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segunda-feira, 12 de novembro 2007

Amsterdã, 2

Eu ia pasar lá no blog da Mary W para fazer um comentário off-topic, quando vi que ela vai debater o Tropa de elite e recomendou o post daqui. Vai arrasar. Fiquei uau com a coincidência, nem comentei, só mandei email mesmo. O comentário off-topic ia ser sobre como tinha sido importante ler o blog dela, e que era bom visitá-la daqui de Amsterdã, onde os casais gays e lésbicas passeiam com tranqüilidade que nunca vi.

Numa sociedade que realmente não discrimina o homoerotismo, vê-se, cristalina, como é a pura paranóia tensa e ansiosa da homofobia que cria esse medo maluco de que permitir a exibição do amor homossexual vai “degenerar” alguma criança, influir na escolha sexual de alguém, “disseminar” uma coisa que supostamente deve ser contida.

Já se disse que 30% de Amsterdã é gay. Já se contestou esse número também, então não sei. Mas é fato que na Holanda a superação da homofobia já está galáxias à frente dos EUA, onde tudo ainda tem que ser via identidade, de forma segregacionista. Aqui não. São até poucos os hotéis, bares, etc. para gays. Sabe-se, dá-se por óbvio que gays, lésbicas e transsexuais são bem vindos em qualquer lugar.

Para um mineiro que estudou no sul dos EUA e trabalha no sul dos EUA, o choque cultural é considerável, vai dizer? (com vênia).
*****
Momento rango: um dos grandes baratos em Amsterdã é a cozinha da Indonésia. O prato abaixo tem o charme extra de que os espetos (de frango, camarão, porco) recebem um fogaréu na sua frente, para depois ser servido o molho, bem grosso, sobre as carnes e a cebola:

DSC03821.jpg

*********
Fuma-se em vários restaurantes e em todos os bares de Amsterdã. Civilização total.

******

Medicina “socializada” x “capitalista”

Dor de dente provocada por inflamação embaixo de uma velha coroa. Tratamento nos EUA da “livre iniciativa”, onde alguns conglomerados de seguros controlam toda a administração da saúde: vários telefonemas para a companhia para localizar um dentista autorizado em New Orleans, vários dias para localizar um com horário, uma primeira visita só ver a ajudante e receber receita de drogas, segunda visita depois de dias, dedutíveis de $100 que vão se acumulando, até que, com sorte, talvez, você encontre o dentista que faça o que há que se fazer (tirar um raio X, abrir e drenar, fazer algo).

Processo que é velho conhecido velho meu, razão pela qual resolvi aguentar umas dores intermitentes, de 40 minutos,em três pancadas, toda noite, porque vou ao Brasil em breve, onde tenho dentista. Mas ontem à noite doeu forte, aí resolvi testar a Holanda.

Uma busca no Google para achar um dentista bilíngüe, uma clicada no skype para ligar; o cara atende ele mesmo o telefone, marca um horário comigo no mesmo dia, escuta a história, tira o raio X no ato, constata que não há nada errado com o dente embaixo da coroa, faz a limpeza e, incrivelmente sem nenhum medo de ser processado, abre e drena a gengiva. Fim da dor de dente. Custo total? 40 euros. Tempo gasto: 40 minutos.

São os horrores da “medicina socializada” que os conservadores americanos querem como loucos associar à Hillary Clinton e ao capeta. Como se o sistema de saúde atual dos EUA estivesse funcionando às maravilhas.



  Escrito por Idelber às 22:32 | link para este post | Comentários (25)


Comentários

#1

nem me fale! ontem vi sicko, me diverti muito mas nao dá pra levar michael moore a serio. a cuba onde ele esteve só pode ser no mundo bizarro, nao tem nada a ver com a cuba que eu conheci, nao é a toa que fidel proibiu o filme, o povo cubano iria ver que os hospitais do MM nao tem nada a ver com os deles... chego no brasil dia 15 de dez e já estou marcando meus medicos todos aqui de nova orleans, pra nao perder tempo.... medico americano, realmente, nao rola....

alex castro em novembro 13, 2007 1:25 AM


#2

Ah Idelber, fumar em todos os lugares é bom?

Celinho em novembro 13, 2007 6:09 AM


#3

Idelber, tá tudo certo, mas quando você retornar eu quero minha parte em substâncias não recomendadas pela carta magna brasileira.

Franciel em novembro 13, 2007 10:43 AM


#4

acho genial essa superaçao. pq aqui no brasil a gente tem muito disso tambem. de achar otimo um lugar gls. quando na verdade a superaçao é q nao precise mais existir isso. dois passos atrás da holanda, a gente :/ (e vc se lembrar de mim quando vê casais homo me deixa toda metida!!!)

mary w em novembro 13, 2007 11:35 AM


#5

Gostei de todo o post mas vou comentar sobre a dor de dente... Antes de mais nada, gracas a Deus que vc conseguiu alguem decente, nem que isso tenha sido na Holanda. Aqui nos estados unidos, como vc colocou, o custo altissimo de medicos e dentistas se deve a tal da liability... Quem vai pagar o que se der alguma coisa errada. E' uma filosofia de apostar na culpa e jogar para o outro o tempo todo. O acaso simplesmente nao existe, como se medicina/odontologia fossem puramente exatas. E enquanto isso os advogados vao ganhando mmuuiittoo e nos vamos desembolsando. Aqui em casa fazemos como vc, todos vamos ao dentista no Brasil. Em caso de emergencia e' que o negocio pega. Uma vez fui em um consultorio de dentistas professores da universidade - nao o de cobaias mas uma pratica privada deles. Foi bom. Esperamos nao precisar tao cedo.

Beijos e bom proveito em Amsterda~... agora em versao sem dor de dente : - )

Leticia.

Leticia Marteleto. em novembro 13, 2007 11:43 AM


#6

Só passando e espiando os Blogs... é sempre bom ler as histórias alheias, aprender e se divertir com elas!
Abraços!

Sta. Cris. em novembro 13, 2007 12:46 PM


#7

pois é, mary, pensei nisso também: a aceitação é tão tranquila que não há necessidade de casulos identitários. Muito legal mesmo.

bom, vê-se pela Leticia e pelo alex que nem professor universitário anda usando o sistema de saúde americano, quando tem a opção de se tratar em outros lugares.

Celinho e Franciel: resposta censurada!

Idelber em novembro 13, 2007 6:31 PM


#8

Eu não vou perguntar, vou afirmar: fumar em todos os lugares é bacana sim! O mundo está ficando um lugar pior para se viver. Regras e mais regras...

Abraço e aproveita bem!

Márcio Pimenta em novembro 13, 2007 11:45 PM


#9

Idelber meu caro,
que dureza ter dor de dente logo numa cidade tao bonita. Bonita e com bons dentitas, diga-se.
Deixo aqui um recado porque resolvi atnder ao seu desafio e escrever algo sobre What the Left Should Propose, do Mangabeira Unger. Passa la no www.parededemeia.blogspot.com e me diga o que voce achou.
Saudacoes atleticanas (e aliviadas)
Fernando

fernando lara em novembro 14, 2007 12:31 AM


#10

q otimo ler sobre amsterdam aqui!
eu adoro a cidade. por tudo q tu enumera. o mais incrivel dos holandeses é q eles são assim.
passei quase um mês nesse verão numa micro-cidade chamada wageningen. 30 mil habitantes. a mesma logica de amsterdam, o mesmo respeito (a todos) e a mesma simpatia. e ciclovias impecaveis; alias faziamos tudo de bicicleta, inclusive visitar as cidades proximas.
a holanda é mais ou menos o q considero uma sociedade ideal. se isso existe...

aqui, na frança, pilhas de regras. pior: proibirão fumar em QUALQUER lugar fechado a partir de janeiro. franccamente.......

beijos e otima estada!

larissa em novembro 14, 2007 7:10 AM


#11

Registrar que você deu uma sorte danada com o dentista!

Paulo em novembro 14, 2007 10:13 AM


#12

Ah, Marcio e Larissa, nao tenho nada contra quem fuma mas quem nao fuma e trabalha 8 horas por dia num lugar com fumaça, 5 dias por semana, durante anos nao pode ser muito a favor de que se fume em qualquer lugar né?
Abraço!

Celinho em novembro 14, 2007 11:05 AM


#13

Civilização total... Está bem. Não me importo muito em ser defumado, desde que possa tomar um banho antes do próximo compromisso...

Medicina. Bah, nós homens que temos a mania de ir ao médico/dentista só na crise somos as vítimas ideais para o modelito americano SUS-like. Sim, SUS-like.

Amsterdam. Não podias mudar de assunto? Estou ficando com tanta inveja que ainda vou torcer para teu dente infeccionar. :¬)))

Grande abraço, Rinus Mitchel.

Milton Ribeiro em novembro 14, 2007 12:12 PM


#14

As a Southern, Mormon, United States citizen, let me say that, against stereotype, I am completely in favor of a universal healthcare system.

I am 33, a college professor, and I have a wife and two kids. In order for me to have "private" insurance for my family, via an HMO, I would have to pay $822.06 a month (almost $10k a year, or 1/4th of my income); that's with a $20 co-pay, and a $1,000 hospital deductible.

My father died 2 weeks ago on October 30th of Creutzfeldt-Jakob Disease. He was in the hospital in a coma for six weeks. His medical bills están por allí de $250,000. Since he was self-employed, he had no medical insurance. My father paid the maximum in Social Security and Medicare taxes every year of his life. But, because he made too much last year to qualify for Medicaid, my mom now has to wipe out their savings to pay a medical bill that defines ridiculousness: A bag of iv saline solution costs $75, FOR SALT WATER!

If I am to give 1/4th of my income to something already, then why not have it go to taxes? That medical insurance companies are publicly-traded enterprises means that someone is profiting from my sacrifices. The Medicare system for the elderly is one of the most cost-effective and efficient systems around for adminstering healthcare. I would expect the same from a universal Medicaid system.

I find it beyond hypocritical that Congress didn't overturn Bush's veto of an extension to the CHIP (children's health) bill to extend medical care to around 8 million un-insured lower middle-class children (mine included), when members of Congress have a free and universal health insurance for life that they gave themselves. If politicians don't have the courage to grant healthcare to all, in the world's wealthiest country, at least children should have it. No one should ever have to make health decisions for their children based off whether or not they can afford to go to the doctor.

Mac Williams em novembro 14, 2007 12:20 PM


#15

Idelber,

Quando tiver tempo, dê uma espiada na nova polêmica envolvendo, ao mesmo tempo: Tio Rei, VEJA, Pedro Dória, Jon Lee Anderson, New Yorker e Che Guevara.

Tudo no PD e, complementarmente, no Hermenauta.

Luiz em novembro 14, 2007 1:31 PM


#16

Nossa, Luiz, eu nao tava por dentro do absurdo.. Eu nem leio o blog do Reinaldo Azevedo porque eu sei que sempre me da urticaria.. Mas as vezes sou obrigado a me deparar com os textos dele que nem ouso chamar de jornalisticos..
Desculpe o off-topic, Idelber, mas o tema pede..rs
;-)

Celinho em novembro 14, 2007 7:48 PM


#17

Q maldade... a única foto da postagem é de comida... fiquei com vontade.

Ulisses Adirt em novembro 15, 2007 5:01 AM


#18

Eu li os absurdos. Todas as "correções" do sujeito à tradução do Pedro estão erradas.

É incrível a cara de pau. Lembrem, de um sujeito que não sabe que "Graduate School" é de pós-graduação.

Infelizmente não terei como fazer um post sobre isso.

Idelber em novembro 15, 2007 6:32 AM


#19

incrível isso que você falou de amsterdã, incrível mesmo. cada vez mais dá vontade de estar lá e ver ao vivo. e como é bacana isso de não haver 'lugares para gays'. fecho totalmente com vc e com a mary. bjs

cris em novembro 15, 2007 7:03 AM


#20

Caro Idelber,
seu blogue é de muito bom gosto e seus textos inteligentes e agradáveis. Sempre visito essas páginas. Parabéns pelo espaço.

Felicidades

Angelo em novembro 15, 2007 2:19 PM


#21

Adorei seu blog. Conheci por acaso, fazendo uma pesquisa sobre Giorgio Agamben. Visitarei sempre. Vou publicar seu link no meu blog NASCI PARA BAILAR:

http://www.teresagenesini.blogspot.com/

Teresa em novembro 15, 2007 5:17 PM


#22

Olá Idelber, tudo bem?
No ano passado conheci uma holandesa em Fernando de Noronha. A 'garota' só falava sobre o o afundamento (geográfico) de seu país. Ela era médica de um hospital em Amsterdã, e foi um saco.
Estive em Amsterdã -Homines manentes apud Amestelledamme-, ainda adolescente em 82. Nesta época ainda havia muitos hippies, e a tal da 'bicicleta branca'. Algo me impede de me recordar de mais detalhes, mas acabei me casando com uma holandesa, que ao vir para o Brasil decidiu que queria morar em Minas Gerais, terra de seu ídolo Milton Nascimento, e não sei porque motivo decidiu também torcer para o Galo. Os tempos se foram e nos separamos, e ela voltou para a Holanda com nosso filho. A dois anos atras meu outro filho, com uma mineira de Tarumirim, que é corintiana, se encontrou com seu irmão, meu filho holandês, num congresso de estudantes de música clássica em Fortaleza, e foi uma festa. Tanto que os dois foram pra Paris, para um outro congresso, depois para outro e outro. E eu já não sei onde estão.
Se eu soubesse o paradeiro dos dois, pediria que fossem ao seu encontro, porque, ao contrário de mim eh eh eh , sei que seriam uma companhia e tanto.
Além de serem músicos com forte formação clássica, e muita sensibilidade para para a música popular, são gente finíssima e muito bem informados sobre a vida cultural da cidade.
Senti um diferença muito grande neste texto. Tem algo diferente de seus textos escritos lá dos Euas. Acho que deve ser a cerveja eh eh eh . :)
Abraços.

FM em novembro 15, 2007 6:21 PM


#23

Mac, I'm so sorry to hear about you about your father. And thanks for sharing another story of the "wonders" of managed care.

Idelber em novembro 15, 2007 8:07 PM


#24

Para os que gostam de achar que o Brasil é uma M*: qualquer turista estrangeiro tem atendimento de graça no Brasil. O SUS é um dos melhores sistemas de saúde do mundo (embora excelentes médicos ganhem uma miséria). E as filas são causada por gente com problemas de fumo e bebida.

José Antonio Meira da Rocha em novembro 23, 2007 1:06 AM


#25

Lá vou eu botar areia no pudim de novo... a partir de janeiro de 2008 é proibido fumar em todos os restaurantes, cafés e bares em toda a Holanda.

Lid em dezembro 6, 2007 10:07 AM