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1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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quarta-feira, 20 de fevereiro 2008

Décima vitória consecutiva de Obama

Desde que os irmãos Bush nos roubaram a eleição de 2000, eu prometi nunca mais fazer previsões em política. Mas o fato é que ficou difícil, muito difícil para Clinton. Quem sabe o Alon ou o Rafael possam me ajudar a lembrar alguma eleição – no Brasil ou em qualquer outro lugar – em que tenha havido uma virada de 30 pontos em duas semanas. Porque foi exatamente isso que Obama fez em Wisconsin, no coração da base clintoniana. Há 15 dias, Clinton chegou a liderar por 13 pontos.Obama venceu ontem por 58 x 41, num estado em que a população negra não passa de 4%. Talvez não fique claro de imediato para o leitor brasileiro a dimensão desse resultado. Para efeitos de comparação, imagine Lula vencendo José Serra por 7 x 3 em Higienópolis e nos Jardins. Ou, não importa, imagine Alckmin enfiando 7 x 3 em Lula no estado de Pernambuco. Foi mais ou menos isso o que aconteceu em Wisconsin ontem, numa primária em que 58% do eleitorado era feminino e 92% branco.

Digamos, então, que o Biscoito está preparado para fazer a seguinte afirmação: as chances de Hillary conquistar a indicação democrata para a presidência dos EUA são comparáveis às do São Paulo ser rebaixado para a segunda divisão no Campeonato Brasileiro deste ano. Para alcançar Obama, ela teria que vencer Ohio, Texas e Pensilvânia por diferenças de 65 a 35, o que simplesmente não parece possível neste momento. No próximo dia 04, votam Ohio, Texas e Rhode Island.

Em futuros posts, vou tentar explicar o que me parece que aconteceu aqui nos últimos meses. É verdade que a campanha de Obama tem mobilizado – particulamente entre os jovens – uma energia que há décadas não se via na política americana. Mas também é verdade que poucas vezes na vida vi uma campanha tão incompetente como a de Hillary Clinton. Até mesmo uma campanha razoavelmente administrada teria sido suficiente para ela, dada a grande diferença de reconhecimento entre os dois nomes e a colossal diferença de poder entre os dois grupos dentro do Partido Democrata.

Mas a campanha foi enterrada pela estratégia de ignorar os lugares onde sofria derrotas (não oferecendo parabéns ao vencedor e nem mesmo agradecendo seus voluntários), pelo recurso à sistemática negatividade (as pesquisas de boca-de-urna em Wisconsin mostraram uma imensa rejeição a essa estratégia, um dia depois de que a campanha de Clinton tirou da cartola uma incrível acusação de plágio contra Obama) e pela desqualificação dos estados vencidos pelo senador de Illinois (com argumentos do tipo: assembléias não contam, estados com população negra não contam, estados republicanos não contam etc., até o ponto em que Wisconsin, que é a epítome do estado que, segundo essa lógica, deveria “contar”, terminou rejeitando-a) .

Na quinta-feira à noite há um debate na CNN. Dentro do campo de Clinton há um intenso debate acerca da estratégia. Reforçar os ataques pessoais contra Obama ou dar outro giro, enfatizando os planos e as qualidades da senadora? A briga em torno disso é tremenda: ainda existe – acreditem – um setor da campanha argumentando que a estratégia negativa funcionou, pois a margem de Obama havia sido maior na Virgínia do que foi em Wisconsin! Quanto a Obama, tudo o que ele precisa fazer no debate é não prometer bombardear o Canadá.

PS: O Biscoito saúda Digby, blogueira pró-Hillary que já está pronta para unir forças em torno de Obama para o que verdadeiramente importa, que é derrotar a máquina republicana. Ao longo desta campanha, Digby se firmou como a melhor analista política democrata na blogosfera, mantendo sanidade e ponderação ao longo do processo. No Daily Kos, a fascinação com Obama às vezes prejudica bastante a percepção da realidade. E o clintoniano Left Coaster, que era um bom blog, já não posta do planeta Terra há meses. Em breve, faço um post sobre o terrível legado desta campanha sobre a blogosfera progressista gringa. O saldo não é positivo, não.

PS 2: Não, não tenho nada a dizer sobre a aposentadoria de Fidel. Pelo menos não aqui no blog. A discussão que se armaria já é por demais previsível e eu estou um pouco cansado dela. Eu até poderia tentar fazer uma avaliação mais tridimensional sobre o legado da Revolução Cubana. Mas a discussão descamba, não tem jeito. Até mesmo aqui ela descambaria.



  Escrito por Idelber às 03:50 | link para este post | Comentários (59)


Comentários

#1

É. Parece que a fatura tá liquidada. Há alguma chance da Hillary abandonar a disputa? Me parece dificil, mas queria saber quanto a rumores por aí.

Mando email nos proximos dias sobre a reunião da BRASA e sobre a LASA.

Abração.

Alexandre Nodari em fevereiro 20, 2008 4:43 AM


#2

Acredito que a partir de agora a vantagem de Obama só vai aumentar. Deve ganhar de Hillary mais por incopetência dela do que por mérito próprio, mas penso que não será eleito presidente.

Douglas em fevereiro 20, 2008 6:39 AM


#3

Parabéns, Idelber, pela ótima cobertura e pela profundo e esclarecedora análise sobre essas primárias americanas.

olney em fevereiro 20, 2008 7:16 AM


#4

Beleza de cobertura, Idelber. Posso sugerir? que tal relermos suas impressões acerca do que é possível esperar ou não de Barack Obama na presidência? Iraque, Cuba, Venezuela, Irã, subsídios agrícolas, deficit das contas públicas e vai por aí. A pergunta é: que mudanças são possíveis na eventual gestão Obama?
Mais: qual será o perfil do congresso com o qual ele irá lidar?
Abraços, parceiro.

paulo galo em fevereiro 20, 2008 7:34 AM


#5

Eu já acho que Obama tem mais chances conta os republicados do que Clinton.

Eu já conversei com alguns americanos que normalmente votam vermelho, mas que desta vez estão dispostos a votar em um candidato democrata, desde que este não seja Clinton.

Ricardo Antunes da Costa em fevereiro 20, 2008 8:26 AM


#6

E ela voltou a não cumprimentar Obama pela vitória. Perdeu-se.

Milton Ribeiro em fevereiro 20, 2008 8:40 AM


#7

Primeiro comentário aqui! Antes, no entanto, parabéns pelo ótimo blog, Idelber. Duas dúvidas. Primeiro, Hillary abandona após as primárias do Texas, Ohio e Pennsilvania? Ou será que ela vai levar a disputa para a convencao (o que na minha opiniao seria péssimo para o partido)?
Segundo, alguma chance do Obama vencer no Texas?

Arthur em fevereiro 20, 2008 8:54 AM


#8

Parece que Obama já se firmou como candidato Democrata. Minha pergunta é: quais as chances reais (de acordo com a visão que vc tem daí) de Obama vencer os Republicanos?

Ana Carolina em fevereiro 20, 2008 9:22 AM


#9

Poxa, Idelber... Mesmo sabendo que a coisa vai descambar, arrisque. Anseio muito por um texto seu sobre o legado deixado pela Revolução Cubana. Com a ponderação que é comum aos seus textos. Vale a pena, apesar dos chatos que vão aparecer. Ignore-os. A maneira serena, polida e sábia com que Fidel passou o poder merecia uma atenção de vossa pessoa. Acho que é a primeira vez na história, que um líder político tratado como "ditador" abre mão do poder. Para a decepção de seus detratores, que queriam vê-lo apodrecendo no Capitólio, como um tirano de filme B. Repense sua decisão, estamos todos esperando ansiosamente!

PS - Obama será o indicado de um lado e, acho, McCain do outro. Acho que vai ser uma boa refrega, como há tempos não se via na política internacional. E vai ajudar a mostrar quem é quem, da mesma forma que a disputa entre Lula e Alckmin obrigou as pessoas a se posicionarem. Gosto quando isso acontece.

Bruno Ribeiro em fevereiro 20, 2008 9:42 AM


#10

Caro Idelber,
como o Paulo Galo, gostaria que você discorresse um pouco sobre as possíveis mudanças na política externa americana a partir de uma vitória do Obama. Só não entendi uma coisa no seu excelente post: por que 7X3 e não 6X4?
Um abraço.

Marco Catalão em fevereiro 20, 2008 10:00 AM


#11

Que pena que descambaria. Mas acho que vai demorar alguns anos até que se possa falar da Revolução Cubana de maneira decente. Uma enorme pena.

Daniel em fevereiro 20, 2008 10:20 AM


#12

Idelber,
quanto à sua pergunta sobre "alguma eleição – no Brasil ou em qualquer outro lugar – em que tenha havido uma virada de 30 pontos em duas semanas", tem um caso recente.
Não sei se vale como exemplo, pois, como é sabido, existem três tipos de pesquisas: as boas, as más e as feitas na Bahia.
Mas, vamos lá.
Há UMA semana da eleição para governador em 2006, o Ibope publicou uma pesquisa dando 17 pontos de vantagem para o ex-governador Paulo Souto. 48 x 31.
Quando as foram abertas (sou de um tempo em que as urnas ainda se abriam), o placar foi o seguinte: 52,89% para o atual governador Jaques Wagner e 43,03% para Paulo Souto.

Franciel em fevereiro 20, 2008 10:44 AM


#13

Idelber, vendo agora o site da BBC Brasil, li que McCain diz que Obama "faz um eloquente, porém vazio chamado por mudança". Hillary também ataca o senador de Illinois: "Não podemos ter um presidente que se vale somente de palavras. Não podemos ter apenas discursos, precisamos de soluções". Você não acha que, com Clinton batendo na mesma tecla que o republicano, o eleitorado democrata tende a rejeitá-la? Não é outra estratégia de ataque equivocada? Abraço!

Sidarta Cavalcante em fevereiro 20, 2008 11:24 AM


#14

Coitada de Cuba. O povo de lá não merece...

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 11:26 AM


#15

Fidel deveria ser preso pelo simples fato de ter privado o mundo durante décadas de ouvir Belavista Social Club. Só por conta disso poderia ser processado por crimes contra a humanidade!!

:)

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 11:29 AM


#16

P.S.: Não é Belavista, é Buena Vista...

Recomendo também, Bebo Valdez e Cigala. Um é pianista clássico cubano outro um cantor flamenco. Som da melhor qualidade.

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 11:30 AM


#17

P.S.: Não é Belavista, é Buena Vista...

Recomendo também, Bebo Valdez e Cigala. Um é pianista clássico cubano outro um cantor flamenco. Som da melhor qualidade.

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 11:31 AM


#18

Pora, Fidel, é mesmo um escroto. Até hoje ainda não conheço este tal de Belavista.)

Franciel em fevereiro 20, 2008 11:36 AM


#19

Caro Idelber,

Nunca deixei um comentario aqui mas leio seu blog desde que comecou, parou e comecou de novo. Mesmo as eleicoes americanas ficaram agradaveis de se acompanhar. No Guardian ja tinhamos dito que eles deviam faze-la em suplemento separado para ir pro lixo mais rapido. Mas o que eu gostaria mesmo em algum lugar do futuro seria que vc fizesse um comentario sobre o livro "Pedro Paramo" de Juan Rulfo.

Grande abraco e parabens pelo melhor blog que anda por aih...

Sonja em fevereiro 20, 2008 12:28 PM


#20

O Obama fala MUITO bem!
O pior dos mundos já vimos - alguém que fala e faz MUITO mal. Pelo visto ele será o próximo presidente dos EUA pois não consigo ver como um democrata perca estas eleicões.

Samuel em fevereiro 20, 2008 12:48 PM


#21

OK, Alexandre, fico aguardando :-)

Douglas, vira essa boca pra lá, meu caro; mais quatro anos de Partido Republicano a gente não aguenta, não :-)

Obrigado, olney.

paulo e Marco, prometo para breve uma apreciação sobre o que seria uma política externa no governo Obama. Essas coisas são sempre difíceis de prever, é claro. Mas há alguns sinais encorajadores, especialmente considerando a turma que ele escolheu para assessorá-lo. Marco, escolhi o 7 x 3 porque a vantagem de Clinton num lugar como Wisconsin deveria ser até maior que a vantagem do PSDB sobre o PT num lugar como Higienópolis. É só uma analogia, claro.

Ricardo, esses eleitores que você menciona são exatamente os que decidem a eleição -- os chamados "swing voters", que podem ir tanto para um lado como para o outro. E é ali que a taxa de rejeição à Hillary é imensa.

Pois é, Milton, a campanha parece ter realmente entrado em parafuso. Desta vez Obama revidou, entrando em cena enquanto ela ainda falava. Todas as cadeias de televisão passaram ao discurso dele. A campanha de Obama diz que não foi proposital, mas duvido.

Arthur, obrigado. As chances do Obama no Texas são boas. As pesquisas já dão empate técnico, o que, a julgar pela evolução dos números, sugere possível vitória lá também. Quanto a Hillary possivelmente abandonar a corrida, acho que vai depender dos resultados em Ohio. Se ela não der uma goleada lá, a pressão será grande. Mas os Clintons não costumam desistir fácil. Concordo com você, quando mais isso se arrasta, pior para o partido.

Ana Carolina, as chances são grandes, excelentes mesmo. Não há nada definido, claro, mas o contraste entre os dois é bem grande.

Pois é, Daniel, é uma enorme pena. Mas, como se vê aí, meus medos não são infundados.

Franciel, é mesmo, meu caro, eu não me lembrava desse exemplo da Bahia! Mas ali acho que podemos creditar a coisa à uma pisada de bola dos nossos meios de comunicação e dos institutos de pesquisa, não?

Volto mais tarde para os próximos :-)

Idelber em fevereiro 20, 2008 12:59 PM


#22

Puxa Franciel, foi um lapso.

:(


;)

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 1:24 PM


#23

Pô, eu também estava esperando seu post sobre Fidel. Até que um sujeito apareceu lá no blog cobrando que EU falasse do Comandante e me disse que você também não ia falar nada a respeito.

Hermenauta em fevereiro 20, 2008 1:29 PM


#24

Sinceramente não vejo sentido nesso oba, oba com o Fidel. Alguém acha realmente que ele perdeu poder? Que ele não continuará a mandar em Cuba?
Só depois de sua passagem para os quintos que talvez, quem sabe, com todas as dúvidas do universo, algo mude em Cuba.

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 1:34 PM


#25

Como diz mestre Fredric Jameson, os tempos atuais conseguem ser mais anticomunistas do que o período da Guerra Fria.
Para entender a Revolução Cubana, uma dica é o filme "Memórias do subdesenvolvimento", de Tomas Gutierrez Alea. Saiu em DVD recentemente no Brasil.
O engraçado dos jornais brasileiros é que eles usaram o material que seria para o obituário do Fidel Castro. Nem se deram ao trabalho de reescrever os textos.
Outra coisa: o escritor Philip Roth é um dos heróis dos conservadores letrados no Brasil. Ele deu uma entrevista ao Der Spiegel, traduzida pelo Estadão no último domingo, e colocou Obama nas alturas.
Fala Roth: "O que me interessa é o fato de ele ser negro. Sinto que a questão da raça neste país é mais importante que a questão feminista. Acho que a importância para os negros seria enorme. Ele é um homem atraente, é inteligente, é tremendamente articulado. E acho que seria importante para os negros americanos se ele se elegesse presidente".

enio em fevereiro 20, 2008 1:38 PM


#26

*na fila dos que gostariam de ler um post do Biscoito sobre Castro

tiagón em fevereiro 20, 2008 1:51 PM


#27

Pablo:: chega. OK? Você já destruiu dois threads neste blog com sua obsessão com Cuba. Ninguém quer conversar com você sobre isso. Você tem um blog. Faça um post sobre o tema que eu linko aqui.

Idelber em fevereiro 20, 2008 1:57 PM


#28

Sem a menor necessidade.

Pablo Vilarnovo em fevereiro 20, 2008 2:02 PM


#29

Enio, replico seu Philip Roth com o filósofo-pop John Lennon: woman is the nigger of the world. Yes, she is. Think about it. ;-)
(Não que eu torça mais pela Hillary do que pelo Obama, nem vice-versa. Seria como a mosca torcer para ser esmagada por um cavalo em vez do outro - para quem vai se estraçalhar de qualquer forma, tanto faz. Hehehehe)

Idelber, não vamos nos desgastar conversando sobre Cuba em público. Mas um bate-papo por e-mail seria muito bem-vindo. Adoraria saber sua opinião. ;-)

Monix em fevereiro 20, 2008 2:34 PM


#30

Sonja, obrigado pelo comentário tão simpático. É uma coincidência sua sugestão, porque na semana que vem começo a discutir Pedro Páramo com meus alunos de gradução. Vamos se num futuro coloco esse romance na pauta aqui.

Hermê, Bruno, Tiagón, gracias, gracias mesmo. Vou dar uma pensada, mas tenho uma imensa preguiça da montanha de clichês que afloram. Acredito piamente que há dois assuntos impossíveis de se debater racionalmente num blog, ou pelo menos num blog com um pouquinho mais de movimentação na caixa de comentários: Cuba e Palestina.

Sidarta, sim, aconteceu isso com Hillary, acredito. A história do tal do plágio foi o fundo do poço, me parece.

enio, valeu o toque da entrevista. É interessante o comentário dele, inclusive porque o marco raça x gênero não foi, nem de longe, o centro da campanha -- por mais que um setor (minúsculo, é verdade) da campanha de Clinton coloque a culpa pelos seus próprios erros num suposto sexismo dos eleitores (com isso não quero dizer, claro, que esse sexismo não exista).

Monix, puxa, vamos conversar, claro. Mande um email. Como está você com toda essa história?

Idelber em fevereiro 20, 2008 2:59 PM


#31

A ultima vez que tivemos um presidente carismatico y jovem, foi asesinado. Agora e carismatico, jovem e negro num pais onde tem pessoas bem armadas que nao gostam duma coisa assim. Num cachito da minha coracao sempre me preocupo disto.

Mac Williams em fevereiro 20, 2008 3:22 PM


#32

É cedo para dizer que Obama tem dianteira para valer. A "máquina" dos Clinton, assim como a dos Bush, vai funcionar. Para mim, não faz diferença: Clinton, Obama, Kennedy, Roosevelt, todos, todos viram "Wilson", todos são CEO de uma empresa imperial. Quem pisa fora, é rapidamente "enquadrado". Certo JFK?

Armando do Prado em fevereiro 20, 2008 3:30 PM


#33

Caro Idelber, sobre Fidel, basta a citação do nosso Niemeyer: "é preciso ser conseqüente até o final".
saudações, armando

Armando do Prado em fevereiro 20, 2008 3:36 PM


#34

Espremi a cabeça e lembrei da virada do Mario Covas sobre Paulo Maluf em 1998. Abs.

Alon Feuerwerker em fevereiro 20, 2008 3:40 PM


#35

Não ceda à provocação de escrever sobre Cuba. Não vale a pena. Brasileiro não conhece nada de política internacional, até porque o noticiário local é triste de magro e ruim. No blog do Nassif, está uma tortura medonha e deprimente de números a respeito de Cuba.

enio em fevereiro 20, 2008 3:42 PM


#36

Puxa, eu também tô na fila dos que queriam post sobre Fidel, sim. (E sobre a Palestina eu também ia adorar, aliás). Fico com pena de os mais sensatos desistirem de entrar na briga (apesar de entender o cansaço), enquanto a turma deslumbrada repete as mesmas baboseiras, over and over, cada vez com menos medo de parecerem ridículos. (Se for rolar análise por e-mail, Monix e Idelber, me acrescentem na lista, heim?).Beijo.

Ju Sampaio em fevereiro 20, 2008 4:05 PM


#37

Se forem falar de Cuba por e-mail, incluam o meu também. Quero muito saber a opinião de vocês sobre a renúncia de Fidel. E concordo com Ju: é uma pena que os melhores dentre nós prefiram o silêncio num momento tão interessante para reacender o debate sobre questões ainda obscuras sobre a ilha rebelde. Entendo a preguiça e o receio do Idelber. Mas considero que seja um dever. Este blog é muito lido e tem credibilidade. Prestaria um enorme serviço à boa informação, já que a grande imprensa tratou o caso com a superficialidade que lhe é habitual.

Tá vendo, Idelber? Mesmo sem você escrever nada sobre o tema, ele já está sendo discutido por aqui. ;-)

PS: prometo não tocar mais neste assunto. Respeitarei sua decisão.

Bruno Ribeiro em fevereiro 20, 2008 4:18 PM


#38

Opa,

E sobre as "falhas" nas transmissoes de tv confundindo o Obama com o Osama ?? Viu a materia na Fox tentando impingir a imagem de muçulmano ? Sera que isso é viagem na maionese ou pode ser uma nova estrategia ??

Acho muito cedo pra cantar vitoria, e principalmente, dizer que o "Foxismo" acabou.

Hasta,

Magrello em fevereiro 20, 2008 4:25 PM


#39

Magrello, voltei justamente por causa disso. Acabei de ver! Difícil achar que foi só um vacilo do depto. de arte, heim?! Pelo jeito, em novembro a coisa vai ser feia...

Ju Sampaio em fevereiro 20, 2008 4:42 PM


#40

Para a desgraça do Brasil, Collor foi um que começou quase nada nas pesquisas e, em poucos meses, teve aquela vitória em 1989.

enio em fevereiro 20, 2008 5:09 PM


#41

Tô na fila de Cuba tbém, inclusive do email.
Mas se continuarmos insistindo Idelber vai acabar fazendo como o tio Rei:"Não deixarei vocês me pautarem, petralhas!"

Daniel em fevereiro 20, 2008 5:19 PM


#42

Ju e Magrello, aguardem coisas do tipo logo que a campanha começar. Se alguém achou que Obama já viu tudo o que tinha que ver em termos de sujeira, está enganado.

Aguardem, por exemplo, investigações sobre a família de Obama no Quênia. Com certeza deve ter algum primo dele metido algo sujo por lá. Assim funciona muitas vezes a máquina republicana: culpado por associação.

Obrigado, Alon, dessa eleição paulista eu tinha pouco registro na memória.

Armando, eu acho que há, sim, alguma margem de manobra. Estreita, é verdade, mas há.

Mac, algumas pessoas estão batendo nessa tecla do medo. Eu acho bobagem. Acho que deveríamos relaxar com isso, e deixar que o Serviço Secreto se encarregue de proteger o cabra.

Idelber em fevereiro 20, 2008 5:21 PM


#43

Ju, querida, sobre a Palestina, sim, eu prometo posts em breve. Aliás ando prometendo há tempos. Mas vou cumprir :-)

Idelber em fevereiro 20, 2008 5:23 PM


#44

Idelber, estive na Bahia na semana passada. Lá, todos com quem eu conversei sobre a "virada" de 2006 foram unânimes: os entrevistados do interior tinham medo de dizer (para quem quer que fosse) que não votariam no candidato de ACM. Daí, o "erro" dos institutos. Assustador, não?

Manuel em fevereiro 20, 2008 5:48 PM


#45

Idelber, a influência dos Clinton dentro do P.Democrata é muito maior do que a influência do Obama. Certo? Certo. Por diversos motivos. Por erros de campanha da Hillary, Obama deve ser o candidato do partido. É claro que os democratas querem voltar à C.Branca? Certo? Certo. Agora pergunto:o Partido Democrata vai usar todo o seu peso a favor do Obama, como usaria se fosse a Hillary? Você vê a Hillary subindo no palanque do Obama, apoiando-o MESMO? E se ela se omitir? e os super-delegados?
Parabéns pelo blog e pela cobertura das eleições aí e concordo que v. deve abordar a saída de cena do Fidel, sim. Se alguém extrapolar, você o enquadra.

Carlos Jansen em fevereiro 20, 2008 7:21 PM


#46

Manuel, conhecendo a Bahia, lhe digo: totalmente verossímil.

Carlos, entendo as premissas, mas há que se ver o que se está definindo como "o Partido Democrata". Se o definimos como a soma de seus membros, o apoio a Obama é majoritário, como vêm demonstrando as votações. Os Clintons (e o chamado DLC, grupo que congrega a direita do partido, e ao qual eles pertencem) têm o controle de boa parte da máquina, mas não da totalidade -- o diretor do DNC (Democratic National Committee), por exemplo, é Howard Dean, ex-governador de Vermont e ex-pré-candidato a presidente, que não é da turma dos Clintons de jeito nenhum. Definido o indicado, todo mundo vai embarcar, é o que acho. Seria muito grande o desgaste de não apoiar um candidato tão popular -- numa eleição contra um direitista nato como o McCain. É certo que as primárias têm sido bem mais "violentas" que o normal. Mas acho que o partido se unifica, sim. Não é do interesse de ninguém rachar.

Idelber em fevereiro 20, 2008 9:03 PM


#47

Idelber, se o problema de escrever sobre Cuba e Fidel é a discussão chata que se seguiria, por favor cogite de escrever um post sobre isso, mas fechado para comentários.

Marcus em fevereiro 20, 2008 9:24 PM


#48

A eleição paulista de 1998 é inesquecível, meu querido Idelber. Pelo menos para nós, paulistas, que a vimos de perto.

Acho que você se lembrará tão-logo eu rememore alguns tristes momentos:

a) Tudo começa com Francisco Rossi (ele, o "segura na mão de deus"!) em PRIMEIRO LUGAR com o slogan "chega dos mesmos";

b) Maluf encosta, ultrapassa, até que Rossi fica para trás;

c) De um certo momento em diante, IBOPE e DataFolha dão Covas como mais próximo de Maluf, disputando com Rossi. Marta vinha atrás.

d) SOMENTE NO DIA DA APURAÇÃO, FICAMOS SABENDO QUE MARTA SUPLICY TINHA QUASE TANTOS ELEITORES QUANTO MARIO COVAS.

Isso mesmo! A petista foi PREJUDICADA por uma escandalosa divulgação de pesquisas obviamente ridículas.

A grande "virada" do Covas não foi sobre Maluf. Foi sobre Marta, mesmo, com o auxílio luxuoso do pandeiro do Ibope e do reco-reco do DataFolha.

Em 2000, Marta estava bombada por essa eleição e Maluf BOMBARDEADO por Pitta. Foi uma surra. Alckmin, nesse mesmo ano, ficou num vergonhoso TERCEIRO LUGAR em SP (pra prefeitura).

O resto é história. E a história é feia como sempre.

Gravatai Merengue em fevereiro 20, 2008 9:25 PM


#49

Idelber, já que a onda é pedir post, vou entrar na fila do Pedro Páramo. É um dos livros que mais gosto.

Guto em fevereiro 20, 2008 11:24 PM


#50

Nessa de viradas de ultima hora, nao me lembro direito, mas acho que foi Janio Quadros X Fernando Henrique disputando a prefeitura de Sao Paulo, que o Fernando Henrique ja tinha ate tirado foto sentado na cadeira de prefeito. Depois que saiu o resultado, Janio mando desinfetar a cadeira hahaha FHC, pra variar, colocou a culpa no PT...foi isso mesmo? faz tanto tempo e meu cerebro anda mal das pernas

julio em fevereiro 21, 2008 3:36 AM


#51

exato, julio: 1985, e o candidato do PT era Suplicy.

Guto, estou achando que Pedro Páramo é uma boa pedida para o Clube de Leituras. Vou lançar a idéia, vamos ver se temos quorum.

Marcus, valeu, estou considerando essa possibilidade, sim.

Gravata, comecei a me lembrar dos detalhes, que coisa aquela eleição, hein?

Idelber em fevereiro 21, 2008 4:36 AM


#52

Idelber,
pois é, eu contei umas semanas atrás lá no PAS que aqui na Batávia já paasou no "jornal nacional" imagens do Quênia, com aquela gente pobre, desdentada, e pior, muçulmana, falando das esperanças deles em relação à vitória do Obama (=invasão africana na terra da oportunidade).

Márcia W. em fevereiro 21, 2008 5:02 AM


#53

Márcia, onde anda o PAS? Que sumido!

(quanto ao Quênia, aguarde; chumbo grosso virá, não se preocupe)

Idelber em fevereiro 21, 2008 5:54 AM


#54

Caro Idelber
Através de suas palavras (e também dos comentários) tenho acompanhado o périplo dos candidatos, EM CAMPANHA, ao longo dos EUA. É muito bacana tudo isso. Mas certamente haverá norte-americanos que apontarão falhas e distorções nesta prática e no processo eleitoral em geral (não estou falando da notória falha que houve na Flórida).
Já aqui em nosso país bastam andanças em São Paulo e adjacências. De fato a oposição verdadeira nas casas parlamentares só existe também naquele estado! Portanto é curioso ouvirmos restrições a H.Clinton quando ela teria dado menos atenção a dois ou três estados. Por aqui se dá atenção a um (1) estado e se esquece os outros vinte e tantos.
Aqui no Estado do Rio, por exemplo, não existem COMO PARTIDOS POLÍTICOS, nem o PT, nem o PSDB. Embora no Estado do Rio, o PT viva HOJE alguns dos seus melhores dias com milhares de militantes empregados em diversos postos.
Idelber, enquanto os EUA mantém essas práticas democráticas (MESMO EVENTUALMENTE COM PROBLEMAS)nós aqui estamos, em carga acelerada, perdendo algumas instituições que PODERIAM garantir a democracia. Hoje há menos oposição parlamentar do que havia no período de governo militar!

Paulo em fevereiro 21, 2008 8:21 AM


#55

PS2: Falando em "análise tri-dimensional" sobre Cuba e Fidel, leiam o que Carlos Alberto Montaner (escritor cubano exilado em Madri) escreveu sobre o tema.
É importante ler até o fim e daí tirar conclusões.
Click em
http://www.estado.com.br/editorias/2008/02/21/int-1.93.9.20080221.19.1.xml?

Islander em fevereiro 21, 2008 9:53 AM


#56

Alexandre: nunca vi coisa mais sem educação em toda a minha vida! É como se você entrasse na casa de uma pessoa para agredí-la. A internet ainda é um veículo democrático, no qual as pessoas podem escolher o que lêem, onde lêem, o que escrevem, onde escrevem. Um blog não é um jornal, com suas pautas "obrigatórias". Aliás, o legal dos blogs é justamente refletir as idéias, opiniões, vontades, convicções, etc, do seu blogueiro. Portanto, um comentário como o seu, além de extremamente deselegante, é um atentado contra o direito de expressão do Idelber e demais participantes deste blog (e ainda acompanhado de ridículas ofensas particulares).
Idelber: quando quiser, pode apagar, afinal o blog é seu. Desculpe, mas não agüentei...

Ana Carolina em fevereiro 21, 2008 10:41 AM


#57

Ana, provavelmente ele não poderá ler seu comentário, porque já teve o IP bloqueado. É o único leitor já banido daqui na história do blog. De 6 em 6 meses ele volta para uma aparição especial.

Já é parte do folclore do blog :-)

Idelber em fevereiro 21, 2008 10:47 AM


#58

Idelber!
Não tenho comentado mas não passo um dia sem vir te visitar. Tenho procurado buscar tudo que posso sobre Obama, para formar uma opinião mais consistente sobre ele, porém o material mais antigo que encontrei foi de outubro de 2006. Mas, tendo em vista sobre o que tenho lido, penso que ele representa muita mudança, sim. Não só pelo fato de ser negro, mas também, por suas posições polêmicas, para padrões americanos:
reafirmou em discurso, a sua intenção de iniciar a retirada militar do Iraque e de fechar a base militar de Guantánamo, em Cuba, se ganhar as eleições de novembro de 2008.

Num fórum sobre política externa em Portsmouth (New Hampshire), o senador também expressou sua intenção de aplicar uma política de aproximação diplomática com governantes de países hoje considerados adversários dos Estados Unidos."Nossa capacidade de liderança vem sendo reduzida por nossas próprias bravatas e pela recusa a falar com países que não são de nosso agrado", criticou.

Em discursos anteriores, Obama, disse que está disposto a se reunir com governantes de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte e Irã, países abertamente antagônicos à política externa americana.Sobre o Iraque, o senador do estado de Illinois criticou "uma equivocada guerra que nunca deveria ter sido autorizada".
Ele prometeu que, se eleito, iniciará a retirada das tropas americanas a partir de março de 2009. Já declarou-se a favor do Software livre, reconhecendo a verdadeira importância dos padrões abertos". Só isso já nos faz crer em novos ventos!
Por favor corrija-me se estou errado.

Quanto a El Comandante, um ótimo artigo esta no link abaixo:
http://www.thenation.com/doc/20070514/forum (descobri no Blog do daniel Lopes).

Não participei do último clube de leitura (já estou apertando o meu cilício), por motivo de força maior (férias em Florianópolis), mas já estou querendo Pedro Páramo, também.
Abraços

paulovilmar em fevereiro 21, 2008 9:46 PM


#59

Está certíssimo, Paulo. Sobre a história legislativa do Obama, ver este link, que é bem informativo.

Idelber em fevereiro 21, 2008 10:04 PM


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