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terça-feira, 18 de dezembro 2007

Transpiauí, Uma peregrinação proctológica, de Mr. Manson

tpmm.jpg Acho que a última vez que eu dei tanta risada assim foi quando o goleiro do ex-Ipiranga buscou duas bolas dentro do gol de uma só vez. Acabei de ler – numa sentada – o Transpiauí: Uma Peregrinação Proctológica, o livro que relata a viagem do Mr. Manson, do Cocadaboa, ao Piauí. Publicado em 2004 pela editora Churros e já esgotado há tempos, o livro está disponível na íntegra na internet desde o mês passado (sem as fotos, que respondem por boa parte do escândalo que o livro causou). Recomendo. Mas recomendo mesmo.

Já nem sei como cheguei ao livro. O fato é que depois de dois parágrafos não consegui mais parar: uma odisséia numa “estrada” esburacada, uma incrível pegadinha no meio do deserto, um quebra-pau entre um travesti e as mulheres do ônibus. Daí em adiante a coisa só melhora, ou seja, piora. Há até informações históricas e geográficas sobre o Piauí que você nunca imaginou que fosse aprender.

Parece que, por causa das piadas, o livro despertou a fúria de muitos piauienses. Foi tema de programa de televisão no Piauí e tudo mais. Já até imagino os emails que o Mr. Manson deve ter recebido. Claro que os relatos de viagem, desde que o mundo é mundo, ofendem uma parte dos nativos. É da vida. Ninguém chega com um olhar de fora sem incomodar um pouquinho. Se é um livro de humor, bom, é inevitável. Os ofendidos se ofenderão. Neste caso, a única coisa que posso dizer é: leia o livro inteiro, não os trechinhos pinçados por alguém que tenta pintar o autor como um preconceituoso (puxa, o sujeito encara uma viagem dessas e ainda falam de pré-conceito?). A leitura é coisa de duas horas. Se depois de ler o livro, você ainda estiver ofendido, aí é porque você não tem jeito mesmo.

Parabéns aí, Mr. Manson. Livraço.



  Escrito por Idelber às 05:53 | link para este post | Comentários (11)


Comentários

#1

Nada a ver com o post, mas olha que interessante uma notícia da UOL e da Folha On Line... http://trpz.org/2007/12/18/evidencia-de-incompetencia/

Rafael M em dezembro 18, 2007 4:30 PM


#2

Nossa, to mega curioso pra ler agora... eu to imaginando uma coisa meio Borat brasileiro. (E a mesma polêmica do Borat talvez... mas eu ainda não li pra dizer!)

Klein em dezembro 18, 2007 4:36 PM


#3

Rafael, bacaníssimo o trabalho que você fez de esmiuçar aqueles valores. E eu havia acabado de ler a notícia no UOL, também achando meio estranho....

Klein, acho que você ia adorar. É um Borat mesmo, com a gozação menos política, talvez, mas naquele estilão. Vale a pena, é coisa de uma sentada :-)

Idelber em dezembro 18, 2007 5:07 PM


#4

Pra entender a posição dos piauienses indignados é preciso tentar colocar-se na posição deles. No caso em questão, o que temos é alguém do sudeste falando para pessoas do sudeste sobre outra região comumente desmerecida por pessoas do sudeste a partir de jogos com a descrição "cu do mundo". E que tal se alguém de outra região que comumente desmerece a América Latina escrevesse para seus conterrâneos sobre o "cu do mundo" do sudeste, evidenciado pelo forte odor de merda do Tietê e do Pinheiros? O que os "piauienses" em questão achariam disso? Seria divertido? Seria informativo? Talvez sim, talvez não, mas acho importante colocar-se na posição dos outros.

César em dezembro 19, 2007 10:45 AM


#5

Eu entendo, César. Se esse hipotético gringo fizesse isso, eu seria dos primeiros a criticar. Mas no caso do livro do Mr. Manson, a expressão "cu-do-mundo" aparece pouquíssimas vezes (4 ou 5), em geral aludindo a usos anteriores do termo, e no meio de um longo texto que também inclui trechos como:

Fui a um restaurante a quilo e depois, para a sobremesa, passei numa sorveteria para experimentar os altamente recomendados sorvetes de cajá e bacuri. Nunca tinha ouvido falar nessas frutas, aí estava a graça. Eu nem quero descobrir com o que um cajá se parece em sua forma natural, pois isso poderia estragar o fetiche em torno dessa fruta tão saborosa. Mas posso afirmar que o sorvete de cajá é uma das melhores invenções gastronômicas da humanidade.

Daí minha insistência de que é importante ler o livro todo. Porque as piadas estão num contexto, e a maioria delas não têm nada de ofensiva. Abraços,

Idelber em dezembro 19, 2007 11:11 AM


#6

Ypiranga é o clube, Ipiranga, o bairro.
Uma dia o Ypiranga voltará

El Chavo del Ocho em dezembro 19, 2007 1:00 PM


#7

hehehe, caro Chavo, eu não me referia ao bicampeão baiano de 1928-29, mas àquele time mineiro que em 1942 se chamou Ipiranga...

Idelber em dezembro 19, 2007 1:27 PM


#8

Idélber, acho que o Chavo se referia ao antigo Ypiranga de São Paulo, do bairro do Ipiranga, não?

Pedro Alcântara em dezembro 19, 2007 4:24 PM


#9

Ah, entendi, Pedro. Achei que ele estava pensando no Ypiranga da Bahia. Mas desenterrou mais longe ainda, hein? O Ypiranga de São Paulo já desapareceu há um bom tempo, né? Ou existe ainda?

Idelber em dezembro 19, 2007 4:29 PM


#10

Valeu a dica Idelber!

Abraços.

Márcio Pimenta em dezembro 20, 2007 12:22 PM


#11

Tive um namorico de portão com um piauiense, da família "do Rego Monteiro". Ué, o Torquato não era um gênio e era do Piauí? Isso tudo é bobagem. A Rita Lee cansou de declarar que o rio paulistano é um rio de cocô. O Piauí foi a piada que hoje é o Acre. Los Angeles é alvo de piada do Woody Allen mas tudo isso é bobagem.

Vou baixar sim, principalmente porque fiquei curiosa, respeito suas recomendações e o download é grátis. As vacas estão macérrimas na Grande Los Angeles.

Valeu, Professor Avelar e boas festas se eu não voltar antes.

tina oiticica harris em dezembro 20, 2007 5:18 PM