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segunda-feira, 10 de março 2008

Em Porto Alegre

A minha última visita a Porto Alegre havia sido em fase pré-blogueira, em julho de 2004, para o Congresso da Abralic daquele ano. Eu descia a Borges de Medeiros com dois amigos italianos. Tinha a cara tão feliz de estar ali e falava tão entusiasmado sobre as coisas do Rio Grande – se não me engano, o tema era a ida de Tesourinha para o Grêmio em 1954, que pôs fim a décadas de segregação racial no Tricolor – que um dos amigos chegou a comentar: puxa, achei que você fosse mineiro. Que não se acuse este post, pois, de puxação de saco com meus anfitriões. Minha história com o Rio Grande está documentada em resenhas musicais ainda na casa velha, homenagens ao Internacional 1975-76 e ao Grêmio 1983, louvações à capital e à culinária gaúchas, além de incontáveis anúncios desta visita. Sobre minhas conexões musicais gaúchas e minha admiração por sua lucidez, já escrevi outras vezes.

Interessam-me essas mitologias que os lugares constroem sobre si mesmos. Tome Minas Gerais. Trata-se de uma narrativa de identidade regional que cultua a dissimulação e a esperteza por trás das portas. Amo Minas, mas tenho uma relação bem ambígua com o relato dominante sobre a identidade mineira. Identifico-me muito mais com uma narrativa – como a gaúcha – que celebra a exterioridade, o peito aberto na defesa das próprias posições. Quem lê este blog sabe que, neste sentido, sou muito mais gaúcho que mineiro.

A diferença se manifesta até mesmo nos heróis de cada lugar. Os grandes heróis mineiros são figuras que entraram para a história na sua morte: Tiradentes e Tancredo, para não ir mais longe. No Rio Grande, há outra relação com a vida, completamente. Sim, sei que a morte de Getúlio Vargas também ficou famosa. Mas Getúlio venceu à beça antes de meter a bala no peito. Há aí uma diferença fundamental com os heróis mineiros, que parecem só aceder à história enquanto derrotados – apesar, claro, de toda a fama de espertinhos que temos.

Gaúchos não acreditam nessa viadagem da Terceira Via. O futebol, como sempre, é a metáfora perfeita. Porto Alegre compartilha com Belo Horizonte a condição de cidade sede de dois grandes clubes. Mas a rivalidade Galo x ex-Ipiranga não é nada em comparação com a rivalidade dos pampas. Em primeiro lugar, porque nós, mineiros, temos essa estranha entidade, o América-MG, que ainda arrebanha, sei lá, uns 3% da torcida, acolchoando a tensão entre os dois grandes. Em segundo lugar, em Minas Gerais você encontra, ao contrário do Rio Grande, esse esquisito ser, o sujeito que não torce para ninguém. Em BH isso é relativamente comum. Pode ser que exista um porto-alegrense que não tenha preferência clubística. Mas lhes digo: eu nunca vi.

Graças à generosidade de Milton Ribeiro, estive no Gigante da Beira-Rio pela primeira vez depois de 28 anos (a última visita havia sido na legendária semifinal do Brasileirão de 1980, quando o Galo pôs fim à maior dinastia do futebol brasileiro pós-Pelé com sonoros 3 x 0 no Internacional de Falcão). Neste sábado, compareci ao épico embate entre o Inter e os Xavantes do Brasil de Pelotas.

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Discutindo o carrossel colorado na arquibancada

O Inter é uma equipe que não empolga, parece sonolenta, mas cria uma quantidade absurda de chances de gol. O Brasil teve o azar de levar o primeiro aos 15 minutos de jogo e de perder um jogador por expulsão aos 25. Daí pra frente foi ataque contra defesa. Iarley perdeu três gols feitos e Fernandão parecia um sonâmbulo em campo. Mas mesmo assim o Colorado sobrou. Com 48.000 pessoas no Beira-Rio (11.000 mulheres entraram de graça pelo 08 de março), o Inter fez tranqüilos 2 x 0. O maior choque cultural dos atleticanos presentes no estádio foi a forma como a torcida assiste o jogo sentada; nada a ver com o enlouquecimento que toma conta da Massa no Mineirão. Eles saem de casa para ir ao estádio 20 minutos antes do jogo. É incrível!

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Milton, com seu modelito Valderrama; eu, com a camisa da seleção chilena; Alexandre, com a legendária número 3 de Elias Figueroa.

Depois, houve uma reunião memorável de blogueiros: Milton, Claudia Antonini, a futura parlamentar italiana, Tiagón, o visionário da Verbeat, Douglas Ceconello e Daniel Cassol, que escrevem o melhor blog de futebol do Brasil, Gabriela Zago, a futura Advogada-Geral de Defesa dos Blogueiros, Brigatti, o paulista expatriado, além de outros amigos. No dia seguinte, depois da visita de regra ao Brique da Redenção e de um super churrasco no legendário Barranco, um encontro com Katarina Peixoto, esse cérebro fulminante spinoziano,o Marco Weissheimer, de tantas afinidades políticas, o antenadíssimo César Animot e o leitor Luiz, que até chaveirinho do Grêmio me presenteou. Faltou a Suzana, que não apareceu; ainda tenho que ir atrás da Claudia Cardoso. Por aqui é possível sair à rua e encontrar gênios que escrevem essas coisas absurdamente brilhantes. Em definitivo: o Rio Grande está sobrerepresentado nas minhas preferências blogueiras.

Pois é. O post de hoje era só para agradecer essa hospitalidade gaúcha e dizer da alegria de estar aqui, especialmente de estar com esse amigo maravilhoso, com o qual me relacionei durante anos sem nunca vê-lo ao vivo. Venham ao Rio Grande.

PS:
Em algum momento desta segunda-feira eu completo o post com as fotos, que são boas. Faltou um cabo... Fotos: Bernardo Ribeiro.



  Escrito por Idelber às 00:29 | link para este post | Comentários (56)


Comentários

#1

Idelber,

Sinto algo parecido com o que você relata neste post. Tenho inveja desse jeito gaúcho de ser, embora seja mais mineiro do que eu gostaria. Não à-toa, sou brizolista até hoje, em espírito (sei dos defeitos do grande Brizola, mas gosto dele demais). Também gosto mais do rock gaúcho que da sonolenta música mineira (há exceções).
Até no futebol tenho uma certa admiração pelos gaúchos. E aí acho que tem algo de errado. Já me peguei torcendo pelo Grêmio, freguês do Galo, inúmeras vezes - uma delas foi na épica final da Série B de 2005. Mas já torci pelo Inter - uma das vezes foi no mesmo 2005, na "final" contra o Corinthians, roubada pelo mineiro Márcio Rezende de Freitas. No seu post, você fala do jogo do Inter, do chaveirinho do Grêmio... Eu desprezaria um gaúcho que gostasse do Galo e do time azulado quase na mesma proporção. Ou será que não devo me meter na rivalidade alheia?

Ricardo em março 10, 2008 3:25 AM


#2

Adoro o teu blog.Passo todo dia por aqui.

Abraço Sueli

S-Porto Alegre / RS em março 10, 2008 8:33 AM


#3

Paz e bem!

Nesta estadia,
haverá outro encontro comblogueiros?
Quiçá eu possa participar.

Eugenio Hansen em março 10, 2008 8:52 AM


#4

Olá...bem vindo ao Rio Grande Tchê...

Daniel Boeira em março 10, 2008 8:52 AM


#5

Pô Idelber:

Será que você não foi um pouco injusto com Minas? Sou seu leitor recente e posso estar errando (afinal, o texto da massa é massa), mas não precisa diminuir um para falar bem do outro. O povo gaúcho é fantástico, mas onde ficam as nossas qualidades? Como mineiro, atleticano e de esquerda (sensata) como você, acho que faltou enfatizar nossas qualidades. Onde a introspecção algo triste mas bela de um Drummond? De um Aleijadinho? De um Rosa? Música mineira é triste? Lô é triste? E sem essa de heróis, isso é coisa infantil. Heróis para mim são os poetas, os músicos, os romancistas, os loucos, os cientistas. Reavalie, please.

No mais, parabéns aos gaúchos pela bela cultura regional que têm! (nem vou falar dos "defeitos", que também os há, mas empalidecem ante os brios que você citou) E relembrando Drummond, "Minas é palavra abissal".

caliban em março 10, 2008 9:00 AM


#6

Ricardo -- claro que não simpatizo igualmente com os dois times. Sou Inter, mas o chaveirinho terá seu lugar na coleção de coisas futebolísticas....

caliban, claro que não falei mal de Minas! Dá uma relida lá... Falei de um contraste entre um aspecto de uma das narrativas dominantes sobre o ser mineiro e seu equivalente gaúcho... Camarada, há muita coisa sobre Minas neste blog, dá uma passeada nos arquivos.

Eugenio, tendo outro encontro, aviso. Tenho aqui seu email.

Sueli, Daniel, obrigado, tchê.

Idelber em março 10, 2008 10:06 AM


#7

Olha professor, tô lendo todos os seus posts sobre as primárias dos EUA. Acho que sou mais um daqueles que andam voando com a danada dessa embromada eleição. Mas esse meu coment não é para elogiar sua obamania, e sim para dizer que se você deixar mais uma vez o "Galo aos sabados" passar em branco, vou me debandar lá pros lados do ex-Ypiranga.

arimateia alves em março 10, 2008 10:36 AM


#8

arimateia, meus arquivos sobre o Galo estão em New Orleans! Vamos ver se sábado que vem eu consigo fazer um na base da memória.

Viu que o ex-Ipiranga comemorou o empate ontem?

Idelber em março 10, 2008 10:42 AM


#9

Uma das muitas curiosidades de ser paulista é ter o sentimento que somos uma espécie de Brasil dentro do Brasil, pois, assim como o Brasil é uma mistura do mundo inteiro, São Paulo é uma mistura de todos os brasileiros.
Acho que cada paulista é o verdadeiro herói sem caráter.
A vantagem é que possuindo um pouco de cada brasileiro mas não sendo nem um nem outro, nós podemos nos considerar também elogiados com qualquer referência positiva a outros estados (ou sentir-nos atacado quando a referência for muito negativa) mas com a vantagem de viver livremente à paisana eh eh eh.
Mas o que me deixa cabreiro é que na mistura toda não nos restou o mínimo senso de humor e por conseqüência matamos e enterramos o samba eh eh eh.
Mas nosso futebol é o melhor . Afinal "São Paulo, a cidade macota lambida pelo igarapé Tietê" é a terra dos gigantes ; > )

fm em março 10, 2008 11:20 AM


#10

Problemas com o azul, sempre os problemas com o azul...

Milton Ribeiro em março 10, 2008 11:46 AM


#11

Para o bem ou para o mal, creio que a cidade do Rio de Janeiro NUNCA tenha contribuído para a grandeza de S.Paulo.

Paulo em março 10, 2008 1:46 PM


#12

Idelber, bem-vindo!

Fui ao estádio sábado também, e fiquei muito decepcionado. Saí de casa para ver o time sonolento daquele jeito? Concordo com a tua opinião, mas acho que o time não é, estava sonolento. Se eu jogasse nesse time, contra o Brasil, também não ia ter muita vontade de correr, ehehhe!

Vinicius em março 10, 2008 1:48 PM


#13

Hehe! Eu não tinha lido isto, mas te desejei um porto "alegre". Pelo visto meu Porto não te negou sua alegria! Para mim é assim também. Quando eu estou com a passagem comprada, começo a cantarolar; deu prá ti baixo astral...
Mas quanto a dizer que a narrativa gaúcha "celebra a exterioridade"... não sei não, porque ô povinho bairrista!
Vivi os 30 anos primeiros anos da minha vida na Porto Alegre em que nasci e estou a 16 em Floripa. Adoro POA e sempre digo que é o único lugar onde tenho vontade de morar além de Floripa. mas não suporto os estereótipos gauchistas de meus conterrâneos e mesmo de seus fãs.
Mas vá, chaverinho do grêmio é de última! Que nojo!
Vou te arrumar um do inter, me dá o endereço que eu te mando com cuia e bomba adornadas com o emblema do time, que sou colorada (mesmo que eu nunca tenha pisado num jogo de futebol)...
Abç, Flávia

Flavia Motta em março 10, 2008 1:51 PM


#14

Caro Paulo, é de propósito. Como já disse, tivemos o cuidado de matar o samba eh eh eh.

Fm em março 10, 2008 1:59 PM


#15

mazáá, Idelber, andas aqui pela terrinha então? não deixe de explorar o Centro de POA. há muito caos, mas nas imediações da Rua da Praia, Borges e Pça da Alfândega há várias coisas interessantérrimas ;-)

abraços!

João Barreto em março 10, 2008 2:11 PM


#16

*inveja*

Biajoni em março 10, 2008 2:47 PM


#17

Fico feliz que o chaveirinho - aliás, a citação correta que deverias ter feito era "um lindo chaveirinho do Grêmio" - tenha alcançado seu objetivo: polêmica, discussões exacerbadas. Um chaveirinho não é apenas um chaveirinho.

Luiz Afonso Franz em março 10, 2008 3:03 PM


#18

"Em definitivo: o Rio Grande está sobrerepresentado nas minhas preferências blogueiras."

Também pudera: a maioria dos citados é "leitura obrigatória" da blogosfera guasca.

No mais, o lombinho de porco com queijo do Barranco e um jogo do Colorado (mesmo que sonolento) também fazem a visita valer a pena, não?

Um abraço.

Iagê

Iagê em março 10, 2008 3:12 PM


#19

João, acabei de chegar do centro. Mercado, Praça da Alfândega e etc. Tudo lindo como sempre.

Pois é, Iagê, inegável que vocês mandam muito bem nos blogs. Já estou com o seu no radar também. Obrigado pela citação lá.

Flávia, "exterioridade" no post queria dizer .... exterioridade em relação ao Brasil, ou a certas narrativas de identidade nacional brasileira. Não acho que você esteja discordando de mim.

E para que não fique dúvida: aqui, sou Colorado. Mas não podia deixar de aceitar o presente de um amigo.

Afinal, sou mineiro, né :-)

Idelber em março 10, 2008 5:44 PM


#20

Oi Idelber, você realmente não perdeu nada aqui no Mineirão, parecia que os dois times estavam mais preocupados em não perder. Comentário moderado de torcedor azul: o Adilson achou bom o empate porque o Geninho mandou bater sem dó, tiraram o Guilherme logo no primeiro tempo (vai ficar um mês parado) e o Charles (esse já tava bichado, foi mal escalado e vai tb ficar um mês no CARE) e ante isso o juiz não fez nada, só tirou os cartões do bolso no segundo tempo, quando o Cruzeiro começou a dar umas caneladas tb, porque senão saía todo mundo de maca. Por tudo isso o Cruzeiro ficou com quatro jogadores praticamente mancando em campo nos últimos quinze minutos. No mais, sobrou incompetência dos dois lados e por isso o resultado foi justo. Como dizia o Millôr, é nessas horas que deviam apitar um pênalti, para penalizar o mau futebol.
Ah, também admiro os gaúchos, no quesito futebol, sempre pelearam muito em campo, jogando com lealdade.

Leo Vidigal em março 10, 2008 5:59 PM


#21

estes posts dão uma inveja de doer! eu adorava conhecer o Brasil...:)

cristina em março 10, 2008 6:16 PM


#22

Ô guri...

Não deu para ir mesmo. E terça, se eu conseguir me liberar mais cedo, conto ao vivo e a cores.

Estamos com troca de comando no CM e com convocações sem muitos avisos. Mas eu estou tentando um jeito de me liberar amanhã.

Mas estas camisetas daquele time ali da beira do rio, hein, hein... Ninguém te deu uma das boas? Sabe... aquelas azuis, lindas!

abraço!

Su

Suzana Gutierrez em março 10, 2008 8:03 PM


#23

Jogo do Inter sonolento? Deu para redundâncias agora, Idelber?

Se nem a charanga da Garra Xavante resolveu o problema, ninguém vai resolver!

Quanto a heróis, o maior dos gaúchos é o João Cândido, o "Almirante Negro", de Encruzilhada do Sul. "Glória, a todas as lutas inglórias. Que através da nossa história. Não esquecemos jamais". Acho que esses versos do Aldyr também servem para a discussão sobre política e étíca do post anterior.

Por fim, sempre é bom lembrar que o RS não é só Porto Alegre. Há muitos outros lugares como, por exemplo, o Hermenegildo, com seu fantástico restaurante "O Mar de Macondo".

Saudações tricolores (do Grêmio e do G. A. Farroupilha, campeão de 35).

Ricardo Petrucci Souto em março 10, 2008 8:10 PM


#24

Aguardo o contato, então, Su :-)

Até visto a outra camisa se o preto predominar sobre o azul :-)

Leo, o que me contaram foi que seu time saiu comemorando o empate...

Idelber em março 10, 2008 8:10 PM


#25

Hehe de novo! Esqueci de dizer que além de antropóloga, sou implicante (se é que há alguma contradição nisso...). Na verdade, concordamos demais, porque o que eu queria dizer é que “Amo o Rio Grande do Sul, mas tenho uma relação bem ambígua com o relato dominante sobre a identidade gaúcha.”…
No mais, escolha melhor seua amigos! Amigo gremista às vezes é inevitável, mas amigo gremista que dá chaverinho do grêmio! Aí já não é mais só mau gosto, nem só provocação, é abuso, é violência!
Você deve ir comer uma salada de fruta na banca 40 do mercado público, ali há outras várias bancas onde vc encontra ervas e acessórios para o chimarrão, tudo embelezado com o emblema do inter. Deve ter chaveirinhos também!
Abç, Flávia

Flávia em março 10, 2008 8:19 PM


#26

Bacana as fotos , nunca fui num estádio de futebol, deve ser o máximo. Quem sabe um dia....
O Alexandre é seu filho??
Um abraço
Izabella

Izabella em março 10, 2008 8:19 PM


#27

É impressão minha ou a morte de oito estudantes numa escola para religiosos não chega a se constituir um "massacre" digno de ser comentado? Ou será que o silêncio se deve a razões outras (quem sabe uma particular e bem determinada forma de "racionalizar" a questão?) que precisam permanecer subtraídas ao debate a fim de que as opiniões expressas possam adquirir maior legitimidade?

flávio em março 10, 2008 8:30 PM


#28

putz, talvez eu esteja chegando atrasado e todo munda já saiba disso, mas só agora que me caiu uma ficha aqui: a "Massa" do titulo do blog tem a ver com a "Massa", torcida do Galo?

Sim, eu sei que sou devagar.

Daniel em março 10, 2008 9:12 PM


#29

Mas que polêmica essa do chaveirinho.
Não percam os próximos capítulos: será que o cara estava querendo provocar o Idelber? Ou será que era apenas uma lembrança dos pagos sob uma ótica nova para o presenteado? Será que ele achava que o coloradismo do Idelber era tênue e poderia ser subvertido com um chaveirinho? Será que o que ele queria mesmo arrumar confusão? Será que um gremista não pode dar um chaveirinho prum colorado impunemente? Ou poderia ser algo mais singelo como aquelas trocas de flâmulas antes dos jogos de antigamente? Ou será que - como pensa a Ana Flávia - foi um ato beligerante, incitando à violência?
Não percam os próximos capítulos.

luiz afonso franz em março 10, 2008 9:23 PM


#30

Ai ai ai. Idelber, com licença.
Luiz Afonso: não Não pode! Pelo simples fato de que um colorado não pode "ter" um chaveiro do grêmio. Dá nojo, entende? Não dá nem para tocar. Quase não dá para digitar!
E olha que eu nem “gosto” de futebol. Mas é que sou colorada. O que quer dizer que gosto do inter e não gosto do grêmio. É assim que funciona … basicamente.
Mas …,bueno, Luiz Afonso, quem transformou isso em polêmica foi você é vc. Eu só estava fazendo piada, evocando e incorporando um estereótipo elementar da tal identidade gaúcha. E, dentro do estereótipo, é assim que funciona
Agora, como só entendo de coloradismo e não de futebol, eu não entendi nada da grande sacada dobre a “massa” e o Galo. Então se vc quiser me explicar, Daniel, pode usar o meu e-mail aqui em baixo. Assim eu me sinto menos por fora e sem entupir a caixa do Idelber com obviedades que só eu desconheço…
Abraço, Flávia (e não Ana Flávia, Luiz Afonso!)

Flávia em março 10, 2008 10:47 PM


#31

Desculpe, Flávia. Erro de nome é inadmissível.

Quanto ao chaveirinho, há controvérsias.

E quanto à "massa" atleticana que o Daniel vê no nome do blog, há confusão: tenho a impressão que a referência é ao oswald de andrade, que escreveu algo como "as massas ainda vão comer do biscoito fino que produzo".

Vai um chaveirinho, alguém?

luiz afonso franz em março 10, 2008 10:57 PM


#32

Isso me lembra q eu nunca comi no Barranco. Droga!

Bender em março 10, 2008 11:17 PM


#33

Idelber,

Sou gaúcho, mas confesso que não gosto de certos clichês e estereótipos acerca de meus conterrâneos.

Apesar disso, fiquei orgulhoso ao ler seu texto, em especial o parágrafo sobre os heróis gaúchos. Tanto que tomei a liberdade de reproduzí-lo em meu blog (linkando para cá, claro).

Parabéns pelo blog, o qual acompanho há pouco tempo, mas suficiente para estar nos meus favoritos.

Grande abraço!

Gustavo Timm de Oliveira em março 10, 2008 11:30 PM


#34

licença de novo, meu branco...
Então a ignorância nem era futebolística, Luiz Afonso? Era literária mesmo. Gostei da explicação, e mais ainda agora do nome do blog. Muito obrigada, Luiz Afonso! Troféu chaveirinho para vc!!!
Abç, Flávia

Flávia em março 10, 2008 11:31 PM


#35

Há evidências de que Nikita Kruschev presenteou John Kennedy em 1962 com um chaveirinho da foice e do martelo; Juarez, o Tanque, centro-avante do Grêmio em 1959, colecionava chaveirinhos do Inter; o presidente do Equador, quando apertou a mão do presidente da Colômbia, deu pra ele um chaveirinho das Farc; José Serra tem em casa um chaveirinho do PT. E por aí vai, embora ainda não esteja confirmado que George W. Bush guarde a chave da garagem de seu rancho no Texas presa a um chaveirinho de An Inconvenient Truth. Um colorado de classe, quando ganha um chaveirinho do Grêmio, agradece, diz “quanto gentileza!” e leva pra sua memorabilia futebolística, junto com uma camisa da Seleção de Angola da Copa de 2006 e a uma bola com que o Reinaldo fez um gol contra o Cruzeiro. Memórias são memórias.

luiz afonso franz em março 10, 2008 11:33 PM


#36

Ok, ok, ok! vc venceu.
Troféu merecido! vc é uma autoridade em chaveiros!
mas não me dê um chaveiro nem do grêmio nem dos
Clinton!
Valeu, Luiz Afonso!
Sorry, Idelber!
Abç, f.

Flávia em março 10, 2008 11:48 PM


#37

Turma do chaveirinho: conversem à vontade!

Izabella, sim, o Alexandre é meu filho.

Gustavo, sobre os estereótipos: dedico-me muito a questioná-los, sempre. Acho que essas mitologias sempre têm algum fundo real, sobre o qual, claro, começam-se a tecer toda sorte de delírios. Portanto, o sentido da referência à mitologia gaúcha não era, evidentemente, subscrevê-la. Mas acho, sim, que essas narrativas dizem algo sobre aqueles que as tecem. Trabalho-as, em outras palavras, com ironia e distância, mas sem desqualificá-las. Abraços.

E, putz, Ricardo, como fui me esquecer que João Cândido era gaúcho! Claro, faz todo o sentido...

Abraços,

Idelber em março 11, 2008 12:27 AM


#38

Prezado Idelber,

A brincadeira às vezes assume um tom irresponsável que se confunde com o leviano.. Então gostaria de fazer alguns esclarecimentos.
O paraíso onde eu vivo, Florianópolis, Lagoa da Conceição, não é nenhuma palestina, mas é um território dividido, cheio de fronteiras simbólicas. Há várias. Mas só falo aqui sobre aquela que está relacionada com seu post:: identidade gaúcha.
Meu carro, Idelber, tem um enorme arranhão do lado esquerdo. Apareceu em novembro num dia de feriado em que fui com minha filha de 21 anos numa praia menos badalada, fugindo do auê dos turistas. Mas meu carro tem placa de Porto Alegre, não passou despercebido. O arranhão é uma espécie de Fora Haole. Aliás, na frente da escola do meus filhos, no ano passado, apareceu uma pixação: Fora gauchada haole!
Mas a coisa não fica só entre os surfistas. Existe um conflito já histórico aqui entre os herdeiros das olgarquisa tradicionais e a chamada “esquerda gaúcha”. A esquerda aqui é “esquerda gaúcha”.
O tema é complexo, é uma das coisas que abordo em minha tese (defendida em 2002 na Unicamp) – a relação desigual entre nativos e “estrangeiros” na ilha.
Perssoalmente, não suporto nem o gauchismo nem o antigauchismo. É ruim ser discriminada e é ruim ter seu carro depredado, estar a mercê de alguma violência simplesmente por ser identificada socialmente como “gaúcha”. Mas sei muito bem de onde vem o anti-gauchismo daqui. Em primeiro lugar, vem do processo de exclusão social dos nativos, que acompanhou a urbanização, “modernização” e “turistização” da ilha, que trouxe os “estrangeiros” entre os quais a massa gaúcha (e minzinha dentro dela). Em segundo lugar e muito simplificadamente, vem das atitudes e relações etnocêntricas, excludentes e hierárquicas dos gaúchos com os nativos. Os gaúchos se acham, ignoram os códigos de relacões interpessoais tradicionais, não entendem nem querem entender a lógica nativa e esnobam. São arrogantes e, claro, há a questão de classe, porque é principalmente uma clase média que vem para cá, expor seus privilégios de classe e seu estilo hedonista de viver (que é o que o turismo, a praia e o surf deixa aparecer). Eu sou gaúcha dos quatro costados e os gaúchos ficam muito avontade com esse meu sotaque portoalegrense. Você não imagina as barbaridades que são ditas aqui, do alto de uma identidade gaúcha, a respeito do “manezinho da Ilha” - o povo que nos recebe e que a gente recebe em nossa cozinha e gostaria que nos atendesse melhor no restaurante.
Eu não gosto de ser discriminada, e vc deve saber que não é só aqui que o gaúcho enfrenta estereótipos negativos a seu respeito. Mesmo na Unicamp, como aluna de um doutorado em ciências sociais, tive que lidar com esses preconceitos. Nesses casos eu enfrento e me defendo. Menos defendendo os “gaúchos” do que desfazendo o etereótipo.
Mas, como antropóga, me habituei com o compromisso ético com o pesquisado entre os quais, segundo o código de ética da Associação Brasileira de Antropologia, o de não prejudicar, não desfavorecer o pesquisado. Aprósito de discussões desse tipo, sempre refiro uma frase de Lévi Strauss no finalzinho do seu Tristes trópicos. Ele fala que a nossa sociedade é a única que nos cabe transformar. Nesse caso, eu parafraseio dizendo que os nossos preconceitos são os únicos ne nos cabem transformar. Minha crítica se volta e se voltará sempre contra o discurso gaúcho sobre si mesmo e sobre os que lhes são diferentes – e é, em geral, um discurso cheio de soberba que, nas relações com a diferença, serve ao estabelecimento e a reprodução de relações hierárquicas e excludentes.
Sei que não era nada disso que vc tinha em mente quando louvou os gaúchos. Quanto a isso, fique tranqüilo, entendi e agradeço os elogios à terrinha – compartilho de sua paixão, provavelmente com mais fervor! Meu intuito aqui era apenas esclarecer a origem do que pode parecer um desqualificação leviana de uma identidade regional tão cara a alguns.
Ah: se lhe interessa o tema das dissensões em floripa, sugiro a leitura do Livro Cidade dividida, de Márcia Fantin, publicado pela Cidade Futura, sua tese em Antropologia na USP.
Um grande abraço, Flávia

Flávia em março 11, 2008 10:32 AM


#39

Muito legal e elucidativo o post 38 da Flávia.

Seguindo a linha anti-xenofobia, reconheço que a música popular mineira é muito superior à gaúcha.

Aqui tudo tem que ter autorização da RBS e por isso só saem bobagens pra gurizada do Planeta Atlântida.

Em Minas o "Clube da Esquina" se impôs na marra e pela qualidade e é um paradigma do qual os jovens não podem fugir.

Não é à toa que a gaúcha Elis gravou dezenas de canções de compositores mineiros e poucas de autores locais.

Idelber, seria bom que você esticasse sua estadia, pois, como diria o Lô, nós precisamos de você por mais um dia...

Ricardo Petrucci Souto em março 11, 2008 10:49 AM


#40

O Rio Grande do Sul é um só. Minas são muitas...

Carlos Dantas Motta em março 11, 2008 11:02 AM


#41

Excelente o comentário da Flávia.

Eu sou paranaense, e moro em São José, município vizinho à Florianópolis, há mais de 20 anos.

Um dado curioso sobre a capital catarinense é que boa parcela da população vêm de fora, principalmente dos estados vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná, além do recente fenômeno da invasão paulista.

Claro que depois de morar mais 20 anos em um lugar, você se sente meio que "nativo". Ainda mais no meu caso, que vim pra cá com apenas 6 anos. Meu sotaque já é de mané, e não fosse alguns laços que ainda tenho com meu estado natal, especialmente futebolísticos, poderia me declarar catarinense.

Portanto, nada mais natural para um "catarinense" manter uma rivalidade sadia com os gaúchos. Só que, é claro, riscar um carro com placa do estado vizinho está longe de ser rivalidade, já é coisa de marginal mesmo. E nem vou comentar muito sobre o caso dos surfistas, que provavelmente assistiram ao filme Surfe no Havaí durante a infância, (eu devo ter visto uma centena de vezes), e agora pensam que são nativos, no mesmo sentido que os povos que ocupavam o arquipélago no pacífico.

Quanto à arrogância gaúcha que a Flávia mencionou, tenho um "causo" pra contar. Meu irmão trabalhava em uma empresa onde os gaúchos eram maioria absoluta. Um dia perguntaram a ele o que ele, que é catarinense, achava de trabalhar com tantos gaúchos, e se ele se incomodava em ter tantos gaúchos morando por aqui.

Ele respondeu que achava normal e que só se incomodava quando algum gaúcho comparava Floripa com Porto Alegre, depreciando a primeira e tecendo milhões de elogios à segunda, como alguns costumam fazer. Afinal, se aqui é tão ruim, e lá é tão melhor, por que não voltam?

Ricardo Antunes da Costa em março 11, 2008 11:27 AM


#42

E o Carlos Dantas também não deixa de ter razão...

Idelber em março 11, 2008 11:38 AM


#43

Eu conheço a citação do Oswald de Andrade, sempre achei que o nome do blog era referente a isso. Mas ontem me veio essa idéia de que podia ser TAMBÉM uma piscadela ao time que inspira os belos textos de sábado. De repente foi até inconsciente, sei lá.

Caro Idelber, parabéns pela belíssima iniciativa do proximo clube de leituras. Acho que dessa vez preciso correr atrás do livro e participar do clube, pela primeira vez de forma decente.

Daniel em março 11, 2008 12:15 PM


#44

Sim, o Daniel está certo. Claro que é Oswald e claro que é o Galo. As duas leituras são possíveis!

:-)

Idelber em março 11, 2008 12:23 PM


#45

Excelente texto da Flávia! Adoro Floripa e Porto Alegre, são as duas cidades onde moraria no Brasil se tivesse que abandonar a "aglomerada solidão", São Paulo. Sempre vou a Floripa no verão, e a Porto Alegre quando dá. Minha placa de São Paulo já recebeu muitos impropérios e muita fechada de carros florianopolitanos na ilha. Este ano, ao ver o CAOS ABSOLUTO instalado na ilha com o mar de carros que a invadiu, a gente até entende esse tipo de comportamento. Não concorda, mas entende.

Quando comecei a ir a Floripa, 10 anos atrás, o turismo não era tão destrutivo e os manézinhos eram extremamente hospitaleiros, tanto quanto os gauchos o são em POA. Agora, o turismo está detonando a ilha, e o mau-humor dos ilhéus é patente.

Daniel em março 11, 2008 12:24 PM


#46

Caro Idelber, fico realmente constrangida de usar sua caixinha para manter uma conversa paralela com seus leitores. Mas eles são tão simpáticos e instigantes, não? Então vamos lá, com constrangimento e tudo!
Queria agradecer o apoio, as provocações e os elogios! Mas cuidado: não vão pensar que estou sugerindo um preconceito às avessas, i. é, que não gosto de gaúchos. E também cuidado para, a partir da crítica ao gauchismo, não cair no ufanismo mineirista, paulista etc. Como sugere o post do Idelber, é bom manter uma “relação bem ambígua com o relato dominante sobre a identidade” regional…
Lembrei que, além da Márcia Fantin que sugeri no outro comentário, eu mesma tenho um artigo na web sobre o aspecto violento da relação entre os nativos da ilha e o “pessoal de for a” (não necessariamente gaúchos):
www.scielo.br/pdf/physis/v16n1/v16n1a03.pdf
Agora, esse papo de massa do galo e galo da massa, é papo para iniciados! Vou ter que entender aos poucos…

Flávia em março 11, 2008 1:57 PM


#47

A música de Flávio Venturini é triste? Então, não entendo mais nada... "Bon jour, tristesse..."

Carlos Jardim em março 11, 2008 4:58 PM


#48

Moro em Goiânia, sou amazonense. Mas quando quero "ir" ao Brasil, eu vou a Minas Gerais.

Flavio Lacerda em março 11, 2008 5:28 PM


#49

Idelber, obrigada pela lembrança e quero, mais uma vez, externar o quão agradável foi o encontro na casa da Claudia e do Milton. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos!
Algumas considerações em relação a este post:
1. Foste na torcida dos "pechos frios", uma lástima! Da próxima vez, é preciso ir no Olímpico (ou na tal da Arena) e participar da avalanche!
2. Se eu tivesse te lido antes, te apresentaria o Eugênio como o gaúcho que não tem time (pior, odeia futebol...).
3. Daria um jeito de arrancar a Suzana de casa...
Bem, mas conversar contigo sobre a relação mídia e política só veio a reforçar a minha tese do quanto a esquerda (ou o que se pretenda ser isso) está longe de compreender por onde passa a ágora política nos dias de hoje. Ainda que a mídia não nos diga o que fazer, ou manipule o tempo inteiro, ela impõe a pauta e nos faz pensar sobre os temas propostos. É preciso repertório pessoal para perceber sacanagem, omissão (invisibilidade), ou mentira deslavada mesmo, bem como qual subjetividade se quer formar.
Bueno, tenha uma ótima viagem de retorno, espero que as crianças tenham gostado. Lamentável não ter tirado fotos de ontem à noite. Estava com a máquina e esqueci completamente.
Abração e até a próxima!

Claudia Cardoso em março 11, 2008 7:55 PM


#50

Claudia, foi um super prazer conhecer você e Eugênio. Eu também tinha máquina e me esqueci!

Vamos continuar em contato, sobre questões de mídia e tudo o mais -- vou me manter o mais informado que possa sobre as eleições municipais aqui em PoA.

Abração para toda a família!

Idelber em março 11, 2008 8:06 PM


#51

Olá, Carlos Dantas Motta

Observo dois Rio Grande do Sul.

O da metade sul, latifundiário improdutivo, pobre e "criollo" é de um gauchismo atávico, mais discreto e reflexivo.

O da metade norte, minifundiário, rico e "gringo", cultua um gauchismo efusivo.

Saudações

Ricardo Petrucci Souto em março 11, 2008 8:42 PM


#52

eta, deu vontade de tomar uma cerveja com vocês...

Serbão em março 11, 2008 10:31 PM


#53

Perfeito, Idelber. Só que no time rival, o Grêmio, a torcida não assiste a partida sentada. Acho que até é mais agitada que a do Galo. E parabéns: o blog continua muito bom [até mesmo quando fala do Internacional].
Abraço.

Guilherme ´Póvoas em março 12, 2008 7:46 PM


#54

atrasado: mui honrado e feliz fiquei de finalmente conhecer o amigo! :D contai sempre!

tiagón em março 13, 2008 11:31 PM


#55

O Petrucci é a prova viva de que existe sim uma terceira via no Rio Grande! Ele torce para o Farroupilha, o terceiro time de Pelotas e q tem alguma torcida no bairro Fragata! E ainda lembrou o Hermenegildo, quase sumido do mapa!
Idelber, legal tuas palavras. É claro q tua pretensão não foi fazer uma descrição do gaúcho, até mesmo pq não existe homogeneidade em povo algum, mas apenas algumas características comuns identintificáveis. O Rio Grande tem várias etnias, sotaques e costumes. Mas tem um "sentimento nacional" criado com a versão que passou para a história da revolução farroupilha.
Há muitos defeitos e muitas qualidades. E algumas qualidades podem, conforme o momento, ser defeitos. Na política, p.ex., é evidente que no RS a população não tem aquele sentimento de temor em relação ao poder estabelecido, comum em muitas partes do Brasil, inclusive aqui em SC, o que é muito bom. Tb o enfrentamento e a capacidade de falar o que se pensa é visto com bons olhos. No entanto, às vezes a política de enfrentamento dificulta a busca de consensos necessários em qqer democracia. Prova disso é que ninguém consegue colocar a casa em ordem no governo estadual. É impossível construir uma visão equilibrada de ordenação das finanças públicas.
Bom, eu moro em SC mas tenho a visão do lado de cá e do lado de lá. Tenho dificuldades para enxergar uma terceira via em qquer coisa. E sou colorado, ainda que por ter morado em Pelotas tb tenha aprendido a torcer para o glorioso Brasil de Pelotas. Inclusive, lá não se assiste jogo sentado: verás o jogo em pé e sentirás o fanatismo da torcida, a mais apaixonada do Rio Grande do Sul.

gerson em março 18, 2008 12:41 AM


#56

Moro nos EUA e conheci duas brasileiras recentemente. Primeiro uma que se diz de Floripa mas na realidade mudou para lá quando era pequena e, algum tempo depois, conheci uma que nasceu em Floripa. Me dei super bem com a primeira e muito bem com a segunda. Um dia marcamos de tomar um café juntas e percebi um certo clima. A primeira, não nascida em Floripa me disse que a segunda era uma manezinha da ilha (com um certo ar de desprezo...). Eu tentei saber se isso era bom ou ruim mas não deu pra entender (sou do Rio e moro nos EUA há 24 anos). Est