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sexta-feira, 12 de outubro 2007

Prêmio Nobel

Nunca li Doris Lessing, embora seja amigo de gente especializada na obra dela. É uma pena, porque já tive The Golden Notebook em mãos e, sem tempo, acabei deixando. Mas não há como negar, a nova laureada com o Prêmio Nobel de Literatura é uma velha simpática. O Nobel tem um impacto político e editorial inegável, mas como medida de valor literário, bem, ele será sempre o prêmio que Joyce, Proust, Kafka e Borges não ganharam. Em 1922, Joyce publicava Ulysses e o prêmio ia para Jacinto Bonavente. Em 1920, Proust publicava Le côté de Guermantes, o terceiro volume da Recherche. O Nobel foi para Knut Hamsun. É uma história divertida de se escrever, a desses contrastes. Depois da época em que o Nobel deixou de obedecer às idas e vindas da guerra fria e passou a obedecer ao vaivém das “boas causas” (equilíbrio entre regiões, forças políticas, etnias, gêneros, religiões), ele já serviu para que eu me interessasse por alguns autores (Naguib Mahfouz), confirmasse que gosto de uns (Harold Pinter) e que desgosto de outros (José Saramago). Ainda não sei onde entrará Lessing nessa lista.

PS. Texto interessante sobre o bar e a literatura.

PS 2. O Tiago Dória foi convidado para ser blogueiro oficial da PopTech, uma das mais importantes conferências sobre web e tecnologia no mundo. Parabéns! Trabalho de primeira sendo reconhecido.

PS 3. Alô Belo Horizonte: Tiago Dória, Tiagón Casagrande e outros estarão aí de 29 a 31 deste mês, num Congresso sobre Cibercultura na Fumec. Ao sair da Fumec, meus caros, dobrem à direita na Afonso Pena, peçam liçenca aos travestis e parem no Emporium para uma cachacinha. A oferta é boa.



  Escrito por Idelber às 04:39 | link para este post | Comentários (13)


Comentários

#1

The Golden Notebook é um bom livro; bom como reflexão sobre o lugar da mulher no mundo, e com um encadeamento formal interessante.

Há vários diários, em cadernos de cores diferentes, que expressam os estados de espírito da narradora. É quando ela abre o caderno dourado que faz uma síntese das experiências vividas ao longo do livro.

Impressionou a minha jovem cabecinha quando o li. Mas isso foi há muito tempo; precisaria reler para ter uma impressão mais nítida.

Marcus em outubro 12, 2007 6:02 AM


#2

Idelber, fiquei curioso com relação ao seu desgosto pelo Saramago. Tá certo, você já deve ter lido, no mínimo 15 vezes mais literatura do que eu, Saramago talvez tenha sido um dos melhores autores que realmente parei para ler, mas acho o trabalho dele muito bom. Confesso que quase morri para terminar de ler o Ano da Morte de Ricardo Reis (hoje, de vez enquando, retorno a um capítulo daquele livro que é a melhor coisa sobre solidão que já li), mas fiquei longe do Memorial do Convento por haverem me alertado de que era bastante entendiante. Mate minha curiosidade, o desgosto é apenas pessoal? Abraços

Capedonte em outubro 12, 2007 6:35 AM


#3

Nunca ouvi falar em Doris Lessing e até onde sei não há nada dela traduzido (há Idelber?) para o português (agora com certeza haverá), mas o tal do Nobel realmente, não só na literatura, é medida de que afinal? De um cheque de um e meio milhão? Gosto do Saramago pelo que li do Evangelho e do Cerco, mas ainda até onde sei ele é o único da língua portuguesa, galardoado com o tal prêmio, apesar de tantos concordarem que outros o merecessem mais.

Recorro à Wikipédia (devidamente atualizada) para conhecer a tal senhora e... putz, não adianta: a estante dos livros que não lemos (e talvez nunca leremos) é imensa.

Charley em outubro 12, 2007 8:34 AM


#4

Idelber,

Também nunca li nada da laureada. Aliás, pra dizer a verdade, era uma quase total desconhecida para mim. Concordo com o Charley: a estante dos não-lidos só faz aumentar...

Luiz em outubro 12, 2007 10:48 AM


#5

dica devidamente anotada! :D

tiagón em outubro 12, 2007 10:48 AM


#6

em tempo: gostei do "anti-apocalíptico" do perfil! apropriadíssimo.

tiagón em outubro 12, 2007 10:49 AM


#7

Eu gosto tanto do Saramago. É o melhor escritor que já li em língua portuguesa.

marcus em outubro 12, 2007 11:37 AM


#8

The Golden Notebook foi traduzido para o português, com o nome O Carnê Dourado.

Marcus em outubro 12, 2007 11:38 AM


#9

Siempre espero que le den el premio a Salman Rushdie, pero esto causaría miles de muertes si no una guerra mundial.

Mac Williams em outubro 12, 2007 12:33 PM


#10

Pareciera que el Nobel se pudiera explicar mas por quienes no lo ganaron que por quienes lo ganaron... Pero quitemosle ya a Borges esa asociacion directa con su ausencia de Nobel, no te parece? A fin de cuentas perderlo pareciera dejarte mejor parado. Y de todos modos, no se si es tan meritorio merecerlo. Voy a ver que digo cuando se lo den a Javier Marias (y me pregunto que cara pondra Vargas Llosa).

Antonio em outubro 12, 2007 1:47 PM


#11

Sobre a minha birra com Saramago: esse eu li, e li o suficiente para saber que não gosto. Acho a escrita empolada, o projeto narrativo demagógico, os personagens previsíveis. Memorial do Convento é das coisas mais ideológicas (no mau sentido de "ideológico") que já li.

De Saramago só gostei de O ano de 1993, um livrinho que quase ninguém leu.

Idelber em outubro 12, 2007 2:17 PM


#12

Charley, para quem não sabe, é meu irmão :-)

(alô, brother!)

Obrigado por confirmar o título do livro em português, Marcus ("carnê"? que tradução maluca! Sei lá, o tradutor terá tido seus motivos).

Pero quitemosle ya a Borges esa asociacion directa con su ausencia de Nobel, no te parece? A fin de cuentas perderlo pareciera dejarte mejor parado.

Totalmente de acuerdo, Antonio :-)

Idelber em outubro 12, 2007 2:23 PM


#13

Olá Idelber!

Obrigado pela força!

E vamos que vamos :-)

Abraços,
Tiago

Tiago Dória em outubro 15, 2007 12:18 AM


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