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quarta-feira, 19 de setembro 2007
A esquerda e a absolvição de Renan
No episódio Renan Calheiros, o que menos importava, para todos os senadores e partidos políticos envolvidos, é se Renan havia recebido dinheiro da Mendes Júnior ou não; se tinha bois voadores ou não; se mentiu para a Receita Federal ou não; se usou laranjas para comprar emissoras de telecomunicações ou não. Isso importa, claro, para a cidadania, que deve exercer o direito de fiscalizar a política. Mas a política mesma não é um ramo da ética nem nunca vai ser. O que não quer dizer que não se deva lutar por mais ética na política. Só significa que àquele que faz do brado pela ética o seu único bordão, sempre cabe perguntar: “ok, e sua próxima proposta, qual é?”
Dito isto, eu acho que o PT – ou a maior parte de sua bancada – cometeu um erro gravíssimo no episódio Renan. Político, não ético. A partir da preocupação legítima sobre a base de sustentação do governo no Senado, não soube adequar-se ao clima do país, responder a ele e utilizá-lo em seu favor. Ficou a reboque da oposição e teve que se contentar, no final das contas, com o discurso de que não foi o maior culpado pela absolvição do grande vilão da política brasileira em 2007. O PT tem 12 senadores e está longe de ter a maior bancada do Senado. O discurso do “não venham nos atribuir a culpa” está, portanto, correto matemática, mas não politicamente.
As respostas da esquerda à não-cassação de Renan Calheiros são um espectro impressionante de opiniões diferentes – o que mostra como é delirante a visão de certos setores da direita que enxergam uma vasta conspiração bolchevique para controlar o Brasil. Senão, vejamos. Paulo Henrique Amorim e Emir Sader insistem na mesma tecla, a de que a absolvição de Renan é uma derrota da mídia golpista. Não discuto que haja setores golpistas na mídia; tampouco discordo de que haja uma tremenda vontade de desgastar o governo Lula; também não discrepo de quem aponta que, ao reperticutir certos escândalos, a grande mídia age a partir de interesses que têm pouco a ver com a “ética” e que vão muito além da busca de audiência. O problema com as análises de PHA e Emir Sader é que são extremamente simplistas. Só enxergam isso. A partir daí, com esse quadro, pintam um cenário onde só há bandidos e mocinhos. Ao contrário dos protestos desses dois contra a fúria midiática anti-Lula durante as eleições de 2006, as atuais análises não repercutem com a população, porque esta sabe que Renan Calheiros representa o que há de pior na política brasileira.
Já o PSOL está no extremo oposto. Quer fazer da ética o seu único diferencial em relação ao PT – e a mensagem simplesmente é rejeitada pela maioria da população. O comentário deixado por um psolista no blog do Emir é emblemático: diz que PSDB e DEM “pegaram carona” nos ataques a Renan, quando o que aconteceu foi justamente o contrário. Foi o PSOL quem pegou carona no discurso moralizante, udenista daqueles que apoiaram o Renan ministro e agora agem como se não o tivessem feito; que apoiaram em 2003 as sessões secretas contra a emenda de Tião Viana (PT-AC) que as tornaria públicas, e agora falam como arautos da transparência (note-se que, segundo Noblat, o próprio DEM reconhece que deu seis votos a Renan: seis de 17; que oposição é essa que não consegue reunir nem 65% de sua bancada para cassar um corrupto aliado ao governo? Quais desses aqui mentiram?). O PSOL perdeu assim a oportunidade de fazer uma oposição genuinamente de esquerda ao governo Lula. Neste sentido, mesmo o PSOL tem sua parcela de culpa na absolvição de Renan: não havia pessoa pior para defender a representação que Heloísa Helena, com seu moralismo histriônico. Entregaram a Renan, de bandeja, o lugar da vítima.
Mas há outras análises de esquerda mais matizadas sobre o fenômeno: a de Marco Aurélio Weissheimer e a de Alon Feurwerker foram as que mais me agradaram. Curiosamente, são análises opostas. Alon inclusive afirma que não teria votado pela cassação, o que decididamente não é o meu caso. Mas ambas são análises políticas da coisa, e por não confundir política com ética conseguem ir mais fundo.
O que eu acho, então, que o PT deveria ter feito? O que fizeram – provavelmente – Suplicy, Paim, Arns e Delcídio, ou seja, votado a favor da cassação. Mas não sem antes negociar politicamente com a oposição sobre a composição da próxima mesa. Querem a cabeça de Renan numa bandeja? Entregá-la-emos. Para nós é uma concessão, já que ele é fiel componente da base aliada. Vocês, agora, que façam as concessões que acharem que devem. Conversemos. Na política, você não é devedor de ninguém a não ser que o credor esteja em condições de cobrar. Um Renan sem mandato é só um cacique regional, mais nada. Enganam-se os que acham que Renan tinha poder de fogo porque “conhece os podres” de vários senadores. Conhece, sim, mas na posição de franco-atirador sem mandato isso importa pouco.
O problema do PT não foi, então, “lama ética”, mas burrice e ingenuidade política. Acumulou outro desgaste desnecessário, com essa esdrúxula opção de liberar a bancada para votar “segundo a consciência”, para depois tentar escapar da culpa. O fato é que falta à bancada petista no Senado um líder, uma figura de peso. Suplicy poderia ter sido essa figura, se a turma de Dirceu não tivesse passado uma década solapando seu capital político no partido. Mercadante também poderia ter sido mas, assustado com os respingos da história do dossiê, prefiriu não fazer política, escondendo-se em cima do muro. E Ideli Salvatti, em definitivo, não tem envergadura para ser líder de nada. O PT se equivocou no episódio Renan não por falta de ética, mas por falta de política. O que – dada a incompetência da oposição – talvez nem importe muito no fim das contas, já que, segundo informa o Alon, a própria oposição está reduzida a torcer para que Tião Viana (PT-AC) assuma o Senado caso Renan caia. . .
PS 1: Depois de dito tudo isto, eu vou aderir, sim, à campanha: Vergonha nacional.
PS 2: Alô, Bahia! Inaugura-se hoje, aí no Pelourinho, o Museu da Música Brasileira.
PS 3: Impossível não linkar: exame para PM no Rio só aceita candidatos com um mínimo de 20 dentes.
Escrito por Idelber às 01:07 | link para este post
| Comentários (16)
#1
Perfeita a sua análise. Tanto a constatação da falta de uma boa estratégia política do PT quanto a da falta de proposta do PSOL. Aliás, independentemente desse partido represenatr ou não o último bastião da ética na política, a sociedade não acredita mais neste discurso. A última vez que acreditou foi em relação ao PT e o partido agora no governo gerou a desilusão.
Também acredito que nem toda a mídia seja golpista, mas é golpista a porção mais vistosa da mídia. E aí reside, em minha opinião, o maior perigo para a construção de uma democracia mais significativa. Esta mídia trabalhou fortemente para evitar a reeleição de Lula, mas não foi competente. Acredito que agora, para as próximas eleições será muito mais ciosa das suas estratégias. Eu temo, sinceramente, que o próximo governo va ter um perfil muito mais conservador, muito menos preocupado com avanços sociais.
O que eu identifico, neste momento da análise política, é que a crítica que se faz ao governo Lula, devido à sua pequena atuação no campo social, se confunde com a crítica daqueles mais preconceituosos e que não têm e nunca tiveram preocupações sociais, ou seja, os tais "cansados". Essa confusão faz parecer que está todo mundo no mesmo balaio, orientados na mesma direção. Faz parecer que Heloisa Helena e Artur Virgílio são farinha do mesmo saco. Faz parecer que Suplicy e Tasso são feitos do mesmo barro. A crítica tem de ser feita, mas é necessário se posicionar mais claramente quanto à orientação que se quer dar a um próximo governo.
Arnaldo em setembro 19, 2007 9:30 AM
#2
É claro que há sim um tom evidente de golpismo na imprensa/empresa, mas nem tudo é como parece ser. Aprendi, na vida, que burrice demais, é, na verdade, o seu oposto, é esperteza tentando se esconder na burrice. Simplismo demais é, na verdade, o oportunismo tentando se esconder no simplismo. O “simplismo” é sim, para alguns, um modo de vida escolhido, é um dever de ofício. Não percamos tempo com esse tipo.
Tampouco percamos tempo com aquele moralismo petista, sim eu disse moralismo petista, escondido sob o nome de Psol. Não percamos tempo com moralistas histriônicos que, quando tiveram o delírio de ser bem votado nas últimas eleições presidenciais, logo aceitaram os votos da turma do Garotinho.
O caso do Alon é diferente. Sua nteligência é evidente. Sua experiência política, idem. Nada conheço que desabone sua conduta ética/moral. Porque, então, ele, de vez em quando, escreve certas coisas que nos parecem ininteligíveis para alguém com seu conhecimento e inteligência? Isso sim é intrigante. Minha hipótese é que ele está muito longe de ser um crítico, de ter uma visão de negação a tudo que aí está e passou a aceitar as regras do “jogo”. Alon, de certa forma, representa uma certa ala petista. O fundamento teórico dessa ala está em um marxismo científico, positivista, mecaniscista; algo acentuado na URSS. Os “óculos” do Alon continuam os mesmos, o que mudou foi a realidade, foram as circunstâncias. Lula, então, substituiu Stálin no pedestal da seita transformadora. O que afeta negativamente a Lula deve ser combatido. Tudo vale me nome do futuro. Só não vale a burrice, algo que Alon sabe magistralmente evitar. Descomprometido com os votos, com sentido profissional, ele, na posição de intelectual que tem um blog, atento no seu público, absolve Renan Calheiros.
O PT não está padecendo de burrice e/ou ingenuidade e sim do descolamento inevitável de quem se vale de expedientes para sobreviver no poder. O PT se transformou em um apêndice da sua tática. Uma típica inversão sujeito-predicado que Marx tanto alertava. O eleitorado, agora, é só uma massa manobrável com os recursos federais. A imagem de “pai dos pobres” de Lula, imaginam eles, é suficiente para lhes garantir os votos do eleitorado.
bensaiddeitapevi em setembro 19, 2007 11:06 AM
#3
Muito boa sua análise do caso Renan, mais ainda quando aborda os impasses da esquerda no imbróglio. Mas não sei se o PT foi "ingênuo e burro". O raciocínio do PT foi típico do modelo dominante da RealPolitick, baseado nas correlações de forças e nas adequações entre meios e fins -- em suma, instrumental. Talvez, o problema seja mais fundo. Como equacionar politicamente as relações tensas entre política e ética? Não existe uma forma de superar a separação entre a política e a ética, conquista da modernidade desde Maquiavel, sem perder o que tem de positivo nessa separação? Divago: é possível superar o "Modelo Maquiavel" de fazer política, modelo único da Grande Política, sem cair no moralismo? O modelo não parece estar esgotado, atualmente? Eu pergunto, porque não sei a resposta :). Mas a pergunta exige resposta, pois a ética virou uma questão política. Eis o problema. Só arriscando e finalizando: acho que pode existir uma ética da política, especificamente da política democrática (ou numa democracia), porque a democracia é, também, um valor -- portanto, implica normas e regras de conduta, incompatíveis, por exemplo, com a corrupção. Não defendo que os representantes políticos sejam vestais, mas sim que respeitem e temam (!) as normas do espaço público democrático. Tal ponto, muito prosaico, por sinal, já seria um avanço. Há outros, claro, mas o tempo urge!
Artur Perrusi em setembro 19, 2007 11:24 AM
#4
Idelber
Você não vai falar do Jena Six?
André Kenji em setembro 19, 2007 12:23 PM
#5
Idelber,
creio que nesta lambança senatorial, os adjetivos para alguns petistas não se resumem a "burro" e "ingênuo". Cabem outros, digamos, menos republicanos, que não cito aqui, pois sei que este é um ambiente familiar.
Mas, rabisco estas mal digitadas para lhe contestar: Paulo Henrique Amorim não é de esquerda nem aqui nem no Piauí. Na verdade, ele percebeu que há, vá lá, um nicho neste setor e resolveu incorporar este papel de "anti-mídia- golpista-direitista".
Não há quem aguente a ladaínha dele.
Emir Sader também é simplista ao extremo, é vero, mas parece-me que pelo menos ele acredita nas bobagens que fala.
Franciel em setembro 19, 2007 12:25 PM
#6
André, não, por absoluta falta de informação. Estou acompanhando o caso de muito longe :-)
Concordo com tudo o que foi dito pelo Franciel, Artur, Arnaldo e bensaiddeitapevi. Também acho, Artur, que o cálculo do PT foi um cálculo da Realpolitik. Usei a palavra "burro" porque era uma leitura obviamente equivocada. O PT superestimou a força da oposição, numa leitura meramente numérica da composição do Senado. Para mim, foi isso que aconteceu. Concordo que sua pergunta (haverá alguma alternativa além do maquiavelismo x moralismo?) é chave, é a pergunta dos nossos tempos, mas tampouco tenho resposta....
Idelber em setembro 19, 2007 2:42 PM
#7
Idelber
O pessoal do país inteiro parece estar centrado nesse caso do Jena Six(Acho que na Virgínia estão fazendo protestos).
Seria interessante você falar por quê imagino que você conheça o sistema legal da Lousiana e as relações de raça de um estado que quase elegeu David Duke governador. ;-)
Agora, com relação ao PT a coisa é complicada por quê a oposição está usando esses escândalos de corrupção como forma de brecar o funcionamento do governo e sem o PMDB aí que o governo ficaria ilhado. Se bem que os senadores salvaram Renan por quê este certamente atiraria para todo lado se fosse cassado. Ele iria apontar sujeira em todo mundo.
Não que eu seja lulista, mas com o sistema político brasileiro a única forma de se governar é metendo a mão no estrume. Mas achei o texto do PHA sobre o assunto patético.
André Kenji em setembro 19, 2007 3:24 PM
#8
Idelber:
penso q o problema do Alon, nesse caso, foi o de querer fincar o pé na defesa de um clássico princípio liberal q nossos liberais de meia-tigela parecem ter esquecido q existe, o princípio do "devido processo legal".
em outras palavras, qdo se começa a condenar tanta gente sem as devidas provas, o Estado de Direito passa a correr riscos...
na opinião do Alon, e eu concordo com ele, isso aconteceu tanto com a turma do mensalão qto agora, no caso Renan.
por outro lado, tenho dúvidas se realmente Renan, cassado, não teria força pra jogar muita merda no ventilador. Lembre-se de Roberto Jefferson! com certeza, ia haver muitos holofotes para transformar rapidamente Renan, o horrível corrupto da véspera, na ilibada testemunha de acusação contra os alvos prediletos de nossa grande mídia.
abs,
dra em setembro 19, 2007 5:03 PM
#9
É verdade, dra. Talvez eu tenha subestimado a quantidade e o poder dos holofotes que estariam a postos para ecoar as denúncias de Renan, caso ele caísse.
Mas quando ao "devido processo legal", eu manteria o que disse. Amplas chances de defesa lhe foram dadas, e a representação, lembremos, era política, por quebra de decoro, não legal ou criminal.
Idelber em setembro 19, 2007 5:09 PM
#10
Idelber excelente a sua abordagem e os comentários.
Eu,como todo brasileiro com o mínimo de senso estou acompanhando a vida pública deste país, e confesso que há muito deixei de pensar em alguma solução. Os movimentos de protesto me soam fracos, longes e sem credibilidade.
Gostei muito do comentário do " Bensai.."...
Quanto ao link dos dedntes...rssss
francamente, era só o que faltava....
bjos
marilia em setembro 19, 2007 5:31 PM
#11
Não me parece que o estoque de conhecimentos do renan sobre os senadores e sobre o governo seja, de fato, na prática, um verdadeiro instrumento de defesa dele. Mostre-me quem, além do Roberto Jeferson, saiu do governo atirando pesado? O governo, evidentemente, também tem "bala na agulha" contra o Renan e seus negócios familiares. O que pesou para o governo lutar pela continuidade do Renan foi a necessidade de mostrar para seus aliados que não vai deixá-los "morrer na praia". A manutenção do Renan uma demonstração de lealdade política, algo que nunca caracterizou o PT, algo que quem fez política com o PT sabe que ele não preza nem pratica. A manutenção do Renan foi mais em função de necessidades internas à aliança governista do que em função do medo de suas revelações. Sendo assim, o decisivo apoio do PT, a manutenção do Renan, evidencia uma fraqueza e não uma solidez na aliança governista. O que acabou mantendo o renan foram as antigas e freqüentes traições políticas do PT aos seus aliados.
bensaiddeitapevi em setembro 19, 2007 7:30 PM
#12
Ah, no comentário anterior eu esqueci de fazer menção a algo relevante. Foi uma bela vingança dos aliados do PT. Ela desnudou todos, eu disse todos, os senadores petistas. Mostrou que eles são servis ao Executivo, covardes e demagogos. A abstenção foi uma comédia. Em suma, de certa forma, o episódio Renan serviu para desmascarar certos demagogos. Isso terá resultadso práticos? Parece-me que não. Um eleitorado ignorante continuará votando em quem o novo "pai dos pobres" mandar. A camada média preconceituosos continuará odiando Lula & Cia. Mas parece que se está assistindo o começo do fim da aura ética de alguns.
bensaiddeitapevi em setembro 20, 2007 8:46 AM
#13
Em 2003, no começo do governo Lula, o cientista político (e insuspeito) Fábio Wanderley Reis saudou o "realismo político" do PT ao tomar as primeiras medidas. O partido não se isolou, assumiu a bandeira de uma reforma previdenciária que tanto havia criticado no passado. Os petistas, para ele, amadureceram e não tentaram refundar nada.
O "mensalão", descobriu-se depois, foi feito justamente para viabilizar esse "realismo político". Uma reforma para agradar o sistema financeiro. Daí vieram as críticas de que o PT errou na dose. Mas não era para ser realista?
Renan Calheiros foi um ministro da Justiça ovacionado de FHC e teve sua gestão considerada muito boa pelo foco em direitos do consumidor. Repita-se: ninguém questionou, na época, o fato de ele ter sido um dos arquitetos de Collor. O realismo tucano era uma coisa extraordinária. Ou como diz Luis Nassif, foi coisa de bons operadores políticos.
FHC tinha sempre José Arthur Gianotti para teorizar o "interstício moral" da política, uma zona cinzenta onde se poderiam burlar certos preceitos em nome da eficiência, da competência.
Por que o PT deve continuar um anjo e não pode usar a "zona cinzenta"?
Por que só podem os profissionais tucanos do PSDB e os pefelistas do DEM?
Por acaso, a mídia não adora a "zona cinzenta" quando alega divulgar informações de interesse público?
Na absolvição de Renan, houve sim muita política. Um pacto macabro no qual o PDMB entregou sua alma ao PT. E Lula pode ter conseguido o controle mesmo sobre o Senado, que tem figuras altamente éticas e exemplares em José Agripino Maia, Arthur Virgílio e Heráclito Fortes.
O trio que nunca fez lobby para bancos (lá na CPI dos Precatórios, no século passado), empresas da Zona Franca de Manaus (oh, saudosa lei da informática), e nem se envolveu em casos de pedofilia (os rios amazônicos são afrodisíacos). Isso, eles jamais fariam.
Vá falar mal do trio em seus estados de origem: o sujeito amanhece com a boca cheia de formiga, em algum canal de esgoto construído por meio de contratos mais do que superfaturados.
Heloiza em setembro 20, 2007 8:58 AM
#14
Brilhante o seu comentário, Heloiza. Assino embaixo, em cima e dos lados. Nada a acrescentar.
Idelber em setembro 20, 2007 1:12 PM
#15
E o Tomanocu Day? http://www.verbeat.org/blogs/tncd/
Falta à política entender que a rede é o canal da democrcia no futuro e falta à rede mostrar isso à política. Mas serà possível que o Estadão tem razão?
Flavio Prada em setembro 20, 2007 3:18 PM
#16
Enquanto os petistas tomarem como padrão os tucanos (ué? a gente também não pode ficar fazer realpolitik), discursos como o da Heloiza vao ecoar por muito tempo.
Em 1992, com o impeachment de Collor, o PT tomou a frente no debate sobre a ética na política. Quer dizer então que o debate da ética na política não passou de uma "máscara" circunstancial, de uma jogada tática, num momento em que tal discurso parecia ser instrumental para ocupar um espaço no quadro político brasileiro? Quer dizer que em 1992 quando José Genoíno bradava por uma nova maneira de fazer política, criticando e denunciando políticos que usavam de cargos públicos pra obter benefícios privados, a bandeira da ética não era moralismo udenista? Ou o discurso da ética só se torna moralismo udenista quando voltado contra o PT?
O que me incomoda no argumento da Heloiza é que a crítica ao estado de coisas toma como parâmetro o PSDB e os demos. Não me interessa comparar o PT a esse covil de tucanos e pefelês. E aqui não digo o PT deva ser "anjo", pois ética na política não é agir como anjo, mas tentar mudar ao menos os termos das negociações e do diálogo. A política é o espaço da batalha ranhida, mas essa batalha não se ganha por meio do cinismo, aderindo a uma linguagem política (mensalões, loteamentos de cargo) por tanto tempo criticada.
Cesar em setembro 20, 2007 8:28 PM
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