Elis Regina tinha mais recursos técnicos e Carmen Miranda teve mais impacto fora do Brasil e em outras artes, como o cinema. Mas a maior cantora dessa terra de cantoras foi Cássia Eller, a atleticana:
Duas das melhores memórias de minha vida são de shows de Cássia. Às vezes ela entrava, parava ante o microfone, virava a cabeça e cuspia no chão, dava uma “coçada no saco” e gritava: Galôôô! Nos shows em Minas Gerais, era delírio coletivo na certa. Tímida e reservada, ela explodia quando subia ao palco. Despretensiosa, ela tinha um conhecimento musical gigantesco. Tudo o que gravava trazia a sua assinatura, inconfundível. Quando gravou “Na Cadência do Samba”, de Ataulfo Alves e Paulo Gesta, deu à canção uma sonoridade blues que fazia aflorar toda uma conversa entre esses dois gêneros musicais. Assim era Cássia: inventava coisas que ninguém havia visto. Depois da invenção, tudo parecia óbvio e cristalino. Não é uma boa definição para o que sempre faz um verdadeiro artista?
Os dois grandes letristas da geração roqueira que se consolidou na década de 80 – Cazuza e Renato Russo – não podiam imaginar que nos anos 90 uma excepcional cantora extrairia de suas músicas sentidos que eles mal puderam entrever originalmente. Cássia tinha sobre sua colega de geração mais badalada pela mídia, Marisa Monte, uma série de vantagens: era uma artista mais autêntica, mais propensa a correr riscos, além de ser uma instrumentista superior. Poucas roqueiras foram tão respeitadas por sambistas. Poucas artistas da MPB foram tão idolatradas por metaleiros e punks. Até na morte ela foi pioneira, quando sua companheira Maria Eugênia venceu a mais justa das batalhas judiciais, pela guarda do filho Chicão, derrotando uma absurda demanda do avô do garoto e abrindo um precedente jurídico importantíssimo para casais de gays e lésbicas no Brasil.
A minha foto favorita de Cássia é a da capa de seu primeiro disco:
Também gosto muito do jeito que ela segura o cigarro na capa do segundo:
Quando mais "invocada", mais sexy ela parecia:
E o charme com que ela cantava "Malandragem"?
Na entrega das faixas de campeão da Série B de 2006, contra o América-RN no Mineirão, o Atlético-MG homenageou Cássia Eller com o Galo de Prata, a mais alta honraria concedida a um atleticano. Sua mãe recebeu o troféu, enquanto 60.000 torcedores gritavam o nome de Cássia.
Cássia Eller foi enterrada com um bótom do Galo preso a um lenço laranja amarrado à cabeça. Que ela tenha morrido aos 39 anos de idade é um desses acontecimentos que nos lembram que não existe justiça no mundo.
Amo a Cássia também. Vozeirão, ousadia, sensabilidade. Que merda mesmo que ela morreu tão jovem, por ela que tinha tanta coisa a viver e o filhote para curtir/criar, e péssimo para a gente que perdeu a moleca que levava a gente pela mão por uns caminhos surpreendentes. E viva Cássia que me deu motivo para comentar na seção futebolísitca, com todo respeito.
Márcia,
(belzontina-atleticana por parte de pai)
Concordo plenamente contigo, Cássia era maravilhosa,Cazuza e Renato Russo os dois grandes letristas da geração roqueira. Afinidade musical de uma geração marcada pela ditadura.
Um abraço
Idelber,
assim como você sou anti-direita, atleticano fanático, admirador da Cássia Eller (ela é a patrona musical do meu casamento) e simpatizante (já entusiasmado) do Obama. Não é à toa que o seu blog está entre os meus favoritos. Provavelmente você trabalha muito em seus afazeres acadêmicos, contudo não posso deixar de dizer que fico frustrado ao não ver novos posts inseridos por você nas minhas visitas mais do que diárias ao seu blog, com o qual me identifico um bocado.
Parabéns.
Paulo Machado
Idelber: a Cássia foi, realmente, tudo isso. Compreendo que você goste mais dela do que das outras. Mas afirmar que ela foi a maior das cantoras desta abençoada terra de cantoras... Acho que você precisa ouvir com mais atenção a discografia da Clara Nunes. Esta sim, cantava com a força de uma tempestade tropical. Abração!
(só uma provocadinha pode, né, Idelber?)
Se vc fica feliz com Cássias e séries Bs* da vida, imagina se torcesse pro Inter e gostasse de Pink Floyd? Banda e time que jamais pisaram numa segundona, hein? hehehe
Abraço, Idelber, todo dia entro no seu blog. Malgrado eu seja daquela leva que veio do Nassif, Pedro Dória, etc., valorizo muito o tipo de site que vc tem, pessoal, variado e inteligente.
*segunda divisão é o nome correto, afinal, ninguém se refere a "série B italiana", "espanhola", etc.
A Cássia Eller tinha uma coisa fantástica -- que ela só compartilhava com Elis --, uma sensibilidade sem igual para repertórios. Por isso os novos discos dela eram sempre surpreendentes. Quando a Marisa Monte despontou com aquele disco fabuloso, eu pensei que seria ela a herdeira do dom de Elis, mas coube a Cássia esse papel.
Mas ela certamente não foi a maior cantora do Brasil. É ainda temerário declarar que ela foi a maior da sua geração, pois Marisa Monte, ainda que seja de fato menos autêntica que Cássia e que seus discos não sejam tão bons, é uma cantora mais completa, mais versátil.
Caro Idelber,
Este post deixou-me saudosista. Há 10 anos assisti a um show histórico, no Sambódromo, com Cássia Eller abrindo para Bob Dylan, que abriu para Rolling Stones. Quando Cássia subiu ao palco, pipocaram gritos de Galo na Praça da Apoteose.
Lamartine Babo-América, Lupicínio Rodrigues-Grêmio, Jorge Ben-Flamengo, Chico Buarque-Fluminense, Gilberto Gil-Bahia, CÁSSIA ELLER-GALO: a nossa dobradinha é a mais forte e autêntica. Quando a menina migrou para Beagá, devido ao nomadismo do pai militar, aportou-se no Bairro São francisco, próximo ao Mineirão, onde foi testemunha ocular da geração brilhante do Rei. Aí foi covardia, pois quem era menino, como nós, àquela época, estava fatidicamente "adoecido" pelo pathos alvi-negro.
Saudações nostálgicas!
Olá Idelber,
Vi -ou li, uma entrevista com a Cássia Eller onde ela dizia que sentia um prazer enorme em juntar-se ao coro atleticano, principalmente quando o adversário era o Cruzeiro, e mais ainda quando o goleiro era Raul Plassmann, que na época, decidiu envergar camisas coloridas e não preta como de praxe. E a torcida atleticana não perdoava e entoava o coro chamando-o de 'Wanderléa' eh eh eh.
Mas acho que querem te provocar quando afirmam que a cruzeirense Clara Nunes é melhor que a Cássia : > )
Ah, nada como um superlativo para criar a saudável polêmica! Claro que Cássia Eller foi a maior cantora de todos os tempos, gente! Estão loucos? :-)
Vamos lá:
Pois é, Márcia, só Cássia mesmo para te trazer para a seção Galo. Mais um pouquinho e a gente te converte :-) Beijos, e abraços alvi-negros para o seu pai.
É isso, Izabela. E Cássia foi também um rito de passagem para eles. Foi uma espécie de saída da adolescência da "Geração Coca-Cola" (outra canção para a qual Cássia inventou sentidos inusitados, aliás).
Paulo, nossa, quanta coincidência! Tem certeza de que você não se chama Idelber? Puxa, atualizações mais frequentes do que eu tenho feito? Você viciou mesmo, hein? Assine o feed, assim não tem que voltar toda hora para ver se tem post novo.
Henrique, não tenho a menor idéia. Se a memória não me falha, o Galo travou um duelo histórico com o Ajax num torneio de verão nos anos 80, naquele tempo em que esses torneios eram muito valorizados. Acho que o clube sueco foi um parceiro. Ou é. De novo, se não me falha a memória.
Ana Paula, bem vinda à família!
Bruno, você tirou da minha boca. A versão original do post era: "junto com Clara Nunes, a maior cantora dessa terra de cantoras". Tenho a obra completa de Clara, ouço sempre; já escrevi sobre ela, inclusive. Será parte do meu próximo livro, com certeza.
Moses, seja sempre bem vindo, meu caro. O Inter é um grande clube, pelo qual tenho muita simpatia. É meu segundo time, neste momento. Mas Pink Floyd???? Nossa, isso eu ouvia entre os 12 e os 14. Depois já passei para Velvet Underground, e nunca mais voltei. Vou lhe conceder uma coisa: The Piper at the Gates of Dawn é um grande disco. Daí para frente, sei não...
Caro Leonardo, que excelente o seu blog. Pois é, trata-se da velha discussão: o/a maior seria algo que definiríamos só pelos recursos técnicos? Ou pelo pacote completo, que inclui postura, impacto artístico, integridade etc.? Não discuto que em termos de estritos recursos técnicos, Elis e Marisa Monte foram superiores. Mas quando olho o "pacote completo", eu ainda mantenho minha hiperbólica afirmativa. Mutatis mutandi, é a mesma razão pela qual considero Drummond um poeta superior a Olavo Bilac ou Cruz e Sousa, por exemplo, que em termos estritamente técnicos talvez tenham tido mais recursos que ele.
Homo antiquus, pois é, a identificação de Cássia com o Galo é muito mais intensa que essas outras que você cita. Até nisso ela foi atleticana: sua identificação era mais intensa. Uma coisinha: ela virou atleticana bem antes de Reinaldo! Aos 9 anos de idade, em BH, ela comemorou o Campeonato Brasileiro de 1971.
Frank, meu caro, de onde você tirou que Clara Nunes era cruzeirense? Tem certeza? Minha impressão é de que ela era alvi-negra também....
Poxa!
Era mais atleticana do que eu imaginava, então.Saiu de BH aos 10 anos, antes de ver o Rei jogar. Estranho. Vi uma entrevista dela em que falava que assistia aos jogos do Reinaldo no Mineirão. Não coincide com a época em que morou aqui.
Não, não coincide. Ela nasceu no Rio em 1962. Aos 6 anos de idade, se mudou para BH. Aos 10 foi para Santarém. Aos 12 voltou para o Rio. Aos 18 se mudou para Brasília.
Mas, onde estivesse, ela dava um jeito de assistir as partidas do Galo. E não era incomum que pegasse um avião para ir a BH ver um jogo.
PQP, é absurdo o amor que eu tenho por essa mulher. Eu não devia nem escrever sobre ela.
Olá caro Idelber,
quem afirmou isso foi Hilton Oliveira 'a esfinge', campeão pelo Cruzeiro em sua estreia no campeonato mineiro de 1959. Ele marcou o primeiro gol dos 3x 1 sobre o Democrata.
Ele começou jogando no time da fábrica Renascenca, onde Clara Nunes e ele trabalhavam.
São palavras dele:
“Eu jogava no time da fábrica Renascença, onde ela trabalhava. Quando fui para o Cruzeiro, a gente continuava se vendo com freqüência, pois ela cantava nas festas da sede urbana, no Barro Preto. Ela era tão apaixonada pelo clube que foi eleita madrinha da bateria que animava o time no Mineirão. Clara não perdia um jogo e sofria até nos mais fáceis, sempre tremendo e roendo as unhas.” (tirei isso de uma entrevista num blog, mas não me lembro o link)
Bem, não me meto nesta 'pelea' mineira.
Pode até ser que ela tenha trocado a camisa, mas meu coração bate bem pelas duas ; > )
Caro Idelber,
Você não acha que essa coisa de eleger os melhores não causa um certo desconforto?
Você não acha, por exemplo, que exista um não reconhecimento do que representou Rita Lee?
Ela emplacou várias músicas num tempo em que nem se sonhava, que uma mulher pudesse compôr tocar e cantar.
E olha que nesta época, Elis era viva e Gal e Bethânia eram divas absolutas.
Eu vi a Elís Regina num programa na TV Cultura dizendo que gostaria de ter a presença de palco da Rita. É claro que guardo a distância do tempo m que Elis disse isso.
Rita Lee era e é muito mais competente do ponto de vista instrumental que qualquer moça que surgiu depois da década de 80. Além de ser muito mais criativa.
Eu não vivo assoviando as músicas da Rita Lee, mas acho que exista um certo preconceito por ela ela ser demasiadamente rock' n rol e paulista.
Acho que para ela ser completa, faltou para ela ser gay ;>)
Como a Elis, a Cassia era uma não-compositora que carregava cada música com sua personalidade, virando quase co-autora. É difícil ouvir alguma música gravada pelas duas que se supere em qualquer outra interpretação.
A frase de "Certas Canções", do Milton e do Tunai, encaixa-se às duas: "Certas canções que ouço/ Cabem tão dentro de mim/ Que perguntar carece/ Como não fui eu que fiz."
Elis, gremista no Sul, era corintiana em São Paulo
Indiscutível que Cássia Eller tenha sido a melhor de sua geração. E "melhor", claro, entendo por "minha favorita", já que não sou um aparelho de medir afinação e cacofonias.
Sou um aparelho falível, porém dotado de emoções.
Mas, para ser a melhor do Brasil, complica para Càssia a existência de Maria Bethânia. Ela nos faz chorar ouvindo até "parabéns a você".
Aí um diz "ah, mas ela é intérprete" e eu retruco: "Elis Regina era cantora lírica?"
E assim vamos.
Aliás, nem sei o time da Bethânia. Desconfio que seja o Bahia, pois ela participou da gravação de "Doces Bárbaros Bahia EC" (eu tenho o CD! :D).
* * *
Caetano Veloso, gravando o hino do Bahia em estúdio no ano de 1969, e depois (também em estúdio) no ano de 2003 conseguiu fazer as duas melhores gravações de hino de futebol por artista de música popular (fonte: DataEu).
Fiz a ressalva do "em estúdio" porque, no Barra 69, ele gravou ao vivo (e ficou uma merda, embora obviamente muito emocionante)
* * *
Não brige comigo, mas em MG sou Cruzeiro - por razões do coração. Mas sei que o Galo e o Tricolor são times irmãos naqueles fatores sangüíneos e genéticos que realmente importam aos verdadeiros torcedores: os ídolos.
As torcidas não se parecem, não têm a mesma vibração, não há qualquer similaridade no que é objetivo. Mas ambas AMAM Telê Santana e Toninho Cerezo.
É o bastante para uma irmandade futebolística. O resto é equação de comentarista caga-regra.
Sou obrigado a discordar do comentarista FM - e o faço com a cordialidade que este espaço exige -, em razão da seguinte observação:
"Ela (Rita Lee) emplacou várias músicas num tempo em que nem se sonhava, que uma mulher pudesse compôr tocar e cantar."
Com todo respeito, prezado FM, mas que época foi essa, mesmo? Se estamos falando da Rita Lee ainda viva, ou seja, sua última encarnação, então acho que os dados estão equivocados.
Ela se consolidou como compositora nos anos 70 e 80. Antes dela, houve uma miríade de outras mulheres compondo.
Nem vou entrar naquelas de Chiquinha Gonzaga, pois vão dizer que é apelação, clichê blablabla. Então vamos de Dolores Duran, que compôs com mestres (Vinícius etc), nasceu em 1930 e já cantava aos 15.
Uma estrofe da Dolores, com todo respeito a quem goste de Rita Lee, supera toda a obra da prima de segundo grau do rock brasileiro (já que Celly Campello é a mãe e Wanderléa é a irmã mais velha).
O trabalho como backing vocal dos Mutantes, bem como sua forte vocação para o "pandeirinho meia-lua", fizeram de Rita Lee uma partícipe de grande virada de nossa música.
Ultimamente, porém, sua obra se resume a músicas feitas para telenovelas (obras ricas como "Zazá" - CadÊ zazá, zazá, zazá... - ou ainda o vigor de pôr melodia em versos do glorioso poeta Arnaldo Jabor - sim, aquele).
No fim das contas, acho que Rita Lee é e sempre foi supervalorizada. É o mínimo que se pode dizer de uma cantora que é substituída por Zélia Duncan e crítica e público dizem que ficou tudo bem.
* * *
Dado curioso: o texto mais lido do planeta, a Bíblia, teve sua primeira parte - Pentateuco - escrito por uma mulher, que é chamada de "autora javista". Em termos de "mulheres na literatura" podemos dizer duas coisas: a) a antiguidade é absurda; b) bem que elas poderiam ter escrito uma coisinha melhor, né? Aquele "Gênesis", vou te contar... :D
Idelber, que bom que você gostou, chapa.
Olha só, considerando os seus critérios de fato Cássia passa muita gente, mas ainda é um embaraço alcançar Elis. Antes de mais nada, deixe-me fazer coro com o Gravatai.
Maria Bethânia é sem dúvida outro grande obstáculo no caminho de Cássia ao pódio. Aliás, não duvido que possamos passar o resto do ano discutindo isso, mas por acaso eu achei um disco extraordinário da Bethânia, que argumenta melhor do que eu poderia fazer.
Sim, voltando ao meu argumento inicial -- Elis é imbatível. Mesmo considerando aspectos não-técnicos, ela era especial. Como a Cássia (elas têm muitas coisas em comum), ela primava por bons músicos, Elis era ainda uma pessoa expressiva -- o que torna o comentário sobre a Rita apenas uma concessão da modéstia --, ousada, eclética, versátil, tinha caráter forte. Meu argumento, nesse terreno, é o especial da TV Cultura, feito para o programa Ensaio (de 72, salvo engano..), é um tesouro para os que apreciam esse agregado de aspectos técnicos e espontâneos que formata cantoras como Elis e Cássia. Recortei e publiquei no Youtube uma das minhas músicas preferidas. Acreditem, ela põe o dedo no coração da gente.
A Rita é uma matéria complicada, paradoxal, há algo de supervalorizado sim, ela vive da força do seu passado, sobretudo os primeiros anos da carreira solo. Hoje em dia está em franca decadência. Mas ela nunca foi devidamente prestigiada pelo seu papel no rock brasileiro (e na música brasileira com Os mutantes), como também não foram Sérgio Dias e Arnaldo Batista. As músicas e letras deles são coisas incomuns -- hoje nós aplaudimos fervorosamente coisas infinitamente inferiores.
Ó, a conversa tá boa mais o madrugada já vai alta , assim como o nível etílico no sangue (ou sanguíneo no álcool?). Amanhã vejo os contra-argumentos. :)
Gravataí, peraí e ueitamoment! E a gravação do Tim Maia para o hino do América?!?
Falando no Tim, desabafo meio off-topic: odiei o livro do Nelson Motta, achei mó desperdício de biografado, prontoconfesseipontocompotobr...
Idelber, mudaram as estações e Cassia rules!
Gravataí, peraí e ueitamoment! E a gravação do Tim Maia para o hino do América?!?
Falando no Tim, desabafo meio off-topic: odiei o livro do Nelson Motta, achei mó desperdício de biografado, prontoconfesseipontocompotobr...
Idelber, mudaram as estações e Cassia rules!
Meu caros (e cara Alessandra), hoje não vai haver contra-argumentos, porque a madrugada por aqui também já vai bem avançada e eu tenho -- vejam que coincidência -- que terminar um artigo para uma revista colombiana justamente sobre o problema do valor; como se define o valor; como várias escolas de crítica literária passaram por "puramente descritivas" e esconderam suas valorações etc. De tanto matutar sobre esses textos a noite toda, não consigo valorar mais nada agora :-(
Sobre a Rita, eu concordo com o Leonardo, ou seja, estou a meio caminho entre o Frank e o Gravata: além do trabalho nos Mutantes, eu gosto muito da fase Tutti-Frutti. Há algo legitimamente rock'n'roll ali, uma sonoridade bluesy, ótimas letras, um som despojado, seco. Na fase Roberto de Carvalho eu salvo muito pouca coisa. E hoje em dia, bom, hoje em dia nem pensar.
ela tem de facto esse ar malandro e sedutor. mas na minha opinião não é nem de perto a melhor voz do Brasil.interpreta num tom agressivo que retira alguma harmonia, eu acho. vale pela força.
que dizer então de uma Alcione, de uma Elis, de uma Bethania, enfim...o que não falta é escolha, vozes muito melhores que a da kassia. valerá pela contexto, não exactamente pela voz, na minha humilde opinião...
Parabéns de novo.E que tal um bacalhau aos domingos. Começe pelo Jamelão, passe pelo poeta Drumond e vá até o Aldir Blanc. "Há muito tempo nas águas da Guanabara ..." Lembrar do Eurico foi f..., hem?! Viva a Cassia! E porque não o Galo? Abraços. cláudio
Pô, Idelber, você quase me mata do coração com esse post. Sim, saudades da Cássia. É verdade, a vida parece injusta nesse sentido, mas pelo menos pensamos, pois é, tem gente que pode viver muito mais e não fazer tudo o que ela fez, ou não deixar, pelo menos, tanta gente entusiasmada a fazer um comentário sobre ela.
Muito obrigada pela oportunidade que me deu para ver a Cassia Keller. Sobre Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista, ex-marido e amparo musicalaté Tutti Frutti, mandou ver em entrevista aqui nos EUA.
Dolores Duram foi uma super-compositora. Me amarro nela.
Ouvi o YouTube da Cassia Keller antes de ler opost e ela me lembrou o Cazuza. Justamente o cerne da sua observação. O resto, o CAM e quejandos é gosto pessoal. Além do que, estou de cabeça inchadíssima por causa do meu Botafogo. Foi ligar a TV e vê-lo perder. Por falar em TV, já estou de olho no Red Carpet.
Boa noite, obrigada pelo post.
delber,
na verdade achei que o livro do Nelson Motta deveria se chamar algo tipo: Causos, drogas e músicas em Tim Maia.
Tem uns capítulos que os parágrafos se seguem no maior non sequitur e achei o livro em geral sem organicidade.
Depois me irritou bastante o NM entregar todo mundo que cheirou, fumou ou viajou com o Tim, mesmo quando isso não era nem um pouco relevante. Por exemplo, o que me acrescenta saber que o Marcelo D2 fez aviãzinho para o Tim? Muda musicalmente alguma coisa? E me irritou mais ainda que ele, NM, no livro, nunca deu nem um tapinha ou cheiradinha sequer...hum, sei...
(desculpe, pelo jeito resenheipontocompontobr mas foi você que provocou ;>))))
E aí, já descobriu nesse ínterim o que é o valor? :-))))
Marcia W, você lê uma biografia para ouvir música ou saber da vida do cara? Acho o Nelson Motta um mala ao quadrado, mas conseguiu um tom bem fluente ao contar a vida do Síndico. Leitura leve, de verão.
Outro dia comprei um CD de Guilherme de Brito, maior parceiro de Nelson Cavaquinho, co-autor de "A Flor e o Espinho". Estou lá ouvindo tranqüilo, com o ouvido ajustado para o romantismo dark da Mangueira dos anos 50, quando entra a voz rascante de Cassia Eller, fazendo um dueto fuderoso com o velho sambista. Arrepio. Voltei a faixa trocentas vezes. "Erva Daninha" entrou para o meu rol de clássicos eternos e imperdíveis. Recomendo!
Daniel,
achei o livro mal escrito. Leve com certeza, mas na IMHAARO (=in my most humble and almost always right opinion, rs rs rs)foi uma descrição de situações, engraçadas, tristes, ótimas, concordo, mas que no meu entender não serviram nem ao propósito de contar a história do Tim com mais profundidade nem de ir fundo no lado musical dele. Sei que o NM pesquisou praca e por isso mesmo fiquei com a impressão de que ele aproveitou mal a fartura de material. Um outro livro dele que li, passado no carnaval soteropolitano, não me lembro o nome (leitura leve de verão, rs rs) é muito melhor escrito.
Idelber você descobriu algo MUITO importante. Quando der bote na roda.
Eu, como não tenho a menor paciência pra futebol, devo confessar que pulo esses posts "Galo aos sábados" sem nem ler, e só não o fiz desta vez porque vi as fotos. Homenagem genial. Viva a Cássia!
Ô Idelber, o Pink Floyd é uma banda porreta mesmo depois da saída do Syd Barrett...mesmo porque eu acho os solos do David Gilmour maravilhosos - o cara é melodista!
ter o Dark Side of The Moon é obrigatório... até pra rodar em sincronicidade com o filme "O Mágico de Oz"( e essa 'lenda urbana' funciona mesmo)...
abç!
ah, e a Veja, se desculpou pela capa escrota com a "causa mortis" da Cássia????
Talvez tenha herdado da múisca erudita um grande amor à técnica. Assim, ainda fico com Elis, mas Cássia era demais e dou-lhe o segundo lugar sem discussão. Ela podia cantar qualquer coisa que era sempre apaixonado e significativo. Foi uma pessoa maravilhosa. Pena que tenha morrido cedo e de forma semelhante à Elis. As duas poderiam estar aí.
Por falar em amigas de Elis, aqui no RS ocorreu um fenômeno engraçado. Rita Lee virou colorada e diz isso também fora de Porto Alegre. Li na Folha: "agora sou colorada!". ????? Pensava que era algo que valia apenas quando vinha aqui.
Então, termina seus shows com a camiseta do Inter e ganha presentes e mais presentes do clube e da torcida a cada visita. Não deixa de ser curioso.
Grande Cássia Eller!
Que coincidência, ela e Clara Nunes morreram quase com a mesma idade: Clara estava prestes a completar 40 anos quando morreu. Passei os olhos na sua biografia e me deu vontade de ouvi-la cantar de novo.
Idelber, voltei aqui porque este post me fez pensar sobre a dimensão trágica das grandes cantoras brasileiras.
boa parte delas teve morte prematura - Carmen Miranda, Elis, Dolores Duran, Sylvinha Telles, Maysa, Cassia Eller, Clara Nunes...
acho que rende um outro post...
Olha, musicalmente, ok. E não duvido que fosse boa pessoa também.
Mas uma vez vi um show dela no Canecão, fui tomar umas no Cervantes depois e para minha surpresa ela ocupou com sua trupe a mesa à minha frente. E pior, ficou sentada diretamente diante de mim. Vou te dizer uma coisa, ela dava medo.
Milton, difícil reconciliar ser corinthiano e colorado depois de 2005, né?
Te, eu também vejo Cássia e Clara muito juntas -- é curioso, porque os estilos são tão diferentes. Mas há algo na história delas que as aproxima, não é?
Serbão, sugestão anotadíssima. É curioso que a coisa vai além do Brasil: Billie Holiday, Janis Joplin etc.
Já imagino, Hermê. No álbum de retratos da Folha Online há uma sequência de fotos incrível: ela vai do "feminino" mais singelo a uma daquelas fotos em que ela parece zagueiro-central de um time do Felipão. Era uma camaleoa.
gosto de Cassia, Mas nao comparem Elis com ela, por favor, A Cassia e otima mas nao chega nem ao pes de Elis. Isso e Fato! Elis E a Maior Cantora Brasileira de todos os tempos ate hoje...
Claro que a cassiaeller foi a cantora mais liberal, rebelde e louca do Brasil. Mas por outro lado ela era tudo de bom, era pura alegria, suas loucuras eram saudáveis nunca fez mal a ninguem sem contar a linda família. Parabens Eugênia Eller pela vitória. Vida longa a você e seu lindo filho Chicao.