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quarta-feira, 30 de janeiro 2008
Preparando o papo sobre Suassuna
Aqui em Tulane, os doutorandos em literatura latino-americana andam mergulhados no mundo armorial. Tive uma grande surpresa na primeira aula sobre a Pedra do Reino, na quinta-feira passada. Ninguém achou a obra de Ariano Suassuna enfadonha ou longa demais. Passamos boa parte das duas horas e meia do seminário dando risadas com esse incrível delírio monárquico, revolucionário, sertanejo e medieval. Se você está em dúvida sobre se participa ou não do nosso papo sobre o romance no dia 18 de fevereiro, acredite: a obra vale a pena. Ainda dá tempo de começar a ler.
Há tanto material no romance de Suassuna que pensei em deixar também algumas possíveis pautas de leitura para orientar a conversa.
1.Sei que tenho alguns leitores em João Pessoa e em Campina Grande. Não me consta que tenha nenhum na fronteira sertaneja entre a Paraíba e Pernambuco. Mas quem sabe não operamos o milagre de ter algum depoimento sobre a região em que transcorre a história? Isso não é essencial para a compreensão do livro, óbvio. Mas seria divertido, mesmo porque, até onde pude averiguar, as referências são rigorosas e exatas. Portanto, paraibanos, apresentem-se!
2.Também são impecáveis, até onde confirmei, as referências intertextuais presentes na obra. São dezenas de citações de livros, revistas, folhetos, artigos. Por exemplo, realmente existiu um tal Antônio Attico de Souza e Leite, que deveras escreveu uma Memória sobre a Pedra Bonita ou Reino Encantado na Comarca de Vila Bela, Província de Pernambuco, em 1874, tal como referida no Folheto V, no começo do livro. Qualquer leitor que queira nos ajudar a rastrear parte dessa imensidão de referências terá a gratidão eterna do blog (e de futuras gerações de vestibulandos...).
3.Um dos eixos do livro é a persistência de uma cultura monárquica, messiânica e pré-moderna no sertão brasileiro. Quem quiser rastrear algo dessa história para a discussão também contribuirá muito.
4.A mescla de gêneros é um elemento chave da obra, como se nota na presença de uma série de “romances” em redondilhas maiores (versos de sete sílabas), forma tradicional na poesia popular, mas não só nela. Para quem se interessa pelo problema dos gêneros, o livro é um prato cheio. Poesia, teatro, epopéia, farsa, comédia, romance de cavalaria e uma longa lista de etecéteras: há de tudo.
5.O narrador-protagonista conta a história em 1938, da prisão, e seu relato regressa até o século XIX. O pano de fundo imediato dos eventos vividos por ele é a Revolução de 1930. Quem conhece bem a história do governo de João Pessoa terá muito a contribuir.
6. Eu vi a minisérie da Globo e, apesar de achá-la bem feita, não consegui me interessar muito. O humor foi para as cucuias, não é? Mas quem quiser trazê-la à baila, que fique à vontade.
Claro que é possível desfrutar o livro sem se preocupar com nada disso. Estas são só algumas idéias para ir esquentando os tamborins. Enquanto você se prepara, delicie-se com esse incrível vídeo de Ariano Suassuna (valeu, Serbão) e dê uma conferida nessa entrevista com ele, de onde tirei a foto que ilustra o post.
E aí, como vai a leitura? Temos sobreviventes?
Escrito por Idelber às 04:20 | link para este post
| Comentários (41)
#1
Sobreviventes, há... A leitura está caminhando... só não sei se conseguirei escrever algo válido sobre ela...
Ulisses Adirt em janeiro 30, 2008 9:59 AM
#2
Esse é o tipo de livro que intimida quem quer escrever ou falar sobre ele - o que não deixa de ser curioso, porque a leitura é fluente e muito agradável. Acho que a dúvida do Ulisses é natural na maioria dos leitores. Como faz um ano que li a obra, dificilmente vou me arriscar.
Quanto à minisérie da Globo, realmente perdeu-se muito do humor. A única parte mais engraçada foi a da explicação da Filosofia do Penetral, mas ainda assim a piada ficou "impenetrável" para quem não havia lido a obra. Como você disse, foi muito bem feita, mas também terminou sendo frustrante.
Rodrigo em janeiro 30, 2008 11:56 AM
Serbão em janeiro 30, 2008 12:11 PM
#4
Que achado! Há muito tempo procurava um espaço como esse, respira-se literatura. Preciso trocar idéias, preciso aprender. Tenho a responsabilidade esse ano de ajudar umas 500 cabecinhas adolescentes que acabaram de ter o primeiro contato com a literatura. Gostaria de partipar do círculo de leitura, porém, no momento, leio O Casamento Suspeitoso' e 'Uma Mulher vestida de Sol ' de Suassuna, para um projeto da escola. Estarei sempre por aqui!
sonique mota em janeiro 30, 2008 12:12 PM
#5
Eu reforço a sugestão do Serbão: "Do Romance ao Galope Nordestino" é uma das pérolas favoritas de toda a minha coleção de discos.
É um belo cruzamento entre o erudito e o popular. Costuma agradar os ouvintes de ambos.
Idelber em janeiro 30, 2008 12:43 PM
Carlos d'Andréa em janeiro 30, 2008 1:44 PM
#7
Carlos: gênio, gênio!
Sonique, volte sempre: a literatura é parte integral do cardápio aqui.
Ei, Rodrigo, se você leu faz só um ano, com certeza terá memórias da leitura para compartilhar aqui. Aguardamos :-)
Força aí, Ulisses....
Idelber em janeiro 30, 2008 1:51 PM
#8
Tô firmona, Idelber! Impressionada com a suntuosidade monarco-chanchadística sertaneja do singular trabalho do criativo autor - para dizer o mínimo. Abs.
Regina Rheda em janeiro 30, 2008 1:56 PM
#9
Tentei uma vez ler o romance, empaquei na linguagem rebuscada do mestre. Estava faltando esse entusiasmo relatado por você; anima qualquer um a investir nesse romance armorial. Mas a série, Idelber, francamente, achei muuuito ruim. Taklvez funcionasse como teatro; como televisão ficou impenetrável, exagearadamente farsesca (que contraste com o excelente trabalho, no tom exato, que fizeram com o Auto da Compadecida!).
Se permite a cara de pau, reproduzo um troço que escrevi no meu post, quando saiu a série:
Vejo nos jornais tentativas epistemológicas de explicar o fracasso de público da adaptação do romance de Ariano Suasuna, A Pedra do Reino. Logo vão culpar o povo, dizer que a patuléia não entende coisa complexa...
Bom, eu, que adoro o Suassuna, tentei ver a minisérie. E tinha um probleminha, além da dramaturgia farsesca, mais apropriada para um palco de teatro que para a telinha na sala da gente. NÃO DAVA PARA ENTENDER O QUE OS CARAS ESTAVAM FALANDO!!!! Os diálogos eram incompreensíveis, ditos entredentes, sussurados às vezes, quase cuspidos. Devem ter agradado sobremaneira ao diretor. Mas o telespectador ficava lá, pedindo uma legenda, para saber o que, entre caretas e micagens, aquele pessoal pintado estava dizendo.
Que falta faz um Guel Arraes...
***
Fiz um relatozinho de uma das aulas-espetáculo dele também, que não reproduzo aqui para não açambarcar sua caioxa de comentários, mas que, se tiver curiosidade, está aqui: http://sergioleo.blogspot.com/2006/12/suassuna-e-coragem-da-cor.html .Não ficou grande coisa, mas dá uma idéia ligeira do que é o sujeito ao vivo.
S leo em janeiro 30, 2008 2:34 PM
#10
Sergio, foi a impressão que tive com a minisérie: bonita, mas pensada para teatro e com vocabulário e dicção impenetráveis...
Regina, contamos com você e com a sabedoria sertaneja do Charles também :-)
Idelber em janeiro 30, 2008 3:03 PM
#11
Estou doida pra entrar nesse grupo, mas ando muito envolvida com a entrega da tese, que será agora em fevereiro...
Acho que não vou conseguir terminar o Suassuna, mas do próximo encontro com certeza eu participo!
Rebecca em janeiro 30, 2008 3:29 PM
#12
Combinado, conterrânea :-)
Idelber em janeiro 30, 2008 3:38 PM
#13
Resolvi participar deste papo.
Do Suassuna só havia lido um livro que ele chamou de "Um entremez para mamulengo" que se chama "Torturas de um coração ou em boca fechada não entra mosquito". Tive acesso solitários de riso. Até construí dois fantoches junto com amigos para tentar montar a peça. A coisa não foi para a frente. Mas os bonecos, guardo com muito carinho e, de vez em quando, os ressuscito para a criançada.
Mas voltando ao assunto, dia 18 vc disse?
Bem, estou na pg 80. Estou lendo o livro há 3 dias.
Então, acho que será possível terminar a tempo.
Só espero ter opiniões a altura dos colegas.
O que, de cara, me chama a atenção, é o que o mestre Câmara Cascudo chamava de "velocidade". No caso, a velocidade a que me refiro é a de certas estruturas (não sei se é a palavra certa) medievais que chegam ao nosso sertão nordestino. E mesmo pelas bandas aqui de minas. Mas é melhor terminar de ler o livro para falar mais.
Este tipo de espaço é muito legal. Não se tem muitas pessoas para conversar sobre literatura.
Inté!
jozahfa em janeiro 30, 2008 3:59 PM
#14
Maravilha, josahfa. Eu preciso mergulhar ainda no teatro do Suassuna. Só li o Auto da Compadecida.
Na mosca, o que você diz sobre certas estruturas, temas e motivos medievais no sertão do Nordeste e de Minas. Há um cantinho do Brasil onde o mundo de Suassuna se encontra com o de Guimarães Rosa, por exemplo. É bem interessante pensar essa geografia.
Idelber em janeiro 30, 2008 4:07 PM
#15
Olha, o que o S Leo falou sobre os diálogos da minisérie é a mais pura verdade. Eu me irritava tentando ajeitar o som da TV, mas depois percebi que a culpa não era do aparelho. Aliás, saindo um pouco do assunto, quase tudo aquilo que Luiz Fernando Carvalho dirige tem um som muito ruim - eu também penava pra entender os diálogos de Hoje é dia de Maria e Lavoura Arcaica.
Rodrigo em janeiro 30, 2008 5:15 PM
#16
Idelber,
meu avô escreveu um livro, A Campanha de Princesa, que é o relato mais 'oficial' do que aconteceu na Revolução de 30, a batalha das tropas do Zé Pereira contra as tropas da Parahyba. Ele era correspondente d'A União, o único jornal do estado na época, e chegou a ficar preso na cidadela sitiada. Não sei se interessa, e nem se é fácil encontrar o livro por aí, mas fica a recomendação, para entender como foi tudo. Tem inclusive fotos dos locais onde houveram batalhas, a história do avião que jogava mantimentos, etc...
Alex Luna em janeiro 30, 2008 6:07 PM
#17
Valeu a dica, Alex; mas com esse título não achei nada, em nenhum banco de dados. Como se chamava o seu avô?
(talvez pelo nome do autor eu ache).
Idelber em janeiro 30, 2008 6:12 PM
#18
A leitura está andando, mas com a qtde. de tempo que tenho tido, não sei se completo o percurso até o dia 18.
O que mais me impressionou até agora: as referências, centenas delas -- além das literárias, há referências sobre acontecimentos os mais variados, tanto nacionais como regionais; a capacidade do Suassuna de fazer "o assunto render"; a sátira ao "erudicismo academicista"; a capacidade do Suassuna de fazer dezenas de voltas na narrativa sem, contudo, embaralhar a estrutura do enredo.
João Barreto em janeiro 30, 2008 8:09 PM
fm em janeiro 31, 2008 7:11 AM
#20
Olá companheiros!
Espero que todos que relatam sua leitura aqui estejam sendo verdadeiros e que minhas impressões não sejam reflexo da realidade. Impressões de que esse discurso rebuscado nos comentários seja uma máscara barroca para melhores serem aceitos neste baile.
De todo modo, sem temor de represálias, manifesto que ao contrário da maioria o livro não me agrada nem um pouco. Um início enfadonho, com referências herméticas, discurso embaralhado e pouca preocupação com o bom fluir da história. Como já li aqui anteriormente, o texto me parece uma cantora lírica em sua maior nota e cantando em esperanto. O diálogo sobre o "penetral" exemplifica bem isso.
E quanto ao humor, bem ... talvez de tão cansado da leitura eu nem o tenha percebido.
Deixo claro também que sou conhecedor da cultura nordestina e me interesso pelo assunto, logo, não posso alegar que o livro não me agradou pela temática.
Penso que muita gente compartilhe de minha opinião e sei também que muitos destes preferem se obrigar a gostar da obra, por se tratar de algo bem aceito pelo senso comum.
Sem mais,
PH
Pedro Henrique em janeiro 31, 2008 8:00 AM
#21
Caro Pedro, que ótimo! A melhor coisa nestas discussões é ter alguém dizendo simplesmente não gostei! Valeu. Te aguardamos no dia 18.
Cá entre nós, não vi nada muito "rebuscado" nos comentários, não... Achei que todo mundo escreveu bem clarinho...
Mas insisto, viva a discordância!
Idelber em janeiro 31, 2008 8:38 AM
#22
Querido Idelber,
É, talvez rebuscado seja exagero. Acontece que sou muito crítico e conservo em mim uma mania de ler nas entrelinhas, olhar num ângulo diferente e, é claro, por isso as vezes me engano.
De resto, agradeço pela compreensão e te dou certeza que participarei bastante com minhas discordâncias!
Você me lembrou aquela frase do VH: posso não concordar com o que você pensa, mas vou lutar pelo seu direito de expressar este pensamento (mais ou menos isso).
Grande abraçO!
Pedro Henrique em janeiro 31, 2008 9:16 AM
#23
Uma coisa sobre o comentário do Pedro: particularmente, percebo humor constante durante todo o livro. O duelo entre Samuel Wandernes e Clemente Ravasco (desculpem-me qualquer equívoco com os nomes, não tenho memória muito confiável) é um exemplo dos mais claros, mas há passagens menos cotadas que também me fizeram rir de verdade - como a citada explicação da filosofia do Penetral (que é engraçada justamente por ser em "esperanto", talvez) e quase todos os embates teóricos entre os dois professores de Quaderna. Mas é claro que o senso e o conceito de humor podem variar muito de uma pessoa pra outroa.
Ps: também não vi nada de rebuscado nos comentários.
Rodrigo em janeiro 31, 2008 9:57 AM
#24
Olá Rodrigo,
Talvez pela minha memória não muito confiável (como a sua) não me lembro do duelo citado. Já a parte do Penetral...acho meio errado um autor gastar várias linhas com algo que, pelo que parece, não é pra ser levado sério. É como parar um documentário sobre Lisboa e contar fatos e histórias não comprovadas sobre o lugar.
Talvez por eu ter entendido mal, não vi nenhum traço de humor nos debates teóricos, do contrário, até os levei a sério em certos momentos.
Sei que humor óbvio não é dos melhores, mas também não acho válido causar esse nó na cabeça de quem lê.
Pessoal, só eu e Rodrigos discordamos nesse ponto? alguém tem mais alguma idéia sobre o penetral?
Pedro Henrique em janeiro 31, 2008 2:01 PM
#25
Pedro, talvez já estejamos adiantando muito as conversas do Clube de Leitura, mas acho que o Idelber não vai se incomodar muito. Está claro que temos opiniões bem diferentes sobre literatura e humor. Não acho que exista algo "errado" para um autor - não estou fazendo uma relativização fácil ou gratuita (claro que tenho minhas preferências e detesto diversos procedimentos de alguns escritores), mas não sei se diria que ele está errado. Basicamente porque acredito que o seu método de expressão é individual e, portanto, válido e "inquestionável". Um documentário sobre Lisboa que contasse fatos e histórias não comprovadas sobre o lugar, como você disse, talvez rendesse um bom documentário sobre o imaginário local, os preconceitos de quem está fora, etc. Parece que estamos com idéias bem diferentes sobre o tal do Penetral - eu creio que o nó na cabeça do leitor que Ariano propõe é justamente a parte "séria" do humor: está claro que o autor quer satirizar os discursos filosóficos, ideológicos, acadêmicos e coisas do tipo. A idéia de que "o penetral penetrala" é justamente o que se pode concluir após a leitura de grande parte da produção intelectual: nada (não sou anti-acadêmico, mas isso é um fato). Sobre os debates entre os dois professores, há muita seriedade, sim, mas acho improvável que as hipérboles de personagens tão caricatos não provoquem ao menos um sorriso. No meu caso, eu gargalhei mesmo.
Fomos muito longe, Idelber?
Rodrigo em janeiro 31, 2008 2:28 PM
#26
Esse negócio de penetral me assustou. Por via das dúvidas (ou dúvida das vias?) participarei do debate encostado à parede. Desde a Grécia antiga, esse pessoal chegado a um debate filosófico nunca foi muito confiável.
S leo em janeiro 31, 2008 3:07 PM
#27
Rodrigo, vocês não chegando na parede do Sergio Leo pelas costas, não existe longe demais aqui, não! Conversem à vontade :-)
Idelber em janeiro 31, 2008 3:13 PM
#28
E isso porque ainda nem falamos do "insólito regalo", que é o presente para quem consegue entender o Penetral.
Rodrigo em janeiro 31, 2008 3:23 PM
#29
Vou entrar nessa conversa com um ponto de vista um pouco diferente. Li o livro há mais de 20 anos, váris detalhes sumiram de minha memória. Gostei, na época.
Vou aproveitar para reavivar minhas lembranças!
Daniel Brazil em janeiro 31, 2008 4:17 PM
#30
Amigos, por indicação de meu irmão (aí no post anterior) vim até aqui dar uma espiada e não resisti em fazer um comentário. Não sou muito afiado em debates literários pois sou músico / professor, mas grande admirador da música armorial. Estudei em Recife (UFPe) onde pude conhecer e praticar esse gênero tão interessante da nossa música instrumental. Quando dou aulas de MPB na faculdade faço questão de mostra-lo aos alunos que, na grande maioria, não o conhecem.
No fim do ano passado me dei de presente o livro do Ariano pois achei que seria fundamental conhecer a sua obra literária para poder aprofundar meus conhecimentos sobre a música armorial. Já estou lá pela página 450 e pretendo chegar ao final... Estou adorando e me divertindo bastante com tudo e com um detalhe curioso: morei na Paraíba entre 1974 e 1984 e viajei muito pelo sertão. Meu tio, já falecido, tinha uma fazenda em Imaculada (cidadezinha que fica no caminho de Princesa)e fiz dezenas de vezes o percurso de Campina Grande (onde morava) a Imaculada exatamente por Taperoá. O livro se torna pra mim algo maravilhoso pois tenho na memória todas as imagens citadas: a caatinga, o sertão, Estaca Zero, Desterro, Serra do Teixeira, Pricesa Isabel, rios, pedras... Um mundo maravilhoso que povoa as minhas lembranças de adolescente!!
É isso, forte abraço e vamos em frente!!
Em tempo: assisti, há um tempo atrás, um documentário sobre a Revolta de Princesa na tv a cabo... acho que foi no GNT... Multishow... Canal Brasil... por aí! Muito bem feito, me esclareceu diversas dúvidas!
Marcelo Brazil em janeiro 31, 2008 5:16 PM
#31
Caro Marcelo, você está intimadíssimo para dar sua contribuição no dia do bate-papo sobre Pedra do Reino -- sobre o livro, a música armorial e o sertão.
Acabei de sair de um seminário com os alunos de doutorado onde ouvimos duas faixas do disco Do romance ao galope nordestino. Foi sucesso total. Obrigado pelo comentário e volte sempre.
Idelber em fevereiro 1, 2008 12:01 AM
#32
Estou sobrevivendo e adorando o livro. Ainda estou na metade, mas quero dar uma avançada boa no Carnaval. Por falar em Carnaval, o Suassuna é tema da escola de samba Mancha Verde (argh!), aqui de São Paulo. Não fosse minha respulsa à agremiação, até veria o desfile, para ver se acho o Quaderna entre os integrantes.
Idelber: uma pergunta besta, mas que me intriga há tempos - seus doutorandos lêem as obras no original? Deve ser difícil pacas para estrangeiros, hein?
Alessandra Alves em fevereiro 1, 2008 6:50 AM
#33
Já que estão falando de música, sempre achei que uma ótima trilha sonora para o romance de Suassuna seria algum disco de Elomar. Fica aí a recomendação.
Rodrigo em fevereiro 1, 2008 8:52 AM
#34
Oi, Alessandra, que bacana que você está lendo. Você é membro honorário deste clube.
Sim, o pessoal lê no original. No caso do Suassuna, eu achei que iriam ter dificuldade, mas não aconteceu, não. A preparação linguística da turma aqui é muito sólida. Passam anos em contato intensivo mesmo com o idioma antes de fazer o doutorado (neste seminário, tenho 11 doutorandos, só 2 dos quais são falantes nativos de português).
Te aguardamos então :-)
Idelber em fevereiro 1, 2008 12:48 PM
#35
Com o início do Carnaval, pelo menos aqui no Brasil, desejo a todos uma boa folia. E quem estiver em Recife ou Olinda, pode se divertir no bloco Arriando a Sua Sunga, que homenageia de forma gaiata o velho mestre (e secretário de Cultura).
Abraços!
Daniel Brazil em fevereiro 2, 2008 8:11 AM
#36
Se forem entrar em discussão mesmo em pleno carnaval, sugiro uma leitura crítica dos velhos tempos de minhas andanças em Recife antes de 80:
_Arte popular e dominação, O caso de Pernambuco 1961/77_ de Ivan Mauricio, Marcos Cirano e Ricardo Almeida da Editora Alternativa 1978.
Tem quatro partes- Debate, Pesquisa , Depoimento e Documento.
o Suassuna esta' na primeira parte, mas está/é citado/discutido/mencionado/etc. nas 4 partes direta ou indiretamente. Tem a música armorial e afins. E colaboração de um tal Humberto Avelar, que deve ser primo do Idelber.
Este semestre a aula aqui é Literatura e Cultura do Nordeste. Depois da lit de cordel a gente discute Auto da compadecida e Suassuna, como figura, de modo que o papo que rola sobre o _Romance da pedra do reino_ poderá ser visto por outra turma. Mandem brasa. Bomcarnaval. O melhor do todos deve ser ainda o de Recife/Olinda. Evoe!
cap em fevereiro 2, 2008 7:19 PM
#37
Grande Anjo. Always nice to have ya. Está intimado a aparecer aqui no dia 18.
Idelber em fevereiro 2, 2008 8:47 PM
#38
Paraibano, admirador de Ariano e de sua obra, morador de Maturéia, Paraíba, 5.000 habitantes, 50km de Taperoá, 300km da Cápital paraibana, 3km do estado de Pernambuco, +ou- 150km de São José do Belmonte, se apresentando via Banda Larga.
Alvaro Dantas em fevereiro 5, 2008 4:10 PM
#39
Vai ver que Suassuna tomou umas boas "lapadas" do vinho de Jurema, na hora de escrever o Pedra. Confiram o folheto LXXXIII (O Vinho da Pedra do Reino) para ver se estou viajando. Aliás, esse vinho deve ter a ver com a jurubeba. Alguns efeitos são parecidos.
Regina Rheda em fevereiro 5, 2008 9:04 PM
#40
O livro de Ariano Suassuna é uma grande empreitada literária que consumiu doze anos de trabalho do mestre paraibano. Conheci o livro nos anos 1990, mas só agora (2007) pude lê-lo. Vejo muitas qualidades na obra, mas vejo também algumas falhas.
No exemplar que tenho (é novo, lançado no embalo da minisérie), há um comentário de Hermilo Borba Filho que o compara à Divina Comédia. Achei muito, mas muuuuuuuuito exagerado. O comentário de Carlos Lacerda é mais apropriado: Dom Quixote. Afinal, Diniz Quaderna é um personagem quixotesco. E macunaímico também.
O que mais admirei no livro foi a maneira lúdica (de brincadeira mesmo) com que o autor deu tratamento aos gêneros. Misturou a narrativa tradicional às narrativas populares nordestinas com ênfase para estas. Citou à vontade, copiou tudo quanto pôde (seguindo as lições de Mário de Andrade em sua grande rapsódia) com a liberdade máxima a que se permitiu, viajou e inventou, pintou e bordou. O resultado é a riqueza do universo popular que aflora a cada página do livro em seu estado mais puro.
E o modo como o humor (popular e escrachado, debochado e desbocado, sutil e irônico...) aparece ao longo da narrativa é realmente um dos pontos altos do livro. Acho o Quaderna um personagem muito bem inventado e, igualmente, muito bem trabalho. Mas...
Mas...
O livro é enfadonho sim. A partir do momento em que Quaderna entra para a sala onde será inquirido pelo Corregedor Joaquim Cabeça-de-Porco (não exatamente "a partir do momento", mas em algum lugar dessa interminável cena), a narrativa se torna enfadonha, cansativa, labiríntica (no mau sentido de sem saída). O inquérito se estende por um tempo interminável, não há uma explicação clara de determinados detalhes, alguns pontos são repetidos à exaustão, há parágrafos-tijolos (a mim assim parecem) completamente dispensáveis para o todo da obra, há incoerências (como pode o relato de Quaderna ser tão detalhado se ele não "presenciou" todos os fatos que relata ao Corregedor - embora o autor coloque na boca do personagem palavras que tentam [mas não conseguem] justificar o modo como Quaderna tomara conhecimento de determinados fatos) geradas pelo foco narrativo adotado por Suassuna, uma primeira pessoa onisciente... Enfim: do meio para o desfecho, achei o livro mal resolvido.
Podem parecer, esses apontamentos, meio superficiais demais, meio empíricos demais. Não gostaria de aprofundar num debate "intelectual", com aqueles "cortes epistemológicos" e repletos de "segundo Bakhtin". É apenas o parecer de um leitor de cama e banheiro.
Depois da Pedra do Reino (cujo começo é tão bom que cheguei a espalhar para alguns amigos que me lembrava O Coronel e o Lobisomen), só fui me curar no RELATO DE UM CERTO ORIENTE, de Hatoun, este sim, um grande livro.
Um abraço para todos e parabéns pela iniciativa.
P.s: cheguei até aqui via Diário da Lulu. Meu blog é www.blogdonanal.blogspot.com
Juvenal Bernardes em fevereiro 8, 2008 4:13 PM
lao em dezembro 15, 2008 9:02 PM
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