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quarta-feira, 12 de dezembro 2007
Rodrigo Maia e a tentativa de reciclagem do PFL
Chega a ser patético ver a UDN, digo ARENA, ou seja PFL, quer dizer DEM, tentar se reciclar como “democrata” e “liberal”. O seu presidente, Rodrigo Maia, assinou o último mico, um artigo na Folha em que uma boa dose de má fé se mistura a uma boa dose de confusão. Para benefício dos sem-UOL, reproduzo trechos do artigo em itálicos e depois comento:
Democratas, sim, e daí?
RODRIGO MAIA
A QUESTÃO não é nova, mas aflorou com intensidade nos últimos dias, quando as firmes posições dos Democratas -quanto à fidelidade partidária e à batalha contra o achaque dos impostos, agora via CPMF, que sustentamos desde o princípio- levaram ao reconhecimento de que há um novo ciclo no partido, abrindo espaço para novas lideranças e claros delineamentos políticos na nova democracia brasileira.
O deputado mente ao dizer que sua turma é contra o “achaque dos impostos, agora via CPMF .... desde o princípio”. O “princípio” da CPMF se remonta a 24 de outubro de 1996, lei número 9.311, patrocinada pelo governo da coalizão PSDB/PFL. Qual “princípio”, cara-pálida?
O fato de os Democratas assumirem abertamente a condição de liberais, no sentido de origem, afirmarem sua ideologia e seus compromissos fora do transnoitado embate entre os tradicionais de esquerda e de direita assustou alguns e os animou a abandonar suas tocas para lançar dúvidas quanto a nossas afirmações de democratas sem adjetivos. Pois bem, cartas à mesa. Os Democratas são liberais, sim.
Mentira, deputado. Os liberais são, por definição, favoráveis em quaisquer circunstâncias à democracia representativa, às eleições diretas, à liberdade de organização partidária. O seu partido tem suas origens na ARENA e seus integrantes são, na esmagadora maioria, ex-apoiadores da ditadura militar. Qual é o sentido de “origem” da palavra “liberal” que incluiria apoiadores de um golpe militar contra um governo legítimo? Entendeu agora por que quase ninguém acredita em vocês? Espelhe-se nos direitistas americanos e tenha a coragem de declarar o que é, deputado. Outra coisa: o PFL não anda assustando ninguém mais. “Assustar” é um verbo que vocês não andam em condições de usar sem cair no ridículo.
Nossos compromissos começam com a liberdade que só se afirma num Estado democrático de Direito e com garantias de mínimos sociais. Quando nos caluniam cavilosamente, não analisam nossas ações, mas, quem sabe, se assustam com os espaços que temos ocupado.
Quais espaços? A única vez em que vocês lançaram um candidato a presidente da república, em 1989, tiveram menos de 1% dos votos, com Aureliano Chaves. Nas últimas eleições, perderam até mesmo a sua tradicional base, a Bahia, numa derrota acachapante do seu maior coronel, Antônio Carlos Magalhães. Seu reduto eleitoral, o Nordeste, vem sendo carcomido pelo sapo barbudo. Vocês têm a prefeitura de São Paulo graças a uma renúncia do eleito, que não cumpriu a promessa de terminar o mandato. Com a exceção da prefeitura do Rio de Janeiro, a quais “espaços” mesmo o sr. se refere, já que os seus votos só vêm minguando?
Para ser preciso tecnicamente na nossa autodefinição: professamos o "empenho pelo direito à liberdade de cada indivíduo e a manutenção da dignidade humana", independentemente da diversidade cultural, social e econômica.
Preciso tecnicamente? Que precisão é essa? Demonstremos a imprecisão, deputado: encontre uma força política que não declare ser a favor do “direito à liberdade de cada indivíduo e a manutenção da dignidade humana” e depois tente sacar alguma conclusão sobre como sua retórica é vazia.
Lutar pela democracia -como valor, além de sistema- exige essa permanente reflexão sobre tática e estratégia, da qual não podem escapar de julgamento os que negaram o voto a Tancredo Neves (o que redundava num presidente do regime que se superava) e negaram a sua assinatura na Constituição de 1988, que hoje lhes dá as garantias que não tinham.
Vocês jamais lutaram por democracia nenhuma, deputado. Solaparam-na de 1964 a 1985. Ninguém “negou voto” a Tancredo Neves porque “voto” pressupõe a ida de eleitores às urnas e Tancredo jamais foi candidato a presidente pelo voto. Acredito que o sr. se refira aos que se negaram a participar do colégio eleitoral implantado pela ditadura militar, não é? Pois bem, naquele momento havia uma emenda constitucional estabelecendo o voto, emenda derrotada no Congresso com inestimável contribuição do grupo político no qual se origina o seu partido. Segundo: É verdade que a Constituição de 1988 nos dá garantias que não tínhamos. Por que será que não as tínhamos mesmo? Terá algo que ver com o fato de que a sua turma, aliada aos militares, havia implantado um regime de terror no Brasil?
Todos os partidos orgânicos brasileiros -se comparados com os europeus- estão em sua formação com menos de 30 anos das instituições democráticas implantadas. Afirmamos nossas utopias -não como o inalcançável, mas como um processo permanente de aperfeiçoamento partidário, político e institucional.
Decida-se, deputado. Ou é utopia, ou é um processo permanente de aperfeiçoamento. As duas coisas, sinceramente, não dá. Aconselho uma consulta ao dicionário sobre o sentido da palavra “utopia”.
Os donos da verdade já produziram as catástrofes de que todos se lembram.
Com certeza nos lembramos. Torturas, mortes, seqüestros e terror entre 1964 e, pelo menos, 1979. Posteriormente, quebradeira do país, pauperização e dilapidação do patrimônio público entre 1994 e 2002. Lembramo-nos, certamente. Que tal o sr. se lembrar de qual era a turma que então se encontrava no poder?
Depois não entendem por que continuam levando surras nas urnas. Faço minhas as palavras de alguém insuspeito de ser esquerdista, o Marcos Matamoros: a direita brasileira anda tão perdida que seu mais novo herói é um cara que pinta os cabelos e escreve novelas. Quando a alternativa é Rodrigo Maia, até Aguinaldo Silva parece um estadista.
Escrito por Idelber às 04:06 | link para este post
| Comentários (30)
#1
E depois, quando o Lula chamou essa turma de DEMOS, eles quiseram chiar ...
Luiz em dezembro 12, 2007 7:29 AM
#2
Caro Idelber
Admiro a coragem de ambos, a sua Idelber e a do referido deputado, em defenderem (por escrito e publicamente) temas que NÃO são comuns de serem defendidas OSTENSIVAMENTE em nosso país.
O deputado defende as posições de um partido CONSERVADOR (e em algumas situações até retrógrado), e ainda contando com membros que apoiaram governos de TRISTE MEMÓRIA. E admiro a SUA posição de NEGAR A POSSIBILIDADE DA EXISTÊNCIA DE OPOSIÇÃO PARLAMENTAR, que aparece no seu texto, por exemplo, na medida em que nem o atual presidente do DEM (ex-PFL) que não teve vida partidária naquela organização política que tanto MANCHA O DEM (ex-PFL), assim como também o prefeito do Rio de Janeiro que militou no PDT, E TEVE POSIÇÃO DECISIVA PRÓ-BRIZOLA nas INESQUECÍVEIS eleições de 1982, são criticados APARENTEMENTE pelo que NÃO fizeram.
Caro Idelber, há vários grupos de eleitores na cidade do Rio de Janeiro que MINGUAM dependendo da situação, MAS AINDA ASSIM SÃO ELEITORES! Os eleitores do atual prefeito do Rio de Janeiro já forma mais numerosos, MAS AINDA ASSIM formam um grupo que merece possuir REPRESENTATIVIDADE parlamentar e política! Ou não? Em recente episódio eleitoral, a candidata Jandira Feghali mostrou possuir um expressivo eleitorado. E este grupo de eleitores não merece possuir REPRESENTATIVIDADE parlamentar e política?
Creio, caro Idelber, ser melhor deixar SEM RESPOSTA as palavras do deputado do DEM.
Por último VAI SE CONSOLIDANDO UMA CERTEZA, o partido que ocupa o governo se torna AUTOMATICAMENTE uma organização que cultiva idéias NEO-LIBERAIS. Ou você conhece um imposto mais NEO-LIBERAL que o CPMF? Saudações.
Paulo em dezembro 12, 2007 7:49 AM
#3
Idelber - Como liberal, posso, de cadeia afirmar: não existe representação política partidária no Brasil que chegue perto da ideologia liberal.
Concordo com muito do que você escreveu. A história do liberalismo na política brasileira se encerrou com o falecimento do Roberto Campos.
O PFL/DEM não pode nem de longe não possui nem de longe essa característica. Pode até querer ter, mas hoje não tem.
Nem ligo muito para o passado de partidos políticos afinal de contas há algum que pode falar algo? Dizer que o PT é partido democrático não vale. Muitos de seus membros e de outros partidos de esquerda apoiaram e apoiam até hoje ditaduras mundo a fora. Inclusive alguns de seus mais expoentes membros tentaram estabelecer uma aqui no Brasil. Os militares chegaram primeiro.
Dizer que o PFL/DEM apoiou a ditadura (o que é verdade) e não jogar essa bola também no colo de pessoas como Zé Dirceu, Marco Aurélio Garcia, Dilma e etc, para mim é duplipensar.
O que mais me importa é o presente. E no presente o DEM tem que comer muito feijão para fingir ser liberal.
Outro ponto, discurdo um pouco contigo no quesito resultado de eleições. Desde a queda do muro em 1989, desde a fundação do Foro de São Paulo, os liberais se tornaram alvo preferencial da esquerda em busca de um novo inimigo.
Os liberais hoje são os inimigos número 1 da esquerda nas universidade, fóruns, partidos, igrejas, Movimentos Sociais, jornais, ONGs e tudo mais onde há um esquerdista. Ser liberal na América Latina é dose amigão!! Por exemplo na UNICAMP que hoje é mais uma faculdade particular do PT, os professores de economia se orgulham de não ter nenhum professor liberal entre eles. Logo em uma universidade, onde o contraditório, as idéias diferentes, o debate acadêmico deveria ser o ponto primordial. Não me admiro nem um pouco com o que fizeram com o IPEA.
E depois dizem que nós somos o pessoal do 'pensamento único'.
E isso num país que pouquíssimas medidas liberais, endossadas pelo atual governo, tiraram o país de uma situação terrível para a um pouco melhor que temos hoje.
Nunca vou me esquecer a reação de um professor meu de filosofia quando afirmei que era liberal. Sua resposta foi:
"- Como assim liberal?"
Esse processo levou muito tempo, muito dinheiro, muita informação falsa, muito ódio, muita mentira, muita corrupção intelectual, muita cegueira ideológica.
O certo é que muitos nem sabem o que é ser liberal e quais são as idéias dos liberais. Para eles, e seus 'idiotas úteis', nós liberais, só pensamos em dinheiro, no lucro e apoiamos todas as ditaduras de direita do mundo.
A esquerda hoje pensa ter o monopólio da bondade. E aí de quem querer tirar isso!
E isso em um país que chama a ditadura militar de direita, mas que na verdade só foi de direita porque foi contra a ditadura que os comunistas queriam implantar. No todo o resto a ditadura militar ficou muito longe da direita, principalmente no quesito econômico. Se quiser um exemplo de ditadura de direita no mundo indico a ditadura da Singapura.
De resto faço minha suas palavras, a direita brasileiras está perdida. E isso em um país essencialmente conservador. Prova disso é o resultado do Plebscito sobre Armas de Fogo e todas as pesquisas referente ao Aborto.
Acho que esse quadro a respeito dos liberais
vai durar muito mais tempo. Hoje está crescendo uma comunidade realmente liberal no Brasil, mas é um processo lento. Não temos editoras, são pouquíssimos lançamentos editoriais liberais no Brasil, não há vagas para liberais em faculdades, nem de longe temos o dinheiro que a esquerda possui, mas isso um dia vai mudar.
Eu sou um dos que acreditam piamente que uma alternância entre uma direita liberal e uma social-democracia é o que há de melhor na política.
Pablo Vilarnovo em dezembro 12, 2007 8:02 AM
#4
Belo texto Idelber! Creio que todo discurso político militante, de qualquer lugar ou tonalidade ideológica, carrega alguma hipocrisia, mas por aqui invade o território do grotesco. Continuamos trabalhando com “as idéias fora do lugar”, como apontou Roberto Schwarz tratando do liberalismo no Império. Mas a campanha do DEM contra a CPMF tem seu lado positivo quando o partido fecha questão, ameaça expulsar os parlamentares infiéis e caçar-lhes o mandato. Ferido de morte, nosso velho partido conservador tenta proteger-se fazendo valer regras de fidelidade de vigência mais que duvidosa, mas sem as quais não existem propriamente partidos políticos ou democracia representativa. Proteger-se da antiga prática da política de compadres, de eficácia comprovada, mas que serve apenas a quem está no poder: dono da caneta que faz acontecer, o presidente revida tentando cooptar indistintamente entre aliados e oposição. O último movimento foi a visita do presidente ao governador DEM (ex-tucano) do DF. Se ajudar a criar um jogo democrático mais substantivo, onde as coisas sejam chamadas pelo nome e nossos conservadores envergonhados venham a público, a eleição de Lula terá prestado mais um grande serviço ao país – não há qualquer ironia aqui, votei no homem nas duas eleições e ainda não me arrependi. Mas podemos também estar caminhando em direção à Venezuela. Costuma-se fazer pouco da “democracia burguesa”, mas ela é bem mais difícil de ser praticada do que essa retórica fácil a que estamos acostumados.
Alberto em dezembro 12, 2007 8:05 AM
#5
"Quais espaços?"
A região de Atibaia e Bragança Paulista, que a família Chedid governa com mão de ferro, apesar do patriarca ter tido seu mandato cassado como prefeito de Atibaia...
André Kenji em dezembro 12, 2007 9:39 AM
#6
Pablo
Eu sou liberal em economia, sou contra a estabilidade e a aposentadoria especial para professores e sobrevivo bem na rede pública estadual. Nunca me senti perseguido por defender o valor mercado, não o valor trabalho, por exemplo.
O problema dos ditos liberais brasileiros(Que geralmente são conservadores dizendo-se liberais) é justamente reclamar de perseguição ao invés de entrar no debate.
André Kenji em dezembro 12, 2007 9:56 AM
#7
Idelber, o PFL posando de DEM inspiraria Tim Maia a refazer a célebre frase:
"O Brasil é o único país em que puta goza, traficante é viciado, cafetão sente ciúme, pobre é de direita e o PFL é Democratas”.
Serbão em dezembro 12, 2007 11:29 AM
#8
André - Concordo. Acredito também que falta aos liberais tupiniquins uma coisa que os de esquerda fazem muito bem: comunicação com as massas. Sei que muitas das teorias liberias, principalmente econômicas não são tão acessíveis - é muito mais fácil para a esquerda dizer que o Estado é o responsável pelo bem estar de todos - ao ponto de ser uma comunicação fácil.
Mas também entendo que o espaço destinado aos liberais é muito pequeno.
Entretanto concordo contigo, falta mais os liberais perderem um pouco da impáfia e dar a cara a tapa. Argumentos possuímos de montão.
Pablo Vilarnovo em dezembro 12, 2007 11:55 AM
#9
tão patética qto esta reciclagem do PFL é a "metamorfose ambulante" de Lulla enquanto presidente do brasil. quem lembra de Lulla na oposição cuspindo impróperios contra a CPMF, contra os banqueiros, contra a política econômica de FHC, contra Sarney, contra Delfim Netto, contra Collor etc etc etc, e vê agora Lulla ao lado e defendendo tudo aquilo a q se opunha. todo político brasileiro é safado e não entenda isso com uma visão anarquista. Lulla, DEM, PFL, PSDB, PC do B, PMDB, PPS, PTB e todos os outros partidos são um bando de PICARETAS.
Idelber, vc é muito partidário do lullo-petismo e não venha justificar a metamorfose dos seus líderes com aquele papo manjado de perguntar se eu já li maquiavel, ok, meu caro?
Lulla e o PT nada mais são q o Sarney eo PFL/PMDB vestidos de vermelho. são a mesma MERDA....
foca em dezembro 12, 2007 12:00 PM
#10
Em uma coisa o foca tem razão: essa "reciclagem" do PFL/DEM em nada difere do "refundamento" do PT, que aliás, pelos dos finalistas na eleição do partido foi devidamente afundada.
Pablo Vilarnovo em dezembro 12, 2007 12:04 PM
#11
Idelber,
Ser "liberal" no Brasil é mero discurso. E não só na política. Qualquer empresário brasileiro usa estes termos (muitas vezes sem saber do que está falando) na hora de reestruturar a sua empresa, mas quando falam que agora terá concorrentes ele se agarra nas idéias do protecionismo.
Abraços!
Márcio Pimenta em dezembro 12, 2007 12:06 PM
#12
Márcio - Outro comentário certíssimo. Esse problema é identificado por Alberto Vargas Llosa como sendo um dos motivos do atraso Latino Americano, a saber:
a)corporativismo (as leis não tratam de indivíduos, mas de grupos, determinados pela sua função no processo econômico);
b)Mercantilismo estatal (o Estado não é uma entidade neutra que existe para a conveniência dos governados, mas um ente onipotente que exige da sociedade que ela trabalhe para mantê-lo);
c)Privilégio (a única forma de ascenção social e enriquecimento é a obtenção de favores e benefícios especiais do Estado, normalmente concedidos a corporações específicas);
d)Transferência de renda (o Estado atua como redistribuidor compulsório de renda, tirando de certas corporações para dar a outras que momentaneamente estejam em suas graças); e
e)Lei política (a lei existe de acordo com a conveniência dos governantes, e não como princípios gerais válidos para todos; a prática de legislar em causa própria não é a exceção, mas a regra).
Pablo Vilarnovo em dezembro 12, 2007 12:17 PM
#13
Idelber,
Eu concordo com quase tudo do que você escreveu. Acho apenas que a sua caracterização do período 1994 a 2002 é um pouco forte demais - houve muitos problemas econômicos, mas também avanços importantes, como a estabilização, a privatização (que o PSDB não tem coragem de defender, mas tudo bem) e a consolidação da democracia. Mas, quanto ao Democratas, é exatamente o que você escreveu. Se a direita brasileira séria quer ser respeitada de fato, não pode apostar num partido formado em grande parte por sujeitos que fizeram carreira na ditadura. Como é que um sujeito como Jorge Bornhausen, que se fez politicamente na época dos governos militares, pode acusar alguém de ser autoritário? Mas nem tudo está perdido. Acabei de ler que o Aguinaldo Azevedo (copyright do Hermenauta) vai colocar a Juliana Knust mostrando os peitos em Duas caras, a novela que mudará a história brasileira. É rir para não chorar
Um abraço,
Marcos
Marcos Matamoros em dezembro 12, 2007 12:38 PM
#14
olá a todos:
o dia por aqui está corrido e atarefado, por isso não vou conseguir comentar como eu gostaria.
mas peço licença ao Idelber para lincar um post q eu escrevi há um tempo atrás, sobre o mesmo assunto (PFL, DEM, liberais e democratas, etc.)
abs,
dra em dezembro 12, 2007 2:10 PM
#15
Pablo
O problema dos liberais brasileiros é justamente ficar fazendo competição com a esquerda para ver quem está mais correto(Quando não para ver quem é mais macho) ao invés de defender coisas calcadas na realidade.
Isso fica claro naquele tal de Ordem Livre, o projeto do Cato Institute com brasileiros, se comparado ao original.
Os usuários dos ônibus que servem minha cidade parecem entender melhor o livre-mercado que a maioria dos liberais brasileiros já que dizem que o problema do transporte é a falta de concorrência.
André Kenji em dezembro 12, 2007 4:30 PM
#16
Pessoal, hoje vou pedir licença para não responder os comentários. Tudo bem?
Anda todo mundo concordando mesmo. Sigam o papo aí.
E o Marcos tem razão que peguei pesado com o período FHC. Sim, houve muitos aspectos positivos. Eu vou voltar ao tema, porque se trata de algo que nós, da esquerda, temos que revisar mesmo.
No caso da privatização das teles, é difícil dizer que não deu certo.
Idelber em dezembro 12, 2007 4:52 PM
#17
Ainda permanece para mim o mistério:
Num país cheio de gente como o Pablo Villarnovo e o Marcos Matamoros, por que a direita não tem um partido decente?
Num país onde a grande maioria é a contra o direito ao aborto, a favor do direito ao porte de armas e etcetera?
Digam o que quiser do PT, mas eu me sinto razoavelmente representado por ele. Não é o caso dos meus amigos da direita, que frequentemente expressam a sensação de orfandade partidária.
Idelber em dezembro 12, 2007 4:58 PM
#18
Lá na minha terra, pelo menos na minha época [ai ai, é triste que eu tenho "época" agora], ninguém levava Rodrigo Maia a sério, nem a esquerda, nem direita, nem ninguém. Pros cariocas chega a ser engraçado ver ele chegando em Brasília, todo filhinho de papai e bochechudo, e dando uma de líder partidário e talz, quando back home ele não tem moral alguma. Eu não me sinto representado por nenhum partido,mas me sinto representado pelos meus representantes, ou pelo menos, sentia, quando eu ainda os elegia, ai ai. Coloquei em Brasília tanto o Eduardo Paes, direitaço, ex-amigo do Rodriguinho nas noites da Barra, e o Gabeira, sem comentários, e me senti bem representado pelos dois: o Paes bateu no PT sempre que eu bateria, se estivesse lá com um porrete na mão ;], e o Gabeira defendeu com brilho todas as minhas bandeiras mais progressistas...
alex castro em dezembro 12, 2007 5:06 PM
#19
Idelber,
Esse é outro ponto complicado: eu gostaria de um partido liberal em economia, que defendesse a redução do Estado, mas que tivesse bandeiras comportamentais que são o oposto do que prega um partido de direita como o Republicano, nos EUA. Eu sou a favor do direito ao aborto, sou contra a venda de armas, sou a favor da descriminalização da maconha e a favor da união civil homossexual. Ou seja, o negócio é mais difícil ainda do que parece
Um abraço,
Marcos
Marcos Matamoros em dezembro 12, 2007 6:50 PM
#20
idelber
vc diz: "Num país cheio de gente como o Pablo Villarnovo e o Marcos Matamoros, por que a direita não tem um partido decente?"
então responde pra galera, qual o partido de esquerda decente nesta bosta do espectro político nesta merda de país? o PT com "vosso" delúbio e aquele cara dos dólares na cueca? o PCdoB com sua visão albanesa?
menas, idelber, menas. vc pode fazer de trouxa esses seus jovens alunos universOtários q usam camiseta de che guevara... mas esse seu papo ideológico e partidário já era há muito muito muito tempo. ADEUS LÊNIN...
foca em dezembro 12, 2007 7:17 PM
#21
Pode assinar o nome verdadeiro, foca, aqui não é Reinaldo Azevedo não.
Dou aula nos EUA há 18 anos. Nunca vi uma camisa de Che Guevara.
Idelber em dezembro 12, 2007 7:41 PM
#22
Idelber,
Considero-me liberal, daqueles que lembram que Adam Smith recomendava a intervenção do Estado para garantir a educação do povo. Se ser liberal é ser de direita ou de esquerda, isso eu não sei.
Concordo com quem disse que não há no Brasil um partido liberal. Mas discordo de boa parte do que você disse. Não pelo que você afirmou das origens do partido, mas por você negar a possibilidade do partido mudar de rumos.
Quando li o artigo do Rodrigo Maia, minha reação foi... "Ah, interessante. Veremos". Nunca votei no PFL, mas ficaria feliz em ter uma opção liberal de verdade.
Vejamos, fui checar, e o Rodrigo Maia tem menos de 40 anos. Na época da ditadura, ele não era nem adolescente. Muitas de minhas implicâncias com o partido sairam ou morreram. O ACM já foi. O Romeu Tuma saiu. A Roseana Sarney também. Outros não saíram, e continuarei implicando com esses. Eles mudaram de nome, estão se afirmando liberais. E pouca coisa? É, mas é algo que eu faria, se eu fosse presidente de um partido que quisesse mudar de verdade.
No final das contas, o artigo do Rodrigo Maia me fez checar o site do democratas. Achei meio chocho, nada demais. Mas me chamou atenção a defesa da economia de mercado, coisa que ninguém faz.
Como eu ficaria feliz em ter um partido liberal de verdade no Brasil, dou um voto de confiança ao partido, que se limita a prestar um pouco mais de atenção ao que eles fazem. O artigo é suficiente para fazer eu mudar de voto? Não. Mas se em três anos eu sentir que eles defendem boas causas, trazem algo novo às discussões, poderia mudar. Posso quebrar a cara e me decepcionar, mas o que me custa prestar um pouco mais de atenção?
Rafael M em dezembro 13, 2007 1:10 AM
#23
Perfeito, Rafael. Aceito o argumento de que os partidos podem mudar de rumo. Mas aí haveria que se contrastar o discurso com a prática e ver se esta condiz com aquela. Observando a lista de projetos apresentados por Rodrigo Maia, é difícil fugir à conclusão de que poucos liberais legítimos os assinariam. Como exemplo, dou o projeto que aumentava os salários dos deputados.
Verdade que ele tem 37 anos e que há outra geração no PFL. Mas a grande maioria das lideranças é a mesma: Bornhausen, Agripino, Marco Maciel, César Borges, Romeu Tuma, Eliseu Resende, Heráclito Fortes. Todos da ditadura.
E ACM morreu mais ou menos. O DEM baiano é carlista até o osso.
Abraços, grato pela leitura (e gostei do seu blog, voltarei mais vezes).
Idelber em dezembro 13, 2007 1:52 AM
#24
É verdade! A Roseana Sarney saiu do DEM (ex-PFL) e foi atuar com todo o seu "liberalismo" no bloco de apoio ao governo. A briosa parlamentar maranhense apresentou-se no Senado em cadeira de rodas, possivelmente não foi atendida pelo SUS mas estava lá para "assegurar" as verbas para a Saúde. Quanto a gestão destes recursos, dela nada se ouviu.
O governo penhorado agradece a atuação da parlamentar maranhense!!
Paulo em dezembro 13, 2007 2:40 AM
#25
o Democratas(recomendo usar a expressão sic sempre neste caso) não pode ser levado a sério. é partido de coroné, herdeiros da estrutura de capitanias hereditárias que colonizou este país.
não há liderança séria entre eles. basta lembrar que seus quadros já tiveram o bispo da Universal com o avião cheio de dinheiro e o comandante da PM que passava adversários na motoserra lá no Acre. Bornhausen, MMM e Celio Borja se entitulavam os 'ministros éticos' do governo Collor. basta lembrar um pouquinho de História, e descartar de vez estes caras do debate. os liberais sérios deveriam era fundar outro partido, sem estas tristes figuras.
Serbão em dezembro 13, 2007 9:38 AM
#26
Excelente! Escreveu tudo que gostaria sobre o assunto.
Com sua licença, vou reproduzir o conteúdo, com menção, no meu blog.
Moysés Neto em dezembro 13, 2007 10:29 AM
#27
Idelber, mais uma vez, excelente e preciso.
Má-fé é o melhor dos termos para classificar o artigo. É um espetáculo de cara-de-pau do começo ao fim.
Bem, um partido que apoiou autoritarismos, desmandos, totalitarismo, mortes e perseguições, lutando pela sua permanência no poder durante todo o tempo e com quadros por onde passaram ACM, Bornhausen, José Agripino, Amazonino Mendes e etcétaras, se passar por representante da democracia, do liberalismo (o de ideal nobre, com transferência de renda e defesa do princípio da mobilidade social e não aquele apenas voltado ao capital) e dos direitos individuais, chega a ser piada. Melhor exemplo da defesa de tão nobre bandeira poderia ter sido dada pelo senador João Ribeiro, antes, é claro, de ter que pagar multa por exploração de trabalho escravo em uma de suas fazendas.
Sim, o oposto, o PT, decepcionou a todos mas, da mesma forma, não acredito que o passado do PFL (não consigo me acostumar a escrever Democratas, porque são justamente o oposto) deva ser ignorado e esquecido por ser "passado". As cabeças do partido são as mesmas e este tipo de mentalidade não se muda depois de velho.
A propósito, esqueceste o governador do DF entre os "espaços" que o DEM tem ocupado. Não que seja um cargo de grande destaque, enfim...
Gabriel Ramalho em dezembro 14, 2007 9:50 AM
#28
Nossa... se é para entrar de carrinho, que seja com os dois pés... Mto bom, Idelber.
Ulisses Adirt em dezembro 14, 2007 2:34 PM
#29
Idelber,
No comentário "16" você disse que "no caso da privatização das teles, é difícil dizer que não deu certo".
O processo de privatização das teles foi mais um episódio de utilização de dinheiro público no governo FHC para favorecer interesses privados .
Esqueceu o escândalo da pasta rosa? A utilização de recursos de fundos de previdência de servidores de estatais na negociata?
Mediante a afirmação de que o Estado é incompetente, muita gente ficou bilionária com dinheiro público!
Todos os avanços tecnológicos alcançados após a privatização do sistema de telefonia foram financiados com dinheiro público. Logo, também seriam obtidos se houvesse a manutenção do controle acionário estatal das companhias, como previsto originalmente no art. 21, XI, da CF, antes da EC 8/95.
Além disso, até hoje verificam-se pendengas judiciais e policiais entre os envolvidos na privatização das teles, o que demonstra que o negócio não foi tão correto assim.
Por outro lado, todos se queixam da inexistência de partidos políticos com coerência programárica e ideológica no País.
Sem reforma política (com financiamento público de campanha, voto em partidos e não em candidatos e correção da proporcionalidade eleitoral) jamais haverá.
Vivemos uma democracia esdrúxula que permite a uma câmara (o Senado), com 80 e poucos representantes, derrubar a decisão de outra (a Câmara Federal), com mais de 500 representantes.
Matérias relevântes, como a prorrogação da CPMF necessariamente teriam de ser submetidas a referendo popular, como, por exemplo, ocorre no país comandado pelo "ditador" Chávez.
Por fim, penso que jamais nossa democracia avançará se permanecer no País o oligopólio dos meios de comunicação. No Brasil há liberdade de circulação de capitais, mas não há liberdade de circulação de idéias.
Saudações democráticas.
Ricardo Petrucci Souto em dezembro 15, 2007 8:59 AM
#30
Concordo em número ,gênero e grau.O PFL não é um partido político e sim o braço político da máfia brasileira.São todos corruptos sem excessão.Não há crime neste país que não tenha origem entre pessoas dessa associação.No Brasil não há partidos liberais,isso é coisa de país desenvolvido.Eles são é um bando da vagabundos vigaristas,isso sim.Parabéns Idelber!
Thales Valença em fevereiro 13, 2008 3:00 PM