« Joguinho político ::
Pag. Principal
:: Virada de Hillary »
terça-feira, 08 de janeiro 2008
Eleições americanas: um ABC
Está precisando de informação sobre as eleições americanas? Não sabe – a exemplo de Reinaldo Azevedo – o que Barack Obama pensa sobre a guerra do Iraque? Está sem paciência de ler programas políticos? O Biscoito oferece o ABC das eleições americanas em pílulas rápidas e indolores. É só imaginar que se trata de uma eleição para o grêmio estudantil. Vamos lá.
Hillary Clinton: É a sabichona que se senta na primeira fila e só tira nota 10. Conhece melhor que qualquer um o funcionamento da escola. É a que mais terá elementos para negociar com a diretora, os professores e os funcionários. Mas por ser mulher e sabida, despertou a ira dos brutamontes da última fila. Tendo que demonstrar que é durona, foi aos poucos adotando as suas táticas. Resultado: metade quer esmagá-la por ser petulante, enquanto a outra metade suspeita que ela se transformou num dos brutamontes que a atormentavam. Perdeu a base que tinha e não foi aceita entre os verdugos.
Mitt Romney: É o candidato da diretora. Com mais grana que todos os outros, é filho do prefeito, a quem a diretora deve favores. Tem toda a máquina a seu favor, mas precisamente por isso não consegue deslanchar, pois o grêmio não vai muito bem das pernas. Veste-se melhor que os demais, mas numa escola onde tantos andam com roupas rasgadas, isso começa a contar contra ele. Tem modos. Esbanja tanta elegância, contatos e dinheiro que sua substância – se é que a possui – já ficou perdida no meio dos assessórios.
Rudy Giuliani: É o zero à esquerda que um dia teve a fortuna de estar passeando à beira do lago enquanto uma garota se afogava. Teve a sorte de salvá-la, o que lhe rendeu fama. Deu o azar de que a eleição para o grêmio aconteceu anos depois do quase afogamento da garota. Se ela tivesse ocorrido logo depois, teria sido barbada. Como passou o seu momento, só consegue ficar repetindo: eu salvei a garota, eu salvei a garota.
John Edwards: É o bonitinho da sala, que conta, além do mais, com a fama de proteger os mais fracos contra os brutamontes que lhes roubam o lanche. Vive dessa fama. Seu problema é que os pirralhos vão crescendo e perdendo a memória da época em que apanhavam dos grandes. Se os sacos-de-pancadas compusessem 50% do alunado em condições de votar, sua eleição seria barbada. Mas entre os verdugos e as vítimas há uma vasta camada média com a qual ele tem dificuldade de se comunicar. Vive nesse dilema.
Mike Huckabee: É o pobretão que entrou com bolsa. Com jaqueta maior que seu talhe – provavelmente herdada do irmão --, ele inicialmente espanta os outros pela rudeza. Não sabe usar talheres, diz nóis foi ao invés de nós fomos e começa a cativar exatamente por isso. É daquele grupo de alunos comuns aos quais os candidatos a presidente do grêmio sempre apelam na hora do voto, e dos quais depois se esquecem. Desta vez, um deles resolveu pleitear candidatura, e justo na cabeça-de-chapa apoiada pela diretora que, obviamente, está em pânico.
Dennis Kucinich: É aquele que diz o que a maioria dos alunos quer ouvir – quando lhe permitem falar, claro. Nada de negociações escusas com a diretora, nada de tramóias com funcionários para prejudicar outros alunos, nada de puxa-saquismo aos professores. Parece bom demais para ser verdade, o que acaba sendo profecia auto-realizada. Uma parte dos alunos pensa que a maioria jamais votaria em alguém tão bom, e a outra parte pensa que mesmo se votassem, a diretora não permitiria sua posse. Vive nessa tragédia.
John McCain: É da turma da diretora, mas também com trânsito entre os alunos. Tem fama de razoável e ponderado. Aliás, é o único que circula em todos os bandos: entre os puxa-saco da diretora, os marginais, os CDF's, os desportistas e até os maconheiros. Todos o respeitam e lhe têm algum afeto, mas ninguém confia 100% nele. É oficialista demais para os da última fila, puxa-saco demais para os desportistas, certinho demais para os maconheiros e doidão demais para os CDFs. É mais ou menos como o América-RJ ou a Portuguesa-SP: o segundo time de todo mundo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, não teria nenhuma chance. Mas como a chapa da diretora anda muito fraturada, pode acabar levando.
Barack Obama? Esse é o aluno que vem de fora, com outra experiência. Alto, bonito, excelente orador, cativa as mulheres sem provocar ressentimento nos homens. Parece falar uma língua diferente. Ao ouvi-lo, os alunos começam a acreditar que as fraturas do grêmio serão, quem sabe, superadas. Tem o dom de fazer que as soluções pareçam mais fáceis do que pareciam antes. Até a diretora parece fascinada com ele. Parece ter algo em comum com todos: o conhecimento de Clinton, a autenticidade de Huckabee, a ponderação de McCain, a elegância de Romney, o quase heroísmo de Giuliani, os ideais louváveis de Edwards e Kucinich. Ou talvez não tenha nada disso. Se ganhar, pode provocar uma das transformações mais radicais da história do grêmio. Mas pode também causar um fracasso estrepitoso, levando a parca metade dos alunos que ainda participa do processo a terminar concordando com a outra metade na convicção de que votar nas eleições desse grêmio é, no fundo, uma grande bobagem.
Atualização: vale conferir também os excelentes perfis feitos pelo André Kenji: democratas e republicanos.
Escrito por Idelber às 02:15 | link para este post
| Comentários (80)
Pax em janeiro 8, 2008 6:57 AM
#2
Beleza,não sabia das características de todos os candidatos.
Bem explicado.
Fred Schmidt em janeiro 8, 2008 7:10 AM
#3
Segundo o Iowa Electronic Markets, o Obama tem hoje quase 70% de levar a nominação, versus 25% da Hillary. Do lado republicano as coisas estão mais confusas. McCain tem 40% de chance de levar a nominação, enquanto o Giuliani tem 25%.
As previsões para a eleição em si estão bem mais estáveis. O candidato democrata tem 60% de chance de levar a eleição.
Eu, por mim, votaria Hillary.
Rafael M em janeiro 8, 2008 7:33 AM
#4
Esse vai para a lista dos posts antológicos do Biscoito.
E percebo uma torcida generalizada pelo Obama, aqui e alhures.
Roberson em janeiro 8, 2008 7:50 AM
#5
Boa sacada, Idelber.
Fico pensando como seria interessante uma disputa entre Obama e McCain. Até certo ponto eles são os unicos candidatos que transcendem os próprios partidos e atraem os independentes.
Luiz em janeiro 8, 2008 7:53 AM
Pablo Vilarnovo em janeiro 8, 2008 8:09 AM
#7
É triste ver que a direita cristã está cada dia mais forte e que os americanos não consigam ter nem mesmo candidatos melhores que os nossos.
O início em Iowa foi desastroso para Hillary e Giuliani. Huckabee quem diria. E Idelber, você esqueceu de dizer que Huckabee tem o apoio de ninguém mais, ninguém menos que Chuck Norris!
E no fim do fim, minhas apostas por enquanto caem em John Edwards.
Bia Cardoso em janeiro 8, 2008 8:12 AM
#8
Wow!! Idelber, você explicou direitinho, menino! Que comparações excelentes! E o joguinho de ontem, também achei ótimo, fiz e mandei pro marido, que também adorou. No meu resultado, Kucinich apareceu em primeiro, o que me surpreendeu, mas faz muito sentido. :)
Beijão
Andréa N. em janeiro 8, 2008 8:24 AM
#9
Ola,
Só não concordo com o OBAMA ser considerado bonito...
Ele tem uma cara muito comum por sinal...
Bonita mesmo é a HILLARY, com aquela maturidade e a lembrança da calcinha amarela(?), branca(?), em visita ao Brasil, anos atrás...
De La Silva em janeiro 8, 2008 8:33 AM
#10
vIM AQUI POR UMA INDICAÇÃO NO PEDRO DORIA E AMEI. PARABENS! MT BEM ESCRITO, CLARO E DIDÁTICO.
Carol em janeiro 8, 2008 8:39 AM
#11
Idelber
Desconfio que ninguém saiba direito o que Obama pensa de política externa. No NYT ele fala uma coisa, na AIPAC outra. Assim fica difícl.
André Kenji em janeiro 8, 2008 9:53 AM
#12
será barack o collor?
alex castro em janeiro 8, 2008 9:59 AM
#13
Muito bom, parabéns! Abraço.
Sérgio Inácio em janeiro 8, 2008 10:03 AM
#14
Não sei por quê, mas estou torcendo para a disputa entre os candidatos não oficiais que, aos poucos, vão derrubando os candidatos oficiais. Torço por Obama, por ser um negro. Talvez ele não faça nenhuma mudança como o autor do blog diz, mais ele já está derrotando a elite WASP por ser um negro. Hillary e Giuliano são representantes dos mesmos, da continuidade 100% do que foi os EUA nos últimos 20 anos: um país prepotente, militarista e arrogante. Nesse tempo todo, ser republicano e ser democrata pareceu um sinônimo comum, sem muitas diferenças, ou seja, os dois lados representam os mesmos intereses do grande capital.
Luís Carlos em janeiro 8, 2008 10:18 AM
#15
idelber, o nome de cada candidato vem seguido de dois pontos.
o último, o obama, está com uma interrogação.
foi só um erro de digitação, um ato falho ou provocação mesmo?
'bração.
marcelo bicarato em janeiro 8, 2008 10:25 AM
Idelber em janeiro 8, 2008 10:27 AM
marcelo bicarato em janeiro 8, 2008 11:18 AM
#18
Ufa, agora eu entendi!
Kelly H em janeiro 8, 2008 11:20 AM
alexandre r. em janeiro 8, 2008 11:49 AM
#20
E aí, Idelber, beleza?
Muito boas as definições dos candidatos.
Porém, nas questões eleitorais, continuo seguindo os ensinamentos do Lunático Ken: "Se votar mudasse alguma coisa, ELES já teriam acabado com isso".
Abraços.
Franciel em janeiro 8, 2008 11:56 AM
#21
Idelber, vc como professor escolheria quem para lhe representar? :)
Gean Oliveira em janeiro 8, 2008 12:05 PM
#22
Gean: Kucinich. Mas é aquela história descrita acima. Tanta gente acha que ele não chance que ele acaba nunca tendo mesmo.
Na falta de Kucinich, Obama :-)
Idelber em janeiro 8, 2008 12:09 PM
#23
André: qualquer um esconde o que pensa na AIPAC, meu caro. Aquilo não é brincadeira. Fuzilam antes e pensam depois.
O fenômeno Obama é tão único que se mede pela própria busca de paralelos. Para o Alex, Collor. Para o Pablo, Lula. Nenhum dos dois deixa de ter algo de razão.
Bia, não só tem apoio do Chuck Norris. O Norris é o primeiro a aparecer atrás dele em qualquer foto de comício. In-crí-vel. Para quem quiser conhecer melhor o Huck, há um excelente texto num blogs do NYT.
Idelber em janeiro 8, 2008 12:48 PM
#24
Idelber - Fiquei na dúvida. Seus comentários sobre Giuliani dão conta que sua visibilidade se deu por conta de suas atitives no ataque de 11/09.
Isso é verdade? Se positivo, sua atuação como prefeito de NY não conta? Pelo que consta ele se deu muito bem lá. E olha que é um Republicano em uma cidade bem Democrata.
Aliás isso já é um fato a ser considerado...
Pablo Vilarnovo em janeiro 8, 2008 12:50 PM
#25
Deveriamos estár preocupado (só um pouquinho), com qual candidato seria melhor para negociar com o governo brasileiro no futuro.
Ainda acho que Hillary, seria a melhor de todos os apresentados. Ou não!
Renato Gonçalves em janeiro 8, 2008 12:51 PM
#26
Idelber - Vou justificar porque comparo Obama com Lula.
Por exemplo, vou usar um comentário de alguém que postou aqui:
"Torço por Obama, por ser um negro. Talvez ele não faça nenhuma mudança como o autor do blog diz, mais ele já está derrotando a elite WASP por ser um negro."
Ninguém está muito interessado no que o Obama fará e ele sabe muito bem disso tanto que faz questão de não falar muito.
Nada em seu discurso é muito claro. Tudo é dúbio, sem objetividade. Ele surfa na onda do politicamente correto. Obama é quase que uma "desculpa" pelas merdas que o Bush fez.
Se ele é preparado ou não, se tem condição de fazer um bom governo não importa muito. O que importa é que ele é "politicamente correto".
Assim como Lula. Ninguém queria saber se ele tinha praparo ou não. Mas é nordestino e foi pobre. Um "homem do povo".
O mais engraçado é que todos comentam, com grande razão, que Clinton fez um bom governo. Mas tem ódio de Hilary porque dizem que ela seria "continuidade". De que? De Bush ou Bill?
Hilary é infinitamente mais preparada que Obama, mas não é popularesca como Obama.
Um é negro e foi criado em uma madrassa.
A outra é loira com olhos azuis.
Pablo Vilarnovo em janeiro 8, 2008 1:00 PM
#27
Pelo jeito, estão sugerindo que o Obama faça uma "Carta aos Norte-americanos" para desfazer as ambiguidades das idéias e dar mais objetividade. Seria a "brazilianation" da política dos Estados Unidos. Será que vão querer que ele, Obama, faça superávit primário de 4,25% do PIB? Outros o compararam a Lula e Collor (!), ou seja, entrou para a turma dos "novos bárbaros". Daqui um pouco, vão dizer que ele está tramando uma aliança com Hugo Chavez e o presidente do Irã. Melhor: Obama com chifres de capeta na capa da "Veja". Ou então, uma atriz de Hollywood num comercial da Hillary Clinton ou de um dos republicanos: "Eu tenho medo do Obama".
enio em janeiro 8, 2008 1:38 PM
#28
enio - Quem está sugerindo isso??
Pablo Vilarnovo em janeiro 8, 2008 1:46 PM
#29
Parece que faltaram as tags:
[irony mode on]
e depois
[irony mode off]
Idelber em janeiro 8, 2008 1:52 PM
#30
Hillary = Marta
P.S Única diferença. No caso da primeira, quem relaxa e goza é o marido.
Franciel em janeiro 8, 2008 1:55 PM
#31
Não acho que houve ironia... mas tudo bem.
Pablo Vilarnovo em janeiro 8, 2008 1:59 PM
#32
hohoho, desde a volta à primeirona sua verve anda afiada, hein, caro Franciel?
Idelber em janeiro 8, 2008 2:29 PM
#33
Idelber,
você já viu a tabela?
Para nossa felicidade, vou começar batendo no ex-ipiranga.
Franciel em janeiro 8, 2008 2:46 PM
#34
Boa malha!
só há umas quantas coisas que eu não percebo, por exemplo: "deslanchar", "grêmio estudantil" (comissão de estudantes, será?), "barbada", "CDF", "chapa fracturada?".
desculpe, falar linguas estrangeiras não é facil :))))pode elucidar-me?
cristina em janeiro 8, 2008 3:00 PM
#35
Pablo
Não sei se Obama investe em uma imagem de homem do povo. Ela fala certinho, não improvisa tanto e de uma forma meio tímida. É que perto da Hillary e do Edwards até o Luciano Huck fica parecendo gente do povo.
André Kenji em janeiro 8, 2008 3:13 PM
#36
Idelber, nem Lula nem Collor, Obama é Gary Hart. E Hillary é Walter Mondale. ;-)
Mas eu me preocupo com a ambiguidade de Obama sim. Ainda mais com relação à sua posição ao Iraque.
André Kenji em janeiro 8, 2008 3:21 PM
#37
Idelber, muito bom. Fiquei curioso em saber em que você votaria
PS: Enio, eu fiz um post em que comento as suas referências sempre elogiosas à nossa especialidade, a tortura de números
Um abraço,
Marcos
Marcos Matamoros em janeiro 8, 2008 3:32 PM
#38
Ambigüidade mesmo é entrar num país, bombardeá-lo até o fim e ainda dizer que tudo foi feito para instalar a democracia.
enio em janeiro 8, 2008 3:41 PM
André Kenji em janeiro 8, 2008 3:55 PM
#40
Cristina, minha cara, traduzindo em português lusitano:
"deslanchar" é tomar fôlego, ganhar alento.
"grêmio estudantil" é a entidade que representa os estudantes. Como se chama aí em Portugal?
"CDF" é uma gíria brasileira. Significa "cu de ferro". São os alunos que só estudam, levam tudo a sério. Também conhecidos como "Caxias".
"chapa" é a coalizão eleitoral.
Expliquei bem?
Idelber em janeiro 8, 2008 3:59 PM
#41
Achei fraca a análise do Taylor, André. Seria fácil pinçar declarações como aquelas de qualquer candidato, até do Kucinich.
O que não quer dizer que eu esteja no trem-da-alegria do Obama sem um pé de atrás, sublinhe-se.
Idelber em janeiro 8, 2008 4:06 PM
#42
Genial, Idelber. Finalmente entendi essas prévias americanas.
träsel em janeiro 8, 2008 4:20 PM
#43
Porém, não estaria faltando o Ron Paul?
träsel em janeiro 8, 2008 4:21 PM
#44
Valeu, Träsel. Verdade, falha nossa, faltou o Ron Paul. É que aquele maluco desafia qualquer metáfora.
Alguém aí se habilita? André?
Como definir um cara que é capaz de criticar a guerra do Iraque desde o começo (no Partido Republicano!), defender liberação da maconha (nos EUA!) e ao mesmo tempo defender que os hospitais entreguem imigrante ilegal para a polícia? Figura única.
Aí vai um perfil do cabra.
Idelber em janeiro 8, 2008 4:37 PM
#45
Quando o assunto é política internacional, prefiro recorrer a José Luis Fiori, um brasileiro que vem aprofundando nos últimos 15 anos os estudos sobre a globalização e poder global.
No dia 7 de novembro passado, saiu esse trecho num artigo dele para o jornal Valor Econômico:
"Basta analisar os programas dos principais candidatos democratas e republicanos (os programas de política externa dos candidatos presidenciáveis americanos, Barack Obama, Mitt Romney, Rudolph Giuliani, John Edwards, Hillary Clinton e John McCain, publicados na Revista Foreign Affairs dos meses julho/agosto 2008, setembro/outubro 2007 e novembro/dezembro 2007, respectivamente) às eleições presidenciais de 2008 para perceber que a "velha" estratégia imperial se mantém de pé, integralmente. Até agora, todos os candidatos se propõem a reconstruir a liderança mundial dos Estados Unidos e sua imagem ética abalada pela Guerra do Iraque, e todos defendem a necessidade de uma diplomacia multilateralista. Mas, ao mesmo tempo, todos propõem aumentar os gastos militares, expandir os contingentes e multiplicar os investimentos em pesquisa e inovações tecnológicas para uso em "guerras assimétricas". E o que é mais interessante: quase todos os candidatos propõem a criação de "corpos", brigadas ou agências civis encarregadas de reconstruir e administrar os territórios e os governos incorporados ou atingidos pelo poder americano ao redor do mundo. Uma proposta que lembra muito as instituições e os servidores encarregados de administrar o império britânico: os "imperial builders", da rainha Vitória."
Em suma: todos os candidatos defendem a volta da imagem ética da liderança dos Estados Unidos, mas essa volta é na base do investimento militar. A ambiguidade, portanto, não é um traço só do Obama.
enio em janeiro 8, 2008 4:39 PM
#46
Marcos, eu sempre fui Kucinich, desde a eleição passada. Estou com Obama, na base do voto útil.
Idelber em janeiro 8, 2008 4:42 PM
#47
ah, como assim falar Barack o Collor, por favor! q comparação absurda.
não acho que o Obama muda de idéia a cada sentada de entrevista...ela coloca bem claro o que ele quer.
Acho que pior é a HIllary qdo perguntam: "vc vai trazer as tropas do Iraque"? e ela responde "farei o possível"...que presidente é essa que fará o "possível"?
e porque será que ela foi a única a votar na emenda q deu justamente poderes pra que o Bush mantenha as tropas conforme "achar necessário"?
Gt, ela bateu o pé no debate da MSNBC que há armas nucleares no Iraque! Em que mundo ela está?
O Obama tem problemas, mas defender a Hillary, é foda.
juliana em janeiro 8, 2008 5:00 PM
#48
Idelber
muito obrigada pela gentileza, aqui temos Associações de Estudantes ;)
vou mostrar aos blogueiros portugueses a sua avaliação dos candidatos, acredito que você não se importe e acho que vão gostar :)
1 beijo
Cristina em janeiro 8, 2008 5:10 PM
#49
Muito bom esse texto...inteligente e bem-humorado ao mesmo tempo. Realmente, Obama (que é o candidato que eu simpatizo e espero que seja eleito) é apostar na renovação, numa tentativa de mudança.Isso pode dar certo e pode ser um desastre, mas entre essa dúvida e a certeza de que os EUA estão caminhando para um desastre completo com a atual liderança política, os norte-americanos irão eleger a dúvida. Obama está subindo cada vez mais nas pesquisas porque os norte-americanos estão cansados dos 'mesmos' (Clinton, Bush, Giuliani, McCain, Romney, são todas raposas velhas da política norte-americana) e querem mudar o país, como demonstrou pesquisa da CNN, onde quase 70% dos pesquisados indicaram que preferem um candidato que defenda mudanças.
Marcos em janeiro 8, 2008 5:19 PM
#50
Muito bom de ler esse texto, as eleições americanas são sempre uma chatice daqui do Brasil.
Quer dizer que o Kucinich aqui seria o Cristovam Buarque? Era hilário na última eleição para presidente: ele falava nos debates e todos os outros candidatos concordavam com ele, porque não tinha como discordar do que ele defendia. Depois, os outros começavam a se engalfinhar e deixavam ele de lado, que nem aquele pequeno que os grandes não deixam brincar junto para não se machucar.
Cássio em janeiro 8, 2008 5:22 PM
#51
Claro, circule o link à vontade, Cristina. Eu é que agradeço a gentileza da citação.
Esqueci-me de completar: "barbada" significa "fácil", um jogo já ganho de antemão.
Marcos e juliana: concordo em gênero, número e grau.
Idelber em janeiro 8, 2008 5:22 PM
#52
Saindo dos temas "americans".
(Cutucado pelo pessoal da "Ivory Tower", digo: a frase "torturem os números que eles falam" é do Delfim Netto, e não minha. Tempos atrás, ele confessou que manipulava os números da inflação durante a ditadura militar para segurar a onda. Coisa de inteligente. Também um safado confesso, Delfim se diverte em seus artigos atuais com várias piadas para ridiculizar a turma jovem que usa e abusa dos números. Inclusive, um darling da direita brasileira, Pérsio Arida (um dos pais do idolatrado Palno Real), escreveu há muitos anos um "paper" sobre retórica na economia. Idelber, você não acreditará, mas o Arida chega a citar Paul de Man nesse "papelzinho"!)
enio em janeiro 8, 2008 5:34 PM
#53
Vi alguns comentários aqui dizendo que Obama seria ambíguo em relação à Guerra do Iraque. Mas, já vi inúmeras afirmações dele dizendo que irá chamar todas as tropas norte-americanas de volta num prazo de 16 meses. E ele também afirma que irá fechar a base naval, e de torturas (principalmente de torturas) de Guantánamo e iniciar um diálogo com países que, hoje, são tidos como inimigos dos EUA (Síria, Irã, Venezuela) e que irá trabalhar junto com a comunidade internacional para encontrar soluções a respeito de questões como o aquecimento global, o terrorismo, as doenças e a pobreza. Então, para mim, não parece que Obama seja ambíguo, não.
Marcos em janeiro 8, 2008 5:45 PM
#54
:D
Pena que eu nunca gostei dessas coisas de eleição de grêmio. Mas o mais triste ainda é saber que o Kucinich parece não ter muitas chances. Pena mesmo, porque ele é o que eu mais gostei das propostas. Mas acho que ele é liberal demais para os padrões americanos.
Bibi em janeiro 8, 2008 7:03 PM
#55
Continuo achando que "Ron Paul" é nome de travesti. :)
Hermenauta em janeiro 8, 2008 8:54 PM
#56
Faltou justiça com o Giuliani. Realmente ele salvou a garota do afogamento, mas antes disso reformou a escola (ou a sala de aula, dependendo da metáfora...) e, quando monitor do corredor, enquadrou os alunos mal-elementos, que traficavam droga ao invés de estudar.
Tá certo que é aquele CDF-quatro-olhos para quem tudo tem que ser exatamente do jeitinho que ele quer, mas não vamos também tirar os seus méritos...
Marcelo Camanho em janeiro 8, 2008 9:58 PM
#57
hohoho, muito boa Marcelo. Adendo na mosca :-)
Idelber em janeiro 8, 2008 10:49 PM
#58
Idelber
Paul não é um republicano a rigor, ele tem mais relações com gente do Partido Libertário. Acho que tenho visto mais gente de esquerda elogiar o cara que gente do Partido Republicano. Eu acho sua posição com relação à imigração horrível, mas ele é talvez a voz mais firme contra a guerra entre os candidatos, ainda mais considerando que Kucinich anda meio escondido e Gravel parece limitado pela idade.
Fiz um perfil de Paul junto com TODOS os outros candidatos republicanos.
http://www.andrekenji.com.br/weblog/?p=1857
E este é o listão dos democratas:
http://www.andrekenji.com.br/weblog/?p=1851
André Kenji em janeiro 9, 2008 1:38 AM
#59
Idelber, na sua preferência, por que Obama e não John Edwards, que parece igualmente ter chances? Outra coisa: os adversários da Hillary não estão explorando o fato de sua vitória seria dar a 2 famílias uma concentração de poder por 24 anos ininterruptos, jamais vista em toda a história democrática mundial? Bush, Clinton, Clinton, Bush, Bush, e agora Clinton de novo? Isso não daria uma bela peça de campanha contra ela? Ou seja, se a maioria do povo americano deseja mudar, que se mude de verdade! Para nós, resto do mundo também. Uma última pergunta: sobre o Protocolo de Kyoto, ninguém até agora prometeu assinar?
Sidarta em janeiro 9, 2008 2:40 AM
#60
Sidarta, ótimas perguntas, vamos lá:
1. Edwards tem, sim, chances (remotas) de conseguir a nomeação. Não tem, nem de longe, as mesmas chances de Obama numa eleição geral contra a máquina republicana. Por razões pessoais, demográficas, mas também por causa de seu discurso.
2. Com certeza, se Hillary for a escolhida, aguarde o uso do argumento "dinastia familiar" contra ela. Na disputa democrata esse argumento não tem sido usado explicitamente -- ele vem embutido nos ataques à "candidata do establishment".
3. Quanto a Kyoto, nenhum dos três se comprometeu explicitamente (é triste dizer, mas qualquer um que o fizesse seria trucidado na eleição geral). O projeto ambiental de Obama, no entanto, me parece bem mais fundamentado. Compare aqui e aqui . Abraços,
Idelber em janeiro 9, 2008 3:02 AM
#61
O Hermenauta deveria levar o Ron Paul mais a sério. Vai lá que tem nome de travesti, mas olha só: ele já tem simpatizantes brasileiros, logo os bravos críticos do lulismo!
Um filhote de Olavo de Carvalho (o Jim Jones dos liberais brasileiros) criou a página http://ronpaulbrazil.wordpress.com/. Ou levamos na piada, ou devemos temer pela integridade física da população brasileira.
A quem acompanha mais as eleições americanas: que história é essa do Huckabee combater a teoria de Darwin? O cara toma fanta uva sem gás e quente.
enio em janeiro 9, 2008 6:36 AM
#62
Vim sabem por que faltou uma análise sobre o Ron Paul, mas vi que já fizeram isso :)
Seria interessante eles estar incluído nesse post não pela força da sua candidatura, mas sim por quem ele representaria na eleição do grêmio escolar.
Gabriel Mendes em janeiro 9, 2008 10:15 AM
Laurinha em janeiro 9, 2008 2:51 PM
#64
Gente, adorei Ron Paul como nome de travesti. Parece mesmo. Mas, para mim, nada pior que Huckabee. Alias, o cara e´ uma verdadeira tragedia e vem com uma imagem perigosa que ja´ deu certo antes. A de que lembra o vizinho, um cara comum sendo eleito. E deu no que deu ate´ hoje com a imagem de Bush como de qualquer um sendo que ele vem da dinastia Bush. Enfim, fortes emocoes nos aguardam.
Abracos,
Leticia.
Leticia Marteleto. em janeiro 9, 2008 3:18 PM
#65
I hate all the candidates.
Huckabee=no foreign policy cred, enough about religion--we don't have a religious test.
Romney=changeling
Paul=isolationist, borderline racist
Clinton= no new ideas
Edwards= Too smooth to trust, big money influenced
Obama= I'm not buying his credentials
Kucinich= no one will take him seriously
Giuliani= Ethically and morally questionable.
How about we do this? Every state holds an election to select a candidate. Then we put all 50 names in a hat, and the winner is drawn at random from among 50 qualified candidates. It would remove all the big money politicking from the process. Honestly, could allowing a little chance into the mix give us a worse result than we have now, or that we are facing in the next election? I doubt it.
I'm a dreamer; it'll never happen.
Mac Williams em janeiro 9, 2008 8:47 PM
#66
Edwards influenced by big money? Not nearly as much as any of the others, except Kucinich, I'd say.
Idelber em janeiro 9, 2008 10:20 PM
#67
A diretora está apoiando dois ao mesmo tempo???
alvaro em janeiro 10, 2008 12:20 AM
#68
Se a Hillary ganhar essa eleição teremos grandes chances de termos 44 anos consecutivos de governos Bush/Clinton... senão, vejamos: 4 anos de Bush Sr., 8 de Búfalo Bill, mais 8 de Bush Jr., mais 8 da Hilária, mais 8 de Jeb Bush e mais 8 da Chelsea (diz que ela está participando ativamente da campanha da Mãe... e até lá ela já terá sido Senadora por alguma New Hampshire da vida e poderá seguir os passos da Mãe)... total de 44 anos... e isso sem falar de mais algum filho, tio, primo, irmão de qualquer um desses aí e que goste de Política.
Assim, os EUA deixarão de ser uma Democracia e irão se transformar numa Monarquia Vitalícia e Hereditária com 2 Dinastias se alternando no poder.
Marcos em janeiro 10, 2008 1:21 AM
#69
:-)
A diretora apóia Romney; mas pode ter que vir a engolir McCain.
Idelber em janeiro 10, 2008 4:09 AM
#70
Enio, quando citar o Delfim, é bom não esquecer - o gordo é queridinho do Lula e do PT, e foi convidado para fazer parte do conselho "desenvolvimentista" do Ipea.
É uma ótima aquisição para o Departamento de Tortura de Números do governo lulista, também conhecido como Instituto Nunca Antes na História Deste País
F. Arranhaponte em janeiro 10, 2008 4:53 PM
#71
estivesse eu aí, Idelber, seria Edwards na cabeça. ou então Obama. Clinton nunca, ela nãoé contra nem a favor nada, muito pelo contrário.
Daniel em janeiro 10, 2008 5:14 PM
#72
Belíssima descrição. Será que Obama ainda tem o dedo mindinho?
Abracos!
Evilasio em janeiro 11, 2008 12:56 AM
#73
Boa leitura.
Mas quem é esse tal de Dennis Kuci-ni-o-quê pra entrar na sua lista?
Sobre o MacCain, obviamente sem seus recursos de estilísticos, valeria lembrar que ele ganhou pontos por ter sido contra a guerra do Iraque (antes da invasão) tendo sido veterano (e prisioneiro) de guerra. Ou seja, o cara que fala sobre o inferno que conheceu, pelo menos no imaginário do público.
Dourivan Lima em janeiro 12, 2008 8:55 PM
#74
Acho Ron Paul pareçe loco, pois é o único candidato que fala a mesma coisa em toda lugar - sendo correto ou não - e que vive o que prega. A média pega coisas que ele fala sem intender o base de que ele quer e crer. Mas se continue nosso governo gastar dinheiro que NAO TEM até novembro, o economia vai estar em tal estado q a loucura de Dr. Paul vai ser visto como salvador da pátria. Prepara-se, o próximo presidente pode ser Dr. Ron Paul. Ele tem meu voto.
Lottie
Lottie B. Haswell em fevereiro 3, 2008 7:29 PM
#75
poderia ter feito mais resumido!
jessica em fevereiro 27, 2008 10:47 PM
#76
Este recado é para aquelas pessoas que torcem e simpatizam com OBAma , o futuro presidente americano , todos aqueles que querem ver mudança no mundo e querem uma compensaçaõ de cecúlos de escravidão em todo o mundo . viva a igualdade racial !!! criei até uma comunidade :(simpatizantes de OBAMA ) end do orkut : lucianoreislocutor@hotmail.com
luciano reis em março 1, 2008 5:42 PM
#77
Boa tarde, esta fabrica e a biscoitos ABC? tenho uma amiga que trabalhou na biscoitos ABC antes de 1962, e eu estou ajudando ela encontrar a empresa pois precisa de uma carta para o INSS.Pois sua carteira profissional foi roubada.O nome dela é CONCEIÇÃO ANGLO GONZALEZ, desde já muito obrigada.
Maria em maio 20, 2008 5:51 PM
#78
Lindo.....da pa entender os meninos agora.Obama ganha de certeza
jorge em maio 21, 2008 7:27 AM
#79
Poxa tao bakna q eu copiei td e levei pra escola como pesquisa.... valws...rsrsrs
Tamara em agosto 16, 2008 12:38 AM
#80
Espetacular!!!!
Gostei muito!!!!
Parabéns para o redator!
Renan Schibao em novembro 15, 2008 9:48 PM
Deixe seu comentário: