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domingo, 09 de dezembro 2007

El director, de Gustavo Ferreyra

9789500342216.gif O Daniel Lopes me pediu dois parágrafos sobre o melhor livro que li em 2007, para uma série que ele vai publicar por lá. Na hora de escolher, hesitei entre dois títulos: Atonement, do britânico Ian McEwan e El director, do argentino Gustavo Ferreyra. Atonement já é razoavelmente conhecido entre o público leitor brasileiro, em tradução, ao que parece, primorosa de Paulo Henriques Britto, apesar de eu ter minhas reservas ao título escolhido (Reparação). Prefiro, então, falar de El director.

Gustavo Ferreyra pratica uma espécie de realismo alucinatório. Disseca as patologias masculinas impiedosamente. Com frases cristalinas, flaubertianas – alheias, portanto, às correntes dominantes do romance atual – Ferreyra entrega a narração em primeira pessoa a protagonistas monstruosos. São paranóicos, egoístas, obcecados, neuróticos. Mas relatam a história com um ar de tremenda naturalidade que paulatinamente cria no leitor a sensação de que tudo aquilo é normal, que nós somos assim. El director narra, em forma de diário, 40 anos (1966-2006) da vida de um diretor de escola primária em Buenos Aires. A narração é embaralhada cronologicamente e interrompida pelos fragmentos de um romance que ele está escrevendo, sobre um incesto feliz entre pai e filha. Vários acontecimentos da história argentina vão permeando o romance, mas a relação do protagonista com eles é amoral, de total exterioridade. Apesar de ter se entusiasmado com a possibilidade da chegada do socialismo em 1975, ele saúda os militares em 1977. Ao ver um grupo protestando nas ruas em 1982, sua dúvida é: “se me aproximo demais deles, o que pode acontecer caso chegue a repressão? Se não me aproximo, será que podem pensar que sou hostil a eles?” Assim prossegue, sempre à deriva e sempre amoral.

Mas é a vertigem permanente no imaginário do protagonista que confere ao romance seu toque singular. Depois de romper seu casamento – por nenhum motivo especial –, ele começa a ter fantasias auto-depreciatórias, como fazer fila atrás de outros homens para transar com a ex-mulher. Quando um colega de trabalho montonero é seqüestrado pelos militares, ele imagina que as outras professoras o condenam por não ter sido preso também. Quando desaparece o único original do romance incestuoso que ele escreve ao longo de uma década, suspeita que sua amante, a quem relatara o enredo, havia roubado e queimado o manuscrito por temer o incesto que ele teria com os filhos que um dia eles poderiam ter. A prosa permanece gélida, impassível, mas as alucinações cruéis e egocêntricas vão se sucedendo. O final é aterrador.

Os livros de Ferreyra estão escritos num castelhano único. Seus personagens não dizem, por exemplo, pensar ou suponer. Preferem barruntar, verbo que os poucos leitores de Ferreyra já adotamos como uma espécie de moeda secreta. Diz-se que depois da publicação do primeiro romance de Ferreyra (El amparo, de 1994), sua mulher chegou a dizer: “eu não sabia que estava casada com um monstro”. Pelo que sei, continuam casados.

Esperemos para ver quanto tempo demorará a tradução brasileira. Enquanto isso, compartilhe aí o que de melhor leu em 2007.



  Escrito por Idelber às 02:12 | link para este post | Comentários (26)


Comentários

#1

Po, fiquei aqui pensando... O melhor livro que li foi sem dúvida o Os Detetives Selvagens, que apesar de não ser de 2007 só descobri ele em novembro!!! E o mais legal é que o descobri fuçando numa livraria... Nunca tinha ouvido falar nem do autor nem do livro!!!
Idelber, descobri o seu blog por causa de uma lista de melhores livros argentinos que vc postou a muito tempo aqui. Vc não gostaria de fazer uma nova lista, mas com livros da segunda metade do século?? Aposto que o Alan Pauls vai estar nela, não?
Grande Abraço!!

Guilherme Losilla em dezembro 9, 2007 9:35 AM


#2

Guilherme, só agora estou lendo Os Detetives Selvagens, acredita? Que romance, hein? Estou lá pela página 300 ainda.

Sugestão anotada -- claro, Pauls estaria, sim. Abraços.

Idelber em dezembro 9, 2007 3:23 PM


#3

Desonra, do Coetze, que li com atraso e valeu a pena. Apesar de vivermos em um dos países mais desiguais da Terra, não temos idéia do que é uma sociedade cortada por ressentimentos cultivados por séculos de discriminação institucionalizada e opressão covarde. Coetze é seco, duro, impressionante como uma pedra do João Cabral.
.
Um Defeito de Cor, da Ana. Além de me proporcionar uma semana de leitura obcecada e um prazer imenso de ver uma negra e ex-escrava como convincente espectadora e participante da história do Brasil (faltam romances históricos por aqui, e não falta material), me deu uma involuntária e divertida lição do que é o universo de leitores nesse país, quando tirou o segundo lugar na Copa de Literatura e li, entre os comentários sobre o resultado, gente que se diz escritor e leitores confessos reclamando ser um absurdo escrever um livro tão grande, mais de 900 páginas, coisa pra ninguém ler etc e tal. Uma prova de que é difícil criticar um livro tão bom sem cair no ridículo.
.
O Banquete, de Platão. Muito citado e pouco lido, esse livro é uma fascinante demonstração de como se pode fazer literatura gay sem cair no culturalismo, falando de questões universais compartilhadas por todos, mesmo quando tratadas por praticantes do amor entre iguais.
.
Escritos de Artistas Ano60/70, organizado por Glória ferreira e Cecilia Cotrim. Não é livro de ficção, mas também de não-ficção é que não é. Traz textos de dezenas de artistas pontificando sobre o que é ou não é a arte _ com ênfase na produção conceitual. Comparar o que escreviam os artistas brasileiros e certos norte-americanos nas décadas de 60 e 70 sobre o que o artista deve buscar com seu trabalho é mais ou menos como confrontar um pregador evangélico e um pai de santo engajado na guerrilha. Uns tentando criar uma Igreja para celebrar os mais puros ideais da Arte sem pecado, e outros recebendo exus cheios de idéias para esse mundo errado de Deus. Os brasileiros eram os cambonos dos exus, claro.

S Leo em dezembro 9, 2007 3:36 PM


#4

Maravilha de comentário, Mestre Sergio, gracias. Um defeito de cor certamente seria meu escolhido se eu o tivesse lido este ano.

Mas esse eu li em manuscrito em 2005 :-)

Idelber em dezembro 9, 2007 4:17 PM


#5

Manuscrito??????

Milton Ribeiro em dezembro 9, 2007 6:33 PM


#6

Bom, li Um defeito de cor na tela do computador, na verdade, Milton. Acredite ou não, mas assim foi.

Idelber em dezembro 9, 2007 6:39 PM


#7

Só agora vc esta lendo?? É muito bom né? Virei fã do Bolaño sem nem pensar, li o Noturno do Chile em um dia!
Tem mais algum escritor que escreve dessa maneira caótica?? me lembra um pouco filmes de arte, que procuram sempre perverter a linguagem estabelecida!!

Guilherme Losilla em dezembro 9, 2007 9:31 PM


#8

Li quase tudo dele, Guilherme, mas esse tijolão eu havia deixado -- é um grande escritor, sem dúvida.

El gaucho insufrible é um livraço também. Não sei se já saiu aí no Brasil.

Idelber em dezembro 9, 2007 9:55 PM


#9

Deixem-me fazer coro com os fãs de Roberto Bolaño: Detetives Selvagens é excepecional e Noturno do Chile (seu oposto em termos de tamanho) fino e cortante. Estou a ler 2066 e não perdi o encanto.

Também gostaria de fazer uma menção especial ao corajoso O filho eterno de Cristovao Tezza, o melhor da literatura brasileira lido nesse 2007.

Roberson em dezembro 10, 2007 6:37 AM


#10

Como não teremos mais nada escrito por ele, gostaria de citar "A Man Without a Country" de Kurt Vonnegut. Não foi lançado em 2007 mas em 2005, é uma coletânea, mesmo assim foi a melhor coisa que li em 2007 (eu leio pouco), de meu autor norte-americano predileto, falecido em 11 de abril.

Kiril em dezembro 10, 2007 7:19 AM


#11

Caro Roberson, o Tezza está na minha lista; ainda não li. A Ana leu e gostou muito. Obrigado por reforçar a dica.

Bola dentro mesmo, Kiril. Devorei A man without a country enquanto um avião me levava de New Orleans a não sei que outra cidade aqui nos EUA. Um petardo.

Vonnegut foi gênio, dos maiores. E o melhor obituário que li depois de sua morte foi feito no Brasil, pela Cynthia.

Idelber em dezembro 10, 2007 7:34 AM


#12

Meu caro,

o melhor livro que li em 2007 foi o romance "Equador", do português Miguel Sousa Tavares. É uma história trágica de amor tendo como pano de fundo os últimos dias da monarquia em Portugal e as disputas por comércio e poder na África.

Abraços

Mauricio Santoro em dezembro 10, 2007 8:39 AM


#13

O livro que mais me impressionou este ano deve ser meio carne-de-vaca pro pessoal aqui, mas, de qualquer maneira, antes tarde do que nunca.

Foi "A Invenção de Morel", do Bioy Casares. Sempre quis ler, mas nunca encontrava. Este mês topei com ele, pela metade do preço, numa feira de livros da USP. Sendo da Cosacnaify, metade do preço ainda é meio caro, mas valeu cada centavo e também cada ano de espera. Simplesmente não conseguia desgrudar, precisei rearranjar toda minha rotina para conseguir cumprir os afazeres com o nariz enfiado no livrinho.

E a última coisa que eu esperava era encontrar, além de um livro excelente (isso eu esperava), a provável fonte de onde tiraram a idéia de fazer o LOST, aquela série de TV!

Daniel em dezembro 10, 2007 10:21 AM


#14

O melhor livro que li este ano foi "Sábado" do Ian McEvan. Fiquei fascinada como ele decreve o trabalho de um neurocirurgião. Dá a impressão que ele é médico. Deve ter feito um trabalho muito bom de pesquisa! Sempre gostei de livros que falem sobre a vida de médicos, ( na minha adolescência sonhava estudar medicina).
Helia.

Hélia em dezembro 10, 2007 10:57 AM


#15

Li pouquíssimo de ficção em 2007 e desse pouco destaco um pequeno conto publicado originalmente em 1968: "No quadrado de Joana", da mineira Maura Lopes Cançado (1929 -1993). São 4 páginas acachapantes. O conto saiu na coletânea "Os Melhores Contos de Loucura" (Ediouro).

Guto em dezembro 10, 2007 11:03 AM


#16

Também li Atonement este ano, e desde então já o presenteei a vários amigos. Como estou vivendo na ponte aérea Johannesburg-Maputo, vou concentrar-me em autores sul-africanos e moçambicanos. Do Coetzee (pronuncia-se Coetzia), recomendo Life and times of Michael K. Duro, seco e preciso, narra a vida de um jovem e sua velha mãe na África do Sul do regime segregacionista, e as dificuldades do jovem K em entender o mundo que o cerca. De Moçambique, não podia deixar de recomendar Mia Couto. Recentemente, li Terra Sonâmbula e o Último Vôo do Flamingo, romances, e Pensatempos, um coletânea de crônicas. Um profundo conhecedor do continente africano e um mestre no uso do português, Mia Couto é leitura indispensável.

Jonas em dezembro 10, 2007 12:49 PM


#17

My favorite book of 2007 was Will Self’s The Book of Dave. During the Summer, Idelber had mentioned meeting Will Self at a conference, and how much he had been impressed by him. After reading nothing but Latin-American Literature for the last 12 years, I was itching for something new. I researched Self’s work and decided that The Book of Dave sounded like the best-reviewed and most-fascinating of his works.

The novel alternates back and forth between a post-Deluge Ing (England) that has embraced Dävananity, the religion of Dave, taken from metal plates found buried in the Forbidden Zone on the isle of Ham (modern-day Hampstead Heath), and the horribly tragic life of Dave Rudman, a mentally-ill (at times) Cockney taxi driver blessed with a perfect recall of the Knowledge. To be a taxi driver in London, one must memorize the entire city; this information is called The Knowledge, and in his mental illness and anger against his lying, adulterous, and frigid wife, who lied-to-him-that-she-was-pregnant-with-his-child-after-a-one-night-stand-so-he-would-marry-her, he melds the Knowledge with his misogynistic rants into a new Gospel for a New London. He has the harangue engraved on silver plates and then buries them in his ex-wife’s backyard. At some unknown point in the future after a catastrophic flood, they are discovered, and a new religion emerges based on the cabby’s diatribe. The masters of this religion create a feudal society that strictly enforces the Doctrines and Covenants of Dave.

But what we have is a society set up around how a blue-collar Cockney divorced taxi driver thinks the world should be run (in the midst of his mental illness). The novel entertains the consequences of anyone imagining how you wish the world could be, engraving it on plates, burying it on high ground, and then some day it comes to pass. As I interpret it, it seems that the world today is just fine being run by societal consensus rather than a jaded and scorned mentally-ill individual. It's an attempt to constuct how the minimally-educated blue-collar chauvinistic man would run the world. I heard hundreds of varying iterations of this same idea in my five years of employment at McDonald's, and six at Pizza Hut.

There’s a key moment in the book when religious satire becomes clear. We are told that shortly after his divorce Dave starts going to a diner for food every day. He strikes up a friendship with a very devout Muslim. In talking about the Koran, Dave asks the Muslim man if he really takes seriously what “some bloke wrote a thousand years ago.” The man’s response shows Self’s satire of modern religion, because the man answers, coolly, “Not some bloke Dave, it was God,” ending the paragraph, the chapter, and the debate.

Self does some of the usual tricks you’d expect for a book about the future. There are different dialects of English: Arpee and Mokni (get it, mock Cockney?). The terms for everything are bits and pieces of late 20th/early 21st Century vernacular. Breakfast is “starbucks,” the Creation is the “MadeinChina,” and pigeons are “flying rats.” But, it’s not hokey. The accents are fun to read, and a glossary is provided to aid the uninitiated. I only wish I understood a bit more of British slang, because I often found myself not knowing what a word meant, and not finding it in the dictionary. Self’s prose is engaging and original. I was saddened whenever I had to put the book down to go to work or to sleep; it was that good.

That’s the gist of it. But, to summarize, Self’s book is a masterpiece of religious commentary and satire (it reminded me, on the same level, of Rushdie’s The Satanic Verses). He examines all the Religions of the Book, Christianity, Judaism, Islam, but especially skewers Mormonism. Being a Mormon, I see his point crystally-clear. However, my belief in the Book of Mormon has nothing to do with it being a really old book, rather, I believe it to be true because I have prayed about it. I could be totally wrong, but I don’t think that I am. Unlike many other Southern Christians, I enjoy it when I read something that questions what I believe about my religion.

This will not be the last time I read a book by Will Self. It was a pleasure.

Mac Williams em dezembro 10, 2007 2:07 PM


#18

O melhor livro que li este ano é de 2005. "Aqueles Cães Malditos do Arquelau" do Isaías Pessotti.

Juca Azevedo em dezembro 10, 2007 3:35 PM


#19

Perdão, "Aqueles Cães Malditos..." é de 1993...

Juca Azevedo em dezembro 10, 2007 3:37 PM


#20

qual título escolheria pra atonement, idelber? remição?

bruno em dezembro 10, 2007 3:52 PM


#21

"Atonement" em espanhol se diz "expiación;" nao sei se portugues tem uma palavra parecida.

Mac Williams em dezembro 10, 2007 4:20 PM


#22

"Expiação" e "purgação" seriam as minhas opções. O problema com "reparação" é que não traz necessariamente o conteúdo religioso. "Atonement" é sempre uma experiência religiosa. "Reparação" me pareceu muito neutro.

Idelber em dezembro 10, 2007 4:45 PM


#23

Anotei as sugestões do Guto, Jonas e Maurício. Obrigado :-)

Reforço as sugestões da D. Hélia, do Juca (Pesotti é um grande escritor) e do Mac.

Idelber em dezembro 10, 2007 4:47 PM


#24

'Reparação', de Ian McEwan, foi o melhor que li. Roberto Bolaño, com 'Noturno do Chile' (que li primeiro) e 'Os detetives selvagens', a grande descoberta. Fantástico! Depois cito o assombroso 'Santa Evita', de Tomás Eloy Martinez. Entre os americanos, cito dois: Don DeLillo, com 'Ruído Branco' e Jonathan Safran Foer, com o surpreendente 'Extremamente Alto & Incrivelmente Perto'. Ah, confesso que só esse ano li o fabuloso 'O Leopardo', de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa. Antes tarde do que nunca...

Emanuel em dezembro 22, 2007 4:44 PM


#25

"De Verdade", de Sandor Marai. Lançado agora em 2008.

sue saphira em julho 6, 2008 5:34 PM


#26

Não é comentário sobre seu post. Queria apenas perguntar se você leu o mais recente livro de Sandor Marai traduzido para o português e publicando no Brasil, que se chama "De Verdade". Nunca vi um tíutlo combinar tanto com um texto literário. Se você leu, adoraria ler seus comentários, não só sobre este livro, mas sobre a obra de Sandor publicana aqui (As Brasas, O Legado de Ezther, Verdito de Canudos, Divórcio em Buda, Os Rebeldes). Um abração, sue

sue saphira em julho 22, 2008 9:31 AM