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segunda-feira, 17 de março 2008

O crime internacional de Uribe, as Farc e o respeito às fronteiras nacionais

Os poetas conhecem como ninguém o processo pelo qual as palavras vão se gastando, sujando e perdendo o poder denotativo que tinham. Exemplo típico, em nossos tempos, é a palavra “terrorismo”. A partir dos acontecimentos de 11/09/2001 – atos indubitavelmente terroristas no sentido clássico –, a manipulação do vocábulo pela administração Bush e pelos seus aliados ao redor do mundo passou a convertê-la numa espécie de epíteto a que se recorre para justificar qualquer coisa, uma sorte de xingamento conveniente e inquestionável. Essa é a lógica que preside alguns dos argumentos acerca do recente imbróglio entre Colômbia e Equador, que deixou nítida, mais uma vez, a monumental ignorância brasileira sobre seus vizinhos, até mesmo de parte de gente bem instruída.

Para começar, o que os gringos chamam full disclosure (abrir o jogo): tenho razões muito pessoais para detestar as Farc. Já me atingiram de perto, seqüestrando gente próxima a mim – gente de esquerda, inclusive. Quem quiser xingá-los de terroristas ou narcobandidos, que fique à vontade. Mas não acredite que, com isso, esteja aproximando-se um centímetro de compreender o conflito colombiano. O lamentável editorial d' O Globo deste domingo, por exemplo, é uma descarada justificativa do crime internacional perpetrado pelo governo de Uribe -- distorce os fatos ao ponto de dizer que os presidentes Chávez e Correa ficaram isolados! O editorial ainda desce a lenha na atuação do governo brasileiro que, do ponto de vista diplomático, me pareceu impecável. Em coluna na Folha de São Paulo, Nelsinho Motta – a quem conheço, admiro e quero bem – abusa dos xingamentos às Farc e dá um espetáculo de desconhecimento do tema, ao perguntar-se as Farc não pretenderiam tomar o poder e instalar um governo “bolivariano”. Como alguém pode escrever uma coluna sobre o tema no maior jornal brasileiro e não saber que as Farc jamais reinvindicaram qualquer referência ao “bolivarianismo”? É preocupante que o autor do artigo não saiba que a referência nem sequer teria sentido na Colômbia. Sugere que ele esteja confundindo a Colômbia com a Venezuela, dois países que têm muito pouco em comum além da fronteira. Sei que é chato usar argumentos assim, mas produz cansaço ver, pontificando sobre o conflito colombiano e distribuindo epítetos, gente que não saberia localizar Antioquia ou o Vale do Cauca num mapa.

As Farc eram uma guerrilha onde se misturavam inspirações guevariana e maoísta com um elemento profundamente colombiano, a saber: desde muito tempo --- desde o fracasso do pacto de 1854 que uniu liberais e conservadores contra o General Melo, ou, diriam outros mais modestos, desde o período conhecido como “La violencia”, entre o fim da década de 1940 e os anos 1950 –, a militarização da sociedade colombiana põe em cena um horrendo teatro da vingança no qual bandos armados, oficiais ou não, permitem que filhos possam ir à forra pelos assassinatos de seus pais. Imaginem a espiral viciosa desse gigantesco horror de órfãos e viúvas. Nas últimas décadas, as Farc passaram a adotar várias práticas do banditismo comum, como a extorsão e o seqüestro não motivado politicamente (claro que um seqüestro como o de Ingrid Betancourt tem motivação política; refiro-me a outros, para ganho econômico).

O tráfico de drogas está envolvido? É evidente que sim. Qual o problema com a definição “narcoguerrilha”? Ela finge ignorar o fato mais básico, que o dinheiro da droga financia todos os lados do conflito colombiano, incluído aí o estatal. Isola-se um dos atores desse conflito para receber o prefixo “narco”, como se o tráfico estivesse ausente em outras comarcas. Realiza-se, portanto, uma operação de desonestidade intelectual. É pior ainda o rótulo de “terroristas”, já que o que caracterizou tradicionalmente as Farc nunca foi o ato terrorista no sentido clássico, como a bomba em lugares públicos. Não são incapazes desses atos, mas o que os marca é a trajetória que vai do combate guerrilheiro à paulatina incorporação de métodos do banditismo. Uma boa parte de seus membros não são guevaristas nem muito menos terroristas, mas camponeses que se viram compelidos a se incorporar a alguma força armada no contexto de uma espiral de violência já ancestral.

Boa parte da população camponesa e agricultora colombiana está acostumada a viver com até três extorsões: das Farc, dos paramilitares (AUC) e do próprio estado, este último “representado” por bandidos que utilizam para proveito próprio a guerra de extorsões entre os vários bandos armados. O que consegue Uribe, nos últimos anos, é simplificar esse terror: de um imposto ternário, passamos a um binário. A extorsão paramilitar de direita aninha-se ao interior da operação estatal. É impossível discutir a situação da Colômbia sem levar em conta a reinserção dos paramilitares na legalidade, com muitos deles incorporados ao estado (reinsertarse é o verbo que se usa na Colômbia para definir o processo de abandono das armas e passagem à legalidade). A recente popularidade de Uribe se apóia na diminuição real dos índices de violência, que tem um conjunto de causas: a legalização dos paramilitares (que passam assim a contar com os recursos do estado e já não recorrem tanto ao assassinato), a reinserção do M-19, o trabalho comunitário inovador de prefeituras como a de Bogotá e, inclusive, opções táticas recentes das próprias Farc, que têm perfeita consciência do seu isolamento. É evidente que a "linha dura" de Uribe tenta capitalizar politicamente sobre uma série de resultados sobre os quais ela tem responsabilidade só parcial.

A grande cartada que tem Uribe é a utilização do espectro do “terrorismo” para demonizar um único ator do conflito -- quando o rótulo é igualmente (in)aplicável a todos os outros. Se há algo que, em definitivo, não interessa ao governo colombiano é a reinserção pacífica e ordenada das Farc. Se tudo o que ele conseguiu em termos de popularidade foi na carona da redefinição das Farc à luz da retórica do terrorismo da era Bush, por que abrir mão do manipulável fantasma? Se pouca gente fora da Colômbia sabe que os níveis de violência podem ter baixado, mas que as taxas de mortalidade por assassinato entre os “reinseridos” de esquerda continua altíssima? Visite um camponês cundiboyacense e observe no seu semblante o terror produzido pela menção de duas curtas palavrinhas: los paras. Na seqüência, faça um levantamento do número de candidatos a cargos eletivos assassinados pelos paramilitares ou por agentes do próprio estado em comparação com o número de políticos mortos pelas Farc. Depois volte aqui e dê uma gargalhada na cara do direitista tupiniquim que quer entender o conflito colombiano como uma oposição entre o “narcoterrorismo” e o “estado democrático de direito”.

É possível que tenha havido contatos entre as Farc e os governos da Venezuela e do Equador mais além das normais conversas em torno ao tema da paz? Sim. É possível que tais contatos tenham envolvido grana? Sim, é possível. Embora eu ache pouco provável, estaria disposto a considerar este novo dado, caso apareçam indícios ou provas. Não, os conteúdos de um laptop ao qual só Uribe teve acesso não valem como prova de nada. Até agora, o que temos é esse mapa político nos quais os interesses me parecem bem nítidos.

É por tudo isso que é inaceitável que um latino-americano justifique o crime internacional cometido pelo governo de Uribe na semana passada – Raúl Reyes era a figura designada pelas Farc para a negociação de paz que, como sabemos, já envolveu outros governos da região. Será que é muito difícil perceber que o assassinato de Reyes tem muito pouco a ver com o combate ao "terrorismo" e tudo a ver com impedir que Hugo Chávez capitalize politicamente com a negociação para a libertação de reféns? Por que o jornal O Globo, em editorial, se refere como “base” a um acampamento de onde jamais havia saído nenhuma operação militar? Ah, como seria bom se existisse uma direita nacionalista no Brasil! Não se pode brincar com o respeito às fronteiras nacionais logo ali na Amazônia, numa época em que o governo Bush já deu amplas demonstrações de que não respeita direito internacional nenhum.



  Escrito por Idelber às 09:09 | link para este post | Comentários (78)


Comentários

#1

Puxa, Idelber, parabéns! Quando pedi que escrevesse sobre o tema não pensei que seria tão bom. Você usa argumentos que tento explicar para as pessoas mas não consigo. Acredito que as pessoas vêm os demais países da América do Sul como um história em quadrinhos: vilão, mocinho e os fracos e oprimidos. Hugo Chavez, na minha opinião, quer se transformar no homem forte da América do Sul - e esta não é uma perspectiva que me agrade...
O desrespeito às normas de direito internacional se tornou comum com o governo Bush agindo contra o terrorismo - e olha o que aconteceu no Oriente. Isso é o que mais me chamou a atenção nesse episódio: o desrespeito ao território, que se trata de um elemento fundamental e definidor de Estado. O "terrorismo" se tornou a deixa para a invasão de territórios nacionais estrangeiros.
Quanto à Amazônia, parece que pouca gente percebeu a localização geográfica do conflito e a extensão de nossas frnteiras. Faz pensar. Há riscos? Não sei, mas o prevenido morreu de velho, não é? É bom estar sempre atento.
Parabéns, novamente.

Ana Carolina em março 17, 2008 10:05 AM


#2

Deu a louca no PC...foi duas vezes...

Ana Carolina em março 17, 2008 10:06 AM


#3

Manifesto das FARC

por Secretariado do Estado Maior Central

Item 5: Para a construção desta alternativa pomos à consideração do país, das suas organizações política e sociais, de todo o povo, a Plataforma Bolivariana pela Nova Colômbia para abrir a discussão e o intercâmbio em torno das bandeiras e do programa de um novo governo que sugerimos patriótico, democrático, bolivariano, rumo a uma nova ordem social, comprometido na solução política do grave conflito que vive o país.

E as FARC não são "bolivarianas"?

Marcelo Camanho em março 17, 2008 10:39 AM


#4

É o exemplo clássico do duplipensar, descrito pelo Orwell em "1984":

"To know and not to know, [...] to use logic against logic, to repudiate morality while laying claim to it, [...] to forget whatever it was necessary to forget, then to draw it back at the moment when it was needed, and then promptly to forget it again: and above all, to apply the same process to the process itself."

As FARC se dizem bolivarianas, mas é necessário esquecer disso -- até a hora em que for preciso lembrar de novo...

Ou, nas palavras de Caetano: "Ou não..."

Peter Alms em março 17, 2008 11:00 AM


#5

Caro Ildeber,

Desde uma dica do blog do alon, tenho acompanhado diariamente o teu blog, pelo qual te dou os parabéns. Curioso pelo desenrolar das prévias nos EUA, fui 'salvo' por teus artigos, pois não há na mídia brazuca ninguém que faça uma análise da qualidade da tua.
Aproveito para convidá-lo a visitar meu blog (http://palpit.blogspot.com, que acabo de ressuscitar, onde lanço alguns palpites sobre a economia brasileira e seus melindres.

Abs
Marcelo Manzano

Marcelo Manzano em março 17, 2008 11:04 AM


#6

Ótimo post, Idelber. Estas coisas precisam ser esclarecidas. E mais uma vez a nossa mídia mostra de que lado está...

Kelly em março 17, 2008 11:17 AM


#7

Prezado Idelber,
mas também não se pode dizer que a própria existências das FARC hoje, nos moldes atuais, é "funcional" para o governo Uribe? Ela é perfeita para a criminalização da esquerda (mesmo os setores visceralmente contrários ao grupo)e para o isolamento de alternativas progressistas. Você não acha que há uma hesitação excessiva por parte da esquerda latino-americana em fazer uma crítica incisiva a espiral de violência de que você fala, incorporando como objeto dessa crítica o modus operandi das FARC?

João Marcelo em março 17, 2008 12:07 PM


#8

Nelson Motta ACERTOU ERRANDO! As FARC hoje se tornaram CLARAMENTE SUBSIDIÁRIAS, para o bem ou para o mal, ao ímpeto do presidente “bolivariano” (qualquer que seja o significado desta palavra). E caro Idelber, o seu último parágrafo justifica o erro de Motta! É incrível como se arma uma situação diplomática e midiática (em cima do evento de guerra, real e DEPLORÁVEL) para beneficiar o presidente do país, nosso vizinho na fronteira Norte!
Mas caro Idelber, você esperava realmente que o jornal O Globo saísse do seu conservadorismo?

Paulo em março 17, 2008 12:16 PM


#9

Bem caro Idelber, como eu não tinha lido os comentários, REFORMO: Nelson Motta ACERTOU ACERTANDO!!!

Paulo em março 17, 2008 12:24 PM


#10

e por acaso as FARC respeitaram as fronteiras do equador???

foca em março 17, 2008 12:34 PM


Marcelo Camanho em março 17, 2008 1:18 PM


#12

.......sem palavras !!Você já disse tudo !!
Boa .
Abraço

myrna em março 17, 2008 1:32 PM


#13

Idelber,
fico sempre achando que desta missa não sei um terço, obrigada por acrescentar um pai nosso e 2 ave-marias.

Márcia W. em março 17, 2008 1:51 PM


#14

Ildeber,

Texto realmente muito bom. Parabéns! Precisamos de textos assim, que apontem os muitos interesses em jogo e, principalmente, a história que nos é pouquissimo conhecida, dos nossos vizinhos.

Por outro lado, preocupa observar que, mesmo com todo o desgaste que custou aos EUA a invasão do Iraque sob falsos pretextos - incluindo o uso indevido da expressão "terrorismo", que você analisou tão bem - ainda temos que ouvir discursos como os da Dona Arroz, que repete o seu mantra do "terrorismo" aplicado ás FARC com a maior desfaçatez e ainda propõe uma aliança militar. Tudo embalado na retórica dos altos e nobres motivos. Pffffui!!!

Alba em março 17, 2008 2:24 PM


#15

Quem conheceu Bogotá antes e depois de Uribe, vai entender porque ele tem aprovação de 90% da população.
Quanto as Farcs não serem bolivarianas, o Marcelo Camanho já mostrou o contrário.

Adelmo Leon em março 17, 2008 3:14 PM


#16

Como alguém pode escrever uma coluna sobre o tema e não saber que as FARC reinvindicaram TEXTUALMENTE a implantação de um governo bolivariano na Colombia?

Se as FARC traficam drogas e praticam guerrilha, é claro que são uma "narcoguerrilha". Curiosa a análise do texto: usa a culpa dos paramilitares (outra narcoguerrilha) para tentar isentar as FARC do mesmíssimo crime.

Uma "boa parte" dos membros da Al-Qaeda também nunca praticou o terrorismo -- isso quer dizer que ela não merece o título?

A "reinserção pacífica e ordenada" das FARC só depende deles abandonarem a guerrilha e o tráfico, mas duvido que eles abram mão da enorme quantidade de dinheiro que essas atividades trazem para os seus líderes.

Peter Alms em março 17, 2008 3:15 PM


#17

Então tá, né?

Uma menção ao termo num manifesto faz das Farc uma organização "bolivariana". O que eu disse -- e reitero -- é que essa inspiração bolivariana não é dado chave na emergência e na consolidação da Farc. Se alguém quiser afirmar que sim porque encontrou a palavra num manifesto recente, ora, à vontade. O que eu gostaria de saber é em que isso muda a questão central: a violação territorial do Equador.

O argumento de que Bogotá se pacificou graças exclusivamente à ação de Uribe é risível, me desculpe. Vamos dar um olhada no que aconteceu durante os dois mandatos de um sujeito chamado Mockus na prefeitura, por exemplo. Guglem aí, quem sabem não descobrem que ele é bolivariano também....

E, pela milésima vez: não estou "desculpando" as Farc. Que cada envolvido em assassinato ou tráfico de drogas seja julgado pela lei. Estou questionando um uso interessado dos termos "narcoguerrilha" ou "narcoterrorista" que esconde mais do que revela qual é a dinâmica do conflito. Quem quiser fingir que não entendeu a diferença entre as duas coisas, que fique à vontade também.

Idelber em março 17, 2008 3:47 PM


#18

foca, existe uma diferença básica: a Colômbia é um estado nacional. As Farc são uma organização armada. Se uma organização armada de um país viola o território de outro, e o governo do país sede da dita cuja quer tomar providências, o direito internacional prevê mecanismos para que isso seja feito.

Mecanismos que não incluem, claro, o bombardeio de acampamentos sem a ciência do governo vizinho.

Coloque-se no lugar do presidente do Equador. Se fosse Chávez, bombardeando uma guerrilha venezuelana no estado do Pará, como você, como brasileiro, reagiria?

Idelber em março 17, 2008 4:13 PM


#19

Idelber: post de clareza cartesiana. Põe a história em cena, aponta as transformações, os agentes... Parabéns! (Só espero que não implique com o Descartes da expressão, tá?)

Ricardo Cabral em março 17, 2008 4:14 PM


#20

td bem, idelber, vc se justificar, tentar desdizer o q disse no post e tal e coisa. mas a impressão q fica mesmo é q voce defende as FARC. por que?
porque é bem mais visível o seu ÓDIO figadal contra todo e qualquer governo q não seja de esquerda.
esse sintoma é bandeiroso em vc e por mais q vc depois tente justificar o excesso cometido em sua análise simpática e parcial às FARC, é complicado porque o soneto fica pior q a emenda. aliás, como sempre acontece com pessoas tão partidárias. seja qual for o viés ideológico.

foca em março 17, 2008 4:21 PM


#21

mais uma vez, sua explicação a cerca da questão de fronteiras é muito enviesada e partidária.será q nosso democrata blogueiro de esquerda vai censurar minha opinião.

foca em março 17, 2008 4:25 PM


#22

foca, meu caro, respeito seu ponto de vista. Mas realmente tenho dificuldade em ver "simpatia" pelas Farc no meu post -- a não ser que você insista em confudir "Farc" com "análise menos maniqueísta e mais tridimensional de um problema complexo".

E acho, sinceramente, que se há alguém deixando transparecer ódio aqui, não sou eu.

Reitero a pergunta: Chávez bombardeia sem avisar um acampamento de guerrilha venezuelana no estado do Pará. Você, como brasileiro, reagiria como?

Idelber em março 17, 2008 4:25 PM


#23

Moderação de comentários instalada por motivos que nada tem a ver com este post, mas com ofensas dirigidas a outros em outro post.

Quem for comentar, escreva com calma que depois eu libero os comentários -- paciência, porque estou sem internet pessoal no momento. E sobre o que viria a ser "censura" num blog pessoal, caro "foca", favor ler isto aqui.

Idelber em março 17, 2008 4:30 PM


#24

Hoje o portal do Noticias24 da colômbia publica uma reportagem em que aparece uma foto do ministro da Segurança do Equador trocando uma idéia com o falecido Reyes.
É o baton na cueca que faltava para que Correa e seus defensores voltem para seus devidos lugares. Bando de hipócritas.

http://www.noticias24.com/actualidad/?p=12905

Barba Negra em março 17, 2008 4:49 PM


#25

Caro Idelber

Muito Bom, parabéns!

Pena que tem gente que não consegue entender e continua achando que o mundo é dividido entre mocinhos e bandidos.

O episodio da união patriótica diz muito a respeito da história recente da Colômbia e de como o senhores de lá só querem saber mesmo é de guerra.


Luiz em março 17, 2008 4:50 PM


#26

Vamos lá com o diálogo de surdos.

Barba negra: a não ser que se conheça o teor da conversa, essa foto não altera nada em nada. Volte lá no meu post. Mais especificamente na parte que diz mais além das conversas normais. Que há conversas entre as Farc e governos da região é fato que ninguém nunca negou. Pois se já houve reunião multiestatal para discutir o tema, com a presença de Uribe e tudo! Reyes era o encarregado das conversas de paz dentro das Farc.

Insisto na pergunta: em que isso altera o crime internacional de Uribe?

Idelber em março 17, 2008 4:57 PM


#27

Idelber,

O que você escreveu foi "as FARC jamais reinvindicaram qualquer referência ao bolivarianismo".

Foi mostrado que isso não é verdade.

Se você quer reescrever o texto para ler "a inspiração bolivariana não é dado chave na emergência e na consolidação da Farc", tudo bem -- mas não foi isso o que você disse.

But you can't have your cake and eat it, too: se a inspiração bolivariana é recente, é uma prova de que o Chávez está interferindo nos assuntos internos da Colombia -- senão, de onde teria vindo esta inspiração? Esta interferência é legítima?

Quanto à sua questão hipotética: se a guerrilha estivesse inundando a Venezuela com drogas, sequestrando e matando venezuelanos, pregando abertamente a derrubada de um governo eleito democraticamente; se o Pará estivesse abrigando a guerrilha com a conivência explícita do governo Brasileiro; se o ataque não tivesse matado nenhum brasileiro; se a Venezuela reconhecesse a invasão e pedisse desculpas; eu faria exatamente o que o Correa fez: ficaria puto da vida, exigiria retratação, faria todo o teatro diplomático que é exigido nessas situações, e quinze dias depois deixaria tudo voltar ao normal.

Peter Alms em março 17, 2008 4:59 PM


#28

Olá Idelber,

Poderia fiskear tudo, mas fiskeio só alguns pontos aqui:

Nelsinho Motta – a quem conheço, admiro e quero bem – abusa dos xingamentos às Farc e dá um espetáculo de desconhecimento do tema, ao perguntar-se as Farc não pretenderiam tomar o poder e instalar um governo “bolivariano”. Como alguém pode escrever uma coluna sobre o tema no maior jornal brasileiro e não saber que as Farc jamais reinvindicaram qualquer referência ao “bolivarianismo”?

O "bolivarianismo" seria melhor chamado de "bovinismo", é apenas um eufemismo para "socialismo", ou, no caso, um governo ao estilo de Hugo Chávez. Pouco ou nada tem a ver com Simão Bolívar. A crítica de Avelar é implicância besta, afinal, é óbvio que as FARC não usariam tal palavra, por sinal, o que é "bolivarianismo" segundo o Idelber?

A recente popularidade de Uribe se apóia na diminuição real dos índices de violência, que tem um conjunto de causas: a legalização dos paramilitares (que passam assim a contar com os recursos do estado e já não recorrem tanto ao assassinato), a reinserção do M-19, o trabalho comunitário inovador de prefeituras como a de Bogotá e, inclusive, opções táticas recentes das próprias Farc, que têm perfeita consciência do seu isolamento.

Blablablá. Um bebê bonito tem muitos pais, um bebê feio é órfão. É claro que é a linha-dura do Uribe a maior responsável pela queda na violência, bem como suas políticas em relação ao paramilitariso. Colocar entre as causas da diminuição a própria estratégia das FARC, é muita cara de pau.

o que caracterizou tradicionalmente as Farc nunca foi o ato terrorista no sentido clássico, como a bomba em lugares públicos. Não são incapazes desses atos, mas o que os marca é a trajetória que vai do combate guerrilheiro à paulatina incorporação de métodos do banditismo.

Acho sempre engraçado quando fazem esta distinção entre "grupo guerrilheiro" e "grupo criminoso comum". Às vezes são até os mesmos que, por um lado, dizem que as FARC "abandonaram a ideologia e agora são só um bando de criminosos comuns", mas, pelo outro, se recusam a admitir que sejam tratados como criminosos comuns, falando em sua "luta política" ou querendo que sejam "força beligerante". Na verdade, é muito simples, não há contradição alguma: as FARC são um grupo revolucionário marxista, e os grupos revolucionários usarão o que for preciso, conforme o momento - banditismo, terrorismo, até capitalismo se for o caso.

Será que é muito difícil perceber que o assassinato de Reyes tem muito pouco a ver com o combate ao "terrorismo" e tudo a ver com impedir que Hugo Chávez capitalize politicamente com a negociação para a libertação de reféns?

Será que é muito difícil perceber que tem a ver com as duas coisas, que são, na verdade, a mesma? Combater Hugo Chávez, aliado e apoiador das FARC, É IGUAL a combater o "terrorismo", isto é, as FARC.

Por que o jornal O Globo, em editorial, se refere como “base” a um acampamento de onde jamais havia saído nenhuma operação militar?

Hã... Esta aqui, realmente, é tão bobinha que nem merece resposta. Em tempos de guerra assimétrica, eu diria que é até de uma ignorância atroz. Mas por ora, fico por aqui...

Abs,

Mr X em março 17, 2008 5:02 PM


#29

quer saber? se o parlapatão truculento hugo cháves invadir o território do país tropical pra bombardear enclaves guerrilheiros venezuelanos ou se o troglodita george bush invadir a mato grosso pra atacar focos de guerrilha islâmica, q diferença REALMENTE faz?

seria um fato lamentável? com certeza, sim !!
mas infelizmente o mundo caminha para o armagedon e nos dias de hoje só merece repúdio se um louco invadir o território brasileiro com interesse único e exclusivo em atacar a soberania brasileira ou dilapidar nossas riquezas. sem essa de fronteira, cercas embandeiradas q separam quintais...

evo morales INVADIU a Petrobrás sediada na Bolívia com exército e o escambau e nem por isso a gloriosa esquerda festiva tupiniquim reclamou de zorra nenhuma. achou tudo normal normalíssimo. o absurdo de certos grupos q se dizem guerrilheiros é q para eles a individualidade humana não vale nada. matam, sequestram, lutam por uma ideologia, e para quê mesmo? pra depois chegar ao poder e se encastelar com benefícios em causa própria? a nojenta nomenklatura da esquerda é tão sacana qto às "zelites" da direita. "zelite" estas q apóiam todo e qualquer governo. (vide banqueiros, grandes empresários e corporações globalizadas)...

foca em março 17, 2008 5:07 PM


#30

Pequena correção: como os outros bem lembraram, as FARC usaram sim, diversas vezes, a palavra “bolivarianismo”.

Mr X em março 17, 2008 5:09 PM


#31

Peter: granted. O uso do "jamais" no meu post não era exato. Ignorava referências recentes (muito recentes, convenhamos) a esse termo, "bolivarianismo".

No contexto de comentários como outros que há por aí, um desacordo formulado como você formula o seu é um bálsamo. Então vamo' lá conversar de boa fé.

No meu modo de entender, as referências recentes ao "bolivarianismo" indicam menos uma interferência direta de Chávez do que uma tentativa das Farc -- isoladas e com aprovação baixíssima, isso também está dito no meu post -- de capitalizar a popularidade inegável de Chávez na Venezuela. A referência, em si, não prova interferência de Chávez que transgrida leis internacionais.

Veja bem: eu não nego que tais interferências possam estar existindo. Não ponho minha mão no fogo por Chávez. Eu só disse que essa interferência não está provada. E que Uribe -- que mentiu nesse episódio, ao ligar na manhã do ataque para Correa e dizer que havia invadido "acidentalmente" o território equatoriano numa "perseguição" às Farc -- não é confiável ao apresentar como provas dados de um laptop ao qual só ele teve acesso.

Quanto à sua resposta ao meu contra-exemplo hipotético do Pará: estamos de acordo então!

Com relação ao episódio que realmente aconteceu: Você não acha, por outro lado, que o Brasil fez exatamente o que deveria ter feito?

Idelber em março 17, 2008 5:10 PM


#32

ao q me parece as forças militares colombianas entraram sim no território equatoriano. e quantos quilometros território adentro? foi noticiado q teria sido uma região fronteiriça, a qual no meio da densa floresta fica quase impossível delimitar. o q, de jeito nenhum, justifica a invasão. mas o ôba ôba da gloriosa esquerda latinoamericana fez um alarde dos diabos como se os colombianos tivessem invadido e destruido grande parte da capital Quito.

e o q dizer do cárcere imposto à ingrid betancourt? não merece uma moção de repúdio sequer da nossa tão "humanitária" esquerda? nunca vi um pronunciamento, um manifesto, um abaixo assinado sobre isto.

no entanto, quando se referem às FARC destilam um amor explícito, ou pior, uma paixão cega q ofusca qualquer noção humanitária ou de bom senso.

foca em março 17, 2008 5:31 PM


#33

Essa é fácil, foca:

Eu, Idelber Avelar, titular d'O Biscoito Fino e a Massa, venho por meio desta declarar que o sequestro de Ingrid Betancourt, bem como incontáveis outros sequestros e assassinatos cometidos pelas Farc, são crimes abomináveis, injustificáveis, que merecem todo o repúdio e que devem ser punidos com o máximo rigor da lei.

Destarte, coloco-me à disposição para acrescentar meu nome a quaisquer abaixo-assinados que por ventura venham a ser feitos neste teor.

Idelber em março 17, 2008 5:36 PM


#34

Idelber,
Imprensa brasileira: veja, mas não acredite. Foi vocêr quem deu a dica.
Você está lascado: os leitores do Reinaldo Azevedo (Mr X e foca) fizeram um ataque nos comentários e vão encher o saco até a morte por conta do "bolivarianismo".

enio em março 17, 2008 5:42 PM


#35

tranquilo, tranquilo.

aqui a gente encara na paz :-)

Idelber em março 17, 2008 5:45 PM


#36

Você não acha, por outro lado, que o Brasil fez exatamente o que deveria ter feito?

Mais ou menos. Existe, na nossa diplomacia, uma corrente "bolivariana" que está mais preocupada em ser anti-americana do que pró-brasileira, e insiste em se "opor aos interesses americanos" mesmo quando estes são beneficiais ao Brasil (é claro que nem sempre são, e quando não são devem ser rejeitados sumariamente), por motivos ideológicos.

Me parece, sinceramente, complexo de inferioridade -- mas isso é discutível e o ponto não é esse. Minha crítica é que, devido à essa necessidade de contemporizar e parecer "anti-americano", o Brasil perde a oportunidade de assumir a liderança da América Latina e de ocupar um papel de player de peso no cenário internacional.

Mas como insistimos em ficar em cima do muro, em passar a mão na cabeça do Chávez e do Morales, em não denunciar as tendências totalitárias desses governos, ficamos relegados à posição de ator coadjuvante para um bufão como o Chávez.

Existem motivos para isso? Claro -- temos uma parceria comercial com a Venezuela que rende bilhões, que certamente seria afetada se o Brasil tomasse uma posição mais dura. É mais fácil esperar a Venezuela implodir (o que não deve demorar).

Enfim -- acho que, no saldo, o Brasil agiu bem. Pessoalmente, acho que o Lula poderia ter ido ao Grupo do Rio e dado um puxão de orelhas público no Uribe e no Chavez (no Correa nem tanto). Mas aí, sacumé, iam dizer que estamos com "tendências imperialistas" -- mas, oras, é esse o preço de step up no cenário internacional.

Peter Alms em março 17, 2008 5:48 PM


#37

Peter, acho que discordamos só em ênfase, não em substância, quanto ao papel do Brasil. Concordo com você que no geral o Brasil agiu bem. E também concordo que uma declaração do tipo "por mais inaceitável que seja a violação de fronteiras territoriais, a mobilização de exércitos num país vizinho não contribuiu à resolução do problema". Esse teria sido um bom puxão de orelhas em Chávez.

Eu discordo da visão de que o Brasil tenha sido relegado à posição de coadjuvante do Chávez. De jeito nenhum. Ele grita, esperneia, faz escândalo, mas o que a maioria dos países da região aguarda é a intervenção do Brasil.

Não sou a favor de nenhuma diplomacia anti-americana por ideologia, mas convenhamos, da forma como os EUA têm se comportado nos últimos anos, fica difícil evitar situações de tensão. E olha que o Amorim as tem evitado, eu acho, com bastante habilidade.

Vamos ver o que saiu da reunião de hoje.

Idelber em março 17, 2008 6:10 PM


#38

Olha o laptop das FARC começando a render...

Ou será que isso também é armação do Uribe, com a conivência da Costa Rica, hehehe...

Julio Augusto em março 17, 2008 6:12 PM


#39

meu caro enio

seu comentário é bem característico de como age essa direita e/ou esquerda tacanha brasileira que quer colocar o cidadão opinante numa espécie de prateleira idólógica com o intuito único e exclusivo em desqualificá-lo para o debate.

sim, tanto leio o reinaldo azevedo e o mainard quanto leio mino carta, paulo henrique amorim e o idelber avelar. todos eles têm acertos e erros em suas colocações.

mas a bússola do meu pensamento é minha. e ela é única e individual. gostaria muito q vc pensasse por vc próprio da mesma maneira q mantenho minha independência individual política e ideológica. ok, garoto?

ps.
sim, idelber, e evo morales ao invadir instalações da Petrobás com o seu exército, numa típica operação de guerra, ele violou ou não as leis internacionais? de acordo com seu raciocínio, ele esbofeteou ou não a nossa soberania?

foca em março 17, 2008 6:21 PM


#40

Meu nome também estará no abaixo-assinado que por ventura venha a ser produzido.

__

O problema da Direita é que ela trabalha com modelos pouco condizentes com a realidade. Estão todos em busca do monstro comedor de crianças. Usam termos chulos, não argumentam coerentemente... E justificam-se em nome de uma Cruzada Santa contra uns esquerdistas que só existem no imaginário que eles próprios criaram.

Pessoas de má-fé apóiam o banditismo das FARC. Mas há um monstro aleijado, só a metade esquerda do corpo se mexe, que precisa ser capturado. E nesse balaio, entramos todos.

Senhores direitistas, resolvam-se com seus monstros e seus monólogos. Quando puderem entrar em um debate de idéias sério e coerente, não façam cerimônias: venham e serão bem recebidos.

Idelber, quanta paciência.

Abraços,

Thiago em março 17, 2008 6:35 PM


#41

O problema de uma análise tridimensional é que quando o fato é bidimensional ela está completamente equivocada.
As Farc sequestram, maltratam e matam pessoas. E traficam drogas. Se são narcoguerrilha ou narcoterroristas, pouco importa. Enquanto um monte de gente se ferra a gente fica aqui com questõezinhas acadêmicas.
É mais simples do que isso. No governo Uribe a Colômbia caiu da violência galopante para um país mais civilizado. E as Farc ganharam apoio dos gorilas esquerdistas que empestearam a América Latrina. O apoio do Chavez não precisa de prova nenhuma, ele mesmo já deu várias declarações nesse sentido. Agora o capanga Correa resolveu abrigar terroristas (tá, tá, pode ser guerrilheiros assassinos) e o Uribe mostrou que não está pra brincadeira.
Sobre a participação do Brasil... coerente, ou seja, sempre desastrosa. O Celso Amorim diz que não pode classificar a Farc de nada. Entendo, o chefão Chavez não deixa.
Sobre a invasão do Pará, eu respondo: se a invasão viesse da Colômbia, a diplomacia brasileira ia dar escândalo. Se viesse da Venezuela, ia baixar a cabeça e meter o rabo entre as pernas. Como alguém lembrou, Morales invadiu a Petrobras ilegalmente e a gente que teve que pedir desculpas.
A "conquista" da atual diplomacia brasileira é que antigamente a gente baixava a cabeça para os mais fortes, e agora a gente baixa a cabeça para os mais fracos.

Octavio Faria em março 17, 2008 6:40 PM


#42

foca, respondendo sua pergunta:

a invasão da Petrobras na Bolívia foi uma bravata de um presidente que queria mobilizar sua base. Foi um ato ao qual o Brasil respondeu com a força exata -- nem mais, nem menos. Não era o caso de passar a mão na cabeça do Morales, e o Brasil não passou. Mas não era o caso de invadir a Bolívia. Não, não acho que o caso da Petrobras em território boliviano seja análogo à violação de fronteiras internacionais. O direito internacional não vê as duas coisas como idênticas.

Sim, eu acho a política externa brasileira sob Lula muito boa. Tanto é que estão aí as boas relações tanto com Venezuela como com os EUA. E depois do episódio da Petrobras o Morales conversa com o Brasil em outros termos.

Ao contrário do que pensam alguns, nada é bidimensional. O mundo é complexo, não há fórmulas prontas, e o Brasil tem se saído bem nesse xadrez. Bem melhor que o Chávez e bem melhor que Uribe.

Sinceramente, achar que Chávez é o "chefão" do Brasil hoje é delirante, me desculpe.

Idelber em março 17, 2008 7:23 PM


#43

Amanhã à tarde volto para liberar os comentários que entrarem entre agora e então.

Obrigado pela paciência -- o blogueiro está sem internet em casa :-)

Idelber em março 17, 2008 7:25 PM


#44

Idelber,
atualmente aplica-se para o 'Estado Democrático de Direito' na Colômbia a mesma definição de Voltaire para o Sacro Império Romano Germânico.
Um abraço

Adriano Ferreira em março 17, 2008 7:36 PM


#45

Thiago,

Seu comentário sobre os mundos míticos criados pela direita foi perfeito! :)

Alba em março 17, 2008 7:54 PM


#46

Realmente está faltando inteligência à direita brasileira. Os contra-argumentos aqui utilizados só estão levantando a bola para as excelentes cortadas do titular do blog.
Chávez chefão do Brasil, ha ha ha! Haja paranóia!

Daniel Brazil em março 17, 2008 8:42 PM


#47

Idelber,
A história recente da Colômbia mostra um detalhe interessante: não há interesse de Uribe e das forças armadas colombianas acabarem com a guerrilha. Aquele é reconhecidamente um político ligado aos paramilitares (inclusive seu pai foi morto pelas Farcs) e há evidências fortes de sua ligação direta com o cartel da droga (precisamente em Medellin - veja artigo do Wálter Maierovitch sobre isso na Carta Capital). A "luta contra o terrorismo" é o mote para se manter no poder, principalmente em um país já farto de anos de guerrilha. É exatamente esta "pseudo luta" contra os "narcoguerrilheiros" que lhe dá a popularidade (além de se beneficiar indiretamente dos resultados de políticas de gastos dos governos subnacionais, como você mencionou). Qualquer jovem estudante de ciência política sabe que matar o negociador de um grupo guerrilheiro - ou terrorista se quiserem os mal intencionados e ignorantes deste assunto - só dificulta o processo de paz. É fato que o governo francês estava negociando diretamente com Reyes a libertação de Ingrid Betancourt. Agora Uribe praticamente inviabiliza a negociação e ganha mais tempo para se justificar como paladino anti terrorista.
Se a Uribe e seus asseclas não é interesse negociar com as Farc, para as forças armadas muito menos. De fato, elas têm um poder na Colômbia desproporcional. Talvez seja no mesmo nível das ditaduras latino-americanas nos anos setenta. Este poder é consequência direta da quase cinquentenária luta contra a guerrilha (não só Farc, mas também o ELN e outros grupos menores) e da relação umbilical com os para militares. E veja bem: poder e dinheiro. Precisamente, não há - exatamente por isso - nenhum interesse em acabar com a "guerra". Muito melhor é manter as Farc sob controle, mas sem um acordo de paz ou uma "guerra definitiva".
Finalmente, ainda há os EUA que, sob o pretexto da luta contra as drogas e o "terrorismo", praticamente possuem uma base americana em território colombiano.
Enfim, é um imbróglio, que essa direita tupiniquim nada sofisticada e pautada por jornalismo de segunda categoria, dificilmente conseguirá entender. Concluir que Uribe conseguiu diminuir, por seus peóprios méritos, os índices de violência na Colômbia é uma assertiva, senão pueril e ingênua, mal intencionada.
Saludos atleticanos
Fred

Fred em março 17, 2008 9:22 PM


#48

Sem dúvida que a política externa do Brasil está, guardadas as devidas proporções, mil furos acima da dos EUA -- mas aí já é chutar cachorro morto, ou lame duck, hehehe...

O que eu quis dizer foi que, se o Brasil tivesse tomado uma posição mais clara em defesa dos valores democráticos na região, poderia até aumentar um pouco a "fricção" na América Latina, mas seria reconhecido pelas grander potências como um player, apto a ter um assento no Conselho de Segurança da ONU, por exemplo.

Minha opinião é de que, a pretexto de manter uma suposta "unidade latino-americana" que ninguém sabe bem o que é ou como funciona (e na qual o Chávez aparece -- só aparece, concordo -- como "líder"), o Brasil deixa passar oportunidades em um cenário maior, para as quais está mais do que capacitado econômica e politicamente.

Peter Alms em março 17, 2008 9:43 PM


#49

Sabe o que é, Alba, cansaço de ver os mesmos "não-argumentos" se repetindo em todo canto.

Hugo Chávez "chefão" do Brasil? Percebe quão rasteiro é isso? Quão rasteiro é acreditar que a resposta brasileira às bravatas do Evo Morales foram menos enfáticas do que o necessário? Quão estúpido é pensar que o certo mesmo teria sido uma declaração de guerra contra a Bolívia?

Entende?

Estou meio farto. Essas pessoas podiam, ao menos, virar o disco. E esses neologismos? "Lulopetistas" ... de onde tiram isso?

Quem sabe um tempo aqui no Biscoito ensine esse pessoal a melhorar na qualidade das discussões.

=)

Thiago em março 17, 2008 10:11 PM


#50

Caro Idelber,

Muito esclarecedor o texto. Estava debatendo Colômbia com um amigo venezuelano e ele me informa que há fortes indícios de que haverá um movimento "popular" para que Uribe possa exercer um terceiro mandato (algo que nåo é previsto na constituição daquele país). Acredito no que ele disse, é um sujeito bem informado.

Escrevi um post sobre o assunto, me permita divulgar aqui. http://www.pimentanosolhos.net/?p=581

Abraços!

P.S.: Você recebeu meu resumo para o SLAS?

Marcio Pimenta em março 18, 2008 1:21 AM


#51

Caro Idelber,

Muito esclarecedor o texto. Estava debatendo Colômbia com um amigo venezuelano e ele me informa que há fortes indícios de que haverá um movimento "popular" para que Uribe possa exercer um terceiro mandato (algo que nåo é previsto na constituição daquele país). Acredito no que ele disse, é um sujeito bem informado.

Escrevi um post sobre o assunto, me permita divulgar aqui. http://www.pimentanosolhos.net/?p=581

Abraços!

P.S.: Você recebeu meu resumo para o SLAS?

Marcio Pimenta em março 18, 2008 1:22 AM


#52

Idelber,

Acho importante que você tenha abordado este tema com o uso de uma correta visão histórica, olhando as origens do estado terrorista no passado colonial, suas disputas e ações bárbaras contra camponeses, e feito crítica ao conservador editorial do Globo. Mas tenho discordância, desejo pontuá-la:

Dizer que FARC, paramilitares e exército igualmente praticam extorsões às populações camponeses me parece incorreto com todos. Com paramilitares e exército é palavra leve, não explica que as técnicas usadas para tal são as mesmas que militares americanos aplicaram no Vietnã, ou aqui mesmo no Brasil para acabar com a Guerrilha do Araguaia, aterrorizando as populações simpáticas à guerrilha na base da tortura. Quanto as FARC, basta um pouco de raciocínio para perceber que sendo os camponeses a base de seu exército, seria totalmente incoerente extorqui-los para depois convocá-los. O que fazem, por dominar uma parte do território colombiano, é cobrar ajuda e recursos dos latifundiários, como se fossem um estado a cobrar seus impostos, me parece uma outra ótica.

É exatamente por esta prática, de cobrar pesadamente quem tem muito, incluindo aí grandes latifundiários de plantações de coca, que surgiu um pesado impropério sobre as FARC serem uma guerrilha de narcotraficantes. Não há outro fato que justifique, a não ser as palavras de Louis Stamb , ex-embaixador dos EUA em Bogotá e quadro ligado à CIA, que após reunião no Pentágono chamou os holofotes da mídia para vender o novo conceito para desqualificar a guerrilha junto à opinião pública. Teve sucesso e até hoje a mídia repercute tal idéia sem a menor visão crítica, ela tem lado no imbróglio colombiano.

Para dar sustentação ao que aqui digo, entre tantas fontes possíveis, cito artigo de Miguel Urbano Rodrigues, jornalista e escritor português, por quem devoto grande estima, que teve a experiência de conviver com as FARC:

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=22563


Jurandir Paulo em março 18, 2008 1:29 AM


#53

Escrevi algo sobre isso no meu blog, minha visão sobre o assunto é bem parecida com a sua.

Se fosse a Bolivia que tivesse bombardeado o Brasil atrás de terroristas tenho certeza que os nossos direitistas iriam clamar pela guerra.

Por conta de nossa mídia míope, muita gente aqui no Brasil ainda acha que cocaína na Colômbia é monopólio das FARC, o fato é que a cocaína é um produto muito importante da economia colombiana para não ter o estado participando ativamente.

No mais acho que os reféns só se ferram nessa, por mais que o Chavez seja "interesseiro" em se promover politicamente com a libertação dos reféns isso não diminui em nada sua importância, sinceramente, se eu ou algum ente querido estivesse sofrendo como sofrem os reféns eu não me importaria se é Chavez, Uribe ou o próprio Bush que me soltaram.

Libertário em março 18, 2008 3:14 AM


#54

Caro Idelber
Que situação, hem? A atual política externa é boa? É, MAS NÃO EM RELAÇÃO A AMÉRICA DO SUL.Você tomou conhecimento da constrangedora participação do ministro Celso Amorim no comitê de Relações Exteriores no Senado? Acredito que não! Entre outras coisas deploráveis (como a lamentável participação de Suplicy, que foi duramente contestada), o atual ministro fez mais concessões às FARC em uma sessão, do que todas as concessões que o Barão do Rio Branco fez pelo nosso país em toda sua carreira. E pergunto: Você queria que as tropas bolivianas além de invadir as instalações da Petrobrás ainda por cima bombardeassem seu próprio território para CARACTERIZAR O DELITO cometido?
Em RELAÇÃO A AMÉRICA DO SUL nossa política externa, concordo que APENAS MANTEMOS A SITUAÇÃO. Honestamente, de boa não tem nada! E não fique eufórico pela presença do presidente do Equador em nosso país para o beija-mão. Foi um passo calculado, nossos países não tem fronteira!

Paulo em março 18, 2008 6:19 AM


#55

Saludos Idelber.
Tu análisis es interesante, pero voy a escribir algunos comentarios y apreciaciones. Perdona el desorden de ideas. Lo haré en español, porque mi portugués es bastante deficiente.

No he leido el artículo de Nelson Motta al que haces referencia (un enlace sería genial), pero supongo que hace referencia como modelo de Estado bolivariano al de Hugo Chávez en Venezuela, supongo en un intento de desvirtuar su gobierno.

En primer lugar, las FARC se autoproclaman como un grupo marxista-leninista (no maoísta) y bolivariano. Las FARC se autodenominan como "Hijos del Libertador" y señalan similitudes entre su discurso y el de Simón Bolívar. Si bien es cierto que el objetivo de un Estado Bolivariano por parte de las FARC sólo aparece de manera explícita después de la aparición del bolivarianismo en Venezuela, es innegable la figura que ocupa Simón Bolívar en muchos de los grupos guerrilleros que han existido en Colombia, mucho antes de que apareciera Hugo Chávez en Venezuela. Por ejemplo, el M-19 inició sus actividades robando la espada de Simón Bolívar en 1974 y en 1987 las guerrillas de Colombia se asocian como Coordinadora Guerrillera Simón Bolívar para las conversaciones de paz.

- "É pior ainda o rótulo de “terroristas”, já que o que caracterizou tradicionalmente as Farc nunca foi o ato terrorista no sentido clássico, como a bomba em lugares públicos."
Las FARC si han colocado bombas en sitios públicos. El caso más conocido se dio en el Club El Nogal en Bogotá (capital de Colombia) bajo la excusa de que allí se daban reuniones entre dirigentes políticos y paramilitares. Aunque esto pueda ser cierto, ¿es eso una excusa sufiente para asesinar personas que no tenían nada que ver? Esto es terrorismo, al menos en la definición de sentido clásico que señalas. Aunque las FARC combaten todavía al ejército, muchos de sus actos más notables constituyen ataques a poblaciones y a la infraestructura del país.

- "A recente popularidade de Uribe se apóia na diminuição real dos índices de violência, que tem um conjunto de causas:..... a reinserção do M-19,.."
La desmovilización del M-19 se dio a principios de los años 90s.

- "Raúl Reyes era a figura designada pelas Farc para a negociação de paz que, como sabemos, já envolveu outros governos da região"
Esto es cierto. Pero también es cierto que Raúl Reyes fue una de las figuras más reticente y dura durante los diálogos que se presentaron en el gobierno de Andrés Pastrana. Reyes hacia parte del ala más militarista de las FARC.

- "“base” a um acampamento de onde jamais havia saído nenhuma operação militar"
En el campamentose se encontraron armas, camas de madera, acomodaciones como televisor, enfermeria, cocina, etc. No es claro a que te refieres con que nunca habia salido ninguna operación militar. Muy probablente aqui se refugiaban hombres de las FARC después de atacar en Colombia.

No debe caber duda de que el estado Colombiano violó la soberanía ecuatoriana. Y lo hizo en un marco peligroso promulgado por el gobierno de los Estados Unidos de combatir el "terrorismo" sin importar donde este se encuentre. La discusión de terrorismo es muy subjetiva porque incluso los estados que dicen combatirlo utilizan técnicas que a todas luces son terroristas, al menos en lo que confiere al daño a la población civil. También es claro que no todos los integrantes de las FARC son terroristas, o incluso están por su propia voluntad, como lo señalas, muchos son campesinos sin más opción, muchos son niños y niñas desde los doce años (las FARC dicen que sólo reclutan a partir de los 15 años, pero esto es, a todas luces, falso).

Difiero notablemente en tu apreciación de que el ataque a Reyes se realizó para quitarle capital político a Hugo Chávez en el tema de las negociaciones para la liberación de los rehenes. Esto bien puede ser verdad, pero la razón principal por la que se violo la soberanía de Ecuador para ocasionar la muerte de alias Raúl Reyes fue para romper el mito de que los miembros del Secretariado de las FARC sólo se morían de viejos. Si fue un golpe político, pero a favor de Uribe (aunque la situación en Colombia es tal que Uribe tiene un índice de favorabilidad de 84%, mientras que Chávez uno de desfavorabilidad del 90%)

En el colectivo popular es tan fuerte el rechazo (99%)a las FARC, que irracionalmente muchos asocian todo lo que sea de izquierda con terrorismo. Es realmente triste. Se exterminó por completo un partido de izquierda (Unión Patriótica) por parte del narcotráfico, el paramilitarismo y, en muchos casos, agentes del Estado. Los líderes de izquierda son constantemente amenazados. El mismo Uribe llamó a miembros de la oposición "terroristas de civil" o "comunistoides". En la cumbre de Río dijo que "no me aplique el cinismo que tienen los nostálgicos del comunismo". Existe un fuerte polarización: "O estás con Uribe y Colombia o estás con las FARC" se ha llegado a escuchar. El problema es que existen algunos sectores de la izquierda (dentro de la coalición - el Polo Democrático Alternativo (PDA)-) que no rechazan de manera tan rotunda las acciones de las FARC, por lo que por asociación se incluyen a todos los miembros de éste grupo. Además, para muchos, el rechazo del PDA contra las FARC no es suficiente, ya que siempre incluye críticas al gobierno (lo cual es necesario, ya que hacen parte de la oposición). Otro hecho importante es el rechazo generalizado contra Chávez, ya que muchos asocian la izquierda con éste, y no con gobiernos más abiertos como el de Lula.
En Colombia, mientras existan las FARC, mientras no se sanee el paradigma mental contra la izquierda y mientras en Venezuela gobierne Hugo Chávez, muy díficilmente la izquierda llegara al poder.
Así que de cierta manera, el peor enemigo de la izquierda democrática en Colombia es las FARC. Lo que es una desgracia, porque muchas de las propuestas políticas interesantes en Colombia provienen de la izquierda democrática.

Alejandro em março 18, 2008 6:47 AM


#56

O que ninguém fala é: por que a Colômbia se transformou num país dominado pelo tráfico de cocaina?
São os colombianos que sustentam o narcotráfico colombiano?
Indo direto ao ponto: qual é o mercado consumidor da cocaina colombiana?
Por que e para quem criou-se a máfia da cocaina colombiana?
Como foi que eles ficaram tão fortes, ricos e poderosos (ao ponto de se infiltrarem - ou mesmo dominarem - as Farc e os paramilitares)?????

Vamos lá...vamos ver se alguém chega à origem de toda essa confusão.

aiaiai em março 18, 2008 8:19 AM


#57

Idelber, sua paciência é admirável. Você é tão tranqüilo e compreensivo que chega a irritar (risos). Falando sério: gostaria de ter metade da tua disposição em argumentar com a direita raivosa. Seu papel é muito importante. "Eles" nunca vão mudar, por mais argumentos e informáções incontestes que você tenha na manga. Não acredito que um sujeito cuja visão política é extremamente conservadora vai ser capaz, um dia, de analisar um episódio como o das Farc, de Cuba ou da Palestina com o mínimo de bom senso e ponderação. Mesmo assim, reconheço, sua disposição em argumentar tem uma importância fundamental. Você expõe a fragilidade das idéias defendidas pela extrema direita e sua completa falta de competência para argumentar e manter o nível do debate.

Bruno Ribeiro em março 18, 2008 9:48 AM


#58

"Visite um camponês cundiboyacense e observe no seu semblante o terror"
Obrigada pelo post professor, a transparência de suas palavras reluz como um cristal, iluminando nossa consciência .Ainda não perdi a esperança no seres humanos.
Obrigada
um abraço

Izabella em março 18, 2008 10:35 AM


#59

Idelber, muito esclarecedor. seu post e a discussão toda aqui. Como sempre. Estou acompanhando desde ontem. E aprendendo. Aliás, bem a propósito do post de ontem do seu amigo Pedro Dória : a força dos blogs na divulgação dos não ditos pela grande imprensa.
Abç, Flávia

Flávia em março 18, 2008 10:56 AM


#60

Brillante, Alejandro -- gracias por las aclaraciones. No difiero de mucho de lo que dices. No creo que sean contradictorias las afirmativas mía (de que el asesinato de Reyes tenía el objetivo de quitarle capital político a Chávez) y la tuya (de que era fundamentalmente un golpe a la noción de que los líderes de las Farc sólo se morían de viejos).

Sobre el bolivarianismo, los contraejemplos que me presentas -- anteriores a Chávez -- son del M-19, no de las Farc. Yo seguiría insistiendo que el recurso reciente al término es retórico e intenta capitalizar sobre la figura de Chávez. En todo caso, el dato es menor.

!No fue el enlace al artículo de Nelson Motta porque Folha de São Paulo está cerrada para los que no suscriben al diario! De tanto frustrar a los lectores con enlaces protegidos, decidí no ponerlos....

En cuanto al maoísmo. ?Seguro de que no hay un elemento de inspiración maoísta en las Farc? Cualquier maoísta se definirá como "marxista-leninista". De hecho es la operación terminológica que los suele distinguir. Sigo aquí el análisis de Eduardo Pizarro LeónGomez, en un libro titulado Nuestra guerra sin nombre: Transformaciones del conflicto en Colombia, editado por Norma. Allá se demuestra que las Farc sí adoptaron tesis maoístas, como "la guerra popular prolongada" y "la estrategia centrífuga" (a ver si funciona este enlace a la versión del libro en Google Scholar).

Pero más allá de cualquier matización o desacuerdo, estimado Alejandro, lo que realmente te agradezco es la atención detallada a esta tragedia: la deslegitimación total de la izquierda en Colombia, gracias al éxito (esperemos que temporal) de esa desgraciada estrategia de "si no estás con Uribe, estás con las Farc", brutal simplificación del mundo del que tuvimos, aquí mismo en esta caja de comentarios, algunos ejemplos.

Abrazos para ti

e abraços para meus compatriotas.

Idelber em março 18, 2008 11:08 AM


#61

Li todos os comentários, também me surpreendi com a paciência do Idelber, e fiquei feliz em ter gente como Luis que entendeu o ponto x desta questão. Acho que ficou claro que todo mundo é contra as Farc, ou pelo menos contra seu modus operandi, ou contra o que elas se tornaram. Mas o que me deixou realmente indignada foi ver gente como o Foca achar normal a invasão de um país por outro... Isso volta à visão Bush do "terrorismo". Este, seria justificativa para qualquer coisa? Para quebrar todas as regras? Para desrespeitar conceitos básicos de Direito Internacional?

Ana Carolina em março 18, 2008 11:16 AM


#62

Ana, faltou o agradecimento a você por ter insistido comigo na importância do tema. Valeu, um beijão :-)

Idelber em março 18, 2008 11:18 AM


#63

É curioso como o discurso de alguns comentaristas se assemelha ao que a veja faz, confundir.
Em primeiro lugar O blogueiro frustra muitos abrindo o jogo e declarando detestar as Farc.
Frustra porque esvazia a questão e deixa sem sentido perguntas do tipo;
´Afinal de contas, qual é a reivindicação das Farc? Marotamente dirigida às esquerdas.
Depois, segue com uma bela análise sobre como a direita subverte a realidade rotulando os adversários, de forma desonesta, por aquilo que eles também fazem.
Porém, alguns comentaristas com os olhos e ouvidos bem fechados,vão pincelando uma coisinha aqui e outra ali do texto e transformam essas
coisinhas em monstros e fazem disso o seu debate. Eles querem debater somente o que lhes interessa. E de preferência se eles puderem decidir sobre o tema.E melhor ainda se eles decidirem o que teríamos que dizer. E assim vai.
Apresentam até um manifesto das Farc, em português, e utilizam-no como prova.
De boa-fé vamos acreditar que o tal 'manifesto' seja verdadeiro, e portanto acreditar que
as Farc sejam bolivarianas porque assim esta escrito naquele 'manifesto'.
Mas então é verdadeiro também afirmar que o governo de Uribe não é legítimo e as Farc querem a paz, já que logo no início
do 'manifesto há a seguinte afirmação;

'1. A dignidade convoca-nos à resistência em unidade, frente ao governo foragido, ilegítimo
e ilegal que se apossou do Palácio de Nariño; convoca-nos à convergência e ao Acordo
Nacional para superar a profunda crise institucional e de governabilidade que abate o país,
e para concertar caminhos certos rumo à paz duradoura.'
Mais verdades segundo o 'manifesto';
'2. O governo de Uribe marcha ao compasso das directrizes de Washington e das exigências de
poderosos capos narco-paramilitares como Salvatore Mancuso, Jorge 40, Castaño, Cuco Vanoy,
Isaza, Báez, Macaco, Don Berna, El Alemán, Giraldo, El Tuso, Gordo Lindo e outros sinistros
personagens da moto-serra e da cocaína, sócios do presidente. Essa máfia financiou com
maletas repletas de dólares as duas campanhas presidenciais de Uribe.'
Prova cabal do que o que afirmou o Idelber sobre o dinheiro da droga financiar todos
os lados, mas só uma recebe o prefixo 'narco'.

Tem até um trecho onde eles respondem em parte a pergunta sobre a o que querem as Farc;

'Seria preciso um governo compenetrado da necessidade da paz que, apoiado no povo e no
interesse nacional, tomasse a decisão de fazer regressar as tropas aos seus quartéis,
reduzisse drasticamente o orçamento da guerra em favor do investimento social
e exigisse a saída do país das tropas e assessores estado-unidenses intrometidos
no conflito interno e factor atiçador da guerra, para dar o passo resoluto aos diálogos de paz.'

Ou seja, paz, paz, paz.

FM em março 18, 2008 11:31 AM


#64

Muito bom seu comentário. Realmente, Uribe, outrora negociante do Cartel de Medelin, comporta-se como o testa de ferro de Bush, na A. Latina. Além de tentar minar Chávez, o "sombra" teme o retorno de Betancourt, que atrapalharis seus planos para o 3º mandato. A manutenção das FARC como inimigo preferencial é interessante para o seu patrão, os EUA, e para sí próprio. Para os EUA, porque justifica a continuação da Operação Colômbia, para o "sombra", porque justifica investimentos em armas e exercício autoritário do poder. De qualquer maneira, nada justifica o crime contra a soberania do Equador. E, finalmente, ninguém quer que a Colômbia faça aqui o papel sujo de Israel.

Armando em março 18, 2008 12:54 PM


#65

Idelber, saludos de nuevo.
Sí, en esencia las dos hipótesis no son contradictorias (la del bombardeo de Reyes).
Tienes razón en lo que respecta a la denominación de bolivarianas de parte de las FARC. Eso señalo precisamente, que aunque antes de Chávez existían referencias al pensamiento de Simón Bolívar, aún dentro de las FARC y otras guerrillas colombianas, las FARC sólo se autodenominan específicamente como "bolivarianas" a partir del año 2000. Otra cuestión es discutir en realidad que tan "bolivariano" era el mismo Simón Bolívar o que tan desvirtuado ha sido su ideología.
No conocia el libro de Pizarro Leongómez (obrigado!), pero aunque es posible que se encuentren elementos maoístas, la FARC se autodenominan de corte marxista-leninista. Incluso, ante la dura defensa de esta corriente, surgió el EPL (Ejército Popular de Liberación, inicialmente de corte maoísta, luego estalinista, hoy reinsertado en su gran mayoría) y el ELN (Ejército de Liberación Nacional, inspirado en la revolución en Cuba). Estas guerrillas pasaron por etapas en las que se atacaban entre sí y posteriormente pactos de no-agresión. De todas maneras, encontrar cualquier ideología en las FARC es cada vez más díficil. Las FARC son a todas luces un grupo anacrónico y desvirtuado, contrario a todo el movimiento de la izquierda en América Latina, que de manera general ha llegado al poder democráticamente.
Con respecto a algunos comentarios
- La reducción de los índices de violencia en ciudades como Medellín y Bogotá se debe, entre otras causas, a medidas de enfoque social promulgadas por las alcaldías.
- La izquierda no se encuentre deslegitimada totalmente. En Bogotá, ya han sido elegidos dos alcaldes de izquierda. Pero es muy poco probable que se llegue a elegir un presidente de izquierda o que el Congreso sea dominado por la izquierda.
- Existe la idea de realizar un referendo para hacer posible la reelección de Uribe por un tercer período. Uribe no se ha pronunciado al respecto (como tampoco lo hizo antes de que se aprobará la reelección en Colombia). Si Uribe puede presentarse como candidato, muy seguramente será elegido.

De todas maneras aclaro que esto son sólo detalles. En muchos aspectos, tienes más conocimiento del conflicto colombiano y sus causas que muchos colombianos.
Tus textos en general son muy interesantes, hace ya un tiempo los he estado leyendo para mejorar mi portugués.

Parabéns.

Alejandro em março 18, 2008 3:22 PM


#66

Idelber, algumas questões:

1. Pra você o que seria Terrorismo? No âmbito da ONU, órgão extremamente refratário a qualquer coisa que venha dos EUA, chegou-se a um certo consenso de que atos terroristas são aqueles que causam morte, ferimentos ou sofrimento em civis ou qualquer pessoa alheia às hostilidades, visando a intimidar o povo ou compelir governos ou organismos internacionais a fazer ou deixar de fazer algo. Em 2005, o Anan pretendia por em votação uma resolução com um conceito ainda mais largo, abrangendo qualquer ato de violência contra civis com o objetivo de intimidar, governos, organizações ou povos. Nesse contexto, torna-se inescapável reconhecer que as FARC usam táticas terroristas, calcadas no tripé clássico: alvos civis inocentes, intimidação e imposição de agenda política.

2. O que falta para as FARC serem consideradas bolivarianas? Uma declaração prestada em cartório e autenticada em quatro vias? Reconheça, o drible que o Peter lhe deu foi espetacular Os manifestos são o veículo-mor que grupos como as FARC possuem para externar suas "plataformas" (se é que ainda a possuem. Custa nada lembrar, que, num timing que evidencia a orquestração do ato, logo após a recente libertação de reféns, O Hugo Tinha-que-ser-o-Chávez discursou a guerrilha de "movimento bolivariano com projeto político respeitável". Hoje, não se pode pensar as FARC sem tentar compreender a geopolítica latino-americana. O problema internacionalizou-se. Fracassadas as tratativas de paz do André Pastrana, derrotar miliatrmente o grupo virou objetivo nacional colombiano. Leitmotiv da eleição e da reeleição do conservador Uribe. Basta dizer que nada menos que 99% da população repudiam o grupo e que a popularidade do presidente nunca esteve tão alta. O combate ferrenho aos narcoguerrilheiros fez com que estes perdessem sua capacidade de combate e retrocedessem as faixas de fronteira, procurando desesperadamente por uma trégua estratégica, via criação de zona desmilitarizada. Só que isto já foi feito e o resultado todos nós sabemos: aumento do número de seqüestros. Degenerado moral e politicamente, militarmente combalido, os guerrilheiros viram no bufão venezuelano a chance de sobrevivência. Magnoli: "O chavismo não é um caudilhismo tradicional, mas um movimento internacionalista articulado em torno da ideologia bolivariana. A decisão de financiar as Farc e de resgatar a guerrilha da beira do precipício se inscreve na lógica de um projeto revolucionário latino-americano. Na visão de Chávez, Venezuela e Colômbia são entidades geopolíticas artificiais, oriundas da fragmentação da Grã-Colômbia. O projeto do caudilho é a restauração do efêmero Estado presidido por Simón Bolívar entre 1819 e 1830. Nesse projeto, as Farc figuram como exércitos libertadores bolivarianos atuando em território ocupado.
A Venezuela chavista não pratica uma política externa realista e não reconhece o princípio da soberania nacional, que invoca aos brados quando a Colômbia bombardeia um santuário das Farc em terras do Equador. O evento que se desenvolve na América Latina, e do qual faz parte o giro diplomático do equatoriano Rafael Correa, só pode ser compreendido à luz da política externa revolucionária de Chávez. A intromissão permanente nos assuntos dos países latino-americanos é um traço estrutural do chavismo."
Diante disso, convém lembrar que o perpectivis histórico contido no post em nada socorre a atual conjuntura, além de servir de escusa para os paramilitares, visto que também são resultado do caldo histórico por vossa senhoria relatado. A verdade que, há muito, as FARC abandonaram a ideologia marxista. Caralho, tanto é verdade que entraram nessa onda de bolivarianismo sem que ninguém saiba que bicho é esse, nem o próprio Chávez. Das tumbas, acho que tanto Marx quanto Caio Prado Júnior estão dando boas risadas na parte da esquerda que v^no bufão a rdenção do socialismo...Portanto, dentr do pano geopolítico de fundo, torna-se necessária uma matização maior sobre o ato do governo Uribe. Houve desrespeito à fronteira equatoriana? Evidentemente. Mas a troco de que? A corrida armamentista niciada pelo Cháves e a mobilização de tropas pós-ataque dão a pista.

Abraço

Kbção em março 18, 2008 6:05 PM


#67

Alejandro, soy yo el que debe agradecerte los comentarios. Muy especialmente, el testimonio de que la reducción de los índices de violencia tiene que ver, entre otras causas, con los programas de alcadías.

Comparto tu preocupación con los rumbos de la izquierda en Colombia y seguiré acompañando la cuestión. Vuelve siempre, un abrazo.

Idelber em março 18, 2008 6:59 PM


#68

" A imprensa brasileira capitulou às exigências das Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc) e continua designando como "guerrilheiros" os terroristas que seqüestram inocentes e fazem chantagem com vidas humanas.

Os dramáticos relatos dos quatro parlamentares colombianos liberados pelas Farc na quarta-feira (27/2) sobre as condições de vida dos demais reféns na selva revelam barbaridades só comparáveis às cometidas pelos nazi-fascistas durante a Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, nossos editores não se comovem nem se indignam e insistem em classificar aqueles que perpetram tais as barbaridades como "guerrilheiros".

Conceitos enganosos

A guerrilha não é moralmente condenável, não é crime, é uma forma de guerra não-convencional. Os maquis franceses eram guerrilheiros, assim também os partisans da Europa oriental e os partigiani italianos. Seus alvos eram as forças inimigas, não atacavam nem seqüestravam civis.

As Farc há muito abandonaram a guerrilha, já não conseguem travar combates, fazem apenas terrorismo – e terrorismo, por definição, é o emprego sistemático da violência contra inocentes para fins políticos. A libertação dos reféns na quarta-feira não foi ato humanitário, mas chantagem.

Jornalistas não podem oferecer os seus leitores conceitos enganosos. Jornalistas não deveriam seqüestrar o sentido das palavras".


Ganha um doce (doce mesmo, não aquele do Baladaboa...hehehe) quem adivinhar o autor do texto acima:

a) Reinaldo Azevedo
b) Ólavo Meu Car(v)alho
c) Jair Bolsonaro
d) O Opus Dei
e) Bushinho

Kbção em março 18, 2008 11:34 PM


#69

Paabéns, Idelber, por este excelente post. traz uma reflexao muito importante e absolutamente ausente na mídia brasileira, que conhece muito pouco do que passa na América Latina acima da fronteira da Argentina. Nas minhas viagens a Colombia, a trabalho, tenho visto claramente como a situacao é muito mais complexa do que quer vender a mídia brasileira.

Sem dúvida nenhuma Uribe é genial ao manipular o cansaco do povo colombiano com a violencia gerada pelo conflito interno para manter o poder de grupos políticos e economicos hoje em dia claramente vinculados à pára-política. O Le Monde publicou ontem um perfil muito bom do Uribe que poe a descoberto esta "habilidade" do presidente colombiano. Mas, enfim, como o Le Monde é de "esquerda" os boçais de sempre certamente acusarao o artigo de enviezado e coisa e tal. Melhor tapar os olhos do que encarar a realidade.

E voce está certo tambem quando acusa o crime cometido pelo Estado colombiano. Neste ponto a diplomacia brasileira foi irrepreensível, ao condenar este crime contra as leis internacionais.

Eu me lembrei de uma frase famosa atribuída a Lúcio Flávio quem dizia que "bandido é bandido, polícia é polícia". Ou seja, de um grupo fora da lei, como as FARC, se pode esperar qualquer coisa. Mas de um Estado constituído se espera que cumpra com a Lei.

Renato Guimaraes em março 19, 2008 2:50 AM


#70

O referendo pelo terceiro mandato é uma proposição do Partido Social de Unidad Nacional, o Partido de «la U», um partido uribista de extrema direita.

http://www.soitu.es/soitu/2008/02/07/info/1202343201_056565.html

Hermenauta em março 19, 2008 8:56 AM


#71

Ricardo, contra-argumentos, por favor. Vou resumir o as teses que defendi:
1. A jihad anti-Veja é pós governo Lula, sendo uma espécie de caixa de ressonância da nefasta fatwa decretada pela mulá Shall-we e pelo mulá Wanderley Guilherme dos Santos contra a grande imprensa, chamando-a de golpista e acusando-a de tentar derrubar o presidente operário;
2. O jornalismo de Veja, criticável ou não, continua o mesmo de tempos atrás, quando até mesmo o petê oposicionista a usava na guerra político-partidária. Basta dizer que o principal Ministro do primeiro mandato do Príncipe-Sociólogo caiu graças a uma fita e a uma reportagem nos moldes das publicadas hoje contra o tal governo operário;
3. A reportagem sobre o dossiê de Daniel Dantas no primeiro parágrafo falou da procedência do mesmo, em seu corpo questiou sempre a legitimidade dos documentos (chegando a compará-los com a Pasta Rosa dos tempos da Tucanada) e, no final, condenou as chantagens do orelhudo baiano;
4. Essa guerra das teles tem muita sujeira pra se tomar partido precipitadamente, basta ver o interesse do governo em alterar a legislação para favorecer certas empresas e as ligações apuradas pela justiça italiana entre a Telecom Itália e políticos brasileiros;
5. A revista do Minhocarta virou uma correia de transmissão do oficialismo. Durante o pipocar de denúncias do mensalão, teimava em dar capas para o Daniel Dantas, sem nem mencionar o caso. Ultimamente, após o ministro do planejamento Paulo Bernardo ter citado pela primeira vez o termo CPI da Tapioca, a revista deu capa com o mesmo termo, desdenhando de uma dos problemas que nos tornam bananeiros, o patrimonialismo selvagem. Detalhe, tenho um irmão assinante do panfleto, que parece o Diário Oficial, só que mais coloridinho. As críticas à política econômica do governo, uma das poucas áreas louváveis, só contam contra;
6. As críticas ao Na$$ifra nada têm de ad hominem, têm em mira o jornalismo por ele praticado;
7. A principal função do quarto-poder é cutucar os demais poderes.
Olha, queria lhe fazer algumas perguntas, nada retóricas. Pra vossa senhoria, o que caracterizaria uma pessoa como extrema-direita? Sabe qual é o ideário da extrema-direita mundo afora? Quem, no Brasil, pode ser chamado de extrema-direita? Alguém que defenda a liberação das drogas e a união civi homossexual; que seja ateu e defenda o estado laico; que seja anti-racista e não ache que a raça deva servi para discriminações, sejam positivas ou negativas; que defenda ardentemente as liberdades civis, em especial a de expressão; que apóie o livre trânsito de imigrantes, respeitadas as normas internacionais e que, por fim, defenda a democracia liberal como um sistema menos ruim e repudie qualquer ditadura, seja de esquerda (Cuba) ou de direita (Chile de Pinochet) pode ser chamado de extrema-direita? Idade não confere sabedoria. O Sartre, baita filósofo, depois de velho, rendeu-se ao maoísmo e ao stalinismo. O Heidegger ao nazismo. O centenário Niemeyer ainda paga pau ao Guia Genial dos Povos. Por aí vai...Quer coisa mais infantil do que, numa discussão séria, dizer: você perdeu!? Que argumento profundo, hehehe. De fato, este é irrespondível... Deixa de lado a verborragia oca e argumente, meu velho!
Abraço

Kbção em março 19, 2008 5:08 PM


#72

Que kbcinha...

enio em março 20, 2008 3:09 PM


#73

Renato, prazer tê-lo aqui. Não são muitos os brasileiros que acompanham o cotidiano da América Hispânica, e representa muito para mim que você tenha gostado.

Queria responder mais coisas, mas em lan house não dá. Semana que vem, já em New Orleans, se sobrar um tempinho, comento a última rodada de argumentos.

Idelber em março 20, 2008 3:50 PM


#74

Olá,

Sou nova nessa "Blogsfera", mas já estou adorando! Sou jornalista e gostei mto do conteúdo do seu blog.

Visita o meu: http://cafecomletras.spaces.live.com

Espero que goste!

Beijos

Juliana Borel em março 20, 2008 4:01 PM


#75

Interessante como os direitistas tupiniquins escondem suas identidades atrás de pseudônimos.

Cláudio Freire em março 20, 2008 5:44 PM


#76

Algumas mascaras andam caindo nesta história toda depois que o Chavez começou a ter eficacia no libertar dos refens.....A Colombia direitista se armou do pior tipo de modos de agir(com a tradicional cooperação da CIA!) e do outro lado o Equador tornou-se personagem válido e com o que dizer na América do Sul.....e os STATES ficaram sabendo que presidentes eleitos por aqui tem respaldo popular sim.....E nos com todos esses posts sobre FARC conhecemos melhor o URIBE "Tres caras"....verdadeiro mestre dos disfarces.....
Caiu a mascara!

HRP Mané! em março 21, 2008 5:07 PM


#77

Já que citaram o sociólogo Colombiano, vai uma dica.
Tem um livro dele publicado no Brasil (pasmem!), pela Biblioteca do Exército:
"Uma democracia sitiada" (2006).

João Paulo Rodrigues em março 21, 2008 8:14 PM


#78

Lendo alguns comentários tenho a impressão que o movimento FARC é assemelhado a Liga das Senhoras Católicas!
Com o pequeno detalhe que portam algumas armas.

Paulo em março 25, 2008 9:36 AM