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segunda-feira, 24 de setembro 2007
Dois silogismos de pé quebrado
Lendo alguns arautos da direita brasileira, nota-se algo curioso, que aflorou mais uma vez na polêmica sobre os livros didáticos. A direita brasileira (não toda ela, é verdade) repete insistentemente dois bordões contraditórios entre si. Os colunistas da Veja, por exemplo, deveriam se decidir:
1. Ou o Brasil é um país no qual está em curso uma perigosa doutrinação nos colégios e universidades, onde professores cripto-comunistas manipulam os jovens com conteúdo esquerdista nas aulas.
2. Ou o Brasil é um país no qual o Sapo Barbudo só tem o apoio de desdentados miseráveis que se vendem pelo prato de comida do Bolsa Família, enquanto as pessoas instruídas e bem-informadas votam com a oposição.
Acreditar nas duas coisas fica meio difícil, né? Os dois postulados, não sei se deu para perceber, são contraditórios entre si.
Escrito por Idelber às 03:24 | link para este post
| Comentários (14)
#1
ué, eles podem acham que acontece a perigosa doutrinacao da opção 1, mas que como ela não é muito eficiente (ou como os colunistas de direita são tão eficientes que conseguem revertê-la), quando o pessoal fica adulto já consegue pensar por conta própria e só os desdentados ignorantes ainda apoiam o sapo barbudo, como na opcao 2...
alex castro em setembro 24, 2007 3:41 AM
#2
Salve, meu caro.
Acrescente a recente descoberta de um dos meus colegas cientistas políticos: a de que temos uma elite com valores democráticos, igualitários e honestos e que as práticas autoritárias e clientelistas que prevalecem em nosso país são culpa da choldra que nos governa há 500 anos. Com uma direita desse calibre de pensamento, Hebe Camargo é mesmo a principal intelectual orgânica da oposição.
Abraços
Mauricio Santoro em setembro 24, 2007 11:36 AM
#3
Contraditório, estúpido, preconceituoso, mas cabe como uma luva para os que precisam demonstrar tudo a partir de seu ponto de vista. E há quem acredite neles! Paciência. Na verdade, do lado de cá temos também nossos discursos pra boi dormir. Mas,claro, não são assunto para a Veja.
Parabéns pelo blog!
Ana Cláudia em setembro 24, 2007 1:19 PM
#4
Vc q não entendeu, Idelber, os professores cripto-comunistas recebem tão mal que são os "desdentados miseráveis que se vende[riam] pelo prato de comida do Bolsa Família", oras... ;-)
Ulisses Adirt em setembro 24, 2007 2:35 PM
#5
boa :-)
a opção do alex também valeria -- se os anaeróbicos aceitassem que qualquer isolado intento de "doutrinação" tende a fracassar...
Idelber em setembro 24, 2007 2:48 PM
#6
Nem uma coisa, nem outra.
Brasileiros de todas as tendências e procedências tornaram-se Neo-liberais. Tudo é ‘projeto’. Conhecimento passou a ser adquirido com mecanismos de ‘capacitação’.
O país que há quase 500 anos (por favor, não quero parodiar ninguém) planta cana-de-açúcar de onde obtém o açúcar (naturalmente) e o álcool, além da cachaça é claro, passa a chamar de etanol o produto obtido, em nome de uma moralidade buscada não se sabe bem onde.
E por aí vai.
O Brasil crescerá nesse e nós próximos anos? Certamente que sim. Mas em um processo “chinês” (pouco respeito a natureza), em que os períodos anteriores de alguma negligência nesta área terão parecido brincadeira.
Das relações cordiais que nós brasileiros ainda mantemos, creio que só permanecerá aquele sentimento rodriguianamente expresso (o Oto Lara).
E então um Renan ou alguém com sua maneira, virá, sebastianamente, ser o líder do nosso país.
Paulo em setembro 24, 2007 4:11 PM
#7
A cartilha do Prof Schmidt foi usada basicamente na escola pública, ou seja, junto aos 80% mais pobres. Os 20% mais ricos vão em boa parte para a escola particular e têm, naturalmente, muitas outras fontes de informação que competem com o que aprendem na escola
F. Arranhaponte em setembro 24, 2007 4:34 PM
#8
Também valeria como solução, Arranhaponte, se não fosse tão comum entre R. Azevedo e cia. (com quem, eu sei, você com frequência não comunga), o argumento de que as piores cartilhas esquerdistas não estão nas escolas públicas do Piauí, mas nas USP e congêneres. Aí, você há de convir, fica difícil.
Idelber em setembro 24, 2007 4:42 PM
#9
e a caixa de pandora (ou o saco de jornalices) ainda nem foi aberto...
o maior medo dessa tchurma é ver o PT emplacar um sucessor (daí esse povo morre...)
mas como dizia o outro: sou desdentado mas não sou burro!
Nós os "desdentados" professores da escola pública nem temos tempo de pensar nessas coisas, correndo de uma escola para outra...
tereh em setembro 24, 2007 7:41 PM
#10
nada disso. o LFV é quem tem razão: o Brasil tem uma elite maravilhosa, super gente fina e bem-educada. o problema tá é no povo. o país precisa de um povo novo. Ha.
vejo tudo e não morro em setembro 24, 2007 7:55 PM
#11
Não resisti e tive de comentar no Palatando, meu outro blog. :) Mesmo porque não se encaixava tão bem no ProtoS. Obrigado pela idéia, rapá.
A. em setembro 24, 2007 8:59 PM
#12
Agora passo por uma crise de identidade: se eu tive professores "cripto-comunistas" no colégio e sou anti-Lula, quem sou eu???
Ana Carolina em setembro 25, 2007 10:22 AM
#13
Grande Idelber, encontrei uma posição parecida no blog Imprensa Marrom no seguinte post de 21. 09. 2007: EDUCAÇÃO NO BRASIL: UMA CONTRADIÇÃO INTERESSANTE DOS NOSSOS CONSERVADOREZINHOS. Abração!
Artur Perrusi em setembro 25, 2007 11:45 AM
#14
Gostava dos Brizolões. Horário quase que igual ao dos EUA, banho, esporte e comida. Saiu Brizola e f*d*uróvski Brizolões. Os governos não governam para seus eleitores. Governam para seus umbigos.
É uma piadinha que recebi hoje de Brasília. O coronel Dias anuncia que pagará mil cruzeiros por cada denúncia de subversivos na área.
Um carinha diz que sabe de dois e pergunta se receberia 2 mil cruzeiros. Mas sim.
Ah, conheço trinta...
Então o senhor vai em cana por associação.
enviado de uma jurássica por Billary 2008.
Saudades, Idelber. Nada como boa discussão política. Minha geração ex-esquerda está ou pobrona chillona ou rica no governo e feliz. Hoje não sou nada.
Beijos,
- Tina do sintagma duplo
tina oiticica harris em setembro 25, 2007 3:26 PM