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segunda-feira, 17 de setembro 2007

Loteria em Babilônia

yseadendo2_cover.jpg(O post que se segue é um convite a uma discussão de "Loteria em Babilônia", de Jorge Luis Borges. Ele vai em espanhol porque os alunos vão passar por aqui. Mas os comentários de todos são bem vindos, claro. Leu “Loteria em Babilônia”, comente, relax, em qualquer língua: português, inglês ou espanhol)

El relato es simple: el narrador nos trae la historia de un insólito lugar, Babilonia, donde la lotería es la parte principal de la realidad . De origen plebeyo, la lotería agraciaba a sus ganadores, al principio, monedas de plata. “Naturalmente” esas loterías fracasaron porque “no se dirigían a todas las facultades del hombre”, sólo a la esperanza. El remedio para ese “natural” fracaso termina siendo la interporlación de algunos destinos adversos en el sorteo.

El leve peligro despierta el interés del público que, en vez de abonar las multas, ya pasa a escoger directamente el encarcelamiento que advenía de no pagarlas. Esa primera aparición en la lotería de elementos no pecuniarios es tratada por el narrador como punto clave en el proceso . Mientras tanto, en los “barrios bajos” una rebelión popular lograba que la Compañía responsable de la lotería “aceptara la suma del poder público”. Un rato después, lograban que la lotería fuera “secreta, gratuita y universal”. La insólita “Compañía” pasa a controlar toda la realidad, o por lo menos pasa a parecer poder estar haciéndolo a cualquier momento.

El narrador tiene prisa, dice que “la nave está por zarpar”. Está partiendo de un puerto que no sabemos cuál es. Justo le alcanza el tiempo para narrar el último estadio de la lotería: la transformación de toda la realidad en materia del azar. El sorteo de una muerte implica el sorteo del verdugo, del instrumento letal, de la fecha, en sucesión infinita –cualquier acto del azar produce infinitos otros, cualquier sorteo implica incontables otros, cualquier intervención de la Compañía demanda numerosas otras.

El resultado es que cualquiera puede estar ejecutando, “acaso, una secreta decisión de la Compañía”. Ese funcionamiento silencioso del aparato administrador de la lotería (y por lo tanto controlador de la realidad) es “comparable al de Dios” y le confiere al cuento su imagen final, hasta que el narrador, claro, nos recuerda que todo puede ser también un delirio imaginativo creado por la propria Compañía.

Como suele pasar con Borges, el cuento ha producido algunas lecturas que se repiten con unas pocas variaciones. De estas lecturas, dos me vienen a la memoria: una interpretación “filosófica” que lo toma como parábola acerca del azar, como relato acerca del intento de crear la contingencia absoluta (la indecidibilidad completa, el sorteo de todo) y de cómo tal intento termina en una maligna necesidad absoluta, en un Dios lotérico perfectamente tiránico. El segundo acercamiento toma algunos elementos del primero, pero trata de sacarle un sustrato político al cuento: con atención a la fecha de publicación del texto (1941), esa lectura observa el carácter de “Big Brother” de la Compañía lotérica y nota la rebelión “de los barrios bajos” por hacer la lotería “secreta, gratuita y universal” (palabras que, claro, tienen su historia política). A partir de allí esa interpretación subraya el resultado pesadillesco y distópico del impulso inicialmente utópico, egalitario.

Mucho se podría decir sobre estas dos posibilidades, pero las dejo por aquí. Hay, por supuesto, incontables otras lecturas. El blog los invita a compartir su experiencia con “Lotería en Babilonia”, en su lengua de predilección.

Posts relacionados
:
Borges.
Reflexões sobre o conto.
Sobre um conto de Borges.
Literatura argentina: Biblioteca básica.
Cripta em duas partes.

Atualização. Também escreveram sobre o conto:
Alex Castro
Alex Tarrask.
Andre Bittencourt.
Milton Ribeiro.
Donizetti
Adriano.
Ulisses Adirt.
Bender.
Hermenauta.
Marcus Nunes ,
Hélder da Rocha
e.... Biajoni!



  Escrito por Idelber às 02:01 | link para este post | Comentários (37)


Comentários

#1

Compañeros, mi texto sobre el cuento está en mi bitácora, aqui:

http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/09/loteria-comunista-de-borges.html

alex castro em setembro 17, 2007 4:42 AM


#2

Muito interessante!

Arriscando um palpite: é muito interessante ver como, ao mesmo tempo em que a loteria universal condiz com a contingência absoluta, tal contingência é por sua vez tomada para o controle dos próprios homens.

Geralmente, quando pensamos na questão do controle, não se trata de contingência, mas de uma espécie de conjunto de organismos determinantes (Estado, instituições, disciplinas, certas ciências...) que buscam avançar mais e mais sobre as subjetividades, de modo que o controle seja cada vez mais tênue, e de certo modo "invisível", confundido com a própria liberdade.

Agora, quando a gestão é da própria contingência, talvez Borges aponte para o limite: se a determinação avança, paradoxalmente seu limite é avançar sobre a contingência...

(não pude ler o conto ainda, mas deixei o 'palpite', espero que seja pertinente, rsss)

abração,

catatau em setembro 17, 2007 9:59 AM


#3

So, the other day I was thinking about the story “El muerto” and how the protagonist, Benjamín Otálora, in essence wins the lottery of male fantasies. Let me explain.

The people of Babylon quickly lost interest in the original lottery, wherein only a few won some money, because it lacked “virtud moral” (OC I 456). It was the addition of some “pocas suertes adversas” that really piqued public interest in the game. This kind of lottery, where you might “win” something terrible reminds me of Tessie Hutchinson’s winning draw in Shirley Jackson’s “The Lottery” (1948). It is the morbid possibility of a dire outcome, of playing Russian roulette with one’s fate, that brings in the crowds to la Compañía.

But, as the lottery evolved, silver coins were no longer the desired prize, for as the narrator points out, “Algunas moralistas razonaron que la posesión de monedas no siempre determina la felicidad y que otras formas de la dicha son quizá más directas” (457). So, if the Babylonians held that money did not necessarily determine happiness, what then does? Otálora seeks power and money, and all its trappings. He could’ve been content with money, but it wasn’t enough. He craved far more. He wants Azevedo’s horse, success, power, and woman. He gets them all, but only briefly.

I note a parallel between current American political discourse over the role of poverty and education as causation of criminal behavior and the Babylonians view of criminal fate. The legal penalty for stealing a lottery ticket was having one’s tongue burned out. When a slave stole a ticket that entitled the bearer to have his tongue burned out, some determined that the slave “merecía el hierro candente, en su calidad de ladrón; otros, magnanimous, que el verdugo debía aplicárselo porque así lo había determinado el azar” (457). If we judge people as criminals because of their environment, because of nature, in a sort of Spinozan view of causation, then is it fair to punish criminals when nature, or fate, or “the lottery” of life has determined their actions for them? Or do we take the less magnanimous approach and punish them because they are simply criminals? This little paragraph, to me, speaks volumes about how legal codes are applied, and how privilege and chance, and even nature might determine our own actions.

And yet, Babylonians sought to overcome the chance involved in the lottery by making “delaciones” in stone lions (Wailing Wall? Lion of Judah?), in a sacred latrine called “Qaphqa,” or in a dusty old aqueduct (Hindu prayers floating on the Ganges?) that supposedly led to the Company’s headquarters. These prayers/accusations/complaints were determined to play a part in chance, but the Company offered no “garantía oficial” that they would have any appreciable effect on the game (458). Prayer, it seems, is no guarantee of special treatment in the lotería en Babilonia.

So, amid accusations that the game was unfair, that it was rigged, that some people had better luck than others, I see Otálora, and how he is able to obtain the stereotypical male gaucho ideal in a short amount of time. He takes over for Azevedo in battle, beds his red-headed woman, and convinces his henchman to help him murder Azevedo. While it seems that Azevedo knew all along how things would be determined, that the lottery drawings were all known from the beginning, I find it difficult to believe, knowing what the eventual outcome would be, that Otálora would not repeat the same fate. He has lived the life than many men only dream of living. Similarly, in Borges’s “El sur” we find a decidedly un-gaucho type, finally escaping the city and stepping out into the street to fight, and almost assuredly lose, a knife fight with a brigand. In “El muerto” and in “El sur” I see a Borgesian longing for the adventurous life, for the man’s-man life of a man of action, not of letters. And I also see an example of the phenomenon that we hear about all too often, that dying young at the pinnacle of success and glory guarantees immortality and adoration. We need only look at the cults of Marilyn Monroe, James Dean, Princess Di, Kurt Cobain, Jim Morrison, and Jimi Hendrix to see proof of this point.

“La lotería en Babilonia” is one of Borges’s best, and I find new things in it every time I read it, almost like it’s Scripture.

Mac Williams em setembro 17, 2007 2:51 PM


#4

Publiquei o texto abaixo hoje no blog. Desculpa a pressa, Idle Bear:

A Loteria na Babilônia

O Idelber está fazendo hoje um discussao acerca do conto La Lotería en Babilônia de Jorge Luis Borges. Como estou em Buenos Aires, li ontem o conto na Ateneu, fiz umas pobres anotaçoes e aqui estao elas. O motivo da falta de "til" é deste teclado hermano...

Antes de qualquer coisa, acho que Borges envia um recado a quem examinará seu conto; ou seja, todos nós.

...nadie había ensayado hasta entonces una teoría general de los juegos. El babilonio no es especulativo. Acata los dictámenes del azar, les entrega su vida, su esperanza, su terror pánico, pero no se le ocurre investigar sus leyes laberínticas, ni las esferas giratorias que lo revelam.

Em seguida, outra curiosidade: notaram como a "interpolación del azar" é semelhante com a teoria do Barao de Itararé citada por Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere? Passemos a palavra a Graciliano, que chamava o Barao por seu sobrenome Apporelly:

Apporelly sustentava que tudo ia muito bem. Fundava-se a demonstração no exame de um fato de que surgiam duas alternativas; excluía-se uma, desdobrava-se a segunda em outras duas; uma se eliminava, a outra se bipartia, e assim por diante, numa cadeia comprida. Ali onde vivíamos, Apporelly afirmava, utilizando seu método, que não havia motivo para receio. Que nos podia acontecer? Seríamos postos em liberdade ou continuaríamos presos. Se nos soltassem, bem: era o que desejávamos. Se ficássemos na prisão, deixar-nos-iam sem processo ou com processo. Se não nos processassem, bem: à falta de provas, cedo ou tarde nos mandariam embora. Se nos processassem, seríamos julgados, absolvidos ou condenados. Se nos absolvessem, bem: nada melhor esperávamos. Se nos condenassem, dar-nos-iam pena leve ou pena grande. Se se contentassem com a pena leve: descansaríamos algum tempo sustentados pelo governo, depois iríamos para a rua. Se nos arrumassem pena dura, seríamos anistiados, ou não seríamos. Se fôssemos anistiados, excelente: era como se não houvesse condenação. Se não nos anistiassem, cumpriríamos a sentença ou morreríamos. Se cumpríssemos a sentença, magnífico: voltaríamos para casa. Se morrêssemos, iríamos para o céu ou para o inferno. Se fôssemos para o céu, ótimo: era a suprema aspiração de cada um. E se fôssemos para o inferno? A cadeia findava aí. Realmente ignorávamos o que nos sucederia se fôssemos para o inferno. Mas ainda assim não convinha alarmar-nos, pois esta desgraça poderia chegar a qualquer pessoa, na Casa de Detenção ou fora dela.

Mas, falemos um quase nada sobre minha leitura: é claro que a parábola proposta por Borges extrapola sua funçao de ser uma realidade menor que representa uma maior. A loteria É a própria realidade da Babilônia. Ou seja, é a própria vida. A loteria e seus acasos é análoga à vida e vice-versa, regulada por suas regras, condiçoes e infinitas contigências.

A relaçao mais óbvia que me ocorreu nesta rápida leitura em meio às férias (tomando café na charmosa livraria bonaerense), é aquela entre a Compañía e a Igreja com suas "ventas de suertes", funcionamento silêncioso de Deus, "seu carácter antiguamente plebeyo" e com o total desprezo a quem nao participa de sua... loteria.

Porém, o que interessa mesmo a mim - repito, um turista em férias - é o conto extremamente irônico e divertido, que mostrou-me que posso fazer uma leitura fluida de Borges em sua língua e que isto é um enorme privilégio para quem tem uma literatura inferior...

Peço desculpas ao Idelber por este pitaco sem muito conteúdo, mas - pô! - estou em férias e nem quero pensar em alongar muito minha estadia neste cyber.

Milton Ribeiro em setembro 17, 2007 4:45 PM


#5

Milton,

Escribo en español porque si intento escribir en portugués, me sale portuñol.

Me gusta esto que escribiste sobre Dios y la Compañía:

A relaçao mais óbvia que me ocorreu nesta rápida leitura em meio às férias (tomando café na charmosa livraria bonaerense), é aquela entre a Compañía e a Igreja com suas "ventas de suertes", funcionamento silêncioso de Deus, "seu carácter antiguamente plebeyo" e com o total desprezo a quem nao participa de sua... loteria.

Nunca había pensado en aspecto del simbolismo. Ya, después de leer tu interpretación, me interesa más la participación de los que ignoran o no quieren participar en el juego. La pregunta siendo, "¿Cómo debería reaccionar Dios a los que no le prestan atención? ¿Les impone su voluntad o les deja en paz, libre del azar, pero esclavos de su propio albedrío? Muy interesante, obrigado.

Mac Williams em setembro 17, 2007 5:11 PM


#6

Ainda sobre a interpretação do Milton, há aquele belo trecho de "Tlön Uqbar, Orbis Tertius":

Buckley descree de Dios, pero quiere demostrar al Dios no existente que los hombres mortales son capaces de concebir un mundo.

O resultado dessa fúria parricida é Tlön, o mundo regido pelo idealismo radical, onde tudo tende a desaparecer ao ser esquecido.

Idelber em setembro 17, 2007 5:19 PM


#7

Está uma delícia acompanhar os posts sobre o conto. Essa idéia do clube de leituras é mesmo ótima. Deixei um pequeno comentário sobre o conto lá no Hedonismos: http://www.interney.net/blogs/hedonismos/2007/09/17/a_loteria_em_babilonia

Donizetti em setembro 17, 2007 7:05 PM


#8

Borges repeatedly references death in “The Lottery in Babylon.” The lottery’s consequences progress from monetary, to penal, to torture, and finally to death. To Borges, death is the ultimate game of chance. Whether one views the story with a religious or political bent, death is the final chance in both. With the exception of suicide, one never knows when death will occur, how it will happen, or if one will have any control of the manner in which one dies. Death is the final equalizer. No one escapes it; money or power will only delay it. To the Babylonian society, the lottery is valued because it includes the possibility of death for everyone equally. The “Company” or god, might control the possibility of death, but not the matter it’s done in or if it’s done at all. If the company or god never existed, death would still be the ultimate chance. Borges is writing of a fictional utopian-dystopian world, but in reality, the same lottery of life or death is on-going today. It is the one absolute in this world, no one is promised life tomorrow.

Kristen Austin em setembro 17, 2007 8:21 PM


#9

A phrase that I found compelling in the story was the line, "Algunos obstinados no comprendieron (o simularon no comprender) que se trataba de un orden nuevo, de una etapa historica necesaria...". This sentence, with its mention of a necessary historical age, harks back to Marxist theory. I find the connections between the Babylonian society described in the story and the concept of an idealistic Marxist society interesting. After all, couldn't one postulate that under true Marxism, pure chance would be the determinant of every individual's life? In a society where each man, woman and child is equal in the eyes of the state, what is left to differentiate between them except the whims of fortune? The story made me think of the Bolshevik revolution, another example of a plebeyan revolt that put the fate of men into the hands of (what was supposed to be) a populary controlled central institution. Referring back to the original sentence I quoted, some obstinate souls refused to acknowledge that a new historical era was upon them, but these reluctant few were soon swept aside by the popular tide that installed the lottery and the Company as the main instruments of justice, life, and death in Babylonian society. In the same way, Russian society in 1917 was overturned by the Bolshevik revolt that placed power in the hands of the many, overthrowing the previous system in which the fate of the many had been determined by an elite few.

Ilan Roth em setembro 17, 2007 8:23 PM


#10

Olá Idelber.
Eu não tenho blog, portanto, tenho a cara de pau de deixar aqui mesmo meu comentário. Mas é um comentário de leitor sem outras especialidades.
Também gostei muito do recorte do Milton Ribeiro.
Mas, após ler o conto, eu tive a impressão de a escolha ser inútil. E concordo novamente com o Milton, Borges é irônico. Nos faz crer, pelo menos a mim, que não importa o caminho, a lei é o acaso. A vida é uma sucessão de acasos. E seja qual for o caminho que escolhermos, não o aboliremos. Mesmo 'concebendo um mundo', não nos livramos dele. É a perplexidade metafísica?
Abraços.

frank em setembro 17, 2007 8:24 PM


#11

Idelber, escrevi um texto sobre o conto no meu blog. Na verdade é uma provocação, ou uma brincadeira.
Parabéns pela ótima iniciativa do Clube de Leitura e um abraço.

[http://oritmodissoluto.blogspot.com/2007/09/clube-de-leitura.html]

Andre Bittencourt em setembro 17, 2007 8:41 PM


#12

A note to my students:

I can't comment on all the interesting remarks made here, but André's excellent post on the story (link above) picks up on something that often goes unnoticed: the narrator is about to board a ship. Could he be a fugitive, a dissident?

Idelber em setembro 17, 2007 9:06 PM


#13

The company that runs the lottery is portrayed as being an all-powerful god in that all reality of this society is eventually decided upon the selection of the lottery drawn by this company; for instance the company has the power to select even the death of an individual. however, what is the fate to be selected and even how it is to occur is unknown to everyone, even the company. What I find interesting is that this uncertainty means that the company is not all knowing and such an institution cannot then be considered godlike. Furthermore, this kind of governing institution is unable to provide a utopian society. Even though the institution had gradually been given its powerful position by the people, it does not follow that it knows what is in the best interest of the people, especially because it functions on chance.

andrea brown em setembro 17, 2007 9:46 PM


#14

I have always taken an interest in hypothetical situations and the possibly of their existence in our own societies. In Lotería en Babilonia, the individuals are controlled by the secret Company, much like we would think Big Brother could control our lives and our societies. In terms of contingency versus necessity, Babilonia is defined by contingency. However, in a world where everything is contingent, everything eventually becomes necessary and the control (here the Company) must remain in order. The phenomenon of a person who acts, then attempts to justify or explain their action, is common within all societies, not just the Babylon described by Borges. I wonder if Borges sees our own world as the true Babylon, with our actions making just as much sense as the actions of his fictional Babylonian.

From another point of view, I feel that this story pokes fun at the belief that life itself has any sort of form. Like many of Borges' stories, Lotería en Babilonia follows the familiar form of an agency attempting to create order. Ironically, the Company creates order through their gambling system, a seemingly complete dedication to “well ordered chaos”.

Written during the time of World War II, this theme of “well ordered chaos” in the story parallels what is happening in Borges’ world. Hitler’s attempt to create a “perfect” and ordered world was in reality the perfect nightmare that eventually lead to a global feud. Sometimes in our attempts to create order, the theme of absurdity seems to prevail over reason.

I really enjoyed reading this story. I like that we can go on endlessly about any of Borges’ stories and I look forward to the next discussions.

Julie Frazier em setembro 17, 2007 10:15 PM


#15

Looking closely at the role of the narrator in the story, I see that the angle taken in telling the tale is not objective, but not completely slanderous. To say that the narrator is a dissident is a possibility, but it is better said that they are removed from the situation in Babylon. This allows the narrator to criticize from a distance while having another culture to weigh the Babylonian system against. The narrator has taken part in the lottery throughout his life and has many stories and the lack of a finger to show for it. He makes note that he is far from Babylon now and takes note of the strange custom of the lottery.

"Ahora, lejos de Babilonia y de sus queridas costumbres, pienso con aglún asombro en la lotería y en las conjeturas blasfemas que en el crepúsculo murmuran los hombres velados"

The narrator’s participation is not in question, but the attitude towards the lottery has shifted. As the narrator tells his story, you can see the logic that he once believed followed by the shortcomings that he focuses on. Not knowing how long the narrator has been separated from participation in the lottery leaves a few ambiguous questions, but three interesting points can be gained from looking at how the story unravels through the mouth of a former participant.

1. The narrator seems to be very proud of his past in the first paragraph. It’s telling includes not only how great a man he is by virtue of his experience, but also how he is not alone. He is like all the men of Babylon. Through what they have survived, they learned to live with uncertainty, which even the Greeks did not.

2. He is now far from Babylon and has taken to thinking about the customs of the lottery and it is shocking to him, especially referring to its blasphemous nature. It is possible to see through the usage of “blasphemous”, that he may have found a god and is ashamed to realize the hood that Babylonian culture has thrown over religion. Appropriating its power to a secret company.

3. The narrator asserts that Babylon has turned into a large game of chance. It is written as if offensive to remove a god from the equation, but he writes as if the people gain a strength that god-fearing people do not possess. That strength comes from the ability to adapt to uncertainty, to grow out of their social roles, to slide between the classes, between hope and despair, and ultimately between life and death.

It brings into focus the difference between a Utopian society and failure of a Utopian society. The difference is all in the mind of the participants. Once the seed of doubt had been planted in the narrator, it all started to unravel as we see in the story. This may have happened before he left Babylon or once he learned a different perspective.

Matt Austin em setembro 17, 2007 10:21 PM


#16

Também publiquei uma reflexão sobre o conto no meu blog, espero que acrescente algo às discussões.

O link é: http://incautosdoontem.blogspot.com/2007/09/loteria-da-vida.html

Ulisses Adirt em setembro 17, 2007 11:30 PM


#17

I think that the people of Babylon are a god-fearing people. The company is a god-like entity in the sense that regardless of its existence or its hand in day to day events, the people can blame anything on the company. If a drunk man chokes the woman next to him, who is to say that that act is not God's will, or the company's will? And likewise when good fortune is bestowed upon someone it can be said to be the company's doing. Any incident, bad or good, coincidence or not, could be attributed to the company, just as these things could be attributed to a god. However, it is a very ironic god because everything is chance, even if there really is a company doing all these things, it is still all chance--there is no real will of god or of the company. And because of the secret nature of the company, and how nobody ever really knows for sure what the company is doing/has drawn, or if it still exists, or if it ever existed, people can use this lottery as a justification to do whatever they please. Nobody can ever accuse them of not enacting the company's will, because nobody knows the company's will. The faith in the company allows people to act as heathens, though this goes against the normal role of a power. I think this could be read as a pretty harsh commentary on organized religion which has its share of contradictions and ironies just as the lottery does.

margaret brittingham em setembro 18, 2007 12:34 AM


#18

En este cuento, la Compañía regula las leyes para regir el azar. ¿Cómo es posible regir el azar? Son los números que tienen el milagroso poder de decidir el destino de la gente. Sin embargo, la gente necesita algo para explicar lo inexplicable, por eso se inventa la Compañía y la Compañía inventa las reglas. Esto es como la fundación de la religión. Dicen que es Dios que rige el azar (el destino, la suerte, la muerte, etc., todo lo que no puede explicar y controlar la gente). Con la ayuda de la religión, se puede definir todo lo indefinido.

Ho, Szewan em setembro 18, 2007 1:08 AM


#19

Agora sim, entendi porque Josef K., por azar, foi detido certa manhã, sem ter feito mal algum.

Isabel em setembro 18, 2007 1:22 AM


#20

"He conocido lo que ignoraban los griegos: la incertidumbre."
This statement represents the pinnacle of the debate on randomness, which is like doubt or "incertidumbre"; this is because no one ever know what is coming. The lottery in Babilonia is referred to as the principle part of reality. I feel as though it is, however, the principle part of uncertainty because as the end of the story tells us no one knows if the company exists or ever existed. I believe Babilonia, and all civilizations for that matter, are "un infinito juego de azares." All of life can be reduced to a random series of events and this story asks us to question life and faith.

Chana Lewis em setembro 18, 2007 1:40 AM


#21

Para mí, la Compañía es una metáfora para hegemonía, en el sentido como la define Gramsci. No se trata de un grupo de poderosos que domina al resto, más bien es un entrelazamiento complejo de fuerzas políticas, sociales y culturales que va más allá de una ideología impuesta, ya que se adentra en la sociedad y crea un sentimiento de realidad que es internalizado por el individuo.
Estoy de acuerdo con el 'palpite' de Catatu, que dice que

“Geralmente, quando pensamos na questão do controle, não se trata de contingência, mas de uma espécie de conjunto de organismos determinantes (Estado, instituições, disciplinas, certas ciências...) que buscam avançar mais e mais sobre as subjetividades, de modo que o controle seja cada vez mais tênue, e de certo modo "invisível", confundido com a própria liberdade.”

Según Gramsci la 'invisibilidad' de la hegemonía es producida por tradiciones que presentan una versión del pasado que legitimiza el presente y 'residuos' de prácticas culturales del pasado que no son reconocidas como tales pero subsisten en el orden presente. Los babilonios en el cuento de Borges no son capaces de “investigar [las] leyes laberínticas, ni las esferas giratorias que revelan [el azar]“(549), es decir que no reconocen el poder hegemónico de sus tradiciones: “nuestras costumbres están saturadas de azar.” Por ejemplo, “hay sorteos impersonales, de propósito indefinido.” Estos sorteos son cumplidos por los babilonios sin saber ni cuestionar su objetivo, por lo cual “las concecuencias son, a veces, terribles.” (550)

La escritura de la historia babilónica es el mejor ejemplo para la relación hegemónica con el pasado como se manifiesta en las sociedades occidentales. La historia es utilizada selectivamente para sancionar el presente, por lo tanto “nada tan contaminado de ficción como la historia de la Compañía.” Al igual que nuestros historiadores, “los escribas prestan juramento secreto de omitir, de interpolar, de variar.” (550) La suma de historias, tradiciones y residuos se vuelven elementos automáticas de la sociedad, de manera que la hegemonía es una cuestión impersonal que no se puede atribuir concretamente a ciertas instituciones y mucho menos personas. Más bien, éstas prácticas sociales son estructurales y sostienen la sociedad. Poreso la teoría que “ya hace siglos que no existe la Compañía y que el sacro desorden de nuestras vidas es puramente hereditario, tradicional.”

Katharina Kniess em setembro 18, 2007 1:59 AM


#22

The narrator begins to develop a very interesting concept as s/he says, “En la realidad el número de sorteos es infinito. Ninguna decisión es final, todas ramifican en otras.” The narrator continues to develop this idea as s/he notes that the ignorant assume that the infinite drawings simply require an infinite amount of time to continue; however s/he claims that in actuality, all that is required is that time be infinitely subdividable, “como lo enseña la famosa parábola del Certamen con la Tortuga.” The reference to the parable of Achilles and the Tortoise brings forth the paradox that all motion is impossible. If Achilles can only go half way in his attempt to catch up with the tortoise, he will never get there.


I have to contemplate Borges’ purpose for invoking such an interesting paradox. If the number of drawings is infinite and each decision can branch into X number of other decisions, can any decision in Babylon ever be determined? If no decision can ever be reached, all motion stops and therefore Babylon ceases to be. The last line of the story strongly supports this concept: “…Babilonia no es otra cosa que un infinito juego de azares.” It seems as if Borges invokes the parable to prove that Babylon can not truly exist as a real world; however, as the narrator states, as long as time can be divided in half, the infinite game of chances will go on regardless of its ability to function as a true world.

Ali Carlisle em setembro 18, 2007 3:08 AM


#23


En cierta medida se puede considerar "La lotería en Babilonia" un esfuerzo consciente para organizar la arbitrariedad del destino humano que puede proceder de diferentes fuentes. No tenemos otra cosa que la ficción de la metáfora de la Ruleta de la Fortuna convertida en realidad para gozo y penalidad de aquellos que se sienten dichosos por la simple ocasión de poder participar en el juego.

Es interesante asistir a una explosión de jubilo de unos participantes que, aun sabiendo que pueden recibir un castigo severo, disfrutan del juego por el simple hecho de imaginar que la realidad que les puede "tocar" vivir es diametralmente opuesta a la que tienen en la actualidad. Es la necesidad de una esperanza que esperan que llegue pronto.

Al entrar a analizar lo psicológico del cuento podemos encontrarnos con una influencia kafkiana (referido, quizá, en el cuento con el nombre de Qaphqa)al dar Borges a entender que los ciudadanos prefieren creer que existe algo sobrenatural que rige sus vidas, para bien o para mal, antes de creer en un simple concepto de causalidad. En definitiva, es la necesidad de respetar, e incluso temer, lo que no conocemos ni entendemos. A partir de ahí, el hombre necesita la presencia de un ser superior que maneje y dirija sus vidas provocando el nacimiento de la religión y la destrucción de la autonomía humana siendo sustituida ésta por la aceptación de una autoridad divina sin discusión alguna. Un parrafo a destacar es el que dice "el babilonio es poco especulativo. Acata los dictamenes del azar, les entrega su vida, su terror pánico, pero no se le ocurre investigar sus leyes laberínticas, ni las esferas giratorias que lo revelan".

El cuento puede verse también como una crítica, a través de una lectura irónica de la historia, hacia los métodos de gobierno de algunos de los países predominantes de la época en la que se escribió el relato, especialmente hacia los regímenes totalitarios fascistas y comunistas en Alemania y la Unión Soviética. Llegamos entonces a la cuestión planteada por el Profesor Avelar acerca de la posibilidad de que el narrador sea un disidente. Si vemos el cuento como una crítica hacia los sistemas totalitarios no me cabe la menor duda de que así es. El narrador representaría, entonces, la figura de aquellos ciudadanos que deben salir de su país y emigrar hacia países en los que su destino no esté regido por nadie ni en donde esté obligado a realizar algo determinado por obligación sino que pueda ser partícipe y formador principal de su destino en la vida. La imagen del narrador podría identificarse con la de los millones de exiliados de las diferentes dictaduras y estados y sociedades de control que han tenido lugar a lo largo del siglo XX y que afectaron, igualmente, a la Argentina de Borges.

Un fragmento puede ser clave para decantarse por la versión política: "hubo disturbios, hubo efusiones lamentables de sangre; pero la gente babilónica impuso finalmente su voluntad, contra la oposición de los ricos...el pueblo logró que la Compañía aceptara la suma del poder público." No sé si voy demasiado lejos pero creo que este fragmento es una alusión a la Revolución Rusa de 1917 que comenzó con el asesinato del Zar Nicolas II junto a toda su familia. Lo que empezaba como una idea romántica socialista marxista-leninista terminó con una pesadilla de estalinista, unos años después, que convirtió el estado en una colmena enjaulada que no dejaba ninguna libertad de movimientos o elección al ciudadano. En el desarrollo inicial y posterior de las repúblicas soviéticas puede encontrarse el germen de la citada "Compañía" babilónica y del desarrollo transformacional de la famosa lotería.

Sin embargo, todo lo que acabo de decir puede no tener valor teniendo en cuenta los precedentes borgesianos en los que, al mismo tiempo, diferentes lecturas e interpretaciones pueden tener validez crítica o carecer de valor alguno. Incluso puede que haya una interpretación que nos haga creer que todo lo que hemos leido en este cuento lo hemos soñado durante la siesta de esta tarde y que nada de esto existió jamás.

Antonio M. Rueda em setembro 18, 2007 3:12 AM


#24

Wow, things really got interesting here overnight.

One more comment: I'm glad Adriano (link above) and Antonio (comment # 23) picked up on the allusion present in the passage about the letrina sagrada llamada Qaphqa.

Surely, an obvious enough allusion to the author of The Trial.

Idelber em setembro 18, 2007 12:40 PM


Hermenauta em setembro 18, 2007 1:54 PM


#26

Já linkei :-)

E gostei pacas da leitura. Este conto dá um ótimo bate-bola com o Dawkins, não é?

Idelber em setembro 18, 2007 2:02 PM


#27

Só.

Mas eu viajei mais longe, até pensei nas teorias cosmológicas do multiverso. Mas deixei quieto. :)

Hermenauta em setembro 18, 2007 2:11 PM


#28

Me limitei a postar no blog e agora me sinto como se tivesse perdido o melhor da festa, hehe

Na minha interpretação, A Companhia personifica o acaso, que é, em última análise, o que atribuímos a uma divindade qualquer. E o narrador, por não suportar o caos da incerteza constante prefere fugir do reino como se em algum lugar fosse achar um mundo correto, perfeito e em miraculosa harmonia.

Bender em setembro 18, 2007 4:31 PM


#29

pena quem acha que esse é um dos melhores contos de borges.
dei meu pitaco, MAESTRO.
;^)

Biajoni em setembro 18, 2007 9:58 PM


#30

Biajoni,

O que pasa é que Borges tem quase cuarenta contos melhores. No há pena, cada quem com a sua coisa.

Mac Williams em setembro 19, 2007 12:33 AM


#31

Fiz uma resenha no meu blog também: http://grandeabobora.com/?p=1192

marcus em setembro 20, 2007 3:47 PM


#32

A Companhia, como disse o Bender, personifica o acaso, busca dar uma explicação para tudo. Explicação essa que teria sido perdida? Uma Companhia secreta terminar por reger todos os acontecimentos...uma loteria que atinge dimensões tão grandes que se torna a própria vida. Não há lugar para o acaso, mas o acaso adquire a forma de uma loteria.

Gostei da oportunidade de reler Borges. Existem outras leituras desse tipo planejadas?

Bia em setembro 21, 2007 1:38 PM


#33

Cheguei atrasado, mas publiquei. http://www.helderdarocha.com.br/blog/2007/09/loteria-em-babilnia.html
Agora vou ler os outros :D

Helder da Rocha em setembro 22, 2007 12:58 PM


#34

cotalic

laacelracr em novembro 16, 2007 5:12 PM


#35

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#36

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#37

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