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quarta-feira, 13 de junho 2007

Reforma Política

Vai começar hoje no Congresso o debate sobre a reforma política. Acabei de ler a gerigonça. As alianças contra e a favor do projeto são um verdadeiro angu de caroço. Nenhum partido tem posição unânime sobre o tema. Segundo a reportagem da Folha (link para assinantes), aproximadamente 60% das bancadas de PT, PMDB e PSDB e 80% do DEM (ex-PFL) apóiam o projeto. O leque de apoiadores vai de Ronaldo Caiado (DEM-GO) a José Dirceu. Não surpreende. Tal como está, o projeto interessa, fundamentalmente, aos caciques dos grandes partidos e aos atuais detentores de mandatos.

A partir da percepção correta de que a corrupção e o clientelismo são, em grande parte, produtos da fragilidade do sistema partidário brasileiro, as lideranças políticas do Congresso preparam uma reforma que é uma grande tunga na patuléia, como costuma dizer o Elio Gaspari. Os pontos mais polêmicos são a chamada “lista fechada”, a cláusula de barreira e o financiamento público de campanha.

O primeiro é de uma desfaçatez atroz e, no meu modo de ver, é o mais daninho dos componentes do projeto. Em português claro: o eleitor não teria mais o direito de eleger seus deputados e vereadores. Os votos dados a todos os candidatos de cada partido seriam somados e determinariam o número de vagas que caberia a esse partido no parlamento. Se o partido tiver direito a 30 cadeiras, entram os 30 primeiros candidatos de uma lista pré-definida por cada agremiação. Isso mesmo. Você, caro eleitor do PSDB, pode votar em André Montoro e eleger um Paulo Renato. Você, caro eleitor do PT, pode votar em Soninha Francine e eleger um Delúbio.

Na sua argumentação em favor do projeto, José Dirceu sugere que as listas seriam democraticamente definidas pelos filiados. Balela. Nem mesmo no PT – que, queiram ou não, é marcado por mais participação dos militantes nas decisões – é possível dizer que as listas não seriam fruto das manipulações da burocracia partidária. Na imprensa, Elio Gaspari (link para assinantes Folha-UOL) tem sido o mais ferrenho crítico do projeto. Alon Feuerwerker também é contra, com excelentes razões. A resposta de Dirceu à coluna de Gaspari não me convence. Afirma, por exemplo, que o fechamento de questão nas bancadas, com a conseqüente submissão da minoria à decisão da maioria, é prática universal em todos os partidos nos países democráticos. Uma rápida olhadela às votações dos Congressos americano ou europeus desmente a afirmativa de Dirceu.

Sou a favor de mecanismos severos que coíbam o troca-troca de partidos. Se esses mecanismos são os que estão presentes no projeto, é outra história. Também sou a favor de que se criem instrumentos para limitar a proliferação de legendas de aluguel. Tenho minhas dúvidas de que isso se realize com a chamada cláusula de barreira (que limita o funcionamento parlamentar apenas às legendas que, em cada eleição, obtiverem, no mínimo, 2% dos votos válidos, distribuídos em 1/3 ou mais dos estados, e que elejam, pelo menos, um representante em cinco desses estados). Sou a favor de medidas que coíbam a influência do dinheiro nas eleições. Sobre se o financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais é o caminho eu também tenho minhas dúvidas.

Não chega a surpreender que um tema tão importante para o futuro da democracia não esteja sendo mais debatido, nem na mídia tradicional nem na blogosfera. Não tenho posição fechada sobre todos os aspectos do projeto e convido aos eruditos leitores do blog a que dêem seus pitacos. E olho no Congresso aí, pessoal.

PS. o post scriptum de hoje vai dedicado às leitoras: deliciem-se com "Tortura Moderna", essa hilária história de uma depilação.



  Escrito por Idelber às 05:10 | link para este post | Comentários (42)


Comentários

#1

Ouch! Depilação. Vou pensar. Ia encerrar o expediente quando olhei na minha janelinha do Technorati e vi post. São 3:23 A.M. ainda não fui dormir. Teu blog é meu guia de assuntos importantes no Brasil já que não tenho CPF bla-bla para assinar on-line nada.

Acho uma barbaridade esse simulacro de centralismo democrático a la maoístas e fidelistas. Sempre há desculpas honradas para golpes desonrosos. Aliás, comecei a curtir a HH quando ela deu uma banana bem traçada ao PT em 2003. Eu estava de férias em Maceió. Pena que ela fez besteira depois.

Assim como você está atento à política no Brasil, estou imersa no "fenômeno" viral devido à necessidade de mais um Messias USA. Falo de Ron Paul, de quem não sabia nada e a cada dia aprendo mais. É vergonhoso o que o amor ao dinheiro da mídia, a ignorância popular e falta de ética fazem. Tarde da noite relaxei vendo "Duck Soup". É um filme que recomendo a todos por sua atualidade.

E o resto são coisas, notadamente os objetos, como diz o Poeta Laureado.

tina oiticica harris em junho 13, 2007 7:32 AM


#2

Estava terminando de escrever novamente sobre esse mesmo assunto quando li este seu post. Assino embaixo.


Só faltou usar a palavra que define tudo isso: golpe. Golpe parlamentar, mas golpe.

Luiz em junho 13, 2007 10:12 AM


#3

Idelber

Eu já escrevi uns cinco posts desde do ano passado sobre o que eu acho do que deveria ser feito nesse campo, mas eu acho que sem voto distrital, voto facultativo e sem reformar o sistema atual de horário eleitoral gratuito a coisa não anda.

André Kenji em junho 13, 2007 10:24 AM


#4

Com o voto facultativo e o voto distrital eu estou plenamente de acordo.

Idelber em junho 13, 2007 10:27 AM


#5

Pode até ser que o voto distrital, puro ou misto, algum dia seja aprovado. Mas tem que vir junto com uma readequação das bancadas por estado, pelo menos minimizando as atuais distorções.

Mas voto facultativo ? Essa turminha aí nunca vai querer soltar os inúmeros cabrestos que ainda existem sob as mais variadas formas.

Luiz em junho 13, 2007 10:40 AM


#6

Com certeza a proporcionalidade tem que ser restaurada, Luiz. A atual falta de proporção entre estados e bancadas é grosseira, obscena.

Mas não entendi a relação entre cabresto e voto facultativo. Eu sempre pensei que é justamente a obrigatoriedade do voto que facilita o clientelismo. Ou não?

Idelber em junho 13, 2007 10:47 AM


#7

É exatamente isso que eu queria dizer, Idelber. Devo ter me expressado mal.

O clientelismo sobrevive em grande parte pela obrigatoriedade do voto. E não é um fenômeno restrito às regiões menos desenvolvidas. Os bairros da periferia das grandes metrópoles são verdadeiros "currais" de coronéis de gravata, as vezes piores do que os do interior do Norte e Nordeste. E essa raça não vai querer perder esse instrumento (voto obrigatório)sem mais nem menos.

Luiz em junho 13, 2007 11:03 AM


#8


Salve, meu caro.

Como cientista político, mais cedo ou mais tarde terei que me manifestar sobre o tema. Pode ser uma boa escrever um pouco sobre como essas questões são abordadas em outros países. Há um belo debate internacional correndo.

Adianto que concordo com suas posições. Lista fechada, no Brasil, significa reforçar o poder dos coronéis de cada sigla.

O financiamento público é, em tese, uma boa idéia. Mas não no nosso país. Com nossa fragilidade de fiscalização, inevitavelmente teríamos uma enxurrada de dinheiro ilegal entrando pelo Caixa 2, por debaixo dos panos ou qualquer metáfora que se imagine. Ainda assim, vale debater como se poderia regular melhor os gastos de campanha, sobretudo na questão do acesso aos meios de comunicação.

Fidelidade partidária: sempre.

Cláusula de barreira: dificulta a criação de novos partidos que podem se tornar representantes importantes da opinião pública. Por isso, sou contra.

Abraços

Mauricio Santoro em junho 13, 2007 12:10 PM


#9

Salve, Mauricio. O que você diz reforça minha percepção de que Gaspari está correto ao afirmar que o financiamento público não é antídoto contra a corrupção. Segundo ele, o caixa dois só desaparecerá quando houver certeza de punição. O que, no Brasil...

Grande abraço, e aguardo nosso encontro em Montreal.

Idelber em junho 13, 2007 12:15 PM


#10

Olá, moço phd...
peço vênia para ousar comentar, pq tenho um sério problema com relação a comentários políticos. ‘Virei uma covardona”... ando detestando emitir qualquer opinião a respeito. Sou da velha guarda dos anos 60, militante cujo sonho sempre foi conhecer Cuba, e ver Lula –laaa. Realizei os dois, mas, querem saber? Não sei se posso dizer que foi "A" grande realização...por motivos públicos e notórios ando muito desconfiada de qualquer atividade legislativa, executiva ou judiciária. Acho que o mais grave é a falta de clareza quanto ao teor dos projetos e a falta de participação do povo, “da gente”, de quem vai sofrer diretamente as conseqüências dessas reformas. Opino sempre contra o financiamento exclusivamente publico das campanhas.... advogo, "logo sei" e vejo coisas teratológicas sobre $ publico...
Sou inteiramente a favor da criação de instrumentos e mecanismo para coibir o troca-troca de partidos....
Ufa... falei... bjos
quanto a depilação??? rsssss
c'est la vie...

marilia em junho 13, 2007 12:29 PM


#11

Na eleição passada, anulei o voto para presidente, governador e senador. Votei apenas para deputado federal e estadual. Se a lista fechada já existisse, eu também teria anulado os votos para deputado. E é o que vou fazer se ela passar. Se não permitem que eu decida em quem votar, vou decidir não votar em ninguém
Um abraço,
Marcos

Marcos Matamoros em junho 13, 2007 2:58 PM


#12

realmente o assunto é complicado. lerei o projeto para poder opinar melhor, mas outra coisa tem que ser debatida antes mesmo da reforma política.

trata-se do projeto para a criação de 700 novos municípios e o aumento do número de vereadores... Senhor, eles não nos dão folga!!!

Muta em junho 13, 2007 3:04 PM


#13

Lendo seus comentários, os do Mauricio, e sabendo desta última notícia da "Muta" estou quase lançando a campanha: "SE O CONGRESSO É A FAVOR EU SOU CONTRA!". Já me explico.

Quando eu fazia a faculdade de Jornalismo eu era muito mais ligado em política do que hoje. Sigo acompanhando, sem dúvida, mas infelizmente, tomado de uma melancolia infinita. Não se trata de pessimismo, mas sim, de triste e cruel realidade.

Sinceramente, eu não acredito que saia algo de bom dali (do congresso) atualmente. Sinto tristeza em dizer isso, pois sou absolutamente consciente das vantagens do sistema democrático, principalmente (ave Rousseau!) como o regime mais orientado às liberdades individuais e coletivas. Mas, ali! Acredito em nós como povo e discordo de que ali estamos nós representados. Não estamos. Não vejo a força partidária que Tocqueville tanto admirava aí nos US. Não vejo coerência. Os piores defeitos dos políticos são sempre ampliados pela máquina de escândalos congressistas. Tb não acredito que estamos aprendendo a votar. Se estivéssemos mesmo, por lá não estariam tantos corruptos e corruptores tão facilmente enumeráveis.

Em minha sincera e humilde opinião o primeiro ponto é a quantidade de parlamentares. Não precisamos de tantos. Por que não uma quantidade menor? 200, ou os 300 com anel de doutor como bem falou o outrora atentíssimo Luis Inácio. Eles não dariam conta? Há uma multiplicação de discrepâncias e uma enxurrada de irregularidades "legais", mas amorais no sentido de destituído de moral. E esta multiplicação torna-se exponencial dado o elevado número de “vossas excelências”.
Por motivos vários e não-explicitados, rapidinho, digo:


  1. Sou contra a lista fechada.

  2. A favor do voto facultativo (embora aqui reconheça válido o argumento da falta de legitimidade, se muitos absterem-se). Também há o problema da compra de votos, ou seja, o camarada vai votar somente porque recebeu algum benefício. (E acreditem: eu trabalhei em muitas campanhas eleitorais vitoriosas e derrotadas, e, por incrível que pareça, isso é muito, muito comum...)

  3. A favor do voto distrital, a divisão sendo feita dentro dos próprios estados.

  4. Absoluta e radicalmente contra o financiamento público, como ele está sendo proposto.

  5. Contra a cláusula de barreira, pois ela dá margem às fusões e coligações heterodoxas, estilo “gato com peixe”.

  6. Fidelidade partidária total, sendo que para cargos majoritários, exigência de mais de um ano de filiação e garantia do cumprimento do mandato pelo partido pelo qual foram eleitos

  7. Impossibilitar. Repito, impossibilitar no Brasil a renúncia de mandato diante de denúncias de corrupção. O mandato não é uma propriedade do parlamentar, mas sim do povo que o elegeu. Ele/ela não pode simplesmente renunciar e voltar na eleição seguinte. Não pode! Isto é mais do que um abuso.


No mais, perdão por mais um enorme comentário. Recomendo o livro: “Ética da Malandragem – no submundo do Congresso Nacional” de Lucio Vaz. É atordoante o que se lê ali.

Abs.

Edk em junho 13, 2007 5:36 PM


#14

Pois é, Marcos, aprovada essa geringonça vai ficar muito difícil criticar qualquer pessoa que opte por votar nulo nas proporcionais. Abração,

Muta, ouvi falar desse projeto mas ainda não li. Mas só com a descrição da coisa já para sentir o cheiro de maracutaia.

Edk, você resumiu a coisa perfeitamente. Concordo com todos os pontos. 6 e 7 são perfeitos -- e é difícil, muito difícil aprovar medidas assim no Congresso hoje. Vão contra o instinto de sobrevivência dos caras.

O Luiz usou uma palavra forte mas no fundo ele tem razão: é golpe mesmo.

Idelber em junho 13, 2007 7:51 PM


#15

Pessoal

Um dos principais fatores da corrupção na política é justamente o financiamento privado das campanhas eleitorais.
É inevitável que os eleitos passem a defender fielmente os interesses de seus financiadores em detrimento do interesse público. Ou seja, retribuem o financiamento privado (feito pelas grandes empreiteiras, bancos, concessionárias de servços públicos, empresas de comunicação etc) com dinheiro público. O prejuízo para o erário acaba sendo muito maior do que a destinação no orçamento de verba específica para o financiamento das campanhas eleitorais.

Eleição é tema de interesse público. Logo, o financiamento das campanhas eleitorais deve ser feito com recursos públicos (módicos), distribuídos democraticamente.

A dificuldade de fiscalização do uso dos recursos públicos não pode servir de desculpa para perpetuar as distorções do processo democrático geradas pelo abuso do poder econômico.

Da mesma forma, a possibilidade de os caciques partidários influenciarem decisivamente na formação das listas não pode servir de desculpa para que o clientelismo eleitoral seja perpetuado através do voto personalista.

É óbvio que a definição da ordem de nomes nas listas dependerá da correlação de forças internas dos partidos e que os líderes terão papel decisivo nessa definição.

Veja-se que atualmente, em virtude do sistema proporcional, a maioria dos eleitores já elege candidatos nos quais não votou. Elege, sim, os candidatos mais votados dos partidos dos candidatos nos quais votou.

O sistema de listas aperfeiçoa o sistema proporcional.

Com todo respeito às opiniões contrárias, o voto distrital é um atraso. Os parlamentares eleitos por esse sistema não têm qualquer compromisso com as grandes questões nacionais, pois são meros "despachantes" de sua paróquias.

Nada mais conservador do que dizer "não voto em partidos, voto em homens". Quem diz isso vota na expectativa de receber favores do candidato eleito e não de que este trabalhe para promover transformações sociais que beneficiem a todos.

Na minha opinião o voto deve ser nos partidos,obrigando essas instituições a definir e manter uma linha ideológica.

Saudações democráticas

p.s.: gostei muito de receber seu "email",Idelber. Espero que já tenha ouvido os cantores "charruas" como Jaime Roos, Jose "Sabalero" Carbajal e outros. Por sinal, o Uruguai, como a maioria dos países civilizados do mundo, adota o sistema de listas, que funciona muito bem.

Ricardo Petrucci Souto em junho 13, 2007 10:03 PM


#16

Luiz

O voto distrital seria uma chance de estabelecer a participação proporcional na Câmara de Deputados. Minha idéia seria estabelecer distritos de quase o mesmo tamanho, tendo como base uma proporção fixa doa população. 300 ou 500 mil habitantes por distrito, por exemplo. Os estados poderiam desenhar os distritos, mas não seria permitida uma distorção maior que 10% da população destes, para impedir gerrymandering.

Mas eu acho que o sistema atual é ruim por quê ele foi feito para atender os parlamentares que fizeram a Constituição, não o povo como um todo. Qualquer projeto que ameace os atuais grupos de poder nunca será aprovado. Democracia no Brasil é bom, desde de que o povo não participe.

André Kenji em junho 13, 2007 10:38 PM


#17

Opa! Muito bom, Ricardo, que você tenha chegado para defender o conjunto de medidas incluídas nesta reforma, porque já estávamos meio que em regime de unanimidade por aqui.

Vou deixar este post no topo do blog mais um dia, para estimular o debate que o seu comentário pode gerar.

Abraços,

Idelber em junho 13, 2007 11:07 PM


#18

André,

As suas idéias basicamente batem com as minhas.

Eu só gostaria de detalhar um pouco mais o que venho pensando:

- A implantação do voto distrital poderia ser gradativa. Parcial em uma primeira eleição e total na eleição seguinte.

- O número total de deputados seria limitado a 400, com cada estado recebendo duas cadeiras e o restante sendo dividido proporcionalmente ao número de eleitores.

- O Senado teria apenas dois representantes por estado.

- No mais, concordo plenamente com os itens que o Edk listou acima.

Para implementar tais mudanças, talvez a saída fosse uma Constituinte exclusiva, restrita ao tema "Organização política do país". Poderiam ser uns 120 constituintes, que após a conclusão dos trabalhos ficariam alguns anos (pelo menos 5) sem poder concorrer a nenhuma eleição nem assumir cargos públicos em nenhum dos poderes.

Desculpem se me alonguei demais.


Luiz em junho 14, 2007 8:39 AM


#19

Na realidade nenhum partido tem uma posição unânime, porque não têm posição alguma. Não vislumbra-se nenhum projeto de país, nada de longo prazo. Agora, essa de voto em lista, com o candidato escolhido pelos filiados não tem mais o charme insosso de outrora, quando ainda cria-se em uma esperança hoje transmudada. Se sair algo, parece que não, será menos do que cosmética, para manter tudo como está.

Swamoro Songhay em junho 14, 2007 11:27 AM


#20

Luis

Por mim eu colocava um mínimo de um deputado por estado mesmo. Amapá, Acre, Roraima teriam um representante, Rondonia dois, Tocantins, três, até chegar a 38, 39 para Minas Gerais e 78, 80 em São Paulo.

André Kenji em junho 14, 2007 11:45 AM


#21

Ola, moço...
mudando o seu tema, sou parceira de escritório do dr.jose luis ribeiro de melo, advogado ,e conselheiro do galo, logo, um atleticano de primeira, e como não podia deixar, fomos ontem ao mercado central.
até imaginei que fosse te ver lá no lançamento da camisa nova!
adorei a indicação do site do galo...
Ah,nada a declarar sobre a fala de marta suplicy ontem???
um abraço

marilia em junho 14, 2007 1:11 PM


#22

Sim Ricardo, o abuso não tolhe o uso. Não é porque ocorrem abusos que temos de acabar com a idéia.
Mas, opa, peraí... Estamos falando do Brasil. Como o André falou, democracia é bom, desde que o povo não participe. As regras atuais foram criadas para perpetuar os mesmos grupos políticos no poder. Interessante a questão do "voto em homens". Vamos dar uma olhadinha lá pelo finalzinho da redemocratização em quem estava lá na "casa dos horrores" e vamos ver hoje. Algumas figuras "excelentíssimas" ainda estão por lá como uma sombra a pairar sobre a saúde democrática do país.

O financiamento público é maravilhoso. Em tese.
Não esqueçamos que o Brasil tem um histórico de "puxar" idéias de outros países e "abrasileirar" dando um verniz cheio de "jeitinho". Olhe, por exemplo, o instituto da reeleição. Em teste é um negócio interessante. Dá uma certa idéia "continuidade" do trabalho, etc. Acontece que no país de onde ela foi inspirada, os EUA, o presidente se elege e caso se reeleja, nunca mais pode voltar ao poder. Justo e republicano. Aqui se nosso querido FHC quiser retornar ele não só pode, como tem até boa chance de ganhar. Entende? Distorção! Sem contar, que o sistema de controle do uso da máquina pública no Brasil não é ineficiente, ele inexiste na prática.

Então, voltando ao financiamento. É um prato cheio, cheííssimo para a corrupção. Veja bem Ricardo, se a maioria dos parlamentares atuais é a favor, como de fato eles são, é por que tem "treta" aí. Percebe o nível de desconfiança! Não acredito que se eles querem tanto o negócio possa ser bom. "Há algo de podre no ar". Tudo bem, não é um bom argumento, por isso, fico com a corrupção mesmo. Está mais do que provado que "vossas excelências" cuidando do Erário (ou seja, do meu e do seu dinheiro) não se dão muito bem.

E ainda existe outra distorção aí: os maiores partidos ficariam com a maior parte da bolada, o que não é nada democrático. Nós sabemos que o poder econômico dos partidos define se ele logrará êxito nas eleições ou não. Isso acarretaria muito mais coligações heterodoxas e chegaríamos a uma dualidade grosseiramente ruim para o ambiente partidário nacional.

O sistema de listas é, de fato, muito bom. Só que pense nas coligações. Os partidos nanicos (mas, importantes) ficariam relegados à categoria de coadjuvantes muito mais do que hoje já o são. Dificilmente um "bom segundo candidato" de um partido, como o PV, por exemplo, teria chance em um sistema de listas com as coligações digladiando-se por mais e mais cadeiras.

Não considero verdadeiramente o voto distrital um atraso. As "grandes questões" continuariam em pauta, sejam no Senado ou seja na própria Câmara. Mas, a pergunta: e hoje, como são tratadas as grandes e importantes questões? Elas têm a devida atenção e o devido debate? Temos nós um projeto de país? Temos um norte? Temos metas de longo prazo? Há um debate sólido em torno da situação claudicante do ensino público fundamental e médio? E a integração nacional? Ela existe? Olha, posso falar, pois moro num esttado longíquo dos grandes centros e longe dos grandes debates. E digo: se não tivéssemos esta enorme floresta e biodiversidade por aqui, estariamos relegados a último plano. Tente vir de carro para cá e confira nossas "maravilhosas" estradas... enfim.

Não critico e nem indicaria a crítica de quem diz votar em "pessoas" e não em partidos. Os partidos brasileiros são muito, muito enfraquecidos pela própria conjuntura política. Veja o nosso presidente. Ele é maior que o PT. Ele é maior que a oposição. Ele fala às massas e elas o veneram. Conheço pessoas que dizem: "o Lula tenta, os outros é que não deixam". Grande parte dos que votaram em Lula, jamais cogitariam em votar "fechado" no PT. Por que? Bem a sociologia nacional é pródiga em explicar este fato. Mas, veja, diante da fraqueza das ideologias e ideais partidários o que resta ao eleitor obrigado a votar? Responda sinceramente....

O que concordamos em absoluto é que algo deve, de fato, mudar. Do jeito que está, dificilmente piora. Então, poderíamos sim testar as soluções (qualquer uma). Inclusive as que discordo.

Mais saudações democráticas.

(só repliquei pq o prof. pediu).
Abs.

Edk em junho 14, 2007 4:19 PM


#23

O problema é que já há voto distrital velado. Por exemplo, ao passar por qualquer cidade do interior em época de eleição você vê candidatos prometendo representar determinada região ou cidade. Isso é ruim por quê se coloca a questão num bairrismo, não numa discussão de questões importantes.

E muitas regiões ficam subrepresentadas, em especial em estados grandes. Em São Paulo isso fica claro, com regiões inteiras do interior sem um único deputado federal e nos municipios da periferia de São Paulo, que tem dez milhões de habitantes. E são municipios com necessidades especiais.

E o Legislativo TAMBÈM deve tratar de questões locais. Se uma rodovia ruim ou uma empresa de ônibus não atende direito os cidadãos não tem a quem reclamar. E pontos como programas voltados à agricultura, se muitos lugares do interior são sub-representados? Claro, tem o problema do que os americanos chamam de Pork Barrel Spending, mas isso nunca foi debatido com força aqui no Brasil.

Além do mais, o Congresso americano, com voto distrital, tem uma variedade de discussões bem maior que no Brasil. Tinha-se desde de um socialista assumido(Bernie Sanders) a um libertarian conservador que quer abolir a Previdência(Ron Paul). Isso sem contar conservadores fiscais(Jeff Flake) e o fato dos negros estarem razoavelmente bem representados.

André Kenji em junho 14, 2007 10:45 PM


#24

Perdão por fugir da discussão séria, mas preciso citar o post do PS. Fui às lágrimas.

Ahmed em junho 15, 2007 6:09 AM


#25

Como Marília citou, também sempre "fugi" de discussões sérias sobre política até uns dois anos atrás. Pode-se dizer que, para mim, esta coisa veio com a idade. É... hoje morando fora do Brasil, o meu interesse pelos seus problemas continua crescendo e não retrocederá, pelo contrário. Pude ver um pouquinho da política francesa - em época de eleições - e lances como corrupção, clientelismo "empresarial" e a grande população refém de um pensamento único detido por poucas cabeças são também corriqueiros por aqui. A minha expressão sobre o desenvolvimento deste país mudou. Como os hábitos políticos brasileiros são sujos, o que também acontece - em maior ou menor escala, proporção, foco, como queiram - em outros países ditos "desenvolvidos" (já que o Brasil ainda está em "desenvolvimento" - ainda não sei exatamente o que acho destes termos, mas às vezes parece que eles desconsideram a história).

Eu concordo em número, gênero e grau com Idk e neste ponto creio estar me tornando cada vez mais radical, mesmo sabendo que discussões profundas e importantes como esta sempre têm mil e um pontos diferentes a serem considerados. É horrível a gente começar a pensar em não aprovar algo que deveria ser lícito, como um financimanento público de campanha, por exemplo, por sabermos que isso provavelmente está em pauta porque será mais fácil roubar (ainda mais) o dinheiro público. Eu me sinto mal...

No fundo, a sujeira permeia as cabeças dirigentes "partout" (devo confessar a vocês que percebi que isto é mais um desabafo do que uma reflexão política). É DESUMANO conceber que pessoas não conseguem priorizar necessidades BÁSICAS das populações em detrimento de CAPRICHOS burgueses e de um egoísmo doentio sem tamanho. Este tipo de gente, que no começo se deixou corromper por coisas pequenas, do tipo "eu furo fila mesmo" ou "eu dou uma proprininha aqui e agora pra me beneficiar lá na frente" pra mim não merecia viver. E essas atitudes pequenininhas são corriqueiras e cometidas por todos nós, pobres mortais, que não refletimos nas consequências dos nossos atos. Todos nós devemos prestar atenção pra não vendermos barato a nossa integridade, a qual não deveria ter preço...

Desculpem o desabafo... mas me pergunto se um dia verei o Brasil crescer em vida (li rapidamente um dia desses que quem tem 25 anos ainda não viu esse fenômeno - eu já tenho 26).

Ah... e sobre a história da depilação... ela é realmente mais que genial :)

Beijos a todos

Ananda em junho 15, 2007 8:30 AM


#26

Olá, sou Thiago,20, estudo direito na Ufal e estou estudando eleitoral e meu professor pediu pra fazermos uma pesquisa sobre a erforma oplítica. Pois bem, estou completamente adimirado com a natureza dessa discussão, apavorado com a repercursão dessa reforma e me sinto um peixe fora d'gua pois muito do que li hoje sobre reforma vocês discutindo me renderam o dobro. Parabéns pela belas colocações contra e a favor da reforma. Espero voltar a postar aqui e humildemente, se não definir minha posição, mas pelo menos discutir a fundo o assunto. O brasil precisa de brasileiros como vocês! Continuem a discussão, desculpem pelas palavras tolas. :)

Thiago em junho 15, 2007 7:13 PM


#27

Amigos

Não consigo entender a resistência ao financiamento público das campanhas eleitorais, diante do verdadeiro escândalo que é o financiamento privado, hoje vigente.

Atualmente deputado financiado por empreiteira, defende empreiteira; financiado por concessionária de rodovia, defende pedágio; financiado pela indústria de armas, defende o uso de armas pelo "cidadão de bem"; financiado pelo crime organizado, defende bingos e outras formas de lavagem de dinheiro etc.

Todos, covardes, defendem a eterna renovação das concessões de exploração de serviços de rádio e TV à meia dúzia de famílias que domina o setor há mais de 50 anos. São as verdadeiras capitanias hereditárias eletrônicas, como diz o maior jornalista do País.

Eu sei que nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana, como diria o velho Benito, e que sempre alguém irá bolar um meio de fraudar o financiamento público. Mas, o fato de tornar ilegal o financiamento privado é um grande avanço.

Não li o projeto que está em discussão na Câmara. Imagino que financiamento público seja a destinação de verba módica, prevista no orçamento, para que cada partido faça sua campanha. Sei que a divisão da verba tende a não ser justa. É claro que os maiores partidos criarão uma fórmula para se beneficiar. Mas isso não é nada perto do acinte de campanhas milionárias de alguns candidatos sob patrocínio privado e as nefastas conseqüências dessa relação espúria.

Adotando-se o sistema de listas a campanha eleitoral seria do partido e não dos candidatos. Isto é, o dinheiro seria utilizado pelo partido sem beneficiar qualquer candidato em particula.

Logo, a única possibilidade de fraude que me ocorre seria a do partido não fazer campanha com o dinheiro, desviando os recursos. Mesmo assim, esse prejuízo seria pequeno perto de desvios de recursos públicos beneficiando grandes corporações privadas patrocinadoras de campanhas eleitorais.

Edk, apenas o fato de me ter contestado de forma tão respeitosa, já é motivo de orgulho.

Saudações democráticas sempre.

Ricardo Petrucci Souto em junho 15, 2007 8:05 PM


#28

Caro Idelber, gostaria de acrescentar um par de argumentos à defesa da lista fechada feita pelo Ricardo Petrucci Souto. Como ele disse, “a maioria dos eleitores já elege candidatos nos quais não votou”, um exemplo muito claro é o de Enéas Carneiro e seu PRONA (acho que hoje mudou de nome), com os votos na pessoa de Enéas levando para o Congresso uns quatro ou cinco deputados. O inverso também ocorre: mesmo que o candidato "votado" não seja eleito, o voto será contado para a eleição de outros candidatos do partido, e sem que seja possível identificar quais candidatos. A lista fechada, no mínimo, é muito mais transparente: “lembra” ao eleitor que aqueles candidatos estão comprometidos entre si, e revela o julgamento do partido sobre a importância relativa de cada um. Ricardo também observa que os caciques partidários terão uma influência muito maior nas eleições, mas daí não se deduz que os atuais caciques se perpetuem. Acredito que seja o contrário: a maior responsabilidade pelo sucesso ou fracasso aumentará o “rodízio” nos postos de comando dos partidos, muitos “caciques” hoje permanecem porque pouco influem nos destinos do partido como um todo e nada no destino de cada um dos políticos filiados ao partido. È cada um por si. Claro que tudo isso só faz sentido com a instituição da fidelidade partidária, e o objetivo maior, segundo meu modo de ver, é forçar a construção de partidos que sirvam de parâmetro para a decisão do eleitor, parâmetro que seria sempre mais objetivo do que a pessoa individual do candidato, subjetiva por definição.

Alberto em junho 16, 2007 11:23 AM


#29

Bravos e guerreiros amigos, amigos que continuam a discutir Ciência Política e Reforma política. Hoje me deparei com um impasse: ainda na tentativa de terminar meu trabalho não consegui responder uma pergunta. Por que motivo os legisladores, em prol da nação brasileira, apoiaria um projeto que acabe ou reduza o horário gratuito de rádio e televisão concedido, pela lei eleitoral, aos partidos e candidatos??? Tudo bem que eu acho chatérrimos aqueles programas, cada um acha, nem que seja um pouco, o mesmo. Entendo que reduzir seria sim um afronte a liberdade de informação, mas e se reduzir? Não será que piora? Estou dividido, mas mesmo meu lado contra a favor o projeto não consegue uma "luz" democrática que explique isso. AJUDEM!!! Obrigado pela atenção! ahh sim, mandem e-mail com a sol~ção desse enigma! obrigado!

Thiago em junho 21, 2007 12:03 AM


#30


Estou de inteiro acôrdo com o voto distrital misto,porque chega de candidatos vir aqui no nosso bairro,abocanhar os votos daqui,e não ter nemhum compromisso conosco,somos maiores que 200 cidades do interior paulista,com mais ou menos 60.000 habitantes, e não somos nem distrito,nos tratam como se fossêmos, um bairrinho de 400 moradores,se colocarmos a região do jd. amanda em Hortolãndia,já passa dos 80.000 moradores,absurdo essa lei eleitoral que atua hojê.por isso está na hora do voto distrital misto,aproximando assim,eleito e eleitor.

mário de oliveira em junho 21, 2007 12:58 AM


#31

Opinião minha essa tal de lista é com se jogasse uma boiada dentro de um rio e quem ja treinado a nadar se salva e fica para sempre nadador ,ou os outros so poderão ser nadadores quando este morrer o nome dado a essa lista se chamara ditadura disfaçada ou digamos de forma clara eleição indireta ,o que percisa é de fidelidade partidaria e justiça maior controle nos gastos publicos Hortolandia sp 26/06/02007 SP

Raul Antonio Gonçalves em junho 24, 2007 8:55 PM


#32

O que tem de fazer é uma reforma verdadeira a lista devera ser uma mulher um homem

Raul Antonio Gonçalves em julho 2, 2007 9:58 PM


#33

O que tem de fazer é uma reforma verdadeira a lista devera ser uma mulher um homem

Raul Antonio Gonçalves em julho 2, 2007 9:58 PM


#34

O que tem de fazer é uma reforma verdadeira a lista devera ser uma mulher um homem

Raul Antonio Gonçalves em julho 2, 2007 10:01 PM


#35

O que tem de fazer é uma reforma verdadeira a lista devera ser uma mulher um homem

Raul Antonio Gonçalves em julho 2, 2007 10:01 PM


#36

O que tem de fazer é uma reforma verdadeira a lista devera ser uma mulher um homem

Raul Antonio Gonçalves em julho 2, 2007 10:01 PM


#37

Sou aavaravel da lista flexsivel,e que as campanhas deve ser finaciadas pela união,e que os mandatos deve pertencer aos partidos para evitar ou pelo ao menos emeenizar a curupção,e eviar o apadrinhamento politic

ivan gomes dos santos em julho 4, 2007 9:13 AM


#38

Sou aavaravel da lista flexsivel,e que as campanhas deve ser finaciadas pela união,e que os mandatos deve pertencer aos partidos para evitar ou pelo ao menos emeenizar a curupção,e eviar o apadrinhamento politic

ivan gomes dos santos em julho 4, 2007 9:13 AM


#39

Sinceridade não se compra é por isso e muito mais que devemos respeitar um partido politico e sermos fiscalizador não deixando brexas para a corrupção tem uma formula para isso acabar com as loterias fazendo com que tods consumidores tivessem o direito a trocar sua nota fiscal em uma loterica a cada quantidade de compra eliminando a sonegação

Raul Antonio Gonçalves em julho 4, 2007 10:20 PM


#40

O pais só mudaria para melhor se tivesse esse icentivo aos consumidores da troca das notas fiscais Raul Hortolandia

Raul Antonio Gonçalves em julho 6, 2007 7:30 AM


#41

A verdadeira reforma política que o Brasil necessita é trocar o regime federativo pelo confederativo. Se formos uma Confederação haverá mais responsabilidade, mais ética, menos corrupção. Vamos trabalhar juntos por um plebiscito?
O Brasil merece melhor sorte!
W.Paioli - presidente AME

Ame Fundação Mundial de Ecologia em janeiro 1, 2008 5:08 PM


#42

Yhanks you
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Yhanks you em fevereiro 1, 2008 11:56 AM


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