Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



Email: idelberavelar arroba gmail ponto com

No Twitter No Facebook No Formspring No GoogleReader RSS/Assine o Feed do Blog

O autor
Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane


Histórico
 setembro 2015
 dezembro 2014
 outubro 2014
 maio 2014
 abril 2014
 maio 2011
 março 2011
 fevereiro 2011
 janeiro 2011
 dezembro 2010
 novembro 2010
 outubro 2010
 setembro 2010
 agosto 2010
 agosto 2009
 julho 2009
 junho 2009
 maio 2009
 abril 2009
 março 2009
 fevereiro 2009
 janeiro 2009
 dezembro 2008
 novembro 2008
 outubro 2008
 setembro 2008
 agosto 2008
 julho 2008
 junho 2008
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 A eleição de Dilma
 A eleição de Obama
 Clube de leituras
 Direito e Justiça
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Junho-2013
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Palestina Ocupada
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Indispensáveis
 Agência Carta Maior
 Ágora com dazibao no meio
 Amálgama
 Amiano Marcelino
 Os amigos do Presidente Lula
 Animot
 Ao mirante, Nelson! (in memoriam)
 Ao mirante, Nelson! Reloaded
 Blog do Favre
 Blog do Planalto
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blogueiras feministas
 Brasília, eu vi
 Cloaca News
 Consenso, só no paredão
 Cynthia Semíramis
 Desculpe a Nossa Falha
 Descurvo
 Diálogico
 Diário gauche
 ¡Drops da Fal!
 Futebol política e cachaça
 Guaciara
 Histórias brasileiras
 Impedimento
/  O Ingovernável
 Já matei por menos
 João Villaverde
 Uma Malla pelo mundo
 Marjorie Rodrigues
 Mary W
 Milton Ribeiro
 Mundo-Abrigo
 NaMaria News
 Na prática a teoria é outra
 Opera Mundi
 O palco e o mundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pedro Alexandre Sanches
 O pensador selvagem
 Pensar enlouquece
 Politika etc.
 Quem o machismo matou hoje?
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Rede Brasil Atual
 Rede Castor Photo
 Revista Fórum
 RS urgente
 Sergio Leo
 Sexismo na política
 Sociologia do Absurdo
 Sul 21
 Tiago Dória
 Tijolaço
 Todos os fogos o fogo
 Túlio Vianna
 Urbanamente
 Wikileaks: Natalia Viana



Visito também
 Abobrinhas psicodélicas
 Ademonista
 Alcinéa Cavalcante
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Alguém testou
 Altino Machado
 Amante profissional
 Ambiente e Percepção
 Arlesophia
 Bala perdida
 Balípodo
 Biajoni!
 Bicho Preguiça
 Bidê Brasil
 Blah Blah Blah
 Blog do Alon
 Blog do Juarez
 Blog do Juca
 Blog do Miro
 Blog da Kika Castro
 Blog do Marcio Tavares
 Blog do Mello
 Blog dos Perrusi
 Blog do Protógenes
 Blog do Tsavkko, Angry Brazilian
 Blogafora
 blowg
 Borboletas nos olhos
 Boteco do Edu
 Botequim do Bruno
 Branco Leone
 Bratislava
 Brontossauros em meu jardim
 A bundacanalha
 Cabaret da Juju
 O caderno de Patrick
 Café velho
 Caldos de tipos
 Cão uivador
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cinema e outras artes
 Cintaliga
 Com fé e limão
 Conejillo de Indias
 Contemporânea
 Contra Capa
 Controvérsia
 Controvérsias econômicas
 Conversa de bar
 Cria Minha
 Cris Dias
 Cyn City
 Dançar a vidao
 Daniel Aurélio
 Daniel Lopes
 de-grau
 De olho no fato
 De primeira
 Déborah Rajão
 Desimpensável/b>
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Didascália e ..
 Diplomacia bossa nova
 Direito e internet
 Direitos fundamentais
 Disparada
 Dispersões, delírios e divagações
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Dossiê Alex Primo
 Um drible nas certezas
 Duas Fridas
 É bom pra quem gosta
 eblog
 Ecologia Digital
 Educar para o mundo
 Efemérides baianas
 O escrevinhador
 Escrúpulos Precários
 Escudinhos
 Estado anarquista
 Eu sei que vivo em louca utopia
 Eu sou a graúna
 Eugenia in the meadow
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Foi feito pra isso
 Fósforo
 A flor da pele
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Fundo do poço
 Gabinete dentário
 Galo é amor
'  Garota coca-cola
 O gato pré-cambriano
 Geografias suburbanas
 Groselha news
 Googalayon
 Guerrilheiro do entardecer
 Hargentina
 Hedonismos
 Hipopótamo Zeno
 História em projetos
 Homem do plano
 Horas de confusão
 Idéias mutantes
 Impostor
 Incautos do ontem
 O incrível exército Blogoleone
 Inquietudine
 Inside
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jean Scharlau
 Jornalismo B
 Kit básico da mulher moderna
 Lady Rasta
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 A Lenda
 Limpinho e cheiroso
 Limpo no lance
 Língua de Fel
 Linkillo
 Lixomania
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 O malfazejo
 Malvados
 Mar de mármore
 Mara Pastor
 Márcia Bechara
 Marconi Leal
 Maria Frô
 Marmota
 Mineiras, uai!
 Modos de fazer mundos
 Mox in the sky with diamonds
 Mundo de K
 Na Transversal do Tempo
 Nación apache
 Nalu
 Nei Lopes
 Neosaldina Chick
 Nóvoa em folha
 Nunca disse que faria sentido
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 Ou Barbárie
 Outras levezas
 Overmundo
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Parede de meia
 Paulodaluzmoreira
 Pecus Bilis
 A pequena Matrioska
 Peneira do rato
 Pictura Pixel
 O pífano e o escaninho
 Pirão sem dono
 políticAética
 Política & políticas
 Política Justiça
 Politicando
 Ponto e contraponto
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Porco-espinho e as uvas
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Professor Hariovaldo
 Prosa caótica
 Quadrado dos Loucos
 Quarentena
 Que cazzo
 Quelque chose
 Quintarola
 Quitanda
 Radioescuta Hi-Fi
 A Realidade, Maria, é Louca
 O Reduto
 Reinventando o Presente
 Reinventando Santa Maria
 Retrato do artista quando tolo
 Roda de ciência
 Samurai no Outono
 Sardas
 Sérgio Telles
 Serbão
 Sergio Amadeu
 Sérgio blog 2.3
 Sete Faces
 Sexismo e Misoginia
 Silenzio, no hay banda
 Síndrome de Estocolmo
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 Somos andando
 A Sopa no exílio
 Sorriso de medusa
 Sovaco de cobra
 Sub rosa v.2
 SublimeSucubuS
 Superfície reflexiva
 Tá pensando que é bagunça
 Talqualmente
 Taxitramas
 Terapia Zero
 A terceira margem do Sena
 Tiago Pereira
 TupiWire
 Tom Zé
 Tordesilhas
 Torre de marfim
 Trabalho sujo
 Um túnel no fim da luz
 Ultimas de Babel
 Um que toque
 Vanessa Lampert
 Vê de vegano
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 Viomundo
 Viraminas
 Virunduns
 Vistos e escritos
 Viva mulher
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro




selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« novembro 2007 :: Pag. Principal :: janeiro 2008 »

domingo, 23 de dezembro 2007

Boas festas e feliz 2008

O Biscoito desarma a tenda por duas semanas, até dia 07 de Janeiro. Boas festas e feliz 2008 a todos que passaram por aqui.

Aos amigos do Clube de Leituras, um aviso: no semestre que vem, dou aqui em Tulane um curso de pós-graduação em literatura que se dedicará à leitura de quatro grandes sagas do romance brasileiro. O romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, Catatau, de Paulo Leminski, Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro e A República dos Sonhos, de Nélida Piñon. Começamos com Suassuna, já em janeiro. Quem estiver a fim de participar, se ligue, porque a minha idéia é repercurtir o seminário aqui no blog. Já estão convidados a começar a ler o Suassuna, pois.

Aos viciados em blogs, deixo abaixo alguns links de textos publicados este ano que ainda possam interessar. Voltamos no dia 07 de janeiro, com notícias de um livro imperdível.

Alguns textos do blog em 2007:

Páginas da Vida
Comentário a um texto de Renato Janine Ribeiro
Sobre uma declaração da ministra Matilde
Cripta em duas partes
Deus, um delírio
Os 100 melhores romances em castelhano
Entrevista com Paulo César de Araújo
Ali Kamel e seu mais recente delírio
A entrevista de Fernando Henrique
Estadão versus blogs
Tropa de elite
Entrevista com Antonio Risério

Feliz ano novo :-)



  Escrito por Idelber às 04:12 | link para este post | Comentários (14)



sexta-feira, 21 de dezembro 2007

A última asneira do judiciário, parte 327

O Febeapá do Judiciário brasileiro não tem fim. Depois de proibir livros, condenar um blog por um comentário anônimo feito seis meses depois do post e lavrar sentença concedendo a um político o direito de resposta num blog extinto pela própria sentença, eis que os nossos togados acabam de inventar outro bicho-grilo jurídico: a multa definida a priori por ofensa que possa vir a ser feita. A juíza Tonia Yuka Kôroko acaba de conceder liminar determinando que Juca Kfouri está proibido de “ofender” o deputado Fernando Capez (PSDB), ou pagará multa de 50 mil réis. É Pindorama, sempre inovando.

Qual o grande crime do Juca? Ter dito que o deputado Capez fracassou no combate à violência das torcidas organizadas quando era promotor e que mesmo assim elegeu-se deputado graças à notoriedade alcançada pela campanha. A outra grande ofensa? Ter dito que o curso de Direito dirigido pelo tucano teve nota abaixo da média tanto no Provão do Ministério da Educação como na OAB. Em outras palavras, o grande crime do Juca foi ter relatado dois fatos.

Obviamente, o que constitui “ofensa” é matéria subjetiva. Na prática, a Dona Kôroco proibiu Juca Kfouri de falar do Deputado Capez, num país democrático e de imprensa livre. O cabra tem que ver seu time na segunda divisão e ainda por cima ser vítima de deputado e juíza como esses. O Juca, que é dos meus, não cala a boca, claro. Vai lá e faz um post.

Proponho que nos solidarizemos com o Juca espalhando por aí esses dois fatos: 1) o Deputado Capez fracassou como promotor no combate à violência das torcidas, mas se elegeu deputado graças à visibilidade adquirida ali; 2) o Deputado Capez dirigiu um curso de Direito que teve nota abaixo da média tanto no Provão como na OAB. Que ele processe o universo.

Se você tem blog, ajude a divulgar. O próximo processado a gente nunca sabe quem será.

PS 1: Roubaram um Picasso e um Portinari? O Almirante traz mais detalhes.

PS 2:
Se você se interessa por política econômica, não perca a caixa de comentários daqui de baixo. Há um debate muito bom rolando ali.



  Escrito por Idelber às 05:38 | link para este post | Comentários (13)



terça-feira, 18 de dezembro 2007

Debate Biscoito x Torre de Marfim

Como contribuição minha e do Marcos Matamoros à idéia de que duas pessoas com posições políticas completamente diferentes podem ter um debate amistoso, divertido e civilizado, realizamos no dia 24 de novembro, em São Paulo, uma conversa que agora se transforma em podcast. São três arquivos de aproximadamente 30 minutos cada um. Quem tiver fôlego para ouvir tudo, nos diga aí depois o que achou:


[clique aqui para ouvir a primeira parte do podcast]

[clique aqui para ouvir a segunda parte do podcast]

[clique aqui para ouvir a terceira parte do podcast]

PS: Agradecimento especial ao mestre Fabio Sampaio pela ajuda na parte técnica.



  Escrito por Idelber às 16:30 | link para este post | Comentários (109)




Transpiauí, Uma peregrinação proctológica, de Mr. Manson

tpmm.jpg Acho que a última vez que eu dei tanta risada assim foi quando o goleiro do ex-Ipiranga buscou duas bolas dentro do gol de uma só vez. Acabei de ler – numa sentada – o Transpiauí: Uma Peregrinação Proctológica, o livro que relata a viagem do Mr. Manson, do Cocadaboa, ao Piauí. Publicado em 2004 pela editora Churros e já esgotado há tempos, o livro está disponível na íntegra na internet desde o mês passado (sem as fotos, que respondem por boa parte do escândalo que o livro causou). Recomendo. Mas recomendo mesmo.

Já nem sei como cheguei ao livro. O fato é que depois de dois parágrafos não consegui mais parar: uma odisséia numa “estrada” esburacada, uma incrível pegadinha no meio do deserto, um quebra-pau entre um travesti e as mulheres do ônibus. Daí em adiante a coisa só melhora, ou seja, piora. Há até informações históricas e geográficas sobre o Piauí que você nunca imaginou que fosse aprender.

Parece que, por causa das piadas, o livro despertou a fúria de muitos piauienses. Foi tema de programa de televisão no Piauí e tudo mais. Já até imagino os emails que o Mr. Manson deve ter recebido. Claro que os relatos de viagem, desde que o mundo é mundo, ofendem uma parte dos nativos. É da vida. Ninguém chega com um olhar de fora sem incomodar um pouquinho. Se é um livro de humor, bom, é inevitável. Os ofendidos se ofenderão. Neste caso, a única coisa que posso dizer é: leia o livro inteiro, não os trechinhos pinçados por alguém que tenta pintar o autor como um preconceituoso (puxa, o sujeito encara uma viagem dessas e ainda falam de pré-conceito?). A leitura é coisa de duas horas. Se depois de ler o livro, você ainda estiver ofendido, aí é porque você não tem jeito mesmo.

Parabéns aí, Mr. Manson. Livraço.



  Escrito por Idelber às 05:53 | link para este post | Comentários (11)



segunda-feira, 17 de dezembro 2007

Osvaldo Bayer e Guillermo Saccomano devem um pedido de desculpas a Beatriz Sarlo

besa.bmpO episódio foi ilustrativo e sórdido. Envolveu ataques e acusações àquela que talvez seja a mais destacada intelectual argentina de hoje e arrastou-se durante mais de um mês nas páginas de um dos principais jornais latino-americanos. Nem assim recebeu uma nota sequer nos Mais!, Ilustradas ou Cadernos B da vida, mais preocupados em traduzir um texto de um ano atrás sobre a Revolução Francesa ou em noticiar o compacto da última banda de adolescentes finlandeses. O fato é que este é o primeiro registro da polêmica em português. Ela é tão instrutiva que outro post será necessário para discutir tudo o que episódio ensina. Neste, me limito a contar a história. Como sempre, incluo os links para que o leitor julgue por si.

Em 2007, se completaram 10 anos da morte do escritor argentino Osvaldo Soriano, um autor de best-sellers populares. O “Gordo” era um bonachão, fã de futebol, que escreveu romances de leitura bem ágil, com freqüência inspirados na tradição policial. Era muito vinculado a um certo imaginário populista que vem do Peronismo. Digamos, para quem não o conhece, que é uma espécie de João Ubaldo tangueiro. Não importa. O fato é que as comemorações do seu aniversário de morte, publicadas pelo Radar, o caderno cultural do Página 12, incluíram um texto de Guillermo Saccomano (escritor de ficção sobre cuja [des]importância eu prefiro me calar) que, ancorado num relato que lhe fizera Osvaldo Bayer (historiador de alguma importância, que escreveu sobre revoltas na Patagônia e sobre as Mães da Praça de Maio), apresentava uma pesada acusação a Beatriz Sarlo, de que a acadêmica portenha havia uma vez convidado Soriano à Universidade de Buenos Aires para que ele fosse “ridicularizado” pelos alunos por “não ter diploma”. Pintaram uma história de ele havia sido humilhado por ela, a acadêmica-malvada-arrogante-que-desprezou-o-pobre-escritor-popular.

Quando li aquilo, sabia que era mentira. No máximo, imaginei que Soriano havia sido levado à UBA para um debate e que algum aluno ou professor houvesse dito algo que o tivesse ofendido. Não sabia de onde vinha a mentira sobre Beatriz Sarlo, se de Bayer, se de Saccomano, se de otro lugar. Mas conheço a obra e o caráter de Beatriz há décadas. Tirando antologias, ela escreveu uns vinte livros. Eu li todos os vinte. Fundou em 1978, na marra e em condições de verdadeiro pesadelo, uma revista que continua sendo uma das principais da América Latina. Dela, li todos quase todos os exemplares de cabo a rabo. Não sou amigo de Beatriz, mas já coincidimos em congressos; eu leio tudo o que ela escreve, ela já leu algum escrito meu e sabe quem eu sou. A isso se limita minha relação com ela.

Na edição seguinte, Beatriz Sarlo responde afirmando que há anos Osvaldo Bayer e Guillermo Saccomano difundem uma mentira sobre ela; que ela jamais convidou Soriano a visitar UBA nenhuma; que jamais levou ninguém à universidade para ser humilhado; que aqueles que a conhecem sabem que ela trabalhou sobre Juan José Saer, sobre Ricardo Piglia, sobre Manuel Puig, mas que nunca se ocupou de – nem atacou -- Soriano. E ponto.

Uma semana depois, no mesmo Radar, as respostas de Bayer e Saccomano são verdadeiros exercícios de lançamento de lama à distância. Em tom de ironia, usam o trabalho de Bayer com as Mães da Praça de Maio para avalizar a verdade da acusação, como se o fato de alguém ter trabalhado com as Mães passasse atestado de veracidade a qualquer coisa que diga. Usam o fato de que Sarlo escreve uma coluna numa revista pop para tentar ridicularizá-la. Comparam a sua negação a uma negativa de um general sobre as torturas. Fazem um desafio a um debate público que é um convite ao linchamento. Insistem em afirmar que Sarlo levou Soriano à universidade para ser ridicularizado. Para piorar, as acusações eram incongruentes: Saccomano dizia que “Sarlo convidou” e Bayer afirmava que “um grupo de docentes e alunos da cátedra Sarlo” convidou.

Na semana seguinte, Beatriz retruca a esse linchamento da única maneira que me parece digna: reiterando que a acusação é falsa, que o convite ao bate-boca público é uma arapuca onde ela não será ouvida e que a polêmica é a palavra dela contra a deles. Nesse momento, o debate, já disseminado no campo intelectual argentino, inspira intervenções de María Moreno, Amparo Rocha Alonso e Germán Ferrari, que discutem outros aspectos que não o que motiva este post.

Mas eis que na semana seguinte, fica provado mais uma vez, caro leitor, que a mentira tem pernas curtas. Aparece a professora que convidou Osvaldo Soriano à UBA. Hinde Pomeraniec, naquele momento docente e agora editora do caderno Mundo do jornal Clarín, relata que em 1991 Soriano havia sido convidado por ela – não por Sarlo – para um ciclo de palestras ao qual outros escritores (Fogwill, Bioy Casares, Aira) também haviam ido. Testemunha que Soriano, nervoso antes do encontro, temia um desastre; que estava tenso e que expressava o temor de que o hostilizassem; que desfilava uma série de ansiedades a respeito da academia. Pomeraniec também lembra-se de que havia reiterado a ele que estava tudo bem, que o clima seria ótimo. Conta com detalhes que Soriano – simpático e habilidoso orador – cativou o público, foi aplaudidíssimo pelas 300 ou 400 pessoas que foram vê-lo, assinou livros e saiu feliz. No entanto, coisa de maluco, logo depois da visita Pomeraniec fica sabendo de uma entrevista em que Soriano dizia “ter sido maltratado” na UBA por um “auditório hostil”. Pomeraniec confrontou-o com a mentira dias depois, e ele desconversou com brincadeiras que eram do seu estilo.

Moral da história? Osvaldo Soriano esteve na UBA. Foi muito bem recebido e aplaudido. Não quis ouvir. Seja lá por que motivo (vontade de aparecer como o pobre-escritor-popular-desprezado-pela-academia, suponho eu), inventou a mentira de que o haviam chamado para que ele fosse humilhado. É incômodo descobrir que um morto mentiu, especialmente um morto que tem estatuto meio mítico para algumas pessoas. Mas o papel do estudioso é buscar a verdade, não reforçar mitos. Osvaldo Bayer e Guillermo Saccomano, de má fé ou simplesmente repetindo preconceitos, não importa, insistiram na mentira com a acusação a Beatriz Sarlo. Posaram de paladinos do popular contra a “intelectual” arrogante. Procederam a realizar um linchamento. Tudo para que depois ficasse provado que ela estava certa e eles errados. Infelizmente, não voltaram a tocar no assunto.

Junto-me a Daniel Link na expectativa de que Guillermo Saccomano e Osvaldo Bayer tenham a hombridade de, antes de morrer, emitir um pedido de desculpas público a Beatriz Sarlo. Até agora, nove meses depois, não o fizeram.

PS: Deixo para um post futuro a discussão de tudo o que o episódio ensina sobre a fobia de certas pessoas sobre a universidade.



  Escrito por Idelber às 05:41 | link para este post | Comentários (9)



sexta-feira, 14 de dezembro 2007

Delete essa delivery, ou, yéndose por las ramas con Aldo Rebelo, perdido no chemin des écoliers: Notas sobre a Weltanschauung albanesa

Em meio a todo o auê pela queda da CPMF, passou quase desapercebida a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, de uma das maiores demências já concebidas na história de Pindorama. Trata-se do projeto do deputado Aldo Rebelo, que determina que toda palavra ou expressão escrita em língua estrangeira e destinada ao conhecimento público no Brasil virá acompanhada, em letra de igual destaque, do termo ou da expressão correspondente em português. Essa excrescência passou pelo Senado e, sendo aprovada pelo plenário da Câmara, se transformará em lei. A punição para os infratores ainda está por ser determinada.

O projeto é uma tentativa de proibir o uso de termos estrangeiros no Brasil. Parte de uma premissa completamente equivocada, a de que a “invasão” de termos do inglês “ameaça” a “sobrevivência” do vernáculo. Demonstra uma ignorância total da lingüística mais elementar, que reza que a língua evolui por processos que incluem a decantação progressiva de préstamos de outros idiomas. Revela uma visão pobre de cultura brasileira, que insiste em acreditar que ela é uma coitada que precisa de defensores e guardiões – em outras palavras, que ela não pode se misturar, pois será engolida. O deputado vive num mundo onde a Tropicália não aconteceu. Ele ainda tem medo de que a guitarra elétrica acabe com o samba. Está 40 anos atrasado.

Não é por acaso que não há um único lingüista de renome emprestando o seu apoio a essa cruzada xenófoba. O especialista John R. Schmitz, da UNICAMP, escreveu seis ensaios desmontando a baboseira. Um dos maiores lingüistas do Brasil, meu amigo Mário Perini, da UFMG, já explicou que a assimilação de vocábulos estrangeiros segue pautas próprias à evolução da língua. Alguns empréstimos desaparecem porque o referente se torna obsoleto (boogie-woogie, ban-lon), outros são substituídos por termos vernáculos (corner / escanteio, goal-keeper / goleiro) e outros são graficamente assimilados. Nem todo mundo se lembra, mas há poucas décadas sutiã era soutien; gol era goal; nocaute era knock-out. O falante hoje usa esses termos sem a menor preocupação sobre sua origem estrangeira. Se algum Aldo Rebelo tivesse sido ditador do Brasil nos anos 40, teríamos sido obrigados a dizer "porta-seios". A ironia é que não estaríamos nos sentindo nem um pouco mais brasileiros por isso. Acabo de visitar Campinas e não me consta que a língua portuguesa esteja em perigo por lá pelo fato de que bugrinos e ponte-pretanos se referem ao seu clássico como derby.

O deputado apela ao “homem simples” que, supostamente, precisaria da sua proteção. Sou de família pobre e convivi muito com “homens (e mulheres) simples”. Jamais vi algum deles preocupado com isso. Pelo contrário, no momento em que passam a se interessar por tênis, por exemplo, aprendem rapidinho o que é um tie-break. Se aparecerá ou não um termo vernáculo para substituí-lo, é questão que jamais deve ficar nas mãos de um Komintern da gramática. Sobre a língua viva não se legisla. Não se iluda: o apoio ao projeto de Aldo Rebelo não vem do “homem simples”, mas de grupos semi-fascistas como esse Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa. Quer defender a língua? Escreva bons textos, de preferência sem preconceito, xenofobia e intolerância.

Proteste contra este projeto, leitor. Escreva ao seu deputado. Recrute o apoio da sua Faculdade de Letras local, com o excelente argumento de que ela finalmente está em condições de intervir numa questão de interesse público. Converse com um lingüista. Pare a demência. Enquanto é tempo.

PS: Misturas lingüísticas são bem vindas nos comentários. Um doce para o estrangeirismo ou neologismo mais criativo.

PS 2: Obrigado, Guto.

Atualização: minha irmã Larissa, nos comentários, nos chama atenção para um livro importante, que acaba de ser publicado. O comentário merece destaque aqui no post. Eis a informação sobre o volume: “Estrangeirismos – Guerras em Torno da Língua”, da Parábola Editorial, organizado por Carlos Alberto Faraco, com artigos de Marcos Bagno (USP), John Robert Schmitz (PUC-SP, Unesp e Unicamp), José Luiz Fiorin (USP), Sírio Possenti (Unicamp), Paulo C. Guedes (UFRS).

Segue resenha do próprio Faraco: O livro é uma crítica ao raciocínio simplista, segundo o qual a língua portuguesa está sendo ameaçada pelos chamados estrangeirismos. Os autores, todos pesquisadores em lingüística e/ou professores de língua, consideram dever profissional demonstrar os equívocos e as impropriedades do projeto de lei 1676/1999 ­ sobre a promoção, proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, do deputado federal Aldo Rebelo [PcdoB]. Aqui se encontram os principais argumentos contrários ao projeto de lei, a começar pela crítica radical à concepção de língua ali adotada. Alguns textos rebatem os apelos patrioteiros do deputado e todos eles trazem farta exemplificação da dinâmica histórica que atravessa os modos como os falantes gerem o funcionamento do léxico de sua língua, o que por si só já é motivo para a dispensa de tutores, censores e guardiães de um ideal de língua que ninguém pratica. Ao mesmo tempo, o livro ultrapassa e supera o projeto, ao defender que a língua não aceita mordaça, nem se deixa domesticar por mera pirotecnia legislativa. O discurso desse livro se faz a muitas vozes, todas unânimes na afirmação de que a língua muda para atender às necessidades de seus falantes e de que é impossível regulamentar a língua humana, porque a variação é inerente às línguas e ninguém até hoje conseguiu reverter essa dinâmica.



  Escrito por Idelber às 03:32 | link para este post | Comentários (72)



quinta-feira, 13 de dezembro 2007

A OTAN e suas atividades terroristas

hoita.jpg Há dois anos, o respeitado historiador suiço Daniele Ganser publicou um livro assombroso. Produto de anos de pesquisa, NATO's Secret Armies: Operation Gladio and Terrorism in Western Europe documenta quase 50 anos de envolvimento da OTAN, em coordenação com a CIA, o Pentágono, o serviço secreto britânico MI6, o serviço secreto israelense Mossad e as polícias secretas de uma série de estados europeus na manutenção de exércitos clandestinos e terroristas em toda a Europa Ocidental. Caracterizada em 1990 pelo jornal britânico The Times como “coisa que parece saída de romance policial”, a operação Gladio (“espada”, em italiano) incluiu assassinatos seletivos, tortura, intimidações e uma série de atentados de terroristas cometidos com o objetivo explícito de incriminar forças políticas de esquerda na Europa. A documentação apresentada por Ganser é impressionante.

Ganser demonstra que a OTAN comandou uma rede clandestina que operava em 18 países: EUA, Reino Unido, Itália, França, Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Alemanha, Grécia, Turquia, Suécia, Finlândia, Suiça e Áustria. Na Alemanha, ela recrutou ex-oficiais da SS. No capítulo dedicado à Itália, Ganser recopila a documentação que prova que o atentado de Peteano, que sacudiu o país em 1972 e foi atribuído à esquerda, na verdade havia sido cometido por um militante de um grupo de extrema-direita. Até aí nada novo, pão com manteiga. No entanto, o que a pesquisa de Ganser demonstra é que esse grupo (Ordine Nuovo) atuava em estreita colaboração com os exércitos clandestinos mantidos pela Organização do Tratato do Atlântico Norte. Ganser também mostra a cumplicidade da OTAN com os atentados de 1954 no Egito, inicialmente atribuídos aos muçulmanos, mas de responsabilidade direta de agentes do Mossad, naquele que ficou conhecido como o caso Lavon.

Não foram poucas as vítimas dessa gigantesca operação terrorista comandada a partir das altas esferas da OTAN (leia-se: CIA, Pentágono, MI6). Só na Itália, foram, no mínimo, 491 mortos entre 1969 e 1980, boa parte deles vítimas de assassinatos ou ataques realizados com o objetivo de incriminar o poderoso Partido Comunista Italiano. Essas brigadas clandestinas também tiveram papel central no apoio a golpes de estado de direita na Grécia e na Turquia, na eliminação de adversários políticos na Espanha e Portugal e no assassinato de Eduardo Mondlane, líder independentista moçambicano. Mesmo a operação já sendo de conhecimento público há anos, somente na Itália, na Bélgica e na Suíça houve investigação formal sobre sua história.

O blog recomenda enfaticamente a leitura de uma entrevista com Daniele Ganser e a visita à sua página pessoal. Agradece ao amigo espanhol Jon Kepa pela dica e deixa uma singela pergunta: em meio às incontáveis resenhas de livros advindos dos Think Tanks conservadores norte-americanos, alguém viu uma única menção a esta obra na nossa imprensa?

PS: Excelente blog acadêmico, vale a visita: Que cazzo.



  Escrito por Idelber às 05:33 | link para este post | Comentários (14)



quarta-feira, 12 de dezembro 2007

Rodrigo Maia e a tentativa de reciclagem do PFL

Chega a ser patético ver a UDN, digo ARENA, ou seja PFL, quer dizer DEM, tentar se reciclar como “democrata” e “liberal”. O seu presidente, Rodrigo Maia, assinou o último mico, um artigo na Folha em que uma boa dose de má fé se mistura a uma boa dose de confusão. Para benefício dos sem-UOL, reproduzo trechos do artigo em itálicos e depois comento:

Democratas, sim, e daí?
RODRIGO MAIA

A QUESTÃO não é nova, mas aflorou com intensidade nos últimos dias, quando as firmes posições dos Democratas -quanto à fidelidade partidária e à batalha contra o achaque dos impostos, agora via CPMF, que sustentamos desde o princípio- levaram ao reconhecimento de que há um novo ciclo no partido, abrindo espaço para novas lideranças e claros delineamentos políticos na nova democracia brasileira.

O deputado mente ao dizer que sua turma é contra o “achaque dos impostos, agora via CPMF .... desde o princípio”. O “princípio” da CPMF se remonta a 24 de outubro de 1996, lei número 9.311, patrocinada pelo governo da coalizão PSDB/PFL. Qual “princípio”, cara-pálida?

O fato de os Democratas assumirem abertamente a condição de liberais, no sentido de origem, afirmarem sua ideologia e seus compromissos fora do transnoitado embate entre os tradicionais de esquerda e de direita assustou alguns e os animou a abandonar suas tocas para lançar dúvidas quanto a nossas afirmações de democratas sem adjetivos. Pois bem, cartas à mesa. Os Democratas são liberais, sim.

Mentira, deputado. Os liberais são, por definição, favoráveis em quaisquer circunstâncias à democracia representativa, às eleições diretas, à liberdade de organização partidária. O seu partido tem suas origens na ARENA e seus integrantes são, na esmagadora maioria, ex-apoiadores da ditadura militar. Qual é o sentido de “origem” da palavra “liberal” que incluiria apoiadores de um golpe militar contra um governo legítimo? Entendeu agora por que quase ninguém acredita em vocês? Espelhe-se nos direitistas americanos e tenha a coragem de declarar o que é, deputado. Outra coisa: o PFL não anda assustando ninguém mais. “Assustar” é um verbo que vocês não andam em condições de usar sem cair no ridículo.

Nossos compromissos começam com a liberdade que só se afirma num Estado democrático de Direito e com garantias de mínimos sociais. Quando nos caluniam cavilosamente, não analisam nossas ações, mas, quem sabe, se assustam com os espaços que temos ocupado.

Quais espaços? A única vez em que vocês lançaram um candidato a presidente da república, em 1989, tiveram menos de 1% dos votos, com Aureliano Chaves. Nas últimas eleições, perderam até mesmo a sua tradicional base, a Bahia, numa derrota acachapante do seu maior coronel, Antônio Carlos Magalhães. Seu reduto eleitoral, o Nordeste, vem sendo carcomido pelo sapo barbudo. Vocês têm a prefeitura de São Paulo graças a uma renúncia do eleito, que não cumpriu a promessa de terminar o mandato. Com a exceção da prefeitura do Rio de Janeiro, a quais “espaços” mesmo o sr. se refere, já que os seus votos só vêm minguando?

Para ser preciso tecnicamente na nossa autodefinição: professamos o "empenho pelo direito à liberdade de cada indivíduo e a manutenção da dignidade humana", independentemente da diversidade cultural, social e econômica.

Preciso tecnicamente? Que precisão é essa? Demonstremos a imprecisão, deputado: encontre uma força política que não declare ser a favor do “direito à liberdade de cada indivíduo e a manutenção da dignidade humana” e depois tente sacar alguma conclusão sobre como sua retórica é vazia.

Lutar pela democracia -como valor, além de sistema- exige essa permanente reflexão sobre tática e estratégia, da qual não podem escapar de julgamento os que negaram o voto a Tancredo Neves (o que redundava num presidente do regime que se superava) e negaram a sua assinatura na Constituição de 1988, que hoje lhes dá as garantias que não tinham.

Vocês jamais lutaram por democracia nenhuma, deputado. Solaparam-na de 1964 a 1985. Ninguém “negou voto” a Tancredo Neves porque “voto” pressupõe a ida de eleitores às urnas e Tancredo jamais foi candidato a presidente pelo voto. Acredito que o sr. se refira aos que se negaram a participar do colégio eleitoral implantado pela ditadura militar, não é? Pois bem, naquele momento havia uma emenda constitucional estabelecendo o voto, emenda derrotada no Congresso com inestimável contribuição do grupo político no qual se origina o seu partido. Segundo: É verdade que a Constituição de 1988 nos dá garantias que não tínhamos. Por que será que não as tínhamos mesmo? Terá algo que ver com o fato de que a sua turma, aliada aos militares, havia implantado um regime de terror no Brasil?

Todos os partidos orgânicos brasileiros -se comparados com os europeus- estão em sua formação com menos de 30 anos das instituições democráticas implantadas. Afirmamos nossas utopias -não como o inalcançável, mas como um processo permanente de aperfeiçoamento partidário, político e institucional.

Decida-se, deputado. Ou é utopia, ou é um processo permanente de aperfeiçoamento. As duas coisas, sinceramente, não dá. Aconselho uma consulta ao dicionário sobre o sentido da palavra “utopia”.

Os donos da verdade já produziram as catástrofes de que todos se lembram.

Com certeza nos lembramos. Torturas, mortes, seqüestros e terror entre 1964 e, pelo menos, 1979. Posteriormente, quebradeira do país, pauperização e dilapidação do patrimônio público entre 1994 e 2002. Lembramo-nos, certamente. Que tal o sr. se lembrar de qual era a turma que então se encontrava no poder?

Depois não entendem por que continuam levando surras nas urnas. Faço minhas as palavras de alguém insuspeito de ser esquerdista, o Marcos Matamoros: a direita brasileira anda tão perdida que seu mais novo herói é um cara que pinta os cabelos e escreve novelas. Quando a alternativa é Rodrigo Maia, até Aguinaldo Silva parece um estadista.



  Escrito por Idelber às 04:06 | link para este post | Comentários (30)



terça-feira, 11 de dezembro 2007

Corinthians na segundona

Vou deixar para o Inagaki a tarefa de ser elegante. Farei um post para ser xingado. Se os corintianos forem elegantes nos xingamentos, eles não serão apagados. Combinemos uma coisa? A torcida do Corinthians tem que baixar a bola e entrar na segundona com outra atitude. Se mantiver a que tenho visto, vão ficar 10 anos por lá. O caderno Aliás, do Estadão, publicou no domingo uma nota do publicitário corintiano Washington Olivetto que termina com uma frase sombria e ameaçadora. Lembrem-se meninos: não saber ganhar é ainda pior do que não saber perder. Parece que a grande maioria dos corintianos ainda não entendeu a corrente-pra-trás que uniu contra eles todo o Brasil, com a exceção, talvez, dos vila-novenses de Goiás. Gremistas e colorados, atleticanos e ex-ipiranguenses: todo mundo torceu junto. E não foi por inveja da Fazendinha.

Essa corrente tem duas raízes: a revolta do público espectador com as manipulações da Rede Globo e a memória, muito viva, de todas as maracutais nas quais o Corinthians já esteve envolvido. Só o Flamengo supera o Corinthians em títulos roubados. Como se sabe, o último título ganho pelo Flamengo sem a ajuda do apito foi o tricampeonato carioca de 1955, quando o ataque era Joel, Rubens, Índio, Benítez e Esquerdinha. Dali pra frente, foi tudo José Roberto Wright.

Como é do conhecimento até do mundo mineral, roubar campeonatos para Flamengo e Corinthians é o pré-requisito para comentar arbritragens na Globo. Algo me diz que o sucessor de Wright e Márcio Rezende de Freitas na telinha de Galvão Bueno será o Carlos Simon. A queda do Corinthians vem sendo tratada pela imprensa de forma completamente diferente das quedas, anteriores, de Palmeiras, Fluminense, Botafogo, Grêmio e Galo, como se o Corinthians fosse maior que algum deles. Foi constrangedor assistir a transmissão da última rodada do campeonato. Parecia que o Olímpico presenciava uma partida da Seleção Brasileira contra um combinado de estupradores nazistas. Um amigo latino-americano olhava, incrédulo: mas essa transmissão é nacional? Eu digo: sim, é nacional. O cabra: mas Goiás e Rio Grande do Sul não são parte do Brasil? Por onde começar a explicar essas coisas para quem não é brasileiro?

O Corinthians há tempos é um time de segunda que estava na primeira ganhando títulos através de terceiros. Venceu o Campeonato Brasileiro mais vergonhoso da história, o Zveirtão de 2005. Ganhou a Copa do Brasil de 2002 sobre o Brasiliense com uma das arbritragens (de Simon) mais tendenciosas que já vi desde o serradouradazo de Wright em 1981. Ganhou o Brasileirão de 1999 sobre o Galo num jogo também apitado por Simon, em que o lateral Índio jogava voleibol e jiu-jitsu dentro da área. Em 1977, o Corinthians saiu da fila de 23 anos num jogo em que Dulcídio Wanderley Boschilla expulsou Rui Rei, da Ponte Preta, aos 8 minutos do primeiro tempo. Ganhou Foi vice-campeão no Paulistão de 1998 (obrigado, Serbão) graças à ajuda de Javier Castrilli contra a Portuguesa na semifinal. A lista é infinita. Tudo isso para não falar, claro, da associação com criminosos procurados pela Interpol.

Nada disso, óbvio, é culpa dos corintianos que sofrem nas arquibancadas. Mas o torcedor que celebrou a parceria com a bandidagem internacional cantando el el el, Kia é da Fiel deveria, sim, refletir um pouco. Assim como Washington Olivetto, que em 1999 deixou-se fotografar tomando champagne quando o Palmeiras perdeu o título mundial para o Manchester United. Esse papo de que quem perdeu foi a Série A, sinceramente, é coisa de quem vai acabar parando na Série C.

PS: Nação alvi-negra (a da Série A): acontece hoje aí em Belo Horizonte, às 18 horas, na Av. Bandeirantes, 619 (Sion), o lançamento do livro Galo: uma Paixão Centenária, com textos e edição de Eduardo Murta, textos complementares e pesquisa de Frederico Jota e Alexandre Simões, e fotos de Eugênio Sávio. É o pontapé inicial para as comemorações do centenário do Galo.

galo%2B1.gif



  Escrito por Idelber às 03:39 | link para este post | Comentários (71)



domingo, 09 de dezembro 2007

El director, de Gustavo Ferreyra

9789500342216.gif O Daniel Lopes me pediu dois parágrafos sobre o melhor livro que li em 2007, para uma série que ele vai publicar por lá. Na hora de escolher, hesitei entre dois títulos: Atonement, do britânico Ian McEwan e El director, do argentino Gustavo Ferreyra. Atonement já é razoavelmente conhecido entre o público leitor brasileiro, em tradução, ao que parece, primorosa de Paulo Henriques Britto, apesar de eu ter minhas reservas ao título escolhido (Reparação). Prefiro, então, falar de El director.

Gustavo Ferreyra pratica uma espécie de realismo alucinatório. Disseca as patologias masculinas impiedosamente. Com frases cristalinas, flaubertianas – alheias, portanto, às correntes dominantes do romance atual – Ferreyra entrega a narração em primeira pessoa a protagonistas monstruosos. São paranóicos, egoístas, obcecados, neuróticos. Mas relatam a história com um ar de tremenda naturalidade que paulatinamente cria no leitor a sensação de que tudo aquilo é normal, que nós somos assim. El director narra, em forma de diário, 40 anos (1966-2006) da vida de um diretor de escola primária em Buenos Aires. A narração é embaralhada cronologicamente e interrompida pelos fragmentos de um romance que ele está escrevendo, sobre um incesto feliz entre pai e filha. Vários acontecimentos da história argentina vão permeando o romance, mas a relação do protagonista com eles é amoral, de total exterioridade. Apesar de ter se entusiasmado com a possibilidade da chegada do socialismo em 1975, ele saúda os militares em 1977. Ao ver um grupo protestando nas ruas em 1982, sua dúvida é: “se me aproximo demais deles, o que pode acontecer caso chegue a repressão? Se não me aproximo, será que podem pensar que sou hostil a eles?” Assim prossegue, sempre à deriva e sempre amoral.

Mas é a vertigem permanente no imaginário do protagonista que confere ao romance seu toque singular. Depois de romper seu casamento – por nenhum motivo especial –, ele começa a ter fantasias auto-depreciatórias, como fazer fila atrás de outros homens para transar com a ex-mulher. Quando um colega de trabalho montonero é seqüestrado pelos militares, ele imagina que as outras professoras o condenam por não ter sido preso também. Quando desaparece o único original do romance incestuoso que ele escreve ao longo de uma década, suspeita que sua amante, a quem relatara o enredo, havia roubado e queimado o manuscrito por temer o incesto que ele teria com os filhos que um dia eles poderiam ter. A prosa permanece gélida, impassível, mas as alucinações cruéis e egocêntricas vão se sucedendo. O final é aterrador.

Os livros de Ferreyra estão escritos num castelhano único. Seus personagens não dizem, por exemplo, pensar ou suponer. Preferem barruntar, verbo que os poucos leitores de Ferreyra já adotamos como uma espécie de moeda secreta. Diz-se que depois da publicação do primeiro romance de Ferreyra (El amparo, de 1994), sua mulher chegou a dizer: “eu não sabia que estava casada com um monstro”. Pelo que sei, continuam casados.

Esperemos para ver quanto tempo demorará a tradução brasileira. Enquanto isso, compartilhe aí o que de melhor leu em 2007.



  Escrito por Idelber às 02:12 | link para este post | Comentários (26)



sexta-feira, 07 de dezembro 2007

Escritas da Violência, Unicamp, 28/11-30/11

Foram muitos os méritos do encontro “Escritas da violência”, que aconteceu no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, de 28 a 30 de novembro. Neste segundo colóquio internacional organizado pelos Profs. Márcio Seligmann-Silva e Francisco Foot Hardman, da UNICAMP e Jaime Ginzburg, da USP, mostrou-se o que acontece quando se tem um grupo sólido pesquisando um tema por um período considerável. A sensação nítida era a de que os coordenadores sabiam exatamente a quem queriam convidar; qual o plano de discussões que tinham em mente; quais contrastes e contrapontos desejavam criar. O colóquio foi, enfim, uma obra de arte. Talvez tenha sido o único na minha vida em que não vi um único trabalho ruim. A coisa ia do muito bom ao excelente ao brilhante.

Na abertura, o Prof. Marc Nichanian, armênio radicado em Beirute (ex-professor em Columbia), deu uma palestra absolutamente cativante sobre a catástrofe, o extermínio e o problema do testemunho – a catástrofe como lugar de aniquilamento da testemunha, reflexão que Marc desenvolve há anos a partir de sua extensa pesquisa sobre o genocídio armênio. Sobre Marc, diga-se não só que deu uma palestra brilhante. Poliglota contumaz (armênio, alemão, inglês, francês), ele estava pela primeira vez num ambiente cuja língua ignorava completamente. Em vez de sair e fazer turismo, ou ficar e fazer muxuxo, Marc deu aquele espetáculo de simpatia e ética: escutava pacientemente trabalhos numa língua da qual não entendia uma palavra. Nos intervalos, aproveitava para pegar um relato com algum de nós. Ia tecendo sua versão do congresso. Dei-lhe de presente meu livrinho sobre a violência e no dia seguinte o cabra voltou com metade lido e uma enxurrada de idéias para debate. Um genuíno pensador e um gentleman, o armênio Marc Nichanian.

A uruguaia Lisa Block de Behar veio em seguida. Mais que ouvir a palestra – muito boa, sobre a operação da memória num filme ucraniano, se não me equivoco –, foi uma alegria conhecê-la. Sou velho leitor de dois belos livros (entre os muitos) de Lisa: o seu ensaio sobre Borges e o pioneiro Una retórica del silencio, um tratado poético sobre os usos do silêncio na literatura. Essa pequena jóia de livro foi uma das minhas introduções ao que pode fazer a crítica literária. Tietei.

Daí em adiante foi só português; revi amigos, conheci pessoalmente autores que havia lido e tomei conhecimento de gente cujo trabalho ainda ignorava. Ana leu um trecho pesado d'Um defeito de cor, falou da pesquisa para o livro e deixou algumas imagens que permaneceriam presentes no colóquio inteiro. Meu amigo Foot Hardman fez uma entusiasmada apresentação da obra de Roberto Bolaño e de sua demolidora representação da instituição literária. Na última mesa do dia, Jaime Ginzburg ofereceu uma panorama dos discursos sobre a violência na literatura brasileira contemporânea. A fala foi brilhante; destaque-se nela a crítica firme feita a uma lamentável antologia recente, fenômeno de mercado dos mais rasos que tenta aproveitar-se da popularidade do tema. Por fim, Rosana Kohl Bines (PUC-RJ) apresentou um comovente texto, em que ela falava ora como pesquisadora, ora como mãe, alivanhando reflexões a partir do caso do assassinato do garoto João Hélio no Rio de Janeiro.

No segundo dia eu falei de manhã, numa mesa com minha amiga Sônia Roncador (Universidade do Texas), que apresentou um estudo sobre relatos de domésticas. Depois da nossa mesa, um show solo do meu amigo Roberto Vecchi, com um estudo sobre o tema das escritas de massacre e Os Sertões, de Euclides da Cunha, em particular. A outra metade do duo italiano, meu também amigo Etore Finazzi-Agrò – um dos maiores especialistas do mundo na obra de Guimarães Rosa – falaria no dia seguinte, revisitando Rosa, mas dessa vez o enigmático “Meu Tio o Iauretê.” Depois do almoço, Regina Dalcastagné (UNB) apresentou uma visão bem crítica das estéticas da neo-violência na literatura brasileira, de Cidade de Deus aos herdeiros de Rubem Fonseca.

Havia também um excelente grupo de germanistas: Élcio Loureiro Cornelsen (UFMG) apresentou um trabalho assombroso sobre testemunhos de tortura na Alemanha comunista. De tudo o que ele disse, não me saiu da memória a imagem dos “arquivos de cheiros”, um imenso catálogo de pedaços de pano com os odores dos prisioneiros. O ensaio de Jens Baumgarten (UNIFESP) também foi muito bom, e lidava com a cultura do martírio na Alemanha nazista.

Por fim, tive a oportunidade de escutar pela primeira vez dois colegas que eu já havia lido fartamente. Jeanne Marie Gagnebin, suiça radicada no Brasil há 30 anos, é referência indispensável para quem estude a obra de Benjamin. Márcio Seligmann-Silva, co-organizador do encontro, é autor de um livro de raríssima erudição, O Local da Diferença, ganhador do Prêmio Jabuti de ensaios no ano passado.

Só resta, pois, deixar o registro do agradecimento aos organizadores. O livro que sair desse colóquio valerá a pena.

PS; o Lino Resende nos brinda com o título de “blog cabeça” e convida a que repassemos o meme. Aí vão, pois: Prás Cabeças (sem trocadilho), Mineiras, Uai!, Favoritos, Mothern e Uma Odisséia Literária. Viu, Lino? Sem sair de Belo Horizonte. Que ninguém se sinta obrigado a repassar, claro.

PS 2: Parece que os lançamentos d'Os Vira-Lata venderam dez vezes mais que o da Mônica Veloso.



  Escrito por Idelber às 04:26 | link para este post | Comentários (15)



terça-feira, 04 de dezembro 2007

Em Sampa

Pois então. Em alguns blogs da geração deste ou da anterior, pairou uma certa melancolia nos últimos tempos. Além do Träsel, a Alê Felix e outros ecoaram a sensação de que os blogs já não são mais os mesmos. Legítimo, claro, por mais que a gente saiba que as coisas não voltam e ponto. Mas não é que em dois dias em Sampa eu tive a maior aula da contrapartida? O que os blogs podem ser.

Debate Biscoito x Torre: Era para ser um experimento em debate civilizado entre direita e esquerda e foi muito mais que isso. Foi um super encontro de amigos. Eu, que fui jogar pelo empate, aterrizei numa partida onde todos ganhariam (quem escutar também, acredito), não porque a coisa tenha ficado morna, de jeito nenhum. Houve debate e discordância aberta. Houve também convergências em pontos não esperados. Eu não achava que o Marcos fosse, no essencial, favorável ao princípio do Bolsa Família. Provavelmente ele não achava que sou a favor de coisas como incentivo à produtividade no serviço público. Nos dois primeiros rounds, vocês notarão, eu perdi por pontos. Depois equilibrei o jogo nos contra-ataques. Em todo caso: uma feijoada de primeira, chope gelado (o Marcos na verdade na caipirinha) e 2 horas de papo político com um gentleman. Está gravado em fita cassete e logo que digitalizarmos, eu coloco o podcast aqui e o Marcos lá na Torre.

O debate com o Marcos me deu vontade, retrospectivamente, de que o papo da noite anterior tivesse sido gravado. Saímos para bebericar e comer com Sua Eminência, padrinho deste blog, Pedro Dória. Para quem não me lê há anos: Pedro foi o maior responsável pelo primeiro grande salto de visitação deste weblog, com um link a um obscuro post. O papo agradabilíssimo, regado a chope e tira-gostos, inevitavelmente caiu no tema Israel / Palestina, que tanto eu como ele acompanhamos em detalhe, ainda que com ênfases diferentes. Foi um bom debate, que em breve voltará à baila aqui numa resenha desse indispensável livro. A observação posterior da Ana, que estava conosco no bar, foi ótima: nos debates Israel / Palestina, há uma série de números que tomam o lugar de sujeitos da frase: “1967”, “1956”, “1948” significam uma complicação de coisas que vão ficando cada vez mais crípticas para quem chega, na medida em que outros termos complexos vão entrando na roda. É um debate formado por diferendos, no sentido que dá ao termo o pensador francês Lyotard: diferenças para as quais não existe nenhuma linguagem neutra, nomeá-las já é tomar partido. Independentemente das ênfases distintas, concordamos que a coisa está, hoje, mais longe de uma solução que jamais esteve. Que Bush em Annapolis foi um simples photo-op. E concordamos em muito mais. Este weblog fala menos do tema do que deveria porque, vou lhes contar, é barra-pesada. Com Pedro, claro, foi um grande papo. Valeu, cumpadi.

Mas tudo isso era só aperitivo.

Porque afinal eu ia me encontrar com ela. A ídola. Levei livrinho de presente e tudo mais. Estilo fã mesmo. Ela nos buscou lá no Filial, veio com o Klein, que é um barato. Enquanto ele estacionava, emplacamos um papo sobre certos buracos na noção de direitos humanos, que não inclui, na vasta maioria do planeta, o simples direito de que um casal gay ande de mãos dadas ou se beije. Histórias de blogs, a mil, rolaram na mesa de café na Vila Madalena, que também incluía o Marcos. Foram papos sobre guitarras com o Klein, sobre Fernando Henrique Cardoso com ela (que, como eu, gosta do cabra) e sobre muito mais. Eu falei um pouco da minha tese acerca da tancredização do Clube da Esquina e ela riu. Contei a ela de uma dissertação que oriento, sobre concursos de beleza, e ela achou o máximo. Falei de tudo que eu adoro no blog. A sintaxe, que é única, né? Os pontos finais. O uso dos itálicos. Os personagens. O professor de filosofia. Não há blog que misture o pessoal e o “político” como aquele. Aliás, para quem não sabe: não foi Kfouri, nem PVC, nem Tostão quem definiu, de cara, o escrete do Parreira em 2006. Foi Mary W, prevendo tudo lá atrás, quem sacou que Parreira armava um time no 6-0-4. Sem meio-campo. O link ao post original eu não tenho, claro, porque ela apaga periodicamente o blog. O que é ú-ni-co. Experiência singular, essa. Ensinar os leitores a fazer o trabalho do luto. O que, graças a uma turma que a esperava na Augusta, ela fez conosco de novo, ficando com uma dedicatória pela metade no livro e não aparecendo no encontro do Pacaembu.

Que rolou brilhante, graças ao meu irmão que arrasou na co-organização e divulgação: Branco Leone, Marconi Leal, Olivia, Roger, Jussara , Cris e Träsel eu não conhecia pessoalmente, foi super legal conhecer. Além de conhecer gente, revi os amigos: o bródi, a Lucia Malla, cientista brasileira premiada, Doni e Tuca, são-paulinos já cansados dessa chatice de comemorar títulos, Dra e André, leitores históricos. A Lu estava com o André, seu marido, que deu uma aula nesse post do Biscoito. Fui a tudo isso, claro, muito bem acompanhado.


ldd.jpg
foto da Olivia, roubada daqui. Lucia Malla, Dra e Doni.

Voltei para New Orleans, via Guarulhos, com a idéia de que esse negócio de blogs vale a pena. E de que a brincadeira está só começando.

PS: Valeu, obrigado a quem votou.



  Escrito por Idelber às 02:10 | link para este post | Comentários (27)