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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quarta-feira, 10 de outubro 2007

Tropa de Elite, de José Padilha

rio_tropa01.jpg Atenção: esta resenha contém "spoilers".

Tropa de Elite é o tema da vez. Assisti e achei um filmaço – com algumas simplificações bem brutais, sem as quais ele teria sido ainda mais efetivo no que quer fazer. Mas é um filmaço. Em primeiro lugar, como filme apresentado do ponto de vista de um policial não corrupto, de batalhão especial, que acredita sinceramente no que faz, Tropa de Elite é uma mui bem vinda novidade na cinematografia sobre o tema. Há um debate acontecendo (os links vão todos ao final), e seria muito ruim que ele se reduzisse a uma torcida organizada do Capitão Nascimento, à direita, e uma rejeição simplista, à esquerda – o filme é muito mais rico.

Acusa-se o filme de ser manipulador e maniqueísta. As duas acusações são falsas. Em primeiro lugar, a beleza de qualquer arte narrativa é criar um narrador “manipulador”, ou seja, uma voz crível o suficiente que nos leve, nos convença, ora, a sair do mundo real duas, ou dez, horas e entrar nesse mundo alternativo. Dostoiévski fazia isso: carola, czarista e caretão, imaginava protagonistas rebeldes que convenciam qualquer anarquista ou revolucionário que lesse aquilo. Padilha cria o Capitão Nascimento, chefe de uma ilha de credibilidade num universo de policiais que recebem propina de traficante, policiais que trasladam cadáveres para adulterar estatísticas, policiais que saqueiam as viaturas que usam a trabalho, oficiais que exigem propina de qualquer soldado que vá tirar férias. Só esquecendo 70% do filme é possível lê-lo como celebração da força policial. É uma autópsia da podridão. Neste mar de lama, o BOPE é o lugar do ponto de vista. É dali que se conta a história. O BOPE tortura e mata, mas não se corrompe nem assassina indiscriminadamente. Cria identificação em parte do público? Claro. O filme sanciona esse ponto de vista de forma inequívoca? De jeito nenhum. Pensar assim seria escolher não ver uma série de coisas que estão lá.

O filme é essencialmente honesto ao usar a voz em off do Capitão Nascimento como narrativa distanciada daqueles eventos. “Manipulador” no mau sentido da palavra teria sido criar uma voz em off supostamente “neutra”, “documentarizando” aquela ficção e, no fundo, repetindo a ideologia do Cap. Nascimento e do BOPE como a única possível; afinal de contas, ali ela estaria legitimada pela aura de verdade do narrador não-diegético, não participante da trama, o narrador “Deus”. Padilha faz o contrário: expõe o personagem não só na tela mas também na narração e comentário do filme. Ele está ali para ser avaliado, julgado, escrutinado também. Se o espectador abdica dessa tarefa, claro, problema dele. Há quem abdique para celebrá-lo como Rambo. Há quem abdique para condenar.

É difícil a tarefa do espectador que quer abraçar a ideologia do Capitão Nascimento, porque afinal de contas enquanto Nascimento ficou lá, foi implacável e incorruptível, mas teve que sair. Senão, provavelmente não viveria para criar seu filho. Digo que “teve que sair”, claro, porque agora ele nos narra o filme em off, já supostamente substituído por Matias, se vamos – como acho que devemos – ler simbolicamente o último tiro do filme, o tiro iniciático, de incorporação ao batalhão, que Matias desfere na cara do traficante “Baiano” (e na do espectador, já que a câmera é colocada no chão, sob a arma, convidando-nos à condição de assassinados).

Matias é o único preto do filme que não é parte da paisagem. A escolha é interessante porque toda a pendenga é a substituição do Capitão narrador, para a qual, depois do brutal treinamento, restam dois candidatos: Neto, o valente burro que termina morrendo na favela com um tiro nas costas, e Matias, que é inteligente mas está “amaciado” pelo convívio com os pequeno-burgueses da faculdade, lugar onde ele ainda utopicamente acredita que o direito e a instituição policial são sinônimos, contíguos, facilmente harmonizáveis. Nessa ingenuidade ele não está sozinho: afinal de contas, ele estuda numa faculdade onde o professor e os alunos (todos eles brancos, exceção a um mulato claro ao fundo) fazem uma inacreditável aula em que se sonha que Foucault alguma vez falou de poder em termos de aparatos repressivos de estado. rio_tropa02.jpg

Mas não cobremos exatidões francesas de filme de ficção feito num país onde um colunista da maior revista semanal afirma que, para Foucault, a loucura era uma construção discursiva (leu isso onde, Reinaldinho?). O que me incomoda nas cenas da faculdade em Tropa de Elite é a artificialidade com que todos se colocam contra Matias com argumentos simplistas sobre a polícia e a violência. Padilha estereotipa ali o discurso anti-violência policial, assim como estereotipa as ONGs, ao mostrar um diretor que já oferece a Matias material eleitoral de um senador no seu primeiro minuto de visita à sede. Forçadas de barra como estas, há algumas. O filme teria sido ainda mais poderoso se tivesse introduzido um mínimo de complexidade nos verdadeiros antagonistas de Nascimento: os burguesinhos-baseado, não tão diferentes do semi-burguês-comprimido- para-dormir que é o próprio Capitão, viciadaço em drogas farmacêuticas quando o bicho pega. É por isso que, apesar das forçadas de barra, o filme não resvala no maniqueísmo: não o permite a complexidade de seus personagens e seu olhar cáustico sobre o angu-de-caroço que é o par tráfico / segurança pública no Rio.

Inclusive a personagem de Fernanda Machado é complexa. Ela é a única mulher do filme que não é parte da paisagem. Burguesinha, gostosinha e com consciência “social”, colabora na ONG da favela de uma forma não muito diferente da que Nascimento – e depois Matias – trabalham no BOPE: com total crença no que faz. Ela cai, inclusive, do mesmo jeito que Nascimento: este descobre que é impossível se manter no BOPE e criar seu filho, ela descobre que é impossível ser burguesa de “consciência social” na favela sem colaborar com o tráfico (ou sem trair a comunidade colaborando com a polícia). Quanto acontece a aproximação romântica entre ela e Matias, o espectador sabe que está fadada ao fracasso: o único espaço em que estão unidos como iguais, a faculdade, tornou-se lugar irrelevante. A burguesinha-branca-de-esquerda e o preto-povão-em- ascensão-via-polícia (e, sonha ele, via faculdade) não podem se amar: a verdade está na favela, e ali eles ocupam espaços irreconciliáveis. É bobagem acusar a voz do Cap. Nascimento de “manipuladora” num filme em que dois mocinhos, o único preto e a única mulher, tampouco encontram caminho nenhum, romeuejulietamente fracassando na favela.

Tropa de Elite é um filmaço porque torna a posição de todo mundo desconfortável. Traz uma voz não ouvida e não a exime de contradições. É Cap. Nascimento, claro, quem nos diz ao princípio que só há três saídas para o policial no Rio: omitir-se, corromper-se ou ir à guerra. Imune à segunda, ele opta pela terceira ao longo do filme mas é obrigado a escolher a omissão quando nasce o filho. Esse momento da paternidade é lindo, diga-se. Foi ali que mais me identifiquei com ele: a omissão como gesto de amor.

É verdade que Nascimento insiste com o burguesinho encontrado na roda de fumo que foi ele quem, ao comprar drogas ali, matou a ocasional vítima favelada do tiroteio. Neste sentido, sim, o filme apresenta fortemente o ponto de vista de que é o burguesinho-maconheiro que sustenta o tráfico: mas acreditar nessa tese é acreditar que a voz do filme é a de Nascimento falando com o burguesinho, a de Matias falando com os alunos da faculdade. Eu, de novo, me recusaria a reduzir o que o filme diz ao que o personagem diz. Nascimento também é o responsável direto pela morte do “fogueteiro”, pobre que, sob tortura, denuncia a “ponte” da carga e é depois, claro, sumariamente executado pelos traficantes. Nascimento sabe que, ao extrair uma delação sob tortura e depois não oferecer proteção policial ao seu dedo-duro, ele efetivamente o matou. Vive esse remorso às vésperas de ser pai e pergunta à mãe do rapaz se era seu único filho.

Qual é a relação de causalidade mais direta? A que liga o burguesinho- maconheiro ao tráfico ou a que liga a atuação incorruptível do BOPE à morte de seus colaboradores? Colocar essa pergunta, com esse grau de complexidade, é um grande mérito do filme.

Outros links sobre Tropa de Elite:

Torre de Marfim
Marcus Pessoa
Catatau
Sérgio Lima
Artigo de Wagner Moura
Diário de um Policial Militar
Overmundo
Pedro Dória
Depoimento sobre a PM do Rio
Blog da Segurança Pública
Global Voices Online
Arnaldo Heredia
e Mary W aqui e aqui .



  Escrito por Idelber às 02:19 | link para este post | Comentários (43)


Comentários

#1

Idelber,

coloca uma advertência no início do post, prevenindo aqueles que ainda não assistiram ao filme, porque você entrega o filme todo...;o) Tem gente que se importa com isso.

Cesar em outubro 10, 2007 4:54 AM


#2

Coloquei, Cesar, valeu.

Idelber em outubro 10, 2007 5:15 AM


#3

Qual a novidade de se narrar uma história do ponto de vista do "policial-BOPE"? Nenhuma. Isso é feito todos os dias nas primeiras páginas dos jornais, revistas (a Veja com as sete razões para o armanento), telejornais (que criaram a onda da redução da maioridade neste ano) e programas de rádio (há uma legião de Afanázios pelo Brasil, e Wagner Montes é líder das pesquisas para a prefeitura do Rio).
Até Renato Janine Ribeiro embarcou meses atrás nessa coisa ao criar a tese "do sofrimento em igual tamanho" para os criminosos. Portanto, "Tropa de elite" tem a novidade de encenar a tortura. Apenas isso.
José Padilha poderia, isso sim, ter problematizado olhar do Nascimento. Fazer como Clarice Lispector em "A hora da estrela" e estabelecer a tensão de perspectivas. Não fez isso, e a classe média na figura de um Luciano Huck mordeu a isca rapidinho e gritou "Chamem o Nascimento" para resolver seus problemas.
No final das contas, como disse Ivana Bentes, existe o "gozo" com as cenas de tortura de "Tropa de elite". Gozo do filme e do espectador. Bem diferente do que fez Beto Brant, em "O invasor". O personagem Anísio não toca sequer num fio de cabelo de algum outro personagem, e o espectador sabe que ali está um sujeito extremamente violento. Apenas pelo olhar e gestos.
Padilha disse que apenas pretendeu "mostrar" uma situação, sem julgamentos morais. Lembrei na hora do clássico texto de Lukacs com as diferenças de "narrar" e "descrever".
O Capitão Nascimento é a "voz autorizada" a contar a história e encarna a "autoridade" de quem viu e participou de tudo. Logo, é o olhar que se pretende "objetivo".
No cinema, Ismail Xavier já mostrou a armadilha desse olhar neutro. Foi o buraco em que caiu "O que é isso, companheiro".
Quanto mais se assiste a "Cidade de Deus", dá para perceber o quanto a narrativa de Fernando Meirelles e Katia Lund é simplória. É a trama do herói (o personagem Buscapé) que escapa de seu destino trágico e encontra um caminho na vida como fotógrafo. Não se enfrenta o desafio de capturar o "real", de aprender o trauma de vida cotidiana, de buscar uma nova forma de observar o mundo.
A forma narrativa está pronta.

Heloiza em outubro 10, 2007 9:00 AM


#4

Agora depois de ler tantas resenhas, vou criar outra só com links citando-as!
Vou fazer como Lynch, deixar de tentar explicar!

Joao Paulo em outubro 10, 2007 9:11 AM


#5

Legal que finalmente encontrei uma resenha parecida com a minha. Já estava começando a pensar que foi apenas eu que vi eo filme como algo que "torna a posição de todo mundo desconfortável". Todas as outras resenhas que encontrei foram sobre a dualidade que você mencionou.

Inclusive penso que, pelas contradições de todos os personagens, seria difícil uma identificação. Mas não é que ela tem acontecido, com o Nascimento virando um novo ''Chuck Norris''?

Quanto ao Foucault, achei muito bom o aparecimento dele por lá: o filme todo é uma verdadeira hipocrisia escancarada, e para coroar faz-se hipocrisia com os pensadores "da moda". É tudo um chute no balde.

Engraçado agora ver o que o Tio Rei disse do Foucault. A considerar os textos dele, é básico ver que ele não leu, heheh

abração,

catatau em outubro 10, 2007 9:37 AM


#6

Bem, divirjo, você sabe. A minha posição está explicada no link que você tão gentilmente colocou. Queria fazer apenas um comentário.

Não achei, nessa "série de coisas que estão lá", quais são as que demonstram uma independência do discurso do filme em relação ao pensamento do capitão (objeto da pergunta inicial). Procurei com atenção no seu texto e não encontrei, com exceção do caso do menino fogueteiro.

E mesmo nesse caso, que é interessante e gera uma bela seqüência (a conversa do capitão com a mãe do garoto), o espectador não é informado a respeito da responsabilidade do capitão.

Só depois que vi o filme uma segunda vez a ficha caiu: o capitão deveria tê-lo prendido, e não tè-lo deixado na favela. O filme não diz isso e talvez eu seja meio lento de raciocínio pra não ter percebido na hora; mas acho que o público em geral também não perceberá.

Marcus em outubro 10, 2007 10:43 AM


#7

José Padilha poderia, isso sim, ter problematizado olhar do Nascimento

Mais do que ele problematizou, Heloiza e Marcus, só se o filme viesse com legendas explicativas.

Idelber em outubro 10, 2007 10:50 AM


#8

A sua resenha é a que mais se aproxima do que eu achei do filme. Inclusive a parte da omissão do Capitão Nascimento. Interessante esse fenômeno "neo-Chuck Norris" que o personagem se tornou, pq ele é um personagem cheio de defeitos (humano, portanto) e não, "invencível" como Rambo. É o protótipo do anti-herói que chegou a herói pelas graças da narração, pq o filme incomoda a todos, sem distinção de raça, credo, nível social ou qqer outro item do formulário. Basta saber um pouquinho do que se passa no Rio de Janeiro para se incomodar com ele. Ou seja, não pede muito do telespectador médio, e aí talvez esteja a razão de seu sucesso.

Obrigada Idelber, por escrever resenha de tão alta qualidade. :)

Obrigado a você, pela leitura, sempre, Lu. Me alegro com a (mais uma) coincidência de leituras :-)

Lucia Malla em outubro 10, 2007 10:52 AM


#9

E aí, Idelber! Você já viu "Notícias de uma guerra particular"? Tá lá a primeira aparição pública do Capitão Rodrigo Pimentel. Co-autor do livro "Elite da Tropa" e do roteiro do "Tropa de Elite". No documentário e no livro a crítica ao BOPE é bem mais explícita, didática. No filme a crítica me pareceu mais "escondida" ou menos escancarada. Exige atenção do espectador.

O espectador desatento aprende o jargão e se deleita com a violência contra os bandidos.

Acho que a reação provocada pelo filme no espectador desatento não é demérito, pelo contrário. Parece a ação de um reagente químico que coloca em evidência um sentimento que costuma (ou costumava) ser acanhado. Vale a pena estudar essas reações.

Antes de assistir ao filme, já tinha visto as brincadeiras com os "Chuck Norris Facts". Depois de ver, fiquei espantado. O Cap. Nascimento tá pulando fora da polícia, tem crises de pânico, toma calmantes... Não é bem um Chuck Norris!

A chucknorrização do Cap. Nascimento parece indicar que os brasileiros estão precisando de "um Chuck Norris pra chamar de seu".

Não deixa de ser uma indicação de cansaço e descrença sobre o que o poder público pode fazer em relação ao crime, ao tráfico, à volência, etc.

Abraçao!

Guto em outubro 10, 2007 10:54 AM


#10

Eu devo confessar que sinto saudades dos tempos em que se passava um filme e depois rolava um debate sobre o mesmo...

O Filme Tropa de Elite, de certo modo, resgata um pouco isto... e ouvir os vários pontos de vistas sobre o filme é tão bom quanto o próprio filme.

Acho que a classe média sai com o estômaga doendo (ainda que concorde com as apelações desnecessárias do diretor)...

Mas como você já disse: " não cobremos exatidões francesas de filme de ficção..."

PS: Sim, eu adoro frases de efeito :-)

Sérgio F. Lima em outubro 10, 2007 12:22 PM


#11

Idelber

EXCELENTE o seu comentário!
Quanto a simplificações, deve-se lembrar que a cidade do RIO DE JANEIRO está SIMPLIFICANDO TUDO!!!
O pensamento simplificado do universitário carioca infelizmente é semelhante ao que o filme mostra.
O FILME de José Padilha mostra que o RIO DE JANEIRO afunda, mas afunda fazendo arte.
O público carioca em sua ENORME MAIORIA gostou do filme por mostrar a realidade que vivemos AGORA.

Paulo em outubro 10, 2007 12:27 PM


#12

Ótimo texto, Idelber. Eu escrevi uma pre-resenha sem spoilers há alguns dias e basicamente eu concordo com o que você colocou. No filme mesmo, duas coisas me chamaram a atenção. Uma é como a política está acima da lei e da ordem, sempre, como no caso da vista do Papa que gera uma operação sem sentido no morro do Turano. A outra coisa é: o BOPE pode ser de elite e incorruptível, mas metade das vezes que ele sobe ao morro no filme é para proceder uma vingança pessoal dos seus membros. Ou seja, acima da lei e da ordem está a própria vontade da corporação.

Abraço.

MarcosVP em outubro 10, 2007 2:02 PM


#13

Achei brilhante o comentário do Guto:

O Cap. Nascimento tá pulando fora da polícia, tem crises de pânico, toma calmantes... Não é bem um Chuck Norris!

A chucknorrização do Cap. Nascimento parece indicar que os brasileiros estão precisando de "um Chuck Norris pra chamar de seu". .

É isso mesmo!

Digamos o seguinte:

A operação de leitura dos que celebram o Nascimento como um Chuck Norris é mais ou menos a mesma daqueles que rejeitam o filme porque ele supostamente é "fascista", ou "glorifica a violência", etc.. Em ambos casos, a operação de leitura é a mesma. O que se escolhe não ver é a mesma coisa.

Idelber em outubro 10, 2007 2:52 PM


#14

Quanto a simplificações, deve-se lembrar que a cidade do RIO DE JANEIRO está SIMPLIFICANDO TUDO!!!

Este é Paulo Z, leitor histórico do blog.

Estamos cheios das frases de efeito aqui hoje, hein?

Idelber em outubro 10, 2007 2:57 PM


#15

Grande Idelber!

gostei muito de ler sua resenha, até pq, confesso, eu tava numa maré meio "não vi e não gostei" com relação ao filme. agora, percebo q vou ter mesmo q assistir, pra não falar bobagem.

em todo caso, as reações q eu tenho visto por aí é q me deixam com o estômago embrulhado. não consigo engolir a seco, por exemplo, essa culpabilização do burguesinho-maconheiro com relação à questão da segurança pública, especialmente do tráfico. pra mim, é uma relação de causalidade tão distante qto a ancestral desigualdade sócio-econômica do país, ou o consumismo doentio de uma sociedade em q alguém só é visto pelos outros de acordo com aquilo q possui.

Enfim, é uma operação q me cheira a construção de um bode expiatório, para eximir a responsabilidade de outras instâncias tão ou mais culpadas.

Por outro lado, só posso dar risada (pra não chorar) com essa história do pessoal do BOPE se gabar por ser incorruptível. Sinto muito, mas corrupção não é apenas aceitar dinheiro para burlar a lei... o policial do BOPE corrompe o Estado de Direito o tempo todo, sempre q decide se colocar acima do ordenamento jurídico e executar os marginais q ele deveria prender e colocar sob a tutela do Estado... ou, como bem disse um comentador por aqui, quando se apropria da prerrogativa estatal do monopólio do uso da força para promover vinganças privadas da corporação ou de seus homens. Será q estou errado?

mas enfim... como vc argumenta em sua resenha, o negócio é abstrair um pouco esse debate viciado (com ou sem trocadilho, risos) e ir ver o filme, pelo q ele vale eqto obra artística. Para ver o trabalho de Wagner Moura e do diretor Padilha (aliás, um cara q fez tb o documentário do Ônibus 174 não poderia mesmo ser levianamente taxado de "fascista").

abs!

PS: a propósito, adorei o "romeuejulietamente", hehe.

dra em outubro 10, 2007 4:18 PM


#16

Pois é, dra, o "não vi e não gostei" que ocasionalmente ouvi por aí é a reação mais burra que se pode ter.

Quem saudou Carandiru, Cidade de Deus e Ônibus 174 (do próprio Padilha!) tem obrigação de ter algo a dizer sobre este filme, eu acho.

Idelber em outubro 10, 2007 4:35 PM


#17

Idelber,

Você matou a pau. Como sempre.

Eu achei a reação que está acontecendo a este filme um tanto exagerada e até histérica. Chegaram a chamar o Padilha e o Wagner Moura de fascistas.

Há uma parcela da sociedade que idolatrou o capitão nascimento. Isso não é o mais grave. O mais grave é que esta gente também idolatra algumas ações da polícia real. Botar num filme a culpa por aquilo que asociedade faz e ele só mostra, é no mínimo, inverter os papéis.

Arnaldo em outubro 10, 2007 7:00 PM


#18

Arnaldo, eu também vi assim. Já assisti a alguns filmes "fascistas" no pacto que propõe ao espectador. Não acho que Tropa de Elite seja um deles.

E o bacana é que leituras como a sua (e a de muitos outros, alguns deles representados aqui, na caixa e no post) mostram que o debate sobre o filme já não é um simples diálogo de surdos entre fãs do Cap. Nascimento e denunciadores do suposto "fascismo" do filme.

E isso é bom, para a política e para o cinema.

Idelber em outubro 10, 2007 7:48 PM


#19

adorei a resenha, idelber. ainda não vi o filme, mas estava me sentindo incomodada com algumas coisas que li, as quais, a meu ver, acabam resvalando naquela velha lógica binária. será que não existe a possibilidade de ir mais além, de problematizar a discussão levantada pelo fime, sem ver nele apenas a defesa de uma ótica facista? me incomoda mais ainda a postura 'não vi e não gostei'.

quanto ao amigo tio rei; ora, ele conhece tanto de foucault quanto de wittgenstein, hehe. mais cara de pau impossível.

parabéns pelo texto, bjs! [e verei o filme assim que puder.]

cris em outubro 10, 2007 8:25 PM


#20

Idelber,

Nobel de Literatura para Doris Lessing.
Faz realmente diferença ?

Luiz em outubro 11, 2007 8:44 AM


#21

Com uma resenha destas entrei pro time do "não vi, mas já gostei"
abçs

gugala em outubro 11, 2007 4:12 PM


#22

Foi o primeiro post que me deu vontade real de ver o filme. Mas infelizmente a maioria das pessoas não tem olhos críticos como os seus, e o que será que um olhar desatento sobre este filme pode gerar? Os comentários deixados no Blog da Segurança Pública (que vc linkou) são de chocar, sente só:


# Assis Says:
August 27th, 2007 at 1:51 am
Excelente filme… Um filme para policiais… Que venham as comissões de direitos humanos!!!!
Guerra é guerra!! Tortura faz parte… É trágico mas é a realidade.


# Alexandre Says:
September 2nd, 2007 at 2:46 pm
Caro colega:
Assisti ao filme, fiquei eletrizado, muito bom mesmo, a atuação do Vagner Moura foi muito boa também. Li seu ponto de vista sobre o filme e a transposição a realidade, realmente o filme trata a vida humana como banalidade, porém, no Brasil não é diferente. E sobre os traficantes, vejo isso como um cancer, não adianta dar remédinho, tem que ser estirpado mesmo….abços


# allan Says:
September 10th, 2007 at 4:54 pm
vi o filme logo que saiu na net…mais de um mes atras…PUTA FILME !!!
isso sim é a realidade que deve ser mostrada…fikei lendo os comentarios…me deu varios arrepios…
VAMOS LOTAR OS CINEMAS E MOSTRAR QUE É ESSA POLICIA QUE QUEREMOS CONTRA ESSE BANDO DE MARGINAIS !!!
UHUUUUUUUUUUUUUUUU
“HOMEM DE PRETO O QUE É QUE VOCE FAZ?”


# walter Says:
September 13th, 2007 at 9:15 pm
adorei sabe que existe uma policia como o bope.e a segurança que ela passa para a populaçao.o bope nao diz que vai ressolve.Ele chega resolvendo.gostaria que aqui em sao paulo tive-se policiais com o treinamento do bope.prontos para qualquer emergencia.(...)


Fernando Says:
September 19th, 2007 at 3:11 pm
Filme bom pra caraleoo,a cidade inteira ja assistiu ,comentario do mes!
Os Caveiras sao bons pra caramba,S.W.A.T no Brasil esta agindo muito bem ..
Eh isso mesmo que tem que fazer com os traficantes,piedade?! NUNCA ! Tem mais eh que morrer mesmo!Nao soh os traficantes,mas esses filhinhos de papai(FDP) tambem ,que financiam a droga!(...)



Meda de pensar que esse é o tipo de leitura que o brasileiro médio, leitor de Veja, vai fazer. Socorro!

Ju Sampaio em outubro 11, 2007 4:34 PM


#23

Pois é, Ju, mas é o que Guto dizia lá em cima: para glorificar como herói o sujeito que narra o filme saindo da polícia, tem crise de pânico, toma comprimido e vai ao psicólogo, puxa, é muita necessidade de ter um Chuck Norris para chamar de seu!

Idelber em outubro 12, 2007 5:05 AM


#24

Os problemas psiquiátricos do capitão Nascimento não são nenhum contraponto moral a ele. O policial vivido por Mel Gibson na série Máquina Mortífera também tem um monte de problemas, flerta com o suicídio, e isso não o impede de ser mostrado como o mocinho.

Colocar um herói com problemas é a melhor forma de dar-lhe humanidade, tornar-lhe mais verossímil, e com isso ganhar empatia com o público. Ninguém gosta do Chuck Norris. Todo mundo gosta do Homem Aranha.

Note-se que, após a morte de seu subordinado, o capitão Nascimento pára de tomar os remédios e não tem mais nenhuma crise. É como se as dúvidas a respeito de sua missão tivessem cessado.

É fácil para os seus comentadores chamarem de histéricos quem pensa diferente. Só falta você mostrar onde é que está a independência do filme em relação ao discurso do capitão Nascimento.

Você não a mostrou, porque ela não existe.

Marcus em outubro 12, 2007 6:46 AM


#25

Eh, carência faz parte também do que precisa ser "tratado" no Brasil... concordo com Guto em gênero, numero e grau.... mas o que Marcus fala é a pura verdade, o heroi mais heroi possivel é aquele que passa constantemente pelos processos de humanizaçao. E quanto ao filme em si Idelber, vou tentar vê-lo o quanto antes. Como Gugala, "jah gostei sem ver"
Abraçao!

Ananda em outubro 12, 2007 7:43 AM


#26

Marcus, depois dos argumentos colocados na resenha, acho que só desenhando. Claro que o Nascimento não tem mais nenhuma crise: ele saiu da polícia! Mas concordemos em discordar, não há problema.

Não acho que ninguém tenha chamado todo mundo que pensa diferente de histérico. Foi dito que houve reações histéricas ao filme. E houve mesmo.

"Não vi e não gostei", por exemplo, é uma reação histérica clássica.

Idelber em outubro 12, 2007 2:04 PM


#27

Idelber, eu ia ler este post anteontem, mas parei no aviso de spoilers - valeu. li hoje depois de ver o filme.
gostei muito. acusaram o filme de 'fascista', o que julgo um excesso. as questões apresentadas como a da tortura e a da conivência do maconheiro playboy com o tráfico são complexas demais para apontarmos simplesmente o carimbo maniqueísta do 'bom' ou 'mau' - levando ainda em consideração que muitos dos críticos e sociólogos de plantão viram o filme em cópias piratas em DVD...
gostei também da radiografia da corrupção policial, direta e esclarecedora.
e uma fala do capitão Nascimento já é antológica, ao lado da "Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno":

"Dez minutos pra comer??? o senhor é um fanfarrão!"
Wagner Moura rules!

Serbão em outubro 12, 2007 3:49 PM


#28

pronto. assisti e fiz meu post tb.

http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2007/10/tropa-de-elite-cmplice-por-incompetncia.html

concordo com vc que eh um filmaço, mas acho que ou é fascista ou é cúmplice de uma leitura fascista - ou seja, que o diretor poderia ter impedido essa leitura mas não impediu. Tudo o que vc citou de "dificuldades" do Capt. Nascimento tb poderiam se aplicar ao Jack Bauer. o filme questiona muita coisa errada na policia, mas nao questiona a verdade/santidade da Missão do Nascimento. essa euforia sanguinaria da direita era previsivel e padilha poderia te-la evitado sabotando mais a voz do capitao nascimento... mas nao o fez...

alias, fiquei curioso: me dá um exemplo desses filmes ""fascistas" no pacto que propõe ao espectador". :)

deixou o livro?

alex castro em outubro 13, 2007 6:01 AM


#29

Pra mim, a melhor frase do filme foi:

"O Baiano tem consciência social." E realmente foi orgástico o playboyzinho traficante levar porrada no meio de passeata pela paz.
Mané passeata pela paz! Pára de gerar demanda que a oferta acaba!

Roberto em outubro 15, 2007 8:00 AM


#30

gostei tanto da resenha que salvei nos meus favoritos. parabéns!

Cecilia em outubro 15, 2007 9:46 AM


#31

Que bela resenha! Provavelmente a melhor sobre o filme.

Prá enxergar o filme como "fascista", seja de propósito ou não, o sujeito tem que ignorar, seja de propósito ou não, alguns detalhes:

- O filme se passa em 1997! Dez anos de capitães Nascimento descendo o reio nas favelas depois, a situação está ainda pior. Se o diretor quisesse ser a favor do BOPE, o filme se passaria hoje em dia e tentaria dar alguma esperança de que no futuro a pancadaria e a tortura melhorariam as coisas.

- A rápida ceninha onde o Baiano se despede da família. Peraí! Então ele e o nascimento têm a mesma motivação para fazer o que fazem? Então o que os faz diferente?

- Cap. Nascimento e Jack Bauer??? Mas o que caracteriza o Jack Bauer é justamente ele sacrificar filha, mulher, namoradas, amigos e colegas pelo "trabalho". E o Nascimento está largando o BOPE por, no fundo, achar que essa guerra toda na verdade não resolve nada.

- O fantástico último plano do filme. Não é verdade que o filme é inteirinho sobre o ponto de vista do Nascimento. No último segundo, graças à mágica do contra-plano, ele te coloca na pele do Baiano, bem a tempo de levar um tiro na cara. Minha nossa, esse Padilha é genial. Ah, então você torceu e vibrou o filme inteiro pelo BOPE? Parabéns, sua recompensa é um tiro de escopeta. Na cara, que é para estragar o velório.

O filme se recusa a ser óbvio, como foram Carandiru e Quase Dois Irmãos, por exemplo, onde os diretores precisavam deixar claro, em cada fotograma, que "olha só, a gente está do lado do mais fraco, tá?" Se quiserem prestar atenção, está lá: o filme não compactua com a atuação pé-no-peito do BOPE. Chega a ser frustrante ver tanta gente, contra ou a favor, achando que o filme defende a tortura e a violência. É como achar que Ridley Scott é a favor do canibalismo por ter feito um filme onde o Hannibal Lecter era o personagem principal - e se dava bem no final!

Daniel em outubro 15, 2007 2:12 PM


#32

Proposta de um novo epíteto: "Reinaldo Azevedo, o capitão Nascimento da imprensa".
Ambos acreditam ser moralmente superiores a todas as outras pessoas, detestam quem lê Foucault e acham que, para chegar à civilização, uma torturazinha dá um jeito.

Heloiza em outubro 15, 2007 3:31 PM


#33

Heloiza, perfeito. ahahah

gugala em outubro 15, 2007 6:35 PM


#34

Acho que o Daniel matou a pau nesse comentário.

E o Torre de Marfim também, com cujos posts eu concordo no essencial.

Visitem lá, há vários posts novos.

Idelber em outubro 15, 2007 11:25 PM


#35

o que me causou horror, horror mesmo, foi ver varias pessoas na plateia lotada rindo durante as cenas em que os policiais torturavam.

ed em outubro 16, 2007 4:39 PM


#36

Bom, na cena em que Cap. Nascimento fala com a mãe do fogueteiro pra mim ficou claro que ele foi acusado de ser responsável pela morte dele - inclusive ele narra que "sabia disso".
Bom, vou dar a minha opinião. Acho que o filme é um filmaço. A história é interessante o tempo das cenas é curto, o filme é curto, não cansa o expectador e a trama vai se desenrolando de maneira compreensível e interessante. O filme é um filme comercial, que atrai o interesse de todos os públicos. Gera identificação com o herói, tem momentos de humor, gera fúria contra os maconheiros da faculdade, faz a catarse aliás contra eles - sim, porque o negão pobre dá uns chutes bem dados no branquinho da classe-média traficante - e o capitão nascimento esfrega a cara do maconheirozinho nas tripas do traficante morto. O filme é bom porque é comercial e é catártco. Mas o filme é bom porque não é somente isso. O filme traz à discussão a tortura, a corrupção, o drogado recreativo, a angústia, o drogado Capitão Nascimento que se recusa a falar de sua angústia e prefere se drogar como os burgueses da zona sul, traz a omissão pela qual ele optou no final por causa do Nascimento de seu filho, e traz a discussão sobre como uma nós somos institucionalizados - pois o negão se torna mais um do bope, formado e apagado em sua subjetividade pelo treinamento do capitão nascimento.

Kierk_Soren em outubro 17, 2007 4:46 PM


#37

Bom filme, concordo em linhas gerais com a resenha do Idelber e muito bom o debate desta caixa. Muitas críticas estão caindo no erro primário de identificar a voz do personagem com a voz do filme. E o buraco é bem mais embaixo. Chamar o filme de fascista antes de ser miopia é tirar com pressa um rótulo da gaveta, aliás uma palavra que não deveria ser usada em vão como se anda fazendo.
Anyway, só um defeito do filme me chama a atenção. Para ser corente em sua busca pela morte do amigo o Matias tinha que depois de socar o playboyzinho trafica e apontar a arma para o Bainao trafica, virar a arma e atirar na própria cabeça. Ele jogou o amigo na gelada ao pedir para o mesmo playboyzinho trafica que marcasse com o menino para a entrega dos óculos. Pô, policial do Bope dando esse vacilo? Além de negociar com traficante ainda era o antagonista dele na faculdade. E ainda mandou o amigo! Acho que o filme tenta dar uma forçada sim na tese de que o usuário de drogas é responsável pela violência. Não colou. Naquela cena em que o Nascimento pergunta ao moleque quem matou esse cara? o moleque responde o óbvio: um de vocês. Mas Nascimento diz: não, foi você. Como eu disse, a voz do personagem é uma, a do filme outra. Mas nesse caso fiquei com a impressão que o filme concorda com o capitão.

Edgar Vogler em outubro 20, 2007 1:53 AM


#38

Assisti o filme "Tropa de elite" por influência maligna da capa da edição de 17 de outubro da revista Veja. Gostando ou não (deixando bem claro a meu asco por isso), a revista consegue atrair a atenção por suas capas. O comentário abaixo da foto de um soldado bem resume a opinião parcial e irresponsável da matéria sobre o filme: "Tropa de elite é o maior sucesso do cinema porque trata bandido como bandido e mostra usuários de drogas como sócios dos traficantes" (sic).

Estou longe de defender a criminalidade e não apoio a convivência "harmoniosa", cuja origem é o medo, entre traficantes e moradores de favelas. Creio que a polícia deve ser mais bem treinada na repressão ao crime e que ela defenda quem não é bandido. Mas só isso. Além disso, cogitar que o BOPE, que é uma divisão da PM) seria a panacéia para o problema do tráfico é burrice. Mas é o que a Veja sustenta ao ufanar o filme.

Para começar, a Veja transforma uma matéria que deveria ser plena em isenção numa salada que mistura relatos dubitáveis, opiniões autorais inseridas no meio dos parágrafos e pesquisa de opinião sem mencionar data, número de pesquisados, local da pesquisa, etc. Apelam para a passividade do leitor medíocre que não distingue texto jornalístico das matérias obscuras e equivocadas da revista.

Em um dado momento do filme, um rapaz está deitado na cama, o BOPE invade sua casa na favela à procura de um chefe do tráfico do morro. Então, o capitão Nascimento pede educadamente permissão para executar uma revista na casa do rapaz. Após encontrar um par de tênis dentro de uma gaveta que, segundo um oficial do BOPE, era "mais caro que o meu soldo" (sic), o garoto é levado para fora de casa e submetido à tortura até que entregasse onde estaria escondido o chefe do tráfico de drogas. Tudo isso sem evidenciar ao espectador se o rapaz era ou não bandido, se era ou não ligado ao tráfico. Em outra cena, a mulher do traficante também é torturada e humilhada até que revelasse o esconderijo do marido. Na última cena do filme o traficante é morto com um tiro de calibre 12 no rosto, após ser rendido e imobilizado pelos policiais. Resumindo: ao invés de levar o bandido preso, os PM's o executam por vingança.

Tudo isso poderia ser os ingredientes de um filme que retratasse uma história verídica, ocorrida realmente nos morros e que apimentada e romantizada renderiam um bom filme e boa biilheteria. Mas tudo é ficção. É uma boa história, mas se encerra por aí o que propõe o filme.

O filme é violento e a Veja quer influenciar a opinião dos leitores de que a tortura é natural e justicável, para "mitigar os criminosos". Legitima a tortura como válvula de escape para o estresse dos policiais. Nos relembra aquele discurso de Ratinho (nos velhos tempos de cacetete batendo no balcão), de Datena e de outros programas que adoram esfolar qualquer pessoa suspeita de qualquer delito. Mesmo sem provas.

Só para finalizar: num raciocínio de que a violência se justifica, declara a tortura como meio para atingir os fins e ainda rotula os contrários ao filme de "esquerdopatas", a revista Veja e seus realizadores provam o tamanho de sua incompetência editorial e que querem avessar as idéias, que os "playboys" não pertencem à direita, é elitista a idéia de que a Justiça existe e deve ser cumprida e que a esquerda que tanto apedrejam é quem dita as regras.

Falando honestamente: prefiro o Jornal Nacional.

Notifero em outubro 23, 2007 3:34 PM


#39

" Chamem já o Capitão
Oh Capitão Nascimento
venha espancar o ladrão
que me deixou com cara de jumento

Estava só dando um rolé
sem meu personal trainner
Alguém me achou o maió mané
Ali eu era só David Banner

Foi aí que virei Incrível Hulk
Me levaram o suado rolex
Mas não adiantou ter pulão e muque
O ladrão era o The Flash

{ Repete refrão
{

entrementes, uma voz ao fundo com jeitão malandro : Sentinela da Liberdade! Ah, tem um super-escudo!

Ralava embaixo do sol
num programa que não é marrento
Lá pobre até joga futebol
Paga mico, eu lhe pago o sustento

Não como não durmo não vou à missa
Enquanto não acharem meu rolex
Vou contratar a Liga da Justiça
O Justiceiro, um Tiranossauro Rex

{
{ Repete Refrão


Solta o pancadão nos favelado:


Entra em ritmo de "Funk":

Sou um bam-bam-bam
da classe A e B
Vivo às custa dos impostos
da Classe C e D

Voz ao fundo:
Que musicããããooo!!!!! "

Rodrigo Gonçalves de Souza em outubro 28, 2007 9:03 PM


#40

oi Idelber:
tb escrevi sobre o filme (permalink).
descobri q manter um blog é um troço super trabalhoso, risos... (e passei a admirar ainda mais o trabalho de vcs, hehe).
mas de vez em qdo tenho desovado alguns posts. sua visita será sempre uma honra, vc sabe.
abs,

dra em outubro 29, 2007 9:53 AM


#41

ué. A loucura não é uma construção discursiva?

Luisa em novembro 11, 2007 6:45 PM


#42

Gostaria de saber a bibliografia do filme Tropa de Elite.

Juliana Mathias Ferreira em novembro 14, 2007 1:20 PM


#43

Vai uma perguntinha ...
O estado é uma organização certo?
me digam como administrar essa organizaçao que apresenta os problemas observados no filme ?

GOP em dezembro 9, 2007 11:17 PM