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sábado, 20 de outubro 2007

Rapidinhas colombianas

Que Capitão Nascimento que nada. Ser macho de verdade é viajar de ônibus – de buseta -- aqui na Colômbia. Entrei e saí do mato, de buseta, sem maiores percalços.

Cena impagável: ver uma turma de brasileiros tirando fotos ao lado dos pontos de ônibus, que aqui levam o singelo nome de parador de busetas.

Quando vier à Colômbia, não deixe de conhecer um povoado chamado Tabio, na savana. Fica pertinho de Bogotá. Na foto abaixo, uma turma de colombianos jogando capoeira angola em Tabio:

DSC03785.JPG

Esta frutinha é deliciosa e se chama pitaya:

DSC03787.JPG

Esta outra é mais usada para sucos. Também é muito boa. Chama-se lulo e, apesar do parentesco com a laranja, praticamente não tem acidez:

DSC03788.JPG


Uma notinha para os leitores acadêmicos: A Universidade Nacional da Colômbia tem os melhores alunos de graduação que já vi na vida. Num programa de estudos rigorosíssimo, que às vezes inclui 35 horas semanais só para cumprir os requisitos, os cabras chegam ao final da licenciatura com a obrigação de produzir uma monografia que se compara a muita tese de doutorado por aí. Fiquei absolutamente assombrado com o nível dos alunos de Letras. O segundo número da revista feita por eles, chamada Educação Estética, é dedicado a Theodor Adorno. Compete em qualidade com qualquer publicação acadêmica norte-americana. Repito: é uma revista feita pelos alunos de graduação. A revista do departamento de literatura também é de altíssima qualidade e já vai pelo número 9.

A identificação dos colombianos com o Brasil é digna de nota. O carinho que eles demonstram como anfitriões é indescritível. Quando o visitante é brasileiro, bem, aí a coisa chega àquele ponto em que você fica até com vergonha.

Aqui em Bogotá dança-se muita salsa, merengue, tango. Se você, como eu, é fã desse primo do forró chamado vallenato (música de sanfona da costa caribenha colombiana), aí vai a dica: La trampa vallenata, que fica na 42 com quinta.

Um leitor me perguntou sobre a comida paisa (de Antioquia). O meu prato favorito tem sido a bandeja paisa. Escutem só: arroz, feijão (de caldo), carne moída, ovo frito, lingüiça, chicharrón, tomate, abacate e banana frita.

Não adianta. É da Tierra del Fuego até o México: os hispano-americanos não entendem como podemos comer abacate de sobremesa, com açúcar. Alguns ficam sinceramente indignados.

PS. Alguém aí recebeu o spamzão que está circulando, com a comparação entre MacGyver, James Bond e o Capitão Nascimento? Publico aqui ou não publico?

PS2: Quem me conhece de perto sabe que não sou exatamente um fanático defensor dos direitos dos animais. Mas isso aqui realmente é desprezível. Chapeau para o Mestre Ina por, mais uma vez, ter chamado a atenção para uma injustiça.



  Escrito por Idelber às 14:49 | link para este post | Comentários (13)


Comentários

#1

Quanta aventura, mestre Idelber! Estamos tão perto da Colômbia e de outros hermanos e, ainda, tão desconhecidos... Abração.

Cláudio Costa em outubro 20, 2007 5:23 PM


#2

... desconhecidos para nós (*), claro!
(*) ou pra euzinho aqui.

Cláudio Costa em outubro 20, 2007 5:25 PM


#3

sempre pensei em ir à colômbia, mas especificamente à cartagena. essa sua descrição de bogotá, porém, me deixou com água na boca. bj

cris em outubro 20, 2007 6:51 PM


#4

cris, eu lamentei muito não ter podido ir a Cartagena. O tempo não deu. Mas era a próxima da lista, junto com Barranquilla.

Para nós todos, Dr. Cláudio. Uma pena, não é mesmo?

Idelber em outubro 20, 2007 9:02 PM


#5

Oi Idelber

Tem entrevista no site de Vidas Alternativas.

http://va.vidasalternativas.eu/?p=414

Boa semana.

Luci Lacey em outubro 21, 2007 10:38 PM


#6

Já não como abacate passado no liquidificador com açúcar. Prefiro com sal, tomate picadinho, cebola e limão verde espremido.
Por favor publique qualquer coisa que desfaça dois mitos: o tempo da Redentora era o que era bom e a farsa do Bope. No começo pensei que era a ROTA. Vi uns PMs estacionados na calçada em frente à Santa Clara 150, horário de um montão de gente, barrigudos, sacaram as metralahdoras e ficaram exibindo pro povão. Fiquei indignada. Saí de lá apavorada com a cena. Conto essa estorinha por aí.
Chapéu de palhaça tirado para o post do Inagaki. E mais: aqui o Lost Angles Times prometeu 5 lugares na América Latina para aposentadoria -- eram todos em três países: Costa Rica, México e Panamá.

Boa noite professor Avelar.

tina oiticica harris em outubro 21, 2007 11:31 PM


#7

Eu sabia que não ias resistir muito tempo a pegar uma buseta.

Milton Ribeiro em outubro 22, 2007 10:00 AM


#8

Dei a primeira risada do dia com o parador de busetas :-)). Os ônibus colombianos são mesmo como mostraram naquele filme Tudo por uma esmeralda, gente levando porquinho no colo? :-).
Tenho uma sobrinha que é louca pra viajar pela América Latina, imagino o quanto ela vai se divertir.

Te em outubro 22, 2007 12:23 PM


#9

Te, não vi esse filme, mas bem, como no Brasil, há ônibus de todo jeito.

Acho que o "porquinho no colo" é mais comum na Bolívia :-)

Obrigado pelo link, Lucy, eu vou continuar atento ao caso.

Abraços,

Idelber em outubro 22, 2007 3:06 PM


#10

o Brasil está isolado na america-latina, não sabe que dentro deste continente existe uma cultura muito maior, a hispana, e insistimos em nos manter alienados achando que eh como no futebol que somos craques. Não somos. Musica, literatura ou ateh na TV, se fala tanto do Brasil como de Honduras.

luis cornelio kmentt junior em outubro 22, 2007 3:39 PM


#11

O que é um chicharrón?

Luiz em outubro 23, 2007 7:38 PM


#12

Frituras fininhas de pele de porco, Luiz. É parente do nosso famoso torresmo.

Idelber em outubro 23, 2007 7:42 PM


#13

Nossa Idelber, fiquei com invejinha branca da sua viagem... (Menos de pegar a buseta, claro. rsrsrs) ;)
Adoro provar dessas frutinhas exóticas, maldade demás colocá-las aqui pra me dar água na boca, visse?
beijo

Ana em outubro 26, 2007 11:58 PM