assistir essa bandalheira que acontece no governo e no legislativo.É uma pouca vergonha.Mas deixe estar, um dia o "POVO" vai acordar e vai colocar esses safados aonde merecem.Canalhas.
Carlos em outubro 8, 2007 8:27 PM
#49
CONCORDO PLENAMENTE COM A JUSTIÇA DE NÃO PERMITIR QUE APÓS A MORTE DO GUERRRILHEIRO CARLOS LAMARCA FOSSE DADA PROMOÇÃO AO EQUIVALENTE A GENERAL. AFINAL NINGUEM O OBRIGOU A DESERTAR !! SAIU PORQUE QUIS!!!!!!!!!!!! NINGUEM ENCOSTOU ARMA ALGUMA NA CABEÇA DELE O OBRIGANDO A ROUBAR UM CAMINHÃO COM ARMAS DO QUARTEL QUE ELE TRABALHAVA E NEM O OBRIGARAM A ATIRAR NO SOLDADO QUE ESTAVA DE GUAR