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segunda-feira, 03 de setembro 2007

Estadão x blogs: Acorda, professor!

Ah, o infinito talento da universidade para dar tiros nos pés! A gente tenta defender a danada, compra até debate com amigos, mas não adianta: ela continua fazendo o possível e o impossível para confirmar a fama de prepotente, arrogante e cega ante o mundo ao seu redor. O último exemplo foi o debate sobre responsabilidade e conteúdo digital promovido pelo Estadão, a raiz da malfadada campanha feita pela agência Talent para o jornal, comparando os blogueiros a macacos. O prof. Gilson Schwartz, da USP (tinha que ser da USP!), pagou um grande mico com sua participação e já deve ter percebido isso. A íntegra do debate está disponível no Estadão, mas o Rodrigo Barba também postou uma versão noYouTube:

Sobre a campanha, já não há muito o que dizer depois da enxurrada de posts que ela gerou: particularmente, acho difícil concordar com os que disseram que o Estadão apostou no velho “falem mal, mas falem de mim” como forma de ganhar publicidade gratuita na internet. Mais próximo da verdade estará o Cris Dias, quando opina que provavelmente um executivo encomendou uma campanha que tentasse reverter a perda de audiência dos jornais para a internet e a Talent mandou essa tremenda bola fora.

Na tentativa de remendar, chamaram três blogueiros para um debate: Carlos Merigo, do Brainstorm # 9, a Bruna, do Sedentário e Hiperativo e o Edney, do Interney, além do Pedro Dória. Completaram a mesa João Livi, diretor de criação da Talent; Marcelo Salles Gomes, diretor do Núcleo Digital do jornal Meio&Mensagem, Osvaldo Barbosa Lima, presidente do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e o citado Prof. Schwartz, da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP.

Ficou por aí uma sensação de que faltou traquejo aos blogueiros para questionar mais duramente o Estadão e a Talent sobre a questão da credibilidade. Os jornalistas, publicitário e professor pilotavam o debate e depois de assistir o vídeo ficou difícil escapar da sensação de que os blogueiros estavam ali para legitimar uma “limpada” na imagem do Estadão. Edney deu uma bela resposta a um mal-informado comentário de Schwartz sobre a rentabilidade dos blogs mas, no geral, faltou conflito, especialmente considerando-se que o debate ocorria na esteia de um grotesco ataque do Estadão aos blogs.

O Cardoso ficou putíssimo com a forma como os blogueiros foram engolidos dentro do clima de “cordialidade” que ali, claro, só servia ao interesse de limpar a barra do Estadão. Como apontou o Cardoso, o Gilson Schwartz disse que o “Estadão tinha mais era que descer o cacete mesmo”, que a blogosfera era uma “lixolândia” e ninguém reagiu. Nessas horas, há que se mandar a cordialidade às favas. Eu, pessoalmente, não me importo nem um pouco de ganhar desafetos por escrever o que penso (mas, Cardoso, o Schwartz não é “digno representante e admirador da Blogosfera Intelectual”, seja lá o que for isso: ele é representante dos que acham que toda a blogosfera é um lixo, sem ter lido, claro, nenhum blog).

Não compartilho a percepção do meu amigo Pedro Dória sobre a “falta de relevância” da blogosfera brasileira. Comparações com a blogosfera americana não ajudam, pelas assimetrias que todos conhecemos. Faltou alguém que apontasse que no Brasil já há uma considerável história: blogs que descobriram plágio em discursos de senador (descoberta, por sua vez, depois plagiada pela grande mídia), blogs que foram processados por senadores depois de causar considerável impacto na eleição, blogs que viraram referência para os próprios congressistas sentirem o clima político do país, blogs que, infelizmente, conseguiram derrubar e desfinanciar projetos de pesquisa. Claro que falta muito, que se pode crescer mais, etc. Mas não vejo nenhum “problema de relevância”. As coisas crescem no seu ritmo.

Outra coisa que ficou nítida no debate foi a vontade, tanto do moderador como do representante da Talent, de martelar que a “campanha havia sido mal compreendida”, que “não havia ataque aos blogueiros”, que só se tratava de uma chamada de atenção para a qualidade da informação, etc. Poucas coisas me irritam tanto quanto isso: o sujeito escreve A, 40.000 pessoas entendem e criticam A, e o sujeito volta para dizer que foi “mal compreendido”. Reitere o que disse ou retire o que disse, mas pelamor, não finja que o planeta e a torcida do Corinthians o compreenderam mal. Isso aconteceu também, por exemplo, no caso Janine Ribeiro – que teve a oportunidade de reiterar ou retirar, mas prefiriu dizer que a humanidade não o havia compreendido.

O Prof. Schwartz, claro, deu mais uma bela contribuição para que a imagem pública da universidade continue piorando. Mais que no infeliz uso do termo “lixolândia”, mais que na apropriação infeliz da metáfora dos “macacos”, a ignorância do acadêmico sobre o fenômeno que debatia ficou clara quando pontificou sobre o fato de que, supostamente, o problema dos blogs seria que “todo mundo virou emissor”, num recurso a um modelo completamente ultrapassado de comunicação. Não é no terreno dos blogs que “todo mundo é emissor”. Se há um espaço em que “todo mundo é emissor”, é justamente nas revistas acadêmicas, que só são lidas pelos próprios autores. Caramba, rapaziada: será que ninguém teve presença de espírito para dizer uai, professor, eu achava que todo mundo era emissor naquelas revistas que vocês fazem na USP, que só são lidas pelos que nelas escrevem.

PS: Mais sobre a polêmica:

1. Falso debate, de Hernani Dimantas.

2. A Talent tenta limpar a barra, no Blue Bus.

3. Estadão recua, por Guilherme Azevedo.

4. Um bom resumo, no Anderson Costa.

5. Renato Cruz insiste que a "intenção não foi ofender", esquecendo-se do velho e bom ditado sobre quão cheio de boas intenções anda o inferno.

6. O Blogajuda concorda com o Prof. Schwartz, dizendo que faltam "receptores minimamente inteligentes". É a observação da qual eu mais discordo. Se há uma coisa que não deixa de me encantar nos meus três anos de blogagem, é justamente a quantidade de receptores inteligentes que encontrei.

7. Paulo Bicarato faz uma bela observação: quando um sistema emergente aparece, é porque já está mais que consolidado.

8. Enquanto isso, Ivan Lessa dá show de bola.



  Escrito por Idelber às 01:13 | link para este post | Comentários (38)


Comentários

#1

Olá Idelber, não sei se vc leu a minha versão do debate: http://www.interney.net/?p=9760282 mas de fato faltou traquejo da nossa parte.

Da próxima vez espero estar melhor preparado.

Edney Souza em setembro 3, 2007 8:54 AM


#2

Bem-vindo à labuta, Idelber!

Sobre o debate... bem... er... a própria estruturação do debate leva ao "bom comportamento" e ao "jogo de flores". Os blogueiros poderiam polemizar mais? Claro, mas é muita gente discutindo, muito pouco tempo para cada um -- o tom duro e polemista resgataria, quem sabe, a honra perdida dos blogueiros, tipo Cardoso, mas não sei se ia alavancar a qualidade da discussão. Acho até que, dentro dos limites desse tipo de debate, a qualidade da discussão foi interessante, exceto a intervenção de G.S.

Mas quero mesmo é comentar essa tua afirmação: "Se há um espaço em que 'todo mundo é emissor', é justamente nas revistas acadêmicas, que só são lidas pelos próprios autores". Carai (como exclamaria a inefável torcida do Santinha), você tem toda razão. Eu mesmo sou da comissão editorial de uma revista de um programa de pós-graduação, "Política & Trabalho" (http://www.cchla.ufpb.br/politicaetrabalho/)... A gente se mata para fazê-la nas condições acadêmicas de uma universidade como a UFPB, e somos todos Sísifos, pois quase ninguém lê. Um dia, chegou um artigo de Alex Honneth em... alemão! E, agora, quem traduz? Há dinheiro para a tradução? Sem financiamento, toda revista acadêmica tem um orçamento famélico. E quem compra, atualmente, revista acadêmica?

Por mim, não teria a versão impressa, mas tem as imposições da Capes. Parece-me que o modelo de revista acadêmica esgotou-se de alguma forma. Talvez, a internet permita o surgimento de uma forma de publicação mais dinâmica, mas precisamos de gente e massa crítica para pensar sobre o assunto. Quem tem tempo? Abração.

Artur Perrusi em setembro 3, 2007 10:04 AM


#3

O problema não é traquejo. Chamar três blogueiros extremamente jovens(Pô, a Bruna tem cerca de vinte e um anos) para discutir com CINCO jornalistas experientes ou é desorganização das brabas ou desonestidade pura e simples.

E como acabei de postar, o problema não são tanto os blogs terem confiança ou não(Eu sou bastante crítico da blogosfera brasileira, que ainda precisaria de um Volokh Conspiracy ou de um Juan Cole), mas sim se o Estadão está na posição de apontar isso. E creio que não está.

André Kenji em setembro 3, 2007 10:24 AM


#4

Caro André Kenji, você tocou no ponto central: a desonestidade solerte de colocar jovens blogueiros contra experientes jornalistas.
O próprio Pedro Dória, que tem um blog ótimo, colocou-se na popsição de propagandista do Estadão, ao colocar no blog dele uma propaganda enganosa, mentirosa, daquela empresa.
Todo homem de inmprensa sabe que tem um patrão e que, por salário ou outras recompensas, pode ser facilmente substituído. Ele pode ser muito inteligente, muito culto, erudito, mas na empresa/jornal ele segue a vontade/política do patrão. O blog, em princípio, seria a libertação disso. Lendo meia dízia de blogs bem escolhidos fica-se mais "antenado" do que lendo a que idadequadamente é chamada grande imprensa, pois esta só veicula o que o patrão quer que nós saibamos.

bensaiddeitapevi em setembro 3, 2007 11:23 AM


#5

Deixa eu defender meu lado aqui, senão daqui a pouco vão me tachar de "anti-Cristo da Blogosfera 2".

Escrevi que concordo com as colocações do prof. Schwartz, como de fato concordo. Porém, o fato de eu concordar com as opiniões, não significa que concordo com a maneira pela qual ela foi colocada. O prof. foi infeliz em algumas colocações e metáforas, sim, mas isso não tira o mérito de suas colocações. Talvez visitemos "micro-blogosferas" diferentes, Idelber, mas a que eu visito, em boa parte graças ao BlogAjuda, cujo foco é ajudar bloggers iniciantes a se virar e a fazer dinheiro, é uma lástima. Um monte de bobocas escrevendo acidente, tragédia, sexo, assim mesmo, em negrito, com a finalidade de atrair outros bobocas via Google, e fazer algum dinheiro em cima da ignorância alheia.

Não generalizo; existem blogs bons, num número razoável até, mas a maioria é medíocre. Existem leitores bons? Muitos, mas a maioria é medíocre também, não chega ao nível de "minimamente inteligente". Quer exemplos? Leia os comentários destes posts, do meu blog, que, se não é o ápice da intelectualidade, pelo menos não usa subterfúgios questionáveis para atrair visitantes bobocas.

Os blogs, três anos atrás, eram um refúgio de gente bacana, sem pretensões maiores, que escreviam coisas divertidas, interessantes e relevantes. Como já escrevi n'outro lugar (me falha a memória agora), antigamente a proporção de blogs ruins em relação aos bons era de 1 para cada 10; hoje, essa proporção é diametralmente inversa, e não raras vezes, inexistente, dada a enorme quantidade de lixo que está sendo produzida, cujo único fim é a ilusão de ganhar dinheiro fácil.

Enfim, só queria esclarecer isso tudo, pois da maneira como você citou meu texto aqui, mostrando apenas um dos vários pontos que levantei nele, ficou a sensação de que eu generalizei, coisa que não fiz.

Ah, aproveitando meu primeiro comentário em seu blog, gostaria de parabenizá-lo. Embora seja a primeira vez na caixa de comentários, sempre leio seus textos - e gosto muito deles!

[]'s!

Rodrigo P. Ghedin em setembro 3, 2007 12:23 PM


#6

Caro Edney, li, sim. Não foi o permalink porque já estava o link geral ao seu blog, mas foi principalmente em você que eu estava pensando quando falei da sensação de que poderia ter havido mais conflito e mais questionamento da posição do Estadão. Acho que você saiu também com essa sensação, não é?

Caro Artur, concordo totalmente com você. O modelo de revista acadêmica tem que ser repensado. Aqui nos EUA já não é incomum que as revistas acadêmicas migrem completamente para a internet: baixa o custo e aumenta o leitorado. Perde-se, claro, a "aura" da publicação do papel -- e suspeito que é por isso que muita gente ainda resiste à mudança. Mas ela é inevitável. Do jeito que está, não dá.

Caro André e bensaiddeitapevi, sem dúvida: a campanha tinha o objetivo de "limpar a barra" do Estadão e a correlação de forças escolhida refletia isso. Mas mesmo assim acho que valeu a participação dos três blogueiros.

Idelber em setembro 3, 2007 1:50 PM


#7

Excelente post. Mas uma coisa ficou clara para mim logo de cara: os "representantes" dos blogs não iriam mesmo sustentar nenhum debate e se qualquer um visitar seus sites e blogs logo entenderá por quê. Poupo apenas o Carlos Merigo das minha críticas.

Marcio Pimenta em setembro 3, 2007 1:57 PM


#8

Perfeito, Rodrigo, colocado assim eu não discordaria, não. Acho que várias das críticas à blogosfera brasileira (como as suas e as do André) procedem. Meu problema é com ataques gratuitos a um universo que a pessoa não conhece, como era, claramente, o caso do professor da USP. No fundo, a questão é que a blogosfera já cresceu tanto que acho difícil qualquer tipo de generalização, positiva ou negativa - eu só não abriria mão do meu ponto de vista de que, para quem souber procurar, já há um universo bem razoável de excelentes blogs em português. Ele representa uma porcentagem menor que antes do universo total de blogs? Sim, porque é próprio do lixo se reproduzir com mais rapidez. Mas isso importa pouco, não é mesmo? Se há 100 blogs de qualidade, não me incomoda que existam 1 milhão de porcarias. É só saber separar. Abração e obrigado por esclarecer.

Idelber em setembro 3, 2007 2:07 PM


#9

Eu que já tive o prazer de presenciar manifestações mais inteligentes do prof. Gilson Schwartz, só posso lamentar seus infelizes comentários...

Mesmo sendo uspiano tenho de concordar que a tacanhez de alguns membros da universidade desencadeia níveis de irritação sem igual...

França em setembro 3, 2007 2:09 PM


#10

Tenho a impressão de que faltou experiência d edebates "LIVE" aos blogueiros. Nada como o ambiente acadêmico pra desenvolver o espírito no debate oral.
Sugiro (sugiro é bom) que façam treino com o pessoal aposentado das assembléias estudantis.

Em uma ou duas semanas ficam "Club da Esquina" -- Faca Amolada. Aposto.

Beijos,

tina oiticica harris em setembro 3, 2007 2:27 PM


#11

Idelber

Um princípio básico de qualquer mesa redonda é o de haver equilíbrio entre os lados a serem debatidos. Mesmo que não seja uma disputa. Das duas uma: ou o pessoal do Estadão não sabe organizar debates ou foi abertamente desonesto. Não sei o que é pior.

Se foi para limpar a barra só piorou.

André Kenji em setembro 3, 2007 3:49 PM


#12

Idelber

Um ponto que acho interessante nisso tudo é que alguns dos melhores blogs dos EUA são mantidos por professores universitários, enquanto os nossos ignoram e tem ódio deles. Aliás, é impressionante como você googla o nome de muitos acadêmicos e não acha nada além do currículo Lattes. Nada de livros, nada de artigos.

Eu tô querendo assinar alguma revista acadêmica angla, talvez o Journal of Aesthetic Education, uma forma facil de me atualizar. Mas creio que os periodícos brasileiros não me serviriam para muita coisa, e creio que o problema é que ninguém sabe direito para quê essas coisas servem por aqui.

André Kenji em setembro 3, 2007 4:02 PM


#13

E bem, eu adoro blogs de política. Eu conto nos dedos os que eu realmente consigo ler. A maioria dos blogs políticos ou é de coisa de adolescentes que não sabe falar outra coisa além de resmungar do fato do Lula ser ignorante(Ou algo que o valha), ou de gente velha que faz a mesma coisa. Ou claro, apologista do PT que plagia o discurso do Paulo Henrique Amorim de falar em "imprensa burguesa" ou coisa assim. Isso sem contar o pessoal que acha que blog de política é colar notícia do Estadão e do Globo(Oi, Reinaldo).

O ponto não é generalização, mas uma auto-reflexão dos blogs sobre metas e desafios. Não se pode pensar que tudo vai bem por quê não vai. E não entrei aqui na questão do público...

André Kenji em setembro 3, 2007 4:21 PM


#14


Aí é que está. Não me surpreende essa posição elitista, de quem olha de cima pra baixo, do Olimpo para a massa ignara, vindo de um professor universtário. Sem tirar as qualidades do Gilson, que é um economista, esse ranço elitista pode ser encontrado em boa parte dos professores universitários no Brasil ( o que é bem diferente nos EUA, como apontou André Kenji).

Há um momento que o Gilson faz uma comparação aberrante: diz que a qualidade das palestras do Octavio Ianni e do Antonio Candido, escritas na máquina de escrever, não pode ser encontrada na blogosfera onde pululam fotos de papagaios!

Como se dissesse: as boas coisas, como a palestra do Candido, são feitas artesanalmente, e emitidas para o "happy few"num auditório, enquanto o lixo é feito com toda parafernalha tecnológica e está disponível às massas. Quando bem se sabe que palestras do falecido Edward Said, do Noam Chomsky, podem ser encontradas no youtube ou em forma de PodCast. A tecnologia aumenta o alcance do público, e como diria o Walter Benjamim, tem potencial revolucionário e democrático. Que bom seria que o estudante de letras de Sergipe, ou do Piauí, pudesse escutar uma palestra do Candido viabilizado por um podcast no blogue de um estudante que gravou tudo isso! Mas aparentemente, para Gilson, temos que escolher entre a fina-flor do pensamento brasileiro e as fotos dos papagaios.

Cesar em setembro 3, 2007 5:05 PM


#15

Tu és um chato, hein, Idelber?

Voltas e nem avisas a gente. Tem que mandar um spam, pô!

Grande abraço.

Milton Ribeiro em setembro 3, 2007 5:17 PM


#16

eita caixa de comentário!
:>)
negão, MONETIZE seu blog!
;>)
beijos aí.

Biajoni em setembro 3, 2007 6:23 PM


#17

Caro Ildeber, no comentário anterior, focado no debate no Estadinho (é, eu penso "inho"), deixei de tocar adequadamente no que os blogs têm de melhor. Não importa, como você bem observou, se há muito lixo, pois isso reflete o nível modal dos leitores. Mais ainda, sempre haverá os que se acham predestinados a impor um controle de qualidade que, na realidade, é narcisismo disfarçado de elitismo. O que importa é que os blogs permitem que certas pessoas, bem preparadas intelectualmente, culturalmente, politicamente, rompam o monopólio dos patrões da imprensa/empresa. Há sim vida muito mais inteligente em certos blogs do que em muitas aulas nas universidades e em qualquer dos chamados grandes jornais (que não passam de grandes empresas) e por aí vai. Seu blog, inclusive, traz olhares que raramente são encontrados na imprensa/empresa. O blog democratiza o acesso à informação de boa qualidade. Deu trabalho achar o seu blog? Sim, deu e muito, mas e daí? O relevante é que ele existe e eu acabei tendo acesso a ele. Detestaria que houvesse um censor de qualidade que me impedisse de encontrar seu blog. Aceito que outros que pensem diferente de mim acessem os blogs que reputo como lixo, afinal, o que é lixo para mim não o é para outros. O caminho da limpeza não passa pela censura e sim por uma educação pública e gratuita de boa qualidade.

bensaiddeitapevi em setembro 3, 2007 6:49 PM


#18

Quanto mais avança essa história do Estadão mais me convenço que tudo isso foi de caso pensado por parte do pessoal da Talent. Conseguiram mexer de tal forma nos brios da blogosfera que esta forneceu - e ainda está fornecendo - mídia de graça para veicular a campanha boba deles. Agora vieram com esse debate, e assim lentamente as palavras "Estadão - blog - internet - blogosfera" vão aparecendo juntas cada vez mais frequentemente, e justamente no meio onde o Estadão mais precisam disso: a própria blogosfera.

Já se falou que a campanha foi resultado de falta de informação do Estadão, ou de preconceito mesmo. Acho que, muito pelo contrário, a agência teve mais visão sobre a importância e o alcance dos blogs do que os próprios blogueiros. A Talent sacou que blog é mídia importante e de amplo alcance, e também que os próprios blogueiros ainda não se deram conta disso.

As duas melhores reações que eu vi a essa campanha foram do Alon e do Alex Castro. O primeiro disse que a campanha queria usar o blog dele para se espalhar de graça, mas, com um sorriso ironico, ele fornecia o espaço mesmo assim, lisonjeado pela agência ter dado tanta importância ao blog dele - e a todos os blogs. O Alex Castro ignorou olimpicamente a coisa toda.

Daniel em setembro 3, 2007 6:49 PM


#19

André Kenji,

visite o Scielo (http://www.scielo.org/index.php?lang=pt ou http://www2.scielo.org/php/index.php?lang=pt), o portal de revistas acadêmicas aqui do Brasil. Talvez, uma luz no fim do túnel. Lá, você encontrará muitos artigos importantes e interessantes. Abs.

Artur em setembro 3, 2007 7:10 PM


#20

Sei não, Daniel, essa é a tese do "falem mal, mas falem de mim". Não acredito que o objetivo tenha sido esse. Inclusive, o Inagaki, no blog dele, em resposta a um comentário, dava seu testemunho de publicitário: jamais encontrou um cliente que comprasse a tese do "falem mal, mas falem de mim".

Ao contrário dos que acham que a campanha foi bem sucedida, acho que os caras da Talent estão, agora, amargando o tiro pela culatra. Alguém aqui, em sã consciência, contrataria a Talent para fazer uma campanha publicitária?

Idelber em setembro 3, 2007 7:36 PM


#21

Idelber, relutei até este exato momento em entrar nessa discussão meio besta no meu ponto de vista. Isso porque talvez eu veja coisas onde elas não existem e ao mesmo tempo percebo que quase ninguém vê. Tento me convencer que sou eu o maluco pois vi o video do debate e li uma montanha de posts sobre esse caso e ninguém toca na questões chave política-cultura-poder. O jornal que pagou pela campanha está vendendo papel impresso desde o século XIX, seguindo sua linha conservadora que tanto agrada ao poder econômico, em especial modo o de Sao Paulo e este retribui com favores e benesses. Pra mim é claríssimo que uma empresa com a história e o perfil dessa dos Mesquita, viu e vê no fenômeno dos blogs e da internet em geral, uma ameaça. A tese do "falem mal, mas falem de mim" é tão absurda que nem se leva em consideração, pois em publicidade isso não existe, restando a politicos do jaez de um Jânio Quadros a utilização desse recurso.
E é claro pra mim que isso é um bom sinal, uma ótima notícia. Um dos núcleos de manutenção do status quo se move para contrastar um fenômeno novo e de difícil controle e isso é uma clara mensagem de desespêro.
Além disso, me dói perceber o quanto pouco politizado está o brasileiro em geral e os blogueiros em particular. A questão toda não é de relevância ou lixolândia ou de sei lá mais o que, o problema é de poder. Os castelos vêem alarmados que um intrumento pode transformar a democracia de faz de conta em democracia de verdade e esse é o ponto. O resto é cortina de fumaça que infelizmente os próprios interessados (nós, bloguentos) estão aceitando e pior, estamos ajudando a fazer. Nesse contexto, ficou claro também para mim que um representante da academia conservadora esteja ao lado do suserano, rindo dos vassalos, pelo simples fato de que convêm. Se amanhã convier o contrário, tanto igual, mudamos de lado. O que me assustou é que ele foi lá fazer o papel dele e isso é legitimo, mas ninguém enfiou o dedo no cú dele, o que era não só desejável, mas obrigatório. Bem, enfim, nunca me convidam pra nada dessas coisas por estar longe além de ser irrelevante nesse universo blog e acho ótimo isso, mas eu não teria engolido certas coisas ali não. Aff, deixa pra lá.
Juro por santo padre Pio que não toco mais nesse assunto, voltando agora à minha leitura noturna de gibis velhos da Mafalda que ganho mais.
Abraços.

Flavio Prada em setembro 3, 2007 8:25 PM


#22

Salve, Flavio, quem é vivo sempre aparece :-)

Pois é, tinham que ter enfiado o dedo no cu do cara.

Faltou um xiita punk trotskista por lá...

Idelber em setembro 3, 2007 8:28 PM


#23

Bem vindo novamente, Idelber.


E agora até eu criei um blog, em parte por causa dessa polêmica, mas também por causa das outras, como o substitutivo do Projeto de lei do Senado, relatado pelo senador Azeredo.


Acho que o debate foi até bom e eu gostei do Pedro. A blogosfera ainda não é tão relevante politicamente quanto ele gostaria (e acho que quanto cada um de nós gostaria), mas vai passar a ser cada vez mais relevante, então a questão é só ter paciência, que a gente chega lá. Um dia vamos ter vários DailyKos.


Do Gilson, eu já vi várias coisas boas dele, então espero que tenha sido um ponto fora da curva, porque o que ele falou me parece o oposto daquilo que eu entendi do trabalho dele. Nos argumentos, acho que ele caiu em uma armadilha que me indicaria que ele simplesmente não pensou muito no assunto antes de participar do debate. Primeiro ao avaliar a relevância dos blogs segundo o critério que se utiliza para decidir o que é relevante para um jornal, segundo por ignorar o conteúdo dos blogs que tem relevância mesmo de acordo com esse standard, terceiro, por ignorar que a reputação que ele defende tanto é a base dos blogs.


Eu diferencio a relevância para um jornal e a relevância para um blog porque a relevância para um jornal é ditada pela economia da empresa jornalística. O jornal tem custos altos, espaço limitado e precisa ser atraente para uma fatia muito grande das pessoas. A relevância do blog é dada individualmente, porque os custos são baixos então não existe a necessidade de um apelo amplo. Não existe porque se pensar em uma relevância absoluta, somente na relevância para cada pessoa. O nome do papagaio é relevante para a família do dono do papagaio, para outros donos de papagaio e para o pesquisador que estuda as tendências culturais que levam a atribuição de diferentes nomes a papagaios ao longo da história. Se o nome do papagaio não é notícia no contexto de um jornal, é por causa de uma limitação do jornal e não de uma limitação do blog.


Ele também ignorou a quantidade de blog posts interessantes com conteúdo de alto nível, que poderiam tranquilamente ser publicados como editorial ou como artigo em um jornal. Foi um pensamento do tipo "eu nunca vi, então, não existem". Ele ignorou até mesmo aqueles que tem conteúdo de alto nível, sem apelo para um jornal, mas que teriam relevância para ele mesmo, por exemplo o blog da Cidade do Conhecimento.


Ele falou no debate sobre a importância da reputação, mas infelizmente ele tratou a reputação como se ela fosse algo dado e estático no tempo, quando ela é na verdade dinâmica e subjetiva. Blogueiros começam quase todos do zero e a blogosfera portanto é completamente forjada pela reputação construída por eles, e não pela tradição gerada pela história e o monopólio sobre meios de comunicação do passado.


Mas nada como um bom debate público para as idéias amadurecerem.

André Uratsuka Manoel em setembro 3, 2007 9:24 PM


#24

Perfeito, André. A diferença que você faz entre relevância para blog e relevância para jornal é certíssima. Abração :-)

Idelber em setembro 3, 2007 9:51 PM


#25

Sabe o que eu acho engraçado?

Os leitores de jornal são assim super inteligentes, bem informados, escrevem bem e compreendem com perfeição e crítica as matérias que lêem?Se o acesso ao painel do leitor fosse tão fácil quanto à caixa de comentários só haveria colocações inteligenes e sábias? ( ai, como dá para se divertir... )
Aliás, são tantos assim? os leitores do jornal impresso? sei...

e, do outro lado..

Os jornalistas do meio impresso não cometem imprecisões, erros, tomam por verdade o que são suposições, inflam-se de vaidades, se auto-condecoram e assim por diante? Hum... O último mais da folha tinha uma entrevista traduzida de uma matéria do new republic sobre um cara falando da importância da família... outro, era sobre a morte da lady di... relevante? hum...

Cá entre nós, se a mídia escrita realmente tivesse tanta influência assim na sociedade, o Lula já teria sido derrubado há algum tempo ou, pelo menos, não teria índices de popularidade assim tão altos, não é mesmo?
Até parece que a blogosfera paira numa esfera para além do que é a sociedade brasileira, e o mesmo ocorre nos jornais. Ambos são reflexos dessa sociedade, iletrada, desigual,não politizada, onde a elite se cansa... etc. etc. etc. e onde a maioria da população não somente não lê jornais como também não lê, ponto, e onde a inclusão digital ainda está longe longíssima de ser uma realidade.
Enfim...


e

O diálogo entre a academia e a sociedade tem muito o que avançar mesmo,talvez seja um dos grandes desafios do intelectual contemporâneo ( e por isso que seu blog, além de tudo o mais, é tão bacana em si)
Isse é um problema da usp e da academia em geral, e as revistas são uma ponta dessa questão. Há revistas demais,parece que todo mundo quer ter a sua, e e esse modelo de revista impressa não faz de fato o menor sentido. Fora isso, a torre de marfim da intelectualidade, seja de direita seja de esquerda, está longe de ser quebrada, seria até engraçado, não fosse trágico. Definitivamente, os meios digitais talvez sejam a grande saída para a democratização do conhecimento produzido nas universidades.

Agora... não joguemos o bebê junto com a água, o Gilson Schwartz não é representante ou paradigma de um professor da USP.. há professores e professores. uns... e outros bastante sérios, antenados, comprometidos.

bom, bom ter você de volta por aqui.

lulu.


lulu em setembro 4, 2007 10:07 AM


#26

Idelber, achei ótima a discussão (como acadêmica e leitora e escritora de blog que sou). Fiquei querendo comentar umas coisas: sobre o comentário do Rodrigo (um dos primeiros dessa lista), minha percepção pessoal é justamente oposta: quando comecei a ler/escrever blog há uns quatro anos, blog era de adolescentes escrevendo em rosa sobre o primeiro beijo, e essa era a percepção da maioria das pessoas (eu tinha que "convencer" os amigos que muitos blogs eram ótimos). Hoje em dia, crescendo a quantidade, naturalmente aumentou a quantidade dos "ótimos" blogs.

Lulu, além de tudo os comentários dos leitores de jornais são totalmente selecionados, né? sabe-se lá o que não escrevem pra seção cartas e outras, há uma diferença entre o que é enviado e o que é publicado.

O blog do Luis Felipe de Alencastro é exemplo de um ótimo blog de acadêmico brasileiro (ou meio-brasileiro...).

E finalmente, o Brasil é grande! morando na Bahia eu nem tinha ouvido sobre essa campanha da Talent/Estado nem sobre a repercussão que teve... devo estar lendo os blogs errados, hehehe.

Surya em setembro 4, 2007 1:45 PM


#27

Idelbar,
Concordo com o Cardoso, acho que faltou firmeza aos blogueiros. A passividade deles acabou servindo aos interesses do Estadão, "legitimando" o debate...

Bruno Pinheiro em setembro 4, 2007 6:04 PM


#28

Olá, Idelber

Envio este post para registrar minha satisfação com sua volta.

Mas estou acompanhando atentamente o debate.

A tentativa do Estadão de desqualificar os blogs é uma reação natural.

O regime absolutamente democrático dos blogs fere de morte o monopólio do direito de opinião detido pelos donos da grande imprensa.

A grande imprensa adora a livre circulação de capitais, mas tem horror à livre circulação de idéias.

Cabe aos jovens blogueiros prepararem-se melhor para enfrentar o debate que, pelo que vejo, está só começando. Nossa história recente demonstra que a lealdade na disputa não é um dos predicados do adversário.

Saudações democráticas.

p.s. O Bruno Pinheiro chamou você de "Idelbar"! Que bar é esse?

Ricardo Petrucci Souto em setembro 4, 2007 7:27 PM


#29

Nas crônicas da Imprensa da última revista Piauí (#12), é possível entender um pouco do Estadão e o jeito Mesquita de ver o mundo. Embora tenham profissionalizado a gestão e saneado a economia do jornal, a sensação é a de que recaem as mesquitices aqui e ali. É o que me parece a campanha da Talent: no fundo, tirando-se a edulcoração do "humor", pode-se entrever mesmo as laudas batidas a máquina pelo "Doutor Ruy". A frase não dita é: "Parem de atropelar o meu mundo de papel, de me fazer extinguir a Diretoria de Encalhes, de me exigir que encare a internet como fonte de informação, de me mostrar que o nome Júlio de Mesquita sob a marca do jornal não justifica mais a credibilidade infinita de um segmento de leitores que, no fundo já não existe mais. As tentativas de salvar ou justificar a desastrada campanha são um joguinho de cena antes da batida em retirada. A destacar a pequena vilania do debate, bem apontada pelo André Kenji: puseram os blogueiros numa fogueira premeditada.

jayme em setembro 4, 2007 8:24 PM


#30

O que é o Estadão mesmo? Ah, é aquela jornaleco parafascista que foi dirigido anos pelo Assassino Pimenta Neves? Esperar o que daquela usina de reciclagem de lixo?

Eduardo em setembro 4, 2007 8:31 PM


#31

mandou ver legal!!!

ed em setembro 6, 2007 2:20 PM


#32

fala, grande idelber!

troquei meia dúzia de comentários com amigos sobre esse assunto, depois passei a ignorá-lo, simplesmente porque me irrita. :) hehe
mas não tinha assistido ao vídeo na íntegra. bom, só alimentou a ira. mas não em relação ao estadão, talent ou sei lá mais quem, que esses não me importam, mas exatamente em relação ao ponto que deixou putíssimo o camarada Cardoso: fomos representados (como blogueiros) por carneirinhos. sem importar quem tem a razão, os blogueiros foram engolidos pelo discurso 'comum' (lê-se institucional desses setores representados), numa defesa ingênua de espaço num 'por favor, olha pra mim que posso ser melhor que o que tu tá dizendo', sem fazer o que realmente deveria ter sido feito: questionar o que, diabos, é LIXO. quem define e por que há de ser definido. quem cazzo cada um deles é, pra definir o que é ou não lixo, ou relevante. a relevância é pessoal e subjetiva, os filtros também e até a predisposição para dar importância maior ou menor pra isso na vida é também. essa, justamente, é a revolução na comunicação que vem sendo desenhada: ferramentas que fazem com que, entre outras coisas, possamos tomar consciência disso e exercitarmos, brincarmos de sermos os inquestionáveis e absolutos generais da relevância de tudo. no primeiro segundo em que os blogueiros aceitaram o argumento de que HÁ uma divisão institucionalizada de coisas relevantes e outras não, pronto, foi o titanic batendo silenciosamente no iceberg. ;)

grande abraço!

gejfin em setembro 6, 2007 3:14 PM


#33

Este blog é um monólogo? Não, né? Você é alguém que dialoga, e bem.

Então tá! Leia meu post de hoje.

Milton Ribeiro em setembro 7, 2007 11:25 AM


#34

Desconhecia o embate blog X Estadão e pelo visto o debate foi frio, mas você está cometendo um erro em relação à Universidade similar ao do Estadão em relação aos blogs.
Você exagerou ao afirmar que a universidade mantém "a fama de prepotente, arrogante e cega ante o mundo ao seu redor". Seria o mesmo que o Estadão dizer que os blogs que só têm lixo mostrando alguns blogs.

Fora isto, parabéns por suas colocações.

Samuel em setembro 7, 2007 11:03 PM


#35

Meus agradecimentos ao pessoal que comentou e as desculpas por não ter aparecido para dialogar: estive toda a semana em Montreal no congresso da Latin American Studies Association.

Aproveito para responder ao Samuel: meu caro, eu não disse que todos na universidade são prepotentes e arrogantes -- claro que jamais diria isso, sendo eu mesmo um acadêmico. O que disse -- e reitero -- é a universidade tem, sim, em várias comarcas, essa fama, que acaba sendo validada por intervenções lamentáveis como a do Prof. Gilson no debate. Como sempre, podemos concordar em discordar, mas a sua intervenção já valeu para que eu conhecesse o seu excelente blog. Obrigado e abraço.

Pego agora o avião de volta a New Orleans e o plano é fazer outro post no domingo à noite.

Milton, obrigado pela indicação!

Idelber em setembro 8, 2007 1:41 PM


#36

Boa noite, Idelber...
espero que tenha chegado bem, apesar da despedida ter sido com aquela derrota chata pro Botafogo...( a Tina adorou...)rsss
Alias vou lhe enviar as fotoss do jogo, que ficaram ótimas!
Acompanhei meio de longe essa história do Estadão X Blogueiros e blogs.
Lia um comentário aqui, outro ali, mas agora, ao ler seu post e os comentários deu pra sacar toda a palhaçada...
eu, mera rata leitora dessa "lixolândia", blogueira amadora, te desejo ótimo retorno, e já estou reclamando post novo...
abração!

marilia em setembro 12, 2007 12:04 AM


#37

Lei (ou revelaçao) de Sturgeon: ""Ninety percent of everything is crud".

Isso se aplica obviamente a blogs, jornais, agências de publicidade e professores universitários.

Ricardo Antunes da Costa em setembro 20, 2007 3:08 PM


#38

Essa postagem é muito interessante, parabéns.

Eduardo em junho 11, 2009 9:44 AM