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sexta-feira, 15 de fevereiro 2008
Carta aberta aos senadores americanos
O texto é meu, mas está tudo na primeira pessoa do plural porque a versão que será publicada em inglês e enviada ao Senado será assinada por uma série de professores universitários. Na versão em português, embuti algumas explicações para facilitar a compreensão do leitor brasileiro.
Prezados Senadores dos EUA:
Atônitos, assistimos esta semana ao Senado dar seu aval, por duas vezes, a mais de cinco anos de espionagem ilegal do governo Bush contra cidadãos americanos. Como infelizmente já é de conhecimento do resto do planeta, a invasão de privacidade, a violação de correspondência, o grampeamento de telefones e o monitoramento de atividade eletrônica já viraram rotina nos EUA. O presidente admite que faz uso dessas práticas sem qualquer amparo na lei. O FISA – Foreign Intelligence Surveillance Act --, de 1978, detalha as condições sob as quais o governo pode legalmente monitorar a comunicação de cidadãos americanos por razões de segurança nacional, estabelecendo a obrigatoriedade de um mandado judicial concedido por um tribunal específico, composto por juízes anônimos. Nas dezenas de vezes em que a FISA foi emendada desde então, invariavelmente houve consenso no Congresso, tratando-se, na maioria dos casos, de adaptar a lei à evolução das novas tecnologias. Nas atividades ilegais do governo Bush, não só a FISA foi repetidamente desrespeitada; várias empresas de comunicação conspiraram junto com o governo, fornecendo a ele, ilegalmente, informações de caráter pessoal de cidadãos americanos cumpridores da lei.
O Senado teve a oportunidade de rejeitar essas práticas e reafirmar os parâmetros estabelecidos pelo FISA – os parâmetros da democracia e da liberdade -- como os únicos aceitáveis para o monitoramento de qualquer comunicação por razões de segurança nacional. Esse era, em essência, o conteúdo da emenda da Senadora Dianne Feinstein (D-CA): reafirmar a lei, à luz de seu sistemático descumprimento pelo atual governo. Apoiada por 57 senadores contra 41, ela não conseguiu os 60 votos necessários para a aprovação de emendas que foram objeto de obstrução (filibuster). Na prática, o Senado rasgou a lei e entregou ao governo Bush uma carta branca para a continuação de seu programa de espionagem contra cidadãos americanos. Para completar uma semana lamentável para a democracia americana, foi derrotada por 67 votos a 31 a emenda dos Senadores Russ Feingold (D-WI) e Christopher Dodd (D-CT), que eliminaria a inacreditável imunidade legal retroativa para as companhias telefônicas que colaboraram com o programa ilegal de espionagem. O Senado decidiu que, mesmo tendo atuado criminosamente, violando a privacidade e fornecendo dados pessoais sem ordem judicial, a lei não vale para elas. Não poderão ser processadas por esses atos.
Parabenizamos o Senador Christopher Dodd pelo seu inesquecível discurso em prol de nossa privacidade. Não terá sido em vão a fúria com que o Sr. defendeu a liberdade e a inviolabilidade da comunicação pessoal até altas horas da noite na tribuna do Senado. Não serão esquecidas suas palavras, que fecharam uma das derrotas mais dignas da história da Casa: Esta será uma daquelas decisões que, daqui a 30 anos, as pessoas olharão e dirão, que raios eles estavam pensando? Parabenizamos também a Senadora Dianne Feinstein pela luta incansável pela aprovação da sua emenda. Obrigado. A Sra. honrou o mandato que lhe conferiu o povo da Califórnia. Sua indignação ante a triste realidade da mais antiga democracia do mundo sendo corroída pela espionagem governamental e pela manipulação do medo tampouco serão esquecidas. Como o(a) próximo(a) presidente da nação será um membro do atual Senado, nos dirigimos aos atuais candidatos individualmente.
Senador Barack Obama (D-IL), obrigado por interromper a campanha eleitoral para participar nestas históricas votações do lado da liberdade e do direito à privacidade nos dois casos. Agradecemos o seu apoio à emenda Feinstein e à emenda Feingold/Dodd. Os seus votos a ambas nos dão esperanças de que esses direitos básicos serão restaurados num eventual governo seu.
Senador John McCain (R-AZ), lamentamos os seus votos contra as emendas Feinstein e Feingold/Dodd. Lamentamos que um homem conhecido por sua integridade não tenha ficado do lado da lei em duas votações nas quais estavam em jogo o direito dos americanos à privacidade em suas comunicações pessoais. O que aconteceu com o Partido de Lincoln, Senador? Como podem os defensores da individualidade e da livre iniciativa sancionar a espionagem ilegal contra cidadãos cumpridores da lei? Os seus votos contra as emendas Feinstein e Feingold/Dodd teriam envergonhado Lincoln e Einsenhower.
Senadora Hillary Clinton (D-NY), lamentamos a sua ausência nestas que foram duas das mais importantes votações da história recente do Senado. Lamentamos que algumas horas antes de seu discurso de campanha em defesa da democracia, esta tenha sido solapada no Senado com a ajuda decisiva de sua abstenção. Não era possível reservar 3 horas para deslocar-se e votar em favor da inviolabilidade de nossas comunicações pessoais em face do crescente monitoramento ilegal? Tememos, Senadora, que não tenha sido pela falta de tempo. Suspeitamos que sua recusa a votar as emendas Feinstein e Feingold/Dodd tenha algo a ver com sua condição de senadora democrata que mais contribuições recebeu das companhias telefônicas parceiras da espionagem do governo Bush. Tememos que sua recusa a nos apoiar nesta mais justa das causas advenha de sua conhecida associação com lobistas das empresas telecom. A Sra. acaba de entrar para a história como a única senadora democrata a não ter votado contra a espionagem ilegal do governo Bush.
Escrito por Idelber às 04:55 | link para este post
| Comentários (47)
#1
Esse é um manifesto de campanha política de apoio ao Obama. O manifesto aproveita a poportunidade para manifestar reprovação pela atuação da Hillary e do McCain. É uma pena que o importante tema da liberdade individual seja usado como pretexto para expor uma paixão eleitoral.
Só gostaria de saber quantos professores universitários americanos vão ariscar a sua reputação ao assinar esse manifesto. Tenho a impressão que não serão muitos provenientes das "Hard Sciences". Os coitados dos professores das humanidades, ou "Liberal Arts", mais uma vez, devem ser os únicos a cair nessa.
Boa sorte na sua empreitada. ;-)
Homero em fevereiro 15, 2008 6:48 AM
#2
Caro Idelber
Muito interessante e pertinente! Só não consegui, não entendi e de certa forma não concordei, foi com a primeira palavra empregada "ATÔNITOS".
Vocês estão realmente ATÔNITOS ou é um recurso de argumentação?
Bacana.
P.S.1.- O assunto é extremamente sofisticado para se comparar, por exemplo, com o nosso Senado.
P.S.2.- Caro Idelber, se eu te dissesse, POR EXEMPLO, E PARA FAZER UM PARALELO, que fiquei "ATÔNITO" com o uso pouco ortodoxo de cartões corporativos POR AQUELES QUE PORTAM este instrumento, estaria exagerando! O assunto já era conhecido.
Paulo em fevereiro 15, 2008 6:53 AM
#3
Estou de acordo com o Homero, isto é manifesto de apoio ao Obama. Os assinantes serão apenas aqueles em campanha aberta pró Obama. Isto é apelação!
O assunto da liberdade/espionagem é grave, mas ao que parece a maioria do Senado e do povo está em acordo no momento. 67 a 31. Sorry, a presença da Hillary seria irrelevante, como foi o voto do Obama!
Samuel em fevereiro 15, 2008 7:03 AM
#4
A presença de Hillary seria irrelevante em termos numéricos, mas seria extremamente importante para ganhar a CONFIANÇA de (parte de) seu eleitorado.
Saber como cada senador vota é uma ferramenta importante para o eleitorado decidir em quem votar no futuro.
É por isso que em certos lugares existe resistência em abrir mão do tal voto secreto.
Ricardo Antunes da Costa em fevereiro 15, 2008 8:30 AM
#5
O samuel, o homero e o Paulo também recebem grana da Ford. ahahahaha
gugala em fevereiro 15, 2008 9:06 AM
#6
é um apoio a obama, sim. é errado? penso que não.
sabe quando a imprensa brasileira vai repercutir uma notícia dessa importância? nunca. como não se falou do dr. nicolelis aqui no brasil. a imprensa daqui, internamente, surfa na onda do escândalo da moda, enquanto no noticiário internacional se limita a repetir as informações passadas pelas agências estrangeiras.
não é só má-fé. há incompetência também (e muita). ainda bem que temos os blogs para a necessária atualização diária. afinal de contas, não aguento mais comer tapioca...
boto - ssa em fevereiro 15, 2008 9:17 AM
#7
Hoje é o dia de ler notícias absurdas sobre os EUA. Quando vim para o trabalho, li que o governo americano deseja tornar legal a prática do "submarino", tortura que, segundo o mesmo, torna mais efetivos os interrogatórios.
O "submarino", penso, é aquela coisa de deixar o sujeito com a cabeça dentro d`água até que ele quase morra, não? Vai virar lei?
Agora venho aqui e leio mais disparates.
Abraço perplexo.
Milton Ribeiro em fevereiro 15, 2008 9:18 AM
#8
no minimo infeliz. a parte final é panfleto puro.
mary w em fevereiro 15, 2008 9:22 AM
#9
Wow, excelente! Estavamos falando sobre isso em casa e reclamando que ninguem fez nada ou disse nada sobre o assunto. E no NY Times, anteontem (ou ontem?) isso constava da pagina 9!! (quando deveria estar na primeira pagina).
Andrea N. em fevereiro 15, 2008 10:57 AM
#10
mary w, me parece que é uma carta assinada...
Infeliz pra uns, menos pra outros. Normal. não?
gugala em fevereiro 15, 2008 11:11 AM
#11
e mais infeliz ainda julgar repetidamente sem conhecimento dos fatos, sem ser capaz de contestar sua veracidade, sem ser capaz de oferecer um link desmentindo-os, sem ter notícia do assunto, sem sequer ter vontade de fazer pesquisa própria.
infeliz é achar que pode julgar a indignação alheia por ter seu telefone grampeado, sua correspondência invadida, sua comunicação monitorada, efetuando o julgamento num país onde esses direitos ainda são respeitados.
infeliz é recusar solidariedade, por motivos eleitorais, a quem está sendo objeto de vigilância policial.
infeliz é escrever "Obama quer fazer cerca em volta do México" sem oferecer fonte, sabendo (ou não, não importa) que isso é mentira.
infeliz é se recusar aceitar que sua heroína pseudo-feminista é a única senadora democrata a ser cúmplice da espionagem de Bush.
Idelber em fevereiro 15, 2008 11:32 AM
#12
trocando em miúdos: ponto pra Obama.
adelaide em fevereiro 15, 2008 12:01 PM
#13
ai, ai, ai, idelber, assim você está "cafundindo" minha cabeça. ;-)
olha, confesso que não entendi muito bem a forma do texto. é uma carta aberta ou um panfleto? nào sei, o tom não me agradou muito. mas, de qualquer forma, as informações que soube por meio desse post são relevantes demais, muito obrigada!
(na medida do possível, tenho acompanhado todos os seus posts sobre as eleições com muito interesse. se não acompanho mais ou não comento com frequência, não é por falta de interesse, mas por razões pessoais que tem me tomado muito tempo e motivação. mas ficam aqui meus parabéns pelos posts, que já viraram minha principal fonte de informações sobre o assunto).
beijos
Angélica em fevereiro 15, 2008 12:01 PM
#14
Angélica: é carta aberta e é panfleto. Não tem pretensão de ser neutro, não! Beijos :-)
Samuel: o "povo" está bem longe de apoiar o Bush nisso. E na votação que mais importava, a emenda Feinstein, faltaram só 3 votos.
Homero, é óbvio que é um manifesto pró-Obama também. Nos EUA ninguém "arrisca reputação" por tomar uma posição política que está ancorada no fatos. É campanha eleitoral, é hora de falar como votou cada senador-candidato.
Idelber em fevereiro 15, 2008 12:07 PM
#15
Viu como no bresil de hoje tudo vira "fra-fru"? Até numa discussão sobre carta aberta a senadores dos Estados Unidos.
enio em fevereiro 15, 2008 1:08 PM
#16
no caso vira fru-fru, coisa de pó-de-arroz(ops, esqueci que sou um Bambi paulistano, ahahaha).
gugala em fevereiro 15, 2008 2:27 PM
#17
Acho que no caso em questão a coisa está mais para São Paulo x XV de Piracicaba :-)
Idelber em fevereiro 15, 2008 3:01 PM
#18
agora num pode fazer manifesto mais?...
professor de HARD SCIENCE ou de MISTICAL ARTS...qualquer grupo pode fazer manifesto, panfleto ou moção.
é só mais um elemento no debate...
apesar de eu não ter problema com a Hillary ou o Obama...eu concordo que foi uma votação importante...e fou um fato objetivo o voto dos senadores...então...qual o problema?
num pode mais? ou só em eleição não pode?
eu gostaria que o debate fosse até mais alargado...mais aprofundado e mais detalhado...me interessa mais ainda saber quem são os professores que assinam e quem vai ler este manifesto...e qual a repercusão dele no debate eleitoral...e por consequência nos direitos civis americanos e em sua base a democracia americana...
tem ambiente para debater isto?
se não tiver então a coisa tá mais feia do que parece...e o síntoma disto...vem na voz de brasileiros....o que isto significa?
profundas convicções e preferências?
princípios e direitos?
bem...bem...bem...
respeitosamente....
Daniel Boeira em fevereiro 15, 2008 3:09 PM
#19
ahaha... e jogando no Pabaemcú.
gugala em fevereiro 15, 2008 3:10 PM
#20
é. mas eu assumo toda a minha infelicidade. e nao escondo que eu estou deliberada e desesperadamente torcendo pra hillary. nao escrevi "documento" nem nada. só panfleto e panfleto. com rancor e tudo o mais que se espera dos piores panfletos. vc disse "amanha escrevo sobre a votaçao historica do senado". e vc acabou escrevendo sobre o nao comparecimento da hillary. vc fez em duas etapas. isso é super ideologico. manipula mesmo. ficou todo mundo esperando o post. e TERMINOU com a hillary ainda. o primeiro post terminou com a mais importante votaçao. o segundo post termina dizendo q a hillary entrou pra historia (junto com a votaçao, imagino) por nao ter comparecido. ideologia pura.
mary w em fevereiro 15, 2008 3:24 PM
#21
Há um grande autor que afirmou que o FLA x FLU começou antes do nada. Viva o FLA x FLU!
Paulo em fevereiro 15, 2008 3:38 PM
#22
mas é fato, mary. eu não teria nenhum problema com o seu rancor se houvesse um mínimo de fato ali.
como você, eu escrevo com paixão. não vejo nenhum problema nisso. mas quando você escreve "obama quer construir cerca em volta do méxico", é mentira e ponto. por contraste, não existe nada aí em cima que não esteja documentado.
e aí é barra, porque a eleição vai passar. minha admiração, adoração, amor mesmo por você não vai, eu sei disso.
Mas e a credibilidade?
Foi você mesma quem escreveu que "eles não têm argumentos". Caramba, mais argumentos do que já encontrou aqui? E olha que os argumentos aqui vêm com links!
Não tenho problema nenhum em admitir que estou fumegando de raiva pela ausência da senadora nesta votação. Mas o post tem 1727 palavras. 162 são sobre a Hillary.
Menos de 10%.
Idelber em fevereiro 15, 2008 3:39 PM
#23
Creio que nem preciso discutir se estou de acordo ou não com o conteúdo da carta. O que mais gostei foi o seu caráter de não neutralidade. Estou cansado de ver manifestos e manifestações cercados de melindres. Em tempos de liberdade vigiada as pessoas confundem serem políticas com serem covardes. Uma espécie de "homem cordial" que se esconde através das palavras mas com objetivos bastante subjetivos.
Só posso parabenizar a Idelber e os demais colegas que irão assinar a carta por mostrarem suas opiniões de forma clara sem receios. Se lecionasse nos EUA me juntaria ao grupo.
Ah! E obrigado pelas informações presentes na carta, veio a calhar logo após ter lido isto aqui.
Abraços!
Márcio Pimenta em fevereiro 15, 2008 3:41 PM
#24
Só mais uma coisinha, mary: quando anunciei o post eu sabia dos números finais da votação, mas não sabia da ausência da Hillary.
Isso eu não posso provar, é claro.
Mas posso lhe dar minha palavra.
"panfleto", "manifesto", "parcialidade", assumo tudo isso sem problema.
Mas se você vê "manipulação" no fato de eu ter anunciado e depois ter escrito um parágrafo sobre a ausência da Hillary, bom, aí essa eu não posso assumir, porque a ausência dela -- e toda a raiva que vem daí -- eu só descobri pesquisando para fazer o post.
Idelber em fevereiro 15, 2008 3:45 PM
#25
Idelber,
Caso o link que colei em meu comentário anterior não acrescente nada ao debate, fique a vontade para remover, terminei por bagunçar um pouco o layout ddo blog.
Abraços!
Márcio Pimenta em fevereiro 15, 2008 3:46 PM
#26
Embuti seu link, Márcio, sem problema :-)
Gracias.
Idelber em fevereiro 15, 2008 3:48 PM
Luiz em fevereiro 15, 2008 3:49 PM
#28
Luiz, eu teria que pesquisar para opinar. Mas por que será que eu não me surpreenderia se houvesse o dedo de alguma Haliburton da vida nesse roubo de computadores da Petrobras?
Idelber em fevereiro 15, 2008 3:58 PM
#29
tá escrito no G1 isso. q o obama é favor da cerca. uma amiga q mora nos eua, nos comments, disse q parece um erro de traduçao do site. eu disse q tava no G1. no G1 diz, inclusive, q a hillary tb votou pela cerca. o tempo todo eu disse q tava no g1. nao linkei exatamente pq ja tinha linkado o especial eleiçoes de lá. e vc clica em cima do candidato e aparece a coisa toda sobre eles.
e faz diferença sim. vc ter escrito o primeiro post antes de saber. pq ficou realmente parecendo q vc construiu essa bomba historica. com dramaticidade e tudo mais.
mary w em fevereiro 15, 2008 4:12 PM
#30
o problema, marcio pimenta, é que pelo tom da carta/manifesto parece que o grupo decidiu-se pelo obama devido a votaçao. nao é verdade. já é/era um grupo pró-obama. que somou uma posiçao do candidato e da candidata. mas q nem de longe foi *a* fundamental.
mary w em fevereiro 15, 2008 4:14 PM
#31
Idelber eu tenho uma leve impressão que o debate não é a eleição não...ainda que ela esteja no imbroglio...
e se os professores que assinaram começarem a ser vigiados, perseguidos, interrogados e precisarem de toalhas e médicos...e não terem mais fotos nos albuns de família ou universidade dos próximos 10 anos?
daí alguém muda de opinião?....ou vai dizer que pois é...a gente não sabia...não podia prever....
eu penso neles e nos desconhecidos...naqueles que a gente não lê no blog...nos anônimos...
e numa coisa que a gente deveria considerar mais importante do que o presidente dos EUA: a solidariedade humana e os direitos humanos...
ou isto é um problema dos outros?
mas eu num sei não...tenho dúvidas sobre o que é pior para nós neste contexto...a diferença entre fazer o que convém e fazer o que se deve fazer é neste caso sútil...
Daniel Boeira em fevereiro 15, 2008 5:00 PM
enio em fevereiro 15, 2008 5:09 PM
#33
pois é, mary.
Você fala de manipulação. E aí escreve "Obama quer uma cerca". Só depois diz que Hillary também votou pela tal cerca. Por que todo o auê, então, no post original em torno a Obama querer a cerca? Não funciona como argumento, né?
Mas sabe qual é o pior de tudo, mary?
é que é mentira.
Porque Hillary votou, sim, pela cerca. Obama não.
Prova?
A tal cerca era a emenda 3979, To increase the amount of fencing and improve vehicle barriers installed along the southwest border of the United States., aprovada por 83 votos a 16.
E eis aqui a lista de quem votou como.
G1 como fonte? Sem link? Você lê inglês. As votações do Senado americano estão na internet. Não é difícil.
Idelber em fevereiro 15, 2008 5:19 PM
#34
Idelber - Teve um senador democrata que votou com os "Nay". Um tal de Nelso (D-NE). Em tempo: estou com os Republicanos que votaram "Yea".
Pablo Vilarnovo em fevereiro 15, 2008 5:38 PM
#35
Idelber, volto a bater na mesma tecla: a celeuma toda que é armada, sempre que um de nós toma uma posição clara, é que "nossa" consciência política independente é fenômeno moderno. Está cada vez mais difícil cair na lábia dos grandes meios de comunicação e as pessoas - em escala planetária - estão percebendo que não dá para continuar legitimando o discurso da classe média conservadora. Esta mesma classe, que vê problema em uma reação firme e ideológica, é a classe que acha absurdo discutir as reivindicações das minorias, as reparações históricas contra os negros, os direitos dos homossexuais, a questão da reforma agrária, da preservação das culturas, da demarcação das terras indígenas, enfim... Esta classe abjeta está completamente horrorizado com a autonomia de pensamento que nós, os pobres e a parcela progressista da classe média, estamos desenvolvendo e colocando em prática. Isto é evidente. A própria popularidade de Obama é um indicativo positivo, por mais que eu ainda continue achando que ele será apenas um presidente yankee, continuador de uma política imperialista como todos os outros. Abraços!
Bruno Ribeiro em fevereiro 15, 2008 6:34 PM
#36
Mary W.,
Onde está a surpresa? É abolutamente natural, democrático e de prática cidadã que um grupo utilize um argumento a seu favor para defender este(a) ou aquele(a) candidato(a) ainda que tenham tomado a decisão em um momento anterior ao fato que será utilizado como argumento.
Não me supreenderia que um grupo de feministas, por exemplo, organizasse uma carta declarando apoio a Clinton. Faz parte do jogo democratico.
Mas o que noto é que a carta apresenta mais que isso. Não se trata de um fato (argumento) isolado, mas da postura do candidato frente aos problemas do país. Independente da posição da candidata, ela preferiu se ausentar a exercer a sua função.
Márcio Pimenta em fevereiro 15, 2008 8:29 PM
#37
Amén y amén. Si quieren mi firma, firmo.
Mac Williams em fevereiro 15, 2008 9:36 PM
#38
Inacreditável esta discussão.
No dia em que o Bush defende explicitamente a tortura e um grupo de intelectuais resolve se manifestar contra esses abjetos atentados contra a idéia mais elementar de humanidade, o assunto é a instrumentalização eleitoral do tema.
Mas nem no câncer há mais solidariedade?
Quê importa se o manifesto é pró-Obama?
Quê importa se alguns acham que o assunto merece um tom eleitoralmente neutro?
Não dá para pôr entre parênteses essas paixões por um instante e imaginar, simplesmente, que essas práticas são intoleráveis?
Paulo Zilio em fevereiro 15, 2008 9:57 PM
#39
Idelder
Como está o debate entre Clinton e Obama sobre politica externa? Está so na discussão em quem foi contra ou a favor da invasão do Iraque, ou está mais complexo, como por exemplo se os EUA vão invadir algum país de Obama for eleito, ou alguma coisa desse tipo.
Rodrigo em fevereiro 15, 2008 10:10 PM
#40
Rodrigo, a diferença básica que eu vejo é que Obama tem insistido que aceita negociar com qualquer um (incluindo-se o presidente do Irã), enquanto Clinton tem uma postura mais próxima da dos republicanos -- "não converso com inimigos dos EUA" é uma citação frequente. Em breve mais detalhes.
Hoje vou me permitir não responder os comentários um a um -- não é por preguiça nem falta de tempo, mas porque acho que seria impossível fazê-lo sem parecer que estou "tripudiando", digamos, dada a dinâmica que se estabeleceu aqui e o resultado final a que levou a discussão.
Em todo caso, confirmo que li todos os comentários, com gosto e proveito, e agradeço a todos, inclusive aos que acharam que a carta era inapropriada. O episódio foi bem instrutivo para mim e vai servir de base para um post futuro.
Idelber em fevereiro 16, 2008 2:37 AM
#41
Caro Idelber
Acho o assunto IRRELEVANTE para o eleitor norte-americano. Mas o fato é que em votação sobre a CERCA (ou MURO) na fronteira sudoeste realizada no final do ano de 2006, oito senadores democratas MUDARAM seus votos, em relação a votação por você referida. Salazar, Kerry, Levin, Reid e Leahy passaram a votar CONTRA a proposição. Kennedy NÃO VOTOU. Dodd e OBAMA passaram a votar A FAVOR.
Sendo assim OBAMA e H.Clinton VOTARAM DA MESMA FORMA.
Pelo menos as instituições funcionam!
P.S. – Já em nosso país a democracia afunda a olhos vistos. Muitos dos nossos concidadãos das ruas já deixaram de ficar indignados com os mensaleiros e começam a invejá-los. E aí as instituições naufragam!
Paulo em fevereiro 16, 2008 4:46 AM
#42
paulo zilio. vc tem razao. da parte q me toca, fiquei até envergonhada.
mary w em fevereiro 16, 2008 5:39 AM
#43
Algumas tréplicas:
Idelber: Ok. Para a ementa Feinstein o voto da Hillary seria relevante. Lamentável.
Ricardo Antunes da Costa (#4): Agora todos sabem a posição da Hillary nesta matéria. Se absteve! Podia ser pior - votar a favor da espionagem.
Eu assinaria a carta sem os 40% de panfleto (contra McCain e Hillary e pró Obama). Deveria ser coisas distintas.
Idelber: Quantas assinaturas vocês conseguiram? Já saiu no jornal?
Samuel em fevereiro 16, 2008 8:20 AM
#44
Mesmo eu, um direitão-liberal-reacionário achei que o manifesto foi coerente. Galera lembrem-se que um político é medido através de seus atos. Não apenas de suas promessas. Aliás, mais até pelo seus atos do que suas palavras.
Nesse cenário é extremamente lógico que o manifesto focasse a atuação dos três políticos que estão em evidência numa corrida presidencial. Nada mais natural, lógico e acima de tudo saudável.
Quanto às críticas:
Obama - Perfeita. Analisou a atuação do candidato. O parabenizou pela sua atuação e com coerência.
McCain - Talvez a melhor das críticas, envocando Lincon e Eike. Apesar de McCain ter jogado para seu público que realmente não é o mesmo do manifesto. McCain ainda precisa dos votos dos conservadores.
Hilary - Na minha opinião a crítica foi por um lado errado. Não que eu concorde com ela, como falei, estaria ao lado dos republicanos que votaram "NAY". Mas o não voto da Hilary estar supostamente associado ao lobby de telecons na minha opinião e forçar um pouco a barra.
E justifico. Essa emenda possui dos pontos morais: o primeiro é liberação indiscriminada para a espionagem por parte do Estado. Isso sou completamente contra. É errado.
O segundo ponto é que as empresas de telecominicação estavam sendo processadas justamente por fornecer informações solicitadas pelo governo.
Sejamos realistas: ninguém quer ter o governo como ameaça. Por mais que o Estado americano não interfira no mercado, ele possui poder suficiente para infernizar uma empresa. Alguém acha que a AT&T deixaria de encaminhar alguma informação que fora solicitada para NSA, pela CIA ou por qualquer outro órgão oficial do Governo americano?
Agora faço outra pergunta: alguém aqui acha justo que uma empresa seja processada por isso?
Eu acho que não. Por isso não acho justo acusar a Hilary de estar atendendo ao lobby das telecons, pois nesse ponto a emenda é correta (e somente nesse ponto).
Mas o resto da crítica, de que ela deveria ter ido votar, está certíssima.
Pablo Vilarnovo em fevereiro 16, 2008 10:24 AM
#45
Idelber,
Gostei muito do texto. Queria saber quando e onde ele será publicado... Pretendo repassá-lo aos meus familiares americanos, pra ver se ilumino a cabeça dos mais novos (não custa tentar!!) e cutuco um pouco os mais velhos - já que estes não têm mais salvação... rs.
Um beijo.
Clarissa Dudenhoeffer em fevereiro 16, 2008 1:38 PM
#46
Idelber,
Onde vai sair a carta em inglês? É possível mandar algum link para a gente divulgar tal carta aqui nos States?
Saudacoes,
Cesar
Cesar em fevereiro 16, 2008 9:51 PM
#47
Aos amigos que estão perguntando pelo destino da carta: ainda não sei. Não, ainda não há publicação ou link, embora já exista muita gente disposta a assinar.
Em parte por causa dessa espinhosa questão que aflorou aqui -- o protesto pelo voto do Senado versus o problema eleitoral -- eu e outros colegas estamos avaliando o que fazer.
Mantenho-os informados, pode deixar. Obrigado, obrigado mesmo.
Idelber em fevereiro 16, 2008 10:13 PM