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terça-feira, 19 de junho 2007

O novo romance de Biajoni e um papo com Ana Maria Gonçalves

capa_virginiaberlim.jpgE fiquei ali bebendo, deitado no chão e estava passando para o sono quando, de súbito, bateram à porta. Levantei de um pulo, bêbado e nu. Chutei, no salto, o copo – esparramando a bebida, um pouco de gelo e cacos. Tentei correr para o quarto em busca de algo para me vestir e pisei em um enorme pedaço de vidro. Gritei. E ouvi, do outro lado da porta, alguém me chamar, perguntando se estava tudo bem. E era ela! Minha cabeça rodou de dor e espanto. Não podia ser. E. Corri assim mesmo, na ponta dos dedos, vesti um calção e abri, e ela... E era ela mesmo, sorriso avoado, de surpresa, com um bom cheiro e uma presença miúda, abissal. Meus cabelos desgrenhados se ouriçaram e suas sobrancelhas arquearam ainda mais diante da cena: meus olhos inchados e úmidos da dor, o pé escorrendo sangue.

É um trecho de Virgínia Berlim, o novo petardo de Luiz Biajoni. O Bia tem essa capacidade extraordinária de tomar pequenas fatias da experiência e arrancar delas o insólito, o bizarro, o amargamente cômico. Quem conhece o Bia já sabe, antes de ler o livro, que o título só pode ser uma alusão a Lou Reed. Além de Lou, passeiam pela história Chet Baker, Nick Cave, Neil Young e outros, compilados no CD que acompanha o livro. Ao contrário de Sexo Anal – o romance pop mais comentado da internet brasileira – Virgínia Berlim é contado em primeira pessoa e cria empatia instantânea com o narrador, um funcionário de escritório apaixonado por uma mulher comprometida. O corte no pé dá origem a uma seqüência vertiginosa de acontecimentos que culmina em .... Vai lá comprar! São R$ 28,50 muito bem empregados, eu garanto. De quebra você leva um CD com as canções presentes no romance, com as letras impressas e traduzidas.

****************************************************

É hoje, às 19:30, em Belo Horizonte, na Serraria Souza Pinto (embaixo do viaduto Santa Teresa, aquele dos arcos onde Drummond e cia. se equilibravam bêbados depois das noitadas), o papo com Ana Maria Gonçalves sobre Um defeito de cor. O encontro é parte do Salão do Livro de Belo Horizonte. Ana será entrevistada por Eduardo de Assis Duarte, professor de literatura brasileira da UFMG. Os eventos do Salão têm sido interessantes, bem informais e com muita participação do público. Se estiver em BH, apareça. Entrada franca.



  Escrito por Idelber às 08:19 | link para este post | Comentários (15)


Comentários

#1

É curioso. A maneira como vocie descreve os Arcos e Santa Teresa me fez pensar nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Para ver que referências alheias a gente tenta remetê-las ao nosso universo.
Gostei da descrição do romance mencionado. Vou descolar. Obrigada.

tina oiticica harris em junho 19, 2007 10:39 AM


#2

Idelber, vou lá "ver e ouvir" a Ana. Até daqui a pouco! Quanto ao livro do Biajoni, deve ser empolgante.

Cláudio Costa em junho 19, 2007 2:14 PM


#3

Ai, que pena, vou trabalhar até 21h, vou perder. Tomara que seja bem bacana. Aguardo o relato aqui no blog.
Beijos

Fefê em junho 19, 2007 2:43 PM


#4

Oba! vai ser ótimo rever os dois!
:-)

(Abrindo um papo paralelo aqui com a Tina, os arcos do "nosso" viaduto de Santa Tereza não se parecem nadinha com os Arcos da Lapa. Repara só:
http://www.flickr.com/photos/dois_sete/346112083/
A Serraria, onde vai ser o evento, é esta construção comprida, com a fachada amarelada, que aparece em cima do arco da esquerda. Não tem o glamour da Lapa, mas é uma paisagem que está na memória afetiva de todo belorizontino.)

Ju Sampaio em junho 19, 2007 2:43 PM


#5

obrigado pelas palavras, NEGÃO.
:>)

Biajoni em junho 19, 2007 3:44 PM


#6

Idelber, cada vez que a gente se encontra eu tenho mais certeza: é um privilégio desfrutar de companhias tão agradáveis, fofas e inteligentes como você e a Ana. Temos que repetir mais vezes. Beijo nos dois.

Ju Sampaio em junho 20, 2007 11:12 AM


#7

Foi bom demais e o prazer foi nosso :-)

Idelber em junho 20, 2007 11:44 AM


#8

Idelber: o encontro foi, realmente, ótimo! Ouvir a Ana Maria falar com tanta desenvoltura, propriedade e delicadeza do seu árduo labor literário nos faz acreditar que existem autores "de verdade", cabeças pensantes e corações vibrantes! Já tem foto no PrasCabeças!

Cláudio Costa em junho 20, 2007 3:33 PM


#9

O que a Ana faz FORA do Jabuti? Um absurdo!

LFV e Assis Brasil entram por pura inércia, sem méritos. Já o novo...

Milton Ribeiro em junho 21, 2007 9:09 AM


#10

Foi absurdo mesmo, Milton. Eu, por razões óbvias, vou me abster de comentar, mas que lista, hein?

Idelber em junho 21, 2007 9:45 AM


#11

Opa, Idelber, valeu pela dica. Quero ler os dois (não li ainda "Sexo Anal")... beijos

Ananda em junho 21, 2007 10:34 AM


#12

Nem me fala, Idelber.

Os gaúchos LFV, Assis Brasil e Scliar estão há anos reescrevendo o mesmo livro - o qual é apenas médio - e são sempre candidatos... Por quê?

Milton Ribeiro em junho 21, 2007 2:22 PM


#13

Tem escritores que concorrem ao Jabuti até se publicarem um livro somente com a capa. Deprimente.

Leandro Oliveira em junho 21, 2007 4:15 PM


#14

Podias escrever sobre o caso COC:

http://z001.ig.com.br/ig/04/39/946471/blig/luisnassif/2007_06.html#post_18878945

Creio que vai sair coisa boa!

Valeu

Pablo Valério Polônia em junho 22, 2007 12:49 AM


#15

Sugestão anotada, caro Pablo. Tenho acompanhado, sim, o caso. Abraço,

Idelber em junho 22, 2007 7:32 AM


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