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quinta-feira, 21 de fevereiro 2008
Perguntas que a imprensa americana não fará, 1
Nas ocasiões em que assinalei a vergonhosa cumplicidade da grande mídia americana com as mentiras e manipulações do governo Bush, não faltou quem me colocasse o rótulo de “anti-americano”, como se aceitar uma imprensa subserviente fosse um valor americano sacramentado em algum lugar da constituição. Pois bem, ao invés de fazer críticas iradas, iniciemos hoje uma nova série no blog, que eu espero manter funcionando até as eleições presidencias americanas: perguntas que a imprensa americana jamais fará.
Um artigo da Associated Press de 1985 dizia o seguinte (tradução e grifo meus):
O deputado Tom Loeffler (R-TX), apresentou o prêmio “Lutador da Liberdade do Ano” ao líder da resistência afegã Wali Khan em nome do Conselho Americano para a Liberdade Mundial no dia 03 de outubro.
Loeffler convocou o Congresso e o povo americano para “ampliar o apoio” aos lutadores da liberdade no Afeganistão, lembrando aos ouvintes a luta da própria América pela liberdade.
O Congresso aceitou dar 15 milhões de dólares em assistência encoberta à causa afegã, sendo esta a primeira vez que os legisladores “se prontificaram” a ajudar desde o começo do conflito, de acordo com Loeffler....
Aceitando o prêmio em nome de Khan estava Pir Syed Ahmed Gailani, chefe da Frente Islâmica Nacional do Afeganistão, na qual Khan comanda 20.000 lutadores da resistência.
Outros congressistas que se juntaram a Loeffler incluíam o Deputado Eldon Rudd e o Deputado John McCain, ambos republicanos do Arizona.

Considerando que: 1) os ataques do 11 de setembro de 2001 foram perpetrados por uma organização terrorista cujo embrião é precisamente o grupo “premiado” por McCain e seus colegas; 2) que os EUA continuam envolvidos numa guerra civil no Afeganistão contra a mesma força política que antes haviam homenageado e financiado; 3) que o Senador McCain foi parte tanto da homenagem como da aprovação do financiamento para dita organização; 4) que o Senador McCain é hoje o virtual candidato a presidente pelo Partido Republicano, não seria lógico e esperável que uma imprensa livre em algum momento colocasse a ele a seguinte pergunta:
Senador McCain, qual foi o seu papel no financiamento e na homenagem ao embrião do Talibã em 1985?
Como dito antes, não faço previsões em política. Neste caso, no entanto, prevejo sem medo de errar: nenhum veículo da grande mídia americana sequer se lembrará do episódio. É mais fácil e inofensivo investigar com quem ele trepou ou não trepou. Se algum veículo da grande mídia americana se lembrar de fazer ao Senador McCain qualquer pergunta sobre seu papel nos primórdios do financiamento americano ao extremismo islâmico no Afeganistão, eu tiro uma foto com a camisa do ex-Ipiranga e poso com a dita cuja para escárnio geral aqui no blog.
É a imprensa “livre” americana, que tantos jornalistas brasileiros tomam como modelo de democracia, enquanto se queixam dos horrores da “censura” no governo Lula, entre um impropério e outro dirigido sempre livremente contra o presidente do Brasil.
(inspiração e fonte: Juan Cole)
Escrito por Idelber às 05:41 | link para este post
| Comentários (37)
#1
Ótimo trabalho de apresentação de casos de censura voluntária da imprensa estadunidense.
E, falando sobre o assunto, gosto do modo como Chomsky o aborda (a expressão "censura voluntária" é dele) em "O Clero Secular e os Perigos da Democracia", cap. 5 de Sobre Natureza e Linguagem (Martins Fontes, 2006).
Chomsky diz que aqueles que voluntariamente silenciam sobre injustiças ou sobre as responsabilidades de certas figuras estão cometendo uma falta contra as vítimas. O silêncio não é algo neutro. Ao contrário, é erro, e tal erro é algo grave na democracia.
(E, indo mais longe, divagando, estou adorando Living High and Letting Die, obra de filosofia moral onde o autor, Peter Unger, mostra que em muitos casos não fazer nada é tão errado quanto fazer algo de errado.)
César em fevereiro 21, 2008 7:14 AM
#2
Exatamente!
Enquanto isso, aqui abaixo da linha do equador, uma jornalista especializada em gatos, Cora Ronai (ela mesma se diz especializada em gatos)acha que jornalista não deve entrar na justiça contra jornalistas, e que o que entrava o progresso do Brasil é essa mania de buscar justiça. Pior, ela tá defendendo que a Veja não entre na justiça contra o Nassif, não porque ache que o Nassif está certo, mas porque essa coisa de entrar na justiça atrapalha a liberdade...eu não to entendendo mais nada. E pior, ela tá tratando a Veja como um "jornalista"...
Na minha opinião, o Nassif está fazendo um excelente trabalho, tardio, mas muito proveitoso. Há mais de 15 anos eu não leio a Veja, mas sei como a revista só piorou nesse período - é um jornalismo de constatação de teses dos "chefes" mesmo que a realidade diga o contrário.
Bom, mas se o cara vem acusando a Veja e se a Veja acha que ele não tem provas, tem mais é que entrar na justiça mesmo. Acho muito salutar. Mas agora vem menina Cora dizendo que é melhor não brigar na justiça, que isso é ruim para a democracia...ela mesma que há pouco defendia o direito de todo cidadão ter uma arma...vai ver acha melhor resolver as questões à bala...mundo louco.
aiaiai em fevereiro 21, 2008 8:41 AM
#3
excelente post, excelente idéia.
uma dúvida de quem não conhece o dia-a-dia nos estados unidos: beleza, a imprensa se cala, mas e falar sobre isso? é tabu? é rude? seu amigo republicano vai sentar a mão em você por falar uma coisa dessas ou vai discutir o assunto?
discutir, veja, mesmo que apaixonadamente, isso não me importa, maior de idade vacinado tem todo o direito de ser dado a rompantes --- a pergunta aqui é: tocar nesses assuntos é algo absolutamente profano para todos ou apenas para os jornalistas?
bruno ( ) em fevereiro 21, 2008 8:59 AM
#4
Tudo bem, Idelber?
Sou um grande fã de The West Wing e se não me engano já lancei aqui - sem a menor repercussão - minha inevitável piadinha "Bartlett 4 America".
Mas agora levei um susto: uma matéria no The Guardian - http://www.guardian.co.uk/world/2008/feb/21/barackobama.uselections2008 -
conta que o personagem Matthew Santos, sucessor de Josiah Bartlett, foi inspirado no Obama.
Vale a pena dar uma olhada.
Luiz Afonso Franz em fevereiro 21, 2008 9:00 AM
#5
A imprensa americana com certeza não faria esses questionamentos a McCain. Mas e quanto a Obama ou Hillary? Será que um dos dois teria coragem de tocar no assunto num debate com o candidato republicano? É esperar pra ver...
Sidarta Cavalcante em fevereiro 21, 2008 9:21 AM
#6
Eu TENHO QUASE CERTEZA, caro IDELBER, que não foi sua intenção justificar o eventual tropeço da MIDIA norte-americana, com o eventual tropeço do governo Lula, não é mesmo???
CENSURA na imprensa dos EUA ou do Brasil são IGUALMENTE REPUGNANTES!!!!
Paulo em fevereiro 21, 2008 9:24 AM
#7
O MauCain e esse de preto a esquerda na foto? nao da pra ver direito, so se ele envelheceu muito mesmo. Quando olhei a foto antes de ler pensei que era o Ronald Reagan. Nao parece com o Reagan ou sera que estou viajando? ja parei de fumar faz tempo mas sempre fica umas ligacoes de thc entre os neuronios. E aquele no quadro que esta pendurado na parede parece que e o Napoleao, pelo jeito de colocar a mao na barriga.
julio em fevereiro 21, 2008 9:49 AM
#8
Não existe imprensa neutra. O que produz o equilíbrios dessa instituição é que as várias posições tenham o poder de se manifestar. É óbvio que quem tem o poder econômico vai poder colocar toneladas de tinta em toneladas de papel com mais fluência do que quem não tem. Daí a maior facilidade de atacar o sexo oral de Clinton do que o bacanal islâmico de McCain.
jayme em fevereiro 21, 2008 10:00 AM
#9
Ainda bem que existem os blogs pra contrabalancar a Imprensa cara-de-pau. Talvez a imprensa nunca mencione esse assunto, mas quando se espalhar pela blogosfera e aparecer essa foto com fundo sonoro no youtube e capaz da imprensa repercutir o assunto. Hoje em dia, aos poucos,a coisa vai se invertendo e acaba que e a Imprensa que repercute o publicado nos blogs, e nao o contrario. Ha muitos e muitos anos atras, quando surgiu a internet, eu imaginei que essa novidade, no futuro, iria trazer uma revolucao na politica. Nao aconteceu. Mas pensando bem, pode estar comecando a acontecer. Se nao existisse internet, o Obama teria alguma chance de estar aonde esta? pra dizer o minimo, como seria pra ele arrecadar dinheiro de milhares de colaboradores que doam pequenas quantidades pela internet?
julio em fevereiro 21, 2008 10:33 AM
#10
A pergunta é inocua, mais acho que se fizesse, McCain teria uma reação indignada. Dirá algo como: "Os tempos eram diferentes; nesse então foram nossos amigos (O inimigo de meu inimigo é o meu amigo). Como íamos a saber que iam convertirse em nossos inimigos?
Nada inspira uma falta de confiança num líder executivo como "How was I supposed to know?" Aposto que ele se tornará irritadísimo se alguém ousa perguntar-lhe isto.
Mac Williams em fevereiro 21, 2008 1:48 PM
#11
Para além da preferência de grande parte da imprensa aos republicanos, também há uma tendência no jornalismo -- que não vem de hoje e parece universal -- a sempre fazer a opção pela preguiça. Os jornais estão perdendo credibilidade e circulação, mesmo nos EUA, e tentam reagir a isso imitando a vulgaridade dos programas de maior sucesso (aparente) na televisão. É evidente que não funciona. Na minha opinião, se existe uma brecha pela qual a internet pode sufocar a mídia impressa, ei-la.
Diego em fevereiro 21, 2008 2:18 PM
#12
Idelbert,
Sem defender o milico republicsno, fiquei na dúvida sobre a linhagem destes mujhaddins, pois parece que embora pasthu's, eles eram da banda não talibã, inclusive o Pir Sayed Ahmad Gailani, é um apoiddor do Rei Zahir Shah, e lider religioso sufi, cujo grupo de resistência a ocupação rusa ao final do conflito ficou pouco expressivo. Como a queda do talibã, ele teve uma posição de unidade afegã, e assumindo algumas posturas mais progressivas em relação ao que consideramos de líderes religiosos afegãos.
Não discordo da questão chave que foi o financiamento americano de uma opção de luta anti-comunista que criou esta situação, e claro que concordo que que eles tem que ser responsabilizados por terem criado a situação.
E claro devemos lembrar que foram financiados diferentes grupos, que com a queda do domínio soviético entraram em combustão, e em cima disto é que o talibã marchou para controlar o afeganistão (afinal eram maciçamente finaciados pela arábia saúdita e pasquistão).
ABraços,
E parabéns pelo grande Trabalho
Red cross em fevereiro 21, 2008 2:39 PM
#13
Todo país tem sua "censura branca," à esquerda e à direita. Assim como ninguém cobra do Lula e do PT o apoio ideológico às FARC, ou investiga profundamente a chamada "privataria" do governo FHC.
No frigir dos ovos, os lados sempre se acomodam no bom e velho "livra a minha cara que eu livro a tua, valeu?"
Marcelo Camanho em fevereiro 21, 2008 3:19 PM
Simone Sarow em fevereiro 21, 2008 3:23 PM
#15
"Censura voluntária" foi sensacional.
Até parece que a imprensa americana "livre" vai comentar uma coisa dessas, né?
Já ouviu falar verdade inconveniente? É pleonasmo! Toda verdade é inconveniente para alguém ou alguma coisa.
Belo blog, guri, parabéns!
Abs!
T§
Tarsis em fevereiro 21, 2008 3:24 PM
#16
Idelber
Só querendo de dar uma de advogado do diabo, mas como os americanos iam saber que este grupo iria atacar os EUA mais tarde?
Olhe só os aliados atuais dos EUA, você seria capaz de garantir que algum deles nunca irá atacar os EUA? Olhe só, a maioria dos terroristas do 11 de setembro não eram da Arábia Saudita, aliado dos EUA?
Abraços e até
Rodrigo em fevereiro 21, 2008 8:36 PM
#17
Só para comentar sobre a "censura braca":
Em 2002, em plena campanha para presidente, Lula vai ao jornal de televisão de maior audiência do país, em horário nobre, e é peruntado por Willian Bonner sobre o apoio do PT às FARC. Lula responde que seria melhor se os guerrilheiros depusessem as armas e passassam a disputar eleições.
Agora se querem perguntar 200 vezes a mesma coisa para terem a mesma resposta e cobrar uma posição de Lula que nem FHC teve...
Rodrigo em fevereiro 21, 2008 8:42 PM
#18
E, Idelber, voce esta nos deixando mal acostumados com sua cobertura 5 estrelas! Vim ao Biscoito agora crente que ia encontrar voce bloggando ao vivo sobre o debate democrata. Nao sei de onde tirei isso, acho que foi sonho meu. Sem pressao, claro, afinal voce tem sua vida e obrigacoes. O intuito do comentario e so o de dizer que vir aqui sempre que acontece alguma coisa importante virou um (otimo) habito.
Um abraco
Raquel(NY)
Raquel (NY) em fevereiro 21, 2008 9:49 PM
#19
Alguém está vendo o debate? Até o momento, estou achando o Obama muito hesitante e a Hillary mais segura.
Fernando em fevereiro 21, 2008 9:50 PM
#20
Idelber,
você vai comentar alguma coisa sobre o debate na universidade do texas? Eu fiquei assistindo até agora há pouco, via cnn, mas aqui no Rio de Janeiro ficou tarde pra mim, que acordo muito cedo amanhã.
Minha impressão é que Obama buscou ir além do escopo das perguntas, e tocou em questões que foram de encontro aos anseios do pessoal de lá. Digo isso porque a Hillary ganhou muitos aplausos, mas o pessoal se entusiasmou mesmo foi com as respostas de Obama.
Ana Paula em fevereiro 21, 2008 9:52 PM
#21
César, bem dito -- "censura voluntária" é o termo exato para definir o que vejo acontecendo aqui. Anotei a referência do Unger, obrigado :-)
aiaiai, acho que o dilema que os jornalistas da Veja vão viver a partir de agora será bem curioso. Sempre foram eles a se apresentar como vítimas de processos. E agora?
bruno, depende do ambiente em que você estiver, bem como do momento histórico. Em 2003, no auge do furor bélico, era difícil, até mesmo na universidade, questionar essas coisas. Hoje a aprovação de Bush é tão baixa que o clima é um pouco diferente.
Luiz, sugestão anotada, gracias :-)
Sidarta, é certo, a conferir. Tradicionalmente, os democratas têm sido muito hesitantes na hora de dar a pancada.
Paulo, o que eu disse é que essa história da censura ser política oficial do governo Lula é balela.
julio, o de preto é o Reagan...
jayme, bem dito. Acho que o caso da imprensa aqui é típico -- a concentração da grana em alguns poucos conglomerados que acaba criando um "coral de uma voz só".
Idelber em fevereiro 21, 2008 9:58 PM
#22
Fernando, Ana Paula, Raquel: estou assistindo. Fiquem à vontade para fazer comentários aqui.
Está bem mais educado e polido que eu esperava.
Idelber em fevereiro 21, 2008 10:00 PM
#23
Infelizmente ainda estou no trabalho e nao chegarei em casa a tempo de assistir ao vivo. Entre um paragrafo e outro dou uma fugidinha para acompanhar pelo NYT. A percepcao deles e igual a sua: esta bem civilizado. Parece que a campanha da Hillary optou pela retranca.
Raquel (NY) em fevereiro 21, 2008 10:27 PM
#24
Idelber, v. poderia depois fazer um post ou um comentário sobre o debate? Acabei me esquecendo.
Abraço,
Alexandre
Alexandre Nodari em fevereiro 21, 2008 11:00 PM
#25
Idelber
Só querendo de dar uma de advogado do diabo, mas como os americanos iam saber que este grupo iria atacar os EUA mais tarde?
Olhe só os aliados atuais dos EUA, você seria capaz de garantir que algum deles nunca irá atacar os EUA? Olhe só, a maioria dos terroristas do 11 de setembro não eram da Arábia Saudita, aliado dos EUA?
Abraços e até
Rodrigo em fevereiro 21, 2008 11:07 PM
#26
Pois é, Mac, e o rumor no Senado é de que o temperado dele é meio estourado mesmo...
Brilhante, Diego, acho que você colocou o dedo em duas feridas: há, sem dúvida, um certo "medo" da máquina republicana -- o que acaba empurrando a mídia para o lado deles. A pressão deles sobre a mídia é muito maior. Mutatis mutandi, é o que acontece, por exemplo, nos debates sobre Israel. E também concordo com você sobre a vulgaridade -- é uma tentativa de espetacularizar a política.
Red cross, você tem razão na sua ponderação. É verdade que o Talibã que emergeria depois não é totalmente redutível ao grupo de Mujahideen que se reuniu no começo dos 80. Mas nas bases mais importantes -- Helmand, Kandahar, Uruzgan -- as premissas básicas do que seria o Talibã já estavam lá. Há um relato fascinante de todo esse processo, não sei se você viu: é o livro novo do Robert Fisk, The Great War for Civilization, já traduzido aí no Brasil. Valeu o comentário :-)
Pois é, Marcelo, aí há que se introduzir uma diferença: líderes do PT já ouviram um zilhão de vezes a pergunta sobre suas "relações" com as FARC. Se McCain recebesse, sobre o Afeganistão nos anos 80, 1% das perguntas que o PT já recebeu sobre as FARC, eu me daria por satisfeito :-)
Simone, valeu o link. Pelo jeito a história vai render um pouco ainda, porque a mulher é lobista -- isso sim, interessa, não é?
Tarsis, obrigado, caro gremista. Um abraço.
Rodrigo, boa lembrança, essa aí do debate e das perguntas sobre as FARC. Quanto aos EUA "saberem" que os caras iam atacar. A questão não é saber isso. É saber que não se forma um exército de fundamentalistas religiosos em outro país impunemente. Não acha?
Idelber em fevereiro 21, 2008 11:32 PM
#27
Naturalmente, caro Idelber, não imagino que venha a surgir um documento com firma reconhecida confirmando que exista uma política oficial de Censura!!!
Paulo em fevereiro 22, 2008 12:23 AM
#28
Paulo, meu caro, você é ótimo :-) A palavra "oficial" foi mal usada na minha resposta. Mas a questão central é: você realmente vê o governo Lula censurando a imprensa? Censuraram o que até hoje?
Idelber em fevereiro 22, 2008 12:42 AM
#29
Ildebert,
Embora leia o robert fisk em sua coluna no jornal, nunca li seus livros, vou aproveitar para ler, obrigado pela dica.
Apesar de gostar da figura do Ahmed Shah Massoud, a aliança do norte e as outras facções também foram radicalmente incompententes em sua re-organização do estado afegão, e claramente os warlords (como o Dostum) eram, alguns, piores que os Talibã. O complicado em relação ao afeganistão é que nada, nadinha é preto ou branco.
Gosto do que o Pepe escobar escreve no Asia times (ele mesmo o jornalista da folha que fez aquela entrevista virtual).
ABraços,
Rafael Galliez
Red Cross em fevereiro 22, 2008 2:06 PM
#30
Caro Rafael, agora é minha vez de agradecer a dica. Já localizei os textos do Pepe Escobar, e à primeira vista estou gostando bastante. Valeu :-)
Idelber em fevereiro 22, 2008 2:54 PM
#31
Tu não acreditas que seja possível divulgar essa informação pelas beiradas? No DailyKos, divulgar no espaço acadêmico, essas coisas?
Alexandre Lemke em fevereiro 23, 2008 8:20 AM
#32
Alexandre, no Daily Kos a coisa vai aflorar, não há dúvidas. Não é exatamente um segredo para quem acompanha política americana. A questão é a grande mídia, né?
Para esta, um boquete com uma estagiária é bem mais importante...
Idelber em fevereiro 23, 2008 2:55 PM
#33
Idelber, existem provas de que a Frente Islâmica Nacional do Afeganistão seria o "embrião" dos Talibã? Fico com o Red Cross, estes aí que estão retratados na foto são um bocado diferente dos sauditas e tchetchenos wahabis que levaram para o Afeganistão a ideologia terrorista do 9/11.
Joca em fevereiro 24, 2008 1:40 AM
#34
Idelber, existem provas de que a Frente Islâmica Nacional do Afeganistão seria o "embrião" dos Talibã?
Existem várias. A mais detalhada está em Fisk, Robert. The Great War for Civilization, New York, Vintage, 2007. Ver especialmente capítulos 1, 2 e 3, páginas 5 a 138. Relata o processo inteirinho, desde a invasão soviética, com o testemunho ocular do jornalista ocidental que mais conhece a região.
O livro está traduzido aí no Brasil.
Idelber em fevereiro 24, 2008 2:38 AM
#35
Bom, mas o Fisk não é exatamente conhecido por morrer de amores pelos E.U.A, né? Não tem alguém falando sobre o assunto de maneira mais, digamos, imparcial?
Joca em fevereiro 26, 2008 3:57 AM
#36
Joca, em geral eu não discuto argumentos ad hominem. Acho que seria o caso de você ler primeiro, e aí, sim, depois de lido, apresentar seus contra-argumentos ao minuciosíssimo relato factual do Fisk. Fica mais bonito do que se recusar a ler com o pseudo-argumento de que se está procurando a quimérica "imparcialidade".
Idelber em fevereiro 26, 2008 4:34 AM
Hermenauta em fevereiro 27, 2008 1:13 PM
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