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terça-feira, 26 de fevereiro 2008
O Adeus de Fidel
Dedicado a Ju Sampaio, que insistiu.

Um certo professor de literatura cubana de uma universidade pública da Flórida preparava seu histórico de pesquisa e magistério para apresentar aos comitês avaliadores que decidiriam sobre seu tenure, a estabilidade no emprego que, nas universidades americanas, se conquista (ou não) depois de sete anos, em geral. O trabalho do cabra era completamente apolítico. Ele se filiava à semiótica, a chamada ciência geral dos signos, método de leitura bem formalista e asséptico para meu gosto mas que, como qualquer método, tem seus prós e seus contras. Popularíssimo professor, com excelentes avaliações, amplo leque de artigos nas revistas mais conceituadas, dois livros publicados (o requisito para o tenure costuma ser um livro), ele foi aprovado numa votação unânime do departamento. O dossiê seguiu para a esfera superior, a do college, e também ali ele foi aprovado por unanimidade. O presidente da universidade corroborou, como é de costume, a decisão dos especialistas. Só ficou pendente o carimbo do governo estadual, coisa absolutamente pró-forma nas universidades públicas americanas.
Até que um setor da comunidade cubana de Miami entrou em ação. Protestos e abaixo-assinados pediam que o governador cancelasse o tenure do sujeito com um curiosíssimo argumento: o fato de que ele não lecionava a “literatura do exílio” cubano em suas aulas era uma violação do direito de livre expressão da comunidade exilada. Isso mesmo: eu não ensinar sua sub-literatura nas minhas aulas é uma violação dos seus direitos. Um caso comum e corrente de avaliação acadêmica transformava-se numa estranha guerra política. Foi a primeira aula que tive sobre o que a comunidade exilada cubana entende por livre expressão. Seus métodos, que aqui nos EUA têm bastante em comum com os do lobby pró-Israel, colocam boas dúvidas sobre seu compromisso com a democracia, que tanto apregoam querer trazer de volta a Cuba. O tenure foi revertido e a carreira do profissional foi destruída.
O segundo caso é curioso e aconteceu comigo. Passeando pelo centro de Miami – cidade que visitei, para além de seu aeroporto, só duas vezes, o suficiente para nunca mais querer voltar --, me lembrei de que havia uma notícia argentina, já não me lembro se política ou esportiva, que eu queria conferir. Parei numa banca de jornal e vi o Página 12. Como sabe quem o lê, o Página 12 é um jornal que está, digamos, alguns centímetros à esquerda da Folha de São Paulo. Não é nem de longe um jornal “comunista”. Pedi o jornal ao cubano que estava na banca e lhe estendi uma nota de dez dólares. O sujeito imediatamente iniciou uma diatribe inesquecível: ¿qué quiere Usted con ese diario de comunistas? ¿qué va a hacer con un periódico de comunistas? Por qué leer esas cosas de comunistas? De cada três palavras, uma era “comunista”. O cabra perorava com a velocidade de um locutor de corrida de cavalos. Atônito, eu o olhava, sem acreditar que, em nome do capitalismo, ele se recusava a me vender um produto da sua própria banca de jornais! Era uma mistura de Fellini com o teatro do absurdo. Normalmente, eu evito esses confrontos, mas decidi que não sairia dali sem o jornal. Coloquei a nota de dez dólares no bolso, tirei o dinheiro trocado, peguei o jornal, enfiei o dinheiro na mão dele, esperei que ele terminasse e lhe disse uma frase da qual depois, em alguns momentos, me arrependi: não vou escutar palestra política de jornaleiro.
Conto os casos para ilustrar a imensa falta de credibilidade de boa parte dos que gritam por “democracia” em Cuba. O problema é que, do outro lado, na esquerda, a situação é bem problemática também. Eu tenho amigos que até muito recentemente diziam que essa história de presos políticos em Cuba é propaganda. Movida pela compreensível solidariedade a uma Revolução acuada e sabotada pelo país mais poderoso do mundo, pela indignação com as centenas de tentativas de assassinato a Fidel, a esquerda fez vista grossa a uma situação indefensável. Agindo assim, perdeu credibilidade também. Cuba se transformou numa espécie de espelho distorcido onde cada um projeta uma visão que já traz de antemão. Amigos de esquerda viajam à ilha e voltam com relatos acerca de um povo muito orgulhoso do que fez. Mas também não dá para negar uma outra realidade: a da quase prostituição das relações pessoais com estrangeiros e a dura vida dos presos políticos. Aí eu não posso deixar de lamentar que as pessoas dedicadas a defender a Revolução Cubana -- causa mui legítima -- simplesmente não mencionem o fato. Vira uma ladainha: os defensores mencionam educação e saúde; os detratores mencionam a falta de imprensa livre e os presos políticos. Ambos têm razão. Ambos vão perdendo a razão na medida em que se recusam a olhar a coisa de uma maneira mais trimensional.
O bloqueio americano tem o seu papel no quadro que vemos hoje? Sem dúvida. Mas também é fato que já em 1965, quando o bloqueio americano ainda não havia tido grande impacto, o Comitê Central já estava discutindo se autorizava ou não a publicação de uma obra prima como Paradiso, de Lezama Lima (um extraordinário escritor que jamais saiu da ilha, talvez o maior escritor cubano de todos os tempos). No final das contas, a obra foi publicada, mas o próprio fato de que a discussão tenha existido já indica que a vertente autoritária é bem antiga. Quando se revela ao mundo, em 1971, que a perseguição aos homossexuais é política estatal explícita, fica sacramentada uma relação minha bem ambígua com a Revolução. Não sei se vocês já repararam, mas este blog, que regularmente discute política internacional, jamais fez um post sobre Cuba.
Conta-se que nos anos 1960, ao Premiê Zhou Enlai foi dirigida a pergunta acerca do que ele achava da Revolução Francesa. A resposta foi lapidar, pura sabedoria chinesa: ainda é muito cedo para saber. Não há frase mais perfeita para definir o legado da Revolução Cubana. Sou defensor intransigente da soberania dos povos e inimigo declarado de qualquer intervenção estrangeira, em Cuba ou em qualquer lugar. Mas não vou maquiar o sofrimento alheio por preguiça de repensar a derrota de um sonho.
Escrito por Idelber às 05:42 | link para este post
| Comentários (61)
#1
Ontem mesmo, me perguntaram o que achava do afastamento de Fidel. O sujeito tinha uma "Veja" nas mãos. Imaginando o que estava escrito ali (me recordei da matéria sobre Che) e tudo o que eu disse foi exatamente o que você escreveu aqui. Se por um lado Cuba conseguiu uma exelência em serviços sociais básicos, por outro dinamitou suas conquistas com a ausência de liberdade em todos os sentidos.
Não conheço Cuba (iria agora em março para um congresso, mas desisti por ser um evento mais político que científico), mas posso imaginar que estas dinamites terminaram por prejudicar o país de uma forma muito grave. Imagina um cenário de maior liberdade, onde fosse possível que as informações fossem menos destorcidas e a imensa maioria da população latina soubesse que a liberdade per si não lhe trouxe os benefícios prometidos e que em uma ilha, uma pequena ilha, as pessoas tem uma educação muito superior ainda que o país sofra com problemas econômicos graves. Quais seriam os argumentos dos leitores de "Veja" para justificar tamanha desigualdade no país-continente. Ou ainda, que neste país de imensos recursos as pessoas sejam tão passivas.
Quanto a esquerda, qualquer discurso com referência a Cuba e o seu modelo de desenvolvimento seria uma imensa contradição. Ausência de liberdade não anda junto com desenvolvimento. O próprio EUA da era Bush que o diga.
Abraços!
Marcio Pimenta em fevereiro 26, 2008 8:30 AM
#2
No penúltimo parágrafo você menciona o ano de 1965. Naquela época CREIO QUE não se tinha a noção do alcance que este embargo iria alcançar. Talvez o extraordinário poder que a União Soviética tinha naquele momento desse a ilusão aos cubanos que seria mais fácil superar dificuldades e crescer, APESAR DO BLOQUEIO. E todos nós sabemos que os EUA era o principal parceiro comercial de Cuba. Acredito que nem mesmo pudesse se prever que este bloqueio fosse tão longo no tempo!
Já os cubanos que se estabeleceram na Flórida (os que foram para outro lugar dos EUA, ou do mundo, é outra história), transferiram-se para um estado que passou por um crescimento econômico notável. Se adapatariam novamente a CUBA estas pessoas?
Hoje o BLOQUEIO NORTE-AMERICANO a CUBA é uma das coisas mais arcaicas que persistem no mundo! Não é mesmo?
Paulo em fevereiro 26, 2008 8:36 AM
#3
Adorei a história do jornaleiro. O Pagina 12 é bom jornal.
Somos instados a simpatizar com Cuba. Há o bloqueio e há gente como Olavo de Carvalho e a Veja. Quando vemos estamos elogiando a medicina cubana, a música e outros indicativos sociais.
A gente perde mesmo a perspectiva e é mais honesto fazer como o Fu ManZhou Enlai.
Milton Ribeiro em fevereiro 26, 2008 8:45 AM
#4
Idelber,
é um prazer poder ler uma análise equilibrada da situação cubana, sem os maniqueísmos, os ódios e paixões que sustentam os intermináveis debates de hoje em dia.
Mas teu artigo também remete a outra reflexão: os equívocos e acertos da revolução cubana não se repetem, ad nauseam, em todas as nações, sob qualquer regime político e econômico? Tu não convives aí nos EUA com formidáveis acertos e trágicos erros? Não vivemos nós aqui no Brasil sob um governo que erra e acerta? Não é o mesmo na China, na França, na Argentina, em tudo que é canto?
É o processo, a história da humanidade - e nem poderia ser de outra forma. A diferença de Cuba é unicamente a capacidade que sua história recente tem de despertar paixões antagônicas. Aqueles jovens revolucionários de 1959 significaram, para alguns, a utópica hipótese da construção da sociedade perfeita. E para outros, uma ameaça ao sagrado capital.
Nem concretizou-se a utopia, nem o capital sofreu danos. Poderia ser diferente sem o bloqueio? Liberdades individuais poderiam ser mais respeitadas? Irrelevante, essa história já foi escrita. E Cuba segue, minúscula nação ancorada à sombra do assustador gigante, tocando sua vida entre erros e acertos.
Como todos nós.
Luiz Afonso Franz em fevereiro 26, 2008 8:50 AM
#5
Obrigada, professor. Saiu ainda melhor que a encomenda.
Ju Sampaio em fevereiro 26, 2008 8:51 AM
#6
Acredito que os ideais revolucionários dos anos 60 eram válidos, arrebatadores, coerentes com o momento político que o país vivia. Porém, não posso aceitar que os indicadores sociais maquiem a realidade. Os rumos tomados pelos "revolucionários" sempre levaram o país para longe da democracia. Além disso, não sei até que ponto acredito naqueles indicadores, sabendo o que passam os intelectuais em geral, aqueles que deivergem do regime e até mesmo o "zé povinho", pois se Cuba fosse tão boa assim para seus filhos, será que veríamos as hordas de imigrantes, os atletas e bailarinos fugindo para países estrangeiros?
Por outro lado, como todo brasileiro, simpatizo com o povo Cubano e como muitos que participam deste blog inimiga das intervenções estrangeiras por qualquer país em qualquer país.
Fica a pergunta, para o pessoal entendido responder: com o enfraquecimento da política cubana qual será o comportamento do governo dos EUA?
Ana Carolina em fevereiro 26, 2008 9:29 AM
#7
Um dos melhores posts que eu já li aqui. E sim, só estou comentando para elogiar mesmo :)
Bender em fevereiro 26, 2008 10:03 AM
#8
Muito legal o post, veio bem de encontro às minhas perguntas, que lá no Catatau eu joguei na mão do Eduardo Galeano. Ficou bem ressonante...
O próprio Galeano parece oscilar de posição. Em As Veias Abertas, mostrava como os ganhos sociais de Cuba, apesar de algumas limitações burocráticas, eram algo que despontava cada vez mais na Ilha. Porém, em 2003 ele se pôs em debate com Hanz Dieterich (o criador do termo "socialismo do século XXI"), precisamente sobre o tema das liberdades individuais e repressão cubana. Dieterich defendeu Cuba, dizendo que o apertamento das relações cubanas - algo que Galeano já havia admitido - deve-se à própria sobrevivência do regime.
O próprio debate mostra que a situação está insuportável: defende-se a revolução, sob o risco de apertar ainda mais um de seus princiapis bens (a liberdade individual); ou a Ilha vira novamente uma colônia dos EUA. Alguém duvida de onde viriam investimentos massivos [e não esqueçamos nas entrelinhas: relações econômicas desiguais, e no fim das contas interferência indireta nas liberdades individuais], no caso da queda do regime de Castro?
Catatau em fevereiro 26, 2008 10:10 AM
#9
Cuba é uma grande contradição.
Belíssimos resultados obtidos na educação, nos esportes e na saúde. Chega a ser um milagre - para os que creem - essa pequena ilha ter se tornado uma potência olímpica.
Mas a ilha vive em estado de penúria econômica - qualquer um que a tenha visitado recentemente sabe disso - e as pessoas tem se virado para sobreviver. Os salários são aviltantes e a prática do escambo tornou-se o modo de vida de muitos cubanos. O bloqueio econômico tem a ver com isso, sem dúvida; mas não há como negar o papel nefasto da centralização administrativa excessiva, filha da ditadura instituída por Fidel e seus comandados.
Faltou aos revolucionários a delicadeza necessária para a transição política. Finda a revolução (na cabeça dos dirigentes ela não acabou) é hora de liberdade (política, cultural e econômica). Não permitiram que isso ocorrese. A que preço?
Roberson em fevereiro 26, 2008 10:15 AM
#10
Acho que uma causa forte da vista grossa da esquerda para o indefensavel tem a ver com aquele seu post anterior "my enemys enemy". Quando a gente escuta as criticas tao ferozes e as vezes sem fundamento feitas pelos "inimigos" acaba puxando para o outro lado e tentando justificar o injustificavel ressaltando o lado bom. E tambem criticando o modelo usado como exemplo, a democracia americana, mostrando que esta longe de ser uma sociedade perfeita. Tipo quando se critica o governo Lula e rebatem comparando ao governo anterior. O fato de ser muito melhor que os governos anteriores nao justifica as falhas do governo atual, ne. Achei sua analise muito ponderada e coerente. So o que eu posso dizer e que espero que os cubanos e cubanas possam ser cada vez mais felizes, que evoluam para melhor em todos os aspectos, pois eles merecem, sao um povo alegre e gente fina (nao os de miami)
julio em fevereiro 26, 2008 10:22 AM
#11
de novo, outro caso onde podemos aprender observando sem maniqueísmos ou extremismo.
somos poucos.
tiagón em fevereiro 26, 2008 10:46 AM
#12
"Chega a ser um milagre - para os que creem - essa pequena ilha ter se tornado uma potência olímpica."
É interessante como países ex-comunistas (Rússia, China) conseguem essas proezas no esporte, apesar de dificuldades econômicas. Pergunto-me se isso é algo bom (foco no esporte, no corpo são em mente sã) ou ruim (alocação de recursos escassos para perseguir uma visão grandiloqüente de nação).
Como também me pergunto se há mérito ou demérito nas conquistas sociais de Cuba, dados como eles foram alcançados (não com as próprias pernas, mas com da União Soviética e agora Venezuela). O sub-produto do subsídio dado à Cuba (uma nação que não consegue sustentar-se por si própria) não é um custo alto demais? Os pecados da revolução (presos políticos, falta de liberdade) não são custo alto demais para os benefícios sociais alcançados?
Alguém poderia dizer que não é custo alto demais, porque benefícios sociais são infinitamente bons. O povo tem bons médicos e boas escolas, afinal.
Mas será que não haveria uma alternativa mais barata? Talvez uma nação capitalista -- Uma Espanha, uma Coréia do Sul?
Rafael M em fevereiro 26, 2008 10:48 AM
#13
Idelber!
Tens, no sangue, o DNA dos Mestres, consegues escrever sobre Cuba e facinar os dois lados que se degladiam sobre a verdade da Ilha. Acontece que escrevestes verdades! A esquerda tem muita dificuldade de falar sobre Fidel e o regime, porque não encontra palavras para defender as execuções, prisões, perseguições e fugas. Entraríamos em novas divagações, perguntando o que é ser esquerda, hoje? A esquerda hoje é muito mais a luta pela vida, pelos direitos humanos, pela dignidade dos povos, contra o aquecimento global, contra a supremacia das grandes corporações do capital, pela ecologia, por um outro mundo possível( por mais genérico que seja). Vejo Fidel e o regime, como a única forma de ter conseguido os avanços inquestionáveis que a Ilha teve. Teve que ser duro porque sempre esteve sob o tacão da pior das torturas, o Bloqueio, que priva, não um regime, mas uma população inteira e transparece, ao mundo, que a política norteamericana para a região ainda é a mesma, Cuba continua um quintal, rebelde, mas quintal. Quantos estariam presos ou mortos tivesse os EEUU conseguido invadir Cuba? Quais direitos seriam respeitados? O habeas corpus, instituto milenar de direito existe para os presos de Guantánamo? Para os que tentam ingressar nos EEUU e parecem (um nariz adunco? um moreno diferente? Uma barba suspeita) árabes(sinônimo de terroristas), existe ir e vir? Cuba executou quem tinha que executar (era uma guerra) e, continua com uma política restritiva, porque vive sob o espúrio embargo econômico do mundo, que critica, quando deve criticar, mas que vira as costas a qualquer outro assunto. Cuba não tem voz nem acento em nenhum organismo mundial, só detratores...Os que não foram mortos estão em Miami, mostrando como é a democracia que esperam para a Ilha e quais os direitos humanos que respeitam.
Desculpe se me estendi.
Abraços!
paulo vilmar em fevereiro 26, 2008 11:06 AM
#14
Somo-me ao Bender na simples constatação: um dos melhores posts da história do Biscoito.
Identifico-me integralmente com o que você escreveu.
Marcus em fevereiro 26, 2008 11:26 AM
#15
É, valeu a pena insistir, Ju... Também acho que acabamos vendo a gestação de um dos melhores posts do Biscoito.
Idelber, "preguiça de repensar a derrota de um sonho" é uma bela frase e uma triste idéia.
Beijos
Monix em fevereiro 26, 2008 11:43 AM
#16
Poxa, cara!
Você é craque mesmo. Tratar um tema tão desconfortável com essa habilidade é coisa de camisa 10 (a do galo está vaga...habilita-se ? rs)
Sou neófito na blogosfera e há muito tempo abandonei as revistas e jornais tradicionais (freqüento só as culturais),e p'ra mim é um alento ter essa nova via de informação e reflexão. Parabéns! Espero que você mantenha o fôlego.
Homo antiquus em fevereiro 26, 2008 11:53 AM
#17
O texto está muito bom e merece aplauso!No entanto gostaria de fazer algumas observações que acho importantes e pouca gente nota.
Acredito que para tecer elogios ou críticas temos que comparar algumas realidades, por exemplo, para falarmos de Cuba malmente podemos falar de outros países latino americanos, em geral muito maiores territorialmente, populacionalmente ou econimicamente, logo Cuba deve ser comparada com países com realidades semelhantes com a dela, como Porto Rico, Guatemala, Haiti, República Dominicana, Honduras, Nicarágua...
Uma rápida pesquisa por este países, revela distorções aberrantes!
1- Todos eles (A exclusão de Porto Rico)tem como PRINCIPAL FONTE DE RENDA a remessa de dinheiro que parentes que moram nos EUA. Cuba é o único onde apesar de ser importante este fator não é determinante na economia local.
2- "a da quase prostituição das relações pessoais com estrangeiros". Perceberam o "quase"? Se você visitar QUALQUER UM destes outros países (A exclusão de Porto Rico) perceberá a importância desta palavrinha. Aliás, COMO SE DÃO AS RELAÇÕES PESSOAIS DOS BRASILEIROS COM ESTRANGEIROS? Vamos olhar para o espelho com notícias fresquinhas?
link 1
link 2
3- "a dura vida dos presos políticos". Nunca concordarei com prisões por crime de opinião, e tampouco conheço a realidade atual deste tema nestes outros países, apesar de saber que historicamente opositor nestes países não vai preso, mas é morto. Segundo a Anistia Internacional os presos políticos cubanos recebem tratamento igual aos demais detentos e não sofrem torturas. Neste momento fico me perguntando? "-Será que nos EUA existem presos políticos? Eles são torturados? Qual o uso que os Americanos dão à base de Guantánamo?"
4- Sobre a questão do Homossexualismo proibido e da obras literárias como Paradiso, é realmente absurdo, gritante e revoltante!
5-Uma observação e especial me chamou a atenção: "Seus métodos"(da comunidade cubana dos EUA)", que aqui nos EUA têm bastante em comum com os do lobby pró-Israel". Pensei o seguinte: - Será que existem mais cubanos que judeus nos EUA? E mais cubanos que chineses, japoneses, italianos, brasileiros, mexicanos ou árabes? Se não o que explica que eles sejam tão fortes assim?
Por fim, concordo plenamente com a adaptação da frase de Zhou Enlai feita por Alon e vc, e justamente por isto, acho muito cedo pra dizer que o sonho foi derrotado.
Obs: Por que excuí Porto Rico mesmo? agora lembrei, foi porque eles preferiram deixar de ser país né? Estranho, MUITO ESTRANHO!
Bora Baêa em fevereiro 26, 2008 12:00 PM
#18
Show de bola! Merece indicação (como se preciso fosse...)
Beijos.
Helê em fevereiro 26, 2008 12:08 PM
#19
Puxa, eu não imaginava que o texto fosse ser tão bem recebido. Acordei e imaginei que ia encontrar dois lados se degladiando aqui. Obrigado pela recepção tão calorosa.
Ju, se você me chamar de "professor" outra vez, nunca mais te dedico nada :-))))
O interessante dessa coisa de blog é isso: a gente nunca sabe o que vai acontecer.
Idelber em fevereiro 26, 2008 2:41 PM
#20
Boa análise, caro Idelber. Entretanto, não se trata de discutir se a Revolução é certa ou errada, boa ou má, mas, da canalhice de o país mais poderoso do mundo, através de troikas como Bush - Rumsfeld - Cheney, ou Nixon - Bush pai -Reagan, se arvorarem em "donos do mundo" e estabelecerem o que é "bom para o povo Cubano e para Cuba". Cuba significa, na língua indígena, montanha, e essa montanha resiste ao terrorismo de Estado dos norte-americanos. É uma questão de honra e dignidade, que os cubanos, na sua soberania, defendem e não vendem.
Armando do Prado em fevereiro 26, 2008 2:46 PM
#21
Complementando: defenderia qualquer país em igual situação, ou desde logo, entendo como medíocre e testa-de-ferro o papel, por exemplo, do Brasil no Haiti. Guardadas as proporções é muito parecido.
abraço, armando
Armando do Prado em fevereiro 26, 2008 2:49 PM
#22
Idelber,
gostei muito do seu post de hoje, com o qual concordo plenamente. Na semana passada acabei de ler "the boys from dolores", de Patrick Symmes, baseados em entrevistas com os ex-alunos dos jesuitas em Santiago de Cuba nos anos 40, exceto claro os dois mais famosos: Fidel e Raul. O livro me reforcou esta ideia, latente no seu post de hoje, de que ambos os lados vivem uma ilusao, uma fantasia baseada nas maldades do outro lado.
saudacoes atleticanas,
Fernando
fernando em fevereiro 26, 2008 3:25 PM
#23
Este é um daqueles posts que coloca a "turma do Fla-Flu" em seu devido lugar: de queixo caído, só olhando... Parabéns.
P.S. Posso sugerir um assunto? A foto do Obama...
Luiz em fevereiro 26, 2008 4:09 PM
#24
Alguns números sobre o legado da Revolução Cubana:
Mortalidade infantil (mortes/1000 nascimentos):
Cuba: 6,04
Brasil: 27,62
USA: 6,37
Reino Unido: 5,01
Bahamas: 24,37
Média mundial: 43,52
Medalhas Olímpicas Atenas 2004 (O P B):
USA: 36 39 27
China: 32 17 24
Russia: 27 27 38
Australia:17 16 16
Japão: 16 9 12
...
Cuba: 9 7 11 (décimo primeiro lugar geral)
Roberson em fevereiro 26, 2008 4:25 PM
#25
Ainda números:
alguém tem idéia do número de presos políticos?
e de exilados?
Roberson em fevereiro 26, 2008 4:28 PM
#26
Fácil responder à pergunta do Roberson:
Exilados (considerando a Máfia de Miami): 1 milhão
Presos Políticos: nenhum
Criminosos: perto de 1.200
Marina em fevereiro 26, 2008 4:59 PM
#27
Idelber,
Chego atrasada para repetir o que os colegas afirmaram. Excelente post. Como uma das que pediram um texto sobre Fidel, fico orgulhosa pela motivação, ainda que eu não tenha insistido como parece ter sido o caso da Ju.
Ontem, saiu uma coluna minha no GPTotal com o nome "Compañero Fangio", contando a história do seqüestro do piloto Juan-Manuel Fangio em fevereiro de 1958, por um grupo de militantes do Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel.
Apenas contei a história e reproduzi uma informação que me foi dada pelo próprio Fangio, quando esteve no Brasil em 1992, de que ele se tornara um amigo distante de alguns de seus seqüestradores e que sempre recebia cartões de aniversário deles.
Acabei recebendo uma lambada de um xiita de direita, naturalmente assinando como anônimo, vociferando contra a tolerância com o seqüestro "só porque era uma ação de esquerda". Pode?
Alessandra Alves em fevereiro 26, 2008 5:13 PM
#28
belo texto, Idelber! Sabia que este assunto renderia aqui no Biscoito Fino. Posso dar humildes pitacos?
-Liberdade de expressão. Dois anos antes de ir a Cuba estive na Romenia. As histórias da época do Ceaucescu são pavorosas, o isolamento da população até o começo dos anos 90 era assustador, a ponto de acharem que a queda do muro de Berlim fosse um boato mentiroso. Imaginava encontrar algo parecido em Cuba, mas encontrei um povo esclarecido, politizado e de grande senso crítico até mesmo em relação ao regime - ouvi até reclamações de que Fidel era "pouco socialista"! Todas precedidas das inevitáveis palavrinhas "Eu não devia estar falando isso, mas..."
-O autoritarismo é indesculpável, mas não é porque o embargo era mais "suave" em 1967 que a pressão americana não fosse enorme. O embargo só ficou calamitoso depois da queda da URSS, mas em 1967 já haviam ocorrido a invasão da Baía dos Porcos, a Crise dos Mísseis e a maior parte dos folclóricos atentados à vida do Fidel (charutos explosivos, envenenados, carregados com LSD, etc).
-Perseguição ao homossexualismo. Isso chama a atenção lá, não como uma política de Estado mas como um traço da cultura "de macho" cubana. O preconceito é enorme, mas não foi o regime que trouxe isso, é anterior à Revolução. Lógico que é uma terrível falha a Revolução não ter melhorado isso, mas acho que antes de revolucionários eles são cubanos machistas.
O chinês tem razão, mesmo que tenha falado de outra coisa: ainda é cedo para avaliarmos, e cada aspecto analisado sempre pode ter uma perspectiva diferente. De qualquer maneira, acho que a revolução cubana é uma experiência singularíssima, digna de atenção e estudo, e que tem infinitos exemplos tanto de como agir quanto de como NÃO agir.
Na minha humilde opinião, é um assunto tão ou mais fascinante que a Revolução Russa, principalmente por suas contradições.
Daniel em fevereiro 26, 2008 5:16 PM
#29
Cabe lembrar, a título de esclarecimento sobre os números de mortalidade infantil, que em Cuba, nos EUA e na Inglaterra o aborto é legal.
E que em relação a direitos humanos ninguém sabe a situação exata, porque a Anistia Internacional e a Comissão de Direitos Humanos da ONU estão proibidas de entrar em Cuba desde 1988.
Marcelo Camanho em fevereiro 26, 2008 5:39 PM
#30
Alessandra, a história que você conta não me surpreende. O fanatismo dessa "comunidade" é alguma coisa de assustador. Nisso, ela é idêntica, como eu afirmava no post, ao lobby pró-Israel.
Nos EUA os dois problemas são muito mais agudos e graves que em qualquer lugar, me parece.
Idelber em fevereiro 26, 2008 5:55 PM
#31
Sorry, amigo. Mas foi de puro respeito mesmo, pela aula. ;-)
Ju Sampaio em fevereiro 26, 2008 6:10 PM
Idelber em fevereiro 26, 2008 6:13 PM
#33
Segundo a Anistia Internacional os presos políticos cubanos recebem tratamento igual aos demais detentos e não sofrem torturas.
Não é o que disse a Anistia Internacional sobre, por exemplo, Francisco Chaviano González, preso durante 13 anos por dirigir um grupo de Direitos Humanos.
Idelber em fevereiro 26, 2008 6:18 PM
#34
Bem... Tudo o que posso dizer (e o que sempre digo) quando me falam sobre Cuba e Fidel é que nenhum argumento ou ideologia me faria deixar o Brasil e passar a viver num lugar como Cuba.
Por outro lado, ninguém nunca me perguntou, mas eu também sei que NADA (nem mucho money) me faria morar num lugar como os Estados Unidos...
Daí, que empata, né? Detesto estremismos. =)
Ollie McGee em fevereiro 26, 2008 7:00 PM
#35
Penso que, quando se fala de Cuba, tudo depende do ponto de vista.
O exemplo clássico é a pergunta de uma jornalista estrangeira à Fidel:
- É verdade que, em Cuba, até as universitárias são prostitutas? - teria perguntado a moça.
No que respondeu o Comandante:
- Não, minha filha. Em Cuba, até as prostitutas tem formação universitária.
Cuba sempre renderá discussões intermináveis por este motivo: a direita dirá tratar-se de um inferno; a esquerda dirá tratar-se do paraíso. Não há equilíbrio possível quando o tema é este.
O seu texto, Idelber, é ótimo porque consegue ser racional, equilibrado e, sobretudo, ponderado. Não defende um dos lados como quem torce por um time de futebol. E isso é bom. Mas também, permita-me um comentário crítico, nivela o poder de Cuba e o poder dos EUA. Coloca, de certa forma, ambos no mesmo saco.
À parte todos os problemas existentes na ilha, quase todos motivados pela burocracia estatal e pelo autoritarismo (características intrínsecas de todo regime militar), Cuba nunca oprimiu ou ameaçou outros povos e países. Ao contrário, foi oprimida, foi ameaçada e continua sendo por quase meio século.
O bloqueio econômico é uma declaração de guerra. Estive em Cuba, passei em casa de cubanos, e senti na pele as dificuldades causadas pela falta de produtos e pelo racionamento. E pude compreender que a maior parte deste problema é gerada pelo bloqueio. Estou convicto de que o bloqueio americano foi o maior responsável pela perpetuação de Fidel Castro no poder.
O próprio Fidel, em alguns de seus discursos, chegava a citar que não deixaria o poder enquanto durasse o bloqueio e as ameaças vindas desde Miami (transmissões de rádio e TV piratas incitando o assassinato de Fidel; atentados terroristas como o que matou o turista italiano Fabio Di Celmo, em 1997; tentativas de invasão financiadas pela Casa Branca, como o episódio da Baía dos Porcos, em 1962...). De certa forma, Fidel era a garantia de que Cuba estaria em segurança. Era o único capaz de mobilizar tanta gente e despertar em tanta gente os instintos mais patrióticos e revolucionários. Só isso explica o fato de uma população culta suportar tantas décadas de carências e privações sem se rebelar em armas. Cabe lembrar aqui que a população cubana é uma das mais armadas do mundo. Nunca, porém, houve uma só tentativa por parte dessa população, de derrubar o governo - uma cena fácil de se imaginar em qualquer parte do mundo que vivesse a mesma situação.
Conversando com uma amiga cubana, moradora de Havana - que aliás esteve recentemente em visita ao Brasil - perguntei-lhe sobre a questão dos balseros. Dos cubanos que se lançam ao mar em busca de dólares. E obtive a seguinte resposta:
- "OK, muitos cubanos saem do país pelo mar e vão tentar a sorte nos Estados Unidos. Mas não está correto dizer que eles fogem de uma "ditadura comunista", como divulga a imprensa. Os cubanos saem como clandestinos porque o governo americano não concede vistos de entrada para cidadãos cubanos. Então, muitos de nós, menos convictos dos ideais socialistas ou simplesmente desesperados com a carência de recursos, arriscam suas vidas na travessia marítima, na tentativa de chegar ilegalmente à Flórida e por lá arrumar um subemprego que garanta alguns dólares por mês. O objetivo do cubano não é em nada diferente ao do brasileiro ou do mexicano que sai de seu país: é ganhar em dólar para poder ajudar a família. Um primo meu está em Miami, trabalhando de barman. O dinheiro que ele manda mensalmente permitiu, por exemplo, que eu fizesse uma poupança para viajar ao Brasil. O que vocês não entendem é que vivemos o mesmo tipo de imigração: brasileiros, mexicanos e cubanos deixam suas terras em busca de melhores condições de vida para suas famílias. Mas apenas os cubanos são recebidos e tratados como exilados políticos ou fugitivos da ditadura..."
Enfim, para finalizar. Quando se fala de Cuba tudo é questão de ponto de vista.
Bruno Ribeiro em fevereiro 26, 2008 7:55 PM
#36
Perfeitíssimo, Bruno, belo comentário. Eu só me atreveria a discordar de que o meu texto nivela o poder de Cuba e o poder dos EUA. Acho que não. Digamos o seguinte: é perfeitamente plausível argumentar que o fechamento político e a concentração de poder em Cuba se justificam, em grande parte pelo menos, pelo bloqueio americano. É um ponto de vista a se considerar.
Mas nada, nada no bloqueio americano justifica a repressão brutal de que foram vítimas os homossexuais cubanos ao longo de décadas. Não há razão, política ou religiosa, para se impedir que alguém exerça o seu sagrado direito de dar o rabo em paz.
Idelber em fevereiro 26, 2008 8:03 PM
#37
Oi guri!
Gostei muito do texto e já enviei ao povo dos Movimentos Sociais que não entra na rede. :)
abração!
Suzana em fevereiro 26, 2008 9:15 PM
#38
Obrigado, Su, mais uma semaninha e estamos aí :-)
Idelber em fevereiro 26, 2008 9:16 PM
#39
Idelber, estamos plenamente de acordo nesse ponto. Mas há provas de que a perseguição aos homossexuais era oficializada e/ou legitimada pelo Estado? Nunca consegui obter tais provas e tudo o que sei a respeito foi lendo o relato de escritores como Reinaldo Arenas (Antes Que Anoiteça), que era homossexual. As versões mais plausíveis, contudo, dizem que as perseguições eram fundamentalmente políticas e ideológicas. E que elas atingiam as pessoas contrárias ao regime, sendo elas homossexuais ou não.
Em tempo: qualquer perseguição é condenável, sem dúvida.
Bruno Ribeiro em fevereiro 26, 2008 10:05 PM
#40
Concordo com o Bruno. Já procurei mas não encontrei evidências ou relatos onde a perseguição se dava puramente pelo homossexualismo. Me interessei por isso quando um amigo homossexual se horrorizou por eu ter ido a Cuba e falou das perseguições. Achei que a história do Reinaldo Arenas me mostraria essa perseguição, mas não mostrou. Aliás, depois da Revolução houve até mais liberdade para os gays, pelo menos é o que entendi na história do Arenas.
A verdade é que, sendo oficializado pelo regime ou não, o preconceito dos cubanos com os homossexuais é gritante, e horroroso. Me impressionou como um povo capaz de legalizar o aborto há tanto tempo seja simultaneamente tão retrógrado em relação à questão daquele sagrado direito que você citou.
Daniel em fevereiro 26, 2008 10:21 PM
#41
Daniel e Bruno, meus caros: em geral, quando alguém contesta algo que digo e pede fontes, eu me limito a deixar um ou dois links com as ditas cujas. Mas neste caso, não posso deixar de dizer: se não fossem vocês, meus dois camaradas, colocando a pergunta, eu teria dúvidas sobre se ela está sendo feita em boa fé. Evidência de que os homossexuais foram perseguidos durante décadas em Cuba?
Parem com isso, gente. Não faz bem à esquerda, não faz bem a Cuba, não faz bem à credibilidade, não faz bem a ninguém. É um fato histórico amplamente estabelecido. Há oficiais do PC Cubano reconhecendo isso:
1962: sistemática campanha de batidas policiais contra los pájaros (gays). Virgilio Piñera, um dos maiores escritores da história de Cuba, passa noite na prisão.
1965, declaração de Fidel Castro: Nunca hemos creído que un homosexual pueda personificar las condiciones y requisitos de conducta que nos permita considerarlo un verdadero revolucionario, un verdadero comunista. Una desviación de esa naturaleza choca con el concepto que tenemos de lo que debe ser un militante comunista ... Pero sobre todo, no creo que nadie tenga una respuesta definitiva sobre la causa de la homosexualidad.
1965: Criação das Unidades Militares de Ayuda a la Producción, responsáveis pelo confinamento de 25.000 “parasitas”. Começo do trabalho forçado imposto a eles.
1966: Paradiso é retirada de circulação. Lezama Lima sob prisão domiciliar.
1968: Discurso de Fidel Castro: En nuestra capital, en los últimos meses, le dio por presentarse un cierto fenomenito extraño, entre grupos de jovenzuelos, y algunos no tan jovenzuelos (.) que les dio por comenzar a hacer pública ostentación de sus desvergüenzas. Intensificação das batidas policiais contra gays. (fonte).
Não vou continuar até 2008 por respeito à inteligência de vocês. Um bom estudo – isento, sem fanatismos – é Machos, Maricones, and Gays: Cuba and Homossexuality, do pesquisador Ian Lumsden (detestado, diga-se de passagem, pela máfia de Miami). Antes que anochezca, de Reinaldo Arenas, é, sim, uma fonte inestimável. Lembrem-se: ele também é detestado pela máfia de Miami. Se querem fontes mais recentes, podem consultar uma reportagem entre milhares de outras.
Duvidar das evidências da repressão a homossexuais em Cuba é como duvidar das evidências de que o governo Médici foi repressivo. Como vocês se sentiriam se alguém dissesse: você tem aí fontes que garantam que o governo de Médici foi repressivo? O Daniel diz que procurou. Procurou onde? Quando há qualquer suspeita de que a pergunta sobre fontes está sendo feita para tentar ocultar algo, por motivos políticos, sofre a credibilidade de quem pergunta.
Idelber em fevereiro 26, 2008 11:40 PM
#42
Oi Idelber, também escrevi algo sobre Cuba no meu blog. Gostei desse seu texto e creio que temos pontos-de-vista parecidos. Escrever sobre Cuba é sempre complicado, por causa das paixões que o tema provoca. O seu texto é uma tentativa nobre de olhar o tema com distanciamento, conversando moderadamente. Sobre a questão dos homossexuais, nada mais lindo do que o filme Morango e Chocolate, que mostra um jovem revolucionário, bom mas tosco, superando seus preconceitos.
No meu texto, rechaço a comparação da ditadura cubana com a brasileira e apresento as razões. A direitona brasuca (leia-se Veja e seus dogs) agora quer vender a idéia de que a ditadura de Cuba foi muito pior que a brasileira.
Link para meu artigo:
http://oleododiabo.blogspot.com/2008/02/ditadura-brasileira-foi-pior-de-todas.html
Miguel do Rosário em fevereiro 27, 2008 12:45 AM
#43
Idelber, eu AMEI esse post. Muito mesmo. Já salvei e tudo. E os comentários também estão ótimos. Como é difícil encontrar um equilíbrio quando se fala em Cuba, é sempre tudo tão apaixonadamente irracional... Abraços.
Nalu em fevereiro 27, 2008 9:06 AM
#44
Quanto à questão do homossexualismo, numa das vezes que estive em Cuba, conversei com alguns. Nada me indicou haver perseguição específica. Existe combate cerrado contra atividades contra-revolucionárias, seja de preto, amarelo, branco, macumbeiro, veado,etc. Um dos homossexuais me disse uma frase que nunca esqueci: "Maricon, p