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sexta-feira, 14 de setembro 2007

Clube de Leituras: Borges

Borges-II.jpg Umas duas gerações atrás fiz um post anunciando outra encarnação do clube de leituras, agora sobre Borges, num bate-bola com o curso de pós-graduação que estou oferecendo aqui em Tulane. Pois bem, se houver alguém por aí com interesse em discutir Borges, fique avisado que a brincadeira começa nesta segunda-feira com “Loteria em Babilônia”, conto que é parte do livro Ficciones, que está disponível na internet em espanhol.

Ao subir uma escada na noite de Natal de 1938, Borges quase arrebenta a cabeça numa janela aberta e passa algumas semanas de cama, com momentos de febre e delírio. Estava longe de ser um desconhecido: já havia escrito três volumes de poemas, cinco de ensaios e pilhas de resenhas de livros e filmes, além de ter reunido uma compilação de “causos” de criminosos. Mas, com a exceção do relato “Homem da esquina rosada”, não havia publicado contos. Em pânico com a possibilidade de ter perdido a capacidade de escrever, decide tentar o que nunca havia feito.

Segundo o raciocínio – típicamente borgeano --, se ele tentasse escrever um poema ou uma resenha e fracassasse, se sentiria completamente derrotado. Se, ao tentar um conto, não saísse nada, o fracasso não significaria tanto assim. Afinal de contas, tentara algo que nunca havia realizado. O fruto dessa tentativa foi “Pierre Menard, autor do Quixote”, conto que dá início à série de relatos pelos quais Borges se tornaria mundialmente conhecido. "Loteria em Babilônia" veio logo em seguida: foi publicado na revista Sur em janeiro de 1941.

Estamos começando a mergulhar nesses contos agora e deixamos o convite para que você se junte a nós na segunda-feira, com um papo sobre “Loteria em Babilônia”, esse relato tão insólito. Se quiser passar o fim de semana com Borges, é só baixar e ler.

PS: Obrigado à conterrânea e extraordinária blogueira Luiza Voll pela entrevista que me coloca em tão ilustre companhia.



  Escrito por Idelber às 18:12 | link para este post | Comentários (17)


Comentários

#1

Opa, tem espaço para qualquer hora aceitar um orientando em Foucault x literatura x Borges? (rsss)

abração,

catatau em setembro 14, 2007 7:04 PM


#2

Cool, cool, cool!

Cássio em setembro 14, 2007 7:43 PM


#3

Idelber, eu tenho o "obras completas" do Borges, traduzido para o português. Apesar de ter lido alguns contos (inclusive "Pierre Menard...") ainda não consegui, digamos, me identificar com o autor.
Estou afim de participar do clube de leituras, mas meu espanhol é fraquíssimo e não sei se conseguiria ter um entendimento decente do conto se o lesse nesta língua.
Eu posso participar, mesmo lendo o conto traduzido ou você acha que vale fazer um esforço para ler a versão original, mesmo com meu espanhol de meia-tigela?

Bruno Torres em setembro 15, 2007 12:05 PM


#4

Catatau, hora que quiser!

Bruno, em português também está ótimo. Borges perde muito pouco em tradução ao português -- escreve num castelhano castiço, clássico. Legal que você esteja com a gente nessa :-)

Idelber em setembro 15, 2007 5:35 PM


#5

Idelber, poderias me fazer um grande favor?

Estou na Buenos Aires de Borges até o próximo domingo, dia 23 - pretendo inclusive ver Boca X Sao Paulo na Bombonera durante a semana - e, bem, o preço dos livros aqui está baixíssimo. Entao, poderias deixar lá no meu blog o nome de uns 3 livros matadores (romances ou contos) de autores argentinos modernos? Ficaria muito feliz.

As livrarias de Palermo Viejo estao (onde está o til nesta mierda de teclado?) te esperando, rapaz. PQP, como tem coisa boa!!!

Infelizmente, o turismo me impedirá de participar da tua Loteria de segunda-feira. Um bom debate para ti, para teus alunos e leitores.

P.S.- Só nao me acuse de ter fugido do Grenal, tá?

Grande abraço.

Milton Ribeiro em setembro 15, 2007 8:52 PM


#6

Mandei por email, Milton. Absurdo colocar uma lista de livros embaixo das fotos daquela mulher :-)

Idelber em setembro 15, 2007 9:06 PM


#7


Como o Bruno eu também tenho as obras completas de Borges em português e também como ele meu espanhol é péssimo.
Mas esse teu post me fez lembrar que preciso reler Borges.
Beijos

Alcinéa Cavalcante em setembro 16, 2007 3:08 AM


#8

Bom, contamos com você, Alcinéa.

E finalmente consegui atualizar o link para o seu blog :-)

Idelber em setembro 16, 2007 3:12 AM


#9

Desculpe o off topic Idelber. Se trata de um novo blog para uma idéia antiga: http://www.verbeat.org/blogs/tncd/
Contamos com o amigo.

Flavio Prada em setembro 16, 2007 11:24 AM


#10

Idelber

Baixei o "Loteria em Babilônia". Não pude iniciar a leitura ainda porque fiquei muito tempo olhando o "farto" conteúdo do blog do Milton Ribeiro.

Até os colorados, mesmo gostando de futebol-arte e outras "carioquices", às vezes acertam.

Bueno, vou iniciar a leitura. O texto parece complexo, mas, com a capacidade de sacrifício gremista, hei de vencê-lo.

Saudações democráticas.

Ricardo Petrucci Souto em setembro 16, 2007 3:08 PM


#11

Flavio, visitei, gostei da idéia. Contem comigo, sim.

Ricardo, não há gremista que, com um pouco de esforço, não dê conta de um argentino... Abraços,

Idelber em setembro 16, 2007 6:07 PM


#12

Idalba,

Embora eu prefira outros contos do Borges, como "O Sul" (meu predileto uber alles) e "A Casa de Asterion", me sinto incapaz de recusar um desafio desses. Tô dentro, embora não saiba bem como funciona.

Hermenauta em setembro 16, 2007 10:42 PM


#13

Tô dentro, embora não saiba bem como funciona.

É só passar aqui nesta segunda, Hermê, e escrever. Ou escrever lá e linkar, tanto faz :-)

E o "O sul" vem por aí, é do próximo livro.

Idelber em setembro 17, 2007 12:33 AM


#14

I'm in.

Mac Williams em setembro 17, 2007 12:41 PM


#15

Vi o desafio no blog do Hermenauta e publicarei algo no ProtoSophos nas próximas horas. (:

Bela idéia.

Adriano em setembro 17, 2007 1:35 PM


#16

Vi a idéia no Blog do Marcus e achei-a excelente!

Cheguei tarde para comentar este conto, mas no da próxima semana participo!

Carla em setembro 20, 2007 7:51 PM


#17

Jorge Luis Borges (Pensadilhos de Percebimentos)

Silas Correa Leite | 17/10/2006

“Um sentido mais alto me sussura: -Há que aguardar muitos outros sinais,
que eles virãocomo proezas que entristecem ou alegrem o espírito”.
Ascendino Leite — Um Ano No Outono

Jorge Luis Borges está na moda, como sempre. Aliás, nunca saiu, diga-se de passagem, porque o que é bom é bom para sempre. Dura. Sempre há um rico motivo para o relembramos, por qualquer desculpa-data que o enseja. Jorge Luis Borges existiu ou foi uma invenção meio Piazzola-Gardel?


Fruto da imaginação austral do Argentino normalmente meio que gabola pra nossa inveja camoniana?


Jorge Luis Borges se não existisse teria que ser inventado, como um mito. Era um Maradona a seco que fazia com a mão e a cabeça, as fintas entro de um território muito além da imaginação. Já pensou?


Gênio? Louco? Freudiano. Lendas correm sobre ele, viçam. Sobre o que ele não disse e também o que poderia dizer. Textos e contações e prosopopéias. Ou o que ele quis dizer quando se calou. Esse é o bolero-blues de Borges. De uma louca lucidez limpa, com uma literatura espetacular, ele fazia a poesia desmiolada (cabide de pregos), o conto-ensaio (ficções), a palavra ao pé da letra.


Já imaginou?


Jorge Luis Borges, britânico-latino, mito e satisfação de lê-lo, sabê-lo, colhê-lo – alguém aí disse entender no primeiro arrazoado? Nem pensar. Ele escrevia sobre o que o leitor tinha que pintar a reflexão pro entendimento acima da lei. Ferino, lírico, real-surreal, novidadeiro, cheio de panca – com elegância – e alto domínio de línguas e letras e variações em torno do mesmo estilo de lambanças e releituras: ele de si.


Borges, a excelência da escrita quase pintura, do deleite de saber reler, oxigenando corações e mentes, pintando o sete, com aquela cara de arlequim lambido e as pencas de prosas e criticas. Visionário, sem dúvida. Inesgotável. E questionava a crítica que não o sabia compreender inteiro e completo. Quem o traduziria para o entendimento linear de seu tempo atribulado?


Quem foi o latino-europeu Borges? A estética perene da inteligência sentenciada em seu fazer silos de palavras. Milongueiro no self de si. Sendero (senda espinhosa) que foi personagem de si mesmo. Entrevistas, cartas, registros, rascunhos. Pistas falsas, fabricadas (a propósito dele) ou jogo marcado, jogo de cena?. Jogo de xadrez labiríntico pintou-se espelho. O inverossímil enlivrado. A alucinação criativa como um redemoinho furta-cor de tantas coisas que fez, que foi, que burilou, que até inventou de inventar, multidimensional, polivalente, eclético como um desbunde.


Um dos maiores e melhores escritores da nossa paradoxal sulamérica de ibéricas utópicas. O deleite de escrever-se - destilar-se - ver-ter-se; meio quasímo-organdi a ver o invisível, narrar o indizível, biblioteca sagracial na alma; um quase coiso muito além de humanus, num circus de humanus. Ainda assim pleno e táctil.


Os livros dele. A alma-livro dele virou livro livre. Todas as páginas são Borges. Celeumas, paradigmas, retratações, pós e contras, e lá está Borges numa esquina de um café de Buenos Aires, muito além de las locas de maio, sonhando a redenção de si pela obra inquestionável, pelo que criou irreverente, nobre e assim mesmo pegajoso, fora do comum, fora de série. Clássico latino.


Escrevia para ser entendido por quem era do ramo, do oficio, do baú das letras. Polemizar era sua praia porque era sua cara-coragem como conseqüência da bagagem atônita de si.


Temos que rever Borges, sonhar Borges – pesadelar Borges – ilhá-lo num tempo de só relê-lo inteiro e completo (se isso for possível numa só vida), revendo o tácito, o implícito, o desdizer, as entrelinhas, misturando sua vida, seus miolos, e o macadame-obra-prima que é todo ele pelo lastro que deixou, universalizando sua inenarrável dor.


Dor de existir?. Dor de saber antes? De pensar o sem símbolo qualificável como se dessa dimensão?


Saravá Garcia Marques.


Desculpe, cara pálida, Borges é para poucos. Borges não é para qualquer um. Ele adora andar na contracorrente dos rios narrativos, habitar os pântanos das margens plácidas de seus criames, tem que ter, ponhamos, cabeça aberta, olhos vivíssimos, cultura vívida, lastro largo, sensibilidade louca, sensorialidade hangar, pescar as pistas, rever, reler, ir e voltar, anotar, registrar, pensar sobre o ver, pensar sobre o ler, ir pensando-repensando em quanto o lê com um radar-asa-de-abutre para sacá-lo inteiro e pleno e total. Mas não é fácil. As vezes Jorge Luis Borges é isso mesmo, um pé no sacro. Cadê você?


Jorge Luis Borges não veio para explicar-(se).


Veio para confundir ainda mais a babel literária, pondo fogo na canjica dessa mixórdia que é pensar a escrita voraz, altaneira, dando mais lodo à contradição humana por excelência, varando modelos e etiquetas, às vezes se misturando aqui e ali, dando pano pra manga, mas sempre ele mesmo no contraditório difícil jogo de sobreviver enquanto lúcido e sofredor disso e por isso mesmo marcado pelos deuses, como um estigma que comportou só na literatura, não na sua vida-livro.


Deus enlouquece seus escolhidos?


Ser escritor foi sua purgação, libertação ou condenação? Talvez até anunciação. Periga ser.


Tudo a ler?


Borges vive!


Ai de ti Planeta Húmus!

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Apontamentos Fragmentados: Silas Corrêa Leite, Estância Boêmia de Itararé-SP

Autor de Porta-Lapsos, Poemas, 2005

E-mail: poesilas@terra.com.br

E-book O RINOCERONTE DE CLARICE no site

www.hotbook.com.br/int01scl.htm

Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm

silas correa leite em maio 15, 2008 12:46 PM